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O homem pássaro
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Estava passando homem pássaro na televisão. Eu gostava de assistir ao desenho do Homem Pássaro que passava na Globo, na Sessão Desenho, que era depois de Mundo Animal. Minha mãe estava terminando de colocar o almoço. Meu pai lia o jornal. Aí o desenho acabou e eu resolvi mostrar pra eles como é que eu era o Homem Pássaro. Eu juntei duas cadeiras então subi no espaldar de uma e me equilibrando pisei no espaldar da outra. Minha mãe vinha chegando com uma travessa de estrogonoff na mão quando me viu gritar: -Homem pássaro! E o que se seguiu foi algo tenebroso. Eu despenquei das cadeiras uma delas caiu em cima de mim e com a quina fez um puta dum corte na minha testa. Eu não me lembro bem do que aconteceu na hora, só de ter aquela sensação de arrepio na espinha que era comum quando eu fazia merda e pensava que ia apanhar. Mas para meu espanto, a voz da minha mãe não era aquela voz de quando ela estava brava, era uma voz de preocupação, de desespero. E isso só significava uma coisa: Eu DEVIA abrir o bocão e chorar o mais que pudesse. A voz dela era a minha garantia de que aquele sim, era o momento certo de colocar a boca no mundo. Eu me lembro que ela jogou uma fralda do André na minha cara e em menos de um minuto eu estava com um pano encharcado de sangue na cara. Isso dizia pra mim que chorar não era o suficiente. Eu devia dar um pití inacreditável. Pra piorar, meu pai estava sem o carro. Eu estava no colo dele, meu pai e minha mãe correndo pelas escadas da casa em direção a rua. Falaram algo sobre o vizinho. O vizinho era um cara que tinha um dálmata enorme. Isso era tudo que eu sabia sobre ele. Eu me lembro de estar no banco de trás do carro do cara, no colo da minha mãe indo para a COTREL. Eu me lembro bem deste nome. COTREL. certos nomes as pessoas não esquecem. Tipo, pergunta para uma vítima do Hitler se ele esquece o nome “III Reich” ou “Auswitz”? Não, não esquece. Chegamos no lugar, e eu não me lembro mais. Daí rola um bloqueio igualzinho aqueles de quem é abduzido por aliens olhudos. O que eu sei é o que minha mãe conta. E o que ela conta é que correu um monte de medico para me atender. Era um corte na testa, não muito profundo, mas saía uma sanguera de dar dó. Eu berrava e gritava o quando podia. Do nada um dos medicos tentou me segurar. Eu comecei a me debater, achando que eles iam me machucar. Então um ão foi suficiente. Veio outro, e estes não deram conta. Foi chegando mais e mais gente, enfermeiros, auxiliares, maqueiros, meu pai, no fim das contas, minha mãe diz que eram seis pessoas mais o meu pai para segurar um bacuri de 5 anos em completo fenesi. Minha mãe conta que eu xinguei “bunda”, “cocô”, “piroca”, e toda sorte de nomes feios que eu sabia. Quando acabou meu limitado repertório, comecei a mixar novos palavrões. Ela diz que viu com o coração apertado que eu fui gradualmente perdendo as forças ante a multidão que me segurava para o médico de plantão dar pontos na minha testa. Daí veio meu medo de hospital. Minha memória seguinte só voltou quando eu já estava em casa, me olhando no espelho. O corte na testa estava inchado e eu via os pontos costurados no espelho. Naquele dia, eu descobri que não era o homem pássaro. Homem pássaro era coisa do passado. …Afinal, era muito mais legal ser o Frankenstein. GUMP!
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Muita falta de sensibilidade desses médicos de antigamente. Comigo a lábia faz mais efeito que segurar.
E vou te contar, Philipe, faltou no sua atuação cuspir, e hj em dia a meninada tem um repertório mais elaborado e mais xulo (por incrível que pareça
abraços!
ótimo!
Muitos de nós na nossa infancia, tivemos o seu momento “homem pássaro”.
Mas a última eu já tinha uns 19 anos, estava bêbado, com um puta corte na cabeça… o médico queria raspar minha cabeça para dar os pontos… eu não deixei de maneira alguma… não podia perder a cabeleira daquele modo… quando ele concordou em dar os pontos sem raspar minha cabeça, eu concordei… mas foi só as enfermeiras chegarem para ficar legal de verdade… eu bebaço cantando as enfermeiras e mandando o médico tomar cuidado… é canseira…
Um dia o banquinho virou e eu, caindo rente a parede, consegui cortar o supercilio – acredite se quiser – no parafuso (mal colocado) do interruptor.(BIZARRO)
Eu nem senti o corte, me preocupei mais com a queda. De repente minha visao ficou avermelhada e minha chegou com esse mesmo tom da sua mae.
Aquele Tom sinistro de que alguma coisa não tá bem.
Só lembro de, em seguida, entrar no carro do vizinho com minha mae enrolando com força minha uma toalha branca na minha face. a caminho do hospital, ela tirou a toalha e pasmem, a toalha estava VERMELHA de sangue.
Mas eu fiquei mais calmo que voce. tomei alguns pontos e tudo ficou bem em seguida. Mas com certeza, sao aqueles momentos que voce nunca mais vai se esquecer. heheheh
fiinalmenteeeeeeeee
êêêêêe
elas sao as melhores do mundo gump
ACABO DE LER ESSE POST E…..
Sorte de hoje: Nós somos o que pensamos (só não pense que você é um super-herói e não tente voar)
a sorte de hj no orkut esta EXATAMENTE assim AUHAHA
Sumimos! Bem, importante é restabelecer os contatos.
Seguinte: essa sua visão é interessante pois se analisarmos bem seria a mesma de um passarinho que tivesse levado uma bela estilingada na testa, concorda? Só que o outro bichinho (eu disse bichinho, hein?) não ia gritar nadica de nada e ia sair prá outros vôos, outros estrogonofes, outros galhos ou espaldares de cadeiras para novos saltos. E vida que segue.
Logicamente o tal passarinho bodocado nem teria sua verve e nem platéia para textos assim, bons que nem alpiste fresco!
by the way, tenho a mesma impressão quando VEJO a Cotrel!
HOOOOMEM PASSARÔÔ!