A busca de Kuran – A água mortal

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Havia anoitecido e continuávamos nossa jornada silenciosa em direção ao coração do deserto. Leonard havia pedido para que o Profeta não cantasse. Também retiramos os sinos dos camelos. Era importante que não atraíssemos a atenção.

Caminhar com os camelos na escuridão absoluta do deserto era muito mais difícil do que poderia parecer. Embora a lua colaborasse surgindo por trás de finas camadas de nebulosidade que eventualmente a circundavam e espalhavam seus fracos raios em uma difusa luminosidade que apenas nos deixava ver a linha do horizonte, seria fácil errar o caminho ou dar um passo em falso e despencar do alto das enormes dunas. Andar sem saber por onde poderia nos conduzir direto à morte. Tínhamos apenas uma lanterna de querosene, das quatro usadas na expedição.Não poderíamos usar as tochas como na caravana principal, pois elas atrairiam a atenção na escuridão quase absoluta do Taklimakan.

O profeta parecia conhecer os receios de Leonard.

Os soldados iam atrás e nas laterais dos camelos, empunhando as armas.

Eventualmente, Leonard dava ordem para que parássemos. Então ficávamos em silêncio, apenas ouvindo. Ele esperava detectar à distância algum sinal dos nômades canibais do deserto. Fazíamos estas paradas a cada quarenta minutos ou menos.

Numa dessas paradas, Me aproximei de Leonard.

-Posso perguntar uma coisa?

-Pode.

-Por que você não me disse a verdade?

-Que verdade você quer que eu diga?

-A única.

-Não há uma única verdade. – Ele disse, retomando a caminhada.

-A verdade é que estamos aqui para saquear o tumulo de um rei.- Eu disse num rompante.

-O que? – Leonard parecia confuso.- Quem te disse isso?

-Não interessa. Esta é a verdade, que você não quis me contar. Não é? – Eu pressionava.

-Wilson, meu jovem… Esta não é a verdade. Esta é a verdade de alguém que tentou te convencer com ela. O que foi que eu havia dito que vínhamos fazer aqui?

-Matar um demônio.

-Exato. Por que você se apega na verdade dos outros quando a sua verdade não é a de um saqueador?

Eu fiquei quieto. Aquilo era complicado demais para minha cabeça. Leonard em momento algum havia negado que iríamos roubar tesouros antigos, mas continuava a teimar naquele papo de demônios. Resolvi mudar de assunto. Nas paradas que fazíamos Leonard acendia o lampião para que pudéssemos verificar a rota com a bússola. Do contrário corríamos o risco de andar em círculos.

Continuamos a andar por toda a  madrugada.

Já era bem tarde, por volta das quatro da manhã. Um sutil aumento da luminosidade no horizonte já nos permitia andar com maior desenvoltura através das dunas. E gradualmente elas começaram a ficar menores.

As dunas foram ficando menores e começaram enfim a escassear. Agora andávamos em terreno plano, firme e pedregoso. O vento gelado continuava a surgir magicamente, nos refrescando. Era difícil equilibrar naquele chão cheio de pequenas pedrinhas. O Profeta falou alguma coisa no dialeto Uigur, apontando para a direção nordeste. Depois apontou ao chão.

-O que será que ele disse? – Perguntou Joseph.

– Não faço ideia. – Respondeu Leonard.

-Devíamos ter trazido Allan com a gente.

-Não, ele é mais importante com o outro grupo. – Respondeu Leonard.

Levamos algum tempo até entender o que o profeta queria dizer. Ele fez mímicas até que compreendemos que ele indicava que aquele solo em que caminhávamos era o leito seco de um antigo rio.

Leonard olhou no mapa. Estávamos próximo do último ponto desenhado naquele mapa.

-O leito seco do rio indica que estamos na direção do oásis.  – Ele disse.

Não havia nenhum sinal de canibais ou nômades. Retomamos nossa marcha, agora mais acelerada devido à resistência do terreno. Enquanto caminhávamos pela planície firme, eu pensava em muitas coisas. Eu me sentia muito feliz de pisar em terra firme novamente. Minha coluna doía e meus músculos das pernas ardiam. Olhei para o céu e vi as últimas estrelas brilhando. Elas iam morrendo à medida em que os raios do sol surgiam por trás de montanhas no distante, quase infinito horizonte. Enquanto andávamos pisei em alguma coisa que estalou de um jeito diferente. Eu olhei para baixo e vi que era um caco de cerâmica.

Em poucos minutos, todo o grupo estava ao meu redor, admirando aquele estranho caco.

-Deve ser pedra. – Disse o ucraniano com o forte sotaque.

-Não há duvida. É cerâmica! – Respondeu Leonard, olhando de perto o fragmento.

Meu coração disparou. Eu sabia que estávamos perto do nosso objetivo.

-Estamos chegando, Leonard! – Comemorei.

-E vivos! – Ele riu.

Retomamos a caminhada. Todos olhavam para o chão atentos, em busca de mais cacos ou evidências de civilização. O tempo passava arrastado enquanto seguíamos o nosso caminho. O sol agora se aproximava do meio dia e estava quente como o inferno. Leonard mandou pararmos. Os uigures montaram a barraca e nos escondemos do sol. Almoçamos e ficamos lá protegidos do sol até meados das três da tarde, quando desmontamos nosso acampamento improvisado e seguimos na trilha do oásis.

Enquanto andávamos eu contava ao fotógrafo Joseph Frankiel nosso medo de encontrar o povo nômade canibal.

Joseph falava um português rudimentar, cheio de erros, mas que dava para entender. Ele havia passado alguns anos em Coimbra, fotografando para o museu de história natural e aprendera a falar português.

Joseph estava cético quanto ao povo nômade canibal.

-“Esse non existe!” – Ele dizia rindo enquanto andávamos seguidos pelos camelos.

-Você não acredita, Joseph?

-“Clarro que non! Como pode um povo canibal viver no deserto? Vai comer quem? Eles vai se comer”?

Aquilo fazia sentido. Não era lógico que um povo vivesse nômade, perambulando por um deserto praticamente impenetrável como aquele vivesse apenas comendo gente.

-Esse é… Como diz? Mith!

-Mito?

-Sim! Mito.

Olhei para Leonard, que parecia alheio à nossa conversa. Notei que algumas pessoas consideravam-no um crédulo. Joseph era um alemão extremamente lógico. Pensei que talvez o mito de nômades canibais tivesse se originado para afastar os saqueadores de tumbas, tal qual a famosa maldição dos faraós.

Continuamos a andar até que o profeta falou alguma coisa e apontou para uma área esbranquiçada que estava muito longe, à nossa frente.

-Ele acha que é lá. – Disse Leonard. Em seguida, fez sinal para continuarmos.

Andamos mais um pouco e encontramos mais cacos de cerâmica espalhados pelo chão. Dessa vez, cacos maiores.

-Estamos perto. Eu dizia a cada novo caco que surgia pelo caminho.

-Imagine a quantos anos isso está jogado aí. – Disse Leonard, enquanto andávamos. – Talvez esses cacos já estivessem espalhados aí muitos séculos antes de Cristo.

-Nossa! – Eu começava a compreender o aspecto quase atemporal daquele lugar desolado.

Três horas após encontrar os cacos de cerâmica, vimos as primeiras ruínas aparecendo ao longe.

-Lá está! Vejam! – Gritou Leonard.

-São as ruínas do oásis!

Aceleramos a marcha. Ao chegarmos, o cenário desconstruía tudo que eu sempre esperei que fosse um oásis. Não havia vegetação, nem uma lagoa de águas calmas. Havia uma grande depressão, cheia de pedras e areia. Ao redor, espalhados por cerca de 50 metros da depressão no solo estavam os vestígios de um pomar, já fossilizado, com toras e lascas de madeira petrificadas espalhadas. Havia marcas de velhas fogueiras. Enquanto os uigures corriam para o centro da depressão com picaretas e pás, eu comecei a vasculhar o lugar com Leonard. Nos afastamos dos seguranças para explorar.

-O povo daqui desapareceu há incontáveis séculos. Veja a madeira como virou pedra. – Ele disse apontando para um tronco pequeno caído em meio à areia e rochas.

Encontramos cinco pequenas casas, das quais o teto há muito haviam desaparecido. Porém, era possível perceber a disposição dos cômodos pelos suportes de madeira, alguns ainda em pé em cada um dos cantos, e estacas menores entre eles, às quais se prendiam paredes esfaceladas de junco. No interior das casas achamos restos de esteiras de junco trançado e pedaços de cerâmica partida. Encontrávamos sinais de ocupação por toda parte. Achei um caroço de pêssego parcialmente enterrado na areia.

Havia carvão, palha e ossos de animais espalhados perto de uma das ruínas.

-Não tem sinal de escavação. – Disse Joseph armando a câmera para registrar o lugar.

-Devemos ser os únicos seres vivos a andar por aqui em 30 séculos!

Os uigures cavavam no centro da depressão, buscando algum sinal de água.

-Já começa a anoitecer. – Eu disse olhando o sol que se punha ao longe, tingindo todo o deserto de um laranja dourado.

-Vamos acampar aqui. Seguimos o caminho de volta à trilha sudeste amanhã. – Ele disse.

Os seguranças montaram a cabana perto das ruínas do antigo povoado. Eu ajudei a armar a barraca onde iríamos dormir amontoados.

Naquela noite, quando nos reunimos ao redor da fogueira em meio às ruínas de um oásis perdido, era difícil crer que outrora ali existiram canais irrigados, flores, animais silvestres, plantas frutíferas em abundância.  Eu olhava as paredes de pedra e junco parcamente iluminadas pela luz do fogo e imaginava que tipo de povo teria sido aquele, que tipo de divindade eles cultuariam. Pensei nas casas e nas crianças que as teriam habitado…

Os Uigures desferiam picaretadas no meio da depressão, fazendo um buraco que na altura em que vi pela ultima vez, parecia ter dois metros de profundidade. E não havia nem sinal de água. Estávamos todos preocupados.

Leonard disse que devíamos dormir. Os Uigures ficaram na companhia do Profeta, que iluminava o buraco com tochas. Nos recolhemos à barraca. Eu custei a dormir. Fiquei pensando em nosso destino se não encontrássemos a preciosa água.

Acordei com um grito abafado na cabana. Ainda estava escuro.

-Joseph? Leonard? – Perguntei, mas não obtive resposta. Fiquei então parado, quieto, apenas ouvindo. Eu escutava o som do vento lá fora, mas não havia nem sinal do ronco dos soldados franceses ou de Leonard.

Levantei-me e segui tateando. No escuro, percebi que o saco de dormir ao meu lado estava vazio.  Continuei a tatear e encontrei todos os demais sacos vazios.

Eu saí da barraca e o dia começava a amanhecer. Não havia ninguém lá. Só eu.

Nem sinal dos camelos.  Fui até o buraco e encontrei as picaretas jogadas pelo chão. Não havia sinal de luta, briga ou qualquer coisa assim. Apenas parecia que todos tinham ido embora e esquecido de mim.

Mas os recipientes para o transporte da água estavam lá. E a barraca, sacos de dormir, tapetes, estava tudo lá. Encontrei marcas das pegadas dos camelos. Tentei segui-las mas elas iam enfraquecendo e sumiam no leito pedregoso do solo ressecado pelo sol.

Eu estava sozinho. Todos haviam me abandonado. Comecei a sentir um medo indescritível. E se os nômades canibais os tivessem capturado? E se eles estivessem mortos?

Eu tive a impressão de ouvir um sussurro vindo das ruínas. Fui até lá morrendo de medo, mas não achei ninguém.

Entrei novamente na barraca, em busca de armas. Mas elas tinham sumido junto com meus companheiros.

Pensei que talvez eles tivesse encontrado algum lugar promissor ali perto e tivessem partido às pressas. No susto, me esqueceram dormindo.Eu sabia que aquilo não fazia sentido, mas pensava mesmo assim, para me iludir e não cair no desespero. Calculei minhas chances… Sem a água, talvez eu sobrevivesse dois dias.

Eu continuava ouvindo ao longe pessoas falando. Mas não conseguia identificar o que elas diziam.

Fui para fora da barraca novamente. Comecei a gritar por socorro. Meus gritos ecoavam na imensidão do deserto e só havia o som do vento como resposta.

Então eu fiz algo inimaginável. Agi impulsivamente e saí andando na direção que achava que devia. Andei por muitas horas. Até que minhas pernas começavam a tremer. Então eu parava para descansar.

Avistei uma rocha arredondada enorme no meio duma área aberta. Me dirigi para lá. A sede era insuportável.

Quando eu me aproximava da rocha, notei coisas brancas espalhadas pelo chão. Da distância que eu estava pensei que era sal. Me lembrei de como o Profeta indicou que os montes brancos de sal no meio do deserto poderiam significar água sob a areia. Corri esbaforido na direção da pedra, mas à medida em que eu me aproximava, constatei aquilo que não era sal.

Eram ossos. Ossos humanos. Milhares de ossos brancos imaculadamente polidos pela ação da areia e ventos do deserto.

Uma coisa agarrou meu ombro e eu gritei.

Era Leonard. Ele estava dentro da cabana, me sacudindo.

-Wilson! Wilson!

Eu levantei assustado. Era um pesadelo.

-O que você viu? – Leonard parecia aflito.

-Eu tive um sonho. Todo mundo ia embora… E só ficava eu.

-Hummm. – Gemeu. Ele estava sentado ao meu lado.- Havia vozes?

-Sim! – Eu disse espantado.

-O que as vozes disseram? – Ele perguntou.

-Não sei, eu não conseguia entender… – Respondi. – Mas havia uma pedra. Uma pedra redonda e…

Fomos interrompidos por um uigur que entrou na cabana gritando. Parecia feliz.

-Acharam a água! – Eu me espantei.

Saímos correndo da cabana na direção da depressão. Os uigures haviam feito seis buracos grandes ao longo da depressão até achar a água. A água minava das paredes do buraco mais fundo e no meio do poço estava  o profeta. Ele enchia vasilhas com a água. De vez em quando ele bebia e exclamava com satisfação:

-Ella yukshee! Ella yukshee! (muito boa)

Todos comemoramos ao redor do poço. Pela primeira vez em muitos séculos a água voltava a jorrar na superfície do oásis.

Após encher os reservatórios, dar de beber aos camelos inquietos e saciar a sede, tomei uma espécie de banho. Todos nós tomamos, menos os Uigures. O processo do banho no deserto envolvia encher duas vasilhas enormes de cobre que pareciam bacias. Uma delas era a água do banho a outra, a água do enxague. Os homens fizeram fila, todos de cuecas, cada qual aguardando sua vez.

Aquele banho improvisado, era o primeiro banho que eu tomava desde o navio. A sensação era indescritível. Meu cabelo, emplastrado de gordura e areia estava limpo novamente. O profeta me mostrou que eu devia passar as cinzas do fogo da noite anterior para limpar. Aquilo fez uma lama preta nojenta, mas segui a orientação do velho Uigur. E funcionou. Após enxaguar, eu estava completamente limpo. Com cheiro de fumaça, é verdade, mas limpo. O melhor é que eu já não sentia mais a sensação permanente de oleosidade no pescoço que me incomodava desde a partida em Markit.

Saímos revigorados do oásis. Enquanto andávamos eu parei e olhei para trás. Imaginei como já deve ter sido bonito aquele lugar com árvores, lagoas e casas. Ao meu lado, Joseph Frankiel fazia uma  última foto do lugar. Então, me virei e precisei dar uma corridinha para acompanhar a caravana que seguia apressada em rumo sudeste.

Após andarmos algumas horas, nos espantamos quando os camelos ficaram subitamente agitados. Indóceis. Os Uigures desferiam chicotadas e puxões nos animais para controlá-los. Resolvemos dar uma parada. E então eu tive um arrepio aterrador quando vislumbrei ao longe, bruxurilando fantasmagoricamente com o calor do sol, as formas da enorme pedra do meu sonho.

Leonard notou meu choque.

-Que foi?

-Estava no meu sonho. – Foi tudo que consegui dizer, apontando a rocha.

Os camelos estavam agitados e os Uigures fizeram com que se ajoelhassem no chão.

-Quer ir até lá? – Perguntou Leonard.

Eu estava tremendo. Aquilo não era possível. Como eu pude sonhar com um lugar no meio do deserto, um lugar onde nunca estive…

-Não. Eu respondi com medo.

Leonard me encarou.

-Você deve ir lá. O sonho foi um sinal. Você sabe.

– … – Eu fiquei sério olhando pra ele. Tudo bem que ele era o chefe, que estava pagando o salario e as custas da missão, mas ele não podia me obrigar a fazer aquilo. Eu não sabia o que fazer ou pensar. A pedra estava no eio do nada, exatamente como sonhei naquela noite. Ela estava agora a cerca de dois quilômetros de nós.

-Eu não vou. – Disse, decidido.

-Você precisa ir, Wilson. Há algo aqui. Veja, tem alguma coisa perturbando os animais. – Disse Leonard.

Aquilo não me animava nem um pouco. Eu estava morrendo de medo.

-“Aquele pedra não tem nada demais. É bonita”. – Disse Joseph. Em seguida,  completou: – Eu vou lá.

-Não! – Disse Leonard, esticando o braço na frente do fotógrafo da expedição. Ele deve ir sozinho. O deserto falou com ele.

-Das ist verrückt! – Verociferou Joseph. Mas Leonard se manteve firme com a autoridade do líder do grupo e o alemão baixou a cabeça.
Os Uigures se entreolhavam assustados.
O profeta então ajoelhou-se no chão do deserto e começou a rezar.
-O que ele está fazendo? – Perguntei.
-Não faço a mínima ideia. – Respondeu Leonard.
Todos estavam olhando o velho Uigur recitar coisas que não conseguíamos entender, e pela cara dos outros uigures, nem eles.
-Você precisa ir! – Disse Leonard.

-Tudo bem. Então eu vou. – Eu disse. – Afinal, o que poderia haver naquela pedra ao longe? Eu havia corrido muito mais risco ao embarcar no avião, ao entrar no deserto com água de menos e ao me separar do grupo principal. Estendi a mão na direção de Joseph. Eu sabia que ele iria querer ir, mas a ordem de Leonard havia sido bem clara.
Leonard apenas olhou sério pra nós e Joseph me passou a câmera dele.

Eu avancei solitário na direção da pedra, enquanto Leonard, Joseph, Edgard e o grupo de soldados franceses, os ajudantes uigures e o velho cameleiro me olhavam à distância.

A cada passo vacilante, o medo esmagava-me o coração. Eu temia encontrar alguma coisa sobrenatural naquele estranho lugar. O frio congelou minha espinha quando notei pela primeira vez a crosta branca ao redor da pedra.
-Ai meu Deus! – Eu gemi…
Continuei a andar. Lentamente a pedra foi ficando mais nítida e maior. Enquanto eu andava me perguntava como uma pedra redonda havia ido parar no meio de uma planície desértica com centenas de quilômetros. Ela não se desprendeu de lugar nenhum, nem veio rolando… A verdade é que aquela pedra ali parecia tão surreal quanto num sonho, só que desta vez, eu estava acordado.
Me aproximei até que eu fiquei frente a frente com a enorme rocha redonda no meio do deserto. Centenas de ossos humanos exatamente como no meu sonho se espalhavam ao redor da rocha. Eu mal podia acreditar que estava revivendo o pesadelo.

Peguei a câmera e comecei a tirar fotos.

pedra redondafinal A busca de Kuran   A água mortal

ossada A busca de Kuran   A água mortal
Então lá estava eu, de frente para uma ossada espalhada ao redor da estranha rocha, que pela vastidão calculei em uns dois mil corpos. Havia ossos de adultos e de crianças. Eu não sabia quem eram eles, nem o que faziam ali ao redor da pedra. Os ossos poderiam estar ali, preservados pela secura do deserto por milhares de anos. Talvez eu estivesse frente a frente com o lugar que gerou as lendas sobre o povo canibal. Talvez fosse um cemitério primitivo, uma testemunha silenciosa de tempos imemoriais. OU quem sabe, aquele não fosse o depósito de oferendas do tal povo do deserto? Seriam mesmo apenas lendas?

Meu medo agora dava lugar a uma sensação de estranhamento. De não pertencer à aquele lugar. Me senti invadindo um território sagrado. Fechei os olhos e pedi perdão.

Então senti um movimento de ar ao meu lado, um ar frio soprou no meu ouvido e uma coisa agarrou o meu braço.

CONTINUA

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8 comentários em “A busca de Kuran – A água mortal”

  1. Sou um fã seu. Já li todas as historias deste site! Você escreve muito bem, envolve o leitor na historia.

    Entro aqui umas 5/6/7 vezes por dia para ver se saiu uma nova parte da história.

    Espero que seja maior que a historia do zumbie!!

    Parabens cara, abraços

    • Engraçado, né? Estou sentindo um grande prazer de escrever esta história. Não sei, algo nela me lembra daquelas aventuras tipo a primeira parte de king kong, Robson Cruzoé e histórias do Julio Verne, como Viagem ao centro da Terra. É uma sensação deliciosa, porque do mesmo jeito que no zumbi, eu não faço nem ideia do que vai acontecer. Por exemplo, dormi pessimamente esta noite por causa desse gancho que eu coloquei. Eu não dormia, só ficava pensado o que iria acontecer no capitulo de hoje, hahaha.

      • “(…) Por exemplo, dormi pessimamente esta noite por causa desse gancho que eu coloquei. Eu não dormia, só ficava pensado o que iria acontecer no capitulo de hoje, hahaha.” Resumindo: ”Entrem e não saírão”, risos…

        Estou sem dormir também, ansiando pelo final da estória. Parabéns, conseguiu criar um ótimo clima de suspense, em parte, acredito, porque nem você sabe como a estória terminará, apenas cuide para que o final faça jus a todo esse mistério. Abraço!

        P.S: Continuo acessando o blog, quase todo dia, embora não tenha comentado muito…

  2. Ae Philipe, cara primeiramente… TEU BLOG É FODA! Segundamente … Os teus contos são demais cara, tu ficou bilardário com este site merecidamente!!! Espero que a parte 6 fique pronta logo! e que a segunda temporada do Zumbi volte logo! Adorei a primeira temporada do Zumbi!
    e o relatos de um MIB… hehe tava acreditando!!! rsrsrs Parabéns até +!!!

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