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-Ai meu Deu! A gente vai morrer! – Gritou Martina.
-Calma, porra!
-Calma! Cala boca Martina! – Gritaram Regina e Carlão. A casa agora estava em silêncio. Eles tateavam pela cozinha em busca da saída.

-Será que ela entrou? – Sussurrou Regina no ouvido de Carlão.
-Shhhh! -Ele respondeu baixinho.

Não se via absolutamente nada. Aquela era uma noite sem lua. A escuridão era total.
Os três andavam com cuidado.
-Sabe se tem uma lanterna, velas ou algo assim? – Sussurrou Carlão.
-Tenho uma lanterninha na bolsa. Tá em cima do sofá. -Disse Regina.

-Não me deixem, gente. Não me deixem. Cadê vocês? – Falou Martina. Ela estava perdendo o controle.
-Calma, porra! Tô aqui. Ó, segura aqui no meu braço, Má! – Disse Regina, agarrando a mão fria da Martina e colocando no braço dela.
-Ai meu Deus. Eu quero ir pra minha casa! – Ela gemeu.

Vem, é por aqui. Disse Regina, guiando os dois amigos pela casa.
Eles podiam sentir o vento frio entrando na sala. A porta estava aberta, arrombada.
Alguém chutou a mesa de centro, e um bibelô de cristal se quebrou. Martina se assustou e começou a gritar. Pensando que a amiga estava sendo atacada, Regina começou a gritar também.

-Que foi? Que foi, porra?- Carlão berrava, se saber para onde olhar.
-Uma coisa! Aaaaaa! Na minha perna! Tem uma coisa pegando na minha perna! – Gritava Martina.
Regina abaixou-se e constatou que era uma parte da mesa de centro.
-Calma! Calma! – Gritava Regina. – Isso é a mesa, porra! Mas Martina estava tendo um ataque de medo. Tremia feito uma vara verde.

-Aqui! Achei o sofá! – Disse Carlão, tateando. Me dá sua mão. Aqui, procura a bolsa. Tava nesse?
-Calma. Segura a Martina. Deixa eu achar aqui. – Disse Regina.
Não se via absolutamente nada.

Então uma luz branca se acendeu. Era a lanterna.
-Ah! Aleluia! – Gritou Carlão quando viu a amiga acendendo a lanterninha do chaveiro.
-Regina apontou a luz para os amigos. Eles estavam abraçados atrás dela.
Ela então apontou a luz para a porta. A porta estava caída sobre os primeiros degraus da escada no fundo da sala. O que quer que tivesse atingido a porta havia arrancado as dobradiças e lançado a porta a metros de onde ela estava originalmente. A casa parecia intacta, mas sem a porta.

-Puta que pariu! Olha isso! -Disse Carlão apontando para a porta caída na escada.
-Nossa mãe! Arrancou e jogou longe. -Constatou Regina.
-Então ela não morreu! -Disse Martina. -Nós temos que dar o fora daqui! Vamos embora, gente!
-Calma, Martina!
-É, porra. Espera. Se ela arrancou a porta, ela não morreu com o ferro. -Disse Carlão.
-Acho que só irritamos ela. -Sussurrou Regina.
-E agora? O que a gente faz? -Martina quis saber.
-Ela deve estar lá fora… -Disse Regina.
-Como você sabe?
-Porque ela estava pedindo pra entrar.
-Mas e daí?
-Se ela tava pedindo e não entrou, direto, é porque não deve poder. Ela deve estar tentando tirar a gente da casa. O que ela quer é a gente lá fora.
-Ai porra! – Gemeu Martina. O que Regina dizia fazia sentido.
-Ilumina aqui, Rê… É! Ela cortou a luz. -Constatou Carlão, tentando o interruptor.
-Pode ser um blecaute. -Disse Regina.
-Claro que não. Só pode ter sido aquela porra lá. Vocês viram! Ela jogou a gente longe. Aquilo é o diabo!
-A casa tá aberta. Não é seguro aqui. E se ela entrar?
-Ela não vai entrar, Carlão! -Disse Regina, com muita certeza.
-Você está esquecendo a mão na parede! – Ele disse.
-Puta merda…
-É! Vamos, vamos sair! A gente corre até a casa do vizinho! – Implorou Martina.
-Não, a casa do vizinho é quase um quilômetro lá pra baixo. Não dá pra ver nada! É perigoso!
-Bosta, meu! Quem manda morar na puta que pariu também?
-Calma, calma! Se a gente brigar agora vai ficar pior ainda. Temos que agir de forma inteligente! -Disse Carlão.

Então uma coisa voou e explodiu contra a lareira.
-Aaaaaah! – Gritou Martina.
-Que isso?
-Tacaram alguma coisa na gente!
Regina tentava iluminar a sala, mas a lanterna do chaveiro tinha um foco fraco. Ela viu os cacos azuis espatifados pelo chão.
-Era um cinzeiro de cristal alemão. Isso estava aqui. Como pode…
Então uma outra coisa voou e atingiu Carlão na cabeça. Era um jarro de porcelana. Carlão caiu desacordado entre o enorme sofá de couro e a mesa de centro.
-Carlão! Carlãããão! – Gritou Martina, tentando acordar o amigo.
-Me ajuda, Má! Vai! -Disse Regina. A barriga pesava, era difícil gerenciar aquilo tudo. Ela estava ofegante e se sentia mal.
-Vem! Vem! Pega daí! – Disse Martina, Pegando o amigo pela cintura.
Então mais uma coisa voou pela sala escura.
-Filha da putaaaa! – Gritou Martina!
-Ela tá tacando coisas! Temos que sair daqui! -Gritou Regina.
Os sofás começaram a tremer e balançar. A casa toda parecia chacoalhar. Quadros caíam das paredes. Móveis tombavam.
-Arrasta ele! Isso. Vem! – Disse Regina, agachada, puxando o amigo pela perna. – Vamos por ali!
Regina prendeu a lanterninha na boca para puxar melhor. O facho de luz iluminava o rosto do Carlão. A cabeça pendia para trás. Ele estava desmaiado, ou talvez pior.

Ela chegou no armário sob a escada.
Aqui! Entra! Vamos!
O armário dava acesso a uma porta falsa, onde havia uma escada que levava ao porão.
Com dificuldade as duas colocaram o Carlão para dentro.
-Uung! Que peso! Esse desgraçado come chumbo!
-Fecha a porta, vai! -Disse Regina, iluminando a maçaneta.
Martina puxou a porta e travou.
Era um cômodo minúsculo. onde eles penduravam casacos de frio, guarda-chuvas e etc.

As duas ficaram em silêncio, sentadas no chão do armário.
-Pu-puta que pariu, Rê!
-Ele apagou! – Disse Regina, olhando as pupilas dilatadas do amigo.
-Será que é seguro aqui?
-Bom, tem a passagem para o porão aqui, ó. Mas a gente não vai conseguir descer as escadas com ele assim.
-Ele pesa uma tonelada…

Então a porta do quartinho começou a vibrar, batendo feito uma louca.

-Ah, não! Essa não!
-É ela!
-Ela quer pegar a gente!
-Segura a porta! Me ajuda aqui!

As duas agarraram na maçaneta e no gancho de prender casaco, tentando segurar a porta, que era sacudida ferozmente por uma força descomunal.
-Aaaaah! -Tá forte demais!
-Aguenta aí porra!
-Não-não tô conseguindo! É muito forte!
-Seguraaaaa!

Então a força que puxava a porta parou subitamente.

-Ih! Parou! -Disse Regina.
-Será que ela desistiu?
-Não confia! Continua segurando firme essa merda aí! -Sussurrou Regina.

Então, uma pancada seca atingiu a porta, seguida de um tenebroso silêncio, que perdurou por vários minutos.

-O que foi isso?
-Shhh! Fala baixo. Continua segurando!
-Tem uma coisa molhando meu pé. -Disse Martina.
Regina apontou a lanterna para o chão.

-Sangue! – Elas gritaram.
Uma grande quantidade de sangue entrava sob a porta.
-Meu Deus! Que merda é essa?

CONTINUA

As crianças da noite – parte 4

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-Ai meu Deu! A gente vai morrer! – Gritou Martina.
-Calma, porra!
-Calma! Cala boca Martina! – Gritaram Regina e Carlão. A casa agora estava em silêncio. Eles tateavam pela cozinha em busca da saída.

-Será que ela entrou? – Sussurrou Regina no ouvido de Carlão.
-Shhhh! -Ele respondeu baixinho.

Não se via absolutamente nada. Aquela era uma noite sem lua. A escuridão era total.
Os três andavam com cuidado.
-Sabe se tem uma lanterna, velas ou algo assim? – Sussurrou Carlão.
-Tenho uma lanterninha na bolsa. Tá em cima do sofá. -Disse Regina.

-Não me deixem, gente. Não me deixem. Cadê vocês? – Falou Martina. Ela estava perdendo o controle.
-Calma, porra! Tô aqui. Ó, segura aqui no meu braço, Má! – Disse Regina, agarrando a mão fria da Martina e colocando no braço dela.
-Ai meu Deus. Eu quero ir pra minha casa! – Ela gemeu.

Vem, é por aqui. Disse Regina, guiando os dois amigos pela casa.
Eles podiam sentir o vento frio entrando na sala. A porta estava aberta, arrombada.
Alguém chutou a mesa de centro, e um bibelô de cristal se quebrou. Martina se assustou e começou a gritar. Pensando que a amiga estava sendo atacada, Regina começou a gritar também.

-Que foi? Que foi, porra?- Carlão berrava, se saber para onde olhar.
-Uma coisa! Aaaaaa! Na minha perna! Tem uma coisa pegando na minha perna! – Gritava Martina.
Regina abaixou-se e constatou que era uma parte da mesa de centro.
-Calma! Calma! – Gritava Regina. – Isso é a mesa, porra! Mas Martina estava tendo um ataque de medo. Tremia feito uma vara verde.

-Aqui! Achei o sofá! – Disse Carlão, tateando. Me dá sua mão. Aqui, procura a bolsa. Tava nesse?
-Calma. Segura a Martina. Deixa eu achar aqui. – Disse Regina.
Não se via absolutamente nada.

Então uma luz branca se acendeu. Era a lanterna.
-Ah! Aleluia! – Gritou Carlão quando viu a amiga acendendo a lanterninha do chaveiro.
-Regina apontou a luz para os amigos. Eles estavam abraçados atrás dela.
Ela então apontou a luz para a porta. A porta estava caída sobre os primeiros degraus da escada no fundo da sala. O que quer que tivesse atingido a porta havia arrancado as dobradiças e lançado a porta a metros de onde ela estava originalmente. A casa parecia intacta, mas sem a porta.

-Puta que pariu! Olha isso! -Disse Carlão apontando para a porta caída na escada.
-Nossa mãe! Arrancou e jogou longe. -Constatou Regina.
-Então ela não morreu! -Disse Martina. -Nós temos que dar o fora daqui! Vamos embora, gente!
-Calma, Martina!
-É, porra. Espera. Se ela arrancou a porta, ela não morreu com o ferro. -Disse Carlão.
-Acho que só irritamos ela. -Sussurrou Regina.
-E agora? O que a gente faz? -Martina quis saber.
-Ela deve estar lá fora… -Disse Regina.
-Como você sabe?
-Porque ela estava pedindo pra entrar.
-Mas e daí?
-Se ela tava pedindo e não entrou, direto, é porque não deve poder. Ela deve estar tentando tirar a gente da casa. O que ela quer é a gente lá fora.
-Ai porra! – Gemeu Martina. O que Regina dizia fazia sentido.
-Ilumina aqui, Rê… É! Ela cortou a luz. -Constatou Carlão, tentando o interruptor.
-Pode ser um blecaute. -Disse Regina.
-Claro que não. Só pode ter sido aquela porra lá. Vocês viram! Ela jogou a gente longe. Aquilo é o diabo!
-A casa tá aberta. Não é seguro aqui. E se ela entrar?
-Ela não vai entrar, Carlão! -Disse Regina, com muita certeza.
-Você está esquecendo a mão na parede! – Ele disse.
-Puta merda…
-É! Vamos, vamos sair! A gente corre até a casa do vizinho! – Implorou Martina.
-Não, a casa do vizinho é quase um quilômetro lá pra baixo. Não dá pra ver nada! É perigoso!
-Bosta, meu! Quem manda morar na puta que pariu também?
-Calma, calma! Se a gente brigar agora vai ficar pior ainda. Temos que agir de forma inteligente! -Disse Carlão.

Então uma coisa voou e explodiu contra a lareira.
-Aaaaaah! – Gritou Martina.
-Que isso?
-Tacaram alguma coisa na gente!
Regina tentava iluminar a sala, mas a lanterna do chaveiro tinha um foco fraco. Ela viu os cacos azuis espatifados pelo chão.
-Era um cinzeiro de cristal alemão. Isso estava aqui. Como pode…
Então uma outra coisa voou e atingiu Carlão na cabeça. Era um jarro de porcelana. Carlão caiu desacordado entre o enorme sofá de couro e a mesa de centro.
-Carlão! Carlãããão! – Gritou Martina, tentando acordar o amigo.
-Me ajuda, Má! Vai! -Disse Regina. A barriga pesava, era difícil gerenciar aquilo tudo. Ela estava ofegante e se sentia mal.
-Vem! Vem! Pega daí! – Disse Martina, Pegando o amigo pela cintura.
Então mais uma coisa voou pela sala escura.
-Filha da putaaaa! – Gritou Martina!
-Ela tá tacando coisas! Temos que sair daqui! -Gritou Regina.
Os sofás começaram a tremer e balançar. A casa toda parecia chacoalhar. Quadros caíam das paredes. Móveis tombavam.
-Arrasta ele! Isso. Vem! – Disse Regina, agachada, puxando o amigo pela perna. – Vamos por ali!
Regina prendeu a lanterninha na boca para puxar melhor. O facho de luz iluminava o rosto do Carlão. A cabeça pendia para trás. Ele estava desmaiado, ou talvez pior.

Ela chegou no armário sob a escada.
Aqui! Entra! Vamos!
O armário dava acesso a uma porta falsa, onde havia uma escada que levava ao porão.
Com dificuldade as duas colocaram o Carlão para dentro.
-Uung! Que peso! Esse desgraçado come chumbo!
-Fecha a porta, vai! -Disse Regina, iluminando a maçaneta.
Martina puxou a porta e travou.
Era um cômodo minúsculo. onde eles penduravam casacos de frio, guarda-chuvas e etc.

As duas ficaram em silêncio, sentadas no chão do armário.
-Pu-puta que pariu, Rê!
-Ele apagou! – Disse Regina, olhando as pupilas dilatadas do amigo.
-Será que é seguro aqui?
-Bom, tem a passagem para o porão aqui, ó. Mas a gente não vai conseguir descer as escadas com ele assim.
-Ele pesa uma tonelada…

Então a porta do quartinho começou a vibrar, batendo feito uma louca.

-Ah, não! Essa não!
-É ela!
-Ela quer pegar a gente!
-Segura a porta! Me ajuda aqui!

As duas agarraram na maçaneta e no gancho de prender casaco, tentando segurar a porta, que era sacudida ferozmente por uma força descomunal.
-Aaaaah! -Tá forte demais!
-Aguenta aí porra!
-Não-não tô conseguindo! É muito forte!
-Seguraaaaa!

Então a força que puxava a porta parou subitamente.

-Ih! Parou! -Disse Regina.
-Será que ela desistiu?
-Não confia! Continua segurando firme essa merda aí! -Sussurrou Regina.

Então, uma pancada seca atingiu a porta, seguida de um tenebroso silêncio, que perdurou por vários minutos.

-O que foi isso?
-Shhh! Fala baixo. Continua segurando!
-Tem uma coisa molhando meu pé. -Disse Martina.
Regina apontou a lanterna para o chão.

-Sangue! – Elas gritaram.
Uma grande quantidade de sangue entrava sob a porta.
-Meu Deus! Que merda é essa?

CONTINUA

As crianças da noite – parte 4

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Eu dei duro aqui

Com 15 anos de sangue suor e lágrimas, eu me esforcei para fazer um dos blogs mais antigos e legais do Brasil. Mis de 5000 artigos, mais de 100.000 comentários, mais de 20 livros, canal, programa de rádio, esculturas... Manter isso, você pode imaginar, não é barato. Talvez você considere me apoiar no Patreon e ajudar o Mundo Gump a não sair do ar.
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