O salão misterioso sob o lago

O meu amigo Eduardo Cinta deu a dica de um post bem legal. É sobre um incrível salão secreto, que está abandonado, debaixo d´água, sob a plácida superfície de um lago. Esse lugar é alucinante e parece coisa de filme, mas sua história não tem muito de incomum, bem pelo contrário, é a história de um espertão que deu vários golpes sucessivos na praça e até na bolsa de valores, enquanto ambicionava  ser o homem mais rico do mundo. Soa similar a alguma coisa pra você? Saca só:

O misterioso salão debaixo do lago na Inglaterra

Esta enorme estátua de Netuno localiza-se no topo de uma cúpula, que está afundada sob a superfície plácida do lago Whitley Estate, na Inglaterra. A estátua do Netuno marca o lugar onde está um incrível salão secreto, construído em 1800.
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Toda a propriedade estava repleta de de opulência e extravagância. O lugar foi construído no final dos anos 1800 por Whitaker Wright, um homem de negócios obscuros que foi condenado por fraude depois de muitos anos de negociações suspeitas e fraudes de investidores.

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Imagino que ele devia ser muito caloteiro num nível profissa para fazer esta nada discreta mansão diante do lago:

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A história do complexo arquitetônico

Para criar o salão de festas sob o lago, 600 operários escavaram o leito do solo,  e depois ergueram ali a mansão, de 32 quartos em estilo neo-Tudor que estava cheia de tesouros de todo o mundo, incluindo estátuas italianas e um golfinho de bronze tão grande que ele ficou preso debaixo de uma ponte no caminho de Southampton. ( foi preciso alterar a estrada para tirá-lo de lá.)

A maior parte dessa fantasia arquitetônica já era. A casa, foi destruída por um incêndio em 1952, e suas ruínas foram demolidas mais tarde. Mas algumas construções abandonadas e os estábulos sobreviveram.

Bernie Madoff foi Whitaker Wright, nasceu em Stafford, em 1846, e era um filho mais velho de um pastor metodista. Ele deixou a escola aos 15 anos para se tornar um impressor e, brevemente, um ministro, antes de ir para a América, em 1867, querendo fazer fortuna.

Dentro de alguns anos, ele realmente fez – e perdeu – sua fortuna várias vezes,  ao investir em minas de prata no Colorado e Novo México.

Mas, apesar do muito dinheiro que ele botava no próprio bolso, os acionistas nunca conseguiam ganhar um centavo.

[wp_ad_camp_5] O padrão da carreira de Wright era bem estranho.  Num momento ele estava voando alto, faturando milhões; em outro, estava falido, sem um tostão.

Uma vez que ele tinha esgotado suas perspectivas no oeste, dirigiu-se para a Filadélfia, tornando-se presidente do Philadelphia Mining Exchange e um membro da New York Stock Exchange.

Ele dificilmente poderia ter apresentado uma figura mais próspera para o mundo do que quando se casou, em 1878 com uma moça de apenas 17 aninhos, Anna Weightman, com quem teve um filho e duas filhas.

Uma década mais tarde, sua sorte acabou novamente quando seu Gunnison Iron & Coal Company entrou em colapso, deixando-o quase em ruínas. Retornando à Inglaterra, em 1889, ele começou de novo, promovendo-se como um perito em empreendimentos de mineração especulativas.

Wright tinha uma inegável habilidade de convencer pessoas a colocar dinheiro nos seus negócios. Seu grande conhecimento, aliado ao padrão de vida nababesco que exibia, levava às pessoas a crer que esse homem era o tipo do magnata próspero com o qual só se poderia ganhar.

No entanto, suas táticas de persuasão logo se transformaram em fraude absoluta. Em 1896, ele levantou £ 250.000 – o equivalente a £ 21.500.000 hoje (R$ 87. 489. 666)- com investidores para apoiar sua empresa, a Lake View Consols, criado para cavar minas na Austrália Ocidental.

Como a notícia de que ele tinha captado o monte de dinheiro, choveram investidores crédulos, confirmando a máxima que diz: “dinheiro chama dinheiro”.  Então Wright investiu uma nota preta colossal na construção de seu paraíso particular, com lago, mansão e até salão de festas submerso.  O lugar se chamava Lea Park e foi rebatizado mais tarde Witley Park, comprado do conde de Derby por  250.000 libras (1 .017. 321 reais).

Junto com a propriedade, ele também adquiriu o direito de lorde de uma área  nas proximidades Hindhead Common e Devil´s Punch Bowl, uma belíssima área naturalmente esculpida em forma de um enorme anfiteatro.

Em Londres, ele pegou uma casa na Park Lane, ao lado da mansão do Senhor Londonderry. Em Down at Cowes, ele manteve um iate, chamado Sybarita (significando-hedonista), que disputou contra o iate de ninguém menos que o  Kaiser Wilhelm II na corrida Royal Yacht Squadron em Cowes – e venceu.

O cara cagou e andou para as reclamações dos vizinhos sobre danos à paisagem de Surrey. Wright aprontou sua propriedade com um velódromo, teatro, observatório, hospital privado, estábulos para 50 cavalos e a jóia da coroa – o salão de festas debaixo d’água.

Ele também instalou uma mesa de bilhar no salão de baile, onde ele gostava de jogar na luz bruxuleante que filtrava-se através da água acima. (imagina como devia ser espetacular)

“Tudo era bravata”, disse a Revista  Blackwood sobre a construção do salão de festas subaquático. “A coisa toda era de uma linda vulgaridade – Uma magnífico negócio burlesco.  Entre os famosos e poderosos que desfrutaram do belo salão de festas submerso estavam Sir James Reid, médico pessoal da rainha Victoria.

No entanto, em 1897, o negócio de Wright estava começando a dar sinais que ia quebrar, de tanto 171 (golpe). Aí o que ele fez é exatamente o que os poderosos golpistas fazem hoje em dia:  montou uma outra empresa, a London & Globe Finance Corporation, e, para atrair mais investidores aristocráticos, instalou o Marquês de Dufferin e Ava, um ex-vice-rei distinto da Índia, como presidente. Ou seja, no melhor estilo moderno de passar o trouxa para trás, ele colocou um bucha decorativo na frente do negócio.

Inicialmente, o plano funcionou lindamente, e a empresa floresceu. Deu tanta grana que  Wright comprou a mina de ouro Ivanhoe na Austrália Ocidental e especulou lindamente com ela na bolsa de Londres por £ 1 milhão (£ 84.000.000 hoje – 341.820.093 reais). Mas, nos bastidores, Wright usou diversos artifícios para manipular artificialmente o preço da ação, para com essa lucratividade pagar as dívidas de uma empresa com outra, num estilo  ( apaguei pq não quero processo, mas é um cara muito rico e famoso por dar esse mesmo “perdido”)  fellings.

Tal qual aconteceu com o (apaguei)  Wright acabou sem saída.  Em primeiro lugar, ele não conseguiu esconder a desastrosa perda de £ 600.000 (£ 48.000.000 hoje) na nova Baker Street e Waterloo Railway; então seus credores começaram a expô-lo e assim desabou seu império de empresas de mineração, num colapso brutal que o jogou da condição de bilionário a de pobre da noite para o dia.

Em 1900, a London & Globe Finance Corporation tornou-se insolvente, levando à falência vários membros da Bolsa de Valores de Londres. ( tá vendo como a história se repete, meu amigo?)

Falido, liquidado e cada vez mais ferrado, ele foi alvo de diversas investigações que revelaram que Wright era o receptor oficial de várias contas fraudulentas.

Quando tudo deu merda, ele fugiu

Em 1903, quatro dias antes de um mandado de prisão foi emitido, Wright fugiu para Nova York, cruzando o Atlântico com um nome falso. Após uma batalha de extradição, ele foi trazido de volta para a Inglaterra e tentou em 1904. No seu julgamento nos Tribunais de Justiça reais, verificou-se que ele tinha “queimado” £ 5.000.000 (£ 400.000.000 hoje – 1.634.471.952 reais) do dinheiro dos seus investidores, e ainda tinha outras pendências, entre elas, uma divida de  £ 3.000.000 .

Momentos depois de ter sido condenado a trabalhos forçados sete anos para falsificar balanços, Wright deixou o tribunal com seu advogado, Sir George Lewis. Naquela ocasião, ele entregou seu caro relógio para Sir George, dizendo: “Eu não vai precisar disso para onde vou!”

Depois de fumar um charuto, ele foi para banheiro, ingeriu uma cápsula de cianureto e morreu em poucos minutos. O inquérito subsequente relatou que ele também carregava um revólver de prata carregada como back-up (como o Hitler).

Quatro dias depois de sua morte, seu corpo foi levado para Witley em um carro fúnebre de vidro.

Seu suicídio dramático, e vida dupla como grande investidor de visão e “candidato a homem mais rico do mundo”, capturou a imaginação da Inglaterra Edwardiana.

Saio da vida para entrar na história

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Curiosamente Cinco anos depois de sua morte, ele foi imortalizado por HG Wells em seu romance Tono-Bungay como George Ponderevo, um vigarista que disfarça um veneno como um tônico de cura milagrosa para todos os tipos de doenças.

de volta a  Surrey, o grande espólio de Wright se desfez. O parque Witley foi dividido em lotes para venda; Hindhead Common foi comprada por residentes locais e entregue ao National Trust. Depois que a mansão principal foi incendiada, os edifícios restantes foram convertidos em um centro de conferências.

O salão de festas debaixo d’água é agora uma propriedade de um empresário de 52 anos, chamado Gary Steele – e encontra-se vazio.

Apesar da história sinistra, o lugar é lindo.

O salão submarino ainda pode ser acessado, e uma vez lá em baixo, é possível ver que sua estrutura está aguentando firme a pressão da água todo este tempo. Ele tem vidros translúcidos, por onde entra a luz do sol que penetra no lago.

É impossível ir até aquele lugar escuro e não pensar em como deviam ser as festas e recepções do salão de festas submarino. Nossa imaginação consegue reproduzir os quartetos de cordas e até o eco do som dos violinos animando as damas bem vestidas que vão bailando pelo salão.

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Com o tempo, algas se depositaram ao redor da cúpula, reduzindo a entrada de luz, de modo que só é possível ver lá dentro com uma câmera configurada para longa exposição.
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Um longo corredor leva até a cúpula, debaixo d´água. Enquanto percorremos o longo corredor de formas estranhas, nos perguntamos como deve ter sido a complexidade de construir aquilo tudo, que hoje está debaixo d´água.

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Ali em baixo, o silêncio é absoluto.
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O salão de festas subaquático é agora propriedade do empresário Gary Steele – e encontra-se vazio e abandonado. Apenas os peixes permanecem, sempre circulando a cúpula erguida por um vigarista infame.

fonte fonte fonte

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9 comentários em “O salão misterioso sob o lago”

  1. Putz, parece coisa de sonho. E um pouco de pesadelo, também. Coisas espreitando debaixo d’água sempre me deram arrepios. O cara se matou nessa mansão mesmo? Caceta, daria uma bela história de assombração.

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