A cadeira obscura – Parte 12

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Renato ainda teve um microscópico segundo de reflexão. Pensou que aquilo não era possível  Só podia ser um pesadelo.

Mas não era. Era real e o monstro estava mesmo lá.

O Bicho pulou de dentro da banheira e veio com tudo na direção da porta.

Renato colou o corpo contra a cabeceira da cama antiga. O monstro bateu contra o portal. Ele era grande demais para passar pela estreita porta do banheiro.

Desesperado, Renato levantou-se da cama e olhou para a porta do quarto. Mas ela estava trancada. Ele precisava sair dali. Tinha que dar um jeito.

O monstro colidiu brutalmente contra a parede. Na primeira pancada uma gigantesca rachadura se desenhou ao redor do portal. O bicho sacudiu a cabeça, meio tonto. Deu uns passos para trás, afim de pegar impulso.

Renato pulou na direção da janela. Ele estava disposto a tudo para sobreviver. Ia pular da janela e não estava nem aí para o que ia acontecer. Saltou da cama e caiu no chão, afundando até o tornozelo na gosma escura e malcheirosa que se espalhava pelo quarto.

Renato jogou meio corpo  para fora da janela e tentou se agarrar, afim de subir. Tentou meter o pé na parede, mas lambuzado de gosma, o pé dele escorregava e ele não conseguia girar o corpo para o outro lado.

Enquanto pelejava para pular da janela do quarto uma enorme explosão aconteceu. O monstro derrubou metade da parede do banheiro, caindo por cima da cama do hotel, que também desabou com o peso dele, em meio aos escombros. O alarme do hotel disparou. A criatura soltou um urro e logo se pôs de pé.

Renato conseguiu girar o corpo a tempo. Ele saltou mas a criatura conseguiu agarrá-lo pela perna. Só que lambuzado de gosma, ele escorregou e caiu do segundo andar. Despencou no vazio e girou o corpo no ar, numa cambalhota tosca. Bateu de costas no toldo de lona puída, que se rasgou. Renato caiu estatelado no chão, bem na entrada do Hotel.

Ainda tonto, sentindo uma dor enorme nas costas, viu o monstro meter a cabeça horrenda pelo buraco da janela. Todos aqueles olhos apontaram na direção dele, em silêncio. Diante do barulhão, muita gente das vizinhanças tinham saído para a rua. Uns homens vieram correndo ajudar Renato. Na rua, já estava o funcionário do hotel, muito assustado.

-O senhor está bem? O senhor está bem? – Ele perguntava, sacudindo Renato pelo Braço. As coisas aconteciam rápido demais para que ele conseguisse compreender. Ainda estava tentando ficar em pé quando uma nova explosão aconteceu. Renato ouviu diversas vozes gritando. Identificou a de Junior e um de seus filhos. Talvez fosse jeremias.

Pedaços de cimento e tijolos choveram em cima dele.  Renato viu o rapaz que era o vigia do Hotel Bretas sair correndo em completo desespero. As pessoas começaram a gritar. Quando Renato olhou para trás, ele viu a criatura se levantando. Ela havia quebrado um buracão enorme onde antes estava a janela do quarto e pulou lá de cima.

O monstro escuro se levantou. Parecia um gigante. Era uma monstruosidade quase inconcebível.

Renato tentou correr, mas foi agarrado com facilidade pela enorme criatura. A força do bicho era tamanha que Renato percebeu que estava prestes a morrer ali mesmo.

Em meio  gritarias e correria pelas ruas, um caminhão de laranjas que vinha pela rua perdeu a direção e bateu num poste, espalhando uma profusão gigantesca de laranjas pelo chão.

Renato estava sendo esmagado pelas mãos poderosas da criatura quando viu Junior chegar correndo com a “pipoca” na mão.

-Larga ele filho da puta! – Gritou  o caminhoneiro. Socando o dedo no gatilho. A arma estourou em dois tiros bem nas costas do monstro. O bicho largou Renato na hora, que caiu no chão sem ar.

Jamil passou correndo como um maratonista. Num salto digo das olimpíadas, o gordinho pulou para dentro do muro duma casa nas proximidades.

As pessoas corriam de um lado a outro. Chegou uma joaninha da polícia bem na hora em que o monstro pulava na direção de Junior. O bicho deu uma espécie de soco com as costas da mão no caminhoneiro, que voou longe. Os filhos de Junior,  Jonsen e Jeremias,  pularam sobre a criatura armados com os facões.

O monstro tentava se desvencilhar das estocadas de facão, sem concentrar o ataque em nenhum deles dois. Os “meninos” do Junior, atacavam com habilidade e precisão, sempre desferindo cortes ao mesmo tempo, enquanto Junior, muito machucado, rastejava até a escopeta.

Renato tentou se levantar e buscar abrigo. Escondeu-se atrás dum poste e de lá viu o PM abrir fogo contra a criatura. O policial , abrigado atrás do fusquinha, deu seis tiros numa sequencia rápida. Renato não soube se algum deles atingiu o monstro.

Renato se espantou ao ver o bicho dar as costas aos filhos do Junior que estavam atacando-o para procurá-lo. O monstro rapidamente correu na direção do poste. Renato nem teve tempo de fugir. Novamente a criatura o agarrou. O medo de Renato agora eram os tiros. Acabaria levando um deles. O policial recarregou o revólver e veio correndo, atirando.

O bicho se contraiu todo quando uma nova explosão da escopeta ecoou na rua. Junior havia acertado outro tiro no monstro, que não morreu. Ao contrário, pareceu ficar ainda mais irado.

A criatura agora estava numa espécie de frenesi. Queria matar Renato a qualquer custo e caiu por cima dele, rolando no chão. Renato sentiu uma coisa queimando em sua perna. Pensou que talvez tivesse levado um tiro. O bicho horrível se levantou sobre ele. Renato sentia a pesada mão da criatura lhe apertando o ombro contra o solo. Sentiu o hálito desgraçado que saía de dentro daquela bocarra escancarada e babenta.

Renato mal conseguia se mexer. Seus olhos arregalados estavam fixos nos diversos olhos  esverdeados da criatura e Renato pôde sentir uma carga imensa de um ódio completamente vazio. A sensação de impotência sob as garras da criatura era aniquilante.

Foi nessa hora em que Jonsen saltou e enterrou o facão quase até o cabo nas costas do monstro.

O bicho deu um urro e virou uma porrada no peito de Jonsen, que voou dois metros no ar e caiu desacordado na calçada.

No momento em que o monstro se virou para acertar Jonsen, Renato levou a mão instintivamente na perna. Era uma coisa no bolso dele que estava queimando. Renato meteu a mão no bolso e tirou a cabeça do santo.

Tão logo ele turou aquilo, que para seu espanto não estava quente, mas sim super frio, como uma pedra de gelo, a coisa se iluminou como um farol.

O monstro pulou de banda de cima de Renato imediatamente. Renato deixou a cabeça do santo cair no chão e assustados, todos viram o clarão poderoso que ela emitiu. O monstro parecia desesperado diante daquilo. Tentou fugir mas o brilho cresceu violentamente como o mais poderoso flash de luz já visto. Renato tampou os olhos achando que tinha ficado cego. Ouviu a criatura berrar um rugido gutural que sumiu repentinamente.

Um silêncio tenebroso se espalhou pela rua.

Logo Renato era agarrado novamente, mas pelo policial.

-O senhor está bem? Tá tudo bem?

Quando conseguiu enxergar novamente, Renato via um borrão esverdeado manchado em sua visão.

-Eu… Eu… – Ele não sabia o que dizer ao policial, que ele mal enxergava. – Cadê o mostro?

-Não sei. aquilo sumiu. Explodiu numa nuvem de fumaça! – Disse o PM.

Junior veio mancando. Estava com o pé torcido. – Puta que me pariu! Que porra foi essa?

Logo, começou a aparecer gente de todo canto. Renato abaixou-se e pegou a cabeça do santo. Colocou no bolso.

As pessoas falavam sem parar. O fotógrafo  do jornal da cidade só repetia “Cacilda! Cacilda!” enquanto fotografava o enorme buracão na parede do hotel com sua câmera Pentax. Velhinhas reunidas em grupinhos de quatro ou cinco relatavam como elas viram o monstro aparecer. O dia amanhecia preguiçoso diante da enorme confusão. Moradores da vizinhança apanhavam as laranjas do chão, roubando a carga  em sacos plásticos.

Renato assistia a tudo aquilo, sem conseguir acreditar que estava vivo. “A ficha” ainda não havia caído quando Jeremias se aproximou dele. jeremias era muito forte, mas estava visivelmente machucado da luta.

-Temos que sair fora daqui, seu Renato. Isso vai dar merda!

-Hã?

-A arma. A polícia quer saber da arma do pai.

-Cadê teu pai?

-Ele correu pra malocar as armas no caminhão.

-Sim, sim, vamos embora. Chama teu irmão, vai lá em cima, peguem as coisas de vocês e corram pro caminhão. Eu vou logo atrás. – Disse Renato, ainda ofegante.

Muitas pessoas vinham falar com ele. Saber de onde o monstro tinha vindo.

-É o lobisomem! Eu sei que é! Meu tio já viu um lá em Paraíba do Sul! – Dizia o rapaz da recepção ao jornalista do Rádio Miguelense FM.

Renato puxou o rapaz de lado e disse a ele: – Amigão, fecha minha conta que eu tô indo embora.

-Mas… Mas…

-Meu amigo, ou você fecha logo essa conta ou vai ficar no prejuízo maior ainda, porque ta todo mundo indo embora. Eu e os meus empregados.

-Sim senhor! Vamos lá. – Disse o Rapaz. Virou-se para o jornalista e pediu licença. – Eu ja volto.

Os dois foram até a recepção que estava cheio de curiosos.

-O que foi aquilo, moço? De onde saiu esse bicho?  – Sussurrou o rapaz, enquanto mexia em papéis atrás do balcão.

-Ele apareceu dentro do meu banheiro. – Disse Renato.

-Mas… Como?

-Eu não sei.

Renato puxou o talão de cheques. – Vai ser um grande prejuízo para o hotel, né?

-Agora acho que fecham essa joça de vez! – Ele exclamou, meio combalido.

Enquanto fazia o cheque, Renato notou que mais e mais pessoas chegavam para ver o hotel.

-O senhor não devia ir embora. Vai virar celebridade. Dizem que ta vindo o canal da afiliada da Globo para cobrir o caso do lobisomem. E o senhor lutou com o bichão… Nem imagino o medo que deve ter dado. Eu quase fiz xixi na calça quando vi ele quebrando a parede e pulando lá de cima…

-Fique com os louros. Diga que você que lutou e matou o monstro, cara!

-Eu posso?

-Lógico! Eu não gosto de aparecer. Sabe como é…

-Sei, sei. – Disse o jovem, abrindo um enorme sorriso.

Renato viu os filhos de Junior descendo com as mochilas. Jeremias trazia também a mochila de Renato. Jamil passou em silêncio e fez um sinal positivo com o polegar, e deu um galeio com a cabeça na direção do caminhão.

Renato respondeu com o olhar.

-Adeus, meu camarada.

-Obrigado senhor… Desculpe o mau jeito aí. – Disse o Rapaz.

Quando renato saiu, a rua parecia uma quermesse. Já tinha até camelô vendendo coisa. As pessoas baratinadas olhavam e apontavam para o buracão na parede do hotel. O policial conversava com uns aposentados, e todo mundo falava ao mesmo tempo. Uns contando “causos”, outros falando sobre o barulho, sobre tiros, o que viram e também como acordaram com o fusuê. Muitas pessoas simplesmente não acreditavam.

Enquanto tentava furar o caminho em meio a multidão, o repórter da rádio agarrou o braço de Renato.

-Moço, foi o senhor que lutou com a criatura?

-Não, não. Foi o rapaz lá do hotel mesmo!

-Mas ele disse que foi o senhor.

-Ele é tímido. Ta com vergonha. Foi ele. Eu vi. Eu tava na hora. – Disse Renato, na maior desfaçatez.

O repórter concordou e saiu.

Renato foi até a esquina do beco. Os meninos ja esperavam dentro do caminhão.

-Aperta aí porra!

Renato se espremeu dentro da cabine com eles.

-Vamos logo, Junior. Tira a gente daqui!

-É pra já! – Disse Junior, tocando a poderosa buzina da Scania.

Horas depois, o caminhão singrava as estradas na direção do Paraná.

Durante muito tempo foram todos em silêncio. E quando finalmente começaram a falar, todos falaram ao mesmo tempo.

-Tô com uma dor nas costas do caralho. – Disse Jeremias.

-Mas que merda foi aquela? – Perguntou Junior, sem tirar os olhos da estrada.

-Aquela porra saiu duma gosma preta que brotou no banheiro. – Disse Renato.

-Bicho feio do diabo! – Gemeu Jonsen.

-Gostei de ver foi a coragem do Jamil. – Disse Junior. – Nunca vi alguém correr tanto.

-Não fode, pai. Tu viu aquela porra? Como que eu ia encarar aquela merda? Olha pra mim? Esse bicho ia comer o meu cu!

Todos riram.

-É seu Renato… Eu vou te falar que em mais de quarenta anos de estrada, eu nunca vi um negócio desses. – Disse Junior.

-Eu sabia! Eu sabia que essa porra era mesmo coisa do demo! Aquela merda lá… Aquelas batidas… Quem duvida que aquela porra saiu do inferno? Ontem foram batidas inexplicáveis. Hoje é um monstro gigante que sai… sei lá, da gosma. Amanhã vai ser o que? O próprio Lúcifer? – Questionou Jamil.

Todos ficaram em silêncio contemplativo. Durante vários minutos, só se ouvia o motor do caminhão.

As palavras de Jamil ecoavam na cabeça de Renato.

-Junior…

-Que foi seu Renato?

-Para o caminhão.

-Hã?

-Para o caminhão.

-Aqui?

-É.

-Mas estamos no meio da estrada…

-Vamos nos livrar dessa merda toda. – Disse Renato.

-O quê?

-Sim. Essa porra toda é mesmo amaldiçoada. Hoje eu comprovei. O Jamil está certo. Isso não é coisa normal. Aquele bicho… Aquela coisa.

Junior encostou o caminhão na beira da rodovia.

-O senhor tem certeza? Deu um trabalho do caramba pegar aquilo tudo. Tem coisa boa ali, o senhor sabe. Coisa de valor. E o seu Mark vai ficar bravo…

-Eu me entendo com o Mark. – Disse Renato.

-Pai, deixa ele. Se ele mandou a gente tira. Quer que a gente comece a descarregar, seu Renato? – Perguntou Jamil, afobado ara se livrar dos móveis dos Venâncio.

-Sim, tira a merda toda e joga aí no mato.

-No mato mesmo?

-Sim, larga aí no mato. Quem pegar que se foda. Não mandei pegar móvel velho na beira da estrada.

-Dizem que móvel bacana na beira da estrada ou está bichado ou tem o capeta dentro! – Riu Jonsen.

-Deixa aí que o capeta vai de brinde! – Riu Jamil, pulando da cabine do caminhão para o asfalto.

Junior estava pensativo. Renato virou-se para o pai dos rapazes.

-Pode deixar que eu me viro com o Mark.

-Não, não é isso… é que… Porra isso deu um trabalho infernal. O senhor vai me desculpar, mas não acho certo a gente ter todo esse trabalho e largar a carga no caminho.

-Vocês não estão recebendo?

-Sim.

-E o pagamento tá em dia?

-Tá sim senhor.

-Então, meu chapa?

Junior coçou a barba e baixou a cabeça, em silêncio.

Renato desceu do caminhão e ficou vendo os rapazes tirando os móveis de madeira de lei de dentro do caminhão. Eles iam tirando e jogando no matagal na beira da estrada.

-Mais rápido aí! – Disse Renato, batendo palmas para animar os rapazes.

A última coisa a ser tirada do caminhão e jogada no mato, foi a cadeira do Venâncio. Renato deu uma boa olhada na cadeira preta, cheia de chifres.

O comerciante de antiguidades viu Jonsen erguer a cadeira no ar, e num lançamento, isolar a cadeira no mato. Ela desceu rolando uma ribanceira até ser engolfada pela vegetação e sumir de vista.

-Pronto! Acabou! – Disse Jamil, limpando as mãos da poeira.

Jeremias limpou o suor da testa. O sol estava inclemente e era quase meio dia.

-Esse trabalho todo abriu o apetite? – Gritou Junior de dentro da cabine.

-Claro pai!

-Então vamos embora que tem uma churrascaria a dois quilômetros mais à frente, com as carninhas lá “só esperando nóis”!

-Opa! Aí sim!- Gritou Jonsen, enquanto lacrava a porta do caminhão baú com o cadeado.

Todos se apertaram na cabine da Scania. Júnior acelerou e eles partiram, largando os móveis amaldiçoados para trás.

 

— X —

Era nove horas da noite quando eles chegaram na porta da loja.

Mark estava lá, sentado numa poltrona, esperando. Ele usava um casaco de tricô vermelho e calças pretas.

-Porra, achei que tinha dado alguma zebra. Era pra vocês terem chegado faz duas horas! – Gritou Mark, jogando os braços para cima. Enquanto o caminhão manobrava na frente da loja.

-Desculpa. É que ta na época da soja e dá cada engarrafamento miserável na BR! – Disse Junior, descendo do caminhão.

Renato desceu e foi falar com o Mark.

-E aí guri? – Mark, apertou a mão de Renato com força.

-Fala Mark. Cê não ia tirar essa barba branca? Tá igual o Papai Noel essa merda!

-Eu ia mas a Daisy não deixou. Ela curte esse visual lenhador do Alaska…

-Maluca ela. Ta feio pra caralho.  – Riu renato.

-Cara… E aí? Cadê os móveis. Deixa eu ver a tal cadeira.

-Bem… É…

-Que? Que foi? Que cara é essa? Por que vocês todos estão com esta cara aí? – Perguntou Mark, vendo as expressões dos filhos do Junior.

-A gente… Não trouxe. – Respondeu Renato.

-O quêêêê? Cê tá de sacanagem né? Rá! Agora deixa eu ver a carga.

-Mark… è sério.

-Não, para de babaquice. Deixa eu ver a porra da carga.

-Mark. Mark… MARK!!!

-É sério? Você não trouxe? Mas que porra. Damn! What the fuck?!

-Vem, vamos conversar no escritório. – Disse Renato, agarrando o enorme americano pelo braço.

Mark foi berrando palavrões em inglês para dentro da loja.

Vários minutos depois, Renato e Mark estavam trancados no escritório. Renato acabava de contar ao sócio suas aventuras com o monstro.

Mark estava com uma expressão enigmática, olhando Renato nos olhos. As mãos cruzadas com os cotovelos sobre a mesa. Só mudava de posição para coçar a barba branca larga que lembrava a do Ernest Hemingway.

-E aí o bicho sumiu?

-Aí deu uma explosão de luz. Eu quase fiquei cego. Quando dei por mim, o bicho tinha virado pó.

-Mas que história maluca… – Disse Mark.

Os dois foram interrompidos por batidas desesperadas na porta.

Renato abriu e deu de cara com Jamil. Ele estava pálido. Os olhos arregalados, suando frio, e mal conseguia falar.

-Fo-fo-fo…

-Fala rapaz.

-Fo-fo-fo…

-Tá louco, criatura? Que foi, que merda é essa?

-Fo-foi lá! Lá! Lá fora!

-O que é que tem lá fora, Jamil.

-No ca-ca-caminhão, seu Renato. Tá no Ca-ca-caminhão!

-Não estou entendendo, Jamil. Fala logo, homem!

– A cadeira, seu Renato. A cadeira apareceu la no caminhão!

CONTINUA

 

19 comentários em “A cadeira obscura – Parte 12”

  1. Eita caraia! Bicho pegou e pegou com força nesse capítulo hein, negócio é tacar fogo na cadeira kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ótimo capítulo Philipe, doido pra ler a parte 13.

  2. Parabéns, essa história está demais, quando li a última linha dizendo que a cadeira estava lá, arrepiei por completo. Bela narrativa, parabéns! Estou ansioso pela próxima parte!

    • MIchael minha meta é ter um ep novo ao dia. Mas tem dia que fico fodido de trabalho e outras atividades e não consigo fazer mas a minha meta é uma parte ao dia.

  3. seria legal você fazer algumas ilustrações das suas criações kk eu nunca consigo criar elas na minha mente, além do que elas parecem interessantes pra caramba (ou podia falar as inspirações que teve pra criar o monstrão e tals).

  4. Caramba, se eu fosse o Renato eu deitava em posição fetal e chorava feito um bebezinho, e o que ele faz? Pega o caminhão e vai embora… Eu mandava vim o papa fazer um exorcismo na cidade inteira!

    Não gosto muito do Mungo nessa historia pq a cadeira era bem sobrenatural, e o Mungo é um monstro físico, apesar dos pesares. Quando ele aparece corta um pouco o clima de assombração que o conto tinha no começo e na parte das batidas do caminhão que foram épicas.

    Mas ainda assim anseio pela continuação!

    • Eu também achei que não caberia um monstrengo nesse conto devido ao clima demoníaco que a cadeira passa. Mesmo assim to acompanhando fielmente esse conto e congratulo o Philipe por isso.

    • Acho bem coerente. A linha da história, em associação com o conto “A Caixa”, segue muito o estilo místico de H. P. Lovecraft. Não ouso dizer que este autor citado é a inspiração do Philipe na criação deste universo místico e sombrio que vem permeando a esfera sobrenatural dos personagens que ele cria. Divindades antigas (os seres Ctônicos – mitologia grega, que apareceu na Caixa e agora na Cadeira), elementos místicos, um desprezo pelos presunçosos conhecimentos humanos do mundo em face ao elemento místico e oculto que engolfa-o… há um paralelismo muito grande entre os estilos e ao mesmo tempo muita originalidade por parte do Philipe. Eu estou adorando e francamente acho que o Mungo ainda é um pequeno elemento de uma ordem existencial de seres e elementos que ao poucos ele (Philipe) irá revelar neste e em outros contos, bem como delinear de forma prolongada suas relações, objetivos e entraves com o mundo aparente, vivenciado nos momentos “naturais” de seus personagens.
      Haja capacidade de concatenar ideias lineares para desenvolver de maneira coerente uma trama tão complexa.

  5. Cara adorei o final desse! muito bom não vejo a hora de ter mais. todo dia entro e clico nos anúncios para ter uma forma de pagar por este ótimo entretenimento!

  6. Nossa foi uma grande surpresa,quando li que ela estava de volta. Eu já estava triste achando que era o fim. Sabe como é muita curiosidade de saber o final mas a tristeza de ter que aguardar por outro conto… Não demora com a 13….abs.

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