A morte de jack Skull

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Opa galera. Vou escrever uma história aqui. Será um western dessa vez. Espero que gostem.
Achei esta foto na net e este será um dos atores da minha história. O nome dele é Morgan.
Vamos ver o que sai.

A morte de Jack Skull

A cidade se chama Coloma e o frio vento que sopra do leste nos informa da chegada gradual do inverno. Faz frio no Colorado no inverno e as lebres do mato já não são mais vistas como antes. Ao menos antes dos jornais noticiarem que encontraram ouro em Sutter´s Mill, duzentos quilômetros ao sul de Coloma.

O sol está em seu preguiçoso caminho para casa, da mesma maneira que Joseph Allengton que sai do guichê para fechar o National Bank como faz todos os dias há pelo menos trinta e oito anos anos.

Joseph caminha até a porta e tenta fechá-la, mas a porta se recusa a obedecer.

Sem compreender o porquê, Joseph tenta empurrá-la com força, mas ela está imóvel, mantendo uma greta de quatro centímetros de onde deveria estar.

É quando Joseph olha para baixo e vê a ponta de uma bota.

Achando que está fechando o banco no pé de um cliente, Joseph dá um pulo para trás, abrindo a porta e o que se revela a seguir é o seguinte:

Uma pistola colt surge na sala mal iluminada pelo lampião de querosene. É um assalto.

O velho Joseph caminha para trás com os braços esticados o mais que pôde. Sabia que no oeste selvagem, reagir ao um assalto é pedir para levar um balaço no meio da testa.

O homem que empunha a arma é mais conhecido como Jack Skull. Um nome imponente para alguém cuja folha corrida é pontuada de termos de impacto, como “morte”, “assassinato de família”, “emboscada”, “roubo de gado”, “roubo de cavalos”, “tortura”, “roubo de carga”, “roubo de carroça”, “assassinato de animais”, “seqüestro” e etc.

Não houve sequer uma única palavra trocada. Os homens apenas se olham. O olhar fixo de Jack Skull ilustra seu sangue frio. Joseph, um experiente gerente de banco, com anos de estrada em Oklahoma até ser transferido para Coloma, sabe muito bem que uma única palavra pode significar a morte naquele canto perdido da América. Então, em silêncio caminha até o cofre, abre a porta e estende sobre a mesa os maços de notas.

A arma gira no ar e aponta em direção a uma caixa de chumbo no fundo do cofre.

Trêmulo, Joseph pega a caixa e a coloca sobre o monte.

Jack Skull estende dois sacos pretos de lona grossa.

Joseph começa a encher os sacos com o dinheiro. Ao tocar na caixa, ele pode ver nos olhos de Jack que deve abri-la.

Ao fazer isso, ali está um saco de ouro em pó. Dezenas de pedaços de pepitas e uma bíblia.

Jack aponta a arma para a bíblia. Joseph fica olhando sem entender. O que um homem como Jack Skull pode querer com uma bíblia? Rezar? Encomendar a morte de um insignificante gerente do National Bank of América?

Mais trêmulo do que antes, Joseph abre a Bíblia.

– Salmo 23, Davi! – Diz o homem armado, quebrando o silêncio na sala do cofre.

Joseph abre o grosso livro em busca do tal salmo. É quando surge um buraco no meio do livro e ali está o tesouro que Jack Skull estava procurando. Um crucifixo de ouro e aço com três enormes rubis, brilhantes como estrelas, vermelhos como sangue. Uma obra de arte vindo de algum lugar da distante Prússia por comerciantes judeus.

Joseph vai colocar o crucifixo no saco quando a arma aponta-lhe a direção da cabeça. Ele fica paralisado.

Jack estende a mão para receber o crucifixo do gerente.

Joseph fecha o saco com o ouro e com os maços de dinheiro. Jack coloca o crucifixo no bolso da camisa, sob o pesado casacão de couro preto encerado. Segura o saco pesado com o dinheiro e ouro e dá um sorriso.

Uma explosão. A porta do banco é derrubada. Homens armados de Morgan adentram o banco já atirando. Jack se joga no chão. Os tiros ecoam na noite. Jack está acuado num canto. Ao lado dele, está o corpo do velho Joseph, morto por um tiro certeiro disparado por Morgan.

Morgan está no encalço de Jack há dois anos, desde que Jack Skull roubou dez cabeças de gado dele e mais vinte cabeças dos Mc Hampton´s em Monroeville. Surpreendido no roubo do gado, Skull matou o filho mais velho do senhor Mc Hempton e na fuga ainda assassinou o filho mais novo de Morgan. Escapou e vendeu o gado em St. Aurora.

Morgan jurou vingar-se da desgraça e desde então, Jack Skull vem fugindo dele, mantendo-se sempre um passo à frente. Com a perseguição apertando o cerco, Jack Skull resolveu começar a praticar assaltos a bancos e descobriu que era um modo de vida bem melhor que roubar cabeças de gado como fizera por toda a sua juventude.

Agora os homens de Morgan estavam muito perto de dar um fim em Jack Skull.

– Jack! Acabou. Largue a arma e renda-se. Não tem como escapar! – Gritou Morgan, empunhando uma pistola Colt Six Shoot e na outra mão uma Simith & Wesson modelo 3 atrás da parede que dava acesso à sala do cofre.

Houve um momento de hesitação. Silêncio. Jack olhava o corpo caído ao lado dele com dois tiros no peito. Não havia janela, nem porta nem nada que pudesse usar como saída daquela arapuca de paredes grossas. A sala do cofre era o lugar ideal para ser pego.

Jack percebeu que estivera sendo seguido de perto por Morgan até o National Bank of América.

– Eu me rendo. – Falou.

Um novo momento de hesitação ocorreu. Jack Skull não largaria o osso assim tão facilmente, pensou Morgan.

– Jogue a sua arma então. – Gritou Morgan. Em seguida uma arma voou no ar, bateu na parede e caiu no chão num baque seco.

– Estou desarmado. Podem vir. – Gritou Jack Skull. Morgan acenou para Dudy Bogart. O pobre rapaz tremia feito uma vara verde. Caminhou com medo pelo corredor temendo ser aquela mais uma armadilha de Jack Skull. E se ele tivesse outra arma? E se lançasse uma faca?

Ao chegar na entrada da sala olhou rápido. Ali estava um corpo de velho ensangüentado no chão ao lado de um homem de casacão preto ajoelhado com as mãos para trás da cabeça.

Com cuidado Dudy Bogart caminhou até Jack e apontou-lhe a espingarda Tranter de cano duplo na cara.

– Está tudo limpo. – Gritou para os outros.

Momentos depois, a porta do banco estava lotada de curiosos, garotos corriam pela cidade. A viúva e Joseph chorava amparada pelas senhoras da cidade. O Saloon ao lado do banco lotou e não se falava outra coisa além da captura do temível Jack Skull. Pessoas de todas as partes corriam para saber, jornalistas empolgados escreviam em cadernetas empoeiradas as fabulosas manchetes. Muitos curiosos correram tentando acompanhar os seis cavalos que saíram em disparada pela rua principal, perdendo-se na escuridão da noite. Num deles, amarrado feito um carretel de corda, estava o ladrão Jack Skull.

Horas depois, distante dali, nas montanhas que cercavam Coloma, seis homens caminhavam.

O primeiro deles, Morgan carregava consigo uma tocha, usada para iluminar o caminho. Atrás dele vinha Jack Skull. Eram três os laços de corda o amarravam com os braços para trás. Armados até os dentes os quatro homens de Morgan comentavam satisfeitos a captura.

Chegaram até um paredão de pedra coberto com esparsos cactos e liquens coloridos que na luz da tocha, dançavam bruxuriantementes, como um prenúncio do destino final de Jack Skull.

-Desamarrem ele. – Disse Morgan, sendo prontamente atendido por um de seus capangas. Era Billy Mc Pherson.

Billy desamarrou Jack. Dudy Bogart, Renée Meadou, Willham Thorn II apontavam rifles e pistolas para o homem. Morgan andou na direção de Jack.

– Chegou sua hora, desgraçado. Ajoelhe-se! – Diz, dando-lhe um chute nas costas.

– Morgan…

-Cale a boca maldito! – gritou Morgan dando um soco na cara de Jack Skull. – Eu dou as ordens aqui! Você matou meu filho. Minha mulher, com remorso pela perda do menino se matou. Você destruiu a minha vida, desgraçado!!!!

– Foi um acidente.

– Acidente? Você é um canalha safado. Assassino miserável. Morra com honra pelo menos. Seja homem. – Gritou com ódio. As veias injetadas de sangue. O peito explodindo de raiva. Morgan dá outro soco na cara de Jack, que cai no chão com o impacto. Morgan saca a arma.

Todos os outros rapazes engatilham as armas e apontam para Jack.

– Não! – Interrompe Morgan. – Isso é uma coisa que eu preciso fazer. É uma vingança minha, não de vocês.

Ouvindo Morgan, os rapazes abaixam as armas e ficam apenas olhando.

Morgan vira-se para Jack que já está ajoelhado de novo.

– Você vai morrer por ter matado meu filho, seu maldito. – Diz apontando a arma. Jack não esboça nenhuma reação.

Morgan dispara. Um único tiro explode no peito de Jack. Ele cai para trás.

Morgan feliz, ajeita a arma no coldre. Arruma os cabelos e recolhe o chapéu do chão.

– Vamos rapazes. Vamos para casa.

Eles se viram e saem, descendo a colina de pedras pontiagudas em direção aos cavalos.

FIM

Enquanto sobem os créditos finais, vemos a silhueta da montanha de pedra sob a luz da lua. Nos rochedos da base da montanha há um corpo caído. È Jack Skull. A câmera se aproxima e Jack está caído. Imóvel.

Num espasmo o corpo pula. Jack levanta-se.

Assustado olha para o buraco no meio do peito. Enfia a mão por dentro do pesado casacão e retira de lá o crucifixo de aço e ouro. Abaixo do enorme rubi central está uma flor de chumbo: A bala de Morgan.

Jack beija o crucifixo. Guarda-o com cuidado de volta no casaco e desce a colina feliz.

Comments

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7 comentários em “A morte de jack Skull”

  1. Tive de vir ver com meus próprios olhos. Coisa de loco mesmo. Isso nunca mais vai acontecer. Coincidencia. No mesmp dia. E é muito bom o texto, dinâmico até o último momento.

  2. Eudes e Irmão Fabiano, ganhei o dia com os comentários de vocês. Sobretudo ver o Eudes aqui no meu blog já é motivo para felicidade, mas vê-lo elogiar a historinha, logo o Eudes que escreve bem pra caralho, ah, isso é motivo pra eu abrir aquele champanhe que tá na geladeira desde o ano passado.

  3. Por não curtir western, achei que não teria paciência de ler. Só não li até o fim, como achei genial o texto. É uma história clássica de western e muito bem redigida.

    E como o pessoal falou acima, dá pra imaginar cada cena.

    Parabéns.

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