Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp

Quando eu era mais novo, na escola, rolou uma atividade da aula de artes que era fazer um comercial. Os alunos tinham que criar um produto e em seguida, criar uma propaganda para ilustrar o produto.

Lembro que na minha carteira, quando ouvi aquilo, um sonho se criou na minha mente. Era a minha grande chance. Eu faria algo incrível, tão impressionante e realista que deixaria toda a escola, o bairro e talvez até o país boquiaberto. Eu seria descoberto e aclamado como um dos maiores diretores de cinema do mundo. George Lucas e Steven Spielberg pagariam tributos para trabalhar comigo.

Aquela era a chance que eu esperava, para mostrar que não era só um boçal com bigodinho de Cantinflas e ruim de Matemática. Eu me vingaria de todos que riram do meu veto. Eu mostraria a eles o meu valor. Eu seria enfim alguém. O maior diretor de cinema de todos os tempos!

Com desprezo, olhei meus amigos se articulando em grupinhos. Pobres e fracos mortais.

Olhei ao meu redor e percebi – pela primeira vez com grande satisfação – que ninguém da sala queria fazer o trabalho comigo. Eu estava avulso.

Avulso como eu queria!

Enquanto os meus amigos faziam carros que voavam, prédios submarinos e toda sorte de produtos idiotas e  improváveis, eu resolvi criar um produto que fosse factível. Eu sabia que os motoristas de caminhão tomavam remédios para emagrecer, visando o efeito colateral, a insônia desgraçada que os famosos “arrebites” causam. Após pesquisar o cotidiano dos motoristas de caminhão, eu soube que eles dirigiam muitas horas, em uma jornada de trabalho insana, sem descanso. Muitos deles tomavam café com coca-cola, outros mascavam chicletes, tudo para espantar o sono.

Eu vi nesse problema um mercado potencial (que ainda existe) para um chiclete que não deixava a pessoa dormir. Na fórmula, uma série de excitantes do sistema nervoso deixariam a pessoa acordada. Escrevi praticamente uma bula de remédio e submeti ao professor, como uma prévia do que ele poderia esperar.

O professor adorou minha ideia e aprovou o meu produto. Começava então a fase da campanha. O filme, que enfim, me deixaria famoso.

Ao ver que tinha um produto que não deixava a pessoa dormir, eu percebi que o caminho mais fácil seria usar o tio Freddy como garoto propaganda:

images (88)

Freddy era simpático (à sua própria maneira, claro) e era suficientemente bem humorado-cretino para vender um chiclete à prova de sono. Foi aí que começou a megalomania, o problema de sempre.

Enquanto os meus colegas da turma se contentavam em cartazes de cartolina, e mockups de espuma e isopor, eu resolvi fazer um comercial “de verdade”, para a Tv. O meu plano incluía contratar Robert Eglound, e com ele, fazer um video divulgando o meu chiclete.

Após muito trabalho (não existia internet ainda) descobri numa antiga edição de terror da revista SET o endereço de um estúdio em Los Angeles. Eu entrei em contato com o estúdio tentando – olha o grau de inocência do demente! – um contato direto com Robert Eglound, o ator que interpretava o Freddy Krueger. É óbvio que esta abordagem não funcionou. Até hoje estou sem respostas deles.

Vendo que o prazo se aproximava, eu busquei ajuda no único lugar que era possível: Em casa mesmo. Por sorte, minha mãe tinha um casaco listrado igual ao do Freddy. As linhas que deveriam ser pretas eram cinza, e um pouco mais estreitas, mas eu pensei que talvez fosse possível resolver isso colocando uma gelatina feita de papel celofane na frente da câmera, que deixaria tudo vermelho e o cinza viraria preto.

Eu levei uns dois dias construindo a luva. E ficou bastante parecida. Mas faltava o chapéu.

Vendo meu perrengue, minha mãe saiu comigo pelo Rio de Janeiro em busca de um chapéu para o Freddy. Minha mãe era mestre em apoiar as minhas maluquices. Andamos um dia inteiro pelo centro do Rio e quando achamos… O Chapéu era uma fortuna. Eu tinha uns trocados economizados da merenda. Não dava nem pra uma parcela do chapéu, mas a minha mãe comprou mesmo assim pra me ajudar.

O chapéu que mais parecia com o do Freddy  era um modelo PRADA. (pode imaginar a facada que foi?)

Aquilo acabou com TODO o orçamento da minha produção. Meus planos de contratar o dublador oficial do Freddy Krueger no Brasil foram para o ralo. Também não havia dinheiro para conseguir um ator.

O jeito foi convencer a minha mãe a virar o Freddy Krueger. Poucas mães do mundo se prestariam ao que ela fez. Foram seis horas ininterruptas de maquiagem, na qual eu converti minha mãe no monstro da série “A hora do pesadelo”.

Para fazer a maquiagem eu usei toneladas de algodão com goma laca. O acabamento foi feito usando base de maquiagem e corantes alimentícios. Infelizmente, não havia câmera digital nesta época, a máquina do meu pai vivia sem filme, e não há registros do resultado, mas eu asseguro a vocês que foi um dos trabalhos de maquiagem mais complexos que eu fiz na vida. Quando nós acabamos, não era mais minha mãe. Era o Freddy! Até hoje, quando me lembro, me impressiono da forma realista que ficou.

Minha mãe amarrou uma espécie de fita sobre os seios, sumindo com eles. Nós fiamos treinando um pouco e olhando de longe, era absolutamente impressionante o resultado. O celofane vermelho na frente da câmera (color correction de pobre) deu certinho como eu queria.

O problema todo era a questão da voz, pois por mais que ela tentasse faz uma voz de Freddy Krueger, tava claro que era a minha mãe, ou no máximo um Freddy Krueger gay.

A solução de última hora foi selecionar trechos aleatórios das falas do monstro no filme. Gravei com meu aparelho de som e montei usando fita cassete. No final, estávamos com frases (que não significavam nada) com a voz do Freddy original.

A ideia era essa. Minha mãe dublaria, e depois eu colocaria uma legenda com o texto do comercial.

Aí veio o problema. Minha mãe não conseguia dublar aquela porra nem pelo cacete. Ela começava bem, mas no meio da frase desatava a errar a mímica e saia a voz quando ela tava de boca fechada, hahaha. Quando ela finalmente acertou, vez um movimento mais empolgado com a luva e uma das garras saiu voando.

E nós fomos assim, filmando continuamente, uma cena atrás da outra, sem claquete (porque eu nem sequer sabia que isso existia) para tentar achar uma versão em que o meu “Freddy” acertasse. Minha mãe foi atriz de teatro, então pra ela não era difícil pegar o jeitão do Freddy. O duro era casar a interpretação dela com o Freddy pré gravado.

Foram umas vinte versões. Em nenhuma a minha mãe conseguia acertar a interpretação do Freddy. Quando ela finalmente pareceu acertar, deu uma puta duma desmunhecada e ficou o um “Freddy Krueger GLS”.

O mais hilário era que a cada erro eu gritava: Porraaaaaaaa!

Então era um troço que ficava assim: “Porra! – vai. Porraaaa! – vai, ação! Porraaaa…”

No fim, o chapéu estourou totalmente o orçamento e isso jogou por terra a minha pretensão de editar o vídeo, colocar a legenda e mandar dublar nos estúdios Ebert Richers.

Eu me senti um fracassado completo. O dia da apresentação chegou. Meus amigos estavam com seus cartazes e mockups babacas de espuma… E eu era um idiota que não tinha nada além de um vídeo de um Freddy Krueger gay ejetando navalhas ao som de um “porraaaaaa”.

Mas ante o risco de uma nota baixa, levei o vídeo para mostrar ao professor, na tentativa vã de que, ao me ver ali, humilhado, ele tivesse compaixão e me desse uma nota mínima, me deixando de lado na apresentação, de preferência, bem longe do resto da galera. Naquele dia, na hora em que bateu o recreio eu fui procurar o professor de artes. Encontrei-o na sala de artes, arrumando tudo.

Pedi licença para ter uma conversa com ele.

Ele veio sério, com cara de que iria ouvir o clássico “o cachorro comeu meu trabalho”. Mas eu contei a verdade dos fatos. Era importante pra mim expor meu fracasso previamente para não arriscar a pele em um novo vexame coletivo para toda a escola.

Ao ouvir minhas justificativas para o fracasso, o cara apenas ria. Eu não entendi aquilo. Achei que ele era retardado ou coisa parecida, pois eu estava li, diante dele, contando toda a minha desgraça de não conseguir contratar o ator de Hollywood, tendo que usar a mãe, gastando todo o dinheiro de meses de merenda num chapéu idiota e não podendo editar nem dublar e legendar o material bruto e o babaca apenas ria. E em seguida perguntava: “Você tá falando sério?”

Eu disse que sim. Ele ficou mais sério e disse que queria ver a fita. Meio sem graça eu peguei a fita na mochila e trêmulo, estendi pra ele.  Ele guardou e me liberou para voltar ao recreio.

Quando acabou a aula de Geografia da Arquidésia (juro, a mulher tinha este nome), chegou a hora da aula de artes. Todo mundo empolgado de mostrar seus comerciais. Algumas meninas até ensaiaram um teatrinho tosco lá…

Eu fui, na esperança de que, à aquela altura, o professor me olharia com piedade e conteria sua ânsia de me reprovar.

Logo que eu entrei na sala, dei de cara com um monolito negro no centro da sala de artes. Gelei. O monolito negro era uma pequena caixa com rodas, onde havia uma espécie de gaveta de onde podia se ver um videocassete. E acima, no interior de um compartimento fechado com chave, estava uma enorme TELEVISÃO.

Nunca me senti tão ferrado na vida quanto no dia que me deparei com o monolito de video do professor Jesuíno. Aquilo só poderia significar uma coisa. Algo seria exibido em video para os alunos… Algo que… Não, não é possível. O universo não poderia fazer isso comigo, né?

Tentei me acalmar, pensando que talvez alguém tivesse a ideia de gravar seus comerciais de espuma e isopor em casa. Afinal, câmera de VHS era algo caro, mas que muita gente tinha.

O professor nem olhava pra mim. Ele foi chamando e um a um, os grupinhos foram expondo seus comerciais. Tinha de tudo: carro que mudava de cor, avião que virava submarino… Eu fui ganhando confiança quando vi que o professor havia me pulado.

Quando tudo parecia ter terminado… Alguns já até levantavam para sair, o professor mandou todo mundo sentar em roda ao redor do aparelho do professor Jesuíno. E eu comecei a sentir que “a hora do pesadelo” era um nome apropriado para aquele meu projeto.

O professor me chamou lá na frente. Me senti um peixe. Foi como se um anzol invisível agarrasse meu pulmão e me tirasse fora da água. Mas tentando não pensar na situação, me levantei e dei alguns passos vacilantes em direção ao professor.

Ele apontou pra mim e disse ao pessoal: “Olha, turma. Este é o trabalho do Philipe.”

Me senti traído. Eu só queria que ele mantivesse aquela desgraça em segredo, mas ao contrário ele expôs para todo mundo ver.

Os alunos se espantaram de ver o making of (não se chamava making of, era a câmera que eu ligava de vez em quando  enquanto maquiava minha mãe) e à media em que minha mãe ia tendo a cara coberta de cola, algodão e base de maquiagem, eu vi os olhares ficando cada vez mais arregalados.

Se naquele colégio alguém ainda tinha duvidas da minha sanidade, aquele video acabava com toda e qualquer duvida.

Após a sessão de maquiagem, o professor pausou o video e fez uma mini-entrevista comigo. Perguntou da ideia, perguntou do projeto como um todo. Eu explicava, reticente, aquilo tudo que havia falado para ele antes. Eu disse que queria contratar o ator de Hollywood… Todo mundo ria. Eu dizia que ia fazer a dublagem nos estúdios Ebert Richers. Todo mundo ria. Eu explicava a coisa da luva, do chapéu, do estouro o do orçamento, e todo mundo ria.

Caralho, véio… Todo mundo só ria. Que bosta.

Eu não estava entendendo nada, afinal, não via nada de engraçado naquela merda. Eu queria fazer o troço sério. E quando eu disse que meu plano era mandar pro Steven Spielberg… Aí neguinho já tava chorando de rir.

Eu ri amarelo também, mais para não parecer um babaca do que qualquer outra coisa. Fingi que era um gênio do humor.

O professor avisou que era para o pessoal prestar atenção e tascou o dedão no play e vimos as vinte versões do comercial que nunca deu certo.

A cada versão, neguinho se escangalhava mais de rir. O “Pooorraaaa” virava um bordão e cada vez que ele surgia, sempre no fim do video, mais a galera ia ao delírio.

No final, eu estava bem incomodado de estar ali. E todo mundo morrendo de rir.  O professor vltou a falar, limpando as lágrimas. Disse que estava feliz, e que não acreditava que alguém fosse levar tão a sério a proposta.

Me devolveu a fita e mandou todo mundo bater palmas. Novamente fiquei sem graça. Eu queria sumir e a porra dos aplausos nunca acabavam.

Cerca de uns cinco anos depois,  minha mãe que era psicóloga de uma menina, disse que ela contou na sessão que havia visto um video na escola de um cara que maquiava a cara da mãe dele. Foi assim que descobri que o professor tinha feito uma cópia do meu video e que todo ano passava para os alunos. Se bobear, ele passa isso até hoje.

Quando a paciente contou isso, minha mãe não se conteve e contou que o Freddy Krueger era ela.

Daí uns dias, os pais da menina tiraram ela da “psicóloga”, hahahaha. Por que será?

Minha mãe, o Freddy Krueger

Comments

comments

Quando eu era mais novo, na escola, rolou uma atividade da aula de artes que era fazer um comercial. Os alunos tinham que criar um produto e em seguida, criar uma propaganda para ilustrar o produto.

Lembro que na minha carteira, quando ouvi aquilo, um sonho se criou na minha mente. Era a minha grande chance. Eu faria algo incrível, tão impressionante e realista que deixaria toda a escola, o bairro e talvez até o país boquiaberto. Eu seria descoberto e aclamado como um dos maiores diretores de cinema do mundo. George Lucas e Steven Spielberg pagariam tributos para trabalhar comigo.

Aquela era a chance que eu esperava, para mostrar que não era só um boçal com bigodinho de Cantinflas e ruim de Matemática. Eu me vingaria de todos que riram do meu veto. Eu mostraria a eles o meu valor. Eu seria enfim alguém. O maior diretor de cinema de todos os tempos!

Com desprezo, olhei meus amigos se articulando em grupinhos. Pobres e fracos mortais.

Olhei ao meu redor e percebi – pela primeira vez com grande satisfação – que ninguém da sala queria fazer o trabalho comigo. Eu estava avulso.

Avulso como eu queria!

Enquanto os meus amigos faziam carros que voavam, prédios submarinos e toda sorte de produtos idiotas e  improváveis, eu resolvi criar um produto que fosse factível. Eu sabia que os motoristas de caminhão tomavam remédios para emagrecer, visando o efeito colateral, a insônia desgraçada que os famosos “arrebites” causam. Após pesquisar o cotidiano dos motoristas de caminhão, eu soube que eles dirigiam muitas horas, em uma jornada de trabalho insana, sem descanso. Muitos deles tomavam café com coca-cola, outros mascavam chicletes, tudo para espantar o sono.

Eu vi nesse problema um mercado potencial (que ainda existe) para um chiclete que não deixava a pessoa dormir. Na fórmula, uma série de excitantes do sistema nervoso deixariam a pessoa acordada. Escrevi praticamente uma bula de remédio e submeti ao professor, como uma prévia do que ele poderia esperar.

O professor adorou minha ideia e aprovou o meu produto. Começava então a fase da campanha. O filme, que enfim, me deixaria famoso.

Ao ver que tinha um produto que não deixava a pessoa dormir, eu percebi que o caminho mais fácil seria usar o tio Freddy como garoto propaganda:

images (88)

Freddy era simpático (à sua própria maneira, claro) e era suficientemente bem humorado-cretino para vender um chiclete à prova de sono. Foi aí que começou a megalomania, o problema de sempre.

Enquanto os meus colegas da turma se contentavam em cartazes de cartolina, e mockups de espuma e isopor, eu resolvi fazer um comercial “de verdade”, para a Tv. O meu plano incluía contratar Robert Eglound, e com ele, fazer um video divulgando o meu chiclete.

Após muito trabalho (não existia internet ainda) descobri numa antiga edição de terror da revista SET o endereço de um estúdio em Los Angeles. Eu entrei em contato com o estúdio tentando – olha o grau de inocência do demente! – um contato direto com Robert Eglound, o ator que interpretava o Freddy Krueger. É óbvio que esta abordagem não funcionou. Até hoje estou sem respostas deles.

Vendo que o prazo se aproximava, eu busquei ajuda no único lugar que era possível: Em casa mesmo. Por sorte, minha mãe tinha um casaco listrado igual ao do Freddy. As linhas que deveriam ser pretas eram cinza, e um pouco mais estreitas, mas eu pensei que talvez fosse possível resolver isso colocando uma gelatina feita de papel celofane na frente da câmera, que deixaria tudo vermelho e o cinza viraria preto.

Eu levei uns dois dias construindo a luva. E ficou bastante parecida. Mas faltava o chapéu.

Vendo meu perrengue, minha mãe saiu comigo pelo Rio de Janeiro em busca de um chapéu para o Freddy. Minha mãe era mestre em apoiar as minhas maluquices. Andamos um dia inteiro pelo centro do Rio e quando achamos… O Chapéu era uma fortuna. Eu tinha uns trocados economizados da merenda. Não dava nem pra uma parcela do chapéu, mas a minha mãe comprou mesmo assim pra me ajudar.

O chapéu que mais parecia com o do Freddy  era um modelo PRADA. (pode imaginar a facada que foi?)

Aquilo acabou com TODO o orçamento da minha produção. Meus planos de contratar o dublador oficial do Freddy Krueger no Brasil foram para o ralo. Também não havia dinheiro para conseguir um ator.

O jeito foi convencer a minha mãe a virar o Freddy Krueger. Poucas mães do mundo se prestariam ao que ela fez. Foram seis horas ininterruptas de maquiagem, na qual eu converti minha mãe no monstro da série “A hora do pesadelo”.

Para fazer a maquiagem eu usei toneladas de algodão com goma laca. O acabamento foi feito usando base de maquiagem e corantes alimentícios. Infelizmente, não havia câmera digital nesta época, a máquina do meu pai vivia sem filme, e não há registros do resultado, mas eu asseguro a vocês que foi um dos trabalhos de maquiagem mais complexos que eu fiz na vida. Quando nós acabamos, não era mais minha mãe. Era o Freddy! Até hoje, quando me lembro, me impressiono da forma realista que ficou.

Minha mãe amarrou uma espécie de fita sobre os seios, sumindo com eles. Nós fiamos treinando um pouco e olhando de longe, era absolutamente impressionante o resultado. O celofane vermelho na frente da câmera (color correction de pobre) deu certinho como eu queria.

O problema todo era a questão da voz, pois por mais que ela tentasse faz uma voz de Freddy Krueger, tava claro que era a minha mãe, ou no máximo um Freddy Krueger gay.

A solução de última hora foi selecionar trechos aleatórios das falas do monstro no filme. Gravei com meu aparelho de som e montei usando fita cassete. No final, estávamos com frases (que não significavam nada) com a voz do Freddy original.

A ideia era essa. Minha mãe dublaria, e depois eu colocaria uma legenda com o texto do comercial.

Aí veio o problema. Minha mãe não conseguia dublar aquela porra nem pelo cacete. Ela começava bem, mas no meio da frase desatava a errar a mímica e saia a voz quando ela tava de boca fechada, hahaha. Quando ela finalmente acertou, vez um movimento mais empolgado com a luva e uma das garras saiu voando.

E nós fomos assim, filmando continuamente, uma cena atrás da outra, sem claquete (porque eu nem sequer sabia que isso existia) para tentar achar uma versão em que o meu “Freddy” acertasse. Minha mãe foi atriz de teatro, então pra ela não era difícil pegar o jeitão do Freddy. O duro era casar a interpretação dela com o Freddy pré gravado.

Foram umas vinte versões. Em nenhuma a minha mãe conseguia acertar a interpretação do Freddy. Quando ela finalmente pareceu acertar, deu uma puta duma desmunhecada e ficou o um “Freddy Krueger GLS”.

O mais hilário era que a cada erro eu gritava: Porraaaaaaaa!

Então era um troço que ficava assim: “Porra! – vai. Porraaaa! – vai, ação! Porraaaa…”

No fim, o chapéu estourou totalmente o orçamento e isso jogou por terra a minha pretensão de editar o vídeo, colocar a legenda e mandar dublar nos estúdios Ebert Richers.

Eu me senti um fracassado completo. O dia da apresentação chegou. Meus amigos estavam com seus cartazes e mockups babacas de espuma… E eu era um idiota que não tinha nada além de um vídeo de um Freddy Krueger gay ejetando navalhas ao som de um “porraaaaaa”.

Mas ante o risco de uma nota baixa, levei o vídeo para mostrar ao professor, na tentativa vã de que, ao me ver ali, humilhado, ele tivesse compaixão e me desse uma nota mínima, me deixando de lado na apresentação, de preferência, bem longe do resto da galera. Naquele dia, na hora em que bateu o recreio eu fui procurar o professor de artes. Encontrei-o na sala de artes, arrumando tudo.

Pedi licença para ter uma conversa com ele.

Ele veio sério, com cara de que iria ouvir o clássico “o cachorro comeu meu trabalho”. Mas eu contei a verdade dos fatos. Era importante pra mim expor meu fracasso previamente para não arriscar a pele em um novo vexame coletivo para toda a escola.

Ao ouvir minhas justificativas para o fracasso, o cara apenas ria. Eu não entendi aquilo. Achei que ele era retardado ou coisa parecida, pois eu estava li, diante dele, contando toda a minha desgraça de não conseguir contratar o ator de Hollywood, tendo que usar a mãe, gastando todo o dinheiro de meses de merenda num chapéu idiota e não podendo editar nem dublar e legendar o material bruto e o babaca apenas ria. E em seguida perguntava: “Você tá falando sério?”

Eu disse que sim. Ele ficou mais sério e disse que queria ver a fita. Meio sem graça eu peguei a fita na mochila e trêmulo, estendi pra ele.  Ele guardou e me liberou para voltar ao recreio.

Quando acabou a aula de Geografia da Arquidésia (juro, a mulher tinha este nome), chegou a hora da aula de artes. Todo mundo empolgado de mostrar seus comerciais. Algumas meninas até ensaiaram um teatrinho tosco lá…

Eu fui, na esperança de que, à aquela altura, o professor me olharia com piedade e conteria sua ânsia de me reprovar.

Logo que eu entrei na sala, dei de cara com um monolito negro no centro da sala de artes. Gelei. O monolito negro era uma pequena caixa com rodas, onde havia uma espécie de gaveta de onde podia se ver um videocassete. E acima, no interior de um compartimento fechado com chave, estava uma enorme TELEVISÃO.

Nunca me senti tão ferrado na vida quanto no dia que me deparei com o monolito de video do professor Jesuíno. Aquilo só poderia significar uma coisa. Algo seria exibido em video para os alunos… Algo que… Não, não é possível. O universo não poderia fazer isso comigo, né?

Tentei me acalmar, pensando que talvez alguém tivesse a ideia de gravar seus comerciais de espuma e isopor em casa. Afinal, câmera de VHS era algo caro, mas que muita gente tinha.

O professor nem olhava pra mim. Ele foi chamando e um a um, os grupinhos foram expondo seus comerciais. Tinha de tudo: carro que mudava de cor, avião que virava submarino… Eu fui ganhando confiança quando vi que o professor havia me pulado.

Quando tudo parecia ter terminado… Alguns já até levantavam para sair, o professor mandou todo mundo sentar em roda ao redor do aparelho do professor Jesuíno. E eu comecei a sentir que “a hora do pesadelo” era um nome apropriado para aquele meu projeto.

O professor me chamou lá na frente. Me senti um peixe. Foi como se um anzol invisível agarrasse meu pulmão e me tirasse fora da água. Mas tentando não pensar na situação, me levantei e dei alguns passos vacilantes em direção ao professor.

Ele apontou pra mim e disse ao pessoal: “Olha, turma. Este é o trabalho do Philipe.”

Me senti traído. Eu só queria que ele mantivesse aquela desgraça em segredo, mas ao contrário ele expôs para todo mundo ver.

Os alunos se espantaram de ver o making of (não se chamava making of, era a câmera que eu ligava de vez em quando  enquanto maquiava minha mãe) e à media em que minha mãe ia tendo a cara coberta de cola, algodão e base de maquiagem, eu vi os olhares ficando cada vez mais arregalados.

Se naquele colégio alguém ainda tinha duvidas da minha sanidade, aquele video acabava com toda e qualquer duvida.

Após a sessão de maquiagem, o professor pausou o video e fez uma mini-entrevista comigo. Perguntou da ideia, perguntou do projeto como um todo. Eu explicava, reticente, aquilo tudo que havia falado para ele antes. Eu disse que queria contratar o ator de Hollywood… Todo mundo ria. Eu dizia que ia fazer a dublagem nos estúdios Ebert Richers. Todo mundo ria. Eu explicava a coisa da luva, do chapéu, do estouro o do orçamento, e todo mundo ria.

Caralho, véio… Todo mundo só ria. Que bosta.

Eu não estava entendendo nada, afinal, não via nada de engraçado naquela merda. Eu queria fazer o troço sério. E quando eu disse que meu plano era mandar pro Steven Spielberg… Aí neguinho já tava chorando de rir.

Eu ri amarelo também, mais para não parecer um babaca do que qualquer outra coisa. Fingi que era um gênio do humor.

O professor avisou que era para o pessoal prestar atenção e tascou o dedão no play e vimos as vinte versões do comercial que nunca deu certo.

A cada versão, neguinho se escangalhava mais de rir. O “Pooorraaaa” virava um bordão e cada vez que ele surgia, sempre no fim do video, mais a galera ia ao delírio.

No final, eu estava bem incomodado de estar ali. E todo mundo morrendo de rir.  O professor vltou a falar, limpando as lágrimas. Disse que estava feliz, e que não acreditava que alguém fosse levar tão a sério a proposta.

Me devolveu a fita e mandou todo mundo bater palmas. Novamente fiquei sem graça. Eu queria sumir e a porra dos aplausos nunca acabavam.

Cerca de uns cinco anos depois,  minha mãe que era psicóloga de uma menina, disse que ela contou na sessão que havia visto um video na escola de um cara que maquiava a cara da mãe dele. Foi assim que descobri que o professor tinha feito uma cópia do meu video e que todo ano passava para os alunos. Se bobear, ele passa isso até hoje.

Quando a paciente contou isso, minha mãe não se conteve e contou que o Freddy Krueger era ela.

Daí uns dias, os pais da menina tiraram ela da “psicóloga”, hahahaha. Por que será?

Minha mãe, o Freddy Krueger

Comments

comments

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

81 ideias sobre “Minha mãe, o Freddy Krueger

  • 27 de julho de 2010 em 17:47
    Permalink

    Porra! hehehe
    Philipe, você não teria uma cópia dessa fita pra colocar aqui pra galera no Youtube? 🙂

    Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 17:49
    Permalink

    Haha histórias da vida novamente!
    Estava sentindo mta falta disso

    Para variar, nota 10! Só queria mesmo era ver o video… porra!

    Resposta
      • 11 de abril de 2012 em 2:03
        Permalink

        Po, pede pro professor, quem sabe ele não tem ainda.. isso vale ouro haha

        Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 18:09
    Permalink

    Simplesmente incrível… na hora do Fredy Gay eu comecei a rir e não parei mais.

    Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 19:08
    Permalink

    Caraca! Queria tanto ver o vídeo! Vc podia tentar encontrar o seu professor, e quiçá, ele ter a fita. Seria mt bom!

    Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 20:01
    Permalink

    esta foi a historia mais engraçada que ja lia por aqui, e o pior e que ja passei por umas parecidas com essa.
    Vamos começar uma campanha em busca do video perdido.
    abraço

    Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 21:48
    Permalink

    uahauahuh

    ri pacas aqui..

    até que não é uma má ideia a tal campanha em.. uahauhaah

    o/

    Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 22:57
    Permalink

    Mas e aí, qual foi a sua nota?????!!!!!!!!!!!

    Resposta
      • 3 de agosto de 2010 em 0:18
        Permalink

        Cara, seu professor era dos melhores. Quem dera fossem todos assim.
        Hoje você deve entender que ele não esperava nenhuma obra ao nível de Hollywood. Deu a você a nota máxima porque viu seu imenso esforço e quis incentivá-lo.

        Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 22:58
    Permalink

    Eu também sofria dessa “megalomania” nos trabalhos escolares. E no fim nunca dava certo e eu tinha que acabar improvisando. Quando eu fazia 8a série eu inventei uma maquete de uma usina eólica que se mexia de verdade… e a pilha acabou nos 1os 15 minutos da feira de ciências.

    Resposta
  • 27 de julho de 2010 em 23:39
    Permalink

    Philipe, vc tem q dar um jeito de conseguir esse video cara, porraaaaa!!!

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 0:50
    Permalink

    Tb achoooo
    Vc tem q conseguir essa fitaaaa!
    Acha esse professor seu das antigas!!!
    Ai que curiosidade!

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 5:23
    Permalink

    Esse merece estar no melhor do Mundo Gump.

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 9:06
    Permalink

    Cara…
    Fantástico. Nota 10.000 p/ vc.
    Só falta postar no Youtube o video.

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 9:33
    Permalink

    De-mais!
    De fato, uma pena que o vídeo tenha se perdido. Pelo menos você ficou com uma excelente história para contar! Brilhante!

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 10:47
    Permalink

    putz
    não sei o que é pior
    vc querer maquiar sua mãe de freddy krueger
    ou ela aceitar

    malz ai philipe
    mas vc era meio sem noção

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 11:47
    Permalink

    Cara, passei mal de tanto rir desse post… Me fez lembrar de um monte de coisas. A maquiagem de algodão e goma laca com base de maquiagem que vc fez na sua mãe, veio em uma das revistas SET especial “a morte de Freddy” (tenho até hoje) não é? Fui lá reler e só de lembrar o resultado travei de tanto rir ahahah… Mas eram legais essas revistas pq a cada número vinha uma dica de maquiagem: Prótese dentária de zumbi, ferimento de garras de lobisomen, etc. Lembrei tb de um trabalho com proposta igual que fiz na quinta série… Criar um produto; Então eu Criei o Chá “Zuza”, o chá emagrecedor do Cazuza (maldade minha, eu sei). Na época o Cazuza usava aquele lenço na cabeça e estava nas últimas mas ainda fazia shows. Então fiz uma caixinha preta de papel cartão, colei um esqueleto e desenhei um lenço na cabeça dele. Depois pintei caprichadamente o Chá Zuza e fui na maior cara de pau apresentar o trabalho na frente da classe… Como eu sempre fui magérrimo, caiu como uma luva o papel. Começava dizendo “quer ter um corpinho igual ao meu”… A classe foi ao delírio eheh. Tirei uma nota boa e o professor tb mostrou aquela caixinha a várias outras classes.

    Resposta
    • 28 de julho de 2010 em 14:34
      Permalink

      Hahahaha. Chá Zuza é foda. Humor negro total.
      A revista era Exatamente essa!

      Resposta
    • 27 de agosto de 2010 em 22:37
      Permalink

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
      Não tem como não rir dessa, o Chá Zuza, putzgrilla, eu tô aki me cagando, mijando, morrendo, rolando de rir

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK :B :B :B :B :B

      Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 12:38
    Permalink

    Muito bom Philipe…suas histórias estão cada vez melhor…Parabêns pelo livro!

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 13:36
    Permalink

    Puta que pariu! Eu queria ter uma mãe assim, ou melhor eu queria ser uma mãe assim. O máximo que eu fiz pelo meu filho foi fazer uma mecha branca no cabelo e me fantaziar de Vampira para o baile de Halowen para a festa de oitava série dele. Tem mãe de aluno (crente é lógico) que não fala comigo até hoje e meu filho virou o filho da “MACUMBEIRA”. Até que para ele foi bom, porque ele manteve as amizades que realmente valem a pena, e os meninos confiam em mim. O lado ruim é que eu tenho que levá-los às festas radicais e meu filho me leva como troféu. Phill, tu não sabe a zica que é ver um bando de barbados te chamando de tia. (Eu tenho 34). Por isso eu sei o que tua mãe passou, estou 100% empática à ela. A última que eles me aprontaram foi me enfiar no show da Pitty e pedir para que eu fosse pedir autógrafo a ela e eu passei o resto da madrugada fotografando a baianinha abraçada com eles. O lado ruim é que eu perdi um churrascão com meus amigos para bancar a adolescente. Mas, enfim, eu acho que as mães deveriam agir assim com os filhos, serem cúmplices de suas maluquices para mostrar a eles que nós somos confiáveis e os amamos. As mães deveriam ser assim: amigas dos filhos e estar presentes em episódios hilários e inesquecíveis. Parabéns para sua mãe e para você também.

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 14:50
    Permalink

    Cara, me escangalhei de rir tbm…
    Parabéns, viu… Lembrei de alguns micos que paguei na escola
    tbm…

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 16:57
    Permalink

    Querido filho,

    Queria enviar uma resposta pra duas pessoas ai: P/ Jackie

    Obrigada por suas palavras. Elas me emocionaram pela compreensao. Saiba que um dia, quando os anos passarem e vc estiver com cabelos “meios descoloridos pelo sol, nao brancos” vc vai adorar nao ter ido ao churrasco dos seus amigos e ter ido no camarim pegar autógrafos e sempre se lembrará do dia que descoloriu a mecha de cabelos do seu filho pra ele fazer bonito no baile de Hallowen.

    P/Gustavo

    Rapaz aquela revista ensinou muito bem a fazer a maquiagem, so nao explicou depois como fazer para tirar aquela coisa dura agarrada na raiz dos meus cabelos. Mesmo colocando uma touca de banho aquilo agarrou na frente e sofri debaixo do chuveiro para retirar pilhas de algodao molhado. Ainda pior sentia que havia “fracassado como atriz e como mae ja que nao conseguira dublar em ingles uma falinha atoa…

    Philipe chorei e ri ao mesmo tempo! Chorei de saudade daquele dia distante em que fiquei desde as 13 horas da tarde sentada deixando voc me transformar naquele homem horroroso. E ri ate sair lágrimas nos olhos pelo divertido que ficou contado aki.!!

    Resposta
    • 28 de julho de 2010 em 19:51
      Permalink

      Hahaha, show de bola, mãe.
      Tá aí, galera. Minha mãe, leitora do mundo gump e minha testemunha ocular da maioria dos fatos aqui narrados. Só uma correção, a touca era de natação.

      Resposta
    • 29 de julho de 2010 em 13:15
      Permalink

      Eu é que tenho que agradecer às palavras da Senhora!

      Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 19:41
    Permalink

    UHEUAHEUAHEUAHEUAHEAU SHOW DE BOLA, MANOLO! Cara, minha mãe não é de se jogar em apresentações, ou seminários, ou qualquer coisa do tipo, mas se eu realmente precisasse, acho que ela o faria. Na verdade, acho que qualquer mãe faria, é só ver quando o[a] filho[a] realmente necessita dessa ajuda.

    Uma das melhores histórias, quiçá a melhor, parabéns! Grande abraço

    Resposta
  • 28 de julho de 2010 em 23:31
    Permalink

    Poxa, eu fiz o Vento Enlatado, não foi tão legal assim. Mas teve video gravado numa filmadora enorme e apresentado no monolito do Jesuíno também. Bons tempos

    Resposta
  • 29 de julho de 2010 em 0:31
    Permalink

    Putz, queria ver isso, nem que fosse uma foto. Lendo sua história me deu uma ponta de remorso por todos os trabalhos que fiz me valendo da lei do menor esforço. Principalmente os da faculdade…

    Resposta
  • 29 de julho de 2010 em 8:54
    Permalink

    Que bacana… história excelente!!! Só vc mesmo Philipe… :happy: :happy: :happy:

    Resposta
  • 29 de julho de 2010 em 9:09
    Permalink

    Io Philipe ,

    Lembrei mesmo na hora em que comentei com seu irmao Andre que foi uma touca de piscina. Senao me engano uma do proprio Andre ja que vc prometeu comprar uma nova pra ele.

    O dificil era que ela era muito justa nos meus fartos cabelos. Dava dor pra tirar ja que prendia os fios novos eheheheh!

    Só nós… Bjao

    Resposta
  • 29 de julho de 2010 em 10:48
    Permalink

    Cara essa historia me fez lembrar de um video q eu fiz qndo tava na setima serie com meus colegas, os mais abusados da sala.
    O trabalho foi pedido por um professor de gramatica, e era pra fazer algo sobre um tema serio, tipo miseria, fome, violencia, e o nosso (claro) era sobre prostiruição. O nosso grupo era formado por 5 jovens q não sabiam o q era noção, eu, q era o a aluno mais alto e velho da sala (ja tinha repetido dois anos) o Rafael gordo, Dodo (gordinho q se achava forte), Dante (menino bem afeiçoado q malhava as garotinhas) e a Jenifer (Uma mina com esse nome só poderia ser gostosa).
    Enfim nós pegamos a camera do pai do Gordo e fomos pra casa do dante fazer um filminho sobre prostituição, A idéia inicial era q a jenifer fosse a Pu… prostituta, mas ela se recusou pq iria manchar a imagem de menina certinha q ela tinha (hum), então colocamos um vestido no gordo e no Dante, enqnto o Dodo era o Cafetão e eu era um Delegado meio perturbado. Enfim eu devia ter uns 15 anos e o resto uns 13 (a jenifer tinha 14, tbm era repetente) só sei q no filme aparecia de tudo menos a critica q era pra fazer q o professor tinha pedido. Agente filmou os cara na cama zuando, neguinho bebendo cachaça de verdade, o Gordo imitava uma puta como niguem, parecia uma festa Gay aquela porra. Ai chegou a hr de ver o video, ligamos a camera e fomos vendo aquela merda toda q haviamos feito. Logo dps do video q agente tinha gravado, começavam uns barulhos esquisitos na camera, qndo agente foi ver melhro oq era aquilo, descobrimos q o pai do gordo tinha tinha feito um filminho caseiro com a mãe do gordo. Mano, pensa numa cena engraçada q vc não pode rir pq seu amigo ta do seu lado chorando. No fim, agente apresentou o trabalho e por incrivel q pareça, tiramos um 10! È q como agente nunca entregava trabalho nem um, o professor resolveu reconpensar agente pelo esforço, q foi mais diversão q qlqer outra coisa. No fim eu nunca mais vi esse video, Mas sempre q eu lembro eu rio das coisas idiotas q agente fazia qndo era muleque.

    Resposta
    • 29 de julho de 2010 em 13:12
      Permalink

      Cara chorei de rir! Filminho porno no meio da apresentação do trabalho sobre pu digo prostituição! Eu tb passei por um perrengue parecido quando fui assistir o tape do batizado da filha de uma amiga e o marido colocou a fita errada. E era um casal certinho, católico praticante, e enfiaram no vídeo a fita em que eles estavam … “fazendo um exame de amigdala”. Cara eu chorei de rir…

      Resposta
      • 29 de julho de 2010 em 14:36
        Permalink

        Isso acontece nas melhores famílias. (está no livro!)

        Resposta
  • 30 de julho de 2010 em 13:03
    Permalink

    Porraaaaaaaa, ficou bom pa caramba porraaaaaaaa, acha logo esse video porraaaaaaaa hahahahah (ri alto aqui)

    Resposta
  • 31 de julho de 2010 em 18:29
    Permalink

    deve ta no youtube certeza
    vou ja procurar

    Resposta
  • 1 de agosto de 2010 em 22:22
    Permalink

    Caraiiiiiiiiiiiiiiii meu…. que maneiro!!! =D

    Resposta
  • 1 de agosto de 2010 em 22:44
    Permalink

    Parabéns, Você é incrível!!! Com certeza é filho da sua mãe!

    Resposta
  • 3 de agosto de 2010 em 22:22
    Permalink

    Cara, caí no teu blog nem sei como (link, google, e-mail, sei lá), e justamente nesta postagem! Cara muito show, e se serve de consolo, minha mãe também se prestaria a esse papel! Parabéns!!!

    Resposta
  • 4 de agosto de 2010 em 8:27
    Permalink

    Adorei! Eu e meu marido somos dependentes do Mundo Gump aki em casa, tenho que adquirir o livro já. Parabéns
    Ps: Adoraria que minha psicóloga fosse a Freddy Kruger GLS cover huauahuhu

    Resposta
  • 20 de agosto de 2010 em 3:12
    Permalink

    uhuahuahua meu sem ver os videos ja chorei de rir imagina se tivessem postado aki uahauh,,,pior q cara queria buscar o ator la dos USA kkuahuah to chorando de rir ate agora..

    Resposta
  • 27 de agosto de 2010 em 22:56
    Permalink

    Porraaaaaaa!!!
    Procura esse professor q eu tô doido pra ver esse vídeo. Se lendo eu já quase morri de rir (levei um tombo da cadeira agora), imagina o ataque q eu vou ter se eu ver o vídeo. Pena q minha Mãe não faria isso. Mas sua Mãe aceitou n a lata ou Vc teve q usar akela manha q os filhos tem? Muito bom o post

    Resposta
    • 28 de agosto de 2010 em 19:41
      Permalink

      Cara minha mãe topava (e ainda topa) qualquer maluquice que eu proponho. O legal é isso. Com a minha mãe não tem tempo ruim. Ela vai de cabeça junto comigo mesmo.

      Resposta
  • 26 de junho de 2011 em 23:32
    Permalink

    Nossa, ri muito da sua história, mas chorei pelo que sua mãe escreveu. Quero poder fazer algo assim pelo meu filho

    Resposta
  • 7 de agosto de 2011 em 22:43
    Permalink

    pooooorra philipe cadê o video? Hahahahah chorei de rir

    Resposta
  • 22 de agosto de 2011 em 17:52
    Permalink

    Nossa, queria tanto ver esse video, kra eu ri mto, vc tem mta criatividade, parabéns !

    Resposta
  • 10 de setembro de 2011 em 2:00
    Permalink

    Me emociono de ler esse tipo de história tão rica, tão verdadeira. Que exemplo de mãe, que exemplo de empreendedorismo juvenil! Parabéns, do fundo do coração. Adorei =)

    Resposta
  • 17 de setembro de 2011 em 21:53
    Permalink

    ahahahaha!!!muito bom!Já senti que nãovou parar de ler os textos aqui tão cedo.

    Resposta
    • 18 de setembro de 2011 em 15:13
      Permalink

      Fico feliz de saber disso!

      Resposta
  • 23 de setembro de 2011 em 17:41
    Permalink

    Dificilmente “humoristas” me convencem a rir. Principalmente os atuais.
    Achei seus contos incríveis.
    Me tornei sua fã.
    Parabéns!

    Resposta
    • 24 de setembro de 2011 em 10:49
      Permalink

      É uma grande honra saber disso, Wanya. Um abraço

      Resposta
  • 22 de outubro de 2011 em 19:04
    Permalink

    Philipe, adorei seu texto! Vc escreve muito bem e é muito engraçado (mesmo narrando uma suposta desgraça). Virei sua fã.

    Resposta
  • 22 de outubro de 2011 em 22:03
    Permalink

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ri muito agora sério e meu dia estava pessímo q história incrível “o grau insano de inocência do demente”  kkkkkk…

    Resposta
  • 26 de outubro de 2011 em 18:49
    Permalink

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk admiro a força de vontade, por favor bota no you tube eu preciso ver essa cena kkkkkkkkkkkkkkkkkkk, fico imaginando como vc ficou, eu no seu lugar iria rir junto para não ficar tão sem graça mas realmente kkkkkkkkk adorei a história kkkkkkkkkkkk

    Resposta
  • 17 de novembro de 2011 em 20:52
    Permalink

    essa fita se perdeu e esta em algum lugar do mundo matando pessoas… kkkk

    A hora do pesadelo + O chamado = A hora do Chamado

    Resposta
  • 12 de janeiro de 2012 em 12:59
    Permalink

    alguem acreditou nessa historia??? nem uma foto ele tem??? me engana que eu gosto.

    Resposta
  • 18 de janeiro de 2012 em 17:46
    Permalink

    Excelente, me fez muito bem…. Excelente história .

    Parabéns a esta mãe participativa !!!!

    Resposta
  • 23 de fevereiro de 2012 em 21:55
    Permalink

    hahahahahhahahahahahaha já li essa duas vezes!
    ‘tava passando o tempo e encontrei o teu blog (?)
    tuas histórias são hilárias! Já li quase todas, essa eu tinha de comentar! o/

    Resposta
  • 13 de março de 2012 em 17:46
    Permalink

    sou tua fa k talento pra se meter em encrencas kkkk tenho 31 anos faço tudo por minhas filhas tbm mae  e isso parabens a sua 

    Resposta
  • 16 de maio de 2012 em 17:41
    Permalink

    Eu ri demais, li cada linha como se eu estivesse lendo Ponto de Impacto doido pra saber o resultado da próxima linha. Demais demais essa história. Voce é um excelente escritor, sabe prender as pessoas, e essa história, só deixou a desejar a foto ou o vídeo. Quem sabe um dia nao venha á tona?

    Resposta
    • 17 de maio de 2012 em 0:30
      Permalink

      Eu tenho que arrumar um videocassete emprestado…

      Resposta
  • 10 de junho de 2012 em 21:53
    Permalink

    Cara, muito legal sua idéia, rapaz criativo! Acho q depois de td sacanagem do professor vc quem precisou de análise! rsrs, todo mundo tem uma história de escola pra contar!

    Resposta
  • 23 de julho de 2012 em 0:18
    Permalink

    caralho cara vc éhr foda de + na hora dos pohaaa e me caguei de rir

    Resposta
  • 16 de agosto de 2012 em 8:52
    Permalink

    Dessa aí eu lembro. Entrei na sua casa para fazer aquele projeto de software com o seu pai e dei de cara com sua mãe de Freddy Krueger. Foi surreal. Nem sabia o quanto você tinha investido nesse projeto. Achei que era mais uma brincadeira sua, que vivia inventando coisas, esculpindo personagens de RPG, pintando com aquarela e todo tipo de viagem. Posso confirmar que estava realmente bem produzido. Parabéns.

    Resposta
    • 16 de agosto de 2012 em 11:57
      Permalink

      Aí o Claudio, meu vizinho na época e uma testemunha ocular da história gente!

      Resposta
  • 19 de novembro de 2013 em 13:14
    Permalink

    Hahahahahaha cara que sensacional.

    Minha mãe é uma pessoa muito boa, talvez na necessidade ela me ajudasse também.

    Resposta
  • 11 de novembro de 2014 em 2:22
    Permalink

    Queria dar meus Parabens Duplo , Para voce Philipe pela sua ideia ambiciosa e surpreendente (será que voce tem á copia dessa fita ?) e Para sua Mãe que comprou , atuou, apoiou o seu projeto Louco , que Historia louca kkkkkkkkkk

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Eu dei duro aqui

Com 15 anos de sangue suor e lágrimas, eu me esforcei para fazer um dos blogs mais antigos e legais do Brasil. Mis de 5000 artigos, mais de 100.000 comentários, mais de 20 livros, canal, programa de rádio, esculturas... Manter isso, você pode imaginar, não é barato. Talvez você considere me apoiar no Patreon e ajudar o Mundo Gump a não sair do ar.
Ajuda aí?

Conheça meus livros

error: Alerta: Conteúdo protegido !!