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Você acredita que a morte é um ponto final que sela nossa existência, como se fosse o ultimo ponto, da ultima sentença do livro de nossa vida?

Eu sinceramente não sei, mas gostaria que não fosse. Não sendo, além de imaginar que é possível algum grau de consciência – quiçá superior a essa do plano limitado da matéria – ingressar em outra esfera existencial, mas não só isso. A ideia de um “outro lado da vida”, torna mais simples e lógica a compreensão de um amplo volume de mistérios incompreendidos hoje, e que quando analisados criteriosamente, nos colocam diante de uma clara bifurcação na compreensão do mundo: O materialismo do concreto, do empirismo cristalino tão cultuado e apreciado outrora, talvez não dê conta de explicar todos os fenômenos que se manifestam.

Por que vivemos e o que acontece com nossa consciência depois que morremos é uma das grandes questões existenciais. Os dois pilares das grandes perguntas, jamais esclarecidas. E digo mais, de uma certa forma, a justa falta de compreensão completa sobre essas possíveis respostas é o que nos dá uma condição de seguir vivendo. Diz o senso comum uma frase emblemática: “Como saber se existe vida após a morte, ninguém voltou de lá pra contar?” Será mesmo?

Tudo se tornaria incrivelmente mais cômodo para uma compreensão do mundo materialista do tipo 2+2=4, se a consciência acabasse tão logo a pressão encostasse e nossa linha do monitor cardíaco se tornasse horizontal:

Píííííí…

 

Talvez, essa seja, de todas as questões da busca da compreensão do universo, a mais difícil. É o Jackpot do conhecimento.

De outro lado, aceitar as possibilidades não-materialistas do universo, pode nos levar numa perigosa estrada de incertezas, marcadas por religiosidades, questões de tradições místicas e culturais que se tornarão o novo viés para a compreensão de tudo? Um xamã diz uma coisa, um padre diz outra, uma bruxa diz outra. Qual a forma pelo qual poderemos tatear as mais obscuras estradas do que não conhecemos, senão pela ciência?

Mas como fazer ciência sobre o que acontece com o morto depois que ele “abotoa o paletó de madeira”?

De fato é complicado até como eu disse antes, o senso comum atesta que “ninguém voltou pra contar”. Mas na verdade, talvez você se surpreenda ao saber que já teve gente que voltou para contar.

Em 24.03.2013, no  Fantástico, da Rede Globo de Televisão, foi apresentada uma reportagem bem interessante: “Neurocirurgião volta do coma e se convence que há vida após a morte”, na qual se relatou a experiência de quase-morte vivenciada pelo neurocirurgião norte-americano Eben Alexander III , que foi professor de medicina na Harvard Medical School.

O que faz desse caso algo extraordinário é o fato de que Dr. Alexander como todo produto de uma formação edificada sobre um viés de mundo materialista era bem cético, antes de sua própria experiência de EQM, iniciada em 10 de novembro de 2008, quando entrou num coma profundo, por sete dias, causado por uma forma rara de meningite.

Como todo bom defensor da lógica científica, até então não aceitava a Experiência de quase-morte – EQM como fato real; ele a considerava totalmente impossível; porém, após vivenciá-la na
própria pele, “voltou convencido de que existe vida do outro lado” , passando a ser um defensor incondicional da sua realidade. É bem provável que seus pares não devem estar gostando nada desta história, que, para eles, tem todo o sabor de uma crendice popular.

O termo “experiência de quase morte” (em francês, expérience de mort imminente), foi proposto pelo psicólogo e epistemólogo francês Victor Egger em 1896 em Le moi des mourants como resultado das discussões no final século XIX entre filósofos e psicólogos, relativamente às histórias de escaladores sobre a revisão panorâmica da vida durante quedas.

Em 1982, uma pesquisa do Instituto Gallup apontou que cerca de 8 milhões de norte-americanos já tinham passado pela experiência de quase morte. Até 2005, haviam sido documentadas menções a EQM em 95% das culturas do mundo. Um dos mais antigos registros de EQM está contido na obra “A República” (Livro X) de Platão.

As pessoas que viveram o fenômeno relatam, geralmente, uma série de experiências comuns, descritas nos estudos de Elizabeth Kubler-Ross  e Raymond Moody , tais como:

  • um sentimento de paz interior;
  • a sensação de flutuar acima do seu corpo físico;
  • a impressão de estar em um segundo corpo, distinto do corpo físico;
  • a percepção da presença de pessoas à sua volta;
  • a visão de seres espirituais;
  • visão de 360º;
  • sensação de que o tempo passa mais rápido ou mais devagar;
  • ampliação de vários sentidos;
  • a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo (“experiência do túnel”).

Nesse espaço, a pessoa que vive a EQM percebe a presença do que a maioria descreve como um “ser de luz”, embora seu significado possa variar conforme os arquétipos culturais, a filosofia ou a religião pessoal. O portal entre essas duas dimensões é também descrito como a fronteira entre a vida e a morte. Por vezes, alguns pacientes que viveram essa experiência relatam que tiveram de decidir se queriam ou não regressar à vida física. Muitas vezes, falam de um campo, uma porta, um portal, ou um lago, como uma espécie de barreira que, se atravessada, implicaria não regressarem ao seu corpo físico.

 

O Especialista no Cérebro que morreu e voltou

Conforme a reportagem do Fantástico, o Dr. Alexander estuda o cérebro há mais de 25 anos; portanto, é um especialista no assunto da mente humana, razão pela qual sua opinião merecerá todo um cuidado especial, uma vez que seria ilógico simplesmente negar a experiência vivida por ele.

Sem menosprezar outras pessoas e histórias (só na minha família somente são duas pessoas que já deram um rolê do outro lado e voltaram pra contar) certamente, que o seu relato tem um peso maior, ou seja, uma maior credibilidade, em razão do fato de que sua especialidade médica lhe dá condições de ver o fato não só com olhos de um cientista, mas como os de um integrante de uma ocorrência de EQM, que o coloca à frente de qualquer um outro especialista que ainda não tenha vivenciado esse fenômeno.

“[…] tive o privilégio de entender que a vida não termina com a morte do corpo ou do cérebro, […]


Na obra Uma prova do céu, – que eu acho um titulo bem bosta – na qual relata sua experiência, após “morrer” devido a complicações de uma meningoencefalite bacteriana de causa desconhecida  Dr. Alexander deixa bem claro que:

“[…] as conclusões são baseadas em uma análise médica da minha experiência e na minha familiaridade com os conceitos mais avançados da neurociência e dos estudos da consciência. […]” , “[…] sei a diferença entre a fantasia e a realidade, e posso assegurar que a experiência que estou tentando transmitir aqui, ainda que de forma vaga e insatisfatória, foi de longe a experiência mais real de minha vida”

 

Ele conta como foi a experiência pelo que passou:

A parte do cérebro que controla o pensamento e a emoção e, em essência, nos faz humanos desligou-se completamente. Enquanto os médicos tentavam me deixar vivo e já cogitavam interromper o tratamento, eu estive em outros reinos. Viajei para além deste mundo e encontrei um ser angelical que me guiou para os reinos mais profundos da existência superfísica. Lá eu conheci a fonte divina do próprio universo. E ao final dessa “viagem” meus olhos se abriram, para espanto dos médicos. Minha recuperação foi considerada um milagre médico. Hoje eu acredito que a verdadeira saúde só pode ser alcançada quando percebemos que Deus e a alma são reais e que a morte não é o fim da existência pessoal, mas apenas uma transição.

Não deixa de ser instigante ver um antigo defensor do fim da consciência com a ausência dos sinais vitais dar uma reviravolta de 180 graus após de estar na mesma pele dos poucos que passaram pela experiências transformadoras de morrer e voltar, os quais antes eram escarnecidos por pessoas como ele.

Sua mudança foi tão radical que teve a hombridade de afirmar:

“Antigamente, eu jamais usaria a palavra espiritual no meio de uma conversa científica. Hoje acho que não podemos deixá-la de fora”.

Penitencia-se dizendo sobre a EQM: “Lamento nunca ter levado isso a sério, nunca ter estudado com atenção o que meus pacientes contavam sobre suas experiências. Eu nunca sequer tive curiosidade para ler a literatura médica sobre o assunto”.

 

Aqui talvez esteja um dos grandes pontos cruciais do assunto: Há muita gente que palpita sem SEQUER dar uma olhada no que já se escreveu sobre o assunto. Como eu disse ali em cima, é muito conveniente recortar o mundo para não ter que conflitar toda a edificação de seus conhecimentos.

 

Confrontando os “Sabidos”

Alexander era um neurologista. Não se interessava por questões metafísicas ate vivenciá-las. Após sua experiência passou a informar-se sobre o assunto, e foi aí que deparou com algo trágico: “Enquanto lia as explicações ‘científicas’ a respeito da EQM, eu ficava chocado com a superficialidade das análises. […]”

Alexandre estava vivenciando mais uma experiência transformadora, dessa vez no mundo que conhecemos bem. Eram pessoas especulando com um viés científico sem ter passado pela experiência diretamente. Há um limite onde você pode ir. Você pode saber que a pimenta arde, mas efetivamente há um abismo em saber que arde e vivenciar a ardência. O que Alexandre estava vendo é que a opinião da academia sobre o que ele sabia ser real era como se teóricos empedernidos nos seus gabinetes sentenciassem que a pimenta não arde, mas as pessoas pensam que arde.

O Dr. Eben Alexander cita em seu livro:

“Há duas maneiras de ser enganado. Uma é acreditar no que não é verdade; a outra é se recusar a acreditar no que é verdade. – Søren Kierkegaard (1813-1855)”.

O Dr. Ebby Elahi, professor adjunto no Mount Sinai Hospital, em Nova York; veja-se este trecho mencionado por Sam Parnia:

A neurociência não pode nos dizer se existe ou não uma realidade externa
atrás dos relatos das experiências de quase-morte, e, como tal, nós
simplesmente não sabemos. As experiências são certamente ‘reais’ para os
indivíduos que passam por elas, mas isso é tudo o que podemos dizer neste
ponto. Da mesma forma, não podemos refutar as afirmações das
experiências também, uma vez, que nós mesmos não passamos por
elas.

As origens das pesquisas de EQM

As pesquisas da EQM iniciaram-se em 1975 com Dr. Raymond Moody Jr, prof. De Filosofia, autor do livro Vida depois da Vida, um best-seller. FOra Raymond, há muitos outros pesquisadores e investigadores, como Melvin Morse (Pediatra, EQM em crianças), Manuel Domingos (neuropsicologista), Atwatter (investigadora e escritora), Pim vam Lommel (cardiologista), Kenneth Ring (psicólogo), Peter Fenwick (neuropsiquiatra), Bruce Greyson (psiquiatra), Michael Sobom (cardiologista), Stevenson (psicólogo), Mário Simões (psiquiatra) e Víctor Rodrigues (psicólogo)

O professor de neurociências Dean Mobbs, da Universidade de Columbia, em New York, E.U.A., foi a voz contrária apresentada pelo Fantástico, que disse:

É difícil acreditar num desligamento completo do cérebro. E que mesmo no
caso do doutor Alexander, outras áreas do cérebro podem ter permanecido
ativas, provocando as sensações que ele descreve.
O nosso cérebro é muito bom em transformar a realidade. Em um acidente,
como um trauma na cabeça, os caminhos do cérebro podem ser danificados,
mas é possível que ele encontre outras maneiras de identificar os sinais que vêm
de fora e criar uma nova experiência como a da quase morte, por exemplo.
O uso de fortes analgésicos e a baixa oxigenação do cérebro durante estados
de coma podem explicar que luzes e sons estranhos sejam percebidos pela
mente.
E a sensação de estar fora do corpo já foi induzida artificialmente em muitas
pesquisas. Eu acho que essas experiências de quase morte na realidade são
uma maneira do cérebro lidar com um trauma.

Não duvidamos de que a opinião de Moobs reflete a de muitos outros estudiosos do corpo e da mente humanas; entretanto, esta nos pareceu bem ultrapassada tendo em vista conclusões de pesquisadores mais atualizados. Certamente, tem razão o Dr. Sam Parnia, ao concluir este seu relato:

Era um programa a respeito das experiências de quase-morte. Havia inúmeros especialistas falando sobre o assunto, muitos dos quais apresentando suas próprias teorias quase como “fatos”, embora ainda não fossem comprovados. Fiquei desapontado com isso, e achei que aquilo não era nada científico. […] Ao que, um pouco mais à frente, completa:

“[…] Isso significa que os “especialistas” no assunto geralmente tinham expressado mais suas visões filosóficas do que seus objetivos científicos”. .

Mostra-nos, Parnia, o grande dilema da ciência médica no assunto:

Agora minha busca por respostas estava se tornando cada vez mais interessante. Era de fato incrível que tantos médicos respeitados, trabalhando  com pacientes em estado praticamente terminal, tivessem tido suas próprias EQMs. Havia realmente alguma coisa extraordinária acontecendo… Como as pessoas conseguiam se lembrar de detalhes de forma tão clara quando estavam sob morte clínica durante 30 a 45 minutos? Esse era um dilema que não poderia ser descrito tão facilmente com nossos conceitos atuais
de medicina. […]

O Dr. Sam Parnia, apresentando suas considerações para rebater aos que apontam a EQM como alucinação ou coisa que o valha, cita os casos de crianças
e pessoas congenitamente cegas, isto é, nascidas cegas  que também passaram pela experiência de quase-morte, mantendo-se dentro do padrão atualmente estabelecido para se identificar uma EQM.

Desses dois tipos de EQM o que merece destaque é o que ocorre com pessoas congenitamente cegas; isso porque, se a pessoa não enxerga desde que nasceu, como o seu cérebro, que registra os fatos que lhe são transmitidos por um ou mais dos nossos cinco sentidos, poderia armazenar fatos, que só são transmissíveis pelo sentido da visão, se o participante da EQM jamais enxergou? Logo, como pode o cérebro transmitir sensações só perceptíveis pelo sentido físico da visão, se ele nunca as recebeu? Principalmente para descrever fatos ocorridos no plano físico, repetimos, se o participante da EQM, nunca enxergou?… Isso, certamente, nos remete a outras vidas, como única forma de se explicar tais casos; mas como isto é outro assunto, sigamos em frente.

E quanto a outros fatores geralmente apresentados, o Dr. Sam Parnia diz:

[…] Não há evidências para fundamentar o papel das drogas, falta de oxigênio, excesso de dióxido de carbono, ou potássio, ou sódio como causa das EQMS. Curiosamente, os níveis de oxigênio eram maiores em pacientes com EQM do que naqueles sem, mas tínhamos de ser bastante cuidadosos ao interpretar isso, já que tínhamos uma amostra de pessoas com EQM muito menor do que sem. […]

Temos ainda para apresentar esta confissão de Parnia:

Eu sempre fiquei um tanto desapontado com colegas cientistas que declaravam publicamente que as EQMs eram simplesmente alucinações resultantes da falta de oxigênio e outros processos químicos dentro do cérebro. Embora sempre pensasse que a razão por trás deste argumento fosse bastante eloquente, nunca houve evidências para apoiá-la. Portanto, deveria ter sido discutida como uma possibilidade ao invés de configurar um fato científico verdadeiro. […] Isto é uma maneira bem simplista de se olhar um assunto complexo que precisa de mais esclarecimentos e explicações. […]

Estudos feitos por ele, com pessoas que sofreram parada cardíaca, trazem significativo apoio à tese de que a consciência sobrevive à morte clínica:

[…] Em prática clínica, a morte geralmente é diagnosticada quando o coração para de bater, a respiração e o tronco do cérebro (a área do cérebro responsável pela manutenção da vida) das pessoas cessam suas atividades, paralisando o funcionamento do restante do cérebro. […].
[…] Pesquisas feitas por médicos mostraram que as células do cérebro começam a sofrer danos em questão de minutos da perda de fluxo sanguíneo, e, se ela não é restaurada em cerca de 15 a 20 minutos, a perda de células se tornam extremamente extensa. […].

Não sabemos como isto acontece, mas sabemos com certeza de que ter estas experiências implica que estas pessoas possuem atividades da mente e consciência durante a parada cardíaca. […] Isso fez nascer paradoxalmente (não tão insignificante) a possibilidade de que a mente humana e a consciência podem continuar a funcionar durante a parada cardíaca, por exemplo, quando o cérebro não está funcionando e quando o critério clínico de morte foram encontrados.

[…] Se ambos os conjuntos de dados estiverem absolutamente corretos, então isto iria sugerir que a mente humana e a consciência continuam ativas mesmo quando o cérebro não funciona ou quando atingimos a morte clínica. Isto então implicaria que muitas de nossas pressuposições sobre o relacionamento entre o cérebro e a mente não são corretas. […].

Para Sam Parnia,  se a mente e a consciência são produtos de atividade cerebral, então é esperado que eles cessem o funcionamento nesta hora, ou, na melhor das hipóteses, logo depois. É mais ou menos como entrar em um quarto onde há uma luz, e não saber de onde ela está vindo. Se viramos o interruptor e a luz se apagar, então podemos concluir que ela estava vindo da lâmpada que desligamos. Se, por outro lado, desligarmos o interruptor e a luz ainda estiver presente, então só poderíamos concluir que a energia que mantém a luz acesa ali vem de outra fonte.

Até o momento, Sam Reconhece, não temos prova definitiva e concreta para nenhuma das teorias. Há hoje até um prêmio da fundação do bilionário Robert Bigelow: Quem conseguir provar isso irrefutavelmente leva um milhão de dólares pra casa. Entretanto, como muitas milhares de pessoas, inclusive crianças pequenas, relatam uma mente e uma consciência plenamente em funcionamento, e foram capazes de testemunhar acontecimentos ocorrendo nos recintos, há a hipótese de que mente e consciência existam separadamente do cérebro e também durante, e, ao menos, por algum tempo após a morte. Parnia cita no livro que existem também várias histórias de médicos que ressuscitaram pacientes que lhes contaram os detalhes do que aconteceu durante suas paradas cardíacas. 

Isso no leva a uma analise simples dos fatos:

Se pessoas relatam experiências ocorridas até mesmo depois desse tempo limite é, consequentemente, mais do que evidente que a consciência (= mente) de alguma forma que desconhecemos, continuou ativa, apesar do indivíduo estar clinicamente morto.

Mas há quem pense nisso e ache graça.

Realmente, como já dizia minha avó:  “o pior cego é aquele que não quer ver”.

O Dr. Sam Parnia, fala sobre essas questões com certa propriedade por já ter estado dos dois lados da moeda. Segundo ele, na alegoria da Caverna de Platão, claramente se ilustra as limitações na compreensão e na apreciação das coisas que estão fora dos limites de nosso corpo. Uma vez que os outros membros da caverna nunca haviam experienciado nenhuma forma de realidade além daquela que viam, então nem mesmo consideravam que ela pudesse existir.

[…] É muito difícil convencer as pessoas a pensar sobre a realidade de um modo diferente, se elas não são capazes de percebê-la, ou se já possuem uma opinião formada. […]  Infelizmente, essa é a realidade sobre o tema EQM com a qual ainda nos defrontamos; quiçá não seja por muito tempo.

 

O Dr. Melvin Morse diz:

[…] O fato de que cérebros em coma podem estar conscientes e cientes do ambiente ao seu redor, além de interagir com outra realidade espiritual, tem implicações profundas em nossa compreensão de como o cérebro humano funciona.

Memórias do nascimento

Um ponto comumente usado como hipótese para o “túnel de luz”, “vozes estranhas” e outras experiências cenestésicas dos que passam por uma EQM é que tudo seria produto de uma espécie de memória do nascimento sendo reativada nos recônditos do cérebro.

Manuel Domingos é um neuropsicólogo e psicólogo clínico, presidente da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia, Presidente do Instituto da Mente e autor de mais de 120 artigos e publicações científicas, nas áreas da Neurociência e da Psicologia, traz várias considerações acerca da EQM, entre elas a seguinte:

[…] Por outro lado, aos recém-nascidos falta a acuidade visual, a sensopercepção visuo-espacial, a agilidade mental e (tanto quanto se sabe) a plasticidade cortical que permita integrar e codificar as memórias da experiência do nascimento. Por fim, os relatos de experiência fora-do-corpo e sobre a passagem através de um túnel para uma outra dimensão são igualmente comuns, tanto entre pessoas que nasceram de parto natural como entre os que nasceram de cesariana, contradizendo os pressupostos das ‘memórias do nascimento’, pois se assim fosse, essas vivências seriam raras nos indivíduos que nasceram por cesariana.

Embora os fatores fisiológicos, psicológicos e socioculturais possam realmente interagir de forma complexa conjuntamente com uma EQM, as teorias propostas até ao momento consistem, basicamente, em especulações que podem ser questionadas.

Pim van Lommel, médico cardiologista, conhecido por seu trabalho científico sobre os temas de experiências de quase-morte e consciência, incluindo um estudo prospectivo, publicado na revista médica The Lancet” diz:

[…] O conteúdo das EQM e os seus efeitos nos pacientes parecem ser semelhantes em todo o mundo, independentemente de culturas e épocas.
A minha curiosidade científica começou a crescer, pois segundo os nossos conceitos médicos atuais, não é possível haver consciência durante uma parada cardíaca, altura em que a circulação e a respiração cessam.

 

Pim van Lommel diz que já foram propostas várias teorias para explicar a EQM. Contudo, o estudo prospectivo não revelou quais os fatores psicológicos, fisiológicos ou farmacológicos que foram a causa destas experiências após a parada cardíaca. Se recorrêssemos a uma explicação puramente fisiológica, tal como a anoxia cerebral, então a maioria dos pacientes clinicamente mortos deveria ter relatado uma EQM. A totalidade dos 344 pacientes esteve inconsciente devido à anóxia cerebral na sequência da parada cardíaca. Então, por que é que apenas 18% dos sobreviventes da parada cardíaca relatam uma EQM?

Há uma estranha consistência entre diversos relatos que referem-se a um grande gramado, similar a um campo de trigo, com luzes e cores que não existem no mundo real.

A universalidade do fenômeno

A universalidade do fenômeno é uma questão interessante, o que só vem a favorecer a hipótese da realidade das EQMs, porquanto, é totalmente ilógico imaginar que pessoas, de várias
partes do mundo, de várias camadas sociais, tenham, em conluio, relatado aspectos semelhantes, tais, que já formam indicadores para se saber se uma pessoa passou por uma EQM ou não.


Paulo Alexandre Loução (1964- ), historiador e filósofo, diz sobre o assunto:

[…] Como é que se pode explicar fisicamente as experiências fora-docorpo, em que estando este clinicamente morto, as pessoas narram com detalhe, por exemplo, o que aconteceu na sala de operações? Cremos que os factos narrados neste livro são, suficientemente, categóricos para que não procuremos tapar o “Sol com a peneira” e buscarmos fórmulas rebuscadas e inverosímeis1 por não aceitarmos que o paradigma materialista já não responde aos dados científicos atuais. […] Quer dizer, a teoria científica que coloca o cérebro como origem exclusiva de pensamentos e sede única da consciência humana foi ultrapassada pelos fatos. Há que desenvolver outra teoria.

O  Dr. Melvin Morse, em sua obra Do outro lado da vida, diz:

“[…] A minha sensação é que as pesquisas de quase-morte tornaram-se alvo de um reducionismo porque vários pesquisadores sentiram-se frustrados por não serem capazes de explicar este fenômeno espiritual”.

O Dr. Raymond Moody, pioneiro na pesquisa da EQM, comenta sobre a ideia da sobrevivência da consciência:

[…] a descrição dos eventos testemunhados enquanto fora do corpo conferem muito bem com o que de fato ocorreu. Vários médicos me disseram, por exemplo, que ficam desconcertados ao ver como pacientes sem conhecimento médico podem descrever, em detalhes e tão corretamente, o procedimento usado nas tentativas de ressuscitá-los, muito embora esses eventos tenham acontecido enquanto os médicos sabiam que os pacientes envolvidos estavam “mortos”.

 

Enquanto pesquisadores adeptos da ideia de que a consciência não está enjaulada numa gaiola de células, – muito embora falhem miseravelmente em apontar afinal ONDE a consciência estaria, se não ali dentro do cérebro, e todos os outros cientistas que veem o mundo de uma perspectiva mais materialista troquem alfinetadas em um debate acalorado, com acusações de obtusidade e pseudocientificismo, resta-nos um manancial interessante de relatos e evidências anedóticas, que embora não sivam para muita coisa estatisticamente, podem dar uma dimensão do quão intrigante o assunto pode ser. Veremos isso no no relato “O tênis”. Não deixe de ler que é um bom aditivo para àquelas conversas de bar que tem potencial de varar as madrugadas.

“O Tênis”: Um relato intrigante 

 

Dr. Melvin Morse apresenta um caso curioso, relatado pela pesquisadora Kimberly Clark, pelo qual é fácil comprovar a realidade da sobrevivência da consciência numa EQM.

Embora Morse e Perry tenham dito em seu livro, ser um sapato, Stanilav Grof  conta ter sido um tênis. Provavelmente é um erro comum da tradução. Vejamos o relato na versão
do psiquiatra Stanislav Grof. 

Meu primeiro contato com uma pessoa que passara por uma experiência de quase-morte foi com uma paciente chamada Maria, uma operária imigrante que estava visitando amigos em Seattle e teve um grave ataque cardíaco. Foi levada à noite ao hospital pela equipe de atendimento de emergência e internada numa unidade cardiológica. Meu envolvimento no caso se deu em consequência de seus problemas sociais e financeiros. Alguns dias depois da internação, ela teve uma parada cardíaca. Como estava sendo rigorosamente monitorada e, sob outros aspectos, gozava de boa saúde, foi rapidamente trazida de volta a vida, ficou entubada durante algumas horas para ter garantida uma oxigenação adequada, ficando, em seguida, consciente.

Mais tarde, naquele mesmo dia, fui visitá-la julgando que pudesse estar aflita pelo fato de seu coração ter parado. Ela estava realmente aflita, porém não por esse motivo. Seu estado de relativa agitação contrastava com sua calma habitual. Queria conversar comigo sobre alguma coisa. E contou:

“Aconteceu algo muito estranho quando os médicos e as enfermeiras estavam lidando comigo: eu estava olhando para baixo, lá do teto, e os via trabalhar sobre meu corpo. “

A princípio, isso não me impressionou. Julguei que ela poderia saber o que estava se passando na sala, as roupas que as pessoas estavam usando, e os médicos e enfermeiras que estavam ali, pois tinha visto a todos eles antes da parada cardíaca. Naqueles instantes, ela já estava com toda a certeza familiarizada com o equipamento. E como a audição é o último sentido que desaparece, raciocinei que ela poderia ouvir tudo o que se passava, e, embora eu não pensasse que ela estava, conscientemente, inventando tudo aquilo, imaginei que poderia ter ocorrido algum tipo de confabulação.

Então, ela me contou que sua atenção fora atraída por alguma coisa que estava acontecendo na via de acesso à sala de pronto-socorro, e que, tão logo voltou para lá sua atenção, ela se viu lá fora, como se, ao ‘pensar em si mesma pairando sobre aquela via de acesso, no mesmo instante, ela de fato lá estivesse.
Nessa altura, eu fiquei um pouco mais impressionado, pois como ela chegara à noite, dentro de uma ambulância, não lhe seria possível saber que aspecto tinha a área onde ficava o pronto-socorro. Raciocinei, entretanto, que em algum momento sua maca poderia ter ficado junto à janela, e que ela poderia ter olhado para fora, e que isso teria se incorporado à confabulação.

Mas então Maria passou a relatar que sua atenção havia sido novamente atraída, desta vez por um objeto colocado sobre a sacada do terceiro andar na extremidade norte do edifício. Ela ‘imaginara a si mesma indo’ até lá. Percebeu, então, que ‘seus olhos fixavam um cordão de tênis’ junto a um tênis. Pediu-me que tentasse encontrá-lo. Ela queria que alguém mais soubesse que aquele tênis estava realmente lá, para confirmar sua experiência fora-do-corpo.

Tomado de emoções confusas, saí do prédio e olhei para cima, examinando as sacadas, mas de qualquer maneira, não poderia ver grande coisa. Então, subi até o terceiro andar e comecei a entrar e sair dos quartos dos pacientes, e a olhar pelas suas janelas, que eram tão estreitas que eu tinha de colar o rosto na vidraça para conseguir ver a sacada. Finalmente, encontrei um quarto onde,
ao comprimir o rosto contra a vidraça e olhar para baixo encontrei: era o tênis!

Meu ângulo de visão era muito diferente daquele sob o qual Maria devia estar olhando para conseguir perceber que o dedinho havia desgastado o lugar onde ficava em contato com o tênis, e que o laço fora dado por trás do calcanhar, assim como outros detalhes a respeito do lado do calçado que não  estava visível para mim. Ela só conseguiria observar todos esses detalhes do tênis se  estivesse flutuando do lado de fora do prédio e muito perto do tênis. Eu o peguei e o levei para Maria. Foi, para mim, uma evidência muito concreta”. 

 


Então aqui estamos nós diante desse tipo de relato e pensando: Como isso é possível? Não há explicação lógica para alguém chegar num hospital já inconsciente saber que em algum lugar DO LADO DE FORA, no alto, numa sacada estreita, fora da visão de todos, há um calçado. Como o objeto estava lá e estava em conformidade com o grande conjunto de detalhes fornecido pela testemunha. De alguma forma, Maria fez algum tipo de viagem astral. Eu falho em pensar em alguma outra hipótese que justificaria isso.

Há muitos outros casos interessantes. Um deles é o caso de um professor que mudou seu estilo de vida após a transformação pelo qual passou numa EQM:

Sergio Cabrin trabalhava num ritmo louco de cinco da manhã até meia noite e sofreu uma parada cardíaca após um enfarte e foi parar na UTI. O caso era grave. Os médicos ficaram três horas lutando para não perder o paciente. Ali ele passou por uma EQM. Ele conta o que viu:

“Eu vi o médico correndo para cima da cama, mas, de repente, o que eu observei era o meu corpo, como se eu estivesse debaixo da cama observando o meu corpo. Como se eu estivesse observando o meu corpo deitado na cama. Mas nesse mesmo instante se abriu um buraco bastante negro debaixo da cama e aquele túnel me succionou, e no caminho começaram a passar telas de toda a minha vida. Em cada tela passava um período ou uma fase da minha vida, e do meu lado havia uma figura muito alta e fina, que dizia: ‘olha a tela’. Cada momento que passava, ele dizia: ‘olha, acidente de carro, e eu te salvei’”, lembra o professor.

“E esse acidente aconteceu mesmo conosco”, continua Sérgio. “Fomos atropelados por um pneu de caminhão. Quando eu tinha em torno de 8 anos, caí dentro de um rio e estava morrendo afogado. Na quarta vez que eu afundei eu apareci do lado do rio deitado, e o filme me dizia: ‘eu te tirei de lá’. Aí, de repente, o túnel era algo como se fizesse uma curva bem aberta. Quase chegando no fim do túnel, onde tinha uma luz muito avermelhada e amarelada, nós paramos. E ele disse: ‘você apelou pelos seus dois filhos, e é devido a seus dois filhos que você vai retornar. Realmente eles precisam de você’. A partir daquele momento, tudo se reverteu. Comecei a voltar. Vi meu corpo debaixo da cama novamente, e a impressão é que saí de uma piscina com muito tempo de fôlego. Senti meu corpo todo estremecer e, por coincidência, estava passando a enfermeira ali na cama e eu ouvi ela gritar pelo médico. Ele gritava: ‘vencemos a morte, vencemos a morte!’. É a última cena que eu lembro dele. Ele saindo da UTI, que devia ter acabado o plantão dele. Ele indo embora cantando”, detalha Sérgio.

Depois, o médico avisou que, naquele ritmo, Sérgio não teria uma segunda chance. Os gêmeos ainda eram bebês. O casal tinha a vida inteira pela frente. Ele só precisava de coragem para encarar a mudança.

Acredito que as EQMs são o caminho para unir a ciência e espiritualismo, mas como ainda não foi possível medir a alma, eu penso que levará ainda muito tempo entre debates e estudos para tentar chegar a uma conclusão se a consciência está limitada ao cérebro ou ela não possui tais limites.
Hoje o assunto esta sendo investigado mais a fundo. Acredito firmemente que com o problema da COVID19, com centenas de milhares de pessoas em todo o mundo sendo entubados e entrando em coma e ate sendo ressuscitados diariamente, teremos uma avalanche de casos para pesquisar nos próximos anos. Hoje grupos da comunidade médica passaram a olhar para a morte e a sobrevivência da consciência sob uma nova perspectiva, como ocorre, por exemplo, na Associação Internacional de Estudos de Quase Morte, no Departamento de Psiquiatria e Ciências Neurocomportamentais da Universidade da Virginia e na Associação Brasileira de Medicina Psicossomática.

Pesquisas de EQM aqui no Brasil

O que acontece com a mente no estágio da morte? O que é possível estudar sobre isso? O médico intensivista americano Sam Parnia se especializou em EQMs. Ele trabalha como pesquisador e professor no centro médico Stone Brook, em Nova York.

Usando tecnologia de ponta, os médicos conseguem medir até a oxigenação do cérebro quando ele para de funcionar. Mas é um detalhe de criatividade o que chama a atenção:

“Nós colocamos acima dos leitos da UTI imagens que só podem se identificadas do alto. São objetos que não combinam com esse ambiente. Não botamos um desfibrilador, que seria óbvio aqui, mas algo como a gravura de um cachorro cor de rosa, por exemplo. Depois, se um paciente acordar contando que saiu do corpo e viu a gravura lá em cima, esse é o tipo de relato que obriga os médicos a no mínimo parar para pensar.”

Este é o objetivo do estudo que ele iniciou e está em andamento em 30 centros de pesquisa, em sete países. O Brasil já participa deste estudo, o mais amplo até agora sobre Experiências de Quase Morte. Os trabalhos se concentram na Zona da Mata Mineira, onde professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) aplicam a pesquisa em pacientes que conseguem vencer a luta contra a morte. A meta é estudar todos os pacientes que passarem pela emergência de cinco hospitais, nos próximos dois anos.

O filósofo Saulo Araújo, da UFJF é enfático:

Se há funcionamento mental na ausência de funcionamento cerebral, então essas teorias que afirmam que o cérebro produz a mente, que a mente ou a consciência é apenas um produto do cérebro, essas teorias não se sustentam.

O coordenador da pesquisa sobre EQMs, o cirurgião cardiovascular Leonardo Miana, concordou em montar um exemplo do tipo de gravura que ficará nas bandejinhas. São imagens que podem ser reconhecidas facilmente por qualquer pessoa, não importando sexo, a idade ou classe social.

“Se um paciente relatar que viu uma, duas ou mais figuras que estão colocadas no teto, isso não é uma produção pré-formada no cérebro dele. São imagens aleatórias, então provavelmente esse paciente terá tido uma experiência fora do corpo”, explica Leonardo.

“Nós vamos tentar investigar se realmente o cérebro não estava funcionando, nós vamos ter dados para investigar se o coração não estava funcionando, e a partir disso identificar se durante esse período que o cérebro não funcionava a pessoa foi capaz de ter percepções verídicas, que a gente pode comprovar que aquilo realmente aconteceu”, reforça o professor de Psiquiatria da UFJF, Alexander de Almeida.

Na Santa Casa de Juiz de Fora, os leitos da UTI já estão preparados. Todos os sobreviventes de paradas cardiorrespiratórias serão entrevistados. Os relatos serão avaliados com base nas respostas de um questionário-padrão.

“Não se conhece quase nada sobre a mente, mas também se conhece muito pouco do cérebro. Essa pesquisa, de certa maneira, vai ajudar inclusive a evoluir o conhecimento sobre o próprio cérebro”, aponta o fisiologista Carlos Alberto Mourão Jr., da UFJF.

A pesquisa também vai servir para não desperdiçar histórias como a da psiquiatra aposentada Sandra do Nascimento. Diabética, cardíaca e com problemas renais, ela esteve à beira da morte mais de uma vez. Quando teve uma EQM, viu toda a correria dos médicos para salvá-la. Foi o que ela contou para sua cardiologista, insistentemente.

“Via os movimentos, descreveu até a movimentação da enfermagem, a movimentação do próprio Dr. Leonardo e do outro plantonista que estava junto. O que nós achamos interessante é que vários dias depois ela ficou falando, falando, falando, e sempre descrevendo tudo direitinho. Ela reconheceu o Dr. Leonardo sem nunca ter visto ele antes”, destaca a cardiologista Fernanda Lanzoni.

“Três dias depois, eu fui ver como a Sandra estava e ela me reconheceu de pronto. E falou: ‘eu lembro que você inclusive me abriu’”, relata o Dr. Leonardo.

 

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Do outro lado da vida: os mistérios da Experiência de Quase Morte (EQM)

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