Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp

Entre o “Olhei na cara da morte 1 e o 2” houveram umas vinte vezes que não foram tão arriscadas, como por exemplo a vez que meu primo Klaucinho resolveu me ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas.
Nessa época a gente morava num bairro novo, que tinha uns morros enoooormes altos pra dedéu. Sobe o Klaucinho com a bicicleta uma grimpa de mais de 40 metros de altura. ME coloca na bicicleta. Então me dá um empurrão em direção ao abismo:

– Pedala! Segura firme o guidão e pedala! – Gritou ele e foi a última coisa que eu ouvi antes do rugido ensurdecedor do vento e a sensação de entrar na velocidade da luz me deixar fora do ar.
Mas funcionou. Cheguei lá em baixo andando sem rodinhas. Só que eu não sabia fazer curva.

Mas a segunda vez OFICIAL que eu olhei na cara da morte foi quando em Três Rios a molecada da rua resolveu brincar de pique-esconde.
Como eu era um molecote de nove anos bem desenvolvido e com habilidades inquestionáveis para fazer merda, resolvi que me esconderia num lugar onde JAMAIS pudesse ser encontrado.
Então vai o mestre do pique-esconde correndo na direção de uma carreta scania, carregada com uma lona enorme atrás. Você imagina que eu me escondi sob a lona do caminhão?
E o caminhão saiu me levando para um passeio mágico e cheio de aventuras? Não.

Eu resolvi – olha a genialidade imbecil! – Entrar SOB o caminhão, me esgueirar pelos ferros do motor. Ficar em baixo do capô da scania!
Então eu ouvia na rua o clássico “um dois três alve eu!” e mais outro, e outro. Até que só sobrou eu. O meu amigo da rua, o Claudinho, procurou em todos os lugares clássicos e nem sinal do Philipe.

Corta para um homem que vem andando. Ele acende um cigarro. Mete a mão no bolso. Aparece o brilho de uma chave contra a fraca luz do poste.
O homem mete a chave na porta da scânia e entra.

Corta pra mim ali em baixo, na escuridão do motor. Um cheiro de borracha insuportável. Tudo onde eu me encostava soltava uma poeira pegajosa. Então houve um silêncio. Eu tentava imaginar onde estaria o Claudinho, neto da dona Nise, que devia estar me procurando… E comecei a me sentir O FODA, pois de fato eu era o mestre do esconderijo… Ninguém seria páreo para… UM RUÍDO ENSURDECEDOR
Imagine o maior barulho que você puder. Multiplique por vinte, depois acrescente fumaça, coisas se mexendo no escuro, fagulhas brilhando na escuridão e ferros batendo. Era o que aconteceu.
Eu só me lembro de me esgueirar de volta como uma bala, O caminhão começou a andar. E algo muito forte atingiu minha cabeça, mas não me impediu de dar um salto suicida bemno meio das duas rodas que ficavam entre o cavalinho mecânico e o semi-reboque.
Cai no chão da calçada da dona Nise e ao meter a mão na cabeça ela empapou de sangue. Aí eu vi que a coisa tava preta. Como contar para minha vó? – Atente leitor, para o fato de que eu imbecil/inocentemente nem sequer questionei o fato de que poderia ter morrido esmagado como um inseto no interior daquela máquina enorme.

Contei da melhor maneira. A melhor maneira é sempre a mais dramática: Entrei correndo. Ainda ouvi o Claudinho gritar “…um dois três Philipe!” na árvore. Entro na sala e todo mundo vendo jornal nacional.

– Vó! – Falei mostrando as mãos embanhadas em sangue preto.
– AIMEUDEUSDOCÉU! – HUGO, CORRE AQUI! – berrou ela imediatamente. E começa todo aquele procedimento: lava com água e sal, tem que costurar, leva pro hospital, não leva, quem leva, dá pra fechar sozinho, bronca, mais bronca, bronca do meu vô, bronca do vizinho, não pode dormir…

Sei que a cabeça doeu pra dedéu, mas não fui levar ponto. Eu tava com trauma de levar ponto desde que passei pela aventura do “Homem pássaro” (algum outro dia eu conto) onde adquiri o mais absoluto trauma de hospital + clínica + levar ponto + médico e remédio da minha vida.

Olhei na cara da morte – DOIS

Comments

comments

Entre o “Olhei na cara da morte 1 e o 2” houveram umas vinte vezes que não foram tão arriscadas, como por exemplo a vez que meu primo Klaucinho resolveu me ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas.
Nessa época a gente morava num bairro novo, que tinha uns morros enoooormes altos pra dedéu. Sobe o Klaucinho com a bicicleta uma grimpa de mais de 40 metros de altura. ME coloca na bicicleta. Então me dá um empurrão em direção ao abismo:

– Pedala! Segura firme o guidão e pedala! – Gritou ele e foi a última coisa que eu ouvi antes do rugido ensurdecedor do vento e a sensação de entrar na velocidade da luz me deixar fora do ar.
Mas funcionou. Cheguei lá em baixo andando sem rodinhas. Só que eu não sabia fazer curva.

Mas a segunda vez OFICIAL que eu olhei na cara da morte foi quando em Três Rios a molecada da rua resolveu brincar de pique-esconde.
Como eu era um molecote de nove anos bem desenvolvido e com habilidades inquestionáveis para fazer merda, resolvi que me esconderia num lugar onde JAMAIS pudesse ser encontrado.
Então vai o mestre do pique-esconde correndo na direção de uma carreta scania, carregada com uma lona enorme atrás. Você imagina que eu me escondi sob a lona do caminhão?
E o caminhão saiu me levando para um passeio mágico e cheio de aventuras? Não.

Eu resolvi – olha a genialidade imbecil! – Entrar SOB o caminhão, me esgueirar pelos ferros do motor. Ficar em baixo do capô da scania!
Então eu ouvia na rua o clássico “um dois três alve eu!” e mais outro, e outro. Até que só sobrou eu. O meu amigo da rua, o Claudinho, procurou em todos os lugares clássicos e nem sinal do Philipe.

Corta para um homem que vem andando. Ele acende um cigarro. Mete a mão no bolso. Aparece o brilho de uma chave contra a fraca luz do poste.
O homem mete a chave na porta da scânia e entra.

Corta pra mim ali em baixo, na escuridão do motor. Um cheiro de borracha insuportável. Tudo onde eu me encostava soltava uma poeira pegajosa. Então houve um silêncio. Eu tentava imaginar onde estaria o Claudinho, neto da dona Nise, que devia estar me procurando… E comecei a me sentir O FODA, pois de fato eu era o mestre do esconderijo… Ninguém seria páreo para… UM RUÍDO ENSURDECEDOR
Imagine o maior barulho que você puder. Multiplique por vinte, depois acrescente fumaça, coisas se mexendo no escuro, fagulhas brilhando na escuridão e ferros batendo. Era o que aconteceu.
Eu só me lembro de me esgueirar de volta como uma bala, O caminhão começou a andar. E algo muito forte atingiu minha cabeça, mas não me impediu de dar um salto suicida bemno meio das duas rodas que ficavam entre o cavalinho mecânico e o semi-reboque.
Cai no chão da calçada da dona Nise e ao meter a mão na cabeça ela empapou de sangue. Aí eu vi que a coisa tava preta. Como contar para minha vó? – Atente leitor, para o fato de que eu imbecil/inocentemente nem sequer questionei o fato de que poderia ter morrido esmagado como um inseto no interior daquela máquina enorme.

Contei da melhor maneira. A melhor maneira é sempre a mais dramática: Entrei correndo. Ainda ouvi o Claudinho gritar “…um dois três Philipe!” na árvore. Entro na sala e todo mundo vendo jornal nacional.

– Vó! – Falei mostrando as mãos embanhadas em sangue preto.
– AIMEUDEUSDOCÉU! – HUGO, CORRE AQUI! – berrou ela imediatamente. E começa todo aquele procedimento: lava com água e sal, tem que costurar, leva pro hospital, não leva, quem leva, dá pra fechar sozinho, bronca, mais bronca, bronca do meu vô, bronca do vizinho, não pode dormir…

Sei que a cabeça doeu pra dedéu, mas não fui levar ponto. Eu tava com trauma de levar ponto desde que passei pela aventura do “Homem pássaro” (algum outro dia eu conto) onde adquiri o mais absoluto trauma de hospital + clínica + levar ponto + médico e remédio da minha vida.

Olhei na cara da morte – DOIS

Comments

comments

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

20 ideias sobre “Olhei na cara da morte – DOIS

  • 17 de fevereiro de 2006 em 10:56
    Permalink

    Rapaz, vc é realmente sem noção… e hojem em dia, é psicólogo? Putz…
    Isso me lembra um dia em que eu prendi a cabeça entre um poste de um orelhão e um muro, só pra ver como eu ia enxergar as coisas daquele ângulo. Falando nisso, quando vc tem um horário livre… to precisando desabafar esses traumas… =)
    Brincadeiras sem graça a parte, gostei do blog. Vou linkar no meu e vou voltar sempre por aqui,.

    um abraço

    http://www.altazorblog.blogspot.com

    Resposta
  • 17 de fevereiro de 2006 em 11:08
    Permalink

    Eu tÔ fora de clinicar. Psicologia é uma ciência sensacional, mas como trabalho, não é para mim. Meu negócio é design.
    Vou linkar o seu tb.
    Abração

    Resposta
  • 7 de maio de 2007 em 23:15
    Permalink

    Caralho… li o teu post sobre a legalização da maconha e você diz que não fuma nem cigarro. Diz pra mim que é mentira e que você usa as drogas mais pesadas que existem por aí, diz!!! Pe-la-mor-de-deus!!! Heheheheh!!!

    Resposta
  • 1 de agosto de 2009 em 16:08
    Permalink

    cara eu tambem adorava me esconder debaixo de caminhão pra me esconder, “não dentro dele” hehehe 😆

    Resposta
  • 29 de outubro de 2009 em 21:39
    Permalink

    cara uma vez eu me escondi num bagageiro de um onibus
    e fiz um longo passeio de 120 kilometros nessas boas estradas esburacadas do brasil.

    Resposta
  • 27 de dezembro de 2009 em 21:24
    Permalink

    cara, o que você teve na cabeça qunado inventou isso?

    isso realmente aconteçeu ou foi um mero texto que você fez ou copiou de outro site para sair mostrando e se achando para seus amigos?

    e o principal: você tem ums puta criatividade que eu nunca tinha visto na vida. meus parabéns.

    Resposta
    • 28 de dezembro de 2009 em 8:56
      Permalink

      Aconteceu mesmo. Tudo na categoria aventura é fato real. A maioria delas tem testemunhas.

      Resposta
  • 29 de janeiro de 2010 em 19:35
    Permalink

    frase do dia
    COmo eu era um molecote de nove anos bem desenvolvido e com habilidades inquestionáveis para fazer merda
    cara muito bom(de ler!!)
    concordo com voce voce tem essa incrivel(e indesejada) capacidade de fazer merda
    ja li quase todos os seus posts e concordo

    Resposta
    • 12 de maio de 2010 em 21:08
      Permalink

      Provar como, Gênio? Quer que eu traga minha vó pra confirmar pra você como foi?

      Resposta
  • 29 de julho de 2010 em 22:39
    Permalink

    Nessa época a gente morava num bairro novo, que tinha uns morros enoooormes altos pra dedéu. Sobe o Klaucinho com a bicicleta uma grimpa de mais de 40 metros de altura. ME coloca na bicicleta. Então me dá um empurrão em direção ao abismo:

    queria ta la veno a tu gritano que nem doido kkkk 😎

    Resposta
  • 26 de agosto de 2010 em 19:44
    Permalink

    cara, como tu consegue transformar um acontecimento simples como se esconder dentro do capô do caminhão (e se foder dpois) em uma história divertida de ler e muito engraçada? sua criatividade eh muito boa, parabéns, desde q eu descobri seu blog e não fiko sem ler um dia sequer, e aliás, eu já me escondi em baixo de um ônibus pendurado nos ferros (ainda vem q era de noite hehehehe)

    Resposta
  • 11 de abril de 2011 em 17:05
    Permalink

    Por isso que eu amo crianças! Elas são criaturas extraodinárias! kkkkkkkkkkkk… Adorei!

    Resposta
  • 17 de julho de 2011 em 18:37
    Permalink

    eu tenho saudades da minha infância, mas ela se foi a uns 3 anos atrás. aprontava cada uma

    Resposta
  • 2 de novembro de 2011 em 4:10
    Permalink

    Ta’ igual a do portugues: ” Voce sabe o que e’ um esqueleto atra’s de uma arvore ????  nao ???  era um portugues que brincava de esconde-esconde e ninguem achou ele  “

    Resposta
  • 6 de maio de 2012 em 10:38
    Permalink

    o philipe, mas voce é designer de que?
    designer de interiores,
    web designer,
    designer publicitario…?

    Resposta
    • 6 de maio de 2012 em 23:24
      Permalink

      Eu sou designer de maluquices. Faço desde design grafico a design de produto, mock ups, modelos funcionais, videos e webdesign. Meus clientes querem cada hora uma coisa diferente, então sou forçado a patinar por ilustração, 3d, animação, videos, peças mecânicas e uns projetos secretos na área de segurança.

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Eu dei duro aqui

Com 15 anos de sangue suor e lágrimas, eu me esforcei para fazer um dos blogs mais antigos e legais do Brasil. Mis de 5000 artigos, mais de 100.000 comentários, mais de 20 livros, canal, programa de rádio, esculturas... Manter isso, você pode imaginar, não é barato. Talvez você considere me apoiar no Patreon e ajudar o Mundo Gump a não sair do ar.
Ajuda aí?

Conheça meus livros

error: Alerta: Conteúdo protegido !!