A busca de Kuran – Os primeiros dias no deserto da morte

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Minha vista estava embaçada. O ar parecia não querer entrar nos meus pulmões. O cansaço me fazia pensar em desistir a cada novo passo.
Já era o terceiro dia em que caminhávamos, quase que nos arrastando como uma gigantesca cobra pelas areias escaldantes do Taklimakan. Eventualmente, eu me aproximava de um ou outro no decorrer de nosso caminho. Num certo momento, emparelhei com Ivan Ulvaeus, um homem estranho de cerca de trinta e oito, quarenta anos, que segundo Allan me contou, era um ex-combatente, que vivia na Suécia. Ele nascera em um lugar chamado Reiquejavique, na Islândia, no meio do gelo. Ele era meio esquimó e talvez por isso tivesse uma aparência tão peculiar. Os olhos rasgados, uma permanente expressão nada feliz. Ivan estava sempre de cara amarrada e só vi este homem sorrir uma única vez, para uma foto. Allan conhecia Ivan graças à fama dele, que o precedia. Segundo Allan me contara, Ivan era um homem mau, que não hesitaria em matar alguém que se colocasse em seu caminho. Mas ele era igualmente confiável e fiel. Havia dado provas de sua amizade a Leonard antes.
“Tome cuidado com ele!” – Me alertou o tradutor Allan Laforet.
A língua era uma barreira brutal, mas o vento que nos açoitava a carne com pequenos e cortantes grãos de areia era tão hostil que a barreira linguística se reduzia. Estávamos todos irmanados na desgraça.
Ivan olhou pra mim com seus olhos pequenos, agora ainda mais miúdos por estarem apertados para conter a claridade.
Olhei pra ele e sorri.
-Vento desgraçado, né? – Comentei.
Ele apenas olhou pra mim, depois olhou para a frente e seguiu, puxando o camelo. Obviamente, não entendeu nada. Mas não praguejou, como costumava fazer. E interpretei aquilo como um bom sinal.

Puxávamos e instigávamos os camelos através de montanhas enormes de areia o dia inteiro. Era um trabalho hercúleo, que nos levava todos à exaustão. Em alguns lugares as areias estavam excessivamente fofas, e afundávamos mais do que gostaríamos, o que exigia de nós, principalmente dos camelos, um esforço ainda maior. Isso baixava tremendamente nossa velocidade. Eu mal conseguia respirar, mas notei que os cameleiros Uigures não apenas faziam tudo que fazíamos com facilidade, como faziam cantando, e nas paradas de descanso, eles desarrumavam os camelos, preparavam a comida, montavam as cabanas, enfim, eram os primeiros a sair do descanso e os últimos a entrar. E quase nunca perdiam o bom humor.

Me movia ao longo da caravana, passando ao lado de alguns camelos enormes cheios de caixas e coisas amarradas em seus flancos. Eu estava aflito para me enturmar com aqueles homens, mas poucos eram os que conseguiam se comunicar comigo verbalmente. No baixo clero da caravana, os portugueses Nuno e Ismael acabaram se tornando amigos mais próximos justamente devido à língua. Eu estava acostumado com o jeito do senhor Epaminondas da floricultura e por isso sabia imitar o sotaque deles. Allan se divertia com isso. Levou algum tempo para me aceitarem, porque eles temiam que eu fosse um olheiro de Leonard junto aos membros da equipe de apoio.

-Não sei porque você anda com a gente. Somos apenas carregadores. – Disse Nuno certa vez.
-Carregam o que? – Eu perguntei.
-Lonas, tapetes, caixas… – Ele enumerou olhando para o céu.
-…Tesouros – Perguntei, em tom afirmativo, após criar coragem.
-Sim… E também corpos! – Ismael disse, com o cigarro na boca.

Fiquei meio mudo com aquilo, mas todos riram e eu ri também.
Com o avanço lento da caravana, os pontos de descanso, marcados no mapa de Leonard e Petrus foram se tornado mais e mais distantes. Ao longo do percurso e nas paradas que fazíamos, eu consegui gradualmente estabelecer um apa mental de como se estruturava socialmente aquela caravana. Eramos ao todo, vinte e duas pessoas. Quinze ocidentais e sete Uigures.
Na frente, liderando, estavam Leonard e Petrus. Abaixo deles, a caravana se dividia em três classes claramente distintas. O alto clero, que continha Allan, o Intérprete, Richard, o médico, Ruppert o operador de rádio, Carlos Refacho, o cientista e Ivan Ulvaeus, o chefe da segurança de olhar ameaçador.

Havia então o baixo clero, que era formado por Edgar, um ucraniano que ria atôa, Ismael, Nuno, Joseph, Enry Dubois Robin Broca e Andreus Moreau.

E havia os Uigures, de nomes estranhos que eu mal conseguia pronunciar.
Notei que tinha dois Uigures que eram meio que “líderes” dos demais. Um deles, o chefe dos Uigures parecia um ancião. O rosto cheio de fendas e covas. Uma imponente barba branca que descia como uma cascata dos majestosos bigodes dava a ele o ar de profeta. E foi graças a isso que ele ganhou de nós este apelido carinhoso. O Profeta era quem costumava cantar. Os demais uigures faziam o coro. Ele também era um líder religioso dos cameleiros. O Profeta era muçulmano, como todos os uigures e citava passagens do Alcorão.
Ele usava o típico chapéu quadrado que caracteriza o povo Uigur, e sob o jaquetão de lã preta, novo em folha que evidentemente ele estava estreando na nossa aventura, estava um pano cujo nome não me lembro mais. Eles usavam este pano para evitar expor a pele ao sol.
Um dia, antes de levantarmos acampamento, Joseph Frankiel fez o talvez único retrato do velho Profeta. Aquele foi um dos poucos registros que restaram dessa grande aventura.

velho uigur low A busca de Kuran   Os primeiros dias no deserto da morte

Hoje eu olho para a foto amarelada pelo tempo e lembro daquele homem corajoso que enfrentou a furia da natureza ao nos conduzir pelo desconhecido, em busca de olhar uma última vez para a terra de seus antepassados. Foi Petrus que me contou que o Profeta recusara as ofertas dele e de Leonard para que aceitasse dinheiro pelo trabalho. O profeta disse que o dinheiro pra ele não era mais que papel, e que viraria pó. Cada homem naquela expedição tinha um objetivo na vida. O do Profeta era olhar uma última vez para a terra de seus antepassados. Lembro que quando Petrus me contou aquilo, me senti tremendamente pobre em arriscar minha vida pelo dinheiro ou pelo simples desejo de aventura.

No quarto dia da viagem, começaram os maiores problemas. Um dos camelos teve a narina rasgada pela corda que o puxava. Não sei como se deu o incidente com o camelo, mas o animal desatou a gritar e o sangue esguichava por toda parte. Ali eu percebi como meu espírito era mole. Nenhum dos Uigures pareceu se preocupar com o animal. Todos estavam indiferentes ao sofrimento do camelo.

Naquela mesma tarde, enquanto avançávamos por dunas altas, um camelo rolou montanha abaixo, rachando um dos recipientes de 1.250 litros de água. Recuperamos o camelo assustado, mas a água se esvaiu rapidamente, tragada pela secura co deserto. Fizemos uma pequena reunião ao redor do recipiente. Os uigures tentavam salvar em baldes um pouco da água mas todo esforço acabou sendo em vão. Perdemos grande quantidade de água. Naquela tarde, eu vi Petrus legitimamente preocupado.

-Isso não é bom. Isso não é nada bom… – Ele repetia baixinho, como um mantra.

Ele, o homem que manteve a calma quando o avião ameaçava se espatifar nas montanhas do Afeganistão, parecia visivelmente perturbado.  Mas Leonard manteve a segurança que esperávamos do líder da caravana. Os uigures já haviam reerguido o camelo, já haviam remanejado o que salvaram da água. Largamos o reservatório quebrado para trás.

No dia em que o camelo caiu que eu percebi que mais da metade dos camelos levava apenas água. Basicamente, havia um camelo levando água e outro levando material para cada membro humano daquela investida pelo deserto. Os camelos levavam água na maior parte para eles mesmos, porque cada um precisava beber 40 litros de água a cada três dias. Perto da sede e do consumo dos camelos, o nosso não era nada.

Ao fim do quarto dia de caminhada, uma violentíssima disenteria acometeu muitos membros da equipe, principalmente Allan, Leonard e eu. No início foi divertido ver n[os três correndo pelo deserto em busca de alguma privacidade, mas nosso estado piorou violentamente e passamos mal por vários dias.

Por fim, Petrus encontrou uma provável explicação para nosso sofrimento. Uma vasilha que mais parecia uma grande frigideira, que tinha um longo cabo de madeira escura, e onde preparávamos o café da manhã e o jantar, estava sendo usada pelos Uigures para dar água e alimentar os camelos.

Leonard ficou uma fera. Ele reuniu a expedição num grande círculo e demonstrou, com a ajuda de Allan Laforet que o panelão não poderia ser usado para alimentar os camelos. Compreendi que no nosso ponto de vista ocidental, parecia bastante óbvio que os baldes se destinavam aos camelos e as panelas à nós humanos, mas ninguém havia explicado isso aos Uigures.

Com a diarréia causada pela contaminação da água, acabamos ficando muito desidratados e nosso consumo de água disparou a níveis que não haviam sido previstos.

Dormimos várias noites ao relento. O deserto era frio durante a noite, mas naqueles primeiros dias não fez tanto frio. Havia parado de ventar e a noite se descortinava sobre nossas cabeças com as incontáveis estrelas. A lua cheia iluminava o deserto com raios prateados. Graças a isso, Leonard resolveu poupar trabalho e não montamos as barracas. Levantávamos e retomávamos nosso caminho tão logo os primeiros raios de luz surgiam no céu. Eu apenas observava e aprendia com minhas observações. Notei como os uigures eram econômicos. Não andavam pela areia fofa como eu, os franceses, portugueses e ingleses. Eles andavam pisando nos buracos marcados pelos camelos nas areias do deserto. Eu compreendi que aquilo reduzia muito o desgaste, pois os camelos da frente levavam coisas pesadas e seu passar deixava a areia compactada por onde passavam.

Lá na frente, andando uns 60 metros à diante do primeiro grupo de camelos, iam Leonard, Petrus e o navegador Ruppert Ellis. O resto do pessoal se referia a eles como “os ingleses”. Eram eles que decidiam para que lado devíamos seguir. Na maior parte do tempo, eles seguiam mapas antigos, desenhados à mão, coletados ninguém sabe onde. Por serem antigos, eram tremendamente imprecisos, com vastas áreas em branco, não mapeadas.  Ao fim da primeira semana, comecei a sentir que o romantismo indescritível que permeava toda aquela aventura estava dando lugar a um sentimento de desolação. Só o que víamos por muito, muito tempo era areia, sol, céu, estrelas e mais areia.

No fim da primeira semana, Ruppert anunciou, sendo traduzido para as demais línguas que já havíamos percorrido 110 quilômetros pelo deserto.

Pra mim parecia que havíamos percorrido milhares de quilômetros de areia.

Agora enfrentávamos mais desafios. À nossa frente surgiram dunas gigantescas, verdadeiros paredões de areia amarela, com mais de 300 metros de altura. Grandes crateras lisas nos atraíam. O jogo de luz e sombra nos iludia, e no alto das dunas, onde andávamos a maior parte do tempo, um vento frio surgido do nada soprava sedutoramente e secava nossas camisas ensopadas de suor.

Leonard me disse que deveríamos fazer nossa primeira parada de reabastecimento num lugar chamado Mazar Tagh, local de um antigo povoado do deserto, que segundo Ruppert estaria em algum lugar a 335 quilômetros mais à frente. Numa noite, eu estava conversando com Leonard e Petrus quando Ruppert chegou. Eles começaram a falar em inglês. Leonard pareceu preocupado.

Quando Ruppert se levantou e saiu da barraca, perguntei a Petrus e Leonard o que se passava.

-A água está acabando. – Disse Leonard.

Eu não consegui dizer nada de construtivo. Soltei um palavrão e  Petrus começou a rir.

-E agora, o que nós vamos fazer, Leonard? – Perguntou Petrus. Ele parecia sério. A situação era alarmante. Leonard amarrou o lenço que usava no pescoço. Se dirigiu a mim enquanto respondia a pergunta de Petrus.

-Nós sabíamos que a água não ia dar. Não havia como trazer tanta água. Temos que confiar no destino. Iremos cavar para encontrar água. – Ele disse.

Eu saí da barraca cabisbaixo. Estava com medo. Eu sabia que o sucesso da expedição e nossa sobrevivência dependeriam fundamentalmente de um golpe de sorte. Encontrar água no subsolo do deserto. Não parecia simples.

Leonard convocou todos os membros da caravana em uma nova reunião. Nela, ele explicou que estávamos com pouca água e nossa única chance seria buscar a água para os camelos no subsolo, mantendo a pouca água que eles transportavam para o consumo humano. Allan pacientemente traduzia tudo que Leonard falava em três línguas.

-E se não conseguirmos achar a água? – Perguntou Robin Broca.

-Morremos! – Disse Leonard, secamente.

Não era uma situação confortável. Tivemos que racionar a água. Leonard também mudou o horário de “trabalho” da equipe. Passamos a andar o máximo que podíamos durante a noite, usando tochas. O descanso seria feito ao meio dia, quando o sol à pino seria evitado com todos dentro das tendas. Inclusive os camelos.

Com a ajuda da equipe de apoio, os Uigures usaram os suportes de três barracas que trazíamos conosco na forma de varetas, onde foram atadas com cordas vários tapetes amarrados, formando um enorme barracão, que propiciava uma grande área de sombra para  os camelos. A mudança no horário reduziu bastante o consumo da água.

Com menos barracas para dormir, os homens tiveram que se amontoar em cabanas rudimentares. Isso provocou alguns atritos entre membros do alto e baixo clero.Felizmente eu me dava bem com a maioria dos homens e até com alguns Uigures e por isso era bem vindo em todas as barracas. Durante a hora do sol escaldante, todos ficavam descansando nas barracas. A maioria dos homens dormia. Nesse momento, a maior atividade ocorria na cabana dos líderes. Quando entrei, Petrus, Leonard Carlos Refacho e Ruppert  estavam reunidos ao redor de um mapa amarelado.

-E se formos por aqui? – Perguntou Leonard para Petrus, traçando uma linha no mapa.

-Tá louco! Aqui é a área de risco. Os nômades canibais podem nos ver. – Respondeu Petrus.

-Com licença senhores… Vocês disseram nômades canibais? – Perguntei, esperando que fosse só uma piada.

Os homens me olharam seriamente e ficaram em silêncio. Percebi que a falta de água não era nosso único problema. Pedi desculpas pela intromissão e eles retomaram a reunião.

-O deserto é muito grande, podemos passar despercebidos. – Disse Leonard.

– Os documentos históricos citam que muitos séculos atrás, os habitantes dos oásis conseguiram usar a água que descia do degelo das montanhas do norte para irrigar plantações.

-Mas os rios já secaram faz tempo. – Respondeu Petrus.

-Isso é verdade, Leonard. O Petrus tem razão. – Disse Carlos, acertando os óculos.

-E o tal povo do oásis? Não podemos pedir ajuda? – Indaguei.

– Não dá. O povo do oásis acabou. Foram todos mortos pelos nômades canibais há um século e meio. – Disse Carlos Refacho.

-Sim, mas é possível que ainda exista água no subsolo.

-Tem que ter água nessa desgraça!  Berrava Leonard, com mapas e rolos de pergaminhos.

-A localização da água é um dos segredos mais bem guardados do deserto. – Respondeu Petrus.

-Eu tenho uma ideia! – Eu disse. Mas imediatamente me arrependi. Porém, já era tarde. Todos os homens que lideravam a caravana olhavam pra mim com olhar desconfiado.

-Pois fale. – Disse Leonard.

-E se mandássemos apenas um pequeno grupo, com dois ou três camelos, e alguns Uigures, para ir rapidamente até o local, pegar a água e voltar pra cá?

Os homens se entreolharam em silêncio. Petrus coçou a barba com uma cara preocupada.

-Há uma boa chance deles não voltarem. Mas a ideia faz sentido porque não expõe toda a caravana. – Ele disse.

-Eu achei a ideia boa, porque é uma ação rápida. Pegamos os Uigures mais fortes e experientes. Os camelos mais fortes para trazer mais água.Vamos ver… Saindo daqui, onde estamos, até mais o menos aqui…

-Dá dois dias de jornada. – Disse Ruppert Ellis, conferindo a bússola e fazendo anotações num bloquinho.

-Podemos acampar aqui? – Perguntou Carlos Refacho.

-Não! Dias parados são apenas dias de consumo de água. – Falou Leonard.

-Temos que seguir adiante com o plano. O grupo avançado parte nesta noite numo ao noroeste, nós seguimos a leste. Iremos nos encontrar aproximadamente neste ponto aqui… – Disse Ruppert, marcando um ponto no mapa.

-Se o grupo avançado não nos encontrar em três dias com a água, retomamos a caminhada.  -Concluiu Petrus.

-Bem, então é isso. – Disse Leonard.Em seguida, levantou-se. – Petrus, você lidera a caravana. Eu vou reunir o grupo avançado.

-Leonard, pensa bem! Está certo disso? – Perguntou Petrus.

-Estou certo. Wilson, você vem comigo. – Disse ele, apontando pra mim.

Nunca me arrependi tanto de dar pitaco em reunião alheia. Agora eu era o primeiro infeliz escalado para me embrenhar num lugar não registrado no mapa, em busca de um oásis seco, onde nômades canibais poderiam estar me esperando.

Uma mão tocou em meu ombro. Era Petrus. Ele vinha se despedir.

-Wilson… – Ele parecia estar sem palavras para dizer qualquer coisa.

Eu o abracei. – Até a volta, amigo.

-Até a volta. – Ele disse. Então eu tirei o chapéu panamá que vinha me acompanhando desde o Brasil e coloquei na cabeça de Petrus. – Guarde-o pra mim, Petrus. Eu volto para buscar.

-Eu guardarei, Wilson. – Ele disse.

Leonard andou até o centro do acampamento. Estava decidido.Em minutos reuniu todo o pessoal. Já era quase quatro da tarde. Leonard informou  a todos que devido ao incidente com a água, iríamos dividir o grupo para buscar mais água. Inforou que na ausência dele o grupo seria liderado por Petrus. Aquela era uma decisão histórica, que produziu rumores na equipe.  Joseph surgiu com a câmera, uma Nagel Librette e pediu que alguns dos membros se sentassem na frente da barraca dos chefes, para registrar o momento. O camelo no cenário foi ideia de Joseph, e deu o maior trabalhão, resultando no fato de que das três chapas que Joseph fez, apenas uma prestou.

Exped3 A busca de Kuran   Os primeiros dias no deserto da morte
Da esquerda para a direita, Leonard, Petrus (usando meu chapéu), Ivan Ulvaeus e Ruppert Ellis

Após a foto, Leonard convocou quatro Uigures, entre eles o Profeta. Leonard sabia que com a experiência dele seria mais fácil achar a água.  Ele chamou Allan, mandou que preparassem três camelos fortes. Convocou também Edgard Lukashenko, o risadinha, Henry Dubois, Robin Broca e Andreus Moreau.

A caravana havia sido dividida. Às seis, quando o sol amainou, o acampamento já tinha sido desmontado. Nós partimos rumo à direção nordeste. O grupo de Petrus seguiu adiante.  Nosso grupo levava sinalizadores de emergência, armas e munição. Uma única barraca pequena desmontada teria que nos abrigar, pois não havia espaço para mais coisa entre as armas, munição, recipientes para a água, sacos de ração. Nos despedimos dos membros do grupo com abraços. Os líderes não permitiram que fosse falado qualquer coisa sobre os nômades canibais. Temiam criar o medo entre os Uigures. Mas havia qualquer coisa de despedida no ar. Os ocidentais não precisavam falar para perceber que não era uma missão qualquer, até porque carregamos quase todo o armamento.

Nos abraçamos e partimos. Havíamos acabado de sair do acampamento quando um homem veio correndo atrás de nós pelo deserto levando um saco nas costas.

-Quero ir com vocês! – Gritava.

Olhamos para trás e era Joseph Frankiel, o fotógrafo, que em sua completa inocência, só pensava em fazer belas fotos de um oásis.   Leonard olhou pra mim e baixou a cabeça.

Então partimos rumo ao oásis seco. Era uma aventura dentro da aventura. Mas se Joseph soubesse o que nos esperava, certamente não teria corrido na nossa direção.

CONTINUA

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4 comentários em “A busca de Kuran – Os primeiros dias no deserto da morte”

  1. Mais uma vez, de parabéms Philipe.
    Assim como no Relato de um MIB, cada conto seu me prende a atenção.
    A idéia das fotos foi boa, ajuda na imaginação, mas em contrapartida, quebra um pouco a liberdade de imaginar a cena naturalmente, uma vez que depois de ver a foto, fiquei tentando por a imagem certa de cada um na cabeça. ((:
    Mas ainda assim, o conto está muito bom, caminhando super bem, me mantendo um visitante diário aqui do blog, só pra ler os contos *-*

    Sucesso.

    • O mais legal é que eu fiz essas fotos. Elas não são fotos de verdade. Juntei pedaços de muitas imagens para compor as fotos. A cabana com o camelo, é de uma das poucas imagens que existem da expedição do Hedin que eu citei no capítulo anterior. O velho, pra fazer essa imagem eu montei uns 30 layers diferentes. Nossa é muito divertido.

  2. meoldeos, a casa caiu, imaginava leonard completamente diferente, algo como um lorde ingles digno do sherlock holmes … o petros ficou igual ao que eu imaginava… a sacada do suspense dos canibais é boa … otimo conto philipe … (sim eu uso muito tres pontinhos)

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