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Entre o “Olhei na cara da morte 1 e o 2” houveram umas vinte vezes que não foram tão arriscadas, como por exemplo a vez que meu primo Klaucinho resolveu me ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas.
Nessa época a gente morava num bairro novo, que tinha uns morros enoooormes altos pra dedéu. Sobe o Klaucinho com a bicicleta uma grimpa de mais de 40 metros de altura. ME coloca na bicicleta. Então me dá um empurrão em direção ao abismo:

– Pedala! Segura firme o guidão e pedala! – Gritou ele e foi a última coisa que eu ouvi antes do rugido ensurdecedor do vento e a sensação de entrar na velocidade da luz me deixar fora do ar.
Mas funcionou. Cheguei lá em baixo andando sem rodinhas. Só que eu não sabia fazer curva.

Mas a segunda vez OFICIAL que eu olhei na cara da morte foi quando em Três Rios a molecada da rua resolveu brincar de pique-esconde.
Como eu era um molecote de nove anos bem desenvolvido e com habilidades inquestionáveis para fazer merda, resolvi que me esconderia num lugar onde JAMAIS pudesse ser encontrado.
Então vai o mestre do pique-esconde correndo na direção de uma carreta scania, carregada com uma lona enorme atrás. Você imagina que eu me escondi sob a lona do caminhão?
E o caminhão saiu me levando para um passeio mágico e cheio de aventuras? Não.

Eu resolvi – olha a genialidade imbecil! – Entrar SOB o caminhão, me esgueirar pelos ferros do motor. Ficar em baixo do capô da scania!
Então eu ouvia na rua o clássico “um dois três alve eu!” e mais outro, e outro. Até que só sobrou eu. O meu amigo da rua, o Claudinho, procurou em todos os lugares clássicos e nem sinal do Philipe.

Corta para um homem que vem andando. Ele acende um cigarro. Mete a mão no bolso. Aparece o brilho de uma chave contra a fraca luz do poste.
O homem mete a chave na porta da scânia e entra.

Corta pra mim ali em baixo, na escuridão do motor. Um cheiro de borracha insuportável. Tudo onde eu me encostava soltava uma poeira pegajosa. Então houve um silêncio. Eu tentava imaginar onde estaria o Claudinho, neto da dona Nise, que devia estar me procurando… E comecei a me sentir O FODA, pois de fato eu era o mestre do esconderijo… Ninguém seria páreo para… UM RUÍDO ENSURDECEDOR
Imagine o maior barulho que você puder. Multiplique por vinte, depois acrescente fumaça, coisas se mexendo no escuro, fagulhas brilhando na escuridão e ferros batendo. Era o que aconteceu.
Eu só me lembro de me esgueirar de volta como uma bala, O caminhão começou a andar. E algo muito forte atingiu minha cabeça, mas não me impediu de dar um salto suicida bemno meio das duas rodas que ficavam entre o cavalinho mecânico e o semi-reboque.
Cai no chão da calçada da dona Nise e ao meter a mão na cabeça ela empapou de sangue. Aí eu vi que a coisa tava preta. Como contar para minha vó? – Atente leitor, para o fato de que eu imbecil/inocentemente nem sequer questionei o fato de que poderia ter morrido esmagado como um inseto no interior daquela máquina enorme.

Contei da melhor maneira. A melhor maneira é sempre a mais dramática: Entrei correndo. Ainda ouvi o Claudinho gritar “…um dois três Philipe!” na árvore. Entro na sala e todo mundo vendo jornal nacional.

– Vó! – Falei mostrando as mãos embanhadas em sangue preto.
– AIMEUDEUSDOCÉU! – HUGO, CORRE AQUI! – berrou ela imediatamente. E começa todo aquele procedimento: lava com água e sal, tem que costurar, leva pro hospital, não leva, quem leva, dá pra fechar sozinho, bronca, mais bronca, bronca do meu vô, bronca do vizinho, não pode dormir…

Sei que a cabeça doeu pra dedéu, mas não fui levar ponto. Eu tava com trauma de levar ponto desde que passei pela aventura do “Homem pássaro” (algum outro dia eu conto) onde adquiri o mais absoluto trauma de hospital + clínica + levar ponto + médico e remédio da minha vida.

Olhei na cara da morte – DOIS

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Entre o “Olhei na cara da morte 1 e o 2” houveram umas vinte vezes que não foram tão arriscadas, como por exemplo a vez que meu primo Klaucinho resolveu me ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas.
Nessa época a gente morava num bairro novo, que tinha uns morros enoooormes altos pra dedéu. Sobe o Klaucinho com a bicicleta uma grimpa de mais de 40 metros de altura. ME coloca na bicicleta. Então me dá um empurrão em direção ao abismo:

– Pedala! Segura firme o guidão e pedala! – Gritou ele e foi a última coisa que eu ouvi antes do rugido ensurdecedor do vento e a sensação de entrar na velocidade da luz me deixar fora do ar.
Mas funcionou. Cheguei lá em baixo andando sem rodinhas. Só que eu não sabia fazer curva.

Mas a segunda vez OFICIAL que eu olhei na cara da morte foi quando em Três Rios a molecada da rua resolveu brincar de pique-esconde.
Como eu era um molecote de nove anos bem desenvolvido e com habilidades inquestionáveis para fazer merda, resolvi que me esconderia num lugar onde JAMAIS pudesse ser encontrado.
Então vai o mestre do pique-esconde correndo na direção de uma carreta scania, carregada com uma lona enorme atrás. Você imagina que eu me escondi sob a lona do caminhão?
E o caminhão saiu me levando para um passeio mágico e cheio de aventuras? Não.

Eu resolvi – olha a genialidade imbecil! – Entrar SOB o caminhão, me esgueirar pelos ferros do motor. Ficar em baixo do capô da scania!
Então eu ouvia na rua o clássico “um dois três alve eu!” e mais outro, e outro. Até que só sobrou eu. O meu amigo da rua, o Claudinho, procurou em todos os lugares clássicos e nem sinal do Philipe.

Corta para um homem que vem andando. Ele acende um cigarro. Mete a mão no bolso. Aparece o brilho de uma chave contra a fraca luz do poste.
O homem mete a chave na porta da scânia e entra.

Corta pra mim ali em baixo, na escuridão do motor. Um cheiro de borracha insuportável. Tudo onde eu me encostava soltava uma poeira pegajosa. Então houve um silêncio. Eu tentava imaginar onde estaria o Claudinho, neto da dona Nise, que devia estar me procurando… E comecei a me sentir O FODA, pois de fato eu era o mestre do esconderijo… Ninguém seria páreo para… UM RUÍDO ENSURDECEDOR
Imagine o maior barulho que você puder. Multiplique por vinte, depois acrescente fumaça, coisas se mexendo no escuro, fagulhas brilhando na escuridão e ferros batendo. Era o que aconteceu.
Eu só me lembro de me esgueirar de volta como uma bala, O caminhão começou a andar. E algo muito forte atingiu minha cabeça, mas não me impediu de dar um salto suicida bemno meio das duas rodas que ficavam entre o cavalinho mecânico e o semi-reboque.
Cai no chão da calçada da dona Nise e ao meter a mão na cabeça ela empapou de sangue. Aí eu vi que a coisa tava preta. Como contar para minha vó? – Atente leitor, para o fato de que eu imbecil/inocentemente nem sequer questionei o fato de que poderia ter morrido esmagado como um inseto no interior daquela máquina enorme.

Contei da melhor maneira. A melhor maneira é sempre a mais dramática: Entrei correndo. Ainda ouvi o Claudinho gritar “…um dois três Philipe!” na árvore. Entro na sala e todo mundo vendo jornal nacional.

– Vó! – Falei mostrando as mãos embanhadas em sangue preto.
– AIMEUDEUSDOCÉU! – HUGO, CORRE AQUI! – berrou ela imediatamente. E começa todo aquele procedimento: lava com água e sal, tem que costurar, leva pro hospital, não leva, quem leva, dá pra fechar sozinho, bronca, mais bronca, bronca do meu vô, bronca do vizinho, não pode dormir…

Sei que a cabeça doeu pra dedéu, mas não fui levar ponto. Eu tava com trauma de levar ponto desde que passei pela aventura do “Homem pássaro” (algum outro dia eu conto) onde adquiri o mais absoluto trauma de hospital + clínica + levar ponto + médico e remédio da minha vida.

Olhei na cara da morte – DOIS

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