O dia em que o cara com a faca na mão me olhou nos olhos e me pediu propina. Não dei.

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Foi no dia em que o Brasil perdeu para a Alemanha de 7 a 1, nas finais da Copa de 2014.

Eu tinha aproveitado aquela manhã para ir fazer compras no mercadão aqui de Niterói, chamado Guanabara. O tal do Guanabara (já falei dele antes aqui num post sobre a merda que é fazer compras)  é um mercado que foca em preço baixo. Você não vê Tv sendo vendida no Guanabara, nem celular. Mas em compensação a fila da carne é quilométrica.

Ao me deparar com a fila, percebi que talvez não fosse uma boa ideia ir naquele mercado na véspera de uma semifinal da copa do mundo, onde se bobear, até vegetariano quer comprar picanha pro churrasco.

Após amargar horas e horas de fila, fui atendido por um sujeito super gentil. Pedi a carne e ele com uma boa vontade que me surpreendeu. Ficou limpando, tirando nervos em tal concentração que passei a admirar aquela atividade que era quase artística. A habilidade do cara com o facão impressionava.

Enquanto isso, a fila atrás de mim só aumentava o que me deixava bem sem graça me sentindo culpado de ter pedido a carne pra ele. O sujeito demorou tanto tempo cortando minha carne que passei alguns minutos contemplando o horror que é um grande açougue de mercado. Carnes de todos os tons de vermelho se espalhavam na bancada atrás dele. Pedaços e mais pedaços eram cortados e de esguelha vi na janelinha um homem desossando metade duma carcaça de boi. Me lembrei na hora que aquela coisa tinha sido um animal e meu estomago embrulhou. Nos acostumamos ao dia a dia de pensar na carne como algo que brota do nada, no nosso prato ou no espeto da churrascaria. Talvez seja para não imaginarmos toda a cadeia foda de sofrimento que conduz aquele bolo de proteína até o vaso sanitário da nossa casa, passando antes pelo prato da gente. Eu estava ali pensando quase que literalmente “na morte da bezerra”, quando notei uma grande placa. Em minutos elas eram varias.  A placa dizia em letras garrafais: “Não aceitamos gratificações”

Eu sempre via as placas, mas tal qual a placa com o preço do peito e do Acém, eu nunca tinha dado bola para ela. Aquilo pra mim era um mero elemento do cenário, até que o sujeito veio com o saco de carne e DEBAIXO DA PORRA DA PLACA me perguntou se eu podia dar uma “força”.

Sim, ele estava me pedindo propina, gratificação, força, agradinho, café ou seja lá que eufemismo você queira para CORRUPÇÃO.

Eu pedi desculpas  e dei a clássica justificativa que só estava com o cartão de crédito (que por acaso era a pura e límpida verdade naquele dia). Fui burro. Em vez de enrolar ele com um sorriso dúbio, e só lhe revelar que ele não veria a cor do meu rico dinheirinho depois dele acabar de me dar as carnes que eu queria, eu disse antes. Resultado, todas as carnes que vieram depois eram pelanquentas. O cara mudou de um tratamento super-mega-especial padrão FIFA para um tratamento de qualidade XXXX (escolha aqui um país de quarto mundo a seu critério)

O cara ficou puto que eu não dei dinheiro a ele por fora pela gentileza. Me senti estúpido por achar, por um minuto sequer que toda aquela gentileza e esmero em me dar uma carne nota mil se dava por interesse em fazer um bom trabalho e somente isso.

Nos acostumamos ao premiar um bom trabalho, mesmo quando ele nada mais é que uma obrigação. Me lembrei no ato dos pais que dão dinheiro aos filhos por notas boas. Fazendo isso com a melhor das  intenções podemos estar criando uma legião de açougueiros pedidores de propina. Me lembrei também que é super normal que empresários recebam um extra quando fazem grandes negócios. Por que no mundo dos grandes empresários é normal e até desejável receber aquela “força” e para o açougueiro do mercado não?

Talvez justamente pelo fato de que quando percebem que não ganharão o extra eles passam a  fazer um mau serviço. Quem paga o por fora leva o melhor pedaço de carne. Quem não paga que se contente com a pelanca.

A menos de dez metros de mim, na fila dos idosos, vejo um senhor de uns 70 estender a mão para cumprimentar outro açougueiro. Num milésimo de segundos identifico a cor da nota de cinco pratas na mão do velho. Eles pedem dinheiro na cara dura, mesmo em baixo da placa que diz para não dar gratificação,  porque sempre tem alguém que dá.

E isso me fornece uma dimensão muito real e indigesta deste país. Não vou dizer que tudo funcione nessa base mas é um volume de propina monumental mudando de mãos. Em alguns casos, foi até institucionalizado como os 10% do garçom, que deve ser opcional e em muitos lugares vem quase que obrigatório, ou o dindim do carregador de malas do hotel.

Veja, eu não sou contra, por exemplo, você pagar um trocado para o frentista que te ajuda a calibrar o pneu do seu carro. Se ele trabalha colocando gasolina e te ajuda a não sujar a mão, é uma tarefa extra que ele faz e aí beleza. Mas pensa como seria escroto se o frentista te pedisse uma graninha para colocar gasolina aditivada no seu carro e cobrar como gasolina normal? Pois é praticamente isso que faz o açougueiro do propinoduto. Se você não paga pra ele, você paga o peso da carne e leva sebo.

Horas depois, enquanto eu via o Brasil levar uma surra no futebol, vi alguns jogadores como o Hulk se jogando no chão, tentando desesperadamente cavar faltas ou pênaltis com nas palavras do locutor Galvão Bueno: “a velha catimba brasileira”.

Mais que uma confissão de incompetência, de desespero e despreparo, este tipo de coisa me envergonha muito mais que levar gols. Porque é a pura falta de vergonha na cara. Do mesmo jeito que o açougueiro me pede dinheiro sob uma paca que me diz para não dar, o jogador forja vergonhosamente um acidente mesmo sabendo que centenas de câmeras apontam para ele de todos os ângulos imagináveis.

Me agradaria pensar nisso como um simples coincidir de más percepções, mas basta abrir um jornal para testemunhar que o conceito de comprar favores é bem mais entranhado em nossa carne do que gostaríamos.

Eu não queria falar de política, afinal este post não diz respeito a um partido ou a um governo, e sim a um comportamento do povo. Mas é impossível não fazer um paralelo com o que muitos chamam  de “alianças” mas que eu chamo de “o diabo”. Explico: Certa vez a Dilma sugeriu que é normal que “para ganhar eleição a gente faça o diabo!” 1mar2013---podemos-fazer-o-diabo-quando-e-hora-de-eleicao-mas-quando-se-esta-no-exercicio-do-mandato-temos-de-nos-respeitar-pois-fomos-eleitos-pelo-voto-direto-disse-dilma-a-uma-plateia-de-22-1362427834036_956x500

No mínimo estranho dizer isso, afinal, o que será que ela quer dizer com “fazer o diabo?”  Não parece coisa boa, né? Isso sem falar na plena admissão de que uma figura pública tem licença para ser uma na eleição e outra quando está no poder. Calmaí… Isso não seria propaganda enganosa?

Eu acho que eu sei o que é o “diabo”. Na literatura ele é alguém com interesses escusos e poder oculto para o qual, movido por um desespero, o infeliz “vende a alma”.

 

A verdade é que já faz um bom tempo em que desesperados para não largar o osso, o governo petista vem se associando a todo tipo de partido anão, os famosos partidinhos da conveniência. Esses partidecos prosperam unicamente ao custo do dinheiro público, trocando alianças com o governo que estiver na situação por ministérios, cargos públicos, verbas federais e qualquer outra grana extra que conseguirem apurar nesse caminho. Esses caras não disfarçam que seu real negócio é vender votos no Congresso Nacional em troca de interesse. Foda-se o povo e suas necessidades. Ali é o “farinha pouca, meu pirão primeiro” comportamento que atrasa há séculos nosso país.

O governo precisa de cada minuto que conseguir comprar, porque sabe que com nem 10% do PAC pronto, com a inflação subindo direto, o numero de empregos em queda, os fortes indícios de incompetência administrativa crônica,  a eleição vai ser ganha na marketagem e marketagem de qualidade, além de cara, precisa de tempo.

Desesperada por comprar minutos a mais em seu programa eleitoral, Dilma (que começou a balançar nas pesquisas) vem oferecendo sem cerimônia grandes nacos da administração do país em favor desses carinhas, que só pensam em tirar proveito econômico, pessoal e político (nesta ordem). Até o LULA (que nem candidato é) vem oferecendo ministérios em troca de jogadas de interesse, como fazer o Crivella apoiar o Lindberg no Rio.

O ato mais recente de vexame da nossa presidente foi oferecer de bandeja o Ministério dos Transportes – logo um dos mais ricos e mais fundamentais ministérios, que afeta diretamente a evolução comercial do Brasil, na infraestrutura ao PR. O PR é um dos partidecos de tal qualidade que seu presidente, Vademar Costa Neto despacha de dentro de um PRESÍDIO!

Curiosamente, Dilma  colocou na direção do ministério o substituto do ex-ministro, que foi para a rua sob denúncias de superfaturamento de obras.  Políticos dos partidos anões fazem fila para tentar trocar seus minutos de Tv por um pedaço da administração publica. Enquanto o povo se concentra na copa, em Brasília corre solta a festa do PP, PSD, PRB, Pros… e por aí vai.

O próprio “mensalão”, que o então presidente Lula alegou desconhecer – não era outra coisa senão um dindim extra para os amigos do peito – caras como o Bispo Rodrigues, que foi condenado por receber R$ 150 mil para votar em reformas de interesse do governo federal, em dezembro de 2003, durante o governo do presidente Lula .

“Ah, mas todos os partidos estão fazendo isso, não é só o PT!”  – Beleza, meu caro. Isso leva nossa indignação – espero que vc esteja indignado também – a um patamar mais global, pois a propina, como podemos ver, não é prerrogativa de um partido, nem de um cargo e nem de uma classe.

A crise de moralidade é uma das piores mazelas que nos aflige. Hoje estamos vendo os cadidatos fazerem “o diabo” para ganhar a eleição. E isso sem duvida vai ter um preço, já que “fazer o diabo” agora pode nos levar direto ao “inferno” de amanhã.

 

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14 respostas

  1. Philipe, PT, PSDB, DEM, PROS, PR e todas essas quadrilhas são apenas reflexo da sua população. O povo brasileiro é corrupto na sua grande maioria. Ou tem gatonet, ou compra filmes piratas, ou instala programas piratas, usa o wi-fi do vizinho que não protegeu com senha, não devolve o troco quando recebe por engano a mais, abusa do gasto da água quando a conta é rateada por todos em um condomínio, tenta subornar policiais, atravessa a rua fora da faixa de segurança e quer ter razão quando acontece um acidente, jogadores que simulam faltas, funcionários que usam atestados médicos falsos para faltar ao trabalho. Não existe uma escala de corrupção, o que é errado é errado e ponto. Mas aqui neste país, nada mais é serio. O povo não é sério e a tendencia é só piorar.

  2. “A crise de moralidade é uma das piores mazelas que nos aflige.”
    Sábias palavras.

    Eu só apontaria para a placa e perguntaria ao açougueiro se aquilo significava alguma coisa pra ele!

  3. Sr Philipe, essa sua guerra é minha batalha faz anos. Prego no deserto a meus colegas carreteiros a não dar propina, td em vão no submundo da estrada aonde tudo se compra, nada se aprende. Se eu pegar aqui no Acre uma carga de madeira para Niterói poderia ganhar um aperto de mão seu?

  4. Cara triste realidade isso, ai esse povinho da propina do açougue acha um absurdo depois um jogador cavar falta, penalti, acha um absurdo essa palhçada no governo mas tá lá dando seu exemplo de bandidagem todo dia.
    E ri dessa das gratificações, pelo menos aqui onde vivo em no interior de sampa nunca vi isso em açougue não mas eu fazia o safado cortar 30 kilos de carne so pra no final dizer que não vou levar nada so pra deixar de ser otário.

  5. Philipe,
    Já há algum tempo venho notando que vc quer fazer política em alguns artigos. Faça. Nada mais justo mesmo porque o blog é seu e assumir um lado A ou B não desmerece em nada seu excelente trabalho como blogueiro e este é um direito que lhe assiste. No entanto, reproduzir uma fala como a do diabo, atribuída à presidenta Dilma, para quem sempre levanta dúvidas sobre a veracidade de coisas “gump” no blog, é de uma inocência perigosa pois reproduz uma inverdade – para usar um eufemismo. E todo aquele discurso sobre o diabo, então… Essas “pérolas” que circulam feito esgoto transbordado em dias de enxurrada quando as eleições se aproximam só servem para desqualificar e empobrecer o debate. A questão destas alianças espúrias entre partidos que aparentemente se odeiam nada mais é do que a herança da constituição de 1988 redigida pelo PDS/PFL (extrema direita), PMDB (centro esquerda) e militares como condição sine qua non para que o país pudesse ir adiante sem maiores traumas depois de uma ditadura grotesca que o atrasou em todos os sentidos, numa época em que a economia agonizava e todos os problemas que um país podia apresentar batiam à porta da nação pedindo por soluções. Escreveram um texto bonito, moderno, cheio de vanguardismos e firulas; misturaram leis ordinárias com princípios constitucionais e impediram através de mecanismos jurídicos que fossem cumpridos deixando o país num limbo legal que perdura por longos 26 anos. A constituição de 88 foi escrita para que os dois blocos existentes na época se revezassem no poder e nele se mantivessem através de alianças partidárias abençoadas pela justiça eleitoral, a única instância jurídica que foi completamente adaptada à nova constituição para satisfazer os desejos dos políticos e dos lobbies que representam. Quer um exemplo disso? José Sarney era um dos papas da ARENA, o partidão de extrema direita que apoiava os milicos golpistas. Quando a água começou a entrar na canoa furada da ditadura, juntou-se com outros políticos de direita e fundou o PDS que depois se dividiu e deu origem ao PFL onde o maranhense foi um dos capos. Quando houve o problema da sucessão de Tancredo Neves (PMDB), eleito pelo colégio eleitoral em 1984 e que não chegou a assumir o posto vindo a adoecer dias antes da posse, Sarney, para assumir em seu lugar, sendo seu vice, teve que mudar para o PMDB senão a transição entre o governo militar e o governo civil iria para o brejo pois a maioria do povo e do congresso não aceitavam mais um arenista no governo. E chegou chegando, como chefe. Dá para entender? Esse clima de conchavos e alianças espúrias existe desde sempre só que desde que esta geração de políticos herdeiros da ditadura tomou conta do cenário a coisa ficou muito pior porque eles tem o modus operandi da ditadura, do cala boca, do uso da força e da truculência verbal e até física. E eles conseguiram sacralizar esta operacionalidade na constituição. Assim, vc vota no PT de de repente aparece o Lula de abraços com o Maluf e com a bancada evangélica porque as regras constitucionais para que haja a famosa governabilidade determinam que vc tem que ter a maioria dos votos independente de partidos para conseguir governar. Essa é a formula da esbórnia legalizada. Isso vira num grande bordel político e sem quase ideologia alguma. E foi contra este tipo de comportamento altamente prostituído da classe política que o povo foi às ruas em Junho do ano passado mas até as manifestações que inicialmente foram espontâneas e apartidárias se transformaram em ringue de embate partidário sendo encampadas por setores da extrema direita e da extrema esquerda. E o povo fugiu das ruas e no seu lugar ficaram os black blocs e trombadões pilhando e ateando fogo a ônibus e prédios públicos.
    A única medida sensata que vi na época foi proposta pela presidenta Dilma: a convocação de uma constituinte para que seja feita a reforma da constituição. Precisamos de reforma política, da educação, do código civil, financeira, etc, etc, etc. E o que aconteceu? A direita, capitaneada pela mídia PIG gritou aos 4 ventos que ela era golpista e queria transformar o Brasil num Cubão, que queria dar um golpe comunista e mais um montão de mentiras que dá até para imaginar que tipo de ácido esse povo toma. E dentro do seu próprio partido e dos partidos aliados os ilustres políticos não foram a favor da idéia porque reformar a constituição significa, a estas alturas da nossa vida como nação, retirar a maioria dos privilégios dessa classe que não faz quase nada em favor da população e que já chega às casas legislativas e executivas com uma dívida de campanha enorme para pagar e com seus rabinhos muito bem presos para com os grupos que os patrocinam. Só que chegamos a um impasse: o país tem que se modernizar e esta modernização só acontece se as instituições forem modernizadas e tudo isto passa por reformas. Chegamos ao ponto do: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
    Não gosto dos conchavos que o PT tem feito em nome da governabilidade principalmente em relação aos direitos fundamentais das minorias: LGBTs, crianças, mulheres, negros, mestiços e imigrantes. Deixar correr solta a imbecilidade de ruralistas, evangélicos e outros grupelhos que nos envergonham é de deixar qualquer um indignado. Mas, a estas alturas do campeonato, quando a direita tupiniquim conectada com a direita internacional tem urgência em jogar o país novamente sob os saltos do sistema financeiro internacional e retomar o processo da venda de todos os bens públicos – principalmente do pré-sal – em nome de uma teoria político-econômica (neoliberalismo) que só é benéfica aos detentores do grande capital, devemos pensar bem antes de embarcar em algum Titanic político capitaneado por Sassás mutemas que desde sempre apregoam o catastrofismo e o apocalipse do Brasil. Fizeram isto com a Copa e passaram vergonha. Jabor, Ronaldo, Aécio, Constantino, etc se transformaram em verdadeiros Zés do apocalipse e hoje tem que amargar o desmascaramento que os fatos se lhes impuseram. Vivem falando mal de tudo, até dos médicos estrangeiros que se dispõem a trabalhar em lugares onde os médicos Brasileiros não querem ir e que hoje assistem a populações que sequer sabiam o que era ter um médico em sua vila. Essa galera não quer democracia, quer ver o circo pegar fogo, só que o povo não quer isso. A maioria quer ter seus direitos respeitados e sem confusão. Hoje mesmo, assistindo a alguns telejornais e lendo matérias na internet, fiquei feliz em ver que a campanha da vira-latice que alguns setores quiseram insuflar na alma do povão depois da surra dos 7 x 1 não colou. O povo não está tão animado como se a seleção fosse jogar a final disputando o título. Mas não entrou na onda negativista da urubuzada e está torcendo e apoiando a garotada para que vão com mais confiança enfrentar os laranjas amanhã. Vai ser pedreira e todo mundo sabe disto. E muitos sabem que talvez nos caiba por méritos um simples 4° lugar. Mas estarão lá, alguns poucos afortunados no estádio, outros milhões em casa torcendo pela equipe porque sabem que aquilo ali é uma competição esportiva e não uma guerra político-partidária.
    Eu, de minha parte, como socialista que sempre fui, vou dar ainda um voto de crédito à Dilma em Outubro. Mas eu sei cobrar. Eu encho o saco, escrevo, reclamo, sugiro, converso com pessoas de dentro do governo. Minha participação não se restringe ao ato da eleição. Eu acompanho todo o processo que vem depois. E é em nome das reformas que todos queremos e do fortalecimento das alianças políticas internacionais que podem nos beneficiar, como os BRICs, como a criação de um fundo internacional que sirva de alternativa ao FMI e ao sistema financeiro sujo que manda no mundo que eu ainda não joguei a toalha. Eu já vivi bastante para ter testemunhado épocas distintas neste país e digo uma coisa: o Brasil de hoje é muito melhor do que o Brasil de 20 anos atrás. E as pessoas tem que se habituar com padrões melhores e cada vez procurarem por padrões mais altos. antigamente o que mais se ouvia do governo era: não temos recursos, tal coisa é impossível, não sabemos, não temos como informar, blablablá. E o povo lá, de saco cheio e amargando a vidinha. Mas essas mudanças vão ocorrendo. Devagar porque certas coisas e certos padrões estão enraizados na nossa cultura e levam tempo para serem mudadas. Tal como no caso do açougueiro que lhe atendeu mal porque vc não deu a caixinha. Acho que vc perdeu uma ótima oportunidade de botar a boca no mundo e dar uma lição nesse sujeito. Há umas semanas eu passei por uma situação parecida. Fui comprar patinho para fazer um arroz carreteiro e fui atendido por uma açougueira, uma senhora de meia idade. Ela me convenceu a levar um pedaço da carne com osso porque era mais barato do que o mesmo corte sem osso. Confiei na recomendação dela e levei um pedaço que ela, por detrás do balcão me mostrou. Lindo, vermelhinho, com um pedaço pequeno de osso aparecendo. Deu mais de 2kg. Lá fui eu feliz da vida com a carne para casa. No dia seguinte quando fui preparar a carne para fazer o arroz eu desempacotei e quase tive um troço: do outro lado bonitinho da carne havia um mega pedaço de osso e quase todo o sebo do boi pendurado nele. Limpei a carne, separei tudo e pesei: 820gr de carne x 1,3kg de osso e pelancas e sebo. Separei os restos, embrulhei e voltei ao supermercado munido da nota fiscal e fui falar com o gerente que, claro, quis me dar um rolê mas ao ouvir as palavras mágicas PROCON e imprensa transformou-se num lord britânico, oferecendo até cafezinho. Fomos ao açougue e ele chamou a tal senhora – uma italiana que fala alto pra danar – e ela já começou a tirar o dela da reta dizendo que tinha mostrado o pedaço, etc. Eu a desmenti com a maior calma e ainda citei uma lei que diz que nenhum aditivo aponevroso (pelanca ou ossos) pode exceder a 20% do peso do produto. No que ela cochichou ao gerente: “mas eu só fiz o que vcs mandam!” Sabe como terminou a história? Milhões de desculpas acompanhadas de um “brinde” de 3kg de alcatra limpinha e um pedido insistente para que o fato não fosse parar no PROCON. É isso aí. Comigo ninguém fura fila, sacaneia ou faz coisas do tipo porque eu reclamo e sustento a bronca. Se as pessoas fossem mais incisivas em defender seus direitos e não tivessem medo de um barraco light de vez em quando, a malandragem pensaria duas vezes antes de aprontar. Só tem malandro porque existem os que se deixam enganar.
    Um abraço e um bom fim-de-semana.

    1. Philipe,
      Já há algum tempo venho notando que vc quer fazer política em alguns artigos. Faça. Nada mais justo mesmo porque o blog é seu e assumir um lado A ou B não desmerece em nada seu excelente trabalho como blogueiro e este é um direito que lhe assiste.

      Pois é. Enquanto brasileiro, sustentador do governo e sujeito aos desmandos, às ideias tortas e a má gestão pública nos mais variados níveis, é difícil não meter o pau, até porque como eu votei na Dilma, acho que fui enganado, ludibriado e feito de babaca. Assim, é mais que minha obrigação expor meu ponto de vista e indignação com o PT que sempre exortou uma ideologia e viajou na contra-mão dela assim que ascendeu ao poder.

      No entanto, reproduzir uma fala como a do diabo, atribuída à presidenta Dilma, para quem sempre levanta dúvidas sobre a veracidade de coisas “gump” no blog, é de uma inocência perigosa pois reproduz uma inverdade – para usar um eufemismo. E todo aquele discurso sobre o diabo, então… Essas “pérolas” que circulam feito esgoto transbordado em dias de enxurrada quando as eleições se aproximam só servem para desqualificar e empobrecer o debate.

      Aqui não entendi o que você quis dizer. “Atribuída?” Está sugerindo que Dilma não disse isso? Isso aqui ó?http://youtu.be/-THVHI0yblw

      A questão destas alianças espúrias entre partidos que aparentemente se odeiam nada mais é do que a herança da constituição de 1988 redigida pelo PDS/PFL (extrema direita), PMDB (centro esquerda) e militares como condição sine qua non para que o país pudesse ir adiante sem maiores traumas depois de uma ditadura grotesca que o atrasou em todos os sentidos, numa época em que a economia agonizava e todos os problemas que um país podia apresentar batiam à porta da nação pedindo por soluções. Escreveram um texto bonito, moderno, cheio de vanguardismos e firulas; misturaram leis ordinárias com princípios constitucionais e impediram através de mecanismos jurídicos que fossem cumpridos deixando o país num limbo legal que perdura por longos 26 anos. A constituição de 88 foi escrita para que os dois blocos existentes na época se revezassem no poder e nele se mantivessem através de alianças partidárias abençoadas pela justiça eleitoral, a única instância jurídica que foi completamente adaptada à nova constituição para satisfazer os desejos dos políticos e dos lobbies que representam.

      Verdade; Mas ainda mais indigesto para o povo é que o PT passou décadas criticando e apontando o dedo para esses caras, denunciando a forma como eles agiam. Mas assim que assume o poder o que faz? O toma lá, dá cá. Feirão do ministério.

      Quer um exemplo disso? José Sarney era um dos papas da ARENA, o partidão de extrema direita que apoiava os milicos golpistas. Quando a água começou a entrar na canoa furada da ditadura, juntou-se com outros políticos de direita e fundou o PDS que depois se dividiu e deu origem ao PFL onde o maranhense foi um dos capos. Quando houve o problema da sucessão de Tancredo Neves (PMDB), eleito pelo colégio eleitoral em 1984 e que não chegou a assumir o posto vindo a adoecer dias antes da posse, Sarney, para assumir em seu lugar, sendo seu vice, teve que mudar para o PMDB senão a transição entre o governo militar e o governo civil iria para o brejo pois a maioria do povo e do congresso não aceitavam mais um arenista no governo. E chegou chegando, como chefe. Dá para entender? Esse clima de conchavos e alianças espúrias existe desde sempre só que desde que esta geração de políticos herdeiros da ditadura tomou conta do cenário a coisa ficou muito pior porque eles tem o modus operandi da ditadura, do cala boca, do uso da força e da truculência verbal e até física.

      Entendo totalmente, foi o que eu disse. O jogo do poder e Brasília é sempre assim. E por isso as pessoas cada vez mais tem nojo da política.

      E eles conseguiram sacralizar esta operacionalidade na constituição. Assim, vc vota no PT de de repente aparece o Lula de abraços com o Maluf e com a bancada evangélica porque as regras constitucionais para que haja a famosa governabilidade determinam que vc tem que ter a maioria dos votos independente de partidos para conseguir governar.

      Exatamente. Horrível. Um governante joga sua história de luta e combate a todo um universo ideológico e o abraça em prol de seus interesses. Eu escrevi aqui sobre isso na época dizendo que o Lula tinha cometido suicídio. De fato cometeu. Para muita gente o Lula histórico morre ali, dando origem ao lulinha paz e amor e um pouquinho de sacanagem, que é o lula do “eu não sabia”, do “fodam-se eles desde que eu não me estrepe”, do lula que vira quase um assessor do Eike Batista, do Lula que intervém usando prestígio político na África para liberar igrejas evangélicas brasileiras, impedidas de atuar por lá por seres ESTELIONATO… Enfim, um Lula no qual certamente as pessoas não votaram. Elas votaram num lula de fantasia construído pelo marketing. Um cara detestável e arrogante, que não hesita em falar as maiores burrices que envergonhariam qualquer nação para justificar o que ele faz. A questão que eu levanto é se o PT precisava mesmo fazer essas alianças. Penso que não, afinal é um partido de muita força, mas que vem decaindo miseravelmente devido não à propaganda da oposição, porque para a sorte do PT a oposição é tão eficiente quanto os Três Patetas. Mas os dois governos da Dilma foram marcados por mancadas fabulosas, a começar pelo fato de que ela foi vendida para o povo como “A gestora”, a “Mãe do Pac”… E o PAC virou uma grande e infame piada. Tem obra no PAC cujo atraso já passa dos 6 anos… Até agora só 9% do plano foi concluído. É uma piada para aquela que seria uma “grande gestora”. Dilma não conseguiu gerir bem nem sua lojinha de 1,99. POr outro lado, culpar só a Dilma por tudo que há de ruim e atrasado neste país é o cúmulo da burrice e desconhecimento da História. Tivemos bons e significativos avanços durante a era do PT. Do mesmo jeito que as vantagens não são só provenientes do que Lula e Dilma fizeram (ao contrário do que eles gostam de arrotar por aí), as merdas também não são creditadas somente a eles.

      Essa é a formula da esbórnia legalizada. Isso vira num grande bordel político e sem quase ideologia alguma. E foi contra este tipo de comportamento altamente prostituído da classe política que o povo foi às ruas em Junho do ano passado mas até as manifestações que inicialmente foram espontâneas e apartidárias se transformaram em ringue de embate partidário sendo encampadas por setores da extrema direita e da extrema esquerda. E o povo fugiu das ruas e no seu lugar ficaram os black blocs e trombadões pilhando e ateando fogo a ônibus e prédios públicos.

      Verdade. Foi um período em que a indignação começou a ganhar força. O povo está ficando de saco cheio. Triste é que aquilo foi quase como um “último suspiro da cidadania”. Hoje só vejo gente deprimida, muitos alegando que a unica saída para este país é pelo aeroporto. Infelizmente, não posso recriminar quem pensa isso. Minha vontade diversas vezes é esta, principalmente quando vejo o clientelismo dominando o governo, ações entre amigos rolando direto, verdadeiras excrescências com o dinheiro público… Compra de votos, maracutaias de todos os tipos, em esfera federal, estadual e municipal… É foda. Veja o panorama dos candidatos a governador do Rio… Só gente da pior qualidade.
      Hoje, infelizmente, há pouco espaço para germinar a esperança.

      A única medida sensata que vi na época foi proposta pela presidenta Dilma: a convocação de uma constituinte para que seja feita a reforma da constituição. Precisamos de reforma política, da educação, do código civil, financeira, etc, etc, etc. E o que aconteceu? A direita, capitaneada pela mídia PIG gritou aos 4 ventos que ela era golpista e queria transformar o Brasil num Cubão, que queria dar um golpe comunista e mais um montão de mentiras que dá até para imaginar que tipo de ácido esse povo toma. E dentro do seu próprio partido e dos partidos aliados os ilustres políticos não foram a favor da idéia porque reformar a constituição significa, a estas alturas da nossa vida como nação, retirar a maioria dos privilégios dessa classe que não faz quase nada em favor da população e que já chega às casas legislativas e executivas com uma dívida de campanha enorme para pagar e com seus rabinhos muito bem presos para com os grupos que os patrocinam. Só que chegamos a um impasse: o país tem que se modernizar e esta modernização só acontece se as instituições forem modernizadas e tudo isto passa por reformas. Chegamos ao ponto do: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

      Fato. Sem reforma política, não há futuro decente para este país. Estaremos sempre na mão de ratos.

      Não gosto dos conchavos que o PT tem feito em nome da governabilidade principalmente em relação aos direitos fundamentais das minorias: LGBTs, crianças, mulheres, negros, mestiços e imigrantes. Deixar correr solta a imbecilidade de ruralistas, evangélicos e outros grupelhos que nos envergonham é de deixar qualquer um indignado. Mas, a estas alturas do campeonato, quando a direita tupiniquim conectada com a direita internacional tem urgência em jogar o país novamente sob os saltos do sistema financeiro internacional e retomar o processo da venda de todos os bens públicos – principalmente do pré-sal – em nome de uma teoria político-econômica (neoliberalismo) que só é benéfica aos detentores do grande capital, devemos pensar bem antes de embarcar em algum Titanic político capitaneado por Sassás mutemas que desde sempre apregoam o catastrofismo e o apocalipse do Brasil.

      Discordo em parte dessa ideia. Não vi até hoje nenhum político sugerir que devemos nos submeter ao FMI. mas é o que vai acontecer invariavelmente se continuarmos seguindo na rota onde o estado gasta mais do que arrecada. E a era PT inchou gravemente a máquina pública. Eu acho graça da galera que teme que o governo de direita venda a Petrobrás, porque, meu… A Petrobrás tem ações na bolsa, e um volume monumental dessas ações já está na mão de investidores internacionais. Vendemos a Petrobrás em pedacinhos. E nem vou mencionar as cagadas nojentas que vem sendo feitas como aquela refinaria, que é assunto velho, e que foi requentado pela oposição, que não é lá muito bem articulada. Eu penso que a oposição ao governo do PT é muito primário e desarticulado. Quase como a seleção brasileira. Quase sempre é o roto falando do mal lavado. Por outro lado acho patético o comportamento petista de querer se eximir de suas culpas criando inimigos “invisíveis”, e estimulando o medo, como aquelas propagandas onde o sujeito se vê pobre, um futuro que a propaganda faz questão de criar como sendo a realidade da oposição. Aquilo é marketing político muito pobre, mas que funciona, porque a base eleitoral é ignorante mesmo. Mas o que aos olhos dum marqueteiro de campanha é resultado, eu vejo como tirar proveito da ignorância do povo, e não posso aceitar que um partido que tenha defendido a ética em algum momento de sua história lance mão deste tipo de ação. Ninguém mais que o Pt hoje lança mão do catastrofismo. Por outro lado, o próprio PT vem flertando com Venezuela e Cuba fortalecendo aquele projeto bolivarianista da América do Sul. Com apoio político ao Maduro, com médicos cubanos (que nada mais é que um repasse de dinheiro para a ilha do Fidel) e obras faraônicas lá como o porto de Mariel, é de se esperar que muita gente tema pelo futuro, haja visto que todo mundo que vem aderindo ao Bolivarianismo só se fode, vide Argentina.
      Os grandes detentores do capital que você cita, em geral são os banqueiros… E nem preciso dizer que desde SEMPRE os banqueiros se dão bem, e nunca estiveram tão bem, aliás. Nossos bancos privados vem batendo recordes mundiais de lucratividade. O Brasil é a festa do “pega otário”. Olha o juros do cartão de crédito… Cadê a ação efetiva do governo para segurar isso? Nada. De modo que todos esses anos de PT não serviram para resolver isso, o que não lhes dá uma boa credencial para atacar quem quer que seja da direita. Aliás, o PT não é esquerda porra nenhuma, né?

      Fizeram isto com a Copa e passaram vergonha.

      Nessa eu discordo completamente. Ao meu ver, quem previu um fiasco acertou. Foi um fiasco. O que deu certo? O que estava sendo gerenciado pela FIFA. Os aeroportos não ficaram prontos no prazo, os estádios ficaram prontos a toque de caixa, com estouro de orçamento em quase todas as obras. Isso é algo a comemorar por acaso? O Galeão ta cheio de tapumes, cara. É ridículo! O governo precisou dar feriados, porque as cidades tem um sistema de transporte tão precário e ineficiente que a cidade iria parar. Isso não é sucesso, véio. Isso é fracasso. O governo está comemorando que não teve metralhadora, bombas e guerra civil nas ruas. Isso é sucesso onde? Isso é vantagem onde? A maioria dos projetos de mobilidade urbana que acompanhavam os planos do legado evaporaram. E o Lula chamou de “otários” os eleitores, quando questionado por que as pessoas não poderiam ir de metrô até perto do estádio como estava em muitos projetos. Segundo ele, quem quer torcer vai apé, vai no lombo de burro, dá seu jeito. Isso pra mim é confissão de incompetência. Na maioria dos países sérios, quando um país se compromete em fazer uma obra ele faz, no orçamento e no prazo. Por que aqui não conseguimos fazer porra nenhuma no orçamento e no prazo? Porque não temos planejamento eficiente, porque os orçamentos são desenvolvidos no chute e acima de tudo porque os empreiteiros que vivem dessa máquina sabem como ela funciona e exploram essas brechas, porque, é claro, isso é do interesse pessoal de muitos políticos ligados a “esquemas”.
      O que fez as coisas funcionarem para a copa ser considerada um sucesso foi: Os turistas e sua animação para com a festa, que contagiou os brasileiros. A receptividade nata dos brasileiros. Os jogos com muitos gols. O controle da FIFA no que ela precisava controlar.

      Jabor, Ronaldo, Aécio, Constantino, etc se transformaram em verdadeiros Zés do apocalipse e hoje tem que amargar o desmascaramento que os fatos se lhes impuseram. Vivem falando mal de tudo, até dos médicos estrangeiros que se dispõem a trabalhar em lugares onde os médicos Brasileiros não querem ir e que hoje assistem a populações que sequer sabiam o que era ter um médico em sua vila.

      Sim, mas vamos pensar: Por que os médicos brasileiros não querem ir para esses rincões? Eu digo: Porque lá a vida é uma MERDA. Falta tudo. Porque o cara vai estudar feito um miserável para ir trabalhar num lugar sem a minima condição. Muitos desses lugares sem o saneamento básico mínimo. O papel do governo era o que? resolver o problema. Mas em vez disso ele maquia o cocô, importando mão de obra semi-escrava de Cuba.
      Os caras vem pra cá sem férias, sem 13, sem FGTS, sem muitos direitos garantidos, como o de ir e vir e ainda por cima se pedir demissão volta pra ilha e tem que devolver o dindim, que por acaso é vergonhosamente pouco. O salario dele é confiscado em 70%, tem o passaporte apreendido, sua casa é vigiada e sua família recebe míseros R$ 100.
      Mesmo com tudo isso, mesmo com 70% do dinheiro do “médico” indo para o governo cubano, os nossos governantes acham uma grande vantagem mandar 320 milhões de reais pra ilha deles. E antes fosse só isso. Nos últimos sete anos, portanto durante boa parte da era PT, o ritmo dos agradinhos à Cuba só aumentou, aliás, triplicou. Em 2006, foram 676 milhões, em 2010, 1 bilhão, em 2012 1,8 bilhão… Em 2013 teve até projeto com repasses secreetos para Cuba, ou seja, dinheiro brasileiro para outro país com repasses secretos? Isso tinha que dar cadeia! E nem vou mencionar outras merdas, como perdões de dívida de países da África que não merecem perdão porra nenhuma. É por conta de merdas assim que não voto no PT nunca mais. Eles traem o Brasil.

      Essa galera não quer democracia, quer ver o circo pegar fogo, só que o povo não quer isso.

      Cara nunca vi nenhum desses dizer que quer ditadura. Logo só posso imaginar que querem democracia. Também não imagino a opinião do povo sobre eles, mas considerando que a massa do povo tem baixa escolaridade e só lê caderno de esportes, eu suporia que a ampla maioria do povo nem sabe quem são esses caras. Talvez só o Jabor porque ele aparece na televisão. Ser contra o governo, criticar as falhas de quem está no poder com o cetro na mão, mal gerindo recursos não é querer ver “circo pegar fogo”. Se for assim, então eu to nesse grupo, afinal, apesar de ser um dos culpados por esta merda aí -já que assumo que votei na Dilma porque o Serra, oponente dela, tinha um projeto de governo falho e vago – eu também marreto o que eu não concordo. Mas eu não quero, jamais ver circo pegar fogo. Eu quero mesmo é alternância do poder, porque ela é salutar. Não quero um país coo Venezuela, onde a esquerda se instalou no poder num esquema de “dinastias”, fechando canais e jornais de oposição e usando a força para não largar o osso.

      A maioria quer ter seus direitos respeitados e sem confusão.

      Sim, eu sou um! Mas mais que isso, eu quero também ver o cara que tá fodido sendo bem tratado, porque eu pago caro pra isso com meu imposto.

      Hoje mesmo, assistindo a alguns telejornais e lendo matérias na internet, fiquei feliz em ver que a campanha da vira-latice que alguns setores quiseram insuflar na alma do povão depois da surra dos 7 x 1 não colou. O povo não está tão animado como se a seleção fosse jogar a final disputando o título. Mas não entrou na onda negativista da urubuzada e está torcendo e apoiando a garotada para que vão com mais confiança enfrentar os laranjas amanhã. Vai ser pedreira e todo mundo sabe disto. E muitos sabem que talvez nos caiba por méritos um simples 4° lugar. Mas estarão lá, alguns poucos afortunados no estádio, outros milhões em casa torcendo pela equipe porque sabem que aquilo ali é uma competição esportiva e não uma guerra político-partidária.

      Fato. Eu fui um que corri para dizer o que penso no post sobre torcer a favor ou contra o a Seleção Brasileira. Seleção não é país, seleção não é governo. É importante o povo perceber que copa do mundo e governo são coisas dissociadas. Perder não vai foder a eleição da Dilma, (pelo menos não deveria) e muito menos se ganhasse, acho que ela não deveria tentar tirar partido disso. A copa não é do governo federal. A copa é da FIFA, uma empresa privada. Não ganhamos porque jogamos mal um futebol tecnicamente sofrível. O governo não tem NADA com isso. Nem para o bem e nem para o mal. Hoje ouvi no radio Dilma dando pitaco dizendo que o país precisa de um investimento no futebol, uma reforma futebolística. Acho graça que nesse momento de comoção o marqueteiro de campanha dela tenha tido esta ideia – já que duvideodó que Dilma entenda muito desse esporte – aliás, Dilma sempre se deu mal com a CBF.

      Eu, de minha parte, como socialista que sempre fui, vou dar ainda um voto de crédito à Dilma em Outubro.

      Eu não dou voto a ela nem a ninguém daquela corriola dela nunca mais, nem fodendo. Não sou socialista, sou capitalista até o osso, e acho que esta é a única saída para melhorar este país. O que fode ele não é o regime político, é a safadeza e a falta de ética. Não posso votar em quem requenta promessas da campanha anterior como se fossem novidade. Prometeu e não cumpriu, velho… Acabou. A minha confiança no PT já era!

      Mas eu sei cobrar. Eu encho o saco, escrevo, reclamo, sugiro, converso com pessoas de dentro do governo.

      Tá certo isso, e é o que todo mundo tem que fazer, independente do partido que ganhar.

      Minha participação não se restringe ao ato da eleição. Eu acompanho todo o processo que vem depois. E é em nome das reformas que todos queremos e do fortalecimento das alianças políticas internacionais que podem nos beneficiar, como os BRICs, como a criação de um fundo internacional que sirva de alternativa ao FMI e ao sistema financeiro sujo que manda no mundo que eu ainda não joguei a toalha. Eu já vivi bastante para ter testemunhado épocas distintas neste país e digo uma coisa: o Brasil de hoje é muito melhor do que o Brasil de 20 anos atrás.

      Beleza… Mas você concorda que estarmos muito melhor que o brasil de 20 anos atrás não é nada mais que nossa OBRIGAÇÃO. Uma nação como o Brasil, do tamanho que é, com as riquezas que tem, com todo o potencial reprimido que tem… Porra a gente tinha que estar MUITO, MUITO MESMO, PRA CARALHO lá na frente. Não era para ter analfabeto mais nessa porra. Nem era para estar essa vergonha que é nossa taxa de educação, nosso saneamento básico. BÁSICO! Anda não resolvemos o caralho do básico! Reclamar disso não é ser pessimista, é ser realista. O crescimento do pib hoje é uma piada. Muitos setores e analistas internacionais já apontam para uma “morte” do nosso país nos próximos dois anos. Se isso é motivado pela eleição, se é do jogo mais canhestro, eu realmente não sei. O que eu sei é que o panorama macroeconômico tá foda.

      E as pessoas tem que se habituar com padrões melhores e cada vez procurarem por padrões mais altos. antigamente o que mais se ouvia do governo era: não temos recursos, tal coisa é impossível, não sabemos, não temos como informar, blablablá. E o povo lá, de saco cheio e amargando a vidinha. Mas essas mudanças vão ocorrendo. Devagar porque certas coisas e certos padrões estão enraizados na nossa cultura e levam tempo para serem mudadas. Tal como no caso do açougueiro que lhe atendeu mal porque vc não deu a caixinha. Acho que vc perdeu uma ótima oportunidade de botar a boca no mundo e dar uma lição nesse sujeito. Há umas semanas eu passei por uma situação parecida. Fui comprar patinho para fazer um arroz carreteiro e fui atendido por uma açougueira, uma senhora de meia idade. Ela me convenceu a levar um pedaço da carne com osso porque era mais barato do que o mesmo corte sem osso. Confiei na recomendação dela e levei um pedaço que ela, por detrás do balcão me mostrou. Lindo, vermelhinho, com um pedaço pequeno de osso aparecendo. Deu mais de 2kg. Lá fui eu feliz da vida com a carne para casa. No dia seguinte quando fui preparar a carne para fazer o arroz eu desempacotei e quase tive um troço: do outro lado bonitinho da carne havia um mega pedaço de osso e quase todo o sebo do boi pendurado nele. Limpei a carne, separei tudo e pesei: 820gr de carne x 1,3kg de osso e pelancas e sebo. Separei os restos, embrulhei e voltei ao supermercado munido da nota fiscal e fui falar com o gerente que, claro, quis me dar um rolê mas ao ouvir as palavras mágicas PROCON e imprensa transformou-se num lord britânico, oferecendo até cafezinho. Fomos ao açougue e ele chamou a tal senhora – uma italiana que fala alto pra danar – e ela já começou a tirar o dela da reta dizendo que tinha mostrado o pedaço, etc. Eu a desmenti com a maior calma e ainda citei uma lei que diz que nenhum aditivo aponevroso (pelanca ou ossos) pode exceder a 20% do peso do produto. No que ela cochichou ao gerente: “mas eu só fiz o que vcs mandam!” Sabe como terminou a história? Milhões de desculpas acompanhadas de um “brinde” de 3kg de alcatra limpinha e um pedido insistente para que o fato não fosse parar no PROCON.

      De fato eu não falei nada com o cara. Fiquei constrangido e não reagi. Apenas disse que não ia dar. Depois em casa, mandei um email para a empresa onde informei que eles estão pedindo dinheiro aos clientes e perguntei se fazem isso é porque ganham mal. O mercado não me deu resposta ainda. Vamos ver se me deixarão no vácuo ou não. Coibir o excesso do funcionário é obnrigação do contratante, não minha. No seu caso com o açougue e a safada, acho que no fim eles te compraram! Tentaram te usar, você botou a boca no mundo, reclamou, ameaçou usar a lei contra eles. Aí eles te ofereceram uma vantagem em troca do seu silêncio para poderem continuar a dar o golpe e você financiou isso com seu silêncio.

      É isso aí. Comigo ninguém fura fila, sacaneia ou faz coisas do tipo porque eu reclamo e sustento a bronca. Se as pessoas fossem mais incisivas em defender seus direitos e não tivessem medo de um barraco light de vez em quando, a malandragem pensaria duas vezes antes de aprontar. Só tem malandro porque existem os que se deixam enganar.
      Um abraço e um bom fim-de-semana.

      Furar fila é outra bosta… Toda vez que viajo vejo neguinho quase bater no meu carro (pq eu fecho o espaço para o malandrão) tentando sair do acostamento onde eles tentam furar a fila. Isso é uma coisa que me deixa genuinamente puto. Espertos de estrada são uma merda.

    2. Cara, li seu comentário inteiro, e respeito sua opinião. Não concordo com ela, mas a respeito. Pra mim o PT traiu o país com certas ações, e mesmo nunca tendo votado neles, me fez nunca mudar de idéia. E antes que vc fale, não sou PSDB também. Acho que pra um governo que arrecada mais de UM TRILHÃO de impostos por ano, deveríamos no mínimo estar muito mais avançados do que hoje. Sim, estamos melhores do que a 20 anos atrás – mas é o que normalmente se espera, correto? Novamente, pra quem arrecada UM TRILHÃO (desculpe colocar sempre em caps, mas esse valor me impressiona cada vez que eu cito) de impostos por ano, estarmos “melhor” é o mínimo. Mas não é o suficiente, e por isso acho que tem que mudar. PSDB não fez crescer como deveria, PT também não…temos que mudar.
      Mas o que me fez comentar aqui e responder seu comentário foi o final dele…achei um tanto “engraçado”. Você expôs um problema que aconteceu com vc, onde o pessoal do mercado quis te passar a perna…e foi lá reclamar. Realmente, nesse ponto vc fez certo.
      Porém, vc perdeu todo o crédito quando aceitou o “brinde” deles pra ficar quieto…se rebaixou ao ponto deles. Se vendeu e saiu de lá como “o esperto”, exatamente como eles se sentem quando passam a perna em alguém que não reclama. Temos mania de apontar o dedo pra todo mundo que erra, mas esquecemos do nosso próprio rabo. Nessa história sua que vc contou, na minha opinião seu nível moral é exatamente o mesmo do dono do mercado, que tentou comprar seu silêncio. A corrupção está enraizada no brasileiro, e com a sua história vc comprovou isso – criticou veemente a atitude do mercado em te vender osso e pelanca pelo valor de carne, mas quando vc reclamou se deixou vender por um “brinde”. O que não difere muito de um político que recebe propina pra não delatar um esquema de fraude em qualquer projeto.
      E, pra finalizar, não acredito que só tenha malandro por causa dos que se deixam enganar. Acho que malandros existem também por pessoas que tem atitudes como a sua – de se vender ou não reclamar. Ou vc acha que o mercado não tentará fazer o que ele fez com vc com outro cliente?

    1. Eu concordo em todas as vírgulas.
      Dizer que a maioria do povo brasileiro é honesto é, no mínimo, incorreto. Eu também não diria que é desonesto mas que é ignorante demais para perceber o que é o correto. Assim como o caso do Fernando e o mercado.
      Ninguém pode se considerar honesto se prefere pagar sem nota fiscal porque sai mais barato, atravessa sinal vermelho (sim, atravessar sinal vermelho é errado, mesmo que não tenha nenhum guarda para multar), é comprar produto pirata, trair (todo tipo) e, até, colar na prova.
      Na sua essência, qualquer ato “consciente” que passa por cima das regras é desonesto. Mesmo0 que esta régra esteja errada. Se está errada, vamos muda-la. Mas, até lá, temos que respeitar.
      A grande maioria do povo é tão pouco instruída que acha que só porque todo mundo faz, também pode fazer.
      E os políticos se aproveitam disso para manipular a grande massa vendendo dentaduras (ou bolsa família) em troca de voto. Afinal, se eles podem, porque eu não.
      Até entendermos que devemos respeitar as regras poque são regras e não porque tem alguém olhando, não cresceremos como pessoas e, consequentemente como povo.
      Somente depois disso termos “moral” para cobrar dos governantes que hajam com respeito aos seus eleitores.
      Fica aqui um frase de George Bernard Shaw para reflexão: “É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada”.

  6. De todos os problemas que vejo no PT, o pior do meu ponto de vista é o discurso mentiroso, baseado em idéias democráticas, mas a simpatia descarada por ditaduras de esquerda.

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