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O apontador. Aquele nosso amigo que testemunhou os melhores e os piores momentos da escola.
Lembro-me com clareza quando eu tinha que pedir a Tia Marcia para levantar da minha carteira de madeira escura (igual a aquelas do clipe The Wall) e andar por todo aquele tenebroso corredor cheio de inimigos me olhando com expressões ferozes e chegar até a lata de lixo, perto da porta, onde eu faria ponta no meu lápis rezando para que ela não se quebrasse.

Quando isso acontecia, e acontecia em mais de 80% dos casos, a tia Marcia me dava bronca e dizia que eu estava enrolando para olhar pela porta da sala ou para não fazer o dever.
Muitas vezes eu tive que me contentar em guardar de volta o lápis com as pontas quebradas no estojo depois de ficar vários minutos rodando aquela merda no apontador.
Meus apontadores eram tão cegos quanto o Mr. Magoo. E com o nervoso de estar ali na frente daquele palco de satã, tendo ao meu lado a megera digna de um campo de concentração, a mão imediatamente começava a suar.

O lápis número dois azul metálico da Faber Castell começava a deslizar e eventualmente travava, não indo nem para frente e nem para trás.
Eu dei graças a Deus quando finalmente larguei o lápis e pude escrever à caneta. Isso durou até a primeira bic estourar.
Bem, na verdade durou até um pouco antes. A minha primeira bic foi um desastre.
Eu fiz uma aposta com os meninos que eu conseguia chupar a tinta daquele tubinho de carga. Eles duvidaram da minha habilidade de sucção e não me restou outra alternativa senão arrancar o tubinho do seu invólucro de plástico transparente dar a melhor chupada que eu podia dar.
Só me toquei do quanto eu tinha sido burro quando o gosto da tinta azul se espalhou pela minha boca.

Eu havia praticamente esvaziado a caneta na boca. E comecei a chorar. Quando arreganhei aquele bocão azul todo mundo riu pra caralho e a tia Marcia deu um pulo da cadeira e me pegou pelo braço com grande violência. Assim como se pega um macaco de circo. Saiu pela porta afora me levando correndo para o banheiro lavar a boca.
O estrago já havia sido feito e a boca azul durou um tempão. Foi duro aturar a zoação que se seguiu quando eu voltei do banheiro. Acabei descobrindo que se eu sorrisse para o pessoal eles morriam de rir devido aos meus dentes estarem azulados.

É a minha primeira lembrança boa do colégio. Foi quando as primeiras meninas riram pra mim. (era de mim, mas na minha mente fértil, elas riam pra mim)

Aqui está o link da evolução do apontador.

A história do apontador – Tragédia escolar parte I

Comments

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9 ideias sobre “A história do apontador – Tragédia escolar parte I

  • 10 de fevereiro de 2008 em 3:00
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    Tia Marcia.. eu tive tres delas.. uma no jardim de infancia, outra na alfabetizacao e outra na 4ª serie xD

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  • 21 de novembro de 2009 em 0:07
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    Tambem tive uma Tia Márcia… Era a diretora da escola!

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  • 10 de junho de 2010 em 17:27
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    Cara, só faltou a prof largar aquela clássica do The Wall:

    – “You! Yes you! Stand still laddy”

    (corta para relógio na sala dos professores)

    Crônica fantástica, dessas que recuperam algo perdido no mundoo webliterário: os anos da juventude inocente, sem as afetações típicas do universo imagético do adolescente semi-adulto atual.

    Resposta
  • 13 de junho de 2010 em 15:44
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    Adorei essa sua história. Mais essa.
    Saiba que hoje os pequenos quebram as pontas de propósito só para me ver apontando aqueles lápis podres que o governo mandou, e fazer bolhas nos dedos. Teve uma aula que apontei tanto, que fez a bolha, estourou e ficou pretejada porque eles vinham trazer mais lápis, sem parar. Agora só estou dando giz de cera, e num tamanho bem pequeno porque eles quebram e põem na boca.

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  • 6 de março de 2011 em 0:13
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    Philipe, eu tbm ja passei por esse constrangimento.
    Só que era bic vermelha, manchou até a camiseta.
    E a professora gritando: Que nojo menina, vai lavar essa boca.
    Na época eu tinha uns 11 anos.

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  • 17 de junho de 2011 em 18:09
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    nunca tive o azar de ficar com a boca azul por causa de tinta de caneta,mas sim com o bom e velho pirulito lingua azul.Tábem já tive uma professora idoza na 5a série que mais parecia o CAPETAA!!! de tão rui que ela era.Sem ejagersos.De tanto que ela era louca de odio por mim ela em um serto ano de meu colégio me fez até mesmo eu repetir de ano por causa de um misero ponto quando a minha notem todo ano foi de 99 pontos do ano em toda a sua meteria.O epoca TERIVEEEEL !!!!da minha vida foi essa.Quase deu vontade de enterar viva a filha da P***.

    Resposta

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