Feto alien no tubo

Ontem finalizei mais um projeto, que foi o “feto alien no tubo”. Se você leu aquele meu post sobre os gabinetes de curiosidades, vai lembrar do filhotinho de cruz credo que eu modelei. Se você não viu o tal post, não deixa de ver que é bem maneiro.

Ontem quando postei no Facebook muita gente gostou então, como não podia deixar de ser, resolvi postar um rápido memorial do processo aqui, até porque o Josef, meu parceiro do grupo Burn de pesquisas ufológicas sugeriu que eu fizesse isso antes que as fotos do meu alien esculpido caíssem nas paginas sensacionalistas como “mais um segurança da area 51 que fotografou os tanques com os extraterrenos de roswell”.

A história de fetos aliens em vidro e por que resolvi fazer um

É difícil, do ponto de vista ufológico, situar exatamente onde começou essa coisa do feto alienígena em vidro. Muita gente acredita que tenha começado com aquele fatídico episódio de Arquivos X, onde a Scully encontra um bebê alien morto.

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Um momento antológico da série

Mas tudo me leva a crer que os fetos aliens já eram um tipo de elemento próprio da cultura pop, envolvendo alienígenas muito antes do Cris Carter espertamente meter esse elemento em sua série de ufologia/monstros/mistérios e etc.

Eu mesmo já tinha feito um feto alien num tubo quando era moleque, lá pelos anos de 1992, 1993…

Uma coisa curiosa a respeito de fetos aliens em potes de conserva é que eles estão por aí há um tempão e acredite se quiser, alguns desses produtos de prateleira nos EUA que eram vendidos ate em lojas de brinquedos já foram alegadamente “vendidos” como sendo reais provas de alienígenas. Meu amigo Kentaro Mori do Ceticismo Aberto fez um ótimo artigo sobre isso no passado, mostrando claras fraudes usando simples bonequinhos de borracha. 

De fato, se você der uma busca no google vai achar um montão de fetos de alien, com toda sorte de aparências e formatos. E acredite se quiser, (essa é realmente difícil de engolir) existe uma LOJA que SÓ VENDE ESSE TROÇO em Barcelona, chamada apropriadamente de aliens4sale. – Aliás, penso seriamente em pedir um empreguinho lá, uma vez que sou louco de vontade de morar um tempo em Barcelona onde já moram minha mãe e meu pai…

Que delícia um país onde você pode criar uma loja que vende aliens em conserva e não vai à falência.
Que delícia um país onde você pode criar uma loja que vende aliens em conserva e não vai à falência.

Mas como eu ia dizendo, embora existam aliens em potes aos borbotões pela internet, uma coisa neles sempre me incomodou. Eles não eram realistas. Estava sempre óbvio que se tratava de bonequinhos, alguns modelados até meio precariamente.

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Quem sou eu para cagar regra de como um alien deve ser? Não tenho o menor direito de fazer isso, mas enquanto escultor, riador de maluquices profissional e pesquisador de ufologia, eu achei que poderia dedicar um pouco de esforço em tentar fazer um alien no pote mais realista. Esse projeto ficou na minha cabeça fermentando por alguns anos, até que um amigo meu, o “Ebe” apareceu certo dia me perguntando quanto ficaria para fazer um. Ele acabou não comprando, mas aquela pergunta me levou a pensar se não estava na hora de finalmente fazer o meu feto alien no vidro.

Curiosamente, logo depois um amigo meu, o Rafael Oli (que eu vou levar à falência com minhas criações) encomendou um, e outros amigos foram encomendando, e acabou viabilizando o projeto.  Fazer um alien no pote é uma coisa ridiculamente fácil.  Mas quando eu digo “fácil”, me refiro a fazer igual esses aí em cima. Qualquer coisa esquisita num pote com água turva dentro vai parecer bizarro. Até uma batata doce meio mutante tingida de verde com olhos pintados. Mas eu queria fazer algo mais detalhado, de modo que em vez de esculpir o alien de cara, eu fui fazer pesquisa. Eu passei um tempão olhando umas imagens tão grotescas que não vou postar aqui, mas muitas delas envolviam abortos e fetos cortados em potes de laboratório de anatomia. Tipo isso:

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O design do alien

Antes de começar a desenhar o alien, eu sabia algumas coisas: Seria um alienígena de tipologia alfa (aquele com cabeça grande, careca e de olhos pretos). Mas aqui tem um detalhe legal, eu resolvi fazer o primeiro alien que eu vi (desenhado) na vida. Assim, eu peguei a minha primeira revista ufológica que eu tive e guardo ate hoje. É uma “Ufologia Nacional & Internacional” – a revista antecessora da UFO, edição de março de 1986. (por aí você vê há quanto tempo eu leio sobre esse troço)
Um dia meu pai apareceu com essa revista la em casa. Eu tinha dez anos e ali começou meu desejo incontrolável de saber se esse troço era mesmo verdade ou não. A descrição detalhada de um alien me afetou profundamente.

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O desenho em questão ilustra um artigo de Leonard Stringfield, traduzido pela famosa Irene Granchi para a extinta Ovni Documento. O artigo descrevia o que mais tarde seria popularmente conhecido por todo mundo: A forma do Et clássico. O autor teria tido contato com alguém que supostamente teria visto os seres recuperados de um acidente (que não foi o o de Roswell) e os descreveram a ele em detalhes minuciosos. Até o sangue do alien é descrito como uma gosma translucida. As mãos com quatro dedos finos e compridos, sendo um mais longo que os outros e com membranas entre eles. Há detalhes para a pele, olhos, tamanho e forma da cabeça. É bem legal mesmo o artigo. Assim, fiz o meu alien seguindo aquelas especificações, que incluíram dedos praticamente vestigiais nos pés. Me lembro de ter passado dias tentando faze um “retrato falado” nos cadernos da escola. Eu queria ser mais preciso que os toscos desenhos da revista usando as descrições daquele artigo.  Resultado,nunca mais parei de desenhar Et, hahaha. (o Juca também e um produto da materialização do mesmo ser descrito no artigo de Stringfield)

O passo seguinte foi começar a esculpir o alien propriamente dito. Para isso eu usei o programa Zbrush, que é um programa de escultura digital. Basicamente, você pega uma bola de massa digital e vai apertando e puxando ela ate virar um alien. Funciona mais ou menos como no mundo real (só que sem sujeira e com muito travamento).

alienofetus O passo seguinte foi adicionar mais detalhes e mudar algumas coisas. Como eu logo descobri, um boneco impresso boia miseravelmente e estraga todo o efeito planejado. Assim, precisei fazer um master para tirar o molde e fundir em resina. O trabalho começou a ficar mais complicado do que eu esperava.

Como eu ia tirar molde, a posição da mão ia gerar um ângulo negativo que prenderia a peça. e eu não pretendia fazer ela em partes para montar, porque o liquido poderia acabar estragando a emenda. Sempre que eu posso vou para esculturas monolíticas. Assim, acabei achando essa simpática preguicinha aqui, que me inspirou a mudar a posição do alien. Olha que bonitinha.

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Após umas mudanças o alien estava pronto para imprimir em 3d. E aqui esta um macete do processo. Eu exagerei pra caramba nos detalhes:

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Eu fiz isso porque há uma diferença grande entre o que você esculpe e o que de fato SAI na impressão 3d pelo processo FDM. Há diversas tecnologias de impressão 3d, mas cada uma tem vantagens e desvantagens. Por exemplo, a tecnologia SLA dá uma ultra resolução na peça, mas custa caro pra cacete. Eu penso que o segredo não é se limitar pela tecnologia, mas encontrar formas de lidar com as limitações dela e tentar superá-las. Vendo que minha impressora fazia os detalhes mais sutis do que o programa me mostrava, eu compensei isso exagerando-os pra caramba no 3d. E deu certo.

O boneco que tem cerca de 20 cm de altura ficou 80 horas imprimindo com uma altura de camada de 0.1mm

Depois de tirar da impressora, começa a via crucis da impressão 3d. Aqui vou fazer um adendo: Muita gente tem um pensamento mágico com o que imagina ser a impressão 3d em relação ao que realmente é. Não basta comprar a impressora e tacar o dedo no botão “print”. Quem dera se fosse!

Raramente, uma peça sai realmente pronta da máquina. Quase tudo que eu imprimo exige um trabalho enorme de lixamento, ajustes e acabamento depois. É muito trabalho mesmo. Mas depois de um tempo e um longo processo de acabamento e finalização, lixamento, primer, pintura com aerógrafo e verniz, o bichinho morto estava assim:

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O passo seguinte foi fazer um molde dele em silicone. Novamente, problemas aconteceram. O primeiro molde de silicone deu bolha. O segundo rasgou e o terceiro não ficou muito bom, mas estava aceitável para uma tiragem pequena. As peças de resina saiam com muitas imperfeições que eu tive que corrigir individualmente em cada peça, com lixadeira que deu um poeiral MEDONHO no meu escritório. Felizmente a primeira tiragem eram de apenas 4 peças.

Depois apliquei primer nos aliens, e fui para o processo de pintura. A pintura é o que consome mais tempo nessas peças. Eu vou pintado devagar, camada a camada, faço veiazinhas… O aerógrafo entope… É um saco. Depois apliquei um verniz protetor.

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A etapa seguinte foi obter os potes que iam ser de vidro, mas seguindo os sábios conselhos da Nivea, o plástico tem efeito igual na estante e pra enviar (com o já conhecido cuidado dos correios) ele não quebra.

Também fiquei um tempo estudando como que eu poderia fazer uma “gosma” como restos de pele de uma placenta colados no alien. Fiz com silicone, dando aquele plus na nojeira.

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A outra parte do processo, envolveu chegar num líquido que tivesse a cor do formol. Eu vi que dá pra usar diversos líquidos diferentes. O de menor custo é óbvio, a água. Mas como tingir a água legal? Há muitas maneiras. Uma bem simples é três partes de água para uma de coca-cola e um pouco de vinagre, porque a coca-cola velha mela e atrai insetos, como a barata. Essa mistura gera um caldo âmbar bem feioso. Mas eu acho que realmente, formulas com água não seriam o ideal. O problema é que eu pinto quase sempre com tintas que são à base de água, e não sei como isso vai ser com o tempo, se a água não vai afetar a tinta por osmose, mesmo com o verniz protetor. Aliás, é bom que se diga, como nunca fiz esse troço, quem compra, compra sabendo que há sempre risco de problemas. Eu não garanto NADA. Se a tinta sair em um ano, lamento.

Acho que o liquido ideal deveria ser algo inerte, como parafina liquida ou óleo mineral, ou ainda silicone de limpar estofado que se encontra em garrafa de um litro em grandes mercados, na seção automotiva. Como o líquido quem vai criar é o cliente que comprar o alien (eu não posso vender nada com liquido pelos correios pelas regras) eu vou indicar formulas possíveis. Eu consegui chegar num liquido muito, muito parecido com formol usando, chá preto misturado com chá de erva sidreira (sem açúcar logico). O tom esverdeado ficou igualzinho do formol velho.  O ultimo elemento é a etiqueta. Criei uma etiqueta que diz que o alien é uma evidência colhida na Operação Prato (inclusive os carimbos são do documento real da operação prato).

Antes de imprimir, eu revirei minha casa inteira em busca de um papel velho. Eis que achei um papel de cerca vinte ou mais anos de idade que estava completamente amarelado e oxidado. Imprimi com impressão laser colorida sobre ele e assim fiz o rótulo da “Evidência” num papel antigo de verdade, que deu um toque extra no realismo.

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O primeiro lote foi todo vendido, mas tanta gente curtiu (meus amigos ate ameaçaram me dar porrada se eu não rodasse outra fornada dos aliens) que vou rodar outra leva. Eu não sei se terei saco de fazer mais depois dessa segunda, porque dá bastante trabalho e tenho outros projetos na fila, (como um crânio de alien alpha que vou começar hoje). O preço desse alien com o pote e tudo é R$ 250,00  a tiragem é limitada porque eu faço esse trabalho na mão artesanalmente! Leva cerca de dez dias para ficar pronto.

Se você quer um, basta usar o botão abaixo:




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27 comentários em “Feto alien no tubo”

  1. Eita dedo coçando aqui pra encomendar um! Pena que não posso mais gastar esse mês e a fatura do cartão só fecha dia 5…

    Será que dá pra encomendar até lá, Philipe?

  2. Foda demais!!
    Se possível, posta fotos do processo do “crânio de alien alpha”: impressão, pintura…
    Não entendo quase nada de esculturas, mas acho muito massa acompanhar o processo das que vc faz.
    Abraço!

  3. Nooossaaaa! Ficou da hoooraaaa Philipe!!! É como vc disse, realismo faz toda a diferença e perfeição nos detalhes dá muito trabalho sim, como não, mas no final das contas fica perfeito! Parabéns pelo capricho!
    Se eu compro um troço desses (no bom sentido tá?) meu marido e filhos me internam de vez! kkkkkk! Já falo de ETs pelos quatro cantos da casa pra quem se habilita a me ouvir, mas entre falar e comprar um ‘feto et’, infelizmente nem toda família tem cúmplices como a Nívea é para vc e futuramente o filhão também. Mas boas vendas Philipe e tenho certeza que vai vir coisas incríveis pela frente ainda!

  4. Philipe parabéns, não há dúvidas que o seu trabalho está primoroso na qualidade, ficou muito foda mesmo. Eu só achei que tanto na constituição quanto na posição ele ficou “adulto” demais, a mim não parece um feto ou mesmo um bebê, e sim um mini alien adulto, no máximo uma criança alien já desenvolvida. Claro que não há um “postulado” de como um feto alien seria mas a gente acaba puxando mais para o que está acostumado entende?

  5. Philipe, já encomendei o meu! Vai ficar num lugar de destaque em casa…queria bolar uma base com iluminação por baixo, pra ficar bem dramático. Alguma dica?

  6. Fala Gump, tô só passando pra dizer que tá muito barato esse preço aí bixo.. pelo caráter único e artesanal desse trabalho e a qualidade q tu conseguiu alcançar, podes facilmente dobrar esse preço.

    • Pode sim, Paulo. Então, deixa eu te falar, o alien a partir de semana que vem vai aumentar de preço pq a resina subiu e a minha quantidade aqui está no fim. Quando eu comprar para o proximo lote eu vou pagar a tabela nova e o alien vai ter que ficar mais caro. Se quiser garantir esse preço, fecha logo a compra, beleza?

  7. Primeiramente um crítica Philipe, caralho, como você me faz um post sobre um filme incrível como UNDER THE SKIN e não permite comentários no mesmo? Tive que vir aqui no seu último post sobre aliens para retomar o assunto.
    Vamos lá, gostei da crítica e das observações sobre a obra. Que na minha opinião é bem artística mesmo, ou seja, deixa a interpretação para o expectador. Mas o interessante de te fazer pensar é que ficamos exercitando nosso poder de investigar os fatos durante um tempo, é um filme de digestão lenta e agradável. Por isso com base em apenas um conceito pude levantar mais uma bola sobre o filme. A palavra ALIENIGENA! Bem isso é o que descrevem sobre esses seres do filme, a fêmea e os motoqueiros. Mas se formos a fundo no conceito da palavra seu sentido lato é estrangeiro. Pois bem, então ser alienígena não necessariamente quer dizer ser de outro planeta, isso seria EXTRATERRESTRE. Como os seres são humanoides e vivem sem nenhum artifício extra sobre a terra respirando o mesmo ar, sob a mesma pressão atmosférica, susceptível a mesma microbiota e por ai vai. Tem grande chance de serrem da terra mesmo. Mas uma espécie a parte, com uma evolução distinta, mas ocultos por tempos. Como nas teorias de intraterrenos ou subaquáticos. No aspecto físico se parecem bastante com a descrição dos seres folclóricos de água doce (Caboclo Dágua). Quem sabe resolvam fazer um segundo filme revelando algo no futuro? Acho difícil pelas circunstâncias que você já disse sobre investimentos nesse tipo de filme. Mas quem sabe. De toda forma eu fiquei atento toda vez que escuto uma moto esportiva acelerando e se eu pegar uma gatinha que dirige van não vou pra casa dela não kkk…abraço.

  8. Bom dia !
    Vim no Youtube no canal do Burn um Alien numa garrafa e gostaria de saber quanto custa e como faço para comprar um desses. Eu estou organizando o II Fórum de Ufologia de Pernambuco e gostaria de saber se você tem outros artigos voltados para a Ufologia. O meu telefone para contato é: (81) 9 9596 3072.

    Grato pela atenção,

    Alexandre Lauzid

    • OI Alexandre, tenho sim, varias coisas, até ufo que levita de verdade, posteres, camisas, bustos, tenho alien pra dedéu, hehehe. Eu estou finalizando a mudança do meu estudio para um novo espaço, e acredito que poderei te atender sim. Entre em contato comigo via menu de contato que eu planejo com você o que vamos criar.

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