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Eu estava vendo a Globo News quando passou uma matéria sobre a cidade de Hamelin, na Alemanha. Eu estava descompromissadamente assistindo, mas comecei a me interessar quando vi que inscrições antigas dizem que a história que eu sempre pensei que fosse ficção tem um misterioso e insólito fundo de verdade.

Todos pensam que é uma lenda. Alguns mais ingênuos pensam que é só um simples “conto de fadas”.

Será?

A história do flautista de Hamelin

A wikipedia nos diz que em 1282, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma severa infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser.

Apesar de obter sucesso, os poderosos da cidade deram uma de malandros. Voltaram atrás na promessa feita e recusaram-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças.

Enfurecido, o homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.

E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.

Na versão original, que surgiu provavelmente na Idade Média, nos territórios que formariam a Alemanha, o final é diferente: após levar o calote, o flautista atrai as crianças para um rio, no qual elas morrem afogadas. Apenas trés crianças sobrevivem: uma cega, que não consegue seguir o flautista e se perde no caminho; uma surda, que não consegue ouvir a flauta, e uma deficiente, que usa muletas e cai no caminho.

Há várias teorias sobre o que o flautista de Hamelin simbolizaria nas narrativas orais antes de virar uma história para crianças. Para alguns, ele seria a representação de um serial killer, para outros uma metáfora para as epidemias que dizimavam populações, como a peste, e para muitos remetia ao processo de migração para colonizar outras regiões da Europa.

flautista-de-hamelin

É certo que grandes tradições orais como esta vão migrando com o passar dos anos. Histórias trágicas podem ir ganhando contornos de fábula, adquirindo cores de fantasia.
Estranhamente, a cidade de Hammelin na Alemanha ostenta uma inscrição nas paredes, datada da idade média que confirma o desaparecimento de todas as crianças da cidade (que oficialmente esta em luto por elas até hoje)

A Casa The Pied Piper recebeu o nome de uma inscrição no alto do lado direito da casa, referindo-se à perda dos filhos de Hameln. A inscrição traduzido diz:

AD 1284 – no dia 26 de junho – dia de São João e São Paulo 130 crianças – nascidas em Hamelin foram levados para fora da cidade por um flautista vestindo roupas multicores. Após passar pelo Calvário, perto da Koppenberg eles desapareceram para sempre.

A inscrição gravada em pedra está embutida no alto, na lateral deste predio no centro histórico da cidade
A inscrição gravada em pedra está embutida no alto, na lateral deste predio no centro histórico da cidade

Há quem pense que essa história foi inventada pelos irmãos Grimm. Mas não foi. Essa história já era conhecida muito antes dos Grimm começarem a compilar o folclore da época e publicar na forma de contos e fabulas para adultos e posteriormente crianças. O núcleo da história, ao que parece, indica apenas o flautista levando as crianças da cidade embora. Todo o resto serve para decorar isso, de modo que a história se construiu ao longo dos anos, ao contrario. Havia apenas o final, era um episódio estranho, misterioso e também trágico. Esse episodio ganhou detalhes para virar uma fábula.

As primeiras referências descrevem somente o flautista com roupas estranhas e multicoloridas. É importante este detalhe, porque ele revela uma figura completamente distinta do que havia na época.
Esse sujeito usa o instrumento e leva as crianças da cidade para longe, para nunca mais voltar. O museu local de Hameln exibe com orgulho os sapatinhos de couro das crianças desaparecidas.

Foi no século 16, que a história foi expandida em uma narrativa completa, onde o flautista misterioso se torna um caçador de ratos contratado pela cidade para levar embora os ratos para longe com sua magia da flauta.
Quando os cidadãos se recusam a pagar por este serviço, ele revida ativando sua magia sobre seus filhos, levando-os para longe, como ele tinha feito aos ratos.
Foi esta versão da história que mais tarde veio a se espalhar como um conto de fadas. Esta versão também apareceu nos escritos de Johann Wolfgang von Goethe, os Irmãos Grimm e Robert Browning.

A primeira menção da história apareceu num vitral colocado na Igreja de Hamelin em 1300.
A janela foi descrita em várias obras entre os séculos 14 e 17. A igreja porém foi destruída, possivelmente num incêndio,  em 1660. Com base nas descrições dos sobreviventes, uma reconstrução moderna da janela foi criada pelo historiador Hans Dobbertin. Ela possui a figura colorida do Flautista de Hamelin e várias figuras de crianças vestidas de branco. Esta janela é geralmente considerada como tendo sido criada em memória de um acontecimento histórico trágico para a cidade.

Além disso, os registros históricos da cidade de Hamelin já começam com este evento. O registro mais antigo descoberto nas crônicas da cidade aparece em uma entrada de 1384 que afirma:

“Faz 100 anos desde que nossos filhos nos deixaram”

Embora muita pesquisa tenha sido realizada ao longo dos séculos, não há explicação para o evento histórico. De qualquer maneira, sabe-se com certeza que os ratos foram adicionadas à história numa versão de 1559 e estão ausentes de versões anteriores.

Quem sequestrou as crianças?

Enquanto via meu filho brincar com blocos de montar hoje à tarde, eu pensava sobre isso. Gerenciar uma criança é foda! É tarefa hercúlea. Imagine mais de cem?!
As pesquisas mostram que a história (como toda boa história que se preze) tem um fundo de verdade e este fundo é um sujeito de roupas estranhas portando um instrumento que foi interpretado como sendo uma flauta, levando embora TODAS SENÃO BOA PARTE das crianças de um vilarejo alemão na Idade Média.
Como isso é possível?

Certamente que músicas mágicas são parte de um imaginário coletivo que eu apostaria minhas fichas que provém da mitologia grega. Personagens como as sereias, que eram seres alados mágicos (nada de mulher-peixe) tinham um poderoso canto capaz de enfeitiçar pessoas e arrastarem-nas para a morte. Pan, o sátiro, tinha uma poderosa flauta magica com o qual conseguia controlar a natureza. Talvez as referências surjam daí.
Como já era de se esperar, em 1556, o papel do flautista é atribuído ao diabo.
Embora pareça improvável à primeira vista, um antigo relato conta que quando o Flautista misterioso surge para levar as crianças, as pessoas estavam “escondidas na igreja”. Esse detalhe persiste e vai aparecer até nas versões dos séculos subsequentes, como os do XIX e XX, quando após darem o calote no flautista que havia resolvido o problema dos ratos, os poderosos se esconderam dele na igreja.
Por que as pessoas estavam se escondendo de um homem forasteiro com roupas estranhas? Não parece suspeito?

O desaparecimento das crianças da cidade me faz lembrar alguns misteriosos desaparecimentos, sendo o mais estranho e inexplicável deles o de uma COMUNIDADE INTEIRA de índios esquimós.

[box type=”shadow”]

O mistério surgiu em novembro de 1930, quando um caçador de peles valiosas de nome Joe Labelle entrou, caminhando pela neve, na familiar vila de barracas existente nas proximidades do lago Anjikuni, no Canadá (Coordenadas GPS: Latitude / Longitude = 62°23’16.63″N, 101°20’14.21″W), encontrado-a completamente deserta.
Apenas duas semanas antes, a última vez em que Labelle estivera lá, a vila era um assentamento agitado e cheio de vida, com crianças correndo e fazendo algazarra, velhas carregando roupas, homens carregando madeira e conversando nos alpendres. Agora ao invés das amigáveis saudações de acolhimento, Labelle foi recebido por um silêncio sobrenatural.
Sem encontrar viva alma, o caçador procurou desesperadamente por pistas que o levassem a explicar a situação.
Absolutamente em vão. Os caiaques dos esquimós continuavam ancorados como de costume, suas casas guardavam os artigos essenciais dos habitantes da vila: seus tapetes e rifles. Nas fogueiras apagadas do acampamento, encontravam-se os familiares potes de cozido de carne de cervo congelados, que consistiam no prato rotineiro da tribo.
Tudo estava no lugar certo, com exceção das pessoas.
Era como se a comunidade inteira de duas mil pessoas tivesse deixado subitamente as suas casas no meio de um dia normal.
Mas havia outro detalhe diretamente relacionado à sua ausência: Labelle verificou, profundamente estarrecido, que não havia rastros no chão indicando que as pessoas saíram do acampamento. Nunca descobriram o que aconteceu com eles. Posteriormente a polícia do Canadá investigou e descobriu que os túmulos sagrados dos ancestrais foram profanados e ate seus corpos haviam desaparecido. Nenhum cão foi levado, nenhuma comida e nenhuma canoa. Somente as pessoas.
[/box]

Seria o misterioso flautista um visitante de outro planeta?

Isso explicaria as referências às suas roupas estranhas, também explicaria o instrumento, confundido com uma flauta. Inúmeros casos envolvendo pessoas abduzidas relatam instrumentos parecidos com pequenos cilindros capaz de causar estado de estupor nas pessoas.
A figura extraterrestre também explicaria porque as pessoas da cidade se abrigaram na igreja, algo bastante lógico diante de uma iminente aparição nos céus.

Aliás, em termos de aparições nos céus, uma das mais antigas registradas dá conta de uma intensa atividade de esferas e charutos gigantes cuspindo esferas que aparentemente entraram em “guerra” lá mesmo, sobre a Alemanha, em 1561.

 

O caos de ufos nos céus ocorreu no dia 4 de abril de 1561, ao nascer do sol, em Nuremberg. Ele foi descrito como uma guerra nos céus, com uma grande quantidade de diferentes naves (esferas, cilindros, cruzes e também discos). O céu amanheceu subitamente cheio de máquinas em combate e o evento durou por mais de uma hora. A batalha foi tão violenta que a população estarrecida no solo conseguiu perceber que havia um vencedor. Era uma super nave negra, em forma de lança, que apareceu na cena. Um antigo entalho em madeira foi criado por Hans Glaser e registra o estarrecedor episódio.

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Note que as alegorias como as esferas as cruzes e a nave preta em forma de flecha parecem mais incríveis dada a precisão da representação da cidade abaixo. Na imagem abaixo observe a comparação com a fotografia atual do lugar. Varios pontos podem ser facilmente reconhecidos, nos indicando que o artista se esforçou para representar algo insolito nos céus. No canto abaixo há naves caídas soltando fumaça.

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O entalho mostra duas pessoas, aparentemente testemunhado o evento. Centenas de objetos misteriosos surgem no céu acima. Ele também parece indicar que dois dos objetos podem ter caído ao solo.

A batalha misteriosa que começou pela manhã  terminou uma hora mais tarde, quando “os globos e os em forma de charuto voaram para o sol,” e vários dos outros objetos caíram na terra e desapareceram em uma nuvem de fumaça. De acordo com o Nuremberg Gazette, a “aterrorizante aparição” encheu o céu matutino com “formas cilíndricas, das quais emergiram esferas pretas, vermelhas, alaranjadas, azuis e brancas, que voavam por todo o lado.“ Entre as esferas haviam “cruzes com a cor de sangue“. Este “espetáculo assustador” foi testemunhado por “inúmeros homens e mulheres.“ Depois, um “objeto negro em forma de lança” apareceu.

Incrivelmente, um relato  parecido surgiu  cinco anos mais tarde em Basel, na Suíça.

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Em 7 de agosto de 1566,também de manhã, muitos cidadãos daquela cidade, amedrontados, viram durante várias horas esferas negras envolvidas em um batalha aérea formidável. O jornal da cidade relatou:

“Quando o sol nasceu, as pessoas viram muitos objetos negros grandes, os quais se moviam à alta velocidade no ar, em direção ao sol, então faziam meia volta, batendo uns contra os outros, como se estivessem em batalha; um grande número deles ficou vermelho e incendiado, logo após sendo consumidos e desaparecendo.”

Se os registros nos noticiários da época tanto em Nuremberg quando Em Basel nos indicam uma maciça manobra aérea nos céus, interpretada pelas pessoas daquele tempo como uma guerra, poderia a problemática da abdução ser um elemento presente também na idade média?

Teriam as crianças sido abduzidas? Esta é uma hipótese um tanto fantástica. Não quer dizer que seja a real explicação para o desaparecimento de 130 crianças. Investigadores históricos às voltas com o mistério já apontaram outras possibilidades mais prosaicas, como sendo o flautista um pedófilo.

Os adeptos da teoria do pedófilo só esquecem de explicar como que um pedófilo chega numa cidade e leva todas as crianças de uma só vez e ninguém faz nada.

Outra teoria que eu acho bastante provável é que a cidade pode ter simplesmente vendido os filhos. A história do flautista visa mascarar essa dura e incômoda verdade. A teoria da emigração sugere que que as crianças foram vendidas para um recrutador da região do Báltico da Europa Oriental, numa prática que não era incomum na época.

Em seu ensaio Pied Piper Revisited , Sheila Harty afirma que os sobrenomes da região são semelhantes aos de Hamelin, e que a venda de filhos ilegítimos, órfãos e outras crianças que a cidade não poderia suportar é a explicação mais provável. Ela afirma ainda que esta pode explicar a falta de registros do evento nas crônicas da cidade. Em seu livro, The Pied Piper: A Handbook , Wolfgang Mieder afirma que existem documentos históricos mostrando que as pessoas daquela área, incluindo Hamelin ajudaram a popular partes da Transilvânia, que tinha sofrido sob longas invasões mongóis da Europa Central.

Seja como for, o mistério ainda perdura. Quem era o flautista misterioso? Por que ele se vestia de forma estranha? Por que as pessoas se esconderam na igreja? Porque só levou 130 crianças? E pra onde?

Talvez nunca saberemos a verdade.

 

fonte fonte fonte fonte

Quem era o misterioso Flautista de Hamelin?

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Eu estava vendo a Globo News quando passou uma matéria sobre a cidade de Hamelin, na Alemanha. Eu estava descompromissadamente assistindo, mas comecei a me interessar quando vi que inscrições antigas dizem que a história que eu sempre pensei que fosse ficção tem um misterioso e insólito fundo de verdade.

Todos pensam que é uma lenda. Alguns mais ingênuos pensam que é só um simples “conto de fadas”.

Será?

A história do flautista de Hamelin

A wikipedia nos diz que em 1282, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma severa infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser.

Apesar de obter sucesso, os poderosos da cidade deram uma de malandros. Voltaram atrás na promessa feita e recusaram-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças.

Enfurecido, o homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.

E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.

Na versão original, que surgiu provavelmente na Idade Média, nos territórios que formariam a Alemanha, o final é diferente: após levar o calote, o flautista atrai as crianças para um rio, no qual elas morrem afogadas. Apenas trés crianças sobrevivem: uma cega, que não consegue seguir o flautista e se perde no caminho; uma surda, que não consegue ouvir a flauta, e uma deficiente, que usa muletas e cai no caminho.

Há várias teorias sobre o que o flautista de Hamelin simbolizaria nas narrativas orais antes de virar uma história para crianças. Para alguns, ele seria a representação de um serial killer, para outros uma metáfora para as epidemias que dizimavam populações, como a peste, e para muitos remetia ao processo de migração para colonizar outras regiões da Europa.

flautista-de-hamelin

É certo que grandes tradições orais como esta vão migrando com o passar dos anos. Histórias trágicas podem ir ganhando contornos de fábula, adquirindo cores de fantasia.
Estranhamente, a cidade de Hammelin na Alemanha ostenta uma inscrição nas paredes, datada da idade média que confirma o desaparecimento de todas as crianças da cidade (que oficialmente esta em luto por elas até hoje)

A Casa The Pied Piper recebeu o nome de uma inscrição no alto do lado direito da casa, referindo-se à perda dos filhos de Hameln. A inscrição traduzido diz:

AD 1284 – no dia 26 de junho – dia de São João e São Paulo 130 crianças – nascidas em Hamelin foram levados para fora da cidade por um flautista vestindo roupas multicores. Após passar pelo Calvário, perto da Koppenberg eles desapareceram para sempre.

A inscrição gravada em pedra está embutida no alto, na lateral deste predio no centro histórico da cidade
A inscrição gravada em pedra está embutida no alto, na lateral deste predio no centro histórico da cidade

Há quem pense que essa história foi inventada pelos irmãos Grimm. Mas não foi. Essa história já era conhecida muito antes dos Grimm começarem a compilar o folclore da época e publicar na forma de contos e fabulas para adultos e posteriormente crianças. O núcleo da história, ao que parece, indica apenas o flautista levando as crianças da cidade embora. Todo o resto serve para decorar isso, de modo que a história se construiu ao longo dos anos, ao contrario. Havia apenas o final, era um episódio estranho, misterioso e também trágico. Esse episodio ganhou detalhes para virar uma fábula.

As primeiras referências descrevem somente o flautista com roupas estranhas e multicoloridas. É importante este detalhe, porque ele revela uma figura completamente distinta do que havia na época.
Esse sujeito usa o instrumento e leva as crianças da cidade para longe, para nunca mais voltar. O museu local de Hameln exibe com orgulho os sapatinhos de couro das crianças desaparecidas.

Foi no século 16, que a história foi expandida em uma narrativa completa, onde o flautista misterioso se torna um caçador de ratos contratado pela cidade para levar embora os ratos para longe com sua magia da flauta.
Quando os cidadãos se recusam a pagar por este serviço, ele revida ativando sua magia sobre seus filhos, levando-os para longe, como ele tinha feito aos ratos.
Foi esta versão da história que mais tarde veio a se espalhar como um conto de fadas. Esta versão também apareceu nos escritos de Johann Wolfgang von Goethe, os Irmãos Grimm e Robert Browning.

A primeira menção da história apareceu num vitral colocado na Igreja de Hamelin em 1300.
A janela foi descrita em várias obras entre os séculos 14 e 17. A igreja porém foi destruída, possivelmente num incêndio,  em 1660. Com base nas descrições dos sobreviventes, uma reconstrução moderna da janela foi criada pelo historiador Hans Dobbertin. Ela possui a figura colorida do Flautista de Hamelin e várias figuras de crianças vestidas de branco. Esta janela é geralmente considerada como tendo sido criada em memória de um acontecimento histórico trágico para a cidade.

Além disso, os registros históricos da cidade de Hamelin já começam com este evento. O registro mais antigo descoberto nas crônicas da cidade aparece em uma entrada de 1384 que afirma:

“Faz 100 anos desde que nossos filhos nos deixaram”

Embora muita pesquisa tenha sido realizada ao longo dos séculos, não há explicação para o evento histórico. De qualquer maneira, sabe-se com certeza que os ratos foram adicionadas à história numa versão de 1559 e estão ausentes de versões anteriores.

Quem sequestrou as crianças?

Enquanto via meu filho brincar com blocos de montar hoje à tarde, eu pensava sobre isso. Gerenciar uma criança é foda! É tarefa hercúlea. Imagine mais de cem?!
As pesquisas mostram que a história (como toda boa história que se preze) tem um fundo de verdade e este fundo é um sujeito de roupas estranhas portando um instrumento que foi interpretado como sendo uma flauta, levando embora TODAS SENÃO BOA PARTE das crianças de um vilarejo alemão na Idade Média.
Como isso é possível?

Certamente que músicas mágicas são parte de um imaginário coletivo que eu apostaria minhas fichas que provém da mitologia grega. Personagens como as sereias, que eram seres alados mágicos (nada de mulher-peixe) tinham um poderoso canto capaz de enfeitiçar pessoas e arrastarem-nas para a morte. Pan, o sátiro, tinha uma poderosa flauta magica com o qual conseguia controlar a natureza. Talvez as referências surjam daí.
Como já era de se esperar, em 1556, o papel do flautista é atribuído ao diabo.
Embora pareça improvável à primeira vista, um antigo relato conta que quando o Flautista misterioso surge para levar as crianças, as pessoas estavam “escondidas na igreja”. Esse detalhe persiste e vai aparecer até nas versões dos séculos subsequentes, como os do XIX e XX, quando após darem o calote no flautista que havia resolvido o problema dos ratos, os poderosos se esconderam dele na igreja.
Por que as pessoas estavam se escondendo de um homem forasteiro com roupas estranhas? Não parece suspeito?

O desaparecimento das crianças da cidade me faz lembrar alguns misteriosos desaparecimentos, sendo o mais estranho e inexplicável deles o de uma COMUNIDADE INTEIRA de índios esquimós.

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O mistério surgiu em novembro de 1930, quando um caçador de peles valiosas de nome Joe Labelle entrou, caminhando pela neve, na familiar vila de barracas existente nas proximidades do lago Anjikuni, no Canadá (Coordenadas GPS: Latitude / Longitude = 62°23’16.63″N, 101°20’14.21″W), encontrado-a completamente deserta.
Apenas duas semanas antes, a última vez em que Labelle estivera lá, a vila era um assentamento agitado e cheio de vida, com crianças correndo e fazendo algazarra, velhas carregando roupas, homens carregando madeira e conversando nos alpendres. Agora ao invés das amigáveis saudações de acolhimento, Labelle foi recebido por um silêncio sobrenatural.
Sem encontrar viva alma, o caçador procurou desesperadamente por pistas que o levassem a explicar a situação.
Absolutamente em vão. Os caiaques dos esquimós continuavam ancorados como de costume, suas casas guardavam os artigos essenciais dos habitantes da vila: seus tapetes e rifles. Nas fogueiras apagadas do acampamento, encontravam-se os familiares potes de cozido de carne de cervo congelados, que consistiam no prato rotineiro da tribo.
Tudo estava no lugar certo, com exceção das pessoas.
Era como se a comunidade inteira de duas mil pessoas tivesse deixado subitamente as suas casas no meio de um dia normal.
Mas havia outro detalhe diretamente relacionado à sua ausência: Labelle verificou, profundamente estarrecido, que não havia rastros no chão indicando que as pessoas saíram do acampamento. Nunca descobriram o que aconteceu com eles. Posteriormente a polícia do Canadá investigou e descobriu que os túmulos sagrados dos ancestrais foram profanados e ate seus corpos haviam desaparecido. Nenhum cão foi levado, nenhuma comida e nenhuma canoa. Somente as pessoas.
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Seria o misterioso flautista um visitante de outro planeta?

Isso explicaria as referências às suas roupas estranhas, também explicaria o instrumento, confundido com uma flauta. Inúmeros casos envolvendo pessoas abduzidas relatam instrumentos parecidos com pequenos cilindros capaz de causar estado de estupor nas pessoas.
A figura extraterrestre também explicaria porque as pessoas da cidade se abrigaram na igreja, algo bastante lógico diante de uma iminente aparição nos céus.

Aliás, em termos de aparições nos céus, uma das mais antigas registradas dá conta de uma intensa atividade de esferas e charutos gigantes cuspindo esferas que aparentemente entraram em “guerra” lá mesmo, sobre a Alemanha, em 1561.

 

O caos de ufos nos céus ocorreu no dia 4 de abril de 1561, ao nascer do sol, em Nuremberg. Ele foi descrito como uma guerra nos céus, com uma grande quantidade de diferentes naves (esferas, cilindros, cruzes e também discos). O céu amanheceu subitamente cheio de máquinas em combate e o evento durou por mais de uma hora. A batalha foi tão violenta que a população estarrecida no solo conseguiu perceber que havia um vencedor. Era uma super nave negra, em forma de lança, que apareceu na cena. Um antigo entalho em madeira foi criado por Hans Glaser e registra o estarrecedor episódio.

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Note que as alegorias como as esferas as cruzes e a nave preta em forma de flecha parecem mais incríveis dada a precisão da representação da cidade abaixo. Na imagem abaixo observe a comparação com a fotografia atual do lugar. Varios pontos podem ser facilmente reconhecidos, nos indicando que o artista se esforçou para representar algo insolito nos céus. No canto abaixo há naves caídas soltando fumaça.

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O entalho mostra duas pessoas, aparentemente testemunhado o evento. Centenas de objetos misteriosos surgem no céu acima. Ele também parece indicar que dois dos objetos podem ter caído ao solo.

A batalha misteriosa que começou pela manhã  terminou uma hora mais tarde, quando “os globos e os em forma de charuto voaram para o sol,” e vários dos outros objetos caíram na terra e desapareceram em uma nuvem de fumaça. De acordo com o Nuremberg Gazette, a “aterrorizante aparição” encheu o céu matutino com “formas cilíndricas, das quais emergiram esferas pretas, vermelhas, alaranjadas, azuis e brancas, que voavam por todo o lado.“ Entre as esferas haviam “cruzes com a cor de sangue“. Este “espetáculo assustador” foi testemunhado por “inúmeros homens e mulheres.“ Depois, um “objeto negro em forma de lança” apareceu.

Incrivelmente, um relato  parecido surgiu  cinco anos mais tarde em Basel, na Suíça.

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Em 7 de agosto de 1566,também de manhã, muitos cidadãos daquela cidade, amedrontados, viram durante várias horas esferas negras envolvidas em um batalha aérea formidável. O jornal da cidade relatou:

“Quando o sol nasceu, as pessoas viram muitos objetos negros grandes, os quais se moviam à alta velocidade no ar, em direção ao sol, então faziam meia volta, batendo uns contra os outros, como se estivessem em batalha; um grande número deles ficou vermelho e incendiado, logo após sendo consumidos e desaparecendo.”

Se os registros nos noticiários da época tanto em Nuremberg quando Em Basel nos indicam uma maciça manobra aérea nos céus, interpretada pelas pessoas daquele tempo como uma guerra, poderia a problemática da abdução ser um elemento presente também na idade média?

Teriam as crianças sido abduzidas? Esta é uma hipótese um tanto fantástica. Não quer dizer que seja a real explicação para o desaparecimento de 130 crianças. Investigadores históricos às voltas com o mistério já apontaram outras possibilidades mais prosaicas, como sendo o flautista um pedófilo.

Os adeptos da teoria do pedófilo só esquecem de explicar como que um pedófilo chega numa cidade e leva todas as crianças de uma só vez e ninguém faz nada.

Outra teoria que eu acho bastante provável é que a cidade pode ter simplesmente vendido os filhos. A história do flautista visa mascarar essa dura e incômoda verdade. A teoria da emigração sugere que que as crianças foram vendidas para um recrutador da região do Báltico da Europa Oriental, numa prática que não era incomum na época.

Em seu ensaio Pied Piper Revisited , Sheila Harty afirma que os sobrenomes da região são semelhantes aos de Hamelin, e que a venda de filhos ilegítimos, órfãos e outras crianças que a cidade não poderia suportar é a explicação mais provável. Ela afirma ainda que esta pode explicar a falta de registros do evento nas crônicas da cidade. Em seu livro, The Pied Piper: A Handbook , Wolfgang Mieder afirma que existem documentos históricos mostrando que as pessoas daquela área, incluindo Hamelin ajudaram a popular partes da Transilvânia, que tinha sofrido sob longas invasões mongóis da Europa Central.

Seja como for, o mistério ainda perdura. Quem era o flautista misterioso? Por que ele se vestia de forma estranha? Por que as pessoas se esconderam na igreja? Porque só levou 130 crianças? E pra onde?

Talvez nunca saberemos a verdade.

 

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Quem era o misterioso Flautista de Hamelin?

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