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-O que diabos é isso? -Perguntou o motorista.

-Tá vindo lá de baixo. – Disse Rogério.

Apenas Leonard não dizia nada. Sua expressão agora era a de um homem preocupado.

Leonard olhou para os dois e encontrou ambos atônitos esperando que ele dissesse alguma coisa.

A risada parou e ocorreu um breve silêncio, como a calmaria súbita que antecede uma grande tempestade. Não se ouvia o vento, nem o som dos pássaros. Não havia nenhum som, só uma espécie de vácuo.

Então, os três foram surpreendidos por uma voz fraca que vinha lá do porão.

-Socorro! Socorro! Me tire daqui!

-Regina! – Gritou Rogério. – E saiu correndo na direção do buraco.

-Nãããão! – Berrou Leonard, tentando segurar Rogério.

-Me larga!

-Não! Não posso. Não faz isso, escuta…

-Socorro! Socorro! Tem uma coisa aqui! Aaaaaah!- Regina gritava no interior do porão.

-Regina! Regina! Fala comigo! Me solta, porra!!! – Gritou Rogério,  passando uma banda em Leonard. Leonard caiu pesadamente no chão.

Rogério estava completamente cego pela ideia de reencontrar sua mulher.

Aesh Pandraj tentou levantar Leonard do chão, mas o velho rechaçou a ajuda do motorista: -Rápido Pandraj, segura ele!

O taxista de turbante correu atras de Rogério, mas ele era mais rápido.

Desceu as escadas e sumiu.

Pandraj, como que num tipo de choque, travou na entrada da escada.

-Tem… Tem uma coisa ruim lá!

Leonard se aproximou, limpando o puído paletó de lã.

-Merda, fica uma nota pra lavar este paletó…

-O que faremos agora, senhor?

-Sabe, Aesh… O mal das pessoas é essa afobação maldita. Por que esse idiota não me esperou? Tá na cara que é uma armadilha isso aí. Você pode sentir, não é? Está lá em baixo, oculta, nos esperando…

-Estou sentindo, e não estou gostando, senhor.

-Quando eu desci lá, pedi que você esperasse no carro, porque eu ja sabia que ia ter um ser ctônico aí dentro, mas eu não sabia a linhagem. Aí eu desci e tinha um demonete… Eu acabei com ele, mas fui iludido, Aesh.

-Como assim?

-A coisa que estava lá em baixo. Estava lá por um motivo, correto? Eu ingenuamente pensei que algum idiota o havia invocado, mas é claro que não poderia ser isso. Esse demônio estava ali de guarda. Estava protegendo alguma coisa, alguma coisa importante. Ninguém usaria um demônio espectral para nada. Quando eu cheguei ele já estava quase esquartejando o infeliz do seu amigo ali. Agora me dei conta que se a coisa ia matar o rapaz, não estava ali para destruir, mas para proteger algo bastante valioso. Quem quer que seja que tivesse o controle desse demônio estava ciente que o que quer que fosse que houvesse lá em baixo, devia ficar bem guardado… E realmente ficou. O demônio foi despertado quando o risco desse segredo ser desvendado se tornou real.

-Aí o senhor matou ele.

-Bom, “matou” não é bem a palavra, né? Afinal, ele não estava vivo. – Riu Leonard.

-Mas e agora?

-Eu não percebi que aquela coisa estava lá de “guarda”. Matando o guarda, eu abri a porta para algo perigoso. Talvez agora mais perigoso que o demônio espectral.

Aesh Pandraj não disse nada. Apenas olhou nos olhos do velho Leonard. Os dois sabiam do que se tratava.

– Andela Dubravka! – Leonard gritou na entrada do porão. -Eu sei que você está aí em baixo!

O porão era uma descida escura. Não se via nada lá no fundo. E não houve resposta.

-Qual é, Andela! Nós não temos mais cinco anos de idade… Eu sei que você está aí. Vamos parar de gracinha.

Então os dois ficaram ali, olhando para a escuridão aterrorizante da escadaria, que parecia conduzir direto para o inferno. Era assustador.

-Não estou gostando disso, Senhor Leonard.

-Acho que vou ter que descer. – Disse Leonard.

Uma risada gutural surpreendeu os dois. Dois olhos brilhantes apareceram no fundo do porão. Eles brilhavam como faíscas em meio a escuridão abissal.

-Olá ljuvbna maldita! – Disse Leonard, fazendo um aceno.

-Leeeeonard… – Disse a voz lá da escuridão. Dava pra notar o sotaque croata.

Leonard e Pandraj assustaram-se quando viram Andela surgir na escada. Ela estava com a cabeça. Mas a cabeça era uma caveira, recoberta com uma pele ressecada como couro, parecia o rosto assustador de uma múmia enfiada num corpo normal, apesar das roupas antiquadas.

O motorista e Leonard se afastaram apara a mulher passar. Ela subiu lentamente. A face era completamente contorcida, como um retrato de sua última expressão de sofrimento quando teve a cabeça decepada pela primeira vez.

Os dois se entreolharam espantados.

-Quer dizer que você achou sua cabeça? Quem diria!

A bruxa croata ficou imóvel, parada no alto das escadas. O vento fraco do cair da tarde animava suas roupas, mostrando que agora ela estava em pleno domínio da matéria novamente.

andela

-Andela, onde está nosso amigo? -Perguntou Leonard calmamente.

A ljuvbna apenas balançou aquela cabeça ressecada de um lado para o outro em sinal negativo. Ela estendeu o dedo fino e esquálido no ar e tornou a fazer um movimento negativo.

-Eu exijo que você me fale! – Disse Leonard, olhando firme para ela.

A Ljuvbna virou a cabeça mumificada para o Indiano e ele saiu voando. Atravessou um espaço de dois metros no ar e bateu violentamente contra o tronco de uma árvore, caindo desmaiado.

Leonard sabia que ela estava se exibindo. Ainda devia estar testando os limites de seu controle no mundo físico.

-Puta que pariu, hein Andela? Além de feia pra caralho você ainda se mostra inconveniente, como aliás são todas essas merdas da sua laia! – Provocou Leonard. -Vocês são igual a barata, quanto mais a gente mata, mais vocês voltam.

A mulher de preto com a cabeça mumificada não disse nada. Continuou parada, como uma estátua.

-Eu vou ter que arrancar sua cabeça então, né desgraçada?

Foi Leonard dizer isso que uma chuva insana de pedras começaram a atingí-lo, vindas de todas as direções. Leonard tentou projetar um escudo, mas gradualmente, mais e mais pedras eclodiam da terra e atingiam-no. Ele percebeu que ela estava aumentando seu poder rapidamente.

Então, uma pedra enorme atingiu sua cabeça e ele perdeu os sentidos. Leonard caiu desmaiado aos pés da aparição de vestido preto e cabeça de caveira.

CONTINUA

 

As crianças da noite – Parte 15

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-O que diabos é isso? -Perguntou o motorista.

-Tá vindo lá de baixo. – Disse Rogério.

Apenas Leonard não dizia nada. Sua expressão agora era a de um homem preocupado.

Leonard olhou para os dois e encontrou ambos atônitos esperando que ele dissesse alguma coisa.

A risada parou e ocorreu um breve silêncio, como a calmaria súbita que antecede uma grande tempestade. Não se ouvia o vento, nem o som dos pássaros. Não havia nenhum som, só uma espécie de vácuo.

Então, os três foram surpreendidos por uma voz fraca que vinha lá do porão.

-Socorro! Socorro! Me tire daqui!

-Regina! – Gritou Rogério. – E saiu correndo na direção do buraco.

-Nãããão! – Berrou Leonard, tentando segurar Rogério.

-Me larga!

-Não! Não posso. Não faz isso, escuta…

-Socorro! Socorro! Tem uma coisa aqui! Aaaaaah!- Regina gritava no interior do porão.

-Regina! Regina! Fala comigo! Me solta, porra!!! – Gritou Rogério,  passando uma banda em Leonard. Leonard caiu pesadamente no chão.

Rogério estava completamente cego pela ideia de reencontrar sua mulher.

Aesh Pandraj tentou levantar Leonard do chão, mas o velho rechaçou a ajuda do motorista: -Rápido Pandraj, segura ele!

O taxista de turbante correu atras de Rogério, mas ele era mais rápido.

Desceu as escadas e sumiu.

Pandraj, como que num tipo de choque, travou na entrada da escada.

-Tem… Tem uma coisa ruim lá!

Leonard se aproximou, limpando o puído paletó de lã.

-Merda, fica uma nota pra lavar este paletó…

-O que faremos agora, senhor?

-Sabe, Aesh… O mal das pessoas é essa afobação maldita. Por que esse idiota não me esperou? Tá na cara que é uma armadilha isso aí. Você pode sentir, não é? Está lá em baixo, oculta, nos esperando…

-Estou sentindo, e não estou gostando, senhor.

-Quando eu desci lá, pedi que você esperasse no carro, porque eu ja sabia que ia ter um ser ctônico aí dentro, mas eu não sabia a linhagem. Aí eu desci e tinha um demonete… Eu acabei com ele, mas fui iludido, Aesh.

-Como assim?

-A coisa que estava lá em baixo. Estava lá por um motivo, correto? Eu ingenuamente pensei que algum idiota o havia invocado, mas é claro que não poderia ser isso. Esse demônio estava ali de guarda. Estava protegendo alguma coisa, alguma coisa importante. Ninguém usaria um demônio espectral para nada. Quando eu cheguei ele já estava quase esquartejando o infeliz do seu amigo ali. Agora me dei conta que se a coisa ia matar o rapaz, não estava ali para destruir, mas para proteger algo bastante valioso. Quem quer que seja que tivesse o controle desse demônio estava ciente que o que quer que fosse que houvesse lá em baixo, devia ficar bem guardado… E realmente ficou. O demônio foi despertado quando o risco desse segredo ser desvendado se tornou real.

-Aí o senhor matou ele.

-Bom, “matou” não é bem a palavra, né? Afinal, ele não estava vivo. – Riu Leonard.

-Mas e agora?

-Eu não percebi que aquela coisa estava lá de “guarda”. Matando o guarda, eu abri a porta para algo perigoso. Talvez agora mais perigoso que o demônio espectral.

Aesh Pandraj não disse nada. Apenas olhou nos olhos do velho Leonard. Os dois sabiam do que se tratava.

– Andela Dubravka! – Leonard gritou na entrada do porão. -Eu sei que você está aí em baixo!

O porão era uma descida escura. Não se via nada lá no fundo. E não houve resposta.

-Qual é, Andela! Nós não temos mais cinco anos de idade… Eu sei que você está aí. Vamos parar de gracinha.

Então os dois ficaram ali, olhando para a escuridão aterrorizante da escadaria, que parecia conduzir direto para o inferno. Era assustador.

-Não estou gostando disso, Senhor Leonard.

-Acho que vou ter que descer. – Disse Leonard.

Uma risada gutural surpreendeu os dois. Dois olhos brilhantes apareceram no fundo do porão. Eles brilhavam como faíscas em meio a escuridão abissal.

-Olá ljuvbna maldita! – Disse Leonard, fazendo um aceno.

-Leeeeonard… – Disse a voz lá da escuridão. Dava pra notar o sotaque croata.

Leonard e Pandraj assustaram-se quando viram Andela surgir na escada. Ela estava com a cabeça. Mas a cabeça era uma caveira, recoberta com uma pele ressecada como couro, parecia o rosto assustador de uma múmia enfiada num corpo normal, apesar das roupas antiquadas.

O motorista e Leonard se afastaram apara a mulher passar. Ela subiu lentamente. A face era completamente contorcida, como um retrato de sua última expressão de sofrimento quando teve a cabeça decepada pela primeira vez.

Os dois se entreolharam espantados.

-Quer dizer que você achou sua cabeça? Quem diria!

A bruxa croata ficou imóvel, parada no alto das escadas. O vento fraco do cair da tarde animava suas roupas, mostrando que agora ela estava em pleno domínio da matéria novamente.

andela

-Andela, onde está nosso amigo? -Perguntou Leonard calmamente.

A ljuvbna apenas balançou aquela cabeça ressecada de um lado para o outro em sinal negativo. Ela estendeu o dedo fino e esquálido no ar e tornou a fazer um movimento negativo.

-Eu exijo que você me fale! – Disse Leonard, olhando firme para ela.

A Ljuvbna virou a cabeça mumificada para o Indiano e ele saiu voando. Atravessou um espaço de dois metros no ar e bateu violentamente contra o tronco de uma árvore, caindo desmaiado.

Leonard sabia que ela estava se exibindo. Ainda devia estar testando os limites de seu controle no mundo físico.

-Puta que pariu, hein Andela? Além de feia pra caralho você ainda se mostra inconveniente, como aliás são todas essas merdas da sua laia! – Provocou Leonard. -Vocês são igual a barata, quanto mais a gente mata, mais vocês voltam.

A mulher de preto com a cabeça mumificada não disse nada. Continuou parada, como uma estátua.

-Eu vou ter que arrancar sua cabeça então, né desgraçada?

Foi Leonard dizer isso que uma chuva insana de pedras começaram a atingí-lo, vindas de todas as direções. Leonard tentou projetar um escudo, mas gradualmente, mais e mais pedras eclodiam da terra e atingiam-no. Ele percebeu que ela estava aumentando seu poder rapidamente.

Então, uma pedra enorme atingiu sua cabeça e ele perdeu os sentidos. Leonard caiu desmaiado aos pés da aparição de vestido preto e cabeça de caveira.

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Eu dei duro aqui

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