Ganzu – O segundo dia

Estava recoberta de lama. Foi difícil removê-la da parede de terra compactada, porque ela parecia estar encaixada em uma faixa de pedras.
Marcelo precisou procurar uma outra ferramenta para usar de alavanca. Achou um pedaço de ferro no fundo do buraco. Usando o ferro, ele espetou ao lado do objeto esférico e puxou. Foi preciso muita força para fazer a coisa se mover. Quando ela finalmente se libertou, caiu dentro da poça e afundou. Nem deu tempo de ver direito o que era. A princípio pareceu ser uma bola de basquete. Mas então a coisa boiou.

Para surpresa de Marcelo Nareba, ali estava uma pedra, só que boiando.

-“Ué! Pedras não boiam!” – Pensou Marcelo.

Marcelo pegou a coisa e levantou. Era surpreendentemente leve pelo seu tamanho. Mas era de pedra, sem dúvida.

O poço começou lentamente a se encher quando a chuva engrossou novamente. Marcelo se deu conta que havia perdido um tempo precioso desenterrando pedras quando devia se preocupar em sair daquela arapuca mortal.
Retomou as tentativas de escalar o paredão, mas a lama era muito escorregadia.

Voltou a chamar por socorro. Sua esperança é que mais alguém acordasse e fosse dar uma olhada nos destroços.

Mas apesar de seus chamados e gritos, não veio ninguém. Ele tinha que dar um jeito de sair daquele poço o mais rápido possível.
Na outra ponta do buraco, havia umas raízes pendentes. A princípio Marcelo achou que elas não aguentariam seu peso, mas desesperado, resolveu arriscar. Agarrou-se firmemente às raízes e enfiando os pés no paredão de lama viscosa tentou se erguer. Elas eram surpreendentemente fortes. Marcelo conseguiu dar dois passos e alcançou a borda do buraco. Mas assim que ele cravou os dedos na lama da borda, as raízes se romperam. Todo seu peso estava apoiado no braço e como não podia deixar de ser, a terra se soltou sob seus dedos. Marcelo caiu de costas na água do poço inundado.

Ele emergiu no meio da lama. Os olhos sujos de marrom. A boca com gosto de terra. A àgua ja lhe batia quase no pescoço. O poço estava enchendo rápido. Várias cascatinhas de água da chuva caíam dos destroços da casa para dentro do buraco.
Marcelo continuou a gritar por socorro.
Ele começava a perder as esperanças quando ouviu uma voz familiar.

-Tá tomando banho, seu puto?

Era o Russo.

-Socorro cara! Caí aqui e não consigo sair!

-Cara tá todo mundo te procurando. A Sarinha ta desesperada, bicho!
-Qual a parte do “caí aqui e não consigo sair” você não entendeu, porra?
-Calma aí! Vou buscar uma corda!
-Vai, chama ajuda! Rápido! Essa merda ta enchendo!

Vladmir Obrushev saiu em disparada.

Minutos depois estavam todos os amigos ao redor do grande buraco. Greg jogou a corda pra ele. Marcelo agarrou na corda e Greg içou Nareba com um único puxão. Nareba veio agarrado à pedra.
-Você tá bem, Marcelo? – Perguntou Sarah. Ela parecia preocupada com seu ferimento na cabeça.
-Que isso? – Perguntou Aninha.
-Sei lá. Desenterrei isso lá dentro! Eu tô bem. Só preciso de um banho.

-Ei gente… Tem crianças mortas aqui! – Disse o Russo.
Todos correram para olhar. As meninas ficaram chocadas.
Armando parecia inconsolável.

-Acho que eram os filhos do seu Zezé.
-Temos que enterrar esses pobres coitados.
-Sim. Vamos enterrá-los. – Disse Armando.
-Enterrar pra que? Larga essa porra aí! – Disse Greg, saindo em direção à casa.

O resto dos jovens ficaram ali.
-Esse cara é um idiota. – Disse o russo.
-Cara… Ele tem seus momentos. Deixa o cara. – Armando deu um tapinha nas costas de Vladmir.
-Porra isso é jeito de se referir a essas crianças carbonizadas? Foi babaquice sim! – Aninha estava indignada. – Como ele pode ser tão frio, meu?
-Cara… Ele perdeu uma irmã num acidente de carro. Ela também ficou carbonizada. Tem uns cinco anos isso. O cara nunca superou. -Disse Armando. – Vamos dar um tempo pro Greg.

-Ah… – Todos baixaram a cabeça, sem graça.
-Vamos ter que ligar pra polícia e informar. – Disse Vadmir.
-Verdade, mas nenhum celular está pegando aqui.
-Bom, temos um radio amador lá no quartinho. Se conseguirmos religar a luz da casa, talvez possamos usar o radio para avisar as autoridades. Eles devem ter família. Temos que avisar…
-Vem, vamos la pra casa. A chuva está aumentando. Vamos tratar do ferimento do Nareba, depois quando a chuva amainar eu venho aqui e enterro os corpos.
-Conte comigo, cara. – Disse Vladmir.
-Eu também ajudo. – Falou Nareba, abraçado com a pedra.

Todos voltaram para o casarão. Marcelo estava exausto.

Cerca de uma hora depois, Marcelo já tinha tomado um banho vestido roupas limpas comido alguma coisa. Ele estava no quarto, com Sarah e Aninha que se empenhavam para limpar o corte em sua testa.
-Acho que você tinha que tomar ponto, sabia? O corte foi fundo. – Sarah parecia preocupada.
-Aaaaai! Porra! Precisa jogar essa merda toda?
-Calma, Nareba. É só um pouco de água oxigenada. Pra limpar. – Riu Aninha.
-Torturadora!
-Marcelo, só temos band-aid aqui. Vai ter que servir. Daqui a dois dias, quando a gente voltar, passamos num posto de saúde e se for o caso, pedimos para dar uns pontinhos.
-Cola com cuidado…. Aaaai! Porra! Pra uma bailarina, você tem mão de pedreiro!
-Obrigado pela parte que me toca. – Disse Sarah.

Vladmir Obrushev Entrou no quarto carregando a pedra. Era enorme. Ele havia limpado e escovado a lama.
-Os caras conseguiram ligar o radio amador do tio do Armando na bateria da Van! Estão lá na sala tentando fazer contato com o rádio comunicador… Mas Marcelão, eu queria falar com você sobre isso aqui ó.
-Pois é. Eu também. Achei no buraco! Essa Pedra boia, Vlad!
-Meu, isso aqui não é uma pedra comum. Note essa superfície uniforme. Essa coisa é oca. Escuta só. – Disse o Russo, batendo com a lanterna na pedra.

Todos ouviram, curiosos.

Nisso, chegaram Greg e Armando, todos os dois sujos.
-Habemus rádio! -Disse Greg.
-Wats up? – Perguntou Armando.
-Enterraram?
-Sim. Enterramos eles, lá perto da mangueira. Meu avô está enterrado lá também. – Respondeu Armando.
-Porra, nem me chamaram pra ajudar? – Falou Marcelo.
-Cara. achamos melhor te deixar tomar um banho e descansar. Tu quase morreu lá e tava machucado…
-Além do mais, não precisa de três pessoas para enterrar um pedaço de gente queimada e duas crianças bem passadas.

-Porra Greg! – Gritou Aninha.
-Que foi?
-Tu é muito ogro, meu!
-Ah, não fode, cabelos azuis… Falando em ogro, fiquei com fome. O que vamos almoçar?
-Sei lá. Podemos fazer um macarrão com salsicha. – Disse Aninha. Sobrou carne de ontem…
-Meu, são onze da manhã ainda! – Disse Marcelo, olhando o relógio do russo.
-Eu te perguntei alguma coisa, seu prego?
-Calma, Greg.
-Bom, o radio tá funcionando, mas não conseguimos falar com ninguém ainda. Talvez seja a chuva… – Armando parecia preocupado.
-Que porra é essa aí? Bola?
-Não, Greg. É a pedra que o Marcelo achou lá no buraco. – Disse Sarah.
-Maneiro, hein?
-O russo tava explicando a pedra. Fala aí, Vladão.

-Então… Isso parece ter ar dentro. É oca.
-Tipo uma bola mesmo? – Perguntou Greg.
-Tipo isso mesmo. É uma bola de pedra. A gente chama isso de Geodo.
-Geovo?
-Não, geODO!
-Ah, tá.To ligado. E daí?
-Daí que essa porra pode valer uma boa grana. – Disse Vladmir Obrushev.

Então todos arregalaram os olhos.

-Quê? Uma boa grana você disse? – Perguntou Marcelo, segurando a bola de pedra.

-Mas uma boa grana quanto, Russo? – Perguntou Armando.
-Cara, aí vai depender do Geodo. Eu não conheço as estruturas sedimentares dessa região, mas…
-Fala português, caralho!
-Deixa o russo falar, Greg!
-Não fode cabelo azul. Não tô falando com você.
-Fala logo Vladão! – Pressionou Marcelo Nareba.
-Meu, geodos a gente só sabe depois que abrir. O valor depende do cristal aí dentro, a uniformidade da cristalização e o tamanho da pedra. Essa porra pode custar entre 5.000 dólares a…
-Então é merreca, porra. – Interrompeu Armando.
-Ei! É merreca pra você que é rico. Pra mim, dez conto já faz a maior diferença! – Disse Marcelo.
-Como eu ia dizendo, o valor pode ir de cinco mil dólares a quatrocentos mil dólares, se for um geodo bem raro!
-O que? Quase meio milhão?
-Dependendo do geodo, se for um de calcita negra…Com uma boa e uniforme cristalização. Se tiver pontes de quartzo, ou se for um geodo de opala… De cara posso dizer que a forma externa desse geodo indica que ele pode ser muito antigo. Mas se for um geodo de ágata, pode ser bem baratinho, aí na casa dos 200 reais.
-Como que eles se formam, cara?
-Bom, há vários tipos de geodos. Alguns, como os geodos septarianos foram formados há 100 milhões de anos, quando o Golfo do México era bem maior. Quando a vida marinha morreu, os corpos dos animais ficaram presos em sedimentos e a decomposição deles liberou gases, que formaram bolhas na lama. À medida que o mar recuou, as bolas de lama secaram ao sol. Viraram pedras. O mar voltou, e uma inundação de cálcio e minerais diversos eventualmente se infiltrou nas rachaduras e re-cristalizaram ali dentro. Se for um geodo de calcita, ele será amarelo por dentro. A parede da pedra será marrom fina e ele será revestido de aragonita, por fora, o exterior será cinza, tipo este aqui, que é recoberto de bentonita.

-Esse cara não pode estar falando sério. Não tem como alguém normal saber essas coisas. – Disse Greg olhando espantado para o nerd russo.
-O único jeito de saber que geodo é e quanto vale é quebrando?
-Sim. – Disse Vladmir.
-Opa, deixa que eu quebro! – Falou Greg, tentando pegar a pedra das mãos de Nareba. Marcelo puxou a pedra e a abraçou.
-Não, não! A pedra é minha. Deixa comigo! – Disse Marcelo, guardando a pedra sob a cama dele.
-Não vamos abrir agora? – Perguntou o russo.
-Vamos…

Nisso, um estranho ruído chamou a atenção de todos. Parecia alguém chamando lá em baixo, no rádio.
-É o rádio! – Gritou Armando!
Todo mundo correu lá para a sala, afim de tentar a comunicação.
Armando pegou o microfone e tentou a comunicação, mas havia muito ruído.
-Não tô ouvindo nada! – Disse Greg.
-É que o aparelho é meio velho… Vocês tem que fazer silêncio. Cala a boca aí!
-Essa merda não funciona! Eu disse que não ia funcionar!
-Sai de perto do Radio, Greg! Você e radio não combinam. – Gritou Aninha. Todos riram.
-Por favor gente, calem a porra dessa boca! Aqui fala PP6 Bravo India Echo, alguém na frequência?
-… – O radio só emitia chiados.
-CQ dois metros… CQ dois metros. Alguém pela frequência dois metros? PP6 Bravo India Echo… fazenda Roseira, na escuta…

Todos os amigos se entreolhavam com ansiedade. Foi uma surpresa geral quando o radio começou a transmitir alguém falando. Havia um homem do outro lado emitindo um prefixo, mas a transmissão estava muito ruim. O que foi possível compreender é que o prefixo continha Py3 Foxtrot Romeu da rede nacional de emergência, operando ponto a ponto.

-Aqui fala PP6 Bravo India Echo, transmitindo da fazenda Cavaral em Santa Luzia da Conceição.

-Positivo. Na escuta.
-Tivemos uma explosão na fazenda. Repetindo. Uma explosão na fazenda. Três mortos. Confirma?
-Confirmando, três òbitos em explosão. Na escuta.
-PP6 ravo India Echo solicitando apoio do corpo de bombeiros.
-Negativo, Pp6 Bravo India Echo. A área está inacessível. A barragem de Santa Luzia estourou com a tempestade. A àgua destruiu tudo pelo caminho. Repetindo, a barragem de Santa Luzia estourou. Copiado?
-Copiado, Py3. Aqui a chuva foi muito forte. Ainda está chovendo. Na escuta.
-Positivo, PP6. Calamidade pública. A enchente destruiu a subestação, tá tudo sem luz na região, copia?
-Positivo. Tem previsão de resgate? Na escuta.
-Sem previsão de resgate. Tá tudo alagado, sem acesso por estrada… A previsão do tempo disse que vai cho… ainda… dias… …irma?
-Negativo. Pode repetir, Py3?
-A previs… …po… inda….ver seis… transbordou…

O radio emudece completamente.

-Que foi? O que houve?
-Acho que acabou a energia.
-Da bateria? Não é possível.
-Acho que essa merda aí queimou! – Disse Greg.
-É… Deu pane, Nem tá acendo o led. -Armando mexia nos botões freneticamente.
-Veja se não soltou um polo da bateria. – Disse o russo.

Após vários minutos de tentativas de ligar o radioamador, Aninha disse que sentiu cheiro de queimado.

-Meu… A bosta queimou. Já era esquece essa merda. – Disse Greg, jogando-se no sofá.

-Puts, véio. Tamos ferrados. – Concluiu Aninha, passando a mão pelos cabelos azuis.
Todos sentaram-se nas poltronas ao redor da mesa de centro de madeira escura.

-Alguém entendeu quando ele falou que vai chover ainda seis dias? – Perguntou Armando.
Nareba discordou: -Não… Ele não disse isso.
-Eu entendi isso. – Sarah parecia certa.

-O radio tava falhando muito. A transmissão tava prejudicada. Mas pelo menos nós já sabemos que vamos ficar aqui mais do que esperávamos…
-Não, meu! Não! – Gritou Greg.
Todos olharam para o gigante no sofá. Greg parecia transtornado: – Eu tenho que voltar, porra! Tenho competição!
-Meu… A estrada tá intransitável. Tu ouviu o cara do rádio!
-Eu que não vou ficar nessa porra de fazenda. Eu vou embora! – Disse ele.
Todos começaram a gritar e já não se ouvia mais ninguém.
-Gente! Gente! Calma! – Gritava Sarah, mas a confusão só aumentava.

A confusão só parou quando um sapato voou pelo ar e atingiu a porta da sala, fazendo um barulhão. Todos se assustaram. Ao fundo estava Armando, com um pé de sapato e o outro de meia.

-Porra caralho! Vocês parecem um jardim de infância! Que merda! Agora prestem atenção, caceta! Nós viemos para passar o feriado! São cinco dias, o que significa que ainda temos mais dois dias para passar aqui! Por que diabos você tá com essa viadagem de querer ir embora agora, porra?

Greg baixou os olhos como um menino travesso. Armando continuou:

-A chuva que caiu fodeu tudo ao nosso redor. Estamos ilhados na fazenda, mas estamos seguros! A casa é boa. Aqui não inundou, e temos comida, bebida… Tudo bem que ta faltando luz, mas porra, meu bisavô viveu aqui décadas sem a porra da luz. Então me dá um tempo na choramingação, ok? Vamos dar dois dias, que é o que iriamos ficar aqui para esperar essa chuva maldita parar.

-Mas e se não parar? – Perguntou Sarah.
Se não parar, nós vamos pensar num plano. Mas eu me recuso a querer resolver qualquer coisa que seja agora! Tenham a santa paciência! Um degrau de cada vez.
-É, tempo tem dessas merdas. Pode estar chovendo agora e amanhã vai que abre o maior sol? – Disse Nareba.

Todos concordaram em silêncio. Armando atravessou a sala e pegou o calçado no chão. Recolocou no pé e foi pra cozinha: – Quem me ajuda a fazer o almoço?

-Bora lá! É nossa vez! – Disse Nareba ao amigo russo e os dois se juntaram a Armando na cozinha.

Algum tempo depois, enquanto os três cozinhavam, Greg, Aninha e Sarah jogavam baralho na sala. Aninha buscou uma das garrafas de uísque.

-Pronto pra perder de novo, Greg?
-Só jogo de novo se for strip poker! – Disse ele, sorrindo maliciosamente.
-Não sei pra que ainda perco meu tempo te dando trela. – Disse Aninha.

Alguém gritou da cozinha que o almoço estava pronto.
Minutos depois todos estavam sentados à mesa, almoçando um frangão assado com arroz e sobras do churrasco.
Enquanto almoçavam os jovens trocavam ideias sobre a chuva.

-Acho que temos que pegar o carro e dar um pulo para ver como está a ponte! – Disse Nareba. Vladmir Obrushev concordou:
-Sim, porque mesmo que a chuva passe, pode ser que o estouro da represa lá em cima tenha aumentado o nível do rio.
-Faz sentido! – Disse Sarah – Até seria bom para ficarmos de olho e não sermos pegos de surpresa por uma enchente no meio da noite.
-Enchente aqui nunca chegou, porque a casa ta na parte alta do terreno. Mas quando eu era guri deu uma enchente que a água chegou la na porteira. – Falou Armando.

Os rapazes concordaram que após o almoço três deles sairiam com a van até a saída da fazenda para verificar o estado da estrada.

-Eu quero ir! – Disse Greg.
-Gente, seguinte, o ideal é ir pouca gente, porque quanto mais leve a van, menor chance dela atolar, concordam?

Todos concordaram.

Armando deu um gole na cerveja e disse: Eu vou com o Russo e com o Nareba. Greg, tu fica com as meninas.
-Porra, me deixando de fora da jogada de novo? – Perguntou aninha.
-É uma questão simples, querida. Você não tem braço para ajudar a desatolar uma van! E o Greg é pesado demais. Além do mais… Sei lá. Esqueci. Alguém vai querer este pedaço?
-Vamos dividir! – Disse o russo, metendo o garfo no peito do frango.

Após recolocarem a bateria na van, Armando, Marcelo e Vladmir partiram com o veículo em direção à saída da fazenda. Chovia fraco e a van mergulhava em grandes poças de lama.

Quando eles chegaram na porteira, Armando virou-se para eles e disse: – Caras, daqui pra frente vai ser aventura! Fiquem ligados.

Não deu outra. A van afundou logo de cara um enorme barreiral.
-Puta merda! Será que vai atolar?
-Não sei!
-Continua acelerando na mesma velocidade. Não acelera em reduz! – Gritou o russo.
-Vai girando a direção. – Disse Nareba.

Gradualmente, e com dificuldade, a van foi atravessando o atoleiro. Quando ela saiu do outro lado da enorme poça, estava toda suja.

A van subiu o morro, deslizando um pouco devido à camada de lama mole, mas chegou à mata. A travessia da parte de mata fechada foi mais fácil, porque a vegetação havia drenado bem a água da chuva.

Quando os jovens chegaram até a ponte… Se depararam com um rio caudaloso, enorme, que havia tragado a ponte e toda a vegetação ao redor. O rio havia inclusive arrancado árvores.

-Ca-ra-lho! – Exclamou Nareba ao ver a língua marrom gigante em que o pequeno e inofensivo ribeirão de águas cristalinas do dia anterior havia se tornado.
-Tamo ferrado, véio! – Disse o russo.
-São impressionantes as força da natureza, meus caros! – Concluiu Armando, acendendo um cigarro.
-Véio… Teu amigo Greg vai arrancar os pentelhos do cu quando souber que a ponte já era.
-Não quero nem ver o pití. Pior que nem celular funciona… E sem luz, provavelmente vamos perder tudo que tava na geladeira não vai demorar.
-Meu… Que bosta.
-Não tem o que fazer. Temos que voltar. – Disse Marcelo Nareba.
-Tem outro caminho, Armando?
-Não sei, cara… Acho que sim, mas…
-Pensa aí, maluco! É caso de vida ou morte, mermão!
-Eu me lembro muito vagamente… Cheguei a ir com meu pai. Passa a porteira e pega aquela estradinha da esquerda. Segue reto. Vai dar uma outra estradinha de fazenda. Essa fazenda tinha uma quebrada lá que dava numa ponte, que era de concreto e trilho… Mas não faço ideia de como está hoje. Acho que venderam a fazenda lá.
-Meu… Temos que ir lá verificar. Não podemos voltar na casa e dizer ao resto da galera que vamos morrer na tua fazenda mal assombrada.
-Ela nunca foi mal assombrada de verdade. Eu só falei aquilo para as meninas virem, pô.
-Quem não sabe isso, né veio? Tu imitou uns dois filmes que eu já vi. – Riu o nerd.

Enquanto voltavam, após uma curva, Nareba apontou algo na estrada: – Ei que merda é aquela lá na frente?

Era um homem de chapéu montado num cavalo preto.

-Talvez ele saiba um caminho! – Disse Armando.

Eles aceleraram a van e se aproximaram do cavalo.

-Ôôooo… – Disse o sujeito, que usava um chapéu de palha, fumava um cachimbo feito de sabugo de milho e cavalgava quase que completamente alheio à chuva.

-Boa tarde meu senhor! Eu sou o dono da fazenda Cavaral ali.
-Prazer. Inácio às suas ordens. – Disse o homem acenando do cavalo. O senhor é parente do velho… Como era mesmo o nome dele?
-Abdias!
-Isso mesmo… Seu Abdias! Gente boa ele! Que o Senhor nosso Deus o tenha! – Disse o sujeito no cavalo.
-Eu sou o sobrinho dele. Sabe o que é… Estamos com problema de luz na fazenda.
-Tá tuuuudo sem luz mesmo, moço! – Disse o homem do cavalo.
-Eu sei, é que fomos até a ponte de madeira, e o rio arrancou ela.
-É arrancou mesmo. Tô vindo e lá também.
-O senhor sabe se a ponte da outra fazenda ainda tá de pé?
-Aquela da Geplac?
-Sim senhor… Eles venderam, acho que é isso.
-Olha… Que eu sei, a Geplac fez uma nova ponte, bem maior até, pra passar “os caminhão”… Mas eles não deixam as pessoas de fora passar dentro da fazenda deles não. Tem medo dos Sem Terra. Todo mundo sabe que “os segurança” lá “mete” bala! “Atira” primeiro e pergunta depois!

Os rapazes se entreolharam no carro. Pareciam desolados. O homem do cavalo cortou o silêncio.

-Aqui… Deixa eu falar um negócio com o senhor…
-Pois não.
-O seu tio quando era vivo, me pediu pra consertar um dos geradores la da fazenda… Eu consertei mas não pude entregar…. Porque o senhor sabe, né? Que Deus o Tenha em sua infinita Graça!
-Gerador? O senhor tem um gerador?
-Não… O gerador é seu… Quer dizer, do seu tio, né? Quebrou a polia principal e ele me pediu pra consertar. Tá consertadinho. Eu conserto “os trator tudo das fazenda” por aí afora!
-Então vamos lá buscar!
-Eu tô indo pra lá. Vamos junto então. – Disse o sujeito, espetando as esporas no cavalão preto. O animal relinchou e disparou correndo pela estada de terra.

Armando acelerou o carro e seguiu o homem.

Eles percorreram quase uma hora de carro até chegar na casa do sujeito, que era numa baixada que estava quase alagada.

-A água tá só que sobe… – Disse o homem, saltando do cavalo.

Ele caminhou até a casa, de madeira, meio caindo aos pedaços. Ao redor havia toda sorte de ferros velhos. Carcaças de carros antigos, pedaços de tratores, e muitas peças empilhadas pelo jardim. A varanda era toda rodeada de cascos de tatu. Alguns enormes.
Armando se espantou!

-É que eu sou mecânico de trator e caçador! Por essas bandas aqui, tem até onça! – Disse o homem, com um olhar estranho. Então apontou para a parede dos fundos do barracão e os três espantados viram uma enorme pele de onça aberta na parede.
O Russo olhou para Marcelo. Não disse nada, mas Marcelo Nareba pôde ver que o Vladmir estava achando o sujeito meio assustador.
-Bom… Aqui está. É esse aqui! – Disse o homem mostrando o gerador. Era um gerador pequeno, menor que um frigobar.

Vamos colocar ele na van. Me ajudem! – Disse Armando aos amigos.

-Porra como pesa essa merda! – Gemeu Nareba.
O sujeito de chapéu começou a rir.

– Precisa comer mais angu, meu filho! Ó “os bracinho” dele! Deixa comigo. – Então ele pegou sozinho a peça como se ela fosse de papel. Levou até o carro. Nareba se sentiu humilhado. Vladmir correu e tirou um dos bancos, para facilitar o transporte.
Após colocarem as coisas na Van, mais um galãozinho de gasolina, que o sujeito disse que era “cortesia da casa” ele convidou os garotos para tomarem um café.

Armando ameaçou agradecer e sair, mas o sujeito pareceu ficar bravo.
-O povo daqui não faz essas desfeitas não, meu rapaz!

Os jovens se entreolharam e foram para o barracão do sujeito. Ele tinha um fogareiro à gás e em poucos minutos fez um café que tinha um aroma delicioso. Vladmir Obrushev fez cara e nojo quando viu o homem abrir um armarinho enferrujado e tirar um coador que parecia uma cueca cagada.

Armando e Marcelo fingiram não perceber e distraíram o homem, perguntando sobre aquele monte de facões, foices e outras armas.

-Ah, eu gosto dessas coisas, sabe. A melhor coisa que você pode fazer com um facão desses é matar um porco. Já matou porco rapaz?
-Não senhor! – Disse Marcelo Nareba com os olhos arregalados.
-Pois é muito “bão”! – Disse o homem indo até a parede, onde pegou um facão fino e comprido. Em seguida foi até o banquinho de madeira onde estava o Russo.
-Você agarra o porcão assim, ó… – Disse ele, dando um mata-leão em Vladmir Obrushev. O jovem nerd arregalou os olhos de medo ao ver o homem estranho erguer no ar o facão na direção de seu pescoço. O sujeito era assustadoramente forte. Seus músculos pareciam de aço. Vadmir não conseguia nem se mexer, paralisado de medo e por ser muito mais fraco que o caçador sinistro. – E depois estoca a faca reto. Não pode ser de lado não que ele não morre. Cuidado que ele morte. Tem que meter reto pra pegar no coração do porcão. Aí ele morre, entende?

Em seguida, Inácio soltou o jovem russo, que começou a tossir, sem fôlego.
-Tá doente, fio?
-Não… Não… Tô bem, tô bem. Cof-cof!

-E o senhor já matou de tudo seu Inácio? – Perguntou Armando, rindo do amigo russo.
-Até gente, meu compadre! Já matei uns dois jagunço aí… Sabe como é. Não se criam na região. Aliás, eu já quase matei até… Vocês num vão acreditar!
-Conta! – Nareba parecia empolgado.
-Já quase matei um chupacabra!
-Ahhhhhhh!
-Conta outra!
-Hahahahaha!
-Num ri não que é sério, uai! Apareceu no sítio dos Barenardes, lá do outro lado do ribeirão. Tem coisa duns dois anos.
-Sério mesmo?
-Uai, sô! Mentiroso aqui só ele ali ó. – Disse o caçador, zoando Vladmir.
Todos riram.

-Conta aí! – Disse Armando enquanto pegava o copo de geleia com dois dedos de café.

-Forte hein?
-Eu gosto assim. Tão forte que dá para partir o café com faca!

Os meninos começaram a rir. O sujeito era assustador, mas bem espirituoso. Ele contou que havia se atracado com a criatura em plena madrugada, nos fundos da fazenda.
-Ele tava comendo tudo. Galo, galinha, ganso… O bicho era feio como o capeta! Fiquei de tocaia e peguei ele comendo um dos cachorros. O bicho coitado, focou queitinho… Parece que ele faz um barulho que “himpinotiza” o bicho, sabe?
-Sei.
-Então eu pulei e atirei nele. Eu não vi, mas acho que o tiro pegou nele. E o chupacabra largou o cachorro. Achei que ele ia fugir mas ele veio foi pra cima de mim! Só vi aqueles “oião” rasgado. Não deu tempo de recarregar. “Garrei” na faca e “rolamo” no chão. Senti o bafo dele. Bicho ruim! Aqui ó! – Contou o caçador, arregaçando a manga da camisa úmida para mostrar uma enorme cicatriz no braço, com uma queloide grossa que parecia uma taturana.

-Santo Deus!
-Aqui foi onde ele me agarrou. Os “unhão”. Ele tem tipo duma crista meio peluda, não sei se é espinho… Tava tudo escuro. Mas ele tentou me morder. Depois que eu estoquei essa faca ali, essa aqui ó… Depois que eu estoquei nele a faca, daí ele fez um grito assim: Auváááááái! (imitou um grito bizarro) e saiu pulando feito sapo. Mas pulou alto. Eu tava muito machucado e num aguentei correr atrás. Mas o bicho nunca mais voltou!
-Jesus!
-Gente… Olha, o papo ta muito bom, mas já ta meio tarde. As meninas devem estar achando que caímos no rio com van e tudo! – Disse o Russo.
-Puts! É mesmo! – Falou Armando.

Eles já estavam ligando o carro quando o homem se aproximou da janela.
-Vão com Deus! E olha, fiquem na casa! Deu no radio de ondas curtas que as pessoas estão juntando as tralhas e fugindo com medo da inundação. O melhor e aguentar firme até o socorro chegar. Falou que os rio vão tudo transbordar!

Eles agradeceram e partiram com o gerador de volta para a fazenda.

Uma hora depois, encostavam a van na porta do casarão. Na varanda, Greg, Aninha e Sarah. Todos com cara de ódio.

-Mas que merda foi essa? – Gritou Sarah.

-Porra é uma longa história!
-Pensamos que vocês tinham morrido, seus retardados! Olha aí! Tá quase escurecendo e vocês não voltavam!
-E a ponte? – Perguntou Greg.
-Greg… Relaxa. Me ajuda primeiro a pegar o gerador no carro.
-Gerador? Que gerador?
-Um vizinho da fazenda tem um gerador. Vamos ter luz!

Os rapazes pegaram o gerador e levaram até a sala. Montaram o aparelho na cozinha.
-Rápido, temos que ligar a geladeira. Não tem muito combustível, mas se não ficarmos abrindo ela toda hora, ligando ele de vinte em vinte minutos a cada três horas acho que vamos manter tudo sem estragar.
-E a gente vai beber cerveja quente? – Perguntou Greg.
-Greg, senta aí. Aí. Isso. Olha, meu… Sabe a ponte que você quase caiu?
-Sei.
-Pois é. Não tem mais ponte. Nem árvore e nem mais estrada e nem mais porra nenhuma! O riozinho virou as cataratas do Iguaçu, meu chapa!
-Não fode!
-Não tem jeito, Greg! Estamos presos aqui, você queira ou não queira e nada vai mudar isso, portanto, minha recomendação é que começamos a beber cerveja, refri e água, tudo quente. A geladeira tem que servir só para não deixar a carne estragar. Senão, estaremos mais na merda ainda, sem comida e sem saída. – Disse Armando.

Nareba ia dizer alguma coisa, mas um trovão de proporções bíblicas estourou no ar, assustando todo mundo.

-Puta que o pariu! – Disse Vladmir, correndo para a janela.
No céu, nuvens negras pesadas se espalhavam pelo céu. Os relâmpagos recomeçaram. Minutos depois a chuva caía torrencialmente.

-Merda é que quanto mais chove, mais o solo vai encharcando. Daqui a pouco, qualquer lama vai ser atoleiro!- Disse Armando.
-Caralho! Caralho, que merda! Você me fodeu cara! Sacanagem! -Gritou Greg, apontando o dedo na cara de Armando.
-Porra véio, eu não sabia. Tu acha que eu sabia que ia dar esse caralho de tempo aí? Acha que eu sou o que? Um maluco?
-Foda-se! É culpa sua! Culpa sua, cara! Essa porra de fazenda, essa merda toda. Por que eu foi pela sua cabeça de vir passar o feriado santa na sua fazenda, caralho? Vou perder a semifinal! Culpa sua! Desgraçado! – Greg deu um bico na porta e sentou-se no sofá com a cabeça entre as pernas.

Aninha tomou um gole de uísque. Acendeu um cigarro e virando-se para os demais disse: Gente, o pior que fazemos agora é brigar. Temos que agir racionalmente para sair dessa roubada!
-Certo. A Aninha tem razão! – Disse Sarah. – Eu vou no quartinho buscar as velas. Já tá bem escuro!
-Vlad, você pode ver pra mim o lance da galadeira e do gerador? -Perguntou Armando.
-Demorou! Xácumigo! – Disse o russo correndo para a cozinha.

-O que vamos fazer? – Nareba ao Armando.
-Macarrão com salsicha?
-Partiu!

A noite caiu, escura, úmida e fria. Era chuva de vento e eles fecharam todas as portas e janelas. Haviam jantado macarrão sob a luz das velas.
Acabado o jantar, foram jogar mexe-mexe na mesa da sala. Talvez pelo clima escuro, talvez pela arquitetura tenebrosa daquele casarão ermo, ou pelas sombras fantasmagóricas que as luzes das velas desenhavam nas paredes, o papo foi parar em histórias de “assombração”.

Nareba contou a aventura do caçador com o chupacabras. As meninas começaram a rir.

-Porra… Chupacabras? Era melhor contar que viu o Seu Zezé procurando o braço! – Riu Greg.
-O cara falou sério. Até mostrou a cicatriz! – Disse Armando se servindo de mais uma taça de vinho.
-Cara queria que tivéssemos trazido mais comida do que bebida! – Disse Vlad.
-Porque água não falta! – Completou Marcelo.
Todos concordaram que água era o que não faltava.
-Sabe o que é foda? Meus pais vão surtar de preocupação. – Disse Sarah.
-Pelo menos alguém se importa com você. Meu pai tá arriscado comemorar! – Aninha parecia amargurada. -Pra ele, se eu não voltar nunca mais, tá ótimo.
-A gente tinha que dar um jeito de fazer pelo menos um celular funcionar. – Concluiu Nareba. -Em todo caso… Bota mais vinho aí, véio! – Gritou Nareba.
-Já é tua terceira taça, Marcelo! – Sussurrou Sarah.
-Shhhh! Não começa…
-Porra, se a gente conseguisse usar a antena do radioamador para conectar como se fosse a antena do celular, talvez funcione. – Disse Vladmir.
-Sério? – Perguntou Armando.
-A antena fica no alto do telhado do casarão. Ela é bem alta e talvez consiga gerar alguma recepção de sinal. – Disse o russo gordinho.
-Porra se tu conseguir fazer isso, eu tiro meu chapéu, véio! – Falou Nareba.
-Se não tivesse rolando uma tempestade cabulosa a gente podia tentar até agora mesmo. – Vladmir estava empolgado.
-Amanhã a gente tenta, cara! Bora jogar?
-Eu sabia que devia ter trazido meu RPG.
-A bazuca? – Perguntou Greg com cara de surpresa.
-Não, porra. O jogo né? Pra que alguém vai trazer uma bazuca para uma fazenda, meu?
-Sei lá? Pra enfiar no cu do nareba! – Greg deu uma sonora gargalhada.
-Muito engraçado. Nossa, não sabia que o Greg era humorista. Peraí que estou tendo convulsão de riso aqui, gente. – Disse Marcelo. As meninas começaram a rir. Greg ficou puto.
-Ahhh…. Que foi? Greguinho tá bravinho? Tá bravinho porque é tão burro que acha que jogo de RPG é bazuca, né Greguinho, o homenzinho da mamãe?
-Vai se foder, nareba gigante!
-Ou! Ou! Vamos parar, gente! – Gritou Armando.
-Ui! O orelha de couve-flor ta nervosa gente! Chora não orelhinha.
-Eu vou meter essa mão na tua cara, palhaço! Não me provoca!
-Marcelo. Pára Marcelo! – Sarah tentava segurar o namorado. Marcelo se levantou da mesa.
-Ui, ui, ui! Que medo do Greguinho malhadão! pena que não malha perna. Olha os caniço, minha gente! Meu, se eu fosse você, teria vergonha de usar bermuda.
-E você com esse chassi de frango?
-Pelo menos eu sou por igual. Mas você parece sei lá, uma perereca gigante! Perereca com QI de ameba.
-Para Marcelo, porra cara! Não tá vendo que o cara é dodói, meu? – Disse o Russo.
-Dodói? Vem cá que vou mostrar meu dodói no teu rabo!
-Se for fino igual a canela dele, pode ir sem medo, Vladão! – Riu Nareba. As meninas não aguentaram e caíram na gargalhada. Até o Armando, que era amigo de Greg riu.
Foi a gota dágua. Greg deu um tapaço de novela na cara de Marcelo, que capotou por cima da poltrona e caiu no chão.
-Greg, nããão!- As meninas gritaram. Armando pulou da mesa, derrubando taça de vinho no chão. Tentou segurar o Greg.
-Filho da puta! Gritou Nareba no chão. A boca cheia de sangue.
No segundo seguinte a garrafa estourava na cabeça de Greg. Era Vlad. Tinha comprado a briga do amigo.
Greg caiu sobre a mesa.

Todos pareciam petrificados olhando para o russo. Ninguém esperava aquilo dele.

-Caralho, maluco!
-Tu matou ele, neguinho! – Disse Armando.
-Que? Matou? – Aninha correu para cima de Greg.
-Greg! Greeeg! – Ela começou a sacudir o cara, emborcado sobre a mesa. Parecia um cadáver.
-Calma, gente, calmaaaa! – Pedia Sarah, chorando, enquanto amparava Marcelo, que cuspia o sangue no canto da sala.
Vladmir Obrushev Estava parado. Os olhos arregalados, surpreso com sua própria atitude. Ficou congelado, segurando a ponta quebrada do gargalo da garrafa de vinho.

– Eu… Eu… Eu não…

CONTINUA

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12 comentários em “Ganzu – O segundo dia”

  1. tá legal… mas é ruim que eu já não teria dado um jeito de abrir o geodo hein.

    Até agora não sabemos ao certo do que é a historia. Aliens? Fantasmas?
    Acho que esses carinhas vão acabar é se matando sem que apareça nenhum outro perigo em potencial.

  2. kkkkkk, resgatando o chupacabra em 2014.
    Duas perguntas:
    1 – Quando vai ter a continuação? Disponibiliza logo, senão eu mando o Vlad te dar uma garrafada.
    2 – Me diga Philipe, como você protege seus contos? Você registra?
    Vamos supor, que uma pessoa copia uma parte ou todo o seu conto e registra e publica na sua frente, como você vai fazer???

    • Opa, hahaha tranquilo. Chupacabra é sempre legal.
      Quanto as perguntas, vamos a elas:
      1- Vou escrever a parte 3 hoje ainda.
      2- De tempos em tempos, eu registro todo o material publicado como original na fundação Biblioteca Nacional, muito embora, o fato de ter publicado no blog já torna o conteúdo como material “publicado”, de modo que se alguém copiar ou plagiar o texto, estará sujeito a processo. Já processei pessoas por violação de direitos autorais. É bem fácil e muito simples de qualquer perito judicial verificar a data de publicação e autoria, uma vez que o meu material é indexado imediatamente após a publicação. Assim, mesmo que o cara corra com meu material e publique ele na minha frente, é bem fácil derrubar qualquer alegação de propriedade, porque existem peritos judiciais especializados em violação de copyright, e eu tenho uma boa relação com um dos meus clientes, que é simplesmente um dos maiores escritórios de advocacia especializada em patentes, direitos autorais, propriedade intelectual e contencioso judicial da América Latina.

      • Philipe, já que o Renato tocou no assunto. Para registrar o material na biblioteca nacional é necessário alguma coisa diferente que meros mortais não tenham? Tem custo?

        • Não, é bem relax. Tu leva duas copias do material, paga uma taxa no Banco do Brasil, rubrica todas as paginas do seu original e preenche um formjulario padrão onde diz o que é seu material. Lá registra livro, roteiro, novela, programa de tv, personagem de ficção, quadrinhos… Registra a porra toda. O que não registra lá é marca, (que é no INPI) nem invenção (que é no mesmo lugar) e nem obra (que acho que é no Crea, ou outro órgão) Programa de computador tb é no INPI, mas se for multimídia, acho que é lá tb. cada tipo de registro tem um custo. A moça que trabalha la certa vez me disse que o terror deles é o Miguel Falabela. Ela disse que ele chega la com uma MALA lotada de roteiros e peças de teatro, para registrar.

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