Ganzu – O quarto dia

-Cruzes! – Armando se benzeu.  Greg deu um pulo para trás e caiu sentado no sofá.

-Que merda é essa? – Perguntou Aninha, boquiaberta.

-Está vivo! Tem uma coisa viva dentro! – Disse Marcelo, sem acreditar no que seus olhos viam.

-Gente… Parece algum tipo de salamandra. Sei lá. – Disse o Nerd.

-Eu não conheço bem salamandras, mas não creio que isso seja uma! – Afirmou Sarah.

-A pergunta agora é: O que vamos fazer com esta merda aí! – Disse Greg.

-Você não queria dividir? Então, uma parte dessa coisa é sua! – Falou Nareba.

-Cruz credo! Sai de mim! Vira essa porra pra lá.

-Calma, calma, gente! Não vamos começar a confusão! Espera. Vlad, desliga essa luz. Deve estar incomodando o trocinho. – Disse Armando, se aproximando mais do grupo que circundava o geodo.

-Pode crer! – Vladmir desligou a lanterna.

-Tá vendo? Quando desliga a luz ele para de mexer. Deve estar habituado ao escuro.

-Olha, não sei quanto a vocês, mas eu diria que essa merda é extraterrestre! – Sentenciou Aninha.

-O que? – Perguntou Greg. – De outro planeta? Fala sério.

-Isso mesmo, Greg! Gente, vamos pensar um pouco… Essa porra aí tava enfiada numa pedra. Lacrada. E se essa pedra for um meteoro?

-Bom, neste caso, se a explosão da casa do seu Zezé foi um acidente com um meteoro… Essa coisa pode ter vindo nele.  – Disse Nareba, concordando com a roqueira do cabelo azul. – O que você acha, Vladão?

-De fato, tem umas teorias que sugerem que a vida na terra pode ter sido originada em outros planetas. Ela teria caído aqui à bordo de meteoros. Mas toda essa teoria se baseia em seres unicelulares… Nunca um… Bem, eu nem sei o que é isso. Sei que não é unicelular!  Mas por outro lado, um bicho grande não sobreviveria a entrada na atmosfera, nem ao choque com o solo. O meteoro quando entra na atmosfera derrete.  A pedra é incompatível com isso, não há sinais disso na camada externa da pedra.

Marcelo Interrompeu o russo: -Bom, isso se você estiver imaginando que o geodo é o meteoro. Mas… Vamos supor que essa coisa tava lá num planeta na puta que o pariu… Aí, sei lá, uma porrada com outro planeta, catapultou essa merda para o espaço. Esse troço estava dentro de um enorme, gigantesco meteoro, e ficou vagando, errando pelo espaço infinito…

-Porra, para de enfeitar, cara. Conta logo o que você acha que foi! – Disse Greg, impaciente.

-Aí o Meteoro, por alguma razão cai na Terra. Ele começa a se fragmentar. Vai se dividindo, se partindo se quebrando até que finalmente ele entra na camada de chuvas, e estoura com o calor perto do solo. Ele explode antes de bater no solo, liberando o geodo espacial como um tiro. Aí essa coisa afunda num enorme buraco no solo, e o solo mole de lama absorve o impacto de modo que ele desacelera lento o suficiente para não virar um patê aí dentro…  – Disse Nareba.

O Russo coçou a cabeça… Olhou para o geodo. – Isso explica o buraco, a explosão… E tirando o fato de que essa coisa pode ter bilhões de anos… Não deixa de ser plausível, já que as propriedades físicas e químicas que formam um geodo na Terra certamente formam geodos no espaço… – Concluiu Vladmir Obrushev.

-Ah, eu não acredito nisso não! Tá forçado demais, caras! – Disse Armando. Pra mim, essa porra aí é algum tipo de fóssil vivo. Sei lá… Um camarão pré-histórico talvez.

-Você tá ligado que um camarão pre histórico é bem mais forçado que um alien num geodo espacial né? – Perguntou Nareba.

-Essas teorias estão furadas. Eu vou dizer que merda é essa. – Disse Greg.

-Lá vem merda! – Sussurrou Marcelo no ouvido do Russo.

-Não comecem! – Alertou Armando. – Deixa o Greg falar! Conta aí, Greg! Que bosta de bicho é esse?

-Isso aí é o ovo do chupacabras!

Todos caíram na gargalhada.

-Que foi? Que porra é essa? Falei alguma rata?

-Porra, véio! Forçou. Chupacabras nem existe. Ainda mais ovo! E quem disse que o chupacabras bota ovo? – Riu Aninha. Sarah estava se escangalhando de rir das teorias.

-Ah, tá. Vão me zoar agora. O homem do camarão-dinossauro e o outro do Etê petrificado… O Maluco lá que vocês encontraram não tinha dito que lutou com um chupacabras?  Pode ser, cara!

Aninha começou a assoviar a introdução da musica de Arquivos X.

-Vamos chamar o Mulder!

-E você, Sarinha? O que acha que é essa merda aqui? – Perguntou Armando.

-Não sei. É nojento… É fedido. Pra mim é só mais um bicho da Terra. Ninguém aqui é biólogo! Acho engraçado vocês fazendo teorias cheias de maionese. Esse pode ser um ovo de algum tipo de bicho aqui da Terra mesmo, que talvez ninguém tenha falado pra nós que existe.

-Porra, a Sarah mandou bem, gente! – Disse Armando.

-Sim, pegando a Navalha de Occam… – Falou o Nerd.

-Navalha? Vai cortar essa Merda? – Perguntou o lutador.

-Não… Navalha… Ah, deixa pra lá. É tipo uma parada que diz que em duas hipóteses possíveis, a mais fácil é a verdadeira. E é mais facil que seja um bicho comum, mas que a gente não conheça. – Respondeu Vladmir.

-Só falta agora explicar como que esta merda aí entrou numa pedra!  – Disse Marcelo Nareba. Todos concordaram.

-Sim…  Esse é o grande mistério! – Disse o russo. Em seguida, Vladmir parou, pensou um pouco e concluiu: – Isso é realmente estranho, porque um geodo não se forma rapido. Seja la isso o que for, esta coisa está numa espécie de ovo por muitos milhares de anos! Esse tipo de cristalização mineral sugere que o bicho, se for da Terra, é muito mais antigo que tudo que nós conhecemos. O que por si só é uma impossibilidade biologica, porque como esta porra vai ficar viva tanto tempo?

-Será que ele tava hibernando, tipo um urso? – Perguntou Greg.

-Tem bichos que conseguem entrar num estado quase morto e viver muito tempo… Mas realmente, eu não sei.

-Seja o que for… Vocês não estão ainda visualizando a oportunidade que esta coisa está se mostrando na minha cabeça, meus camaradas! – Disse Armando.

-Hummm… Lá vem ele com aquela cara! – Disse Sarah, mexendo com o amigo.

-Pensem, senhores! Olhem para esta coisa. Podemos estar diante de um organismo ancestral. Sabe o que significa isso?

-Vamos ficar ricos! – Disse Greg.

-Claro! Imagina a nota preta que poderemos cobrar para mostrar essa coisa no Fantástico? – Disse Marcelo com brilho nos olhos.

-Que Mané Fantástico? Pense grande, meu rapaz! Isso é grana pura! Estou falando de documentários do Discovery! De Museu Smithsoniano! De reescrever a história evolutiva do planeta. Ficaremos ricos e famosos! E isso se ele for da Terra, porque se ele for de outro planeta, meus amigos… O Céu é o limite. O treco é estranho, fedido, mas é um bilhete premiado!

Todos se entreolharam em silêncio. Aquilo fazia realmente sentido.

-Ei, isso merece um brinde, brother! – Disse Greg.

Todos concordaram e Vladmir foi até a geladeira pegar as cervejas.

Todos comemoraram, enquanto lá fora, a chuva caía torrencialmente. Diversas vezes Marcelo pegou Sarah olhando para ele à distância, mas ela desviava o olhar toda vez que era pega.

-Tô pensando em fazer um bolo, gente. – Disse Aninha.

-Bolo de maconha? – Perguntou Greg.

-Não, pô! Bolo normal, pra galera tomar com café.

-Tem que ver como estamos de gás! –  Marcelo falou, sem desviar o olhar da pedra sobre a mesa de centro.

-Cara o quartinho tem quatro botijões cheios. Como a casa é distante, o meu tio comprava em grande quantidade. – Disse Armando.

Aninha foi para a cozinha fazer o bolo, e Sarah resolveu ajudar a amiga.

Os meninos continuaram ao redor da pedra.

-Como será que ele é?  – Perguntou Marcelo.

Vladmir tentava olhar a coisa por todos os ângulos.  – Não dá pra saber. Ele ta nessa  bolsa, parece um saco de fibras, uma espécie de bolsa de proteínas.

-Sabe como devia ser o nome dessa coisa? – Perguntou Greg.

-Como?

-Kinder Ovo do diabo!

Todos riram às gargalhadas.

-Do diabo por que?  – Perguntou o russo.

-Não parece algo que Deus nos daria. – Respondeu o lutador da poltrona de couro rústica.

 

-Mas se nos deixar rico, pode ser do que for! – Respondeu Armando.

-Sabem, o meu medo é que uma vez aberta a pedra que protegia a coisa, ela acabe morrendo. Grande parte do líquido escorreu… – Disse Vladmir. Todos concordaram em silêncio.

-Gente, se ela morrer… O que podemos fazer? Colar a pedra é que não dá. – Marcelo parecia preocupado, mas ao mesmo tempo, sabia que não havia muito a ser feito.

-Agora… Essa coisa não pode ficar aqui no meio da sala. Não demora alguém vai acabar derrubando ela, e aí tá arriscado o “Kinder Ovo” morrer mesmo. – Disse Armando.

-E se a gente colocasse essa coisa lá no quartinho? – Perguntou o russo.

-No quartinho dos fundos?

-É, Armando. Acho que é um lugar bem protegido. E escuro. -Disse Marcelo.

-Tudo bem, gente. Podemos forrar o chão com jornal… No quartinho vai ser melhor mesmo, se guardarmos isso nos quartos de dormir, com esse cheiro de feto de urubu, vai ser foda de alguém dormir depois.

-Gente, Daqui a pouco o bolo tá saindo. Quem vota em cobertura de chocolate aí? – Gritou Aninha da porta da cozinha. Todos levantaram as mãos. Greg levantou as duas.

-Bom, vamos levar logo essa porra pra lá. Temos que limpar essa gosma fedida antes do bolo, se não…

-Bolo sabor defunto! – Riu Marcelo Nareba.

Armando buscou um grande pano de chão e entregou ao russo. Vladmir pegou a pedra com cuidado, e Marcelo pegou a outra metade do Geodo. Eles foram para a cozinha e dali, nos fundos, chegaram ao quartinho. O quartinho era um cômodo pequeno, sem janelas, repleto de moveis velhos empilhados, pedaços de coisas quebradas, algumas ferramentas,  botijões de gás, sacos de ração de cachorro mofada. Tinha prateleiras de diversos tamanhos, algumas empenadas pelas três paredes. No alto delas estavam vidros de maionese com álcool contendo toda sorte de bichos, cobras escorpiões, lacraias….

Tinha uma pilha grande de tachos, panelas de ferro, chicotes, balaios pendurados do teto, candeeiros, sacolas, pilhas e pilhas de jornais amarelados, revistas velhas… Havia um radio antigo de válvula com um papel desbotado onde estava escrito “com defeito”, mais de dez varas de pescar feitas de bambu, redes, chinelos velhos, ferros de passar antigos cobertos com grandes teias de aranha junto ao teto. O quartinho era uma confusão, e era também imundo. Foi preciso Armando abrir espaço, empilhando coisas para poder colocar o geodo no meio do quartinho.

-Ué! Que isso? – Disse ele, puxando uma grande caixa de madeira escura que estava soterrada de jornais.

-Uma caixa! – Disse Greg.

-Nããão. Sério mesmo? – Perguntou Marcelo, zoando o lutador.

-Que que tem aqui? Caramba! São fotos de família! – Disse Armando. – Vou Deixar isso aqui para ver depois.

-Olha! Tem um jogo de gamão.

-E Xadrez! Ou dama… – Marcelo apontou a outra caixa com seus quadradinhos preto e branco.

-Pronto. Tá forrado. Pode colocar o bagulho. – Disse Armando.

-Cuidado para não entornar o caldo, Vladão! – Alertou Marcelo.

-Ok… Com cuidado. Aí está. A casa nova do Kinder ovo. – Disse o Russo colocando o Geodo com cuidado sobre o circulo de toalhas gosmentas sobre as folhas de jornal velho.

-Olha esse jornal, meu! O JB de 1988!

-Fala do Sarney! – Riu Armando.

Os meninos fecharam o quartinho e saíram.

-O bolo tá pronto! – Disse Aninha.

-Ih, temos que limpar a sala! Segura a onda aí, cabelos azuis! – Falou Greg, pegando o pano de chão e o balde junto ao tanque de lavar roupas.

Os quatro foram para a sala armados de baldes e panos de chão. Começaram uma meticulosa limpeza da mesa de centro.

Enquanto eles limpavam a sala, Sarah arrumou a mesa e retirou a louça do almoço que havia sido esquecida.

-Parece clara de ovo, né? – Perguntou Marcelo.

-Vamos logo que eu tô doido pra comer este bolo! – Disse Armando.

Alguns minutos depois, o ambiente estava limpo e com cheiro de produto de limpeza. O odor da gosma do geodo ainda não havia se dissipado completamente, e foi preciso entreabrir as janelas para o cheiro sair. Mas a qualidade do ar já havia melhorado substancialmente.

Aninha trouxe o bolo ainda quente para a mesa da sala.

-E o café? – Perguntou Armando.

-Saindo! – Gritou Sarah lá da cozinha.

Minutos depois, Sarah chegava na sala com o bule de café quente.  – Minha mãe sempre dizia que bolo quente dá dor de barriga.

– E essa chuva desgraçada que não passa, meu? – Disse Armando, olhando para a janela.

-O Jardim está encharcado. Imagina as estradas de terra? – Falou Vladmir Obrushev.

-Vejamos o lado bom… Estamos secos. Protegidos. Temos ainda bastante comida, gás e por enquanto não faltou água…

-Jantando à luz de velas todos os dias. – Riu Aninha.

Assim que a gente vê como que era antigamente, né?

-Eu vou dizer que sinto uma falta absurda do meu Playstation! – Falou o nerd.

-Bom, pelo menos o Armando achou uns jogos, né cara?

-Gamão, dama e xadrez!  A gente pode armar um campeonatinho.

-“Fó fei jogar bama”. – Disse Greg, com a boca cheia de bolo.

-Sou fera na Dama. Cês tão ferrados comigo! Passei anos jogando isso com meu avô no hospital. – Disse Sarah, empolgada.

-E essa caixona? – Perguntou Aninha, apontando a caixa escura sobre o aparador.

-São umas fotos de família! – Disse Armando.

-Ah, então vamos ver os personagens que habitaram este casarão.

-É estranho pensar que quase todo mundo que deve estar aí nessas fotos já está debaixo da terra. – Disse Marcelo, se servindo de mais uma fatia do bolo.

Os jovens terminaram o café sob o som dos trovões lá fora. A chuva ora aumentava, ora reduzia de intensidade, mas não parava de cair. Eles passaram a jogar. Armando e Nareba ficaram olhando as fotos na mesa, iluminada pela luz de velas. Rapidamente escureceu.

Ninguém estava com vontade de jantar, pois todos haviam comido muito bolo. Somente Armando quis comer alguma coisa, e fez um sanduíche de pão de forma com um dos bifes que havia sobrado do almoço.

-Sem Tv, sem nada pra fazer! Ai que tédio desgraçado! – Disse Greg.

-Pelo menos eu tenho meu livro! – Falou o russo do sofá, enquanto passava a página, iluminada pela luz da vela.

-Também, pra ler isso aí, é preferível ficar sem fazer nada. – Respondeu o lutador.

-Passei grande parte da minha vida desejando não fazer nada. Agora que estou completamente sem nada para fazer, dá vontade de fazer tudo! – Riu Armando lá da mesa, enquanto comia seu sanduíche.

Aninha e Sarah não disseram nada. Estavam sentadas ao redor da mesa de centro, concentradas no jogo de xadrez.

-Meu… Um dia inteiro trancado em casa. É uma prisão! Assim que a gente vê que ser preso deve ser foda, né? – Comentou Armando.

-Vladão, que horas tem? – Perguntou Marcelo.

-Dez e vinte! – Respondeu o nerd, consultando  relógio. – As meninas tão nessa partida já tem mais de uma hora! São encardidas no xadrez!

-Nunca pensei que a Aninha soubesse jogar xadrez. – Disse Marcelo Nareba.

-Tá vendo seu preconceito, meu filho? – Disse a menina de cabelos azuis sem desviar o olhar do tabuleiro. – Xeque!

-Porra, bispo filho da puta! – Disse Sarah.  – Pois eu sabia que a Aninha sabia jogar, porque a gente cansava de jogar desde a oitava série, né amiga?

-Vocês duas nunca desgrudam, né? – Perguntou Greg.

Aninha parou o jogo e olhou para o lutador que estava jogado no sofá.

-O que você está querendo dizer?

-Sei lá… Nada… – Disse o gigante, sorrindo maliciosamente.  – Nunca vai rolar nada entre vocês duas!

– Ow! Porra, Greg! – Disse Aramando.

Aninha estava quieta, séria, olhando para Greg. Começou um clima estranho. O nerd fechou o livro.

-Nunca vai rolar porque a Sarinha não quer, né? Porque todo mundo aqui sabe que você sempre foi afim dela!

-Ah… Não fode Greg! – Disse Aninha, se levantando aos berros.

Todos se entreolharam. Sarah não desviava os olhos do tabuleiro. Estava petrificada.

-Greg, você é um babaca! – Disse Aninha com o dedo em riste na cara do lutador. Ele deu um tapão no dedo da menina.

– Não bota o dedo na minha cara, ô sapatão!

-Vai se foder, seu estúpido! – Ela disse, escarrando nele. Em seguida Aninha se virou e subiu as escadas correndo.

Todos olharam para Greg, que estava limpando o cuspe do rosto.  Ele sorria.

-Greg tu é muito Joselito, véio! – Disse Armando.

-Ah, véio. Não gosto dessas hipocrisias. Fica a vida toda borboletando ao redor da Sarinha, querendo pegar a garota e não se declara. Fica igual uma idiota fazendo musiquinha de amor dando recadinho e indireta. Pronto, já declarei ela.  Tá tudo às claras agora!

-Meu… Foi cruel. – Disse o Nerd, subindo.

-Vê como ela tá, Vladão? – Perguntou Armando.

Sarah não se mexia. Estava petrificada olhando as peças no tabuleiro de xadrez.

O nerd subiu iluminando o caminho com sua lanterna.

-Pra mim já deu. Vou dormir. – Falou Marcelo, se levantando e subindo.

-Bora, Nareba. Tem vaga no meu quarto, cara!  – Falou Armando, apontando as escadas com o polegar.

-Vamos pro nosso quarto também, Sarinha? – Perguntou o lutador.

Sarah, finalmente levantou os olhos do tabuleiro. Olhou bem na cara do Greg e disse:

-Não. Eu vou para o quarto. Você vai dormir onde bem entender, mas não é comigo.

-Que isso, gata?

-Gata é a puta que te pariu. Você é um paspalho! Você devia era dormir no curral.

-Fala baixo comigo, guria! Senão vai levar um tapão.

-É bem capaz mesmo. – Disse a loura olhando com desdém para o lutador no sofá. – Eu não duvido que uma criatura abjeta como você fosse capaz de bater numa garota.

-Não foi o que você disse na madrugada quando soquei minha rola gostoso na sua…

-Vai à merda, Gregory! – Disse Sarah, subindo as escadas.

Percebendo que todos tinham ido dormir, Gregory apagou as velas da sala, fechou a janela de madeira e subiu. Todos os quartos estavam trancados, o que o obrigou a descer e deitar no sofá.

-Ô playboyzada estúpida! – Ele disse baixinho, ajeitando uma almofada como travesseiro. Greg não cabia esticado no sofá e precisava se contorcer para conseguir dormir ali. Ele soprou a última vela acesa na mesa de centro e dormiu.

Lá fora a chuva caía formando uma sonoridade de ruídos uniformes, entrecortados por um trovão ou outro e sons de raios caindo ao longe.

Era alta madrugada quando socaram a porta do quarto de Armando.

Marcelo, enfiado num saco de dormir no chão,  demorou a entender o que se passava.

Arando acendeu uma vela e foi até a porta.

-Abre cara! Abre! – Era Greg. Parecia aflito.

-Que foi, porra? – Perguntou Armando, abrindo a porta.

-A coisa do quartinho! A coisa!

-Hã?

-O Kinder Ovo!

-Tá que que tem, meu? – Perguntou Nareba, se levantando.

-Tá fazendo uns barulhos lá! – Disse o lutador, apontando as escadas.

Armando olhou para Marcelo Nareba com uma cara estranha.

-Cê tá pensando o que eu tô pensando? – Perguntou Marcelo.

-Não… Eu não vou lá ver essa merda não! – Disse Greg.

-Deixa de ser medroso, porra! – Riu Nareba.

-Bora lá ver? – Perguntou Armando.

-Bora!

CONTINUA

 

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11 comentários em “Ganzu – O quarto dia”

  1. Aff…. vou ter que deixar de entrar aqui por uma semana e ler td que foi postado de uma vez… essa parte foi mto pequena! Meu coração não aguenta não.

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