Ganzu – O quarto dia – Parte 2

Greg, Nareba e Marcelo resolveram descer para verificar o que era o barulho. No caminho passaram no quarto da Aninha e chamaram Vladmir.

-Que foi, véio? – Perguntou o gordinho, com a cara inchada e os cabelos para o alto.
-O Greg ouviu uns barulhos estranhos la no quartinho. – Sussurrou Nareba.
-No quartinho?
-Isso.
-Cês vão lá ver?
-Yep!
-Peraí que eu vou também! – Disse o russo.

Ele pegou a lanterna na mochila e os quatro desceram as escadas.
A casa estava em silêncio.

-Não tô ouvindo nada, porra. – Disse Marcelo.
-Shhh! Continua descendo. Vai, vai! – Disse Armando.

Os três chegaram na cozinha. Só então ouviram um barulho realmente estranho. O barulho vinha do quartinho.

-Acho que pode ser um rato. – Sussurrou Armando.
-Rato? Cê acha?
-Pode ter sentido cheiro de podre. Pode estar comendo a coisa.
-Se ela morreu…
-É o som da pedra raspando no chão. – Disse Marcelo, colando o ouvido junto da porta.
-Caralho… Tô com medo. – Disse o russo.
-Calmaí, rapá! Fica aqui! – Disse Greg, agarrando o nerd pelo braço e colocando-o de volta no lugar.
-Me solta, porra.
-E aí? A gente abre ou não abre?

Todos se entreolharam.
-Eu não abro. Abre você! – Disse Marcelo ao Armando.
-Negativo. Abre você, Greg! – Armando passou a chave para o lutador.
-Eu??? Nem a pau! Cês que são brancos que se entendam!
-Porra… Ninguém vai ter coragem? – Perguntou o russo.
-Tu vai?
-Não.
-Então, caralho. Então vamos dormir, porra! Amanhã a gente vê que merda é essa.

Os três se viraram e voltaram para as escadas.
-Eu que não vou dormir na sala! – Disse Greg.

Eles estavam subindo as escadas quando Marcelo parou.
-Que foi? – perguntou Armando, que vinha logo atrás.

-Acho que a gente tem que ver, cara. Se é um bicho tipo rato ou gambá e come nosso bagulho lá? Pensem na grana indo para o ralo!
-Pode crer! – Armando concordou. – Podemos estar rasgando o bilhete premiado, por puro cagaço.
-Vamos voltar lá e abrir essa merda?
-Vamos!

Os quatro resolveram voltar e atravessaram a cozinha até o quartinho dos fundos. No caminho pegaram facas e soquetes.
Marcelo segurou a maçaneta. Girou a chave devagar. Virou-se para os amigos e sussurrou:
-Vamos combinar. Eu abro, o Vladão ilumina, o Greg e você espantam o bicho. Ok?
Armando concordou.
Todos estavam prontos.
-Tudo certo? Vai ser no três. Um… Dois… E… Três! – Gritou Marcelo, arreganhando a porta.
-Aaaaaaaah!- Todos gritaram.

Vladão iluminava a pedra que estava bem no meio do quartinho. Armando e Greg estavam prontos para dar porretadas no que quer que estivesse ali. Mas não havia nada de anormal. Só a coisa dentro do geodo, que lembrava uma pele enrugada e parecia estar ressecando e se rasgando.

-Ilumina mais! Disse Greg.

O Russo chegou a lanterna mais perto. Dava para ver que um pedaço da coisa havia se rasgado. Dali estava saindo um pequeno tentáculo, que se movia com espasmos.

-Que bosta é essa?
-Está nascendo, véio! Tá nascendo! – Disse Greg, com os olhos arregalados.
-Puta que pariu, neguinho! – Nareba mal podia acreditar no que seus olhos viam. Iluminado pelo potente facho de leds, aquela coisa ia se desdobrado lentamente de dentro do casulo rompido. De vez em quando dava uns espasmos, e os espasmos eram tão fortes que balançava o geodo, causando o barulho.
-Ele não tá conseguindo sair. – Disse Armando, com o facão na mão.
-Shhhh! Não fala. Tá assustando ele. – Sussurrou Marcelo.
-Mas que coisa mais nojenta! Puta merda! É tão feio quanto o cheiro.
-Caras… Isso é muito louco. Veja como desdobra! – Disse o russo.
-Que bicho é esse Vlad? – Perguntou Armando.
-Sei lá, porra! Eu não sou o Google!
-Vamos ajudar ele a sair do casulo? – Perguntou Marcelo.
-Eu hein? Vê se me erra, chassi de frango! – Disse Greg, saindo de perto da porta.
-Me empresta a faca aqui! – Disse Nareba. Armando estendeu a faca.
-Cuidado, hein, porra?

Marcelo foi com a faca. A ponta tremia. Enquanto isso, Vladão iluminava a cena o melhor que podia.
Marcelo chegou a faca perto da coisa e tocou no casulo. Aquele pequeno tentáculo que se desdobrava em espasmos se recolheu na hora.

-Reagiu! – Disse o russo.
-Vai, vai logo, porra. – Sussurrou Armando, aflito.
-Calma, gente.
Marcelo puxou a ponta da faca, abrindo mais o corte do casulo. A faca estava super afiada e cortou com facilidade a capa de gordura que envolvia o casulo.

-Foi! – Disse Marcelo, recolhendo o braço para junto da porta.
Dois minutos depois, o tentáculo se desenrolava para fora do geodo. Era pequeno. Ele foi seguido por outros.

-Pelas barbas do profeta! – Balbuciou Armando, quando viu uma coisa sem forma definida, saindo lentamente de dentro do casulo.

A coisa era rosa. Meio translucida. Ela não parecia ter olho, nem boca. Era basicamente um amontoado de perninhas, com uma forma que lembrava uma planta.

-Eu não sei se essa porra aí é bicho ou é planta! – Exclamou o russo. -Parece um invertebrado!
-…Seis, sete, oito, nove, caralho! Dez pernas! – Contou Marcelo.

-Ei que porra é essa aí? – A voz surgiu da cozinha. Eram Aninha e Sarah.
Os meninos deram um grito de susto.

-Porra! Quer me matar? – Perguntou Marcelo.
-O que tão fazendo aqui em baixo essa hora? – Perguntou Sarah, vendo os rapazes armados com a faca e o soquete.
-Vem ver! Vem ver! – Armando gesticulava empolgado.

As meninas se aproximaram.
-Cruzes!
-Veja… Ele saiu do ovo!
-Mas que bicho é isso?
-A gente não sabe, mas o nareba ajudou ele a nascer. – Disse o Russo.
-Olha, tá andando. Como ele anda engraçado! Olha só!
-Quanta perninha. Mas cadê a cabeça?
-Acho que não tem cabeça. – Falou Marcelo, apontando para o bicho.
-Como assim o trocinho não tem cabeça?
-Essa porra é de outro planeta, bicho! De outro planeta mesmo… – Dizia Greg, mexendo a cabeça negativamente.
-Bom, pode não ser exatamente de outro planeta… Mas mesmo que não seja, ele pode ser de um outro planeta. – Disse Vladmir Obrushev.
-Você está se sentindo bem? – Perguntou Armando.
-Eu explico. O livro que eu tô lendo, fala justamente da explosão cambriana. É que se este animal for mesmo um fóssil, que sabe-se la porque, ficou preservado todos esses anos, pela forma incomum e pelo tipo de cristalização da pedra, ele pode ser um dos poucos espécimes vivos da grande explosão cambriana.
-Tem outros? – Indagou Greg.
-Tem. As águas vivas, anêmonas, algumas algas, por exemplo… Alguns tipos de caranguejo…
-E isso tem muito tempo? – Perguntou Greg.
-Muito! Com M maiúsculo, cara. Certamente, naquele tempo essa área toda aqui era um grande mar raso, repleto de pequenas ilhas… O Mundo era totalmente diferente e quase todos os bichos que existiam sumiram, isso muito, muito antes dos dinossauros! Coisa de uns 500 milhões de anos!- Disse Vladmir. – As criaturas desse período eram todas esquisitas, e não se conhece tudo que apareceu, muitas criaturas do cambriano simplesmente não deram certo, outras sumiram sem que se saiba o porque.
-Que coisa mais bizarra! – Disse Aninha, com estupefação.
-Ele tá meio zoado. – Riu Vladmir Obrushev.
-Também acabou de nascer e já saiu andando! – Disse Marcelo.
-Ah, ele é bonitinho… Todo rosinha. – Falou Sarah.
-Talvez seja ela… – Disse Armando.
-Talvez seja os dois! – Vladmir completou.
-Hã? – Todos tinham uma cara de incógnita.
-Igual as minhocas, véio.
-As minhocas?
-Sim… As minhocas são de um tempo tão antigo que elas mudam de sexo de acordo com a necessidade!
-Louco! Depois fala que não é o Google. Tu é mais esperto que o Google, mermão! – Falou armando batendo nas costas do russo.
-Engraçadinho ele passeando. Ele tem o que? Dez centímetros? – Perguntou Aninha.
-Por ai!
-A gente tem que dar um nome pra ele.
-Se eu fosse batizar, ele se chamaria, sei lá… Lobopódio anocéfalus. – Disse o Russo.
-De onde você desencavou este nome, porra?
-Lobopódio é verme com pernas. E anocéfalo é… Alguém assim, tipo… Que não tem cabeça. – Disse O russo. E todos riram, menos Greg.
-Qual é a graça?
-Nada, nada.
-Porra esse nome tá meio feio. Ele não merece esse nome. – Disse Sarah.
-Devíamos chamar de Ozzy! – Sugeriu Aninha.
-Ozzy?
-Uai! Melhor que lobopódio não sei das quantas.
-Não, não. Gente, calmaí. Quem vai batizar é o Marcelo. Afinal, ele que achou. E aí, Marcelo?
-Porra… Não sei. Lobopódio é preciso mas é muito pretensioso.
-Lembre-se que podemos estar nomeando uma espécie única da natureza.
-Batiza logo seu filho, nareba! – Disse o lutador.
-Ele parece um pokemon. Vamos dar um nome de pokemon pra ele! – Riu Marcelo.
-Tipo Stariu? – Perguntou Vladão.
-Stariu?
-É um pokemon tipo uma estrela… Cheio de perninhas. Se bem que este aí ta mais para o Corsola.
-Legal… Vamos chamar ele de Ganzu.
-Mas por que Ganzu?
-Sei lá, uai. Porque tem uma sonoridade legal e é simples. – Disse Marcelo.
-Ganzu… Ganzu… É! Nome engraçado e pequeno. – Disse Armando.
-Gente… Agora que o Ganzu está batizado… O que essa porra vai comer? – Perguntou Aninha.
-É… Boa pergunta.
-Cê tem coragem de botar a mão nele? – Perguntou Greg.
-Acho que tenho. – Disse Marcelo.
-Então pega lá! Duvido! – O lutador desafiou.
Marcelo foi com disposição de pegar o animal que andava devagar sobre o jornal do chão. Quando ia pegar, Vladmir o puxou.
-Espera! Espera, nareba!
-Que foi?
-A gente não conhece esse bicho, meu. E se ele tiver células urticantes?
-Hã?
-Tipo água-viva! Pode te queimar, tá ligado? Ou ser transmissor de alguma doença, ou mesmo venenoso…
-É… pensando por este lado…. faz sentido a cautela. – Disse Armando.

-Bom, o que a gente faz agora? – Perguntou Sarah.

-Vamos dormir. Vamos largar o filho do nareba aí. A gente tranca a porta. – Disse Greg.

Todos concordaram.

-Mas vamos primeiro deixar uma comida e bebida pra ele. – Disse Marcelo.
-Os cientistas vão surtar o cabeção quando virem o Ganzu, galera! Estamos ricos!- Disse Armando.

Vladmir veio com um pires com água numa mão e o outro com pedaços cortadinhos de carne.

-Que isso? Despacho? Uh-uh misifí! – Riu Greg.
-Não enche, porra.

O russo colocou a carne no chão.

-Será que ele vai comer?
-Pode ser que só coma plantas. – Disse Marcelo.
Vladmir se levantou e foi até a geladeira. Pegou uma folha de alface, picou e colocou e um novo pires, ao lado da carne e água.

-Tranca bem essa porta. Não quero acordar e ver que perdemos nosso Ganzuzinho. – Disse Marcelo ao Armando, enquanto ele fechava o quartinho.

-Vamos, vamos dormir!
-Tô morto.
-Eu até dormiria, se não tivesse muito empolgado. – Disse Marcelo.
-Amanhã vamos ver melhor o Ganzu na luz. Até amanhã ele certamente estará mais espertinho. – Respondeu o russo.

Quando Marcelo acordou, o quarto do Armando estava vazio. Ele ouviu risos e falação no andar de baixo.
Correu para o banheiro, escovou os dentes, tomou um banho frio, mudou de roupa e desceu.
Lá na sala, todos já estavam acordados, sentados à mesa num papo animado. Alguém havia feito ovos mexidos e o cheiro dos ovos na manteira se espalhava por toda a casa.
As janelas estavam abertas e a chuva não havia parado.

-O belo adormecido chegou! – Gritou Greg, enchendo um copo com café.
-Esse é o cara que roonc feito um porco. Olha minhas olheiras! – Riu Armando.
-Bom dia pra vocês também. – Disse nareba entre os dentes. Sentou-se sem olhar para Sarah. Ele vinha evitando os olhares de Sarah desde a discussão.
-Tem queijo! – Armando, passou o prato para Nareba.
-Valeu chefia.

-E aí? Alguém viu o Ganzu? – Perguntou Marcelo, enquanto colocava leite na xícara com café.

Todos olharam para ele com uma expressão estranha.
-Vimos o que?
-O Ganzu, porra.
-Hã? – Ninguém parecia saber do que Marcelo estava falando.
-O bicho, meu. O bicho que saiu do geodo!
-Marcelo… Você tomou algum remédio? – Perguntou o russo.
-Para de zoação, cara. – Disse Greg.
-Porra, o bicho cheio de perninhas, gente. Nós descemos ontem para ver ele sair do ovo! – Marcelo estava assustado. Nenhum dos amigos fazia ideia do que ele estava falando.
-Cara acho que você tem se alimentado mal, sabia?
-É alucinação! – Aninha.
-Ou então ele sonhou e… tá viajando. -Vladmir disse entre um gole de café e outro.

Marcelo não falou mais nada. Sentou-se com os outros, ainda confuso. Teria sonhado? Seria aquilo tudo um delírio de sua imaginação? Talvez a batida na cabeça…

Então todos caíram na gargalhada.
-Ah, porra, eu sabia! – Disse Marcelo, sem graça.
-Olha a cara dele! Ficou boladão. – Riu o russo.
-Será que eu tô maluco? – Aninha imitou a voz dele.
-Eu não disse que ia ser hilário? – Perguntou Armando.
-Tá… Tudo bem. Caí mesmo. Mas, porra, e o Ganzu?
-Não fomos olhar. – Disse Sarah.
-A gente até ia, mas o Armado falou que você é o pai do Ganzu. Quem tem que abrir aquilo lá é você.
-Fala a verdade, gente! Tá tido mundo com cagaço daquela porra la sair correndo! – Disse Greg. -Você é o mais otário, o último a acordar, sobrou para abrir lá.
-Fizemos uma votação. Você ganhou por unanimidade. – Disse a roqueira do cabelo azul.
-Além do mais, você achou, você batizou, o filho é teu. – Completou Armando.
-Sem falar que é a cara do pai. -Disse Greg, se levantando.
Greg foi até a porta, abriu e soltou um sonoro peido.

-Ah, véio! Puta merda! – Os rapazes da mesa reclamaram.
-De novo?
-Pô,dessa vez eu vim na porta. – Disse Greg.
-Cara, o que você come? Defunto? – Perguntou Aninha.
-Não fode, 44 bico largo!
-Você tem problema mental. Definitivamente.
-Considerando o aroma, ele deve ter problema generalizado. – Armando completou.

-Bom, vou lá ver como o Ganzu está. – Disse Marcelo comendo o último pedaço do queijo.
-Vou com você. – Disse Armando.
-Tamo junto. – Falou o nerd.

Os três foram até o quartinho. Armando meteu a chave na fechadura e girou a maçaneta.

Quando a porta do quartinho se abriu, Marcelo viu o geodo no centro, sobre os jornais. Tava tudo molhado. O bicho tinha virado o pratinho de água pelo chão. Mas não havia sinal dele.
-Ué? Cadê o puto?- Perguntou Marcelo.
-Olha! – Ele comeu a carne todinha. – Vladmir mostrou o prato vazio junto à parede
-…E virou o prato de água! – Apontou Armando.
-Ele deve ser um bicho que vive em áreas com muita umidade. – Sugeriu Vlad.
-Ali! Ele tá ali, ó! – Disse Marcelo, apontando uma sombra atrás de um dos botijões de gás.

Em poucos minutos, todos os três rapazes agachados diante da porta arregalaram os olhos. Marcelo tampou a boca com horror quando viu uma perna com o triplo do tamanho surgir de trás do botijão.

-Santa Mãe de Deus! – Balbuciou Armando.

Sobre o botijão de gás surgia um Ganzu de quase meio metro.

-Que massa caras! Ele sofreu uma metamorfose! – Disse Vladmir Obrushev, empolgado.
-Como que pode um bicho que até poucas horas atrás tinha dez centímetros ter mais de quarenta? – Perguntou Armando.
-Ele não nasce pronto. Ele completa seu desenvolvimento fora do ovo… Como muitos animais.

Sarah chegou junto à porta. Veio ver o que tinha causado o silêncio.
-Que houve, gente? Cadê o Ganzu? Cruuuuzes!
-Calma. Fala baixo pra não assustar ele!
-Relaxa, acho que as criaturas do cambriano não escutavam. – Riu Vladão.
-Está parecendo que formou tipo duma unha em cima dele.
-Deve ser uma carapaça de proteção. Geral tinha isso no passado. Sobretudo seres mais terrestres. – Disse Armando.
-Verdade! Como você sabe, cara? – Perguntou o nerd, surpreso.
-Eu também assino o Discovery Channel, companheiro!

O Ganzu desceu lentamente do botijão de gás. Suas pernas antes hesitantes e molengas agora se revelavam extremamente coordenadas e ágeis.

-Veja como ele ta mais esperto! – Falou Armando.
-Deve estar na infância. – Disse Marcelo.
-Bom, ele comeu a carne. Será que ainda está com fome?
-Sarinha, pega uma carne lá da geladeira pra ele? – Perguntou o nerd.

Sarah correu até a geladeira e logo voltou com um bife de churrasco.

-Porra, é muito! – Disse Armando, quando viu o bifão.
-Mas é melhor assim. Vamos deixar a carne aí. Pode ser que ele só coma quando ela entra em decomposição. -Marcelo pegou a carne e jogou no pratinho.

Mal a carne bateu no pratinho o animal disparou sobre ela com grande velocidade.
-Caraca!
-Cruz credo!
-Eu não sabia que ele corria!
-Olhem! Tá comendo! Tá comendo!!!

-Não… Acho que ele tá mijando na carne! – Disse Sarah, com um tom de decepção na voz.

Aninha e Greg chegaram junto da porta.

-Caraca! Como ele cresceu! – Surpreendeu-se a roqueira.
-Afinal, ele tá comendo ou tá cagando? – Perguntou Greg, com seu jeito ogro de falar.
-Gente… Ele tá bem mais ativo, mas eu acho que isso pode ser perigoso. Ele pode escalar um botijão, pode cair da prateleira. Pode derrubar coisas e se ferir. – Disse Vladmir.
-E o que a gente faz? Não rola tirar toda a muvuca do quartinho. Vamos ficar o dia todo…
-E se a gente prendesse ele debaixo daquele tachão de cobre ali do teto?
-Ele pode morrer sem ar! – Disse Sarah.
-Podemos fazer uns furos no tacho! – Disse Marcelo.
-Melhor é a bacia de alumínio! Ela é bem maior, vai dar mais espaço pra ele e é mais fácil de furar! – Armando apontou a bacia pendurada num gancho perto do teto.
-Mas ele pode derrubar ela. – Disse o russo. O tacho é mais pesado.
-É só botar uns tijolos em cima. Assim saberemos também onde o Ganzu tá. – Disse Armando.

-Ok, vamos aproveitar que ele tá comendo…
-Ou cagando! – Disse o Greg.
-É. Ou cagando na comida, para pegar a bacia.

Sarah pegou uma das cadeiras da sala. Armando subiu na cadeira e agarrou a bacia. Era enorme.
Ele foi até a cozinha, pegou o soquete e uma faca comprida. Com o soquete começou a bater na faca, fazendo dez buracos grandes no fundo da bacia de alumínio.

Em seguida, Marcelo colocou com cuidado a bacia sobre o Ganzu e o prato com a carne.
-Pronto.
-Não! Falta o tijolo! – Disse Armando.
-E onde vamos arrumar tijolo? – Perguntou Greg.
-Tem no jardim. Calmaí. – Disse Armando, saindo correndo.

Menos de dois minutos depois, Armando voltava, molhado, segurando um tijolo de barro maciço. Eles colocaram o tijolo sobre a bacia.
Bom, vamos deixar ele quieto. Talvez o ganzu queira um pouco de privacidade. – Disse Marcelo, fechando a porta.

-Sabe, não é por nada não, mas eu acho que devíamos dar uma marretada nesse bicho e colocar ele num pote com álcool, tipo as cobras do tio do Armando. – Falou Greg.
-Tá louco? Pirou? Esse bicho é valioso demais! Vivo é mais valioso ainda! – Disse Armando.
-E como o senhor pretende levar o Ganzu pra cidade? No carro? No porta-malas? – Perguntou o lutador.
-Lá nos fundos da casa ficou um pequeno viveiro de periquitos. A gente limpa e coloca ele la dentro, pô! – Disse Armando.
-Você tem resposta pra tudo! Não me admira ter ficado rico. – Riu Marcelo, batendo com a mão no ombro de Armando.

-Ô de casa? – Surgiu uma voz no meio da sala.

Todos os rapazes se entreolharam espantados.

-Tem alguém na porta! – Sussurrou Marcelo.

CONTINUA

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8 comentários em “Ganzu – O quarto dia – Parte 2”

  1. Estou ficando cada vez mais convencido de que o Ganzu é o chupa-cabras e que o caçador com cara de psicopata esconde alguma coisa…
    Ou será que ele é um ser ctônico, tipo o Mungo, hein Philipe?
    Aguardando o restante da história!

  2. Cara ta muito bom, pena que pelo caminhar do conto parece que eles vão rodar e isso vai ser triste pois estou curtindo muito os personagens!

    Muito obrigado por este conto magnifico!!!

  3. Talvez é a prole que vai se tornar o kraken algum dia… ou então algo típico de animação japonesa envolvendo tentáculos e mulheres…

    De qualquer forma muito bom o conto.

  4. Talvez é a prole que vai se tornar o kraken algum dia… ou então algo típico de animação japonesa envolvendo tentáculos e mulheres…

    De qualquer forma muito bom o conto.

  5. Tá cabuloso, tá sinistro, já imagino esse monstrinho melequento arrancanda a roupa de uma das meninas com seus tentáculos devorando elas… kkkkkkk

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