A estranha história do homem que matou o Pé Grande

Como você sabe, eu tenho um grande interesse por todo tipo de história envolvendo criaturas estranhas, relatos esquisitos, coisas que aparecem fora do lugar, fantasmas, espíritos, aliens, monstros marinhos, relatos de gente indo parar em outra dimensão e por aí vai. A temática do Pé grande sempre me fascinou desde pequeno. Ao lado dos aliens, o conceito do Pé Grande é ainda o meu mistério que eu gostaria que fosse verdade favorito.

Eu gosto especialmente do pé grande porque são milhares de relatos de gente que viu e fotografou, filmou, e até mesmo atropelou a criatura. Apesar de tudo isso, relatos inclusive da polícia e de guardas florestais dos Estados Unidos e Canadá, ainda parece ser um meio que consenso de que o pé grande não pode existir. Afinal, se ele existe, deve haver pelo menos um corpo em algum lugar que possa provar isso.

Efetivamente, alguns casos falsos de corpos do pé grande, (2) bem como alguns erros de interpretação, minaram bastante a credulidade popular no que se refere ao famoso criptídeo.
Eu pessoalmente tento manter a minha mente aberta a possibilidade.

Eu era um pouco mais cético quanto a existência desse tipo de criatura ate fazer este post sobre pegadas misteriosas, e investigando para o post, me deparei com o caso de uma evidência circunstancial onde o pé grande deixou sua magnífica pegada de um pezão horroroso na lama.

A lama naquele dia estava – por uma conjunção astral do acaso – numa consistência perfeita entre maciez e umidade, de maneira que detalhes poucas vezes vistos numa pegada anterior ficaram registradas na argila mole.

Essas pegadas foram então copiadas em gesso e apresentadas como uma evidência. O positivo do suposto pé em questão foi feito por James P. de Akin do escritório do Cherife de  Pike County, Georgia, em 1997, a partir das marcas. Na ocasião, Jimmy Chilcutt um homem que trabalhava fazendo análise de impressões digitais para a polícia ficou sabendo do caso e imediatamente se interessou afim de debunkar completamente o que ele achava que era mais uma fraude.

Sendo um perito em papiloscopia trabalhando para a polícia, ele era a pessoa certa para mostrar que tudo não passava de uma farsa. Resumindo o caso, ele teve acesso às pegadas e as examinou como um perito criminal faria. Hoje ele é um forte defensor do fato de que a criatura realmente existe, porque ele conseguiu “ler” as digitais da pegada e ele sabe que aquilo não poderia ser falsificado. Elas não se encaixam nas digitais de gorilas e nem de humanos. Chilcutt rapidamente se transformou. Deixou de ser um um cético sobre o Pé grande para acreditar na criatura. Posteriormente, ele conseguiu identificar o mesmo padrão de digitais em casts diferentes. Um deles obtido na estrada para Blue Creek Mountain , de 1967 e em uma outra,  obtida em 1984 em Walla Walla, Tale Spring. Ele concluiu seu exame dizendo que que as cristas dérmicas são compatíveis com as de um primata não humano. Esta conclusão baseia-se no fato de que os seres humanos possuem dobras perpendiculares às arestas laterais da primeira falange dos dedos do pé em que o dedo se encontra com o pé. Na pegada de  Elkin Creek, o fluxo das cristas dérmicas surgem longitudinalmente ao longo da lateral do pé. Este detalhe  não ocorre no ser humano ou em qualquer primata conhecido.

Foi diante desse contexto que comecei a questionar até que ponto eu – que não sou papiloscopista nem nada – devia aceitar passivamente que todas as pegadas do pé grande são truques engenhosas usando sapatos como esses abaixo, para enganar incautos.

Acreditar nisso aqui ou no papiloscopista da polícia?

Há ainda um outro detalhe interessante. Após escanear em 3d centenas de positivos de pegadas da criatura foi possível determinar com certa precisão que há um deslocamento de peso ao longo da pegada.

Partes nas cores azul indicam áreas que formaram maior compressão no solo

Observando as pegadas nota-se que elas não são planas, como a pegada humana. Ocorre que a biomecânica da pisada desse símio tem uma característica que os símios humanos perderam evolutivamente com o tempo:

Enquanto o pé humano tem a grande maioria dos ossos fundida, o pé do Sasquatch e outros grandes primatas se dobra na altura dos ossos metatarsos, chamado de “quebra do metatarso”. Isso produz um ponto de pressão característico no meio da pegada que é quase como uma “assinatura” da evidência.  Voltando ali em cima, podemos ver no positivo da pegada justamente esse detalhe bem no centro do pé.

Um outro fator que considero interessante, são os avistamentos. É inegável que o sasquatch, skunk ape, pé grande e tantos outros nomes que esse tipo de ser ganha pela América do Norte tem sim sua dimensão mítica, mas existem relatos de grande grau de confiabilidade, como o caso de um Sasquatch que atravessou correndo ao longo de um pequeno engarrafamento de trânsito, numa estrada sendo visto por mais de 18 testemunhas diferentes, incluindo quatro policiais.

Assim, quando plotados os casos de avistamento, podemos ver uma distribuição interessante sobre os Estados Unidos:

Distribuição de avistamentos do Pé grande nos EUA

Um fato interessante é que se sobrepusermos os avistamentos com o mapa de índice pluviométrico do país, teremos algo assim:

As áreas azuis e verde são onde chove mais. As áreas alaranjadas e amarelas são onde chove menos

Fica bem evidente que há um predomínio da concentração dos relatos de avistamento do bigfoot nas regiões com maior volume de água. Não por acaso são as regiões com maior densidade florestal e com maior oferta de alimento, como peixes, cervos, aves e pequenos animais.

Esse detalhe é interessante, porque uma vez que não podemos negar a dimensão mítica do Bigfoot, se ele tivesse apenas essa dimensão seria esperado que a mítica se espalhasse por todo o território. Mas é justamente a concentração dos relatos nos locais propícios que parece lastrear uma possibilidade de que há mais alguma coisa além da simples dimensão mítica folclórica aqui.

Dna

Ainda há um caminho de busca para validar a hipótese do bigfoot usando evidências de DNA. Embora eu ache que esse caminho vai levar a eternos resultados inconclusivos, já que para um teste de DNA dizer que uma fibra de pelo ou amostra de pele é de um pé grande, esse dado precisa estar na base de dados de comparação, e isso não tem. è o mesmo problema com a pesquisa visando provar o DNA extraterrestre. O melhor resultado será sempre um “inconclusivo”.  Há uma cientista veterinária que alega ter conseguido provar que o pé grande existe via DNA, mas essa mulher é envolvida em tanto, mas tanto rolo que eu deixaria isso de lado. 

Trata-se da Dra. Melba Ketchum, que tem uma história curiosa. Ela diz que sua pesquisa documenta a análise de 111 amostras de DNA supostamente pertencentes ao criptídeo, as quais confirmariam a existência do lendário hominídeo. Suas alegações são bem taxativas. Ela diz que o Pé Grande é real, e também um parente humano que surgiu há cerca de 15.000 anos. Seu estudo, sugeriu que tais criptídeos fizeram sexo com fêmeas humanas modernas que resultaram em híbridos de hominídeos peludos: “Nossos dados indicam que o Sasquatch norte-americano é uma espécie híbrida , resultado de machos de uma espécie de hominídeo desconhecida com fêmeas do Homo sapiens“.

Mas ela cobra para as pessoas lerem o paper que não foi aceito em nenhuma revista científica de renome.

Hoje, fuçando pela internet, acabei esbarrando num relato antigo que foi publicado na extinta revista Saga, que foi um tipo de revista mais ou menos na linha da também extinta revista Planeta, que traz um caso muito interessante, COM FOTOS, do que seria um dos mais críveis casos de um homem matando um Pé Grande nos Estados Unidos.

Essa é a história de Frank Hansen e sobre como ele obteve o seu “Homem das neves”. Sua história começa com uma viagem de caça no reservatório Whiteface, no noroeste de Minnesota.

O caso foi tão intrigante, que o homem quase acabou preso. O material que eu achei é uma foto da matéria da revista que não tem em lugar nenhum, e por isso eu vou ter que traduzir com uma certa dificuldade já que está tudo em imagem, com péssima resolução. Eu não sou um tradutor, mas prometo dar o meu melhor.  O caso falando da matéria foi publicado  no nabigfoot research. Um grupo bastante organizado que fica tentando achar a criatura há décadas e cuja razão de ser é conseguir provar cientificamente que a criatura não é folclore/delírio/imaginação/fraude.

A revista SAGA: Aliens, paranormal, mistérios, e toda sorte de literatura-Fox-Mulder

Mas o caso do Pé grande morto é quente? Eu não sei. Eu estou apenas trazendo luz ao caso específico. Se você acredita ou não, se eu acredito ou não, isso não é a questão desse post. Sinta-se livre para acreditar, porque se tem gente que acredita até em político, agora eu me sinto liberado para acreditar em qualquer coisa, hahahaha. Mas vamos ao caso:

O homem que matou o Pé Grande

Por muitos anos a “coisa” foi exibida em feiras e circos de aberrações pelos Estados Unidos e Canadá. Por anos, o “Monstro” foi alvo de uma ferrenha disputa entre seu proprietário e agencias governamentais. Por anos, o “Espécimen” foi tema de debate entre cientistas – Será uma fraude engenhosa ou uma descoberta antropológica fantástica? Agora, pela primeira vez em qualquer lugar, o homem responsável pela maior controvérsia a atingir o mundo cientifico nas últimas décadas apresenta sua própria versão da história ao público, deixando ao leitor o critério de decidir se é FATO ou FICÇÃO

Procurado: Vivo ou morto! O abominável homem das neves, também conhecido como Yeti, OhMah, Alimasti, Sasquatch e outros apelidos. O fugitivo é um mamífero bípede conhecido como Homo Ponggoides, ou “homem-primata” suspeito de ser o elo perdido entre os macacos e o homem moderno. Testemunhas oculares que já relataram encontros próximos com a criatura dizem que ele se parece com Espécies de Neandertais e outros tipos de hominídeos.

O suspeito é descrito da seguinte forma:
1,82m a 2,74m de altura, 113Kg a 362Kg – Compleição rustica. Roupas: O corpo do suspeito é coberto de pelagem de 2,54cm de comprimento em, média exceto em porções da face e palas das mãos e dos pés. Ele ja foi visto nas montanhas do Himalaia, na Rússia e Estados Unidos, além do Canadá.
Se um persistente caçador encontrar e capturar essa criatura, nós podemos esperara grande fama, fortuna e notas de rodapé com seu nome na história científica. O Enigma do “elo-perdido” que tem incomodado cientistas da Teoria da Evolução das Espécies de Darwin por muitos anos. O atual corpo do homem-macaco está envolto em controvérsias e prova a existência do abominável homem das neves. As recompensas devem ser consideradas.

Por puro acaso ou circunstâncias aleatórias, eu obtive o corpo dessa criatura. Dois cientistas de renome mundial examinaram o cadáver e declararam que é um homem-macaco real, cientificamente identificado como Homo Pongoides. O cientista belga Bernard Heuvelmans declarou:

“Pela primeira vez na História, um corpo fresco de uma criatura similar a um Neandertal foi encontrada. Isso significa que sua forma de hominídeo, que se pensava extinta desde os tempos da pré-história ainda estão por aí hoje. A longa busca pelo famigerado “homem-macaco” ou o “elo-perdido” finalmente resultou em sucesso.”

Dr. Heuvelman

O sócio de Heuvelman e também cientista, Ivan Sanderson, informou a National Magazine que a criatura é um “artigo genuíno. Ela não é um truque ou trabalho de arte”.

Quando os jornais publicaram artigos sobre o meu espécime eu fiquei chocado e bravo ao descobrir que estavam dizendo que era tudo uma fraude. Quem falava eram os prestigiosos cientistas do Smithsonian Institute, em Washington. Mas o que me intriga é que NENHUM membro da instituição jamais examinou a criatura descrita pelo doutor Heuvelman e Ivan Sanderson. Eu fiquei extremamente nervoso quando os jornais, tanto dos EUA quanto da Inglaterra apontaram que ” […] Se essa criatura for real, então deve se questionar como e porque ela foi morta.”

Meus medos me levaram a um advogado e amigo que que me explicou que havia uma possibilidade concreta de eu ser indiciado por assassinato. O FBI e hordas de funcionários do governo revelaram um extremo interesse no meu espécime. Em uma ocasião, em precisei pedir ajuda a um Senador para me tirar de uma situação potencialmente perigosa com o Bureau of Customs e o Departamento de saúde, educação e bem-estar.

Meus sonhos de reconhecimento pela descoberta científica evaporaram. Meu advogado me aconselhou a agir com cautela: “Frank, se você não tomar cuidado, vai acabar atrás das grades!”
Agora, pela primeira vez, eu quero que a verdadeira e completa história dessa criatura venha a público. Eu não pedi por isso, e não estou recebendo nenhum centavo da revista SAGA. Meu desejo é apenas eliminar todas essas conjecturas e suposições que se tornaram a maior controvérsia científica no mundo nessa última década.

Vamos começar do começo. Em 1960, eu era capitão da Força Aérea e um piloto designado para o 343 Fighter Group em Dulluth, Minesota. Faltavam só cinco anos para eu me aposentar com 20 anos de serviços como oficial da Força Aérea e eu estava nessa época em busca de um refugio tranquilo no campo para viver a aposentadoria. Eu pretendia ter uma vida numa pequena fazendinha no sul de Minesota. Eu aproveitei o fato de estar alocado em Duluth e a pesca e caça em Minesota eram das melhores do mundo.
Durante os anos 60, na temporada de caça aos cervos, eu me hospedei num pequeno resort em Shores of de Whiteface Reservoir, aproximadamente a 60 milhas ao norte de Duluth.
O tenente Roy Asfedt e Dave Allison e o Major Lou Szrot também estavam lá como outros membros do grupamento num festival de caça.

Nós deixamos nossas cabines apenas alguns minutos após as seis da manhã, e estivemos em campo por toda a manhã mas não achei nenhum cervo para caçar naquele dia. No segundo dia, eu estava confiante que na parte da garganta de um pântano eu teria mais sucesso. Eu já havia feito uma caçada lá antes e sabia que o local era um dos melhores lugares na área. Eu então fiquei lá parado, sem me mexer, no alto de uma colina por um tempão. De lá eu tinha uma boa visibilidade de uma área de pinheiros. Fiquei ali parado esperando a caça por cerca de duas horas. Eu estava prestes a sair dali para procurar outro lugar melhor quando um movimento na beira do pântano chamou minha atenção. Meu coração disparou e eu posicionei meu dedo e destravei meu rifle Mauser 8mm customizado. Um grande cervo estava parcialmente oculto por um tronco mas ele estava bem de frente para mim.
Subitamente, um tiro ecoou do outro lado do pântano. O animal se assustou e saltou, saindo de trás do tronco que atrapalharia meu tiro. Agora ele estava bem de frente para mim e no alvo. Eu posicionei a arma em posição de tiro e então o maldito bicho me viu.
Com três grandes saltos ele chegou ao outro lado do pântano, e escalou o barranco para longe. Eu atirei meio sem jeito, e vi quando o cervo caiu no meio das árvores e desceu rolando o barranco.
Eu recolhi meu rifle e e tentei ainda dar mais um tiro de confirmação, mas conforme ela caiu e desceu rolando pelo meio9 do mato ela saiu do ângulo de visão.
Eu saí do meu ponto de caça e fui ate o local e chegando la encontrei grandes poças de sangue sobre a grama congelada, que comecei a seguir. Naquela área não havia gelo no chão e minha bússola vagabunda se mostrou inútil.

Era um risco avançar sem uma bussola confiável, mas resolvi arriscar e seguiu as marcas de sangue do animal no sentido do pântano. Eu fui avançando e avançando sempre olhando as marcas do sangue, esperando que ela estivesse caída morta atrás do próximo arbusto. Após uma hora, entretanto, eu me dei conta que seria completamente impossível carregar o cervo nas costas o caminho de volta para o local onde eu atirei nele. Eu “estava com o parafuso solto” porque em vez de voltar dali, eu apenas segui em frente por mais um tempo para pelo menos ver o bicho morto antes de percorrer todo o caminho de volta até o pântano.

Parando para descansar sobre um pequeno tronco de carvalho, eu ouvi um barulho gorgolejante e esquisito que parecia vir de algum lugar bem à minha frente.
Espantado, eu saquei meu rifle e destravei. Fiquei ali escutando aquele som bizarro por alguns momentos, concluindo que só poderia ser o cervo, engasgado com o próprio sangue. Com cuidado, avancei devagar para não fazer barulho, na direção do som.

Então eu vi uma coisa que me congelou de horror!

No meio de uma pequena clareira, haviam três criaturas peludas que assim que bati o olho, pensei que fossem ursos. Duas das criaturas estavam agachadas ao redor do cervo morto. Estavam enfiando as mãos na barriga aberta do cervo e arrancando as tripas do bicho. Com espanto e em silencio, fiquei oculto, assistindo aquela horrenda cena. As criaturas peludas estavam enfiando as mãos na barriga aberta do cervo e então levantavam no ar e pingavam o sangue em suas bocas, bebendo-o.
A terceira criatura estava a apenas 3 metros de distância, na beira da clareira, agachado. Era obvio que aquele era um macho de tamanho similar ao de um homem. O horror absoluto que eu estava sentindo estava fazendo tremer todos os meus músculos. Eu senti que meu corpo estava ficando [ilegível – Acho que é “estava virando pedra, ou petrificado de medo”].
Sem aviso, o macho se levantou e levantou os dois braços acima da cabeça e ele deu um grito super esquisito e estridente. Gritando daquele jeito ele veio para cima de mim com os dois braços para cima se agitando no ar.

Eu não me lembro de ter conseguido sequer mirar. Eu apenas meti o dedo no gatilho e apertei com toda força, mas a bala deve ter ricocheteado no corpo da criatura.
Um jato de sangue saiu da cara da criatura, que arreganhou uma careta de espanto como se tivesse sido pega de surpresa no acontecimento inesperado. Eu não lembro de grandes detalhes de como aconteceu, eu só lembro de ter apertado o gatilho no desespero, e não me lembro se puxei a alavanca para posicionar outra bala, só sei que eu atirei mais uma vez. Em um completo tipo de pesadelo eu vi aquela careta horrível coberta de sangue caída ao lado do cadáver do cervo aberto ao meio. Eu simplesmente não tenho nenhuma memória do que aconteceu com as outras duas criaturas. Era como se tivessem desaparecido em pleno ar.
Cego pelo medo, eu comecei a correr loucamente. Eu caí no meio do Pântano, escorregando e saí desembestado correndo sem saber em que direção estava indo. Meu unico pensamento era correr para o mais longe possível daquelas “coisas”. Eu caí, escorreguei, levantei corri, cai novamente, tornei a levantar, sempre fugindo com medo de que os outros dois estivessem vindo bem atrás de mim.

Finalmente consegui correr para longe o suficiente até chegar numa área de plantas onde me abaixei e fiquei esperando o ataque das criaturas.
Eu não tenho lembranças detalhadas do que aconteceu e do tempo, porque minha mente simplesmente apagou. Quando recobrei a compostura, estava tudo parado e em silêncio na floresta. Estava tudo tão tranquilo que cheguei a me perguntar se eu não tinha pegado no sono e sonhado tudo aquilo, que mais parecia um pesadelo.
Minha preocupação agora é que eu precisava voltar para o hotel e a bússola, que comprei do Major Szrot era uma porcaria. Eu disparei os três tiros para o alto pra avisar a caçadores da região que estava com problemas. (nota: três tiros seguidos é o sinal dos caçadores de SOS)
Nada aconteceu. Recarreguei o rifle e atirei de novo. Dessa vez eu ouvi o eco de outros tiros à distância.

Eu parti para a direção de onde vinha o som. Periodicamente eu parava e ficava escutando para ver se estava ouvindo qualquer som familiar. Finalmente, ouvi alguém me chamando. Viajando pela mata em direção aos chamados, finalmente emergi numa clareira no alto de uma colina, e vi um grupo de outros caçadores num tipo de acampamento.
Eu me aproximei e tentando esconder minha cara de pavor, disse que havia me perdido da trilha de caça. Um dos caçadores sabia onde minha caminhonete verde estava acionada e me ajudou me dando uma carona até ela no carro dele.
Já havia escurecido quando chegamos no local onde o carro estava. Lou e os garotos estavam lá parados preocupados comigo. Eu taquei a bússola no Lou: “Essa merda de bussola não vale nem um centavo!”

“Você é apenas o grande caçador branco que se perdeu” – Alguém me sacaneou, caçoando de minhas habilidades da floresta.
Em muitas ocasiões eu pensei em contar aos rapazes o que tinha feito, mas como eu poderia? A aposentadoria militar tão sonhada estava a apenas cinco anos e eu estava arriscando a peder tudo se por acaso aquela história vazasse. O médico da base poderia considerar que eu estava mentalmente perturbado e me botar de “gancho” sem voar ou pior, poderia ganhar uma despensa da força aérea por motivos médicos o que comprometeria minha aposentadoria.
Fiquei remoendo as possibilidades em minha mente. Se eu voltasse ao pântano como eu poderia provar? Será que matei a criatura? Será que era um gorila que escapou do zoologico?
Ou pior, será que era um homem vestido com uma fantasia e eu o matei? Talvez fosse só algum tipo de “pegadinha” e eu acabei matando o cara.
Eu me lembrava que apesar daquilo ser coberto com pelos ele parecia muito com uma pessoa comum. E as duas criaturas que desapareceram? Seria tudo aquilo produto da minha imaginação?
Tudo parecia irreal e totalmente incompreensível.

Nosso grupo de caça voltou para o hotel e eu passei um mês inteiro lutando com a minha consciência. Eu costumava ter umas dores de cabeça de vez em quando e agora elas tinham voltado com tudo com toda aquela tensão. Eu estava tomando dezenas de comprimidos ao dia. As dores de cabeça estavam atrapalhando o meu trabalho de piloto instrumentador e instrutor de voo. Eu sabia que precisava desvendar aquele mistério daquele fatídico dia da minha vida ou isso iria atrapalhar para sempre meu trabalho e concentração.
Eu verifiquei com cuidado as condições do tempo. Precisei esperar uma severa nevasca que caiu na região passar para me dar boas condições de rastreio. Eu sabia que para voltar novamente ao pântano, eu precisava de boas condições para rastrear meu próprio caminho até aquela clareira.
Então em 29 de novembro as condições ocorreram.

O report do tempo informou que a neve estava baixando. Em uma sexta-feira, 2 de dezembro, a frente fria finalmente recuou derretendo o gelo, e eu pude ir ate lá porque estava em ótimas condições de rastreio.
Naquele momento, eu já tinha feito todo um plano. Levei minha escopeta com varias munições duplas, preparei tudo com minha pick-up e levei Mike comigo. Mike era meu cachorro fiel. Chegamos ao norte da reserva Whiteface passamos pelo Renta Resort, e segui para o lado leste do lago. Passei por onde naquele dia eu tinha parado o meu carro. Após um período de avanço difícil, instalei correntes nos pneus para não atolar. Mike estava latindo e ansioso e parecia antecipar o que iríamos fazer. Eu sabia que qualquer erro agora poderia ser fatal. Estávamos entrando numa região onde ninguém nunca havia entrado com um veículo na floresta. Eu estava ciente da possibilidade e dar de cara com uma ou mais daquelas “coisas” e aquilo causava em mim um medo tão grande que em muitos momentos quase desisti e voltei pra casa.

Após percorrer bons trechos olhando ao redor em busca de algum ponto que eu me lembrasse, finalmente encontrei um lugar que me lembrava e parei o veículo lá. Dali eu segui a pé com Mike. Eu localizei o caminho que o cervo sangrento havia feito e segui com Mike por esse caminho. Era difícil de andar por ele.
Depois de um tempo seguindo na pista, parei para descansar num tronco de árvore que estava caído ali. O Mike andava em círculos cheirando e farejando tudo em círculos ao meu redor, e finalmente pareceu achar uma pista. Mike disparou como uma flecha mata adentro. Meu coração quase saiu pela boca.
Eu comecei a chamar o Mike quase sussurrando. Ele finalmente voltou e lambeu a minha cara, e aquilo ajudou a dissipar o medo.
“Mike meu velho amigo, vamos ter sorte se conseguirmos voltar para o carro” e eu disse baixinho: “Vamos dar o fora daqui!”
Era quase duas horas da tarde quando eu desisti e estava voltando por onde vim, só pensando em retornar para a civilização e esquecer aquela coisa toda. Minhas pernas se moviam no máximo de velocidade que eu conseguia. Eu então passei por cima de um enorme tronco caído no caminho, que ainda estava coberto de neve. Quando finalmente subi no tronco eu congelei: Era o lugar! Eu havia encontrado o tronco onde tinha escutado o tal barulho. Eu sabia exatamente para onde ir. Eu segui diretamente e ali estava ele, o corpo da criatura que parecia um ser humano peludo, congelado, ainda coberto de neve, caído no solo.

Eu vi Mike cavando com pressa ao redor do monte de neve que cobria o corpo e enquanto isso estava me recuperando do choque de que quilo tinha mesmo sido tudo real. Eu chamei Mike para o meu lado e então fui até lá e com cuidado comecei a limpar a neve.
Vi o rosto da criatura e notei que parecia faltar um olho, mas estava confuso ainda para saber ao certo, porque havia muito gelo e sangue congelado. Vi que a face não era coberta de pelos como o corpo. O pescoço, ombros e a barriga eram coberto de pelagem densa e longa, de cor marrom. A pelagem estava emplastrada de sangue congelado.

O braço esquerdo da criatura estava torcido sob o corpo mas eu pude comparar a mão direita dele com a minha. Essa mão era praticamente idêntica a minha, exceto que era duas vezes maior.
Enquanto eu inspecionava a criatura, meu medo foi se dissipando. Eu estava convencido que não tinha matado um ser humano e sim algo “similar” a um homem, uma criatura “freak” da natureza. Talvez fosse um mutante de algum tipo. Eu examinei o a pobre criatura e vi que estava em perfeito estado de preservação. Também notei que o cervo morto tinha sido totalmente comido por predadores Por que os predadores naturais não comeram aquele bicho peludo estranho? Esse é mais um dos mistérios ainda implícitos nesse caso de criatura bizarra.
Eu decidi que não ia largar de novo a criatura no pântano. Mas estava preocupado com o escândalo que aquilo poderia gerar e ate comprometer minha aposentadoria na Força Aérea. Era impossível cavar naquele chão congelado ainda. Se eu deixasse a criatura no Pântano havia o risco de algum outro caçador acabar achando ela e roubando o “bicho”. Eu temia também que uma investigação policial chegasse diretamente em mim.

Só havia uma coisa a fazer. Eu parti, peguei meu carro e voltei para Duluth com a pick-up. Eu contei para a minha mulher que a caminhonete acabou atolando. Assim justifiquei pegar uma pá de neve, uma picareta, uma motosserra e um machado. Eu então voltei até o pântano e comecei a abrir uma trilha diretamente de onde havia parado o carro até o lugar onde o bicho morto jazia congelado. Usando o cinzel de gelo da caminhonete [nota: não sei o que é isso] eu consegui arrancar o corpo do solo. Colocar aquele corpo na plataforma da caminhonete foi uma das tarefas mais difíceis que fiz na vida. O corpo era naturalmente pesado e uma vez congelado, ele parecia pedra. Finalmente amarrei ele com as fitas de amarração para mantê-lo firme na caçamba. Já estava escuro quando eu finalmente terminei o trabalho de botar aquilo no carro.
Quando finalmente cheguei na minha casa, na área de moradia militar de Duluth minha mulher Irene ficou completamente histérica quando me viu descarregando “aquilo”.
Era um cadáver gigante.

Eu estava agora começando a aceitar toda minha experiencia e a convenci da seriedade do que estava fazendo.
“O que você tá pensando em fazer com essa coisa?”- Ela me perguntou preocupada.
“Eu não pude cavar uma sepultura porque o chão estava congelado” – Eu expliquei. “Talvez possamos eixar ele no freezer por duas semanas?”
“Mas nosso freezer esta cheio de carne”- Ela protestou.
“Então vamos jogar as carnes fora. Minha aposentadoria vale mais que um punhado de bifes”
Foi difícil mas ela finalmente concordou com meu plano. Como muitas mulheres de militares, as esposas estavam acostumadas a ajustar suas expectativas e planos a circunstâncias eventualmente imprevisíveis.

Nós colocamos nosso três filhos na cama, esperamos até que estivessem dormindo e com o uso das fitas de carga descarregamos aquele corpanzil no porão.
“É melhor deixar essa criatura empacotada” – Irene disse, pegando no andar de cima um cobertor militar. “Vou manter as crianças longe do porão amanhã e lavarei o freezer.”
Quando voltei para casa depois de uma segunda feira agitada na base, vi que Irene tinha se livrado da carne e lavado o freezer como planejado. Mas ela ainda estava histérica de ter aquele bicho horrível morto no nosso porão. “Eu não sei o que é aquilo”, ela disse “mas está rindo horrivelmente e seu cheiro já está emprestando a casa toda”.
Apesar da dificuldade eu entrei no porão e consegui dobrar os membros da criatura para que ela coubesse no freezer. Uma vez que o corpo ainda parecia meio congelado ou o rigor mortis havia se instalado, era difícil de dobrar os membros. Quando finalmente consegui enfiar o bicho todo e lacrar o freezer eu lavei as mãos varias vezes e joguei toda minha roupa na maquina de lavar porque o cheiro era horrível. Mais tarde naquela noite eu abri todas as janelas para ajudar a tirar o cheiro.
“não podemos contar a ninguém” eu avisei para Irene. Vamos deixar aquilo lá em baixo até a primavera.

A criatura ficou no meu freezer por quase um mês. Então, minha curiosidade me levou ao porão. Homem ou animal? O que era de fato aquilo? Poderia ser uma mutação mista de um homem e um macaco? Havia centenas de possíveis explicações. Eu abri o freezer e vi que a criatura tinha desidratado.
Algumas partes do coro pareiam muito com aquela carne seca congelada que estava no freezer.
Eu então voltei lá pra cima e falei com Irene sobre o dilema. Eu não queria me desfazer dele e queria mantê-lo mas eu tinha que achar uma forma de preservá-lo corretamente, e evitar que ressecasse.

Irene pensou por um momento e disse: “Lembra aquele [ ilegível. suponho que era um peixe] peixe do Canadá que mantivemos por dois anos congelado? Ele não estragou porque o congelamos dentro da água. Acho que vale à pena tentar.”
Então começamos a colocar 20 galões de água gelada no freezer todo dia. O trabalho foi completado em uma semana e agora nosso segredo estava imerso em uma enorme pedra de gelo e a salvo de olhares curiosos. Por garantia eu tranquei o freezer com cadeado que só eu tinha a chave e assim ficou.
Quando a primavera chegou eu enfrentei outro dilema. Seria preciso vários dias para derreter o “gelão” e no processo todo o porão e logo, a casa foi preenchido com um odor nauseabundo de necrotério.

Eu estava começando a ficar preocupado com o perigo de enterrar aquele troço. Um vizinho que me visse cavando a sepultura no jardim poderia chamar a polícia. Levar o corpo de carro ate o local do “enterro” seria igualmente difícil.
Imaginei tendo um pequeno acidente de trânsito e o defuntão peludo caído no chão. Como eu ia explicar para a polícia aquilo?
A essa altura Iene já estava habituada a ter o defuntão morando no nosso porão. Decidi largar o bicho lá e não brincar com a sorte.
NO verão de 1961 nos compramos uma fazendinha perto de Rollingstone, Minesota que era o meu plano de aposentadoria. Conversamos e combinamos que a família ia se mudar para a fazenda e o faríamos num fim de semana. Eu não queria correr o risco e uma empresa de mudança mexer no meu freezer com o bicho lá dentro.
Assim, aluguei um caminhãozinho de mudança da U-Haul e nós mesmos levamos tudo.

Amigos me ajudaram sem nem imaginar que a “carne” empacotada estava no freezer. Um amigo chegou a me perguntar por que eu não tinha descongelado o freezer para facilitar o transporte.
Eu dei uma desculpa de que não queria que a carne estragasse durante o trajeto. Além disso eu disse que o freezer estava trancado e eu tinha perdido a chave do cadeado.
A viagem com a mudança levou sete horas até o sítio. Nesse tempo, o “gelão” começou a derreter. Nossos amigos começaram a questionar se deviam me ajudar a tirar a carne podre de dentro do freezer e eu temi que meu plano estivesse prestes a ir pelos ares. Mas finalmente eu consegui convencê-los a deixar como estava e comprei um gerador de emergência para que o freezer nunca descongelasse mais. Agora estávamos morando no campo e eu poderia enterrar meu homem-macaco com toda paz e tranquilidade.
Em novembro de 1966, eu finalmente estava aposentado. Me juntei à família na fazenda, mas logo comecei a me desiludir com a vida pacata que sempre ambicionei. Era pacata demais!
Eu tinha tempo de sobra e comecei a ocupar o tempo lendo e acabei aprendendo sobre o tal “abominável homem das neves”. Quanto mais artigos eu lia sobre essas criaturas mais certeza eu tinha que havia um deles no meu freezer lá em baixo. Eu também aproveitei para fazer pesquisas sobre a legislação de caça do estado de Minesota e vi que não havia uma legislação clara sobre a limitação da caça. Por causa disso, eu decidi manter o defunto conosco por mais um tempo.

Em dezembro de 1966 eu conheci um vendedor de tratores da John Deere que reconhecendo meu pouco entusiasmo com uma vida onde nada acontecia, sugeriu que eu virasse também um showman mostrando aquele trator em diversos lugares.
Eu tive uma ideia e falei com ele: ” o que você acha de eu apresentar esse trator mostrando um tipo de homem pré-histórico nele?” O cara achou a ideia legal, mas perguntou: “onde você vai arrumar algo assim?” Eu ri e disse que talvez eu conseguisse alguém para fabricar um boneco pra mim. – NA verdade eu estava tentando encobrir meu segredo. Empolgado com a ideia de mostrar o trator levantando meu abominável homem das neves consultei meu amigo advogado sobre os riscos disso. Ele ouviu atentamente mas não estava levando muita fé, e então eu levei ele no nosso porão, abri o freezer e ele viu, estupefato, a criatura lá.

Ele acendeu um cigarro e pensou por uns minutos, depois em deu uma ideia: “Você tem o corpo original. As autoridades vão cair em cima de você porque essa vai ser a descoberta do século, entretanto, é possível fabricar um modelo a partir dele. Você vai registrar as etapas da construção do modelo, mas na hora de mostrar, mostrará a criatura verdadeira. Se te pressionarem muito, você mostra as imagens de fabricação do modelo.”

“Melhor ainda”, eu disse “Eu vou mostrar o modelo durante o primeiro ano, e depois todo mundo vai pensar que é só um modelo falso”.
Em janeiro de 1967 em fiz desenhos da criatura e fui até Hollywood contratar alguém que pudesse criar aquilo pra mim. Lá eu falei com Bud Westmore que fabricava props e fazia maquiagem para a Universal Studios. Ele me disse que o modelo ia custar pelo menos 20.000 dólares. Ele não tinha tempo para fazer aquela criação, mas concordou em oferecer seu conhecimento técnico como consultor pra mim. Ele também disse que seria um projeto “desafiador”. Então eu consultei também a equipe de produção do Los Angeles Country Museum, que me disseram para procurar Howard Ball, um artista independente que havia feito elefantes de tamanho real em fibra de vidro para ficarem em exposição nos poços de piche de La Brea. Eu mais tarde contratei Ball para esculpir e moldar uma cópia da carcaça do bicho.
John Chambers, um artista de maquiagem que já tinha sido premiado numa produção da 20th Centuty Fox, sugeriu-me um pequeno estúdio de modelos de cera de Los Angeles que fariam implantação de pelagem conforme minha orientação.

Eu falei com Berry Corral, e eles concordaram em fazer a implantação de pelagem fio a fio com uma agulha própria.
Eu constantemente dirigi essa parte do trabalho, que ficou excelente. Eles eram grandes artistas e foi um prazer trabalhar com eles. Mas quando o modelo ficou pronto eu tive outra preocupação. Eu não tinha nenhuma garantia que o boneco faria sucesso no circuito das feiras, e eu precisei gastar milhares de dólares na esperança que desse certo.
Apesar de meus receios, levei o boneco para um amigo de Pasadena que deu alguns toques para aumentar o realismo. Os olhos ensanguentados, o braço quebrado e alguns pelos embebidos em sangue foram cuidadosamente elaborados para simular o cadáver original.

Chegava agora o momento de colocar gelo ao redor do boneco e foi um ponto bem engraçado da história porque eu aluguei um espaço num frigorífico e estava descarregando meu boneco quando um funcionário vinha passando e veio correndo: “- Ma-ma-ma-ma-mas o o que vo-vo-você tá fazendo com isso? é de verdade? Oh, meu Deus!” E eu disse que tinha alugado um contêiner de gelo lá e ele falou que era para eu sumir daquilo o mais rápido possível, porque eles eram uma empresa de finalidade alimentícia e se o fiscal sanitário visse aquilo perigava até fechar a firma.
Mais tarde levei meu cadáver congelado para um deposito onde um caixão especial foi fabricado para ele. O caixão era levado num trailer especial para o show trailer que estava em Los Banos- Califórnia, e chegou bem a tempo do debut no West Coast Shows. Em 3 de maio de 1967 a exibição foi aberta ao publico e pela primeira vez ele foi visto no “What is it?” show. Os espectadores queriam saber o que era e de onde tinha vindo.

“Dizem que veio com uns pescadores chineses do estreito de Bering” -Nós dizíamos e aquilo colava legal ao ponto de que ficamos mantendo isso por dois anos.
Assim eu continuei exibindo o boneco nos circuitos daquele ano. Eu admiti para alguns apresentadores que era um boneco, mas havia muitos problemas de anatomia no modelo para realmente enganar alguém que tivesse algum conhecimento.

Nosso tour continuou ate novembro de 1967 quando fechamos em Louisiana State Fair, e voltei para minha fazenda em Rollingstone para passar o inverno em família. Era por volta de março de 1968. A essa altura eu havia me convencido que já era seguro trocar o boneco pelo bicho real do freezer. Assim, desliguei o freezer e descongelei a criatura. Fiz a troca usando o meu caixão do boneco colocando o bicho real ali dentro usando o trator. Eu posicionei o morto9 para ficar numa posição similar a do meu boneco, e precisei cortar tendões nos braços e pernas para isso. Então começou a etapa difícil de colocar gelo ao redor da criatura.

“Essa vai ser uma grande exibição no circuito de feiras Eu disse depois que havia terminado. “mesmo um cientista treinado ficaria chocado ao ver aquilo”.
A temporada de 1968 foi a mais incrível da história. Fisiologistas, professores, estudantes de faculdade, vinham de todos os lados ver a criatura. Todos se perguntavam da possibilidade dele ser o “elo perdido”.
Na feira do estado de Oklahoma um proeminente cirurgião visitou a feira em nada menos que nove ocasiões diferentes para ver o monstro.
Cada vez ele trazia mais colegas com ele. NA feira do estado de Kansas um patologista ficou tão impressionado que levou vários amigos para verem a criatura.
Aparentemente a exibição chamou a atenção de Ivan Sanderson e Bernard Heuvelmans graças a um de seus colegas. Eles chegaram e pediram permissão para examinar a “criatura”. Foi um grave erro da minha parte. Os dois homens estavam visivelmente impressionados mas não fizeram menção de soltar um report científico daquilo.

Entretanto, em 1969 o doutor Heuvelman publicou um artigo sobre o “homo pongoides” o “homem-macaco” no boletim da Royal Institute of Natural Sciences of Belgium que dizia:
“A longa busca pelo famigerado homem-macaco ou o “elo perdido” tinha finalmente sido bem sucedida.” Ivan Sanderson publicou outro artigo em 1969 na edição da revista Argosy: ” […] deixe-me dizer simplesmente essa criatura é suficiente para nos convencer que é um artigo genuíno”.

Meus problemas recomeçaram com aquele artigo de Heuvelman. Eu vi menções surgirem em cada jornal, cada programa de radio, revista, televisão. Todos queriam verificar a existência da criatura. Chegavam ligações de Londres, Tóquio, Berlim, Roma e a de varias cidades dos Estados Unidos.
O Smithsonian mandou um pedido para avaliar a carcaça. Eu recusei prontamente esse pedido deles. Dezenas de cientistas pediam permissão para coletar amostras da criatura, Biólogos queriam amostras do cabelo e sangue.

Heuvelman disse em seu artigo que a criatura parecia ter sido baleada. Os jornais pegaram isso e começaram a especular se não deveria haver a possibilidade de usar as leis para investigar como eu tinha obtido o espécime.
“Se a criatura fosse provada algum tipo de ser humano, haveria problemas porque a morte dela seria considerada um assassinato.” – Disse um artigo do Detriut News.
Com todos esses eventos me pressionando eu passei a ser figura carimbada na sala do meu advogado. Ele foi taxativo: “Frank está na hora de trocar o cadáver pelo boneco e então sair de longas férias”

Parecia ser um bom conselho a julgar pela pressão que só aumentava. Assim, eu troquei o modelo de lugar novamente e coloquei o cadáver numa van refrigerada que foi levada para um local secreto bem longe do meio oeste. Congelar o modelo levou vários dias e durante esse tempo os jornais estavam me acusando de sumir com o corpo.
Depois de alguns meses eu fui pressionado pelas circunstâncias a ceder o espécime para avaliação cientifica. Eu concordei mas disse que havia duas exigências para isso. Um: Eu queria total e irrestrita anistia para caso o “assassinato do bicho” fosse considerado crime e dois: isso deveria incluir os estados por onde o espécime foi exibido durante a temporada de 1968 das feiras.

Há claramente muitos céticos sobre o que realmente aconteceu com essa criatura e muitos dizem que tudo e puramente invenção. Possivelmente é. Eu estou sobre investigação e essa é uma questão delicada. Eu vou negar tudo. Mas ninguém saberá realmente a verdade até que eles consigam atender a essas duas exigências. Enquanto isso não ocorre continuarei a exibir esse boneco e concordarei que estou vendendo ilusões. Eu deixo o julgamento final para os espectadores. Se alguém detectar um estranho odor de podre vindo do canto do caixão, será só sua imaginação. Uma nova junta de borracha foi colocada sob o vidro e agora o caixão é absolutamente vedado.

FIM

É uma história no mínimo intrigante. Estará o verdadeiro corpo oculto dentro de um gelão em algum lugar desconhecido esperando para ser descoberto? Será tudo um embuste engenhoso? Eu confesso que toda essa história de “eu queria enterrar o pé grande” me soa como uma conversa fiada para boi dormir. O cara queria era ganhar dinheiro, vamos aceitar os fatos. Eu e você também iríamos querer um dindim.

O lance do boneco

O papo de “faz um boneco para se a coisa pegar vc ter uma saída” parece excessivamente engenhoso, e também funciona como uma saída para quando o cara for pego no golpe escapar dizendo “vocês periciaram o boneco, não a coisa real, seus burros!” É conveniente. É uma manobra de “hide my ass”.

Há um livro sobre o caso, detalhando tudo que você pode encontrar aqui:

Frank confessa no artigo da saga que inventou histórias variadas para justificar estar de posse do monstro durante as turnês das feiras estaduais. Ele era um prolúfico inventor de histórias para a origem do seu homem-macaco. Frank alegou que ele era apenas o guarda temporário do corpo e que pertencia a um proprietário não revelado (amplamente rumores de ser o ator Jimmy Stewart). Certa vez, Hansen afirmou que o corpo havia sido descoberto flutuando em um bloco de gelo na costa da Sibéria por um navio russo de caça às focas. Mais tarde, ele disse que um navio baleeiro japonês encontrou o corpo. Mais tarde ainda, ele disse que havia sido encontrado em uma instalação de ultracongelamento em Hong Kong. E mais tarde ainda foi dito que o animal havia sido baleado em uma viagem de caça na região do reservatório Whiteface, em Minnesota que seria essa história oficial.

Frank posa com seu pé grande

Apesar de todas essas sugestões, a ideia mais popular sobre a origem do corpo é que ele foi recolhido no Vietnã e levado para os Estados Unidos em um saco para cadáveres. Heuvelmans o conectou com a história de um ‘macaco enorme’ morto em Danang, Vietnã, em 1966, supostamente perto de onde Hansen estava alocado durante a guerra.

No fim, ele gerou uma nuvem de histórias e mentiras tão gigantesca que é difícil achar a ponta da linha no novelo. A estratégia da confusão ajudou a evitar que ele acabasse preso por assassinar um pé grande, mas também foi conveniente para justificar um possível embuste engenhoso, que conseguiu iludir dois cientistas de verdade.

Esse talvez seja um dos aspectos mais curiosos da história, na medida em que de fato os dois cientistas estavam convencidos que viram de perto e examinaram uma criatura morta real.  Quando John Napier do Smithsonian (que Frank alega que nunca nem chegou perto da carcaça) disse que era uma replica de látex, eles possivelmente estava certo, pois o boneco era mesmo. Mas Heuvelman viu de perto, ele se enganaria a este ponto? Eu tenho minhas dúvidas justamente nessa questão.  A história de ter o boneco parece fazer sentido.

O curioso caixão-frigorífico da exibição

Sanderson apoiou a hipótese do boneco quando disse que o espécime examinado por John Napier era obviamente diferente do original que ele e Heuvelmans examinaram. As fotos mostram que, ao longo dos anos, a forma do rosto e do corpo variou um pouco. Em algumas fotos, a boca está fechada e em outras aberta, revelando claramente um complemento de dentes grandes. Talvez houvesse mais de um modelo e alguns dos modelos poderiam ser mais realistas do que outros, não se sabe. Mas isso também é algo que parece fornecer algum suporte ao lance do boneco e do defunto trocando de lugar nas feiras.

Feiras da bizarrice

Um aspecto da historia que ode ter te deixado curioso é sobre as tais feiras. Por que alguém ia pegar um bicho morto para viajar em caravana pelos EUA para mostrar em feiras? A resposta é: GRANA.

Recintos de feiras e carnavais têm uma longa história de exibições de ‘bonecos de neve’ ou ‘homens selvagens’. Aqui está uma exibição do Abominável Homem das Neves ‘perpetuamente mortificado’ em Wookey Hole, Reino Unido. Crédito: Darren Naish fonte  fonte

Onde foi parar o boneco de Frank?

Em 2013, o que parece ser o artigo original e genuíno foi colocado à venda online. Hoje, o boneco de gelo de Minnesota pertence a Steve Busti, do Museum of the Weird em Austin, Texas, e certamente parece idêntico ao espécime discutido e ilustrado por Heuvelmans e Sanderson.

O destino final do boneco foi o Museu do Estranho, em Austin, Texas.
De volta ao mundo moderno, essa semana um grupo de busca ao Sasquatch liberou no facebook o que parecem ser evidências de partes um novo cadáver de criatura misteriosa.
Estranho hein?

Enfim, é isso, espero que o post tenha sido divertido pra você. Se chegou até aqui, meus agradecimentos e vamos para o próximo post!

 

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Philipe Kling David
Philipe Kling Davidhttps://www.philipekling.com
Artista, escritor, formado em Psicologia e interessado em assuntos estranhos e curiosos.

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