Viking Warrior Parte 3 – Fabricando o monstro

Bom, pra quem chegou agora e não sabe do que se trata, eu resolvi fazer uma escultura e mostrar o passo-a-passo da criação aqui. Tudo começou com uma idéia, que virou roteiro e agora está virando escultura. Veja os posts anteriores:

A idéia

O roteiro

A estrutura de arame

Esculpindo o Monstro

Após estruturar a peça na base com arame, eu começo a cobrir a estrutura com epoxi. O epoxi tem duas finalidades aqui: Aumentar a rigidez da peça e funcionar como um enchimento, para gastar menos polyclay.

O epoxi que eu uso é o aepoxi da MSFX.

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Eu já tinha falado deste material no post do Locke, mas volto a comentar que ele está anos-luz à frente das massas epoxi do mercado, como polyepoxi, durepoxi, etc. Essas massas são focadas no segmento de vedar canos e consertar pia. Então eles levam uma série de compostos e cargas grosseiras, como pó de metal. O aepoxie da MSFX é feito só pra escultura, por isso ele é mais fino e dá mais detalhamento. Eu me dei muito bem com este material e na minha opinião, é o melhor ítem da linha de materiais de escultura da MSFX. Mas eu sou suspeito pra falar, porque sempre gostei de trabalhar com massa epoxi.

Bom, aqui temos uma imagem que mostra o corpo da criatura sendo feito com aepoxi. Note que eu não estou preocupado com músculos nem grandes detalhes ainda. Isso é só o recheio.

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Feita esta etapa, após a massa epoxi endurecer, eu começo o (penoso) trabalho de misturar polyclay para cobrir a criatura.

Eu resolvi experimentar uma nova linha de massas polyclay da FxArte. O Leo me mandou uma caixa com diferentes materiais e massas para esta peça, e me deixou livre para escolher o que eu quisesse na hora de modelar.Eu resolvi usar a massa da linha poliart, que vem em pacotinhos individuais de uns 100g (eu acho, já que os que o Leo me mandou não tinha o peso na embalagem)

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Pelo tamanho e estilo, essa massa da linha poliart vai entrar no mercado de artesanato, pra brigar com a Fimo da Ebehard Faber e a massa T&C (toke e crie). Eu já testei as três e na minha opinião, a Poliart é bem superior às demais. A Fimo ficou em segundo lugar, mais pela questão do preço, já que ela é cara pra caramba. E a T&C é borrachenta demais, pegando muito pouco detalhe. A massa do Leo tava bem dura no início, mas isso é normal em polyclays.

Este tipo de massa precisa ser condicionada antes de usar. Condicionar a massa é basicamente dar porrada nela. Assim ela fica molinha e boa de modelar. Usei uma tábua de carne velha e uma marreta. Peguei dois pacotinhos coloridos de Poliart e bati neles com muita vontade até o ponto em que eles viraram uma massa amorfa verde escura. (a mistura das massas pode gerar efeitos marmorizados ou se você usar a marreta do Thor como eu, a cor derivada da mistura dos dois tons iniciais)

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Eu posso dizer que fiquei muito bem impressionado com esta massa aí. Nunca fui muito com a cara de massinhas coloridas, talvez por minhas más experiências com a linha sculpey (não%name Viking Warrior Parte 3   Fabricando o monstro confunda com a Super Sculpey, que é ótima) que ficava muito quebradiça… Sei lá. O que posso dizer é que a massa poliart é boa pra caramba, pegando bastante detalhes, e com uma enorme qualidade: Ela é leve! Isso faz um senhor diferencial neste boneco que está equilibrando-se num único ponto de apoio, desafiando a gravidade e ainda vai ter mais um outro boneco em cima.

Outra característica bem legal desta massa é que ela mistura super bem com a poliesculp. Eu usei a poliesculp macia. Realmente melhorou MUITO desde a última poliesculp que eu usei, no John Locke. Dessa vez a poliesculp não ficou esfarelando. Tá macia, super boa de trabalhar. Então eu resolvi usar o mostro como tubo de ensaio para as duas massas, para ver como elas se comportam separadamente e juntas. O resultado foi bom.

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Me surpreendi com a poliart porque ela fica bem leve mesmo. A resistência é boa também. pelo menos duas vezes mais resistente que a sculpey. A poliesculp, talvez por ser de uma linha mais profissional, focada num mercado mais exigente que o do artesanato, é mais pesada um pouco e muito mais resistente depois de assada. È a massa mais resietnte que eu já encontrei depois de assada. E isso é bom e ruim. Bom porque você sente segurança para fazer peças bem fininhas como cabelos e outros detalhes e sabe que elas vão durar muito. Mas a parte ruim é se você erra e assa a peça errada. Aí, meu amigo… Pra desfazer o pedaço e refazer, você vai suar! Eu tive que usar vários alicates dos mais ignorantes que eu tenho para cortar um mero pedaço de poliesculp já assado e fui bem difícil de cortar. A massa supersculpey é parecida com a poliesculp, mas depois de assada ela se quebra fácil (quando você usa um alicate) fragmentando-se em muitos pedaços. Mas a massa da FXArte usa algum tipo de plastificante sinistraço que endurece a parada de uma tal maneira que é impressionante. Eu acho que no fim das contas a vantagem de não quebrar acidentalmente supera o problema da dificuldade que o escultor vai encontrar ao ter que destruir alguma parte para arrumar.%name Viking Warrior Parte 3   Fabricando o monstro

Seguindo a estrutra bestial para o monstro (que não vai ser mais o urso polar) eu comecei fazendo um tipo de corpo de macaco enorme. Este corpo prevê um tórax grande, mãos enormes, brações compridos e pernas curtas. Seja como for, é um tipo de criatura das neves e então eu achei que teria mais a ver com um macaco pré-histórico monstruoso do que com um ursinho polar. Reconheço que ver fotos do ursinho knut me desanimou a colocar um monstro como urso polar.

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Dá pra inspirar algum monstro?

O knut desmoralizou meu mostrão inicial e eu parti para uma coisa bem feiosa mesmo. Cheia de dentes e garras.

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Eu resolvi colocar um pintinho clássico, quase barroco no monstrão. Escolhi um pintinho quase infantil porque um pintão a la John Holmes ia deixar a peça meio erotic-art. E o pinto pequeno talvez explique porque o monstro está tão bravo, hahahaha.

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Eu coloquei também uma barriga proeminente, enfatizando com isso o aspecto selvagem da personalidade do monstro.

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Vou falar rapidamente sobre isso. Existem três estruturas básicas de personagens antagonistas. O cerebral, o peitoral e o abdominal.

O cerebral é aquele tipo cientista, que tem todo seu poder na cabeça.

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É um cara não raro careca, não raro raquítico, ou ainda doente, como o mum rá, como o mago Saruman, como o imperador de Star Wars, como os cientistas malucos… Ele mostra claramente que sua energia concentra-se na mente. Geralmente este tipo parece frágil, mas é o que arquiteta os planos mais malignos.
Já o personagem peitoral é um personagem valente, aquele que anda com o peito estufado, é um cara cheio de si, vaidoso, tipo Johnny Bravo.

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É como um leão. Ele impõe sua presença. É forte, é violento, é egocêntrico. (como o mum-rá transformado) Ele dificilmente é o inimigo máximo numa história, (tirando o Brutus do Popeye) sendo geralmente controlado ou manipulado pelo personagem cerebral para liquidar o herói ou seus amigos. Funciona bem como coadjuvante e muito convincente como capanga maléfico.

E existem os personagens abdominais, que são burros, estúpidos e querem comer. São regidos não pela mente mas quase sempre por instinto.

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Seu corpo geralmente representa isso de maneira clara com uma projeção do abdômen e uma redução da cabeça. São como um touro, são geralmente os monstros clássicos, como minotauro, gigantes, e etc. Este tipo de monstro difícilmente é o inimigo maior, o antagosista principal, porque ele é burro demais para isso. É por esta razão que o monstro abdominal ocorre como uma barreira para o herói em sua jornada. Este tipo de monstro é como o Rancor, do Jabba. É como a criatura do gelo que tenta comer o Luke no planeta Hot. É como o Balrog ou como o troll das cavernas. Um tipo de monstro grande, forte e com miolos meio fracos de modo que o herói só pode vencê-lo se sair do campo da força física. (lembra do jeito como Luke dá fim ao Rancor?) Geralmente este tipo de monstro tem um comportamento de guardião de limiar.

Pois é. É comum que coisas grotescas assim tenham algum ponto fraco. Ou ele vê mal, ou não pode ouvir certo som, ou uma espadada nos espelhos ao redor, funciona como uma espadada nele… A função arquetípica deste tipo de monstro é operar como um tipo de “vestibular” onde o cara começa a luta como menino e sobe de nível, chegando mais perto de ser um verdadeiro herói só após vencê-lo.

Então este monstro é assim. Por isso, eu resolvi colocar pés de macaco deformados nele.

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Depois eu comecei a fazer a cabeça do monstro. Como eu estava trabalhando sem conceito, vendo onde a coisa ia dar na hora da escultura (uma coisa que não deve ser feita) comecei a criar uma cabeça com dentões enormes, como um tigre dentes de sabre, uma orelha que lembra a de um morcego e um tipo de nariz de canídeo.

 

 

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Mas eu não gostei muito dessa cabeça e resolvi fazer uma coisa mais direta. Mas monstrão mesmo e menos animal. Então aqui está a cabeça:

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Comecei com dentes grandes, projetados para frete bem no meio da cara e um tipo de nariz que diz claramente que o bicho é uma ameaça, já que este tipo de nariz só se vê em defuntos. Um par de chifrões quadrados dão o toque final.

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Eu usei álcool isopropílico para fazer o envelhecimento. A cabeça do monstro foi feita com um resto de SuperSculpey que eu tinha aqui.

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As mãos do monstro eu me inspirei naquelas mãos bizarras do Nosferatu do cinema clássico. Dedos compridos e unhas que fariam o Zé do Caixão morrer de inveja.

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Eu encaixo as mãos no braço do boneco com um pino de arame. Faço isso porque quando o boneco é colocado no forno para endurecer, a massa passa por um estágio mole. O pino de arame evita que o boneco desmunheque.

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Após terminar a parte de escultura do monstrão eu levo ele para o forno.

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O problema é que o bicho já ta no alto da montanha, com o braço pra cima, e isso ficou bem maior do que eu esperava. Assim, não pude usar minha clássica bandeja de pizza de R$ 1,99 que eu uso para assar boneco, sendo obrigado a colocar a base de MDF direto sobre a chapa do forno.

Nos seis minutos iniciais, tudo estava normal, até que notei uma fumacinha saindo do fogão. Em menos de dois minutos, essa fumacinha virou um fumação snistraço. Eu mal conseguia respirar. Tive que correr pra janela.

O vizinho bateu aqui na porta desesperado pra saber se tava pegando fogo na casa, hahahahaha.

Depois que eu desliguei o forno ainda ficou o maior fumação, mas foi diminuindo até que deu pra enxergar alguma coisa e tirar a foto acima.

O boneco estava intacto. Foi a base de MDF que virou tipo um carvão por baixo.

Espero que estejam gostando. Por enquanto é isso. Na próxima parte, Varmod, o viking.

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16 comentários em “Viking Warrior Parte 3 – Fabricando o monstro”

  1. MUITO FODA IRMÃO!!..TU TÁ CADA VEZ MELHOR!!…

    SOBRE O MDF…JÁ ROLOU ISSO COMIGO TB….COMPRO AS BASES LÁ NA JOTAENE…AS DE MADEIRA MESMO..RESISTEM LEGAL..MAS AS DE MDF…NÃO FUPORTAM CALOR…QUEIMAM ATÉ QUANDO SE FURA COM FURADEIRA OU DREMEL…

    GRANDE ABRAÇO!

  2. Pinto a la John Holmes ahaha hahaha ahah. Cara você me mata uma hora dessas:lol2: Tá fantástico!
    Imagino você explicando pro vizinho de onde vinha aquela fumaça ehe-eh-eh…

  3. [quote comment=""]Sim!!! bota algum dia um vídeo de alguma parte, tipo fazendo a mão, ou uma cabeça!!!!! Se puder é claro, ia ser show!!!! flww[/quote]
    Vou botar sim. Acabei de ganhar uma mini Dv. :ohhyeahh:

  4. [quote post="1857"]MUITO FODA IRMÃO!!..TU TÁ CADA VEZ MELHOR!!…

    SOBRE O MDF…JÁ ROLOU ISSO COMIGO TB….COMPRO AS BASES LÁ NA JOTAENE…AS DE MADEIRA MESMO..RESISTEM LEGAL..MAS AS DE MDF…NÃO FUPORTAM CALOR…QUEIMAM ATÉ QUANDO SE FURA COM FURADEIRA OU DREMEL…

    GRANDE ABRAÇO![/quote]
    Max tem que tomar cuidado com as bases de madeira real da Jotaene, porque uma vez eu usei uma que minou um tipo de seiva dentro do meu forno! Por sorte a forma de pizza estava lá e evitou a catástofre. O fedor daquela merda de pinho ficou uns dois meses no forno. (foi duro comer pizza sabor pinho, hahahahaha)
    Quando for comprar, tem que olhar se tá leve. se estiver, tá boa. Se estiver escura e pesada, é furada. O peso é que ta cheio de seiva ainda.

  5. Philipe, só faltou a foto da base podrona…rsss

    Cara, se você estivesse em Sampa, já tava palestrando na Uniban.. os caras tão sofrendo pra achar gente que manje de 3D, modelagem, etc…

    Beijão! 😛

  6. “um pintinho clássico, quase barroco”… o foda foi explicar para os Aussies aqui no trampo por que eu quase tive um enfarto de tanto de rir…

  7. [quote post="1857"]Philipe, só faltou a foto da base podrona…rsss

    Cara, se você estivesse em Sampa, já tava palestrando na Uniban.. os caras tão sofrendo pra achar gente que manje de 3D, modelagem, etc…

    Beijão! :P[/quote]

    Eu dou palestras sobre essas coisas por aqui no Rio e em outros estados. Até em Manaus eu já fui falar dessas coisas de 3d, personagens, etc. 😀

  8. Fala Philipe!!!

    Perdeu a reunião de super heróis e aind me deve uma escultura… Tudo bem… Tudo bem… Rsrsrrsss…
    Tá ficando bacana o bichão aê. Sobre o lance da base, eu já tive esse problema. Uma forma de amenizar esse efeito “cortina de fumaça” é envolvendo a madeira com papel alumínio. Funciona.
    Aliás, se for cozinhar a peça mais de uma vez e quiser evitar aquele famoso queimadinho, o papel alumínio também ajuda.
    No mais é isso.
    Um abraço!

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