O Relato de um MIB – Parte 9

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O material está em anexo. Cuidado com o que vai escrever lá porque eles estão na sua cola. Não se preocupe com a confusão. Ela é benéfica a todos.
Philipe, eu vou terminar aqui nossa conversa dizendo que foi um grande prazer conhecer você. Percebi que pude encontrar um amigo ao longo deste tempo de conversa. Você conseguiu se manter firme, com toda a pressão para que liberasse as informações e foi fiel ao que eu pedi para que não contasse.
É por isso que eu creio que seja meu dever moral para com você dar algumas explicações sobre os últimos fatos ocorridos com o Juca.
Como eu falei naquela mensagem na véspera da nossa viagem, o Juca estava mesmo muito mal. Os médicos não conseguiram descobrir o que havia com ele. Gradualmente, ele foi definhando e parou de se alimentar. Mais ou menos nessa época começaram aqueles desmaios misteriosos, que só fizeram aumentar em quantidade e tempo. Estávamos mesmo temendo que a morte do espécime se desse a qualquer momento. Eu não pude falar naquele dia porque o Vanderson pediu para que mantivesse sigilo sobre o fato, pois prejudicaria a compra.
Depois daquela rodada fracassada que você presenciou, o pequeno leilão não foi muito à frente. Informações acabaram vazando e os americanos ficaram putos. Os agentes sauditas voltaram atrás. Nossos analistas suspeitam que houve pressão dos EUA para facilitar alguns programas de cooperação. Devem ter oferecido algo bastante valioso para eles, pois o interesse pelo EBE sumiu de uma hora para outra.
Você está lembrado daquele agente que eu falei que sumiu? Ele reapareceu, dizendo que foi contatado por um sujeito da Blackwater. Ele virou a casaca e debandou. Inicialmente ficamos chateados com isso, mas quando Obama assumiu, as coisas começaram a mudar de figura.
O M22 entra em contato com a gente constantemente pedindo que nós estabeleçamos uma nova forma de cooperação com eles. Estamos costurando isso agora. É por conta disso que nós não estamos mais entrando em contato com você.
Estamos passando por uma reaproximação com o pessoal gringo e tudo indica que não teremos mais que nos esconder como ratos.
Como você a esta altura já concluiu, o Juca passou de trunfo a problema. A reaproximação com os agentes norteamericanos pressupõe confiança total. O Juca é agora uma mancha negra nessa nova relação.
Ao mesmo tempo, ao longo de todo este tempo na companhia do Juca, nos afeiçoamos e ele e não queremos o pior.
Na reunião de quinta feira, decidimos que o melhor a fazer seria libertar o Juca. Entregar o espécime significaria assumir que nós ocultamos o EBE. Isso também deixaria um mal estar nas nossas relações com os árabes. Matar o Juca seria crueldade. Manter o pobre ser em cativeiro significaria a morte certa.
Usamos uma fiorino sem identificação para levar o Juca para a fazenda de um conhecido nosso em Minas. A fazenda possui vastos pastos e alguma mata. Com ele numa caixa isolada para evitar as interferências, nós levamos o Juca até uma clareira aberta no interior da mata. A operação foi feita durante a noite para evitar curiosos. Estávamos todos apreensivos, pois a saúde dele estava totalmente comprometida. O último desmaio havia deixado Juca fora do ar por mais de 48 horas.
Nós o deixamos sobre uma esteira, no meio da clareira. Eu deixei junto o livro de animais que ele tanto gostava e o globo terrestre. Nos deixamos ele lá, desmaiado, desligado, enfim, fora do ar. Foi a última vez que eu vi o Juca.

Usando os trajes de anulação elétrica, esperamos durante boa parte da madrugada no fim do pasto, mais ou menos 2 km do local onde ele estava.

Faltava pouco para o sol raiar quando as primeiras sondas apareceram, voando através das árvores. O espetáculo foi lindo. Minutos mais tarde, as duas sondas subiram e instantes depois desceu um aparelho. O aparelho era três ou quatro vezes maior que a cápsula de Tasso. Ele desceu reto. O céu estava nebuloso e nós não vimos de que direção a nave veio. Percebemos que era grande pelo clarão que se propagou entre as nuvens.
Quando o aparelho apontou, desceu vertical na direção da clareira. Ele emitia uma luminosidade muito forte. Deu um estouro e brilhou muito forte. Depois apagou. O aparelho ficou apagado por mais ou menos dois minutos. Nós pensamos que era o tempo dos companheiros recolherem o Juca desacordado para o aparelho.
Então ele tornou a acender e subiu lentamente, em sentido vertical. Não pudemos filmar nem fotografar, pois temíamos uma atitude hostil por parte deles.
O aparelho ganhou altitude rapidamente e sumiu entre as nuvens.
Ele nos deixou no silêncio. Ficamos ali, nos olhando na escuridão. Quando o sol raiou, nós fomos até a clareira e o Juca não estava mais lá. Não ficou marca nem nada. Eles só deixaram a caixa. Fiquei feliz quando vi que levaram o livro de bichos e o globo terrestre.

Retornamos sentindo um misto de tristeza com felicidade. Sabíamos que os outros dariam um jeito de recuperar o Juca. Era injusto manter a pobre criatura em cativeiro. Ficamos com o EBE o quanto pudemos. Não sei até que ponto esta atitude poderá significar a primeira aproximação de fato entre nossas espécies. Espero que a devolução do Juca tenha algum efeito positivo para nós, humanos.

Estou contando isso para que você tenha a compreensão do que aconteceu nos últimos dias. O link que está no TXT anexo aponta para o arquivo de video. Baixe-o e siga aqueles cortes e então pode publicar a parte 7 e 8. Não cite o nome do XXXXXXX e apague toda a parte da sala XXXXXXX.
Este é nosso último contato e eu queria muito agradecer sua presteza e paciência. O futuro da nossa unidade ainda é incerto, mas as negociações com o M22 estão avançadas. Em breve eu me aposentarei deste trabalho ingrato. Não sei se teremos um contato novamente, quem sabe algum dia.
Assim que alterar os arquivos de video, pode publicá-los como preferir. Se desejar esclarecer o que se passou com o Juca, pega esse email e apaga tudo que estiver sublinhado e posta lá.

Sem mais, agradeço novamente.
Vortex

ESTA É UMA OBRA FICCIONAL

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12 comentários em “O Relato de um MIB – Parte 9”

  1. Aí, Philipe…

    Agora, ve se da pra liberar mais umas fotos da cápsula pois achei muito bonitinha as que tinham no galpao… foi pena nao ter incluido a capsula nas filmagens, ia ficar legal, ainda mais se abrisse ela.

    mas creio que a parte 9 era o que precisava pra fechar o conto, um final feliz pro Juca, meio disney 😛 , mas gostei.

  2. Aeeeeeee longa vida ao Juca. Muito disney mesmo como o cara ali de cima citou, mas muito bacana.

    Me arrancou um sorriso.

    Não sei se a parte 9 é o final realmente, mas posso afirmar que “O Relato de um MIB” é a melhor coisa que aconteceu na blogosfera Brasileira.
    Mundo Gump é o que há!
    Parabéns Philipe!

    • Na verdade o Juca foi vendido para os americanos, por 6 milhões e 500 mil dólares, fora as despesas de transporte que correram por conta deles.
      Agora está sendo pesquisado e examinado nos subterrâneos de uma base no deserto de Nevada, mesmo destino do ET de Varginha e outros espécimes singulares que foram capturados em todo o mundo.
      O ET de Varginha ia ser entregue de graça para pesquisa, mas eles ofereceram um “cala-boca” quase do mesmo valor, em 1996 – quase 6 milhões. Melhor, porquê esses bichos são hospedeiros de um vírus que duplica o DNA humano e causa uma infecção monstruosa na pessoa. Se o hospedeiro não morresse geraria um irmão gêmeo de si mesmo dentro do próprio corpo, a partir desse vírus. Horrível.

      • Você quer dizer, que de uma forma geral, os Greys são clones de si mesmos? (uma vez que são adaptados ao vírus que aliás, talvez eles mesmos tenham desenvolvido?). O que eles querem na Terra?

  3. Afinal o que os OUTROS querem de nós? Devolvê-lo talvez tenha sido a melhor a opção. Pode ter deixado um aspecto positivo para futuros contatos. Se como diz o comentário do Agente V, está nos USA, isso mostra que nós brasileiros somos mesmo o fiel da balança, sempre pesando muito, positiva ou negativamente. Uma vida não tem preço, mesmo que ela não esteja no contexto que conhecemos. O melhor é dar tempo ao tempo, pois quando a humanidade estiver preparada tudo se abrirá naturalmente. Não podemos ter a pretensão de nos inserir num contexto onde ainda somos apenas aprendizes, pois, parece que “o todo” é um fardo que ainda não temos a capacidade de carregar. Estes agentes são priveligiados, gostaria de ser um deles.

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