A cadeira obscura – Parte 11

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-Nossa comi pra caralho! – Disse Jamil soltando um arroto que mais parecia um rugido e ecoou pelas ruas escuras da cidade.
-Também, com essa pança aí, você quase leva o velho à falência! – Riu o pai deles.
-Vamos nessa que eu tô desmaiando aqui. – Disse Renato, entrando no hotel.
-Seu Renato, que horas vamos sair amanhã? -Perguntou Junior.

Vamos sair mais ou menos na hora do almoço. Eu vou acertar o lance da escavadeira de manhã e depois a gente mete o pé na estrada. Assim vocês dormem um pouco mais também, porque o dia hoje foi puxado.
-Hoje não senhor, ontem! – Disse Jeremias olhando o relógio.
-Nossa é verdade. São quase duas da manhã! Bom, vou nessa. Boa noite. – Disse Renato.
-Até amanhã seu Renato! – Alguém disse.

Todos foram para seus quartos. Renato jogou-se na cama macia. Ficou em silêncio no escuro, pensando em como seria bom se a Lilian resolvesse fazer uma nova visita.
Pegou no sono rapidamente pensando nela.

Renato acordou ouvindo um súbito barulhão no banheiro.
-Hã?
Ele se levantou e foi até o banheiro. Estava tudo escuro, mas não havia nada de estranho.
Renato olhou dentro da banheira, não viu nada anormal.

Foi quando ele escutou outra batida. Dessa vez bem mais forte.
-Que merda é essa? – Ele se perguntou baixinho.
Renato voltou ao banheiro e acendeu a luz.
Notou que na parede do banheiro, bem sobre a banheira havia um buraco entre os azulejos. Um buraco do qual vertia uma espécie de gosma escura e malcheirosa.
-Puta que pariu… Tá vazando merda no meu banheiro! Não acredito! – Ele disse.
Renato chegou perto para ver. O troço era como uma gosma e gotejava do buraco escorrendo num filete pela parede ate cair aos pingos no canto da banheira.

Renato sentiu o cheiro e teve vontade de vomitar.
-Bosta de hotel.

Ele fechou a porta do banheiro e deitou na cama. Mas o cheiro estava desgraçadamente horrível. Renato abriu a janela, e o ar frio da noite entrou no quarto.
Enquanto estava na janela, Renato ouviu um novo som de impacto. Um som abafado de cachoeira chamou sua atenção.
-Ah, não… Ah não! Não pode ser. – Ele disse, correndo ate a porta do banheiro.
Tão logo abriu, deu-se conta de uma cascata de gosma escura e fedida que estava vertendo copiosamente para dentro da banheira.

-Caceta! Tá piorando! – Ele pensou. O volume de dejetos que era derramando por um buraco na parede só aumentava.

Renato correu até o telefone ao lado da cama. Estava mudo.
-Porra! Porraaaa! – Gemeu, irado.
Renato foi ate o banheiro dar uma olhada. A banheira já estava cheia da gosma até metade do volume.

Ele correu para a porta. Mas ela estava trancada. E sem a chave na porta.

-Caralho, cadê a chave? – Ele se perguntou, apalpando os bolsos, em total desespero.

Não havia sinal da chave. O tempo foi passando e Renato ficava cada vez mais desesperado. Podia ouvir la no banheiro o som do Jato de gosma que aumentava gradualmente. Ele se deu conta de que estava preso num quarto que gradualmente estava se enchendo de merda.
Renato se arrepiou ao ver uma onda escura escorrendo do banheiro na direção do quarto.

-Ah não! Pelo amor de Deus! Isso não pode estar acontecendo! – Disse.
Renato tentou arrombar a porta. Deu diversas ombradas na porta, mas não teve sucesso.

O caldo preto ia gradualmente cobrindo todos os tacos do chão do quarto. Renato se refugiu sobre a cama quando a gosma fedida já se aproximava de seu pé.

-Socorro! Socorro! – Ele gritava, mas era inútil.

A gosma escura se avolumava e o som no banheiro era de uma verdadeira cachoeira de bosta inundando o quarto.

As coisas estavam ruins, mas ainda podiam ficar piores. Renato viu pelo canto da porta entreaberta uma coisa subindo de dentro da banheira. Parecia uma corcova escura que foi se erguendo no meio do caldo escuro.
Renato não teve reação alguma senão a estupefação completa de ver uma espécie de monstro de dois metros de altura se erguendo do meio do caldo malcheiroso ali dentro do banheiro. O bicho era horrível com brações enormes como um gorila. Ele estava com a cabeça abaixada e subiu de dentro da piscina de merda escura que inundava a banheira. O bicho se ergueu e ficou parado dentro do banheiro, sem se mover, tal qual uma estátua. De seu corpanzil disforme escorriam filetes de gosma escura que concentravam-se nos pelos compridos que lhe brotavam das costas largas. Não dava para ver as mãos nem as pernas, pois estavam submersas no caldo.

Então o monstro, que estava parado como uma estátua de ébano começou a se agitar como um cão molhado, jogando pingos gosmentos para todos os lados. Quando ele finalmente parou de se agitar, Renato viu horrorizado a face medonha da criatura cheio de olhos, com aquela bocarra desproporcional, cheia de dentes apontada para ele. E finalmente o monstro emitiu o rugido aterrador que fez com que imediatamente Renato se lembrasse: Era o monstro da escuridão, bem ali, no quarto dele.

CONTINUA

20 comentários em “A cadeira obscura – Parte 11”

  1. Gente! A descrição do bicho do capiroto me lembrou uma versão preta e cheia de merda daquele bicho laranja do Ben10 só que com olhos… (não é minha culpa por ter irmão pequeno)

  2. Noite passada acabei sonhando com um ser preto, que por mais que eu atirasse ou batesse nele, ele simplesmente virava um liquido gosmento e logo em seguida voltava a sua forma aterrorizante de monstro, pronto para me matar! Obrigado Philipe por me fazer ter pesadelos 😀

  3. Mungo na atividade!

    Carai… depois daquele proceder no caminhão eu não ia comer pizza numa boa, que de lá dormir ou tentar dormir, ainda mais sozinho!

  4. Calma galera caho que não é o mungo.. lembra que ele não pode sair da caixa prq ele não suporta luz.. se não me engano o Leonard matou ele… em fim.. não é ele por essas duas coisas.. e Felipe.. nossa que conto foda… quando li a referêcia sobre a caixa fiquei mais empolgado ainda pra ler esse… parabens :3

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