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David Carlyle despediu-se de Ronald. Voltou para seu quarto cabisbaixo. A palavra “descarte” não saía de sua cabeça. David parou em frente a porta de seu quarto, já ia entrar quando decidiu ir até o quarto de Clarck, no final do corredor, para tentar obter informações sobre o que exatamente era este descarte e como ele era realizado. David já tinha ouvido o Doutor Mayong dizer que as pessoas eram usadas em caminhões, como iscas para capturar e matar hordas de zumbis. Talvez Clarck soubesse alguma coisa que pudesse fazer a diferença e ajudá-lo a interceptar o tal caminhão em que Alice estava.

Ao chegar na porta do quarto 238, David ouviu uma conversa lá dentro. Ele colou o ouvido na porta para escutar melhor. Imediatamente ele percebeu a voz do senhor Hork, que discutia com Clarck.

-…E quando que vocês vão falar com ele? – Perguntou o senhor Hork.
-Tudo tem sua hora, senhor Hork. – Respondeu Clarck.

-Não me interprete mal, doutor Clarck, mas não temos muito tempo. Eu concordei com aquela ideia biruta de explicar com detalhes pro garoto a natureza das nossas operações. Mas você garantiu que conseguiria trazê-lo para o nosso lado, e eu até agora não vi muita empolgação naquele moleque.
-Calma, calma! Confie em mim. A esta altura já era para o senhor saber que não sou do tipo que comete erros de julgamento.
-Eu sei, mas estou achando muito demorado. Ele é deveras precioso para nós.
-Calma, senhor Hork. Ele nem desconfia de nada. Não há motivos para tanto desespero. Veja, a esta altura ele está dormindo feito um bebê no quarto dele. Vamos pegar ele daqui a pouco, levamos o garoto para tomar uns gorós e depois que ele estiver doidão, nós vamos convencer ele.
-Eu duvido que ele tope por esta via, doutor. Não me leve a mal, mas sou adepto da força bruta nesses casos. A gente enfia ele na jaula com uma daquelas coisas e deixa a natureza seguir seu curso. Que diferença que tem?
-Eu já falei mil vezes e vou falar novamente… A diferença é que se ele topar colaborar tudo será mais fácil. Não estamos tratando de uma pessoa comum. Ele é especial!

David estava escutando atrás da porta e não podia acreditar no que ouvia. Especial? Do que eles estavam falando?
Subitamente, uma coisa dura encostou nas costas dele. David ouviu atrás de si uma voz conhecida. Era a voz de Mayong:
-Que feio, hein? Ouvindo atrás da porta! Nem pense nisso.Se você se mexer, eu vou puxar este gatilho e vou abrir um buraco do tamanho de um limão na sua barriga.

David moveu a cabeça em sinal positivo e levantou os braços. Mayong abrou a porta.
Do outro lado, estavam Clarck e o senhor Hork.

-Mas que porra é essa? – Perguntou Clarck se levantando da cama, onde estava sentado.
-Peguei este espertinho escutando atrás da porta.
Clarck e o senhor Hork se entreolharam espantados.
– E ouvi tudo. Seus filhos da puta! – Disse David.

O Senhor Hork estava parado, apoiado numa pequena escrivaninha no canto da parede. Foi ele que falou:

-Então não temos mais necessidade de mentir ao senhor, não é mesmo, meu caro David?
-Que conversa é essa de me colocar numa cela com um zumbi? O que foi que eu fiz?
-David, espere. Acalme-se. Senta aí. Vamos te explicar tudo, cara. É só um mal entendido, meu amigo. – Tentou se explicar o velho Clarck.
-Eu ouvi tudo, palhaço. Não adianta tentar me adular com este papo de amigão. Eu ouvi você dizer que quer que eu passe para o lado de vocês. Você pretendia me embebedar. Mas afinal, pra quê? – Questionou ele sob a mira da pistola. Mayong agora apontava a arma diretamente para a cabeça de David. Era uma pistola militar, cujo cano se estendia com um comprido silenciador. Clarck sorriu, olhou para o chão.
-David, meu jovem… Você realmente ainda não percebeu o quão estranho é o fato desses senhores terem capturado todas as pessoas do abrigo e te darem este tratamento vip?
-Sim, eu já estranhei isso, mas até agora não entendi. O que querem de mim?
-David, você é especial, meu caro. Quando você desmaiou no abrigo, após a surra que levou daqueles roceiros idiotas, eu pude tratar de você. Eu notei que você não reagia a medicamentos. Então eu comecei a realizar alguns “testes” com você enquanto estava desacordado.
-Testes? Filho da puta! Mas que porra de teste?
-Sim, testes. Eu injetei morfina em você. E monitorei sua pressão sanguínea. No início achei apenas estranho, achei que talvez o remédio estivesse com algum problema, pois você não reagia… Aumentei a dosagem. Nada. Tripliquei, nada. Eu dei uma dose de morfina que daria para matar cem pessoas. E nada fez efeito.
-Desgraçado!
-Entenda, David. Era uma curiosidade científica. As marcas no seu braço mostravam, que você era um viciado hard-core… Mas não houve crise de abstinência! Eu sou médico, eu entendo dessas coisas. De cara eu vi que tinha alguma coisa de errada em você. Eu não podia deixar passar esta chance. Fui até o radio do helicóptero e contei ao senhor Hork que nós estávamos com alguém diferente. Alguém que simplesmente não morria.
-Foi aí que resolvemos invadir o abrigo e capturar todos. -Disse o senhor Hork com os braços cruzados.

-Mas então, quer dizer que…
-Aceita, David… Você é diferente, meu jovem. Nós pretendíamos contar isso pra você na mesa do restaurante, mas sua curiosidade não nos dá outra chance. -Disse Clarck.
-Mas… E se eu tivesse morrido? Você tentou me matar com uma overdose.
-Eu precisava saber o que estava acontecendo. Você é uma curiosidade médica. Tem algo no seu organismo, David. O tranquilizante que eles te aplicaram é usado para dopar elefantes.
-Por isso eu fiquei espantado quando te vi, ali, em pé naquele quarto, meu jovem. – Disse Hork.
-Tá, e do que vocês queriam me convencer?
-Bem… Você sabe, é como nós dissemos. As toxinas não fazem efeito no seu corpo. Não sabemos ainda o motivo disso, mas…
-Mas o que, porra?
-Mas talvez se você aceitar que nós injetemos o sangue contaminado em você, isso poderá nos dar uma base de dados sem precedentes, equivaleria a avançar muitos anos nas pesquisas com os remédios contra os zumbis, David. – Explicou Clarck.
-Tá maluco? Que porra é essa? Nem pelo cacete!
-David, não nos resta muitas opções. Nós vamos fazer isso, quer você queira, quer não. Ou colabora conosco ou seremos obrigados a usar a força. – Disse Mayong, segurando a arma perto da cabeça dele.
David ficou pensativo.
-Hummm. Ok… Digamos que eu aceite isso. Como seria?
-Bem, nós iremos retirar amostras de sangue do zumbi e inocularemos em você. E então iremos acompanhar… – Mayong começou a explicar os procedimentos, quando David Carlyle, usou o fator surpresa. Atingiu o cientista com um golpe nos genitais, enquanto desviava a arma com a outra mão. No reflexo, Mayong disparou a arma. David socou a cara do cientista até ele largar a arma. David pegou a arma no chão e quando olhou para a frente, viu que o Senhor Hork estava segurando o corpo de Clarck. O tiro havia atingido o pescoço do médico. E jatos de sangue escorriam sujando todo o quarto branco de sangue.

-Vai pra lá, filho da puta. – Apontou o canto com a arma. Mayong levantou-se, tonto, gemendo, a boca cheia de sangue. Foi até o canto. Clarck dava seus últimos suspiros. Estava agitado, se debatendo segurando o pescoço que jorrava uma cascata de sangue. Ele era amparado pelo senhor Hork.
David ficou ali, vendo aquele espetáculo macabro. Clarck deu o último espasmo e caiu mole na cama. Hork ajeitou os braços do idoso sobre seu peito.

-Ok, seu babaca. Eu quero sair daqui.
-Impossível! – Respondeu Mayong enquanto cuspia sangue na lixeira.
David não disse nada. Apenas apontou o cano da arma na direção do joelho do cientista e puxou o gatilho. A arma fez um barulho rouco, baixo como uma tossida. O joelho do cientista explodiu, lançando um jato de sangue que tingiu a parede.
-Aaaaaaaaargh! – Gritou o cientista oriental, caindo no chão.
-Eu não estou brincando. Quero sair dessa porra de hospício agora! – Disse David, olhando fixamente para Hork.
-Sim senhor, David. Mas eu lhe digo uma coisa… Está cometendo um grande erro, meu jovem.
-Cala a boca ô George Lucas de araque!
-Todos dizem que eu pareço com ele. – Riu Hork, tentando quebrar o gelo.
-Venha, vamos, você vai me mostrar como faço para sair daqui.
-Eu tiro você daqui, mas em troca quero que garanta que não irá me matar.
-Se eu sair inteiro daqui eu te deixo vivo.
Hork pulou o cientista, que se contorcia no chão de dor segurando o que restava do joelho esfacelado.

David saiu com o senhor Hork pelo corredor. Andaram apressados.
-Onde você está me levando? – Perguntou Hork.
-Para o centro de triagem “A”. Tem um amigo meu lá. Vem, é por aqui.
-Eu sei. Eu construí este maldito complexo! – Gemeu Hork, enquanto tinha a pistola forçada entre as costelas.
-Olha, eu sei que o senhor é importante. Que manda em todo mundo aqui dentro. Então o senhor vai fazer o que eu mandar. Ou eu vou estourar sua cabeça do jeito que fiz com o joelho do china lá.
-Certo. Certo. Não sou idiota, meu jovem. Estou vendo que você não está brincando.

David chegou ao centro de triagem “A”. Ali estava o gordão. Quando ele viu o senhor Hork, levou um susto e ficou em pé.
-Senhor Hork. Que prazer sua visita aqui na unidade!
-Cale a boca. Eu quero liberar um prisioneiro.
-O que??? – Assustou-se o gordão. -Que cela, senhor?
-Que cela? -Perguntou Hork ao David.
-96! – Disse David.
O Gordão sentindo o clima estranho, digitou códigos no computador e a cela 96 abriu.
-Wilson! Wilson! – gritou David.
Lentamente, uma cabeça saiu para fora da cela. Era Wilson.
-David! – Ele gritou com um sorriso.
-David? Mas você não chama Marco?
-Olha, meu amigo, é uma longa história! – Disse David, sacando a arma da cintura e apontando para o gordão.
-Que porra é essa? Calma, calma… Calminha, Marco, ops, David, ou sei lá quem você é! – O Gordão estava assutado.
-Entra lá na cela dele. Disse David, apontando com a arma a cela aberta.
-Mas…
-É isso ou é tiro! Prefere o quê?
O gordão olhou para o senhor Hork.
-Não seja estúpido rapaz. Faça o que ele manda. Ele é maluco!- Disse o empresário.
O gordão foi, a contra-gosto, andando até entrar na cela. David clicou em “trancar” no painel e a cela se fechou.
Wilson estava ao lado de David.
-Como você escapou, David?
-É uma longa história. Te conto quando sairmos desta joça. – Disse David. – Procura aí na gaveta, deve ter alguma arma.
Wilson remexeu na gaveta, mas não achou nada.
-Não temos armas neste setor. – Disse Hork.
-Ei, quem é o cara? É o George Lucas? – Perguntou Wilson.
-Eu sou o dono deste complexo. – Disse Hork com certo orgulho.
-Como que a gente sai daqui? Minha paciência está acabando.- David falou apontando a arma na testa do empresário.
-Saindo aqui, pegamos o elevador no fim do corredor e subimos até o nível zero. Lá no fim do corredor vermelho tem uma saída direto pela garagem.
– Vamos! – Disse Wilson.

Os três saíram pelo complexo. Andavam olhando ao redor. O Medo de David era que alguém os visse e disparasse algum alarme, atraindo os seguranças armados.
-Espere! Eu tive uma ideia. – Disse David, segurando Wilson e Hork.
Alguns andares acima, dois guardas estavam guardando a passagem da ponte que levava aos laboratórios.
No fim do longo corredor, surgiu o senhor Hork. Ele apenas apareceu e fez sinal para que os guardas viessem ao seu encontro. Os guardas se entreolharam e foram andando na direção do patrão.
Ao passarem por uma pilastra, foram alvejados com tiros de pistola. O primeiro caiu na hora, com um tiro na cabeça. O segundo tentou reagir, mas Wilson saltou sobre ele e David atingiu o guarda no peito.
-Vamos, arraste os corpos pra lá. – Disse David.
Hork e Wilson puxaram os corpos dos soldados, enquanto David recolhia os fuzis. Eles foram levados até a pilastra. Ali David esperou que Wilson retirasse o uniforme do soldado e vestisse aquela roupa e máscara. David então passou a arma para Wilson, e fez o mesmo. Os corpos foram escondidos num pequeno armário embutido na parede, próximo ao elevador.
Agora David, Wilson e Hork andavam com desenvoltura pela base. Hork passava pelas sentinelas, olhando fixamente pra eles, mas os dois homens que iam com ele pareciam apenas uma escolta padrão e não despertaram suspeitas.
-Na próxima vez que olhar assim com esta cara para os guardas eu meto uma bala na sua cara. – Sussurrou David.
-Tá bom, tá bom. Foi mal. – Sussurrou de volta o empresário.
Os três pegaram o elevador. Enquanto ele subia, lentamente, David perguntou ao senhor Hork o que tinha acontecido com o descarte do setor de triagem C.
-Eles foram para o norte. Vão capturar zumbis com eles. – Disse Hork.
-Mas como eu vou saber onde que eles estão?
-Não há como saber! Esses caras são loucos. Eles entram nas cidades pequenas, disparam gravações de pessoas gritando para atrair os mortos. Então soltam uma pessoa, que vai correndo de um caminhão a outro. Esta pessoa é a isca. Então os mortos correm atrás desta pessoa e ela entra no caminhão. Uma grade sobe do piso, separando-a da carga. O caminhão fecha, agora lotado de zumbis e a isca sai por uma porta na frente. O processo se repete até que os zumbis consigam agarrar a isca ou que ela não consiga mais atrair as feras. Neste caso, eles matam a isca e pegam outra do outro caminhão de… iscas, e então, repetem a dose. A meta deles são seis caminhões lotados de zumbi por noite. -Disse Hork.
-E quando o caminhão lota?
-Ele retorna para o ponto zero, onde descarrega o lote num autoforno. Não sobra nada. Ele esvazia e volta. São sete caminhões ao todo. Eventualmente as melhores iscas sobram para a noite seguinte. Mas não se iluda. São poucos os que conseguem durar mais de uma semana nessa atividade.
-Mas que coisa idiota. Por que eles se arriscam assim?
-Algumas pessoas simplesmente não podem esperar pela nossa solução. Além do mais, esta é uma forma de ocupação. Isso mantém os indivíduos mais perigosos afastados da nossa base.-Disse o homem. A porta do elevador se abriu, revelando uma série de portas e passagens.
Hork orientou os dois captores como eles deviam fazer para chegar na garagem.

Minutos depois, eles estavam chegando na garagem. Ali estavam vários carros. David apontou um dos veículos. Era um jipe militar 4X4, tipo Hummer.
-Bem, senhor David. Fiz o que combinamos. Espero que cumpra sua palavra e me deixe sair vivo desta sua aventura. -Falou Hork.
-Senhor Hork… Eu sou um homem de palavra. Não vou fazer nada com o senhor.
-Ok. – Disse Hork. Ele pegou um painel na parede e digitou uma senha de acesso. Então liberou a saída. As portas internas se trancaram. Uma sirene disparou e as portas externas se abriram.
-Adeus, senhor Hork. Não posso dizer que tenha sido exatamente um prazer.
-Eu digo o mesmo, David. Boa sorte, pois você vai precisar.
David correu para o jipe. Wilson já estava ao volante.
-Vamos, mete o pé aí meu amigo! – Gritou David.
Wilson não pestanejou. Acelerou o jipe, disparando em direção á saída.
Quando a porta daquela saída do complexo se fechou, Hork estava parado, olhando para a enorme porta de aço branca que se fechava ao longe.
-Moleque desgraçado! Você me paga! – Disse ele.

Era uma noite de lua, o que facilitava as coisas. Wilson acelerava o jipe em meio a estrada, desviando de carros capotados e batidos. Havia até um avião caído na estrada.
-Temos que dar a volta. Entra por ali, perto daquela mata, depois faremos o retorno e vamos na contra-mão pela rodovia. – Disse David, mostrando o caminho ao jovem.
-Deixa comigo, David!

Enquanto dirigia, David contava a Wilson suas descobertas, o mecanismo do virus e por que os zumbis querem tanto comer carne. Contou a ele sobre Alice e sobre ter escutado que os guardas tentaram abusar dela no ponto zero.
-Ela é boa de briga, David. Esses caras passaram maus bocados.
-Tomara, meu amigo.
-Eu tenho certeza que ela está viva… Vamos achá-la.
-Vamos Wilson, acelera esta joça.

O jipe sumiu na estrada escura, iluminada parcialmente pela fraca luz do luar.
Eventualmente eles paravam o jipe. David abria os vidros e ficava escutando. Mas só havia os barulhos da noite, o coaxar dos sapos, os grilos e as aves da escuridão gritando das copas das árvores.

-Vamos em frente! É em direção ao norte. Olha na bússola aí.
-É pra lá, ó.
-Bora!

O carro já tinha viajado cerca de cem quilômetros quando eles viram faróis vindo na direção contrária na estrada em que estavam.

-Olha lá.
-Eu acho que é um dos caminhões, cara.
-Desliga o farol! Rápido.
Wilson desligou o farol e jogou o carro pelo acostamento, subindo no gramado. Em seguida, desligou o carro.
-Será que eles nos viram?
-Duvido. Certamente não estão esperando nenhum carro por aqui. – Disse David empunhando um fuzil e dando o outro ao Wilson.
Os dois ficaram esperando e momentos depois, um caminhão todo branco passou por eles na estrada.
– Eu aposto com você que esta merda está cheia de zumbis. – Disse Wilson.
-Com certeza. E se a Alice estiver lá?
-Só tem um jeito de saber.
-Pé na tábua!
Wilson acelerou o carro, retornando a estrada. Ele e David combinaram o plano de ação.

Mais à frente, o motorista do caminhão fumava um cigarro de maconha, ouvindo rock no último volume quando notou o jipe emparelhado que buzinava freneticamente.
-Mas que porra é essa? – Perguntou abrindo o vidro.
Do outro lado, no jipe, estavam dois soldados de roupa branca, com as máscaras, fazendo sinal para que o caminhão reduzisse.
O homem do jipe diminuiu o volume. Colocou a cabeça para fora da janela e gritou.
-O que foi?
Os dois soldados não responderam. Apenas abriram fogo contra ele. O motorista levou um tiro na cabeça e o pára-brisa se estilhaçou. O caminhão que viajava em grande velocidade, começou a andar em zigue-zague e finalmente colidiu contra a coluna de um viaduto. Acabou virando de lado na pista. Na pancada, o semi-reboque se partiu, jogando uma centena de corpos na via. Logo atrás, vinha o Hummer.
-Freia! Freia! – Gritava David Carlyle.
Wilson meteu o pé no freio o mais fundo que pôde. O 4X4 derrapou. Eles finalmente conseguiram estancar o veículo a poucos metros do caminhão. Um monte de corpos jazia no asfalto. Mas alguns já estavam levantando.

-Me dá cobertura! – Disse David saltando do carro.
-Ok, mas vai rápido, porra! – Gritou Wilson.
David correu até a cabine do caminhão. Ele estava tentando abrir a porta do caminhão, mas ela estava trancada ou emperrada. Viu o corpo do motorista, o cigarro ainda fumegava no colo dele. A cabeça parecia um pedaço de carne moída. Tinha restos de miolos ainda quentes, espalhados pela cabine inteira.
-Porra, que nojo. – Disse David.
-Anda logo, cara. Os mortos estão vindo. – Gritou Wilson do jipe, enquanto abria fogo contra alguns dos mortos.
-Calma. Estou quase pegando o radio. – Disse David, enquanto se esgueirava pela janela, para alcançar o radio do caminhão. David conseguiu finalmente pegar o radio.

-Alô? Jack? Alô??- Alguém disse no radio.
-Alô, aqui é o Jack! – Disse David.
-Onde você está, Jack?
-Eu… Tive uns problemas aqui. Mas está tudo bem. Onde vocês estão?
-Nós estamos aqui ainda, em Belleview, ué. Que pergunta retardada é essa? Jack, larga esta porra desse cigarro, cara. Eu te disse que isso afeta a memória, porra.
-Ah, é. Hahahaha. Eu me esqueci mesmo… Estou indo lá, levar… A carga.
-Ok, Jack. Vai logo e volta. A cidade está lotada desses bichos. Eles estão especialmente animados com a lua cheia.
-Mais tarde nos falamos. Até mais!
-Ei, Jack?
-Sim?
-Esse barulho aí, são tiros?
-Não, não. É a musica. Vou desligar. – Disse David.

Lá fora o tiro comia solto. Wilson estava atirando nos mortos que se arrastavam na direção da cabine do caminhão.
-Anda logo, David. Porra! A munição está no fim!
David veio correndo, atirando nos mortos.
-Descobriu onde ela está?
-Eles estão em Belleview.
-Onde que é essa merda?
-Vai, dirige. Eu acho que vi uma placa dizendo que Belleview está a uns 50, talvez 60 km mais ao norte.
-Bora! – Disse Wilson, pisando fundo. O jipe acelerou e atropelou um zumbi. A roda do jipe passou sobre a cabeça do defunto, que estourou como uma melancia, jogando miolos para todos os lados.

Algum tempo depois, os dois amigos chegavam na cidade de Belleview. Pararam junto a uma placa enferrujada em que se podia ler “Bem vindo a Belleview” e abaixo dela, alguém havia pixado: “Vá embora!”

David e Wilson desceram do carro e ficaram escutando.
-Ei, eu acho que ouvi os gritos vindo daquela direção.
-Então vamos que vamos! – Disse Wilson.

Algumas ruas à frente, havia um caminhão branco.
-Olha lá. Lá estão eles! – Gritou Wilson, apontando.
-Rápido, entra nesta rua. – Disse David. Wilson estacionou o jipe numa rua lateral.

Do alto-falante no teto do caminhão, uma série de gritos pavorosos ecoava pela cidade.
David e Wilson desceram do carro e viram que aquele som atraía uma multidão de mortos que cambaleavam em busca do som.
-Como vamos fazer, David? – Perguntou Wilson. – Estou com pouca munição, cara.
-Vamos fazer o seguinte: Pega a minha arma e me dá a sua. Eu vou cercar o caminhão, vou liquidar o motorista. Aí nós damos a volta e pegamos o motorista do outro caminhão, na rua em frente.
-Ok. Toma.
Os dois trocaram de armas e correram pelos jardins das casas, tentando passar despercebidos da multidão de zumbis que andava pelas ruas.
Eles chegaram até o caminhão. Ele estava enfiado num beco estreito e sem saída. O baú da carroceria, estava fechado. David fez sinal para que Wilson contornasse o veículo.
Os dois esgueiraram-se entre a parede de tijolos e o caminhão. Deram a volta.
Chegaram na frente do caminhão. Ali estava um homem de barba, usando o macacão branco. Ele parecia um pirata. Tinha até um tapa-olho. O motorista estava vendo coisas num monitor no painel. Ele falava ao radio.
-…Ok Bob, liberar a isca! Estou abrindo a gaiola, câmbio.
David bateu na lataria do caminhão.
-Ei!
-Mas que diabos está acontecendo? A operação já começou. Você estão loucos? – Perguntou o homem, abrindo a porta. – Quem são vocês?
Wilson Metralhou o caminhão pelo outro lado. Matando o motorista.
-Menos um! – Disse ele.
-Pois é! Agora vamos lá para o outro.
-Este foi fácil!
-Esta porra vai ferver de zumbi, cara. – Disse David. Os dois estavam saindo do beco quando Wilson gritou.
-Olha lá! – Wilson apontou para a esquina.
Quando David olhou, ele viu Alice. Ela vinha correndo, esbaforida, e atrás dela, uma multidão de mais de cem mortos ferozes, correndo aos gritos.
-Caraca!
Alice veio correndo direto na direção do caminhão.
-Eles vão alcançar ela, cara! – Gritou Wilson.
-Abre fogo! – Berrou David. Os dois socaram o dedo nas metralhadoras e os tiros pipocaram no ar. Alice se jogou no chão, enquanto as balas espocavam nas cabeças dos zumbis, explodindo cérebros gosmentos no ar.
David arrancou a máscara.
-Alice! Por aqui. – Gritou ele, acenando.
Alice olhou para ele e sorriu. Ela correu na direção de David. Mas subitamente reduziu a velocidade.
-Cuidado, David! – Ela gritou apontando pra ele.
David olhou para trás assustado e viu que uma outra horda de mortos vinha correndo em sentido contrário.
Agora eram os três, que corriam na direção do beco, empurrados por duas hordas. Aquele era um beco sem saída, onde estava o caminhão.
Eles correram até o veículo, mas ele estava trancado. A porta do baú não estava aberta.
-Oh meu Deus! Estamos fodidos! – Berrou Alice.
-Já estou quase sem balas, David. – Gritou Wilson, atirando nos mortos, na tentativa de contê-los.
-As minhas balas acabaram! – Constatou David quando puxou o gatilho e a arma não atirou.
-Corre, vai, por baixo do caminhão! – Gritou Wilson apontando.
Os dois saltaram para debaixo do caminhão, e esgueiraram-se por baixo dos eixos. Os mortos começavam a entrar no beco. David arrastava-se o mais rápido que podia, seguido de Alice. Eles escutavam os gritos de Wilson, disparando os últimos tiros. Finalmente os tiros cessaram, e só restaram os gritos de Wilson.
-Ahhhhhhrg! Nãããããããão* – Os mortos agora saltavam sobre ele com fúria assassina.
-Wilson! Não! – Gritou Alice, chorando. Ela fez menção de voltar.
-Venha, não há nada que possamos fazer. Ele se sacrificou por nós!- Gritou David, puxando a moça pelo braço.
Eles se arrastaram para a frente da carreta. Alice subitamente gritou. Ela olhou para trás e viu que um monte de corpos estavam se arrastando sob o caminhão, vindo atrás deles. mais atrás, uma montanha de defuntos famintos se empilhava ao redor do corpo de Wilson, obstruindo a passagem lateral.
-Não olha pra trás. Vamos. Nós vamos conseguir! Falta pouco!- Disse David, encorajando a moça.
-Alice saiu sob o motor do cavalo mecânico. Ela rapidamente entrou na carreta. Jogou o corpo sem vida do homem que parecia um pirata no chão. Em seguida saltou e bateu a porta. David saiu por baixo da carreta. As mãos brancas quase o alcançando.
Ele estava entrando no caminhão quando uma coisa o puxou pela perna.
-Socorro. Eles me agarraram! – Seus olhos eram de pavor. Alice procurou no painel uma arma, alguma coisa, mas não achou nada.
David olhou para baixo e lá estava um zumbi jovem, que parecia ter menos doze anos, agarrado na perna dele.
David começou a sacudir a perna de todo jeito.
-Sai, filho da puta! Saaaai!
Mas a criatura era feroz e se agarrava com força na perna dele.
Alice ligou o caminhão, engatou a ré do monstro e pisou fundo. A porta do caminhão começou a raspar na parede do beco. Centenas de corpos começaram a ser esmagados. As enormes rodas passavam em cima de carne e ossos produzindo toda sorte de estalos e explosões de sangue escuro que inundaram o beco.
O jovem zumbi agarrado na perna de David começou a ser esmagado contra a parede.
A criatura meteu os dentes na perna dele.
-Aaaaaaaaah! – Gritou David.
Desesperada, Alice acelerou o caminhão de ré e ele entrou com tudo na vitrine da frente de uma loja.Em seguida ela passou a primeira marcha e acelerou. O caminhão patinou as rodas na lama de cadáveres, ossos, sangue e carne pútrida da calçada e em seguida, disparou em direção à avenida.
David puxou as pernas para dentro do caminhão.

-O filho da puta… O filho da puta me mordeu!
-Ah, não. Essa não! – Disse a moça ao volante. Ela sabia o que aquilo significava.

Continua

Zumbi – Parte 9

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David Carlyle despediu-se de Ronald. Voltou para seu quarto cabisbaixo. A palavra “descarte” não saía de sua cabeça. David parou em frente a porta de seu quarto, já ia entrar quando decidiu ir até o quarto de Clarck, no final do corredor, para tentar obter informações sobre o que exatamente era este descarte e como ele era realizado. David já tinha ouvido o Doutor Mayong dizer que as pessoas eram usadas em caminhões, como iscas para capturar e matar hordas de zumbis. Talvez Clarck soubesse alguma coisa que pudesse fazer a diferença e ajudá-lo a interceptar o tal caminhão em que Alice estava.

Ao chegar na porta do quarto 238, David ouviu uma conversa lá dentro. Ele colou o ouvido na porta para escutar melhor. Imediatamente ele percebeu a voz do senhor Hork, que discutia com Clarck.

-…E quando que vocês vão falar com ele? – Perguntou o senhor Hork.
-Tudo tem sua hora, senhor Hork. – Respondeu Clarck.

-Não me interprete mal, doutor Clarck, mas não temos muito tempo. Eu concordei com aquela ideia biruta de explicar com detalhes pro garoto a natureza das nossas operações. Mas você garantiu que conseguiria trazê-lo para o nosso lado, e eu até agora não vi muita empolgação naquele moleque.
-Calma, calma! Confie em mim. A esta altura já era para o senhor saber que não sou do tipo que comete erros de julgamento.
-Eu sei, mas estou achando muito demorado. Ele é deveras precioso para nós.
-Calma, senhor Hork. Ele nem desconfia de nada. Não há motivos para tanto desespero. Veja, a esta altura ele está dormindo feito um bebê no quarto dele. Vamos pegar ele daqui a pouco, levamos o garoto para tomar uns gorós e depois que ele estiver doidão, nós vamos convencer ele.
-Eu duvido que ele tope por esta via, doutor. Não me leve a mal, mas sou adepto da força bruta nesses casos. A gente enfia ele na jaula com uma daquelas coisas e deixa a natureza seguir seu curso. Que diferença que tem?
-Eu já falei mil vezes e vou falar novamente… A diferença é que se ele topar colaborar tudo será mais fácil. Não estamos tratando de uma pessoa comum. Ele é especial!

David estava escutando atrás da porta e não podia acreditar no que ouvia. Especial? Do que eles estavam falando?
Subitamente, uma coisa dura encostou nas costas dele. David ouviu atrás de si uma voz conhecida. Era a voz de Mayong:
-Que feio, hein? Ouvindo atrás da porta! Nem pense nisso.Se você se mexer, eu vou puxar este gatilho e vou abrir um buraco do tamanho de um limão na sua barriga.

David moveu a cabeça em sinal positivo e levantou os braços. Mayong abrou a porta.
Do outro lado, estavam Clarck e o senhor Hork.

-Mas que porra é essa? – Perguntou Clarck se levantando da cama, onde estava sentado.
-Peguei este espertinho escutando atrás da porta.
Clarck e o senhor Hork se entreolharam espantados.
– E ouvi tudo. Seus filhos da puta! – Disse David.

O Senhor Hork estava parado, apoiado numa pequena escrivaninha no canto da parede. Foi ele que falou:

-Então não temos mais necessidade de mentir ao senhor, não é mesmo, meu caro David?
-Que conversa é essa de me colocar numa cela com um zumbi? O que foi que eu fiz?
-David, espere. Acalme-se. Senta aí. Vamos te explicar tudo, cara. É só um mal entendido, meu amigo. – Tentou se explicar o velho Clarck.
-Eu ouvi tudo, palhaço. Não adianta tentar me adular com este papo de amigão. Eu ouvi você dizer que quer que eu passe para o lado de vocês. Você pretendia me embebedar. Mas afinal, pra quê? – Questionou ele sob a mira da pistola. Mayong agora apontava a arma diretamente para a cabeça de David. Era uma pistola militar, cujo cano se estendia com um comprido silenciador. Clarck sorriu, olhou para o chão.
-David, meu jovem… Você realmente ainda não percebeu o quão estranho é o fato desses senhores terem capturado todas as pessoas do abrigo e te darem este tratamento vip?
-Sim, eu já estranhei isso, mas até agora não entendi. O que querem de mim?
-David, você é especial, meu caro. Quando você desmaiou no abrigo, após a surra que levou daqueles roceiros idiotas, eu pude tratar de você. Eu notei que você não reagia a medicamentos. Então eu comecei a realizar alguns “testes” com você enquanto estava desacordado.
-Testes? Filho da puta! Mas que porra de teste?
-Sim, testes. Eu injetei morfina em você. E monitorei sua pressão sanguínea. No início achei apenas estranho, achei que talvez o remédio estivesse com algum problema, pois você não reagia… Aumentei a dosagem. Nada. Tripliquei, nada. Eu dei uma dose de morfina que daria para matar cem pessoas. E nada fez efeito.
-Desgraçado!
-Entenda, David. Era uma curiosidade científica. As marcas no seu braço mostravam, que você era um viciado hard-core… Mas não houve crise de abstinência! Eu sou médico, eu entendo dessas coisas. De cara eu vi que tinha alguma coisa de errada em você. Eu não podia deixar passar esta chance. Fui até o radio do helicóptero e contei ao senhor Hork que nós estávamos com alguém diferente. Alguém que simplesmente não morria.
-Foi aí que resolvemos invadir o abrigo e capturar todos. -Disse o senhor Hork com os braços cruzados.

-Mas então, quer dizer que…
-Aceita, David… Você é diferente, meu jovem. Nós pretendíamos contar isso pra você na mesa do restaurante, mas sua curiosidade não nos dá outra chance. -Disse Clarck.
-Mas… E se eu tivesse morrido? Você tentou me matar com uma overdose.
-Eu precisava saber o que estava acontecendo. Você é uma curiosidade médica. Tem algo no seu organismo, David. O tranquilizante que eles te aplicaram é usado para dopar elefantes.
-Por isso eu fiquei espantado quando te vi, ali, em pé naquele quarto, meu jovem. – Disse Hork.
-Tá, e do que vocês queriam me convencer?
-Bem… Você sabe, é como nós dissemos. As toxinas não fazem efeito no seu corpo. Não sabemos ainda o motivo disso, mas…
-Mas o que, porra?
-Mas talvez se você aceitar que nós injetemos o sangue contaminado em você, isso poderá nos dar uma base de dados sem precedentes, equivaleria a avançar muitos anos nas pesquisas com os remédios contra os zumbis, David. – Explicou Clarck.
-Tá maluco? Que porra é essa? Nem pelo cacete!
-David, não nos resta muitas opções. Nós vamos fazer isso, quer você queira, quer não. Ou colabora conosco ou seremos obrigados a usar a força. – Disse Mayong, segurando a arma perto da cabeça dele.
David ficou pensativo.
-Hummm. Ok… Digamos que eu aceite isso. Como seria?
-Bem, nós iremos retirar amostras de sangue do zumbi e inocularemos em você. E então iremos acompanhar… – Mayong começou a explicar os procedimentos, quando David Carlyle, usou o fator surpresa. Atingiu o cientista com um golpe nos genitais, enquanto desviava a arma com a outra mão. No reflexo, Mayong disparou a arma. David socou a cara do cientista até ele largar a arma. David pegou a arma no chão e quando olhou para a frente, viu que o Senhor Hork estava segurando o corpo de Clarck. O tiro havia atingido o pescoço do médico. E jatos de sangue escorriam sujando todo o quarto branco de sangue.

-Vai pra lá, filho da puta. – Apontou o canto com a arma. Mayong levantou-se, tonto, gemendo, a boca cheia de sangue. Foi até o canto. Clarck dava seus últimos suspiros. Estava agitado, se debatendo segurando o pescoço que jorrava uma cascata de sangue. Ele era amparado pelo senhor Hork.
David ficou ali, vendo aquele espetáculo macabro. Clarck deu o último espasmo e caiu mole na cama. Hork ajeitou os braços do idoso sobre seu peito.

-Ok, seu babaca. Eu quero sair daqui.
-Impossível! – Respondeu Mayong enquanto cuspia sangue na lixeira.
David não disse nada. Apenas apontou o cano da arma na direção do joelho do cientista e puxou o gatilho. A arma fez um barulho rouco, baixo como uma tossida. O joelho do cientista explodiu, lançando um jato de sangue que tingiu a parede.
-Aaaaaaaaargh! – Gritou o cientista oriental, caindo no chão.
-Eu não estou brincando. Quero sair dessa porra de hospício agora! – Disse David, olhando fixamente para Hork.
-Sim senhor, David. Mas eu lhe digo uma coisa… Está cometendo um grande erro, meu jovem.
-Cala a boca ô George Lucas de araque!
-Todos dizem que eu pareço com ele. – Riu Hork, tentando quebrar o gelo.
-Venha, vamos, você vai me mostrar como faço para sair daqui.
-Eu tiro você daqui, mas em troca quero que garanta que não irá me matar.
-Se eu sair inteiro daqui eu te deixo vivo.
Hork pulou o cientista, que se contorcia no chão de dor segurando o que restava do joelho esfacelado.

David saiu com o senhor Hork pelo corredor. Andaram apressados.
-Onde você está me levando? – Perguntou Hork.
-Para o centro de triagem “A”. Tem um amigo meu lá. Vem, é por aqui.
-Eu sei. Eu construí este maldito complexo! – Gemeu Hork, enquanto tinha a pistola forçada entre as costelas.
-Olha, eu sei que o senhor é importante. Que manda em todo mundo aqui dentro. Então o senhor vai fazer o que eu mandar. Ou eu vou estourar sua cabeça do jeito que fiz com o joelho do china lá.
-Certo. Certo. Não sou idiota, meu jovem. Estou vendo que você não está brincando.

David chegou ao centro de triagem “A”. Ali estava o gordão. Quando ele viu o senhor Hork, levou um susto e ficou em pé.
-Senhor Hork. Que prazer sua visita aqui na unidade!
-Cale a boca. Eu quero liberar um prisioneiro.
-O que??? – Assustou-se o gordão. -Que cela, senhor?
-Que cela? -Perguntou Hork ao David.
-96! – Disse David.
O Gordão sentindo o clima estranho, digitou códigos no computador e a cela 96 abriu.
-Wilson! Wilson! – gritou David.
Lentamente, uma cabeça saiu para fora da cela. Era Wilson.
-David! – Ele gritou com um sorriso.
-David? Mas você não chama Marco?
-Olha, meu amigo, é uma longa história! – Disse David, sacando a arma da cintura e apontando para o gordão.
-Que porra é essa? Calma, calma… Calminha, Marco, ops, David, ou sei lá quem você é! – O Gordão estava assutado.
-Entra lá na cela dele. Disse David, apontando com a arma a cela aberta.
-Mas…
-É isso ou é tiro! Prefere o quê?
O gordão olhou para o senhor Hork.
-Não seja estúpido rapaz. Faça o que ele manda. Ele é maluco!- Disse o empresário.
O gordão foi, a contra-gosto, andando até entrar na cela. David clicou em “trancar” no painel e a cela se fechou.
Wilson estava ao lado de David.
-Como você escapou, David?
-É uma longa história. Te conto quando sairmos desta joça. – Disse David. – Procura aí na gaveta, deve ter alguma arma.
Wilson remexeu na gaveta, mas não achou nada.
-Não temos armas neste setor. – Disse Hork.
-Ei, quem é o cara? É o George Lucas? – Perguntou Wilson.
-Eu sou o dono deste complexo. – Disse Hork com certo orgulho.
-Como que a gente sai daqui? Minha paciência está acabando.- David falou apontando a arma na testa do empresário.
-Saindo aqui, pegamos o elevador no fim do corredor e subimos até o nível zero. Lá no fim do corredor vermelho tem uma saída direto pela garagem.
– Vamos! – Disse Wilson.

Os três saíram pelo complexo. Andavam olhando ao redor. O Medo de David era que alguém os visse e disparasse algum alarme, atraindo os seguranças armados.
-Espere! Eu tive uma ideia. – Disse David, segurando Wilson e Hork.
Alguns andares acima, dois guardas estavam guardando a passagem da ponte que levava aos laboratórios.
No fim do longo corredor, surgiu o senhor Hork. Ele apenas apareceu e fez sinal para que os guardas viessem ao seu encontro. Os guardas se entreolharam e foram andando na direção do patrão.
Ao passarem por uma pilastra, foram alvejados com tiros de pistola. O primeiro caiu na hora, com um tiro na cabeça. O segundo tentou reagir, mas Wilson saltou sobre ele e David atingiu o guarda no peito.
-Vamos, arraste os corpos pra lá. – Disse David.
Hork e Wilson puxaram os corpos dos soldados, enquanto David recolhia os fuzis. Eles foram levados até a pilastra. Ali David esperou que Wilson retirasse o uniforme do soldado e vestisse aquela roupa e máscara. David então passou a arma para Wilson, e fez o mesmo. Os corpos foram escondidos num pequeno armário embutido na parede, próximo ao elevador.
Agora David, Wilson e Hork andavam com desenvoltura pela base. Hork passava pelas sentinelas, olhando fixamente pra eles, mas os dois homens que iam com ele pareciam apenas uma escolta padrão e não despertaram suspeitas.
-Na próxima vez que olhar assim com esta cara para os guardas eu meto uma bala na sua cara. – Sussurrou David.
-Tá bom, tá bom. Foi mal. – Sussurrou de volta o empresário.
Os três pegaram o elevador. Enquanto ele subia, lentamente, David perguntou ao senhor Hork o que tinha acontecido com o descarte do setor de triagem C.
-Eles foram para o norte. Vão capturar zumbis com eles. – Disse Hork.
-Mas como eu vou saber onde que eles estão?
-Não há como saber! Esses caras são loucos. Eles entram nas cidades pequenas, disparam gravações de pessoas gritando para atrair os mortos. Então soltam uma pessoa, que vai correndo de um caminhão a outro. Esta pessoa é a isca. Então os mortos correm atrás desta pessoa e ela entra no caminhão. Uma grade sobe do piso, separando-a da carga. O caminhão fecha, agora lotado de zumbis e a isca sai por uma porta na frente. O processo se repete até que os zumbis consigam agarrar a isca ou que ela não consiga mais atrair as feras. Neste caso, eles matam a isca e pegam outra do outro caminhão de… iscas, e então, repetem a dose. A meta deles são seis caminhões lotados de zumbi por noite. -Disse Hork.
-E quando o caminhão lota?
-Ele retorna para o ponto zero, onde descarrega o lote num autoforno. Não sobra nada. Ele esvazia e volta. São sete caminhões ao todo. Eventualmente as melhores iscas sobram para a noite seguinte. Mas não se iluda. São poucos os que conseguem durar mais de uma semana nessa atividade.
-Mas que coisa idiota. Por que eles se arriscam assim?
-Algumas pessoas simplesmente não podem esperar pela nossa solução. Além do mais, esta é uma forma de ocupação. Isso mantém os indivíduos mais perigosos afastados da nossa base.-Disse o homem. A porta do elevador se abriu, revelando uma série de portas e passagens.
Hork orientou os dois captores como eles deviam fazer para chegar na garagem.

Minutos depois, eles estavam chegando na garagem. Ali estavam vários carros. David apontou um dos veículos. Era um jipe militar 4X4, tipo Hummer.
-Bem, senhor David. Fiz o que combinamos. Espero que cumpra sua palavra e me deixe sair vivo desta sua aventura. -Falou Hork.
-Senhor Hork… Eu sou um homem de palavra. Não vou fazer nada com o senhor.
-Ok. – Disse Hork. Ele pegou um painel na parede e digitou uma senha de acesso. Então liberou a saída. As portas internas se trancaram. Uma sirene disparou e as portas externas se abriram.
-Adeus, senhor Hork. Não posso dizer que tenha sido exatamente um prazer.
-Eu digo o mesmo, David. Boa sorte, pois você vai precisar.
David correu para o jipe. Wilson já estava ao volante.
-Vamos, mete o pé aí meu amigo! – Gritou David.
Wilson não pestanejou. Acelerou o jipe, disparando em direção á saída.
Quando a porta daquela saída do complexo se fechou, Hork estava parado, olhando para a enorme porta de aço branca que se fechava ao longe.
-Moleque desgraçado! Você me paga! – Disse ele.

Era uma noite de lua, o que facilitava as coisas. Wilson acelerava o jipe em meio a estrada, desviando de carros capotados e batidos. Havia até um avião caído na estrada.
-Temos que dar a volta. Entra por ali, perto daquela mata, depois faremos o retorno e vamos na contra-mão pela rodovia. – Disse David, mostrando o caminho ao jovem.
-Deixa comigo, David!

Enquanto dirigia, David contava a Wilson suas descobertas, o mecanismo do virus e por que os zumbis querem tanto comer carne. Contou a ele sobre Alice e sobre ter escutado que os guardas tentaram abusar dela no ponto zero.
-Ela é boa de briga, David. Esses caras passaram maus bocados.
-Tomara, meu amigo.
-Eu tenho certeza que ela está viva… Vamos achá-la.
-Vamos Wilson, acelera esta joça.

O jipe sumiu na estrada escura, iluminada parcialmente pela fraca luz do luar.
Eventualmente eles paravam o jipe. David abria os vidros e ficava escutando. Mas só havia os barulhos da noite, o coaxar dos sapos, os grilos e as aves da escuridão gritando das copas das árvores.

-Vamos em frente! É em direção ao norte. Olha na bússola aí.
-É pra lá, ó.
-Bora!

O carro já tinha viajado cerca de cem quilômetros quando eles viram faróis vindo na direção contrária na estrada em que estavam.

-Olha lá.
-Eu acho que é um dos caminhões, cara.
-Desliga o farol! Rápido.
Wilson desligou o farol e jogou o carro pelo acostamento, subindo no gramado. Em seguida, desligou o carro.
-Será que eles nos viram?
-Duvido. Certamente não estão esperando nenhum carro por aqui. – Disse David empunhando um fuzil e dando o outro ao Wilson.
Os dois ficaram esperando e momentos depois, um caminhão todo branco passou por eles na estrada.
– Eu aposto com você que esta merda está cheia de zumbis. – Disse Wilson.
-Com certeza. E se a Alice estiver lá?
-Só tem um jeito de saber.
-Pé na tábua!
Wilson acelerou o carro, retornando a estrada. Ele e David combinaram o plano de ação.

Mais à frente, o motorista do caminhão fumava um cigarro de maconha, ouvindo rock no último volume quando notou o jipe emparelhado que buzinava freneticamente.
-Mas que porra é essa? – Perguntou abrindo o vidro.
Do outro lado, no jipe, estavam dois soldados de roupa branca, com as máscaras, fazendo sinal para que o caminhão reduzisse.
O homem do jipe diminuiu o volume. Colocou a cabeça para fora da janela e gritou.
-O que foi?
Os dois soldados não responderam. Apenas abriram fogo contra ele. O motorista levou um tiro na cabeça e o pára-brisa se estilhaçou. O caminhão que viajava em grande velocidade, começou a andar em zigue-zague e finalmente colidiu contra a coluna de um viaduto. Acabou virando de lado na pista. Na pancada, o semi-reboque se partiu, jogando uma centena de corpos na via. Logo atrás, vinha o Hummer.
-Freia! Freia! – Gritava David Carlyle.
Wilson meteu o pé no freio o mais fundo que pôde. O 4X4 derrapou. Eles finalmente conseguiram estancar o veículo a poucos metros do caminhão. Um monte de corpos jazia no asfalto. Mas alguns já estavam levantando.

-Me dá cobertura! – Disse David saltando do carro.
-Ok, mas vai rápido, porra! – Gritou Wilson.
David correu até a cabine do caminhão. Ele estava tentando abrir a porta do caminhão, mas ela estava trancada ou emperrada. Viu o corpo do motorista, o cigarro ainda fumegava no colo dele. A cabeça parecia um pedaço de carne moída. Tinha restos de miolos ainda quentes, espalhados pela cabine inteira.
-Porra, que nojo. – Disse David.
-Anda logo, cara. Os mortos estão vindo. – Gritou Wilson do jipe, enquanto abria fogo contra alguns dos mortos.
-Calma. Estou quase pegando o radio. – Disse David, enquanto se esgueirava pela janela, para alcançar o radio do caminhão. David conseguiu finalmente pegar o radio.

-Alô? Jack? Alô??- Alguém disse no radio.
-Alô, aqui é o Jack! – Disse David.
-Onde você está, Jack?
-Eu… Tive uns problemas aqui. Mas está tudo bem. Onde vocês estão?
-Nós estamos aqui ainda, em Belleview, ué. Que pergunta retardada é essa? Jack, larga esta porra desse cigarro, cara. Eu te disse que isso afeta a memória, porra.
-Ah, é. Hahahaha. Eu me esqueci mesmo… Estou indo lá, levar… A carga.
-Ok, Jack. Vai logo e volta. A cidade está lotada desses bichos. Eles estão especialmente animados com a lua cheia.
-Mais tarde nos falamos. Até mais!
-Ei, Jack?
-Sim?
-Esse barulho aí, são tiros?
-Não, não. É a musica. Vou desligar. – Disse David.

Lá fora o tiro comia solto. Wilson estava atirando nos mortos que se arrastavam na direção da cabine do caminhão.
-Anda logo, David. Porra! A munição está no fim!
David veio correndo, atirando nos mortos.
-Descobriu onde ela está?
-Eles estão em Belleview.
-Onde que é essa merda?
-Vai, dirige. Eu acho que vi uma placa dizendo que Belleview está a uns 50, talvez 60 km mais ao norte.
-Bora! – Disse Wilson, pisando fundo. O jipe acelerou e atropelou um zumbi. A roda do jipe passou sobre a cabeça do defunto, que estourou como uma melancia, jogando miolos para todos os lados.

Algum tempo depois, os dois amigos chegavam na cidade de Belleview. Pararam junto a uma placa enferrujada em que se podia ler “Bem vindo a Belleview” e abaixo dela, alguém havia pixado: “Vá embora!”

David e Wilson desceram do carro e ficaram escutando.
-Ei, eu acho que ouvi os gritos vindo daquela direção.
-Então vamos que vamos! – Disse Wilson.

Algumas ruas à frente, havia um caminhão branco.
-Olha lá. Lá estão eles! – Gritou Wilson, apontando.
-Rápido, entra nesta rua. – Disse David. Wilson estacionou o jipe numa rua lateral.

Do alto-falante no teto do caminhão, uma série de gritos pavorosos ecoava pela cidade.
David e Wilson desceram do carro e viram que aquele som atraía uma multidão de mortos que cambaleavam em busca do som.
-Como vamos fazer, David? – Perguntou Wilson. – Estou com pouca munição, cara.
-Vamos fazer o seguinte: Pega a minha arma e me dá a sua. Eu vou cercar o caminhão, vou liquidar o motorista. Aí nós damos a volta e pegamos o motorista do outro caminhão, na rua em frente.
-Ok. Toma.
Os dois trocaram de armas e correram pelos jardins das casas, tentando passar despercebidos da multidão de zumbis que andava pelas ruas.
Eles chegaram até o caminhão. Ele estava enfiado num beco estreito e sem saída. O baú da carroceria, estava fechado. David fez sinal para que Wilson contornasse o veículo.
Os dois esgueiraram-se entre a parede de tijolos e o caminhão. Deram a volta.
Chegaram na frente do caminhão. Ali estava um homem de barba, usando o macacão branco. Ele parecia um pirata. Tinha até um tapa-olho. O motorista estava vendo coisas num monitor no painel. Ele falava ao radio.
-…Ok Bob, liberar a isca! Estou abrindo a gaiola, câmbio.
David bateu na lataria do caminhão.
-Ei!
-Mas que diabos está acontecendo? A operação já começou. Você estão loucos? – Perguntou o homem, abrindo a porta. – Quem são vocês?
Wilson Metralhou o caminhão pelo outro lado. Matando o motorista.
-Menos um! – Disse ele.
-Pois é! Agora vamos lá para o outro.
-Este foi fácil!
-Esta porra vai ferver de zumbi, cara. – Disse David. Os dois estavam saindo do beco quando Wilson gritou.
-Olha lá! – Wilson apontou para a esquina.
Quando David olhou, ele viu Alice. Ela vinha correndo, esbaforida, e atrás dela, uma multidão de mais de cem mortos ferozes, correndo aos gritos.
-Caraca!
Alice veio correndo direto na direção do caminhão.
-Eles vão alcançar ela, cara! – Gritou Wilson.
-Abre fogo! – Berrou David. Os dois socaram o dedo nas metralhadoras e os tiros pipocaram no ar. Alice se jogou no chão, enquanto as balas espocavam nas cabeças dos zumbis, explodindo cérebros gosmentos no ar.
David arrancou a máscara.
-Alice! Por aqui. – Gritou ele, acenando.
Alice olhou para ele e sorriu. Ela correu na direção de David. Mas subitamente reduziu a velocidade.
-Cuidado, David! – Ela gritou apontando pra ele.
David olhou para trás assustado e viu que uma outra horda de mortos vinha correndo em sentido contrário.
Agora eram os três, que corriam na direção do beco, empurrados por duas hordas. Aquele era um beco sem saída, onde estava o caminhão.
Eles correram até o veículo, mas ele estava trancado. A porta do baú não estava aberta.
-Oh meu Deus! Estamos fodidos! – Berrou Alice.
-Já estou quase sem balas, David. – Gritou Wilson, atirando nos mortos, na tentativa de contê-los.
-As minhas balas acabaram! – Constatou David quando puxou o gatilho e a arma não atirou.
-Corre, vai, por baixo do caminhão! – Gritou Wilson apontando.
Os dois saltaram para debaixo do caminhão, e esgueiraram-se por baixo dos eixos. Os mortos começavam a entrar no beco. David arrastava-se o mais rápido que podia, seguido de Alice. Eles escutavam os gritos de Wilson, disparando os últimos tiros. Finalmente os tiros cessaram, e só restaram os gritos de Wilson.
-Ahhhhhhrg! Nãããããããão* – Os mortos agora saltavam sobre ele com fúria assassina.
-Wilson! Não! – Gritou Alice, chorando. Ela fez menção de voltar.
-Venha, não há nada que possamos fazer. Ele se sacrificou por nós!- Gritou David, puxando a moça pelo braço.
Eles se arrastaram para a frente da carreta. Alice subitamente gritou. Ela olhou para trás e viu que um monte de corpos estavam se arrastando sob o caminhão, vindo atrás deles. mais atrás, uma montanha de defuntos famintos se empilhava ao redor do corpo de Wilson, obstruindo a passagem lateral.
-Não olha pra trás. Vamos. Nós vamos conseguir! Falta pouco!- Disse David, encorajando a moça.
-Alice saiu sob o motor do cavalo mecânico. Ela rapidamente entrou na carreta. Jogou o corpo sem vida do homem que parecia um pirata no chão. Em seguida saltou e bateu a porta. David saiu por baixo da carreta. As mãos brancas quase o alcançando.
Ele estava entrando no caminhão quando uma coisa o puxou pela perna.
-Socorro. Eles me agarraram! – Seus olhos eram de pavor. Alice procurou no painel uma arma, alguma coisa, mas não achou nada.
David olhou para baixo e lá estava um zumbi jovem, que parecia ter menos doze anos, agarrado na perna dele.
David começou a sacudir a perna de todo jeito.
-Sai, filho da puta! Saaaai!
Mas a criatura era feroz e se agarrava com força na perna dele.
Alice ligou o caminhão, engatou a ré do monstro e pisou fundo. A porta do caminhão começou a raspar na parede do beco. Centenas de corpos começaram a ser esmagados. As enormes rodas passavam em cima de carne e ossos produzindo toda sorte de estalos e explosões de sangue escuro que inundaram o beco.
O jovem zumbi agarrado na perna de David começou a ser esmagado contra a parede.
A criatura meteu os dentes na perna dele.
-Aaaaaaaaah! – Gritou David.
Desesperada, Alice acelerou o caminhão de ré e ele entrou com tudo na vitrine da frente de uma loja.Em seguida ela passou a primeira marcha e acelerou. O caminhão patinou as rodas na lama de cadáveres, ossos, sangue e carne pútrida da calçada e em seguida, disparou em direção à avenida.
David puxou as pernas para dentro do caminhão.

-O filho da puta… O filho da puta me mordeu!
-Ah, não. Essa não! – Disse a moça ao volante. Ela sabia o que aquilo significava.

Continua

Zumbi – Parte 9

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