A cadeira obscura – Parte 20

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A sensação era de um frio que percorria suas entranhas. Renato pensou que seu coração pararia de bater. As pernas e os braços formigavam como se estivessem se enchendo de um caldo grosso e congelante. O desespero de Renato chegou ao clímax quando se sentiu finalmente engolfado pela sensação e um desamparo como nada que ele havia sentido antes inundou seu coração.

Renato sentiu mergulhando nas profundezas. Ao longe iam ficando as vozes dos velhos e o mantra bizarro que eles entoavam e que ecoava repetitivamente nas paredes de pedra e sal.

A profecia de Lílian havia finalmente se concretizado. Renato estava morto.

O gosto desagradável havia desaparecido e tudo parecia diferente agora. Renato abriu os olhos e percebeu que entrava uma luz difusa, estranha. Ele não estava mais imerso na escuridão abissal sem som. Suas costas não doíam, sua boca não tinha gosto de merda. Nada parecia haver de errado com ele, tirando o fato de que estava completamente nu.

Renato tocou o próprio rosto e sentiu com as pontas dos dedos cada pequena imperfeição de seu rosto. Era como se seus sentidos estivessem em seu nível máximo. Ele ouvia o vento e enxergava muito mais longe do que sempre enxergara. Ele que passara a infância toda envergando grossos óculos de grau, enxergava perfeitamente sem eles. Seu cabelo estava grande. Ele também tinha barba. Uma espessa e longa barba, que sentia, com as pontas dos dedos. Sentiu cada um pequeno fio da barba a escorrer por entre os dedos.

O lugar era tão estranho quanto as sensações. Um grande céu cinza, sem sol, sem nuvens descortinava-se no alto, crescendo em todas as direções para o qual ele olhava. No solo, apenas a terra, muito mais escura, mas também cinza. Parecia ser cinza de carvão. Havia um monte de microscópicas esferinhas de pedra preta misturadas a grânulos de areia branca, muito finos que compunha o solo. O chão era granuloso, e não havia árvore, planta, gramínea, arbusto, semente. Não havia absolutamente nada vivo ali além dele.

Havia vento. Um vento fraco. E o ar era puríssimo. Renato aspirou o máximo que pode. respirou profundamente várias vezes, enchendo os pulmões enquanto lembrava-se do prazer de respirar um ar gelado e limpo, sem aquele cheiro horroroso de incenso confinado.

Renato andou e sentiu cada pequeno grão deslizar sob seus pés. As sensações eram incríveis. Mas gradualmente, a euforia com o mar de sensações foi passando. O horizonte sumia de vista em uma infinitude de ondulações.

Um deserto escuro e cinza. Sem som, sem vida. Era a desolação mais completa que sua mente poderia produzir.

Renato andou. Andou incansavelmente por horas e horas. A sensação de andar nu pelo deserto era desconfortável. Os bilhões de grãos sob seus pés só eram piores do que os bilhões de microscópicos grãos que o vento açoitava, em rajadas esparsas, que pareciam surgir do nada.

Quando já não aguentava mais andar sem rumo, Renato parou. Talvez estivesse andando em círculos. Não havia ponto de referência. Tudo era igual para qualquer lado que ele olhasse. E ao longe as dunas pareciam todas as mesmas.

Ele precisava colocar as ideias no lugar. Precisava entender que lugar era aquele. Onde ele estava.

Sentou-se no solo arenoso. Sentiu pedrinhas roçarem-lhe o escroto. A última coisa que ele se lembrava era daquele ritual macabro, de ser sentado à força na cadeira sinistra e então ser engolfado em meio a escuridão por um caldo gelado que percorreu seu corpo. Renato percebeu que talvez estivesse morto.

Ergueu os olhos para o céu cinza e sem nuvens. – Então isso é a morte?

Renato se surpreendeu com o fato de que sua voz não era a que estava acostumado. Ele tinha uma outra voz. Muito mais bonita, diga-se.
Ficou repetindo palavras aleatórias só para poder se ouvir. Era estranho.

Olhou para as próprias mãos. Eram as mesmas que ele conhecia, mas faltavam cicatrizes que ele tinha de um acidente de moto na adolescência. Renato estava entretido olhando as próprias mãos quando notou, no vão entre os dedos, que havia uma pessoa parada. Ela estava longe, olhando para ele. Era uma mulher. Parecia uma pelo menos.

Renato se levantou.

Seu coração batia disparado. Ele sentiu uma profunda alegria no coração de descobrir que não estava sozinho na imensidão sem cor.

Diferente dele, que estava pelado, aquela mulher ao longe estava usando um véu comprido e branco. Ela destacava-se na paisagem estéril como um monolito de humanidade e esperança. A mulher não se moveu. Seu véu balançava ao vento.

Renato rumou na direção dela. Mas quanto mais andava, mais distante a figura parecia estar.

Ele andava, andava, e quanto mais andava, a mulher simplesmente não se aproximava. Renato parou novamente, e ficou olhando para ela. Pensou que talvez fosse uma alucinação, uma miragem. Qualquer coisa assim.

Tentou acenar para a mulher. Mas ela não se moveu. Renato pensou que talvez fosse uma fantasia, um delírio.

Então ele sentou-se de frente para a mulher. E apenas esperou. Os dois ficaram se olhando por um longo tempo. Então, finalmente aconteceu uma coisa que o impressionou. A mulher finalmente veio andando na direção dele.

Renato esperou. Ela vinha devagar. Mas estava se aproximando.

Ele sentiu vergonha por estar completamente nu diante dela. Ela estava cada vez mais perto e olhava fixamente para ele.

Agora era possível ver melhor aquela mulher. Ela parecia ter uns quarenta anos. Os seios eram meio flácidos. O cabelo liso escorrido, com alguns fios brancos. Os olhos eram escuros e o véu que a enrolava de perto tinha alguma transparência que permitia visualizar o corpo dela com facilidade. Ela estava nua em pelo por baixo do véu.

A mulher chegou a cerca de dois metros dele e então parou.

Renato não disse nada. Apenas olhava para ela, curioso.

A mulher finalmente falou. Na verdade, perguntou. Ela perguntou alguma coisa a ele, mas numa língua completamente desconhecida. Era impossível entender qualquer coisa que ela falava. Renato tentou dizer, com sinais, que não estava entendendo o que ela dizia. Aquilo deixou a mulher do véu extremamente aflita. Ele temeu que ela começasse a chorar. Renato levantou-se do chão. Aquilo a assustou completamente e ela fez menção de correr.

Renato estendeu a mão com a palma apontada para ela. Tentou dizer que ela devia se acalmar. Ele usava o tom de voz para tentar transmitir calma. A mulher não parecia nem um pouco motivada a se acalmar. Ela disparou a falar numa quantidade de sons de palavras completamente esquisitas. Renato tentou novamente, com sinais, a pedir calma. Ele pensou que ela talvez estivesse nervosa por vê-lo nu.

A mulher lhe deu as costas e saiu andando pelo deserto cinza.

Renato ficou no mesmo lugar, esperando que ela pudesse voltar, mas a mulher parecia desolada. Estava andando e falando, repetindo aquele monte de “zizizi”, “tiburizi”, algo assim, incompreensível.

Ela estava se distanciando muito, e Renato resolveu segui-la. Pelo menos não iria ficar sozinho.

Renato seguiu a mulher incansavelmente, até não aguentar mais o esforço hercúleo que era andar naquela superfície fofa. Atravessaram planícies infinitas e áreas de dunas. O que não mudava era a cor do solo de areia preta e cinza. A cor era irritantemente uniforme.
A mulher parecia ter muito mais preparo físico do que ele. Ela andava e falava, andava e falava. E então andava mais. Andava muda por vários momentos. Teve uma hora em que ela começou a cantar alguma coisa, mas então ficou quieta. Toda vez que Renato tentava falar alguma coisa com ela, a mulher se virava, fazia uma cara de que não estava entendendo nada e continuava seu caminho.

Enquanto seguia a mulher, Renato começou a pensar. Se havia mais alguém naquele lugar com ele, certamente poderia haver outros.

Ele seguiu a mulher por algumas horas. Então, ela pareceu finalmente estar muito cansada. Ela tirou o longo véu que se enrolava em seu corpo e estendeu no chão. Depois deitou-se em cima.

Renato ficou sem saber o que fazer. Sentou-se na areia a dois metros dela.

A mulher olhou pra ele. Não sorriu, nem fez qualquer expressão que indicasse qualquer intenção.

Renato bocejou. Tudo era extremamente monótono naquele lugar.

A mulher finalmente sorriu. Ela sorriu quando ele bocejou. Talvez ela nunca tivesse visto um bocejo antes. Ou fosse lá que diabos de lugar de onde ela provinha, talvez o bocejo fosse engraçado por aqueles lados.

Renato sorriu de volta.

A mulher estendeu a mão na direção dele.

Renato entendeu o convite e foi até ela. Ele sentou-se no véu ao lado dela. A mulher parecia interessada no corpo dele. Ela o tocou de leve e foi como se ele sentisse um toque na pele pela primeira vez. As pontas dos dedos dela percorreram o peito dele. A mulher olhava renato nos olhos sem dizer nada. Estavam se comunicando imersos no mais puro silêncio.

Renato começou a sentir um estranho desejo pela mulher desconhecida, e aparentemente ela parecia sentir o mesmo por ele.

Renato avançou tentando um beijo, mas a mulher o empurrou sorrindo. Ele havia ido com muita sede ao pote. A mulher o empurrou novamente, deitando-o sobre o véu.

Renato aceitou. Ela saltou sobre ele e começou a beijá-lo no pescoço. Talvez fosse a barba. Talvez ela tivesse nojo daquela barba enorme. Renato pensou que talvez estivesse aparentando ter uns duzentos anos com aquele cabelo e aquela barba.

A mulher beijou seu peito e sua barriga.

-Isso não pode estar acontecendo. Não é possível. – Ele pensou, enquanto sentia a mulher segurando seu pênis.

Fizeram sexo em silêncio em meio ao vazio.

Minutos depois, após chegarem juntos ao clímax, a mulher desceu de cima dele e deitou-se ao seu lado. Ela segurou na mão de Renato, entrelaçando os dedos dela aos dele. Renato olhava para o céu cinza sem estrelas ou nuvens e lembrava-se com dificuldade do que havia passado para chegar até ali. Percebeu que as memórias estavam gradualmente ficando fracas, estavam sumindo. Ele estava esquecendo das coisas. Já não lembrava mais o nome do sócio dele… O americano. Ele lembrava da figura, um homem de barba, bonachão, mas o nome… O nome havia sumido. Ele lembrava da cadeira, mas não se lembrava exatamente de onde ela tinha vindo. Lembrou-se vagamente de levar varadas doloridas nas costas enquanto estava paralisado. Lembrou-se de estar no escuro, das mulheres iguais. Quem eram aquelas mulheres que surgiam em suas memórias confusas? Como era o nome dele?

Renato se fazia perguntas, e cada resposta que vinha era como uma pequena vitória. Tudo ia se esvanecendo, imergindo no esquecimento. O cinza da areia e do céu pareciam espalhar-se para dentro dele, gradualmente desbotando os sentimentos, as memórias.

Renato olhou de rabo de olho para a mulher. Notou que ela tinha uma lagrima a escorrer de um dos olhos. Estava quieta também olhando para o céu. Ele pensou no que ela pudesse estar pensando. Teria família? Filhos? Marido?

Como ela teria ido parar naquele lugar miserável? Teria sido ela vitima de um outro grupo de bruxos malucos ou de outra cadeira demoníaca?
A hora no lugar parecia não passar. Não havia sol, o que tornava impossível qualquer distinção entre dia e noite. O céu cinza soturno dava ao ambiente uma luminosidade lusco-fusco azulada que era permanente. Todas as cores pareciam tendendo para um triste padrão pouco variável de cinza-chumbo.

Seus pensamentos foram subitamente interrompidos por um agarrão forte em seu braço. Era ela. A mulher agora tinha uma expressão de pavor. Renato pensou que ela talvez tivesse tido um pesadelo, mas aquela impressão se desfez quando ele viu o que a mulher apontava desesperadamente. A cerca de cinquenta metros deles dois estava um bicho tão horrível que descrever chega a ser difícil. A criatura era cinza como o ambiente e devia ter uns dois metros de altura. Era uma espécie de macaco feio. Seus braços eram compridos e desproporcionais. Suas mãos eram enormes e com garras. O monstro não tinha olhos, e de sua cabeça saía uma espécie de cocar de tentáculos. Eram oito deles, que se agitavam no ar. O bicho era horrível.
A mulher começou a gritar desesperada e o monstro ficou parado, movia-se em trancos, como se estivesse captando o som. Renato tentou segurá-la, calar a boca dela, mas foi em vão. A mulher levantou-se e saiu gritando desesperada.
Renato assistiu desesperado o Macacão correr pela areia em grandes pulos vindo na direção dele.
Assustado, ele também correu. O monstro atrás. A criatura perseguia os dois em silêncio. Desesperada, a mulher que não parava de gemer e chorar acabou tropeçando.
Renato não teve reação senão testemunhar em completo horror a criatura saltar sobre a mulher e cravar-lhe uma dentada no pescoço dela, arrancando um enorme pedaço de carne. O sangue esguichou longe. O bicho soltou um gemido gorgolejante e entre dentadas começou a comer a mulher com fúria primal. Parecia morto de fome.

Petrificado, Renato começou a se distanciar da criatura. A cena do bicho atacando a mulher era uma das piores imagens que ele havia visto em sua vida. De tempos em tempos, ele olhava para trás. A criatura foi se tornando um ponto móvel no horizonte.
O coração parecia que ia explodir. Seu peito ardia. Os membros paravam de responder ao impulso de correr. Renato só conseguia se arrastar. De onde tinha vindo aquele troço? Que merda de bicho era aquele? Que porra de lugar desgraçado era aquele inferno cinza?
Sim, talvez fosse um inferno mesmo. Talvez ele estivesse onde habitam as almas condenadas a vagar, infinitamente, em permanente estado de medo, sendo comidas pelos demônios que também vagam a esmo por uma superfície infinita e estéril de cinzas.

Ele não aguentava mais. Precisava parar. Precisava de descanso. Precisava de água. A sede era infinita. A fome, pior ainda.
Jogou-se no solo, afundando na areia fofa.
O medo era permanente. Colossal. Aterrador. E se a criatura viesse atras dele? E se houvessem outras?
Renato pensou que não devia “dar mole” de ficar visível. Com sacrifício, enterrou-se parcialmente naquela areia cinza. Deixou somente a face exposta de fora da areia. Estar enterrado lhe dava um pouco mais de segurança. Sentia-se menos vulnerável.

O cansaço era muito grande. Renato fechou os olhos, e antes que pudesse se dar conta, estava dormindo. Dormiu um sono sem sonhos, sabe-se lá por quanto tempo, até acordar com uma vibração.

Renato tentou abrir os olhos e sentiu dificuldade. Ele estavam pesados. Renato percebeu que seu rosto havia sido coberto com uma fina camada da cinza. Sacudiu a cabeça e abriu os olhos de uma vez.

O monstro estava ali. Perto dele. Estava de costas, aspirando o ar. A vibração acontecia quando o bicho corria de um lado para o outro. Estava farejando ele. Era um macaco horrível. Os tentáculos se mexiam sem parar, como cobras espalhadas em sua cabeça. O corpo era musculoso, sem nenhum pelo aparente. Era coberto da mesma cinza que se espalhava por todo o lugar à perder de vista. As garras eram pontudas, afiadas e as presas brancas e grandes, como as de um gorila.
Pelo comportamento do bicho, Renato logo notou que ele não enxergava. Era cego. Mas devia ter um excelente olfato. Estava todo manchado de sangue. Sangue dela. Sangue que havia se misturado ao pó e formado umas crostas.

Renato conteve seus instintos de sair correndo desesperado. O monstro estava de costas para ele, e gradualmente começou a se afastar. O vento, felizmente, estava soprando na direção certa.

O bicho foi embora. Afastou-se rapidamente, com saltos.

Quando ele estava bem longe, Renato se levantou e correu na direção oposta. Precisava se distanciar ainda mais da criatura.

Ele já estava bem longe quando o pior aconteceu: O vento virou.

CONTINUA

23 comentários em “A cadeira obscura – Parte 20”

  1. Parece que a Caixa não é a única dimensão mística que existe em céu e inferno.

    Esse guardião tem menos controle do lugar do que o guardião da caixa.

    Interessante o que aconteceu com o corpo deles, aparentemente assumiram uma forma aperfeiçoada…

    Acho que é uma dimensão parecida com a Caixa pq, se fosse o inferno a mulher deveria reviver para ser novamente devorada e coisas insanas do gênero que se espera do inferno.

    Pela língua totalmente singular dela e pelo imenso pavor dela ao ver a criatura, que pelo visto viu pela primeira vez, ela devia estar lá a muito tempo.

  2. Lembrando que podemos ficar sossegados com a segurança do Renato, pois quem conta toda a história pro Philipe lá no restaurante é ele próprio… ou será que não é ele? 🙂

  3. Olha aí o Mungo!! Quem diria que ele é o gato bizarro do Lúcifer?? Mas olha… com uma caixa de areia desse tamanho tenho até medo de pensar em como é o xixi dele… E o cara ainda se enterra na areia? Se o Lúcifer não tiver trocado a areia recentemente ele vai pegar uma micose do inferno… literalmente!

  4. Cara, estou acompanhando esse conto desde o primeiro post, e todo dia abro o site pra ver se tem atualização hahahah, parabens pelo excelente trabalho!! A história realmente prende quem lê, essa temática eu gosto muito!! E sinceramente, daria uma excelente serie, fiquei imaginando um produtor fazendo isso com os recursos certos, seria algo que certamente daria o que falar! Pensei em filme, mas seria triste resumir algo tão aprofundado e rico em poucas horas :D. Eu gosto muito de filmes de terror, suspense ..etc .. vez ou outra surgem coisas interessantes e originais, mais a maioria cai em clichês, e tornam-se produções descartáveis.. mas uma história dessas realmente seria algo marcante!

    • Fiquei tão entretido com o conto que acabei dando uma brincada aqui, com a idéia que eu estava falando kkkkkk
      Link com imagem:
      http://s21.postimg.org/v2bg7qk2f/blackchair.jpg

      😀

        • Sim cara, eu vi essa notícia um dia desses, realmente deve ser uma satisfação imensa! Quem sabe um dia né, Philipe hahahahha, a cada capitulo que leio da pra imaginar como poderia ficar algo do tipo nas telas 😀 , tem ótimos contos no site, mas esse de longe foi o conto que mais gostei!

  5. Nossa Philip este conto está muito bom, tem algo diferente nele, realmente com situações inesperadas.

    Esse lance de esquecer das coisas e do deserto com o mostro que se parece o deserto me lembrou do livro A Historia sem fim, a parte do deserto de Graograman.

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