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Aqui estamos nós. Você, leitor e eu. Chega o momento de cerrar as cortinas e findar o espetáculo. Este post foi ansiosamente gestado durante quase um ano. Em muitos momentos eu pensei que este dia nunca chegaria. Mas finalmente, ele chegou.

Se você não leu todo o Relato de um Mib, saiba antes de tudo que o que encontrará aqui neste post são apenas spoilers. Ao longo de tanto tempo tudo que muitos leitores desjaram eram verdades. Eu pretendo contar tudo aqui.

Sem grandes rodeios, vamos aos fatos. E vamos aos fatos da maneira mais direta, através de uma entrevista comigo mesmo.

P: Afinal de contas, o Relato de um MIB é verdade ou não?

R: Sim e não. O Relato de um Mib parte de uma proposta formal de um conceito midiático que eu inventei e batizei de transrealismo. O transrealismo difere de um game de realidade alternativa porque primeiramente não é um game, não existem pistas e nem um ponto de chegada para os potenciais investigadores. O transrealismo em tese, deveria ser um aperfeiçoamento do realismo. Quando vemos um filme como Cidade de Deus, o que vemos é o realismo. Os caras buscam criar uma ficção mais real possível. Mas vemos aquilo sabendo que entramos num cinema e estamos vendo uma ficção. Quando jogamos um game cheio de efeitos realistas, como radiosidade, fog, reflexos e o escambau a quatro, estamos vivenciando uma experiência realística. Mas ela acontece numa espécie de palco preparado pela nossa mente onde a priori temos a certeza de que lidamos com algo que pode parecer verdade, mas não é.

O transrealismo quebra a barreira do real. É como tomar a pílula certa em Matrix. E o único meio de conseguir obter o transrealismo é ter nas mãos um instrumento midiático próprio. – E eu tinha!

Veja que o transrealismo não é uma piada de mau gosto ou uma palhaçada deliberada para ganhar ibope ou vender livrinho, como inocentemente alguns leitores pensaram. É uma proposta de inovação nos elementos midiáticos da pós modernidade, que engloba fotografia, vídeo, ilustração, animação e texto. É livro, é novela, é conto e é interpretação live action, sem ser especificamente, nada disso.

Do ponto de vista do transrealismo, só seria possível obter uma história que despertasse o leitor para o questionamento do que e real ou não se eu conseguisse catapultar uma história ficcional para o mundo real. Tudo foi pensado desde o início tendo em mente que isso aconteceria. Nesta altura alguém pode pensar: ” Este cara é maluco.”

Sim. Eu sou.

O que eu fiz no relato de um MIB foi pensar uma história que fosse suficientemente estranha para despertar a incredulidade mas que contasse com elementos suficientemente verossímeis para que todos aqueles que estivessem dispostos a embarcar nela pudessem entrar de cabeça facilmente.

Acontece que é impossível, aliás completamente impossível,  fazer isso comunicando aos espectadores da história que aquela é uma história inventada. E a melhor maneira de dizer isso é contar com o fator desconfiança-paranóide de todos nós, ou seja: Dizer a verdade.

É estranho confessar uma mentira dizendo  a verdade. Até porque isso também é uma meia-verdade. Parece confuso? E é. Agora imagina viver dentro disso por mais de um ano…

P: Ok, enrolou, enrolou e falou pouco o que nós todos queremos saber. O RELATO É VERDADE OU MENTIRA, PORRA?

R: Certo, certo. Eu vou chegar lá. O relato é parte real parte ficção. A parte do Et, por exemplo, é ficção. Não tem Et, não tem vortex, não tem MIB, não tem ABIN, árabes, consórcio chinês-iranino, Tasso Fragoso. Isso tudo é produto da minha cabeça.  Mas tem um monte de coisa que é verdade.

P: Tipo?

R: Tipo a ameaça que eu sofri no celular. Até hoje não achamos o culpado e a coisa rolou mesmo, a vera! De numero restrito. E eu me caguei mesmo. Felizmente aquela ameaça, que foi uma coisa ruim na hora,  foi imediatamente batida no meu coprocessador aritmético cerebral e eu exorcizei aquele medo com as ameaças ao infeliz do Gustavo.

P: Aliás, falando nele. Ele é real?

R: Claro, porra. Ele é real. Ele chama Rafael Assumpção e eu voltei na barca Rio-Niterói com ele hoje!  O Rafael é um dos caras mais legais e inteligentes que eu conheço. Ele é Biólogo e me ajudou a pensar toda a estrutura biológica do Juca. É dele a idéia das enzimas responsáveis pela respiração do nitrogênio produzirem amoníaco no processo. É dele a idéia da visão com zoom do Juca, da reação a luz ultravioleta que ele tem. O mais interessante de estar no cockpit da história é pensar essas merdas. Mas a parte triste é saber que pensamos milhões de coisas maneiras que simplesmente não entraram porque não havia espaço. Nós pensamos a evolução da espécie num ambiente completamente diferente para gerar aquela morfologia… Foram dezenas de emails trocados recheados de dados legais. Pra mim o mais espantoso do Relato de um Mib é conseguir convencer um cara que é um Biólogo que trabalha com modelagem molecular e biologia computacional a ficar de cueca num cativeiro levando porradas fictícias do meu primo Klaucius (aquele que me ensinou  a andar de bicicleta me empurrando de um penhasco) e do primo dele, o Caíque. (eu pedi para baterem de verdade, mas o Klaucius alegou que um bico real mataria o Rafa. E o Caíque ficou com peninha de meter um socão real na boca do estômago do Rafa.)  Fazer o que? Eu não pago nada… Não posso exigir muito. Ficar de cueca para a internet inteira ver já tá bom demais. Em contrapartida, acho que ficou legalzinha a maquiagem. Caseira, mas quebrou o galho.

P: Ah, não! Quer dizer então que aquilo tudo de brigas aqui no blog, ameaças, “Guerreiro da verdade”, namorada maluca, tudo aquilo é ficção?

R: Sim. Eu convenci alguns amigos íntimos, como o Rafa, que eu conheço pela alcunha de “menininho” , porque minha vó nunca decorava o nome dele e sempre perguntava pra ele assim: “Menininho, você quer nescau?” Eu conheço este cara há pelo menos uns 12 anos ou mais. Eu convenci ele a me emprestar a aparência dele para o Gustavo, um sujeito perturbado. Meio soturno, meio dado a ataques egocêntricos. Ele topou na hora. Inclusive ele mesmo que batizou o “Gus”.

P: E a namorada maluca?

R: A namorada é um caso engraçado. Eu havia decidido que o Gus iria entrar para morrer. A finalidade do Gus na história é diretamente relacionada a questão da parte 8. Estranho? Eu explico:

Quando eu delineei o roteiro eu tinha em mente que em algum momento a história ia sair para o mundo real. Eu ainda não estava certo de como fazer isso. Só sabia que eu queria muito criar alguma coisa que fosse uma cruza de Lost com X files, com um toque tupiniquim. Então eu decidi que o alien estaria numa base militar, – que é uma base mesmo, real, feita na segunda guerra mundial e cujo o acesso é absolutamente restrito. O lugar é inclusive um local para onde eu- se fosse militar, levaria MESMO um Et. E ela fica MESMO dentro de uma montanha com um corredor infinito cheio de portas de aço com trancas absurdas.  O problema é que eu sabia que este lugar existia, mas não sabia como fazer para filmar lá.

É aí que entra a primeira dama, que é militar mesmo, da marinha mesmo, e conhece mesmo muita gente interessante, como aquele coronel que está falando coisas sobre ufos na revista UFO atualmente nas bancas. A Nivea procurou saber o que eu devia fazer para conseguir filmar lá naquele lugar. Era um trabalho danado. Eu tive que fazer uma carta, pedindo, implorando, rastejando, tive que ligar inúmeras vezes para o quartel, tive que esperar a boa vontade de alguns oficiais, anexei uma parte do roteiro e tudo. O meu pedido foi subindo de instância em instância, até chegar no comando do estado maior da armada. Nisso, passa mês atrás de mês e o babaca aqui esperando que o pedido de filmagem seja deferido ou indeferido. Quando finalmente eles aprovaram a filmagem, já havia se passado muito tempo. Eu não podia ficar com a história parada, pois na minha mente ela tava tendo prosseguimento. Enquanto eu esperava surgiu do nada a minha idéia de fazer ali o gatilho que catapultaria o leitor para dentro da história: Eu criei o Gustavo.

P: Nossa. Que trabalho! Mas e a namorada dele?

R: Pois é. O Gustavo foi criado como o elemento de conexão do mundo real com a história. Eu pensei nele como sendo um cara assombrado por conflitos familiares, um sujeito recluso e sem amigos. Alguém com graves deformações  psicológicas, como a questão do pai falecido. O Gustavo foi pensado para trazer até os leitores informações que eu queria passar mas não podia sendo eu mesmo e nem sendo o Vortex. Eram coisa que ligavam a história num eixo de realidade. Ocorre que no decorrer da história, lá atrás, nos tempos da parte 3,  a Nivea, que é professora mesmo, virou militar da marinha. Nada de truque nem apadrinhamento. Ela fez o processo seletivo e passou. Por sorte, ela foi trabalhar cedida ao ministério da Defesa. Eu tive medo de implicar ela na história, só que isso era bom demais para ser desperdiçado. O Gustavo era uma maneira de passar esta desconfiança sem falar diretamente. O bicho pegou geral aqui em casa quando a primeira dama descobriu. Quase levei cabo de vassoura na cabeça. Ela ficou com a maior raiva e sempre foi, desde o início, terminantemente contra o Relato de um MIB – Que ela chama carinhosamente de “aquela sua babaquice no blog“.

Felizmente, o tempo curou as feridas e a raiva dela passou.  Enquanto os militares não se decidiam se eu poderia filmar na base ou não, eu dei continuidade ao Gustavo, criando aquela briga homérica aqui no blog. É bem estranho escrever como sendo outra pessoa. Tanto o Gustavo quanto a Renata/Viviane, usavam imagens de  amigões meus. O Gus é o Rafa e a Vivi é a Denise. A Denise é minha amiga do trabalho.  Os comentários e textos são todos meus. Assim, de um certo modo, eu criei três instâncias diferentes na minha cabeça. O dia mais legal foi quando eu fiquei simultaneamente discutindo com ela e ele no orkut. Eu escrevia de três computadores diferentes. São três modos de pensar e falar diferentes, além do core da história. Cada um tem um tipo de erro ortográfico diferente e estilo de riso e frases de efeito diferentes. Infelizmente, este detalhe começou a passar batido e do meio pra lá eu larguei isso de mão. Isso explica porque eventualmente o Gustavo ou a Vivi acabava falando de um jeito parecido comigo. É que tem horas que é bem difícil ser três pessoas ao mesmo tempo.

O Trabalho de criação do Gus e da Vivi envolveu criar o site deles, o “Guerreiro da Verdade”.  – Muito louca a sensação de eu mesmo escrevendo mal de mim, jurando vingança eterna e tudo mais.  Envolveu também criar os perfis de Orkut deles, arrumar alguns amigos avulsos e criar uma série de conversas paralelas entre eles dois e os amigos.E então entre os dois e eu.

Óbvio que um cara fazer isso tudo sozinho é meio fora de mão. Por isso, eventualmente eu acho que posso ter dado um mole em alguma coisa.  A decisão do comando do estado maior da armada tava demorando e eu comecei a planejar a morte do Gustavo. Eu pensei que matando o cara que faz a ligação do real com o imaginário, eu obteria mais pessoas mergulhando na história, opinando, discutindo e investigando. Não deu outra.

Eu planejei cuidadosamente todos os detalhes do falso ataque ao meu próprio blog. Isso incluiu tirar o blog do ar por alguns dias, perder mesmo grana do adsense e gerar aquela pagina de dafecement fajuta de modo proposital para que alguns caras pudessem concluir que era tudo uma manipulação da mente doentia do Gustavo.

Quando o blog saiu do ar com o defacement, com musiquinha de X files e tudo, teve uma comoção bem maior do que eu esperava. Neste dia eu fiquei bem satisfeito. A comunidade do mundo gump no orkut explodiu em centenas de mensagens e especulações. Pessoas compraram a briga e bateram boca bonito com os personagens ficcionais. Neste dia eu me realizei, porque vi que havia finalmente atingido o transrealismo. Os personagens responderam a altura. Insultos mil eram trocados de todos os lados. E o Blog fora do ar… E eu perdendo grana… Mas tudo pela arte. Alguns até apostavam que tudo era ficção. Estavam certos no mundo real, mas no contexto da história, redondamente enganados.

Foi quando o Gustavo aproveitou que eu estava “viajando” e espalhou a notícia da mensagem cifrada. Óbvio que a mensagem cifrada era planejada para expor aos investigadores algumas informações que me ligavam ao plano de ocultação do Juca. O problema foi que eu dei o maior mole do universo ao fazer a captura da tela com meu login e não com o do Gus. (culpa da loucura de múltiplos personagens) Um cara da comunidade chamado Mário sacou o detalhe e expôs o mesmo para todo mundo.

Ali eu vi o castelo começar a ruir. Pensei que não haveria jeito. Então escrevi uma mensagem como o Gustavo para o Mario, dizendo que eu havia invadido o computador do Philipe e que roubei senha e dados bancarios. A idéia da invasão nasceu daí. Felizmente, ela me ajudaria mais tarde a criar o loop da pasta LMF e também o motivo misterioso pelo qual ele é raptado – a pasta.

O Gustavo mandou ao Mario um longo email detalhando cada uma das ações que o conduziram a descobrir como eu estava envolvido com os Mibs brasileiros. No fim, o Gustavo contava a verdade. Eu assumi ao Mario a história toda e dei a ele os parabéns por ter sido o primeiro cara a sair da matrix. Ele se amarrou no projeto quando viu o mesmo pelo lado de fora. Ao contrario de mim, o Mario teve a experiência de estar dos dois lados, e depois ele aceitou minha proposta de se juntar ao “lado negro da força” e dar continuidade a mesma. O fato de ter exposto o meu furo tornou o Mario meio que blindado contra a desconfiança, e assim ficamos por muitos meses.

Ele ajudou a inverter tudo dizendo que sabia de dados que o Gustavo havia mandado pra ele assumindo a invasão do meu PC.

O Mario foi infiltrado nos grupos de investigação e cuidadosamente planejamos quando e como ele começaria a se tornar um desafeto, ocupando o lugar deixado pelo seqüestrado Gus.

Ocorre que desde o início, eu precisava sair do meu papel de Philipe. -Isso explica porque alguns leitores mais sagazes notaram que eu agia de um modo nas respostas no relato de um MIB e de outro nas respostas dos outros posts. Não satisfeito com a criação do perfil do Gustavo e da Renata-Vivi, eu criei uma personalidade paralela para mim mesmo. Afinal, na história eu REALMENTE estava escondendo informações sobre o Juca. Isso fez com que o Gustavo estivesse certo o tempo todo. No âmbito da história, eu era um cara muito mais babaca do que eu sou realmente. De um certo modo eu tive nojo de comentários meus diversas vezes. Foi com um certo sofrimento que me vi tendo que ser bastante escroto com alguns leitores. Mas não era eu realmente, e sim o personagem.

P: Você não teve medo de pirar?

R: Na verdade sim. E muito. Eu comecei a ficar preocupado com o Relato de um MIB quando percebi que estava ficando cada vez mais fácil encarnar personalidades completamente diferentes da minha. Eu estava me transformando na Vivi, no Gus e no Philipe 2 rápido demais. Sem esforço. Isso me preocupou. Comecei a temer pela minha sanidade quando podia ouvir discussões rolando dentro da minha cabeça com essas figuras. Pode conversar com qualquer ator que eles vão dizer que dependendo do cara, ele pira e vira o personagem e não volta mais. A coisa é bem mais complicada quando não há roteiro prévio. O Relato é um RPG onde você interpreta três figuras diferentes ao mesmo tempo, em conflito e ainda por cima por vários e vários meses seguidos, em diferentes mídias. É foda. Maluquice igual, eu não faço nunca mais.

P: E qual foi o pior momento?

R: Na verdade, desde a criação do Gustavo, desde que atingi o objetivo do transrealismo não tive mais sossego. Eu me sentia péssimo, enganando as pessoas. Por mais que fosse por um bom  motivo, que era colocar o leitor dentro da história de um modo como não conheço no mundo algo similar, era enganar os outros. Por mais que o cara que entrasse no orkut, conversassem com as pessoas e respondesse rispidamente alguns leitores, era enganar. E enganar é errado. Eu tive clareza disso desde o primeiro dia até hoje, quando finalmente me livrei da maldição do relato de um MIb. Eu conversei sobre isso com o Mario e com mais uns dois que descobriram a verdade e me contactaram em PVT para me parabenizar por todo o trabalho. Felizmente pra mim, a maioria das pessoas compreende o trabalho de um modo melhor que eu mesmo. Talvez pelo fato de criar tudo, de arquitetar a história e o modo como os leitores seriam catapultados à sua revelia para dentro do conto. No fundo, eu fui meio que um seqüestrador. Seqüestrei centenas de pessoas para dentro de um universo ficcional que eu inventei. Não me bastava ter leitores gostando. Eu queria leitores participando, investigando discutindo diretamete com os personagens.

P: E odiando.

R: Sim, e odiando! Porque odiar e amar são os dois lados de uma mesma moeda. São reações afetivas que só se estabelecem porque foi quebrado o ponto de separação do que é real e o que não é. Alguns leitores mais sensíveis conseguiram antecipar isso e perceberam que estavam sendo sutilmente manipulados. É natural que tenham se sentido ofendidos. A reação deles é normal e acho que seria similar a minha.  Toda reação emocional, positiva ou negativa, é vitória para o autor. A pior coisa que poderia acontecer seria a indiferença e isso realmente, não teve.

O problema é que não há meio termo numa coisa assim. Ou você faz ou não faz. Eu resolvi fazer para não me arrepender quando outro aventureiro lançasse mão antes. Pelo menos eu inovei em alguma coisa. Veja, o que são os blogs hoje? Alguns mostram fotos de mulheres peladas, outros contam piadinhas, alguns falam da vida e a massa quase absoluta se limita a reproduzir notícias. Nada contra, por mim tá beleza. Só que eu acho que dá pra ir além disso.

Eu acho que blogs podem transcender este espaço de apenas comentar e ler comentarios. Blogs podem se beneficiar do contato, do hipertexto, da metalinguagem, da multiplicidade de mídias…

“Blogueiro si, pero sen perder la inovación jamás! ”

A história pode não ser grande coisa, pode ter um final piegas e pode ser excessivamente x files. Mas o que me agrada é ter conseguido trazer algo da ficção para o mundo real e proporcionado a alguns leitores a oportunidade única de brigar com alguém que só existe dentro da mente do autor. Quando a maioria de nós fez isso pela última vez? No Jardim de infância, possívelmente. Quando amadurecemos nós perdemos o benefício do nosso pensamento mágico. Nos limitamos a nossas vidas rotineiras e talvez medíocres. O Relato foi um experimento, mas além disso, uma chance de mergulhar numa ficção grátis, uma volta ao nosso passado quando podíamos ser reis, heróis míticos ou guerreiros espaciais, ou ainda pilotos de corrida com tampas de panela nas mãos.

P: Mas o que você ganhou com isso?

R: Nada. Eu só perdi. Cada episódio do Relato de um Mib desce em média uns mil leitores nas estatísticas do Mundo Gump. Ou é porque é muito texto, ou é porque a história é longa, cheia de reviravoltas, cansativa ou o tema já foi excessivamente explorado. Ou talvez porque eu dou mole e a coisa é meio mambembe, meio malfeita. O fato é que quando eu coloco o relato, não ganho grana. Mas foda-se a grana. Quem precisa de grana? Eu quero ser inovador.  A grana que se dane. Em primeiro lugar na minha vida está a realização pessoal. Dinheiro eu ganho de outro jeito: Trabalhando. E trabalho não me falta, felizmente.

Além disso, meu critério que mensuração de qualidade não se limita a numero de acessos. Se limitasse, eu só falaria de múmia.

P: Mas não teve medo de perder anunciantes?

R: Sim. Mas pensa bem…  De que me adianta ter um blog bem visitado, cheio de anunciantes se eu estiver engessado numa estrutura totalmente comercial que visa apenas faturar? Falando sério, se eu quisesse só grana, eu fazia como o meu amigo Carlos, que tem o IFTK que é um blog só para pegar paraquedista. Ele sim sabe ganhar dinheiro com blog. Faz tempo que eu caí na real que meu foco não é lucro. É conteúdo. Se conteúdo atrair lucro, ótimo. Eu não desdenho do dinheiro. Mas em momento algum irei trair o leitor já acostumado ao conteúdo do Mundo Gump com objetivos unicamente financeiros. O que não significa, em último caso, que eu também não tenha meus planos de faturar.

P: Nossa, que discursinho bonito. Vai se candidatar a que? Vereador?

R: A questão não é essa. A questão é que eu acho que existem vários tipos de blogs, como existem vários tipos de internautas. Ou você foca em um ou no outro. Não dá pra abraçar o mundo com as pernas, saca?

P: Saquei. Tava te provocando. Mas voltando ao Relato, e o que você me diz daquele primeiro video? Aquele é real, né? Pode falar.

R: Aquele é tão real quanto os demais. O problema é que o primeiro video foi feito nas coxas. Quando eu fiz o video, pra mim estava tão na cara que era 3d que achei que todo mundo ia notar no ato. Me assustei quando vi que algumas pessoas estavam mesmo acreditando que o video era real. Foi quando surgiu o tal DocLottaLove.

P: Você inventou ele também?

R: Não, o DocLottaLove é verdadeiro. Ele é um cara mesmo e eu não conheço ele nem tenho nada a ver com ele. Ele é uma parte real do relato.

P: Mas ele acredita mesmo que o video é real? Tá falando sério?

R: Juro, porra! O cara entrou numa que o video é real. E o mais legal é que tudo foi motivado por uma pequena confusão.

P: Ah, essa eu quero saber. Conta aí!

R: Então, quando eu fiz o primeiro video realmente num fim de semana. Mas não tudo. O alien eu ja tinha há algum tempo. Eu fiz só o video. Eu criei o cativeiro num tipo de cabana tosca, com parede de tijolos, um chão de terra batida. Como um tipo de paiol de cana de fazenda. Eu queria que parecesse algo tosco, algo pobre e brasileiro. Todo mundo imagina aliens em instalações seguras e fortemente armadas. Eu quis colocar o oposto. Como seria a vida de um alien ferrado, com sujeitos ignorantes tratando ele como um cachorro de rua? Este era o ponto daquele video. Quando eu fui criar a cena, esqueci de ocultar as cadeiras 3d que usei de referência. Eu usei uma cadeira de referencia de iluminação. Em geral é fácil fazer clones em objetos 3d. Porém, dei mole e mandei fazer o render sem esconder o clone. Como ele aparecia de relance, larguei do jeito que tava mesmo.

Quando passei o arquivo final em alta resolução pelo total vídeo converter para jogar ele para mpeg pro youtube, o programa deu algum tipo de bicheira estranha, que escureceu muito o meu vídeo. Todos os meio-tons de pele do juca foram para o saco, a parede de tijolos, o chão de terra batida, tudo. Só se via um rosto esverdeado no fundo escuro. Mas eu olhei aquilo e me bateu uma preguiça absurda de refazer. Eu mandei do jeito que tava.   O vídeo ficou incólume por um tempaço. É aí que entra o cara.

P: O Doc?

R: Sim. O Doc. O Doc tem um mérito que ninguém teve. Ninguém, só ele.

O Doc teve uma postura de investigador. Ele fez o dever de casa. Milhares de ufologos metidos a bamabambã, baluartes da ufologia,  torceram o nariz e nem sequer se deram ao trabalho de olhar de perto do que se tratava. Então eu pergunto E se esta parada fosse mesmo real? Mas o DocLottaLove, em toda sua inteligência e humildade, foi o cara que pegou aquele troço e baixou, abriu num programa gráfico e examinou quadro a quadro. Se podemos dar crédito a uma investigação aqui, dou ao Doc. Ele sim é um ufólogo. Ele só está errado em crer naquilo, mas a postura de pesquisa está certa e deve ser reconhecida.

Ele clareou o video. E então… Viu a parede e a segunda cadeira. Veja, a função de um ufólogo sério não é crer nem descrer. É investigar. E isso o cara fez. Este mérito ele tem.

P: Mas e então?

R: O Doc entrou em contato comigo. Ele questionou a segunda cadeira e a parede de tijolos. Eu percebi que ali estava uma chance de ampliar a confusão. Ali eu já estava na pele do personagem Philipe2 e então disse ao doc o que o personagem diria naquela situação. Uma desculpa esfarrapada para ocultar a verdade. Eu disse a ele que a parede de tijolos eram artefatos da compressão do video e que a segunda cadeira era só pareidolia, isso é: Sugestão.

Óbvio que ele ficou puto porque pensou que eu estava desdenhando da inteligência dele. Em seguida, concluiu que se eu disse aquela mentira óbvia, era para ocultar aquele fato. E se eu queria ocultar, era porque ele era real. E foi assim que a coisa da mitologia da cadeira começou.

Ainda não existia o Gustavo. O Doc foi o primeiro cara a interagir com o personagem ficcional Philipe 2. Só que ele não sabia disso. Pegou o argumento vagabundo que eu dei a ele como explicação para a parede e cadeira e não entubou. Ele passou a ter certeza que o video era autêntico graças a desculpa que eu dei. Ele também achou detalhes no video, que passaram batido de 99,9% das pessoas, e aquilo o levou a crer ainda mais que o video era real.

Quando eu criei o Gus meses depois, me lembrei do Doc e da sua obstinação. De um certo modo, o Gus é um tributo aos caras obstinados que se arriscam mesmo como o Doc. O lance é que o Doc deve estar até agora muito puto comigo, pois ele gastou bastante tempo investigando um desenho animado em 3d.  Mas graças a ele, as investigações e a “opinião geral” dos que “querem acreditar” tendeu bonito para o lado conspiratório da história. Ma ao contrario do que alguns pensaram, o Doc nunca soube, nem fez parte como personagem do Relato.

P: E aquele papo sobre perder os arquivos do juca e coisa e tal?

R: Papo furado. Eu precisava de algum argumento qualquer para evitar mostrar o arquivo 3d. A crença no primeiro video funcionou como um catalizador da sensação de realidade. Eu não podia destruir isso.

P: Que programa você usou?

R: Para o 3d eu uso o 3dsmax. Para efeitos de pós, correção de cor e tudo mais, o combustion. E para montar o première. Atrás vem o monte de “lixão digital”, conversores de video, pacotes de codecs, plugins, etc.

P: E aquele sujeito da entrevista? Quem ele é?

R: Aquele é o Celso. O Celso é um amigo meu que tem mais o menos, no barato, uns 15 anos. Ele é um exímio ilustrador e artista plástico. O Celso é um cara jogador de RPG que tem um programa de Tv local aqui. Mas ele não é ator. Ele quebrou o galho. Eu esbarrei com ele na rua e propus. Ele topou e fizemos. O problema é que o roteiro era gigante ele não conseguia decorar. Tivemos que improvisar em algumas partes, e sem poder pagar ator, lidamos com o que temos.  A coisa foi meio feita no improviso. Pessoalmente, eu gosto mais dele na parte da base. Na entrevista ele tava desconcentrado, suando horrores pelo calor absurdo que fazia e ele com aquele paletó, coitado. Aquela filmagem foi um suplício. O pior é que ventava muito, não tinha produção, nem microfone, porra nenhuma. Era mambembe total mesmo. O orçamento inteiro do Relato foi 20 reais.

No fim das contas, considerando as dificuldades, eu até acho que foi legal. Eu fiquei esperando que alguém dissesse: Ei, eu conheço este cara da TV! – Mas felizmente não rolou nada disso.  Acho que o programa dele nem é muito conhecido, hehehe.

P: E a nave? Era mesmo uma peça de usina elétrica?

R: Não. A nave era 100% 3d, bem como grande parte do cenário.

P: E a morte da Renata?

R: Aquela coisa foi uma fajutice que eu tramei com o Mario. Algumas pessoas estavam pressionando o Mario por informações que ele disse que tinha sobre a morte da Renata. A morte da maluca foi criada como elo de disparo da parte final do conto. O Mario apareceu pra mim e falou: “Cara temos que criar logo uma notícia da morte dela.” O plano original era ambicioso: Criaríamos um site inteiro, com notícias de pelo menos dois anos sobre a cidade e lá no meio, em uma pequena nota, falaríamos do assassinato. Mas isso tomaria muito tempo, eu estava floodado de trabalho e o jeito foi fazer uma nota de morte fajuta.

Um amigo meu de Juiz de Fora me enviou pelo correio um jornal velho lá. A idéia era ter algo que pudessemos jogar a culpa no – até então falecido – ” Gus”. Dito e feito. Quando o povo sacou que a noticia era falsa, alguém descobriu que a noticia original vinha de um jornal de janeiro lá de JF.  Isso levantou sérias suspeitas que Gus estava vivo. O mais legal da notícia da morte da Renata é que dias antes dela estourar, muita gente tava tirando onda querendo que eu dissesse toda a verdade na comunidade do Mundo Gump. Tão logo surgiu a confirmação da morte da Vivi-Renata pelo Mario, mais de 40 comentários foram apagados da comunidade por uma simples razão: Medo.

Mesmo fajuta, a notícia da morte da Renata deixou muita gente com um certo receio. E isso deu uma reaquecida na história, preparando para o lançamento das partes finais. – Que ficaram prontas no auge da confusão do sequestro do Gustavo.

P: Mas me diz uma coisa, como você inventou tudo isso, quer dizer… Você não tem medo de perder sua credibilidade com algo assim?

R: Sim, eu tenho. Mas não muito. Por dois motivos: O primeiro é circunstancial. O Relato de um MIB não é nem nunca foi uma fraude ufológica. Mesmo nos melhores momentos da trama conspiratória eu entrava nas comunidades de ufologia e dizia a verdade: Que é tudo uma obra ficcional. O problema é que nesta altura, muita gente já não acreditava. O que era bom. O segundo motivo, é que uma vez que eu estou contando a verdade aqui para o leitor, não há como me imputar a culpa de enganar as pessoas. Eu enganei por um tempo porque isso era condição sine qua non para a existência da mesma, mas terminada a história, a verdade dos fatos vem à tona. Eu me liberto da pressão que sentia e da angústia e não vejo porque ser acusado de fraudador, de enganador por um produto cuja expressão dos fatos foi marcada pelo aviso de que eram parte de uma obra ficcional todo o tempo.

P: Mas como ufólogo, criar algo assim pega mal, né? Queimou o filme.

R: É, talvez. Mas veja por este lado. Eu criei uma obra ficcional com as feramentas e recursos que eu tinha. Spielberg faz o mesmo, e nem por isso ele é execrado. Ao contrário, ele é aclamado por varios setores da Ufologia, por seu trabalho em Taken, Em Et, em Contatos Imediatos, como alguém que divulga a coisa dos extraterrestres, abduções, contatos…

P: Ah, mas o Spielberg não é ufólogo da Revista Ufo!

R: E nem eu! Eu nunca disse que eu sou ufólogo. Eu disse que eu já fiz pesquisa ufológica. O meu nome e telefone realmente está numa lista de contatos do universo de pesquisadores ufológicos. Se isso me torna um ufólogo ou não, eu não sei. Mas eu não posso tolher minha criatividade por causa de um título que alguem me deu. Além do mais, 99% da minha contribuição prática para a ufologia se resume a ilustrações que eu fazia para a Revista UFo e não faço mais por desavenças comerciais ligados a questões de ordem financeira.

P: Mas então, envolvido com a ufologia você está. E dentro deste universo, você crê que algo do relato é real? E neste caso, o que?

R: Acredito em aliens. Em grays. Acho que o fato de que tem naves voando por aí é praticamente inegável. E que elas são tripuladas por uma criatuira inteligente um fato decorrente diretamente desta verdade básica. Agora, se as bases são mesmo no oceano, eu não sei dizer. Isso quem me disse foi um cara que trabalhou para o departamento de defesa espacial. Eu acreditei e meti na história. Ele tammbém que me disse aquele lance sobre as naves seguirem pelas rotas de jazidas de urânio e entrarem no mar. Como amigos meus conhecem pessoas que viram naves decolando do mar na costa do Brasil, eu liguei tudo com a história do pré-sal, da quarta esquadra americana, com a morte do Pc Farias… Eu misturo tudo. Eu acredito também nos pequenos seres de Varginha. Eu fui lá, falei com muita gente, conversei com os investigadores, já obtive informações que nem eles tem. Aconteceu alguma coisa bem bizarra lá. Além desses casos, eu improvisei o lance de Uberlândia para ligar com uns casos que tavam acontecendo em Sâo Paulo. Graças a proximidade, deu pra ligar as marcas do canavial no interior paulista com a busca pelo Juca por parte das sondas que teriam sido vistas na região.

Além desses fatos, eu tenho contato com muitas pessoas. Algumas não gostariam que eu revelasse suas histórias surpreendentes de contato. Já falei com controladores de tráfego aéreo, com pilotos, com militares. A Nivea como militar, facilitou o contato com pessoas da força aérea, que confirmaram pra ela em off, a realidade dos ufos. Infelizmente, os relatos que colho não tem praticamente valor algum pois são opiniões, informações deslocadas sem o aval da Força. Sem provas irrefutáveis. A posição oficial sempre é negar.

P: E você pensa que o Relato contribui em algum grau para o descrédito do fenômeno? O que você acha das pessoas que dizem que você abalou a credibilidade da ufologia nacional?

R: Algumas pessoas podem pensar isso. As pessoas tem o direito de pensar o que quiserem. No meu ponto de vista, o peso do “Relato de um MIB”  para a Ufologia é o mesmo de “Contatos Imediatos do 3 grau”, ou seja, nenhum.

Veja, se a ufologia não se garante o suficiente de modo que um conto abale suas estruturas, é sinal que a ufologia brasileira está construída sobre uma base frágil que se resume a venda de livrecos, e revistas de qualidades nem sempre garantidas e palestras e eventos caça-níqueis que mais deformam do que formam. São ufólogos querendo aparecer na TV para falar abobrinhas como “dois ets num jet ski” e “nuvem com cara de et”.  O que abala a credibilidade da ufologia nacional é uma publicação de cunho paracientífico dar destaque para fantasias como Ashtar Sherran e outras papagaiadas.

Isso não é um ataque ao status quo da ufologia brasileira atual, mas convenhamos que é muita frescuragem dizer que algo do Mundo Gump pode abalar a ufologia. A ufologia que eu conheço e estudo não. A ufologia séria de pesquisadores devotados que dedicam suas vidas a investigar as verdades por trás de fatos, contra tudo e contra todos, sobrevivendo a todas as adversidades, esta existirá para sempre. Pelo menos enquanto perdurar o mistério.  Acho que muito pelo contrário… Talvez alguém que nem tenha interesse pelo assunto lendo o relato se anime a pesquisar, investigar e descobrir a verdade mesmo. E então se aliste no exército de investigadores corajosos e possa contribuir efetivamente.

P: Você pensa em continuar o Relato? Ou fazer algo do tipo no futuro? Outra experiência de transrealismo?

Não.

P: Por que?

R: É desgastante pra caramba. E eu não tenho tempo. Além do mais, não vejo graça em retomar um experimento que terminou. É como meu pai diz: O Mágico não faz duas vezes a mesma mágica para a mesma platéia.

P: E como você explica as demoras? Algumas partes possuem mais de nove meses entre elas.

O Relato foi pensado para correr no tempo da realidade. Então eu me preocupei em manter a história num jeito que não fosse rápido demais. Ela tem momentos de pico e retoma ao estado letárgico. É como na realidade. Não é todo dia que tem explosão de 11 de setembro na Tv. Tem dia que não acontece nada de escalafobético. Eu mantive o relato em perídos de “baixa temporada”. Curiosamente, isso só aumentou o interesse sobre o material.  A questão temporal foi importante para a dimensão de realidade. O outro motivo é que tenho uma vida paralela a este blog. Trabalho, como, viajo, durmo. Não vivo o relato, embora ele tenha ocupado um espaço na minha cabeça que agora será um vazio enorme. (Graças a Deus!)

P: Você gostaria de agrader a alguém em especial?

R: Sim. A muitas pessoas. A maiorioa delas foi quem permitiu que o Relato de um MIb fosse possível e que a experiência com o transrealismo funcionasse. Primeiramente, agradeço aos que descobriram a verdade e ficaram na moita esperando o desfecho. Vocês sabem quem são.

Em segundo quero agradecer aos que realmente participaram disso. O Ricardo, o Mario, A Denise, o Rafael, o Celso, o Americo, a Nivea, que apesar de brigar comigo é sempre uma pessoa com quem eu dividi as frustrações e as angústias de fazer algo deste porte sozinho, O Thiago que foi o próprio Juca em certos momentos impagáveis, os meus primos Fernando e Hugo, o Klaucius, o meu pai -Incrivelmente ele foi um dos que mais apoiou e sempre me dizia para “não esquentar a cabeça e tocar o pau na maluquice”, os amigos para quem eu contava e mostrava os videos e que me davam apoio, mesmo que o apoio fosse: “Caralho… Isso vai dar merda, cara!”

Sujeitos como o meu amigo Gustavo – controlodaor de satélites, o  Gustavo Rosa, Raphael, Rafa Swarzenegger (hahahahaha), Felipe, Trovão, Zeca, Lucio Abondatti – um grande mestre que foi o cara que me inspirou a criar o Vortex, o Kentaro Mori lá do Ceticismo Aberto, que acompanhou e ajudou a divulgar toda esta loucura, o meu irmão André, que me acoselhou a acabar logo com tudo e falar a verdade, Fabiano e a galera da Irmandade do Veio Rosa, enfim… Estas listas são uma merda, porque a gente sempre acaba esquecendo alguém.

P: E aí? Acabou o momento oscar?

R: Hehehe. Acabou. Foi mal.

P: Suas últimas palavras antes de fechar a cortina?

R: Quero dizer que foi muito extenuante fazer isso. Conspirar é algo bem mais difícil do que parece ser. Eu nunca vi um ufo. Sempre quis ver um e acho que a criação desta realidade alternativa foi de um certo modo uma realização deste sonho. Nunca vi um Et mas pude pelo menos me colocar à frente de um em 3d. Algumas pessoas poderão não compreender o que leva um cara a  fazer uma coisa dessas sem ganhar nada em troca, levando prejuízo e escutando ignorâncias e desaforos de muitos leitores. Eu também não etendo, mas estou aqui, não sei onde isso vai dar. Não sei se isso vai levar a algum lugar. Eu só sei que posso bater no peito com algum orgulho de dizer que eu me esforço para fazer algo diferente do que tem por aí.  Se isso tem algum valor, o valor é saber que para cada leitor que detestou, possívelmente tem um que gostou.

Quero dizer que o Philipe sacana e ácido nas respostas era um personagem e que foi muito difícil abrir mão de minha própria personalidade original para encarnar um cara bem mais babaca do que eu sou naturalmente por tantos meses. Quero dizer também  que não sou rico como eu e o Mario ventilamos, meu carro é um corsa 96, infelizmente não tenho milhões de reais nem lavo dinheiro para um grupo de pesquisa de ufos. Minha mulher não é do serviço de inteligência da Marinha e o Relato de um MIB  é uma obra 100% ficcional, tirando algumas pessoas como o DocLottaLove, o Mario e etc.

Quero dizer também a você (você sabe que eu sei quem é você) que está me investigando, que pode chafurdar à vontade. Não tenho nada a esconder. O relato é uma obra 100% ficcional e continuará sendo para sempre uma tentativa de colocar o leitor deste blog dentro de uma história. Pode não ter funcionado para todo mundo, mas eu tentei.

Para você que acompanhou até aqui, muito obrigado.

FIM

O relato de um MIB parte 10 – A verdade

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Aqui estamos nós. Você, leitor e eu. Chega o momento de cerrar as cortinas e findar o espetáculo. Este post foi ansiosamente gestado durante quase um ano. Em muitos momentos eu pensei que este dia nunca chegaria. Mas finalmente, ele chegou.

Se você não leu todo o Relato de um Mib, saiba antes de tudo que o que encontrará aqui neste post são apenas spoilers. Ao longo de tanto tempo tudo que muitos leitores desjaram eram verdades. Eu pretendo contar tudo aqui.

Sem grandes rodeios, vamos aos fatos. E vamos aos fatos da maneira mais direta, através de uma entrevista comigo mesmo.

P: Afinal de contas, o Relato de um MIB é verdade ou não?

R: Sim e não. O Relato de um Mib parte de uma proposta formal de um conceito midiático que eu inventei e batizei de transrealismo. O transrealismo difere de um game de realidade alternativa porque primeiramente não é um game, não existem pistas e nem um ponto de chegada para os potenciais investigadores. O transrealismo em tese, deveria ser um aperfeiçoamento do realismo. Quando vemos um filme como Cidade de Deus, o que vemos é o realismo. Os caras buscam criar uma ficção mais real possível. Mas vemos aquilo sabendo que entramos num cinema e estamos vendo uma ficção. Quando jogamos um game cheio de efeitos realistas, como radiosidade, fog, reflexos e o escambau a quatro, estamos vivenciando uma experiência realística. Mas ela acontece numa espécie de palco preparado pela nossa mente onde a priori temos a certeza de que lidamos com algo que pode parecer verdade, mas não é.

O transrealismo quebra a barreira do real. É como tomar a pílula certa em Matrix. E o único meio de conseguir obter o transrealismo é ter nas mãos um instrumento midiático próprio. – E eu tinha!

Veja que o transrealismo não é uma piada de mau gosto ou uma palhaçada deliberada para ganhar ibope ou vender livrinho, como inocentemente alguns leitores pensaram. É uma proposta de inovação nos elementos midiáticos da pós modernidade, que engloba fotografia, vídeo, ilustração, animação e texto. É livro, é novela, é conto e é interpretação live action, sem ser especificamente, nada disso.

Do ponto de vista do transrealismo, só seria possível obter uma história que despertasse o leitor para o questionamento do que e real ou não se eu conseguisse catapultar uma história ficcional para o mundo real. Tudo foi pensado desde o início tendo em mente que isso aconteceria. Nesta altura alguém pode pensar: ” Este cara é maluco.”

Sim. Eu sou.

O que eu fiz no relato de um MIB foi pensar uma história que fosse suficientemente estranha para despertar a incredulidade mas que contasse com elementos suficientemente verossímeis para que todos aqueles que estivessem dispostos a embarcar nela pudessem entrar de cabeça facilmente.

Acontece que é impossível, aliás completamente impossível,  fazer isso comunicando aos espectadores da história que aquela é uma história inventada. E a melhor maneira de dizer isso é contar com o fator desconfiança-paranóide de todos nós, ou seja: Dizer a verdade.

É estranho confessar uma mentira dizendo  a verdade. Até porque isso também é uma meia-verdade. Parece confuso? E é. Agora imagina viver dentro disso por mais de um ano…

P: Ok, enrolou, enrolou e falou pouco o que nós todos queremos saber. O RELATO É VERDADE OU MENTIRA, PORRA?

R: Certo, certo. Eu vou chegar lá. O relato é parte real parte ficção. A parte do Et, por exemplo, é ficção. Não tem Et, não tem vortex, não tem MIB, não tem ABIN, árabes, consórcio chinês-iranino, Tasso Fragoso. Isso tudo é produto da minha cabeça.  Mas tem um monte de coisa que é verdade.

P: Tipo?

R: Tipo a ameaça que eu sofri no celular. Até hoje não achamos o culpado e a coisa rolou mesmo, a vera! De numero restrito. E eu me caguei mesmo. Felizmente aquela ameaça, que foi uma coisa ruim na hora,  foi imediatamente batida no meu coprocessador aritmético cerebral e eu exorcizei aquele medo com as ameaças ao infeliz do Gustavo.

P: Aliás, falando nele. Ele é real?

R: Claro, porra. Ele é real. Ele chama Rafael Assumpção e eu voltei na barca Rio-Niterói com ele hoje!  O Rafael é um dos caras mais legais e inteligentes que eu conheço. Ele é Biólogo e me ajudou a pensar toda a estrutura biológica do Juca. É dele a idéia das enzimas responsáveis pela respiração do nitrogênio produzirem amoníaco no processo. É dele a idéia da visão com zoom do Juca, da reação a luz ultravioleta que ele tem. O mais interessante de estar no cockpit da história é pensar essas merdas. Mas a parte triste é saber que pensamos milhões de coisas maneiras que simplesmente não entraram porque não havia espaço. Nós pensamos a evolução da espécie num ambiente completamente diferente para gerar aquela morfologia… Foram dezenas de emails trocados recheados de dados legais. Pra mim o mais espantoso do Relato de um Mib é conseguir convencer um cara que é um Biólogo que trabalha com modelagem molecular e biologia computacional a ficar de cueca num cativeiro levando porradas fictícias do meu primo Klaucius (aquele que me ensinou  a andar de bicicleta me empurrando de um penhasco) e do primo dele, o Caíque. (eu pedi para baterem de verdade, mas o Klaucius alegou que um bico real mataria o Rafa. E o Caíque ficou com peninha de meter um socão real na boca do estômago do Rafa.)  Fazer o que? Eu não pago nada… Não posso exigir muito. Ficar de cueca para a internet inteira ver já tá bom demais. Em contrapartida, acho que ficou legalzinha a maquiagem. Caseira, mas quebrou o galho.

P: Ah, não! Quer dizer então que aquilo tudo de brigas aqui no blog, ameaças, “Guerreiro da verdade”, namorada maluca, tudo aquilo é ficção?

R: Sim. Eu convenci alguns amigos íntimos, como o Rafa, que eu conheço pela alcunha de “menininho” , porque minha vó nunca decorava o nome dele e sempre perguntava pra ele assim: “Menininho, você quer nescau?” Eu conheço este cara há pelo menos uns 12 anos ou mais. Eu convenci ele a me emprestar a aparência dele para o Gustavo, um sujeito perturbado. Meio soturno, meio dado a ataques egocêntricos. Ele topou na hora. Inclusive ele mesmo que batizou o “Gus”.

P: E a namorada maluca?

R: A namorada é um caso engraçado. Eu havia decidido que o Gus iria entrar para morrer. A finalidade do Gus na história é diretamente relacionada a questão da parte 8. Estranho? Eu explico:

Quando eu delineei o roteiro eu tinha em mente que em algum momento a história ia sair para o mundo real. Eu ainda não estava certo de como fazer isso. Só sabia que eu queria muito criar alguma coisa que fosse uma cruza de Lost com X files, com um toque tupiniquim. Então eu decidi que o alien estaria numa base militar, – que é uma base mesmo, real, feita na segunda guerra mundial e cujo o acesso é absolutamente restrito. O lugar é inclusive um local para onde eu- se fosse militar, levaria MESMO um Et. E ela fica MESMO dentro de uma montanha com um corredor infinito cheio de portas de aço com trancas absurdas.  O problema é que eu sabia que este lugar existia, mas não sabia como fazer para filmar lá.

É aí que entra a primeira dama, que é militar mesmo, da marinha mesmo, e conhece mesmo muita gente interessante, como aquele coronel que está falando coisas sobre ufos na revista UFO atualmente nas bancas. A Nivea procurou saber o que eu devia fazer para conseguir filmar lá naquele lugar. Era um trabalho danado. Eu tive que fazer uma carta, pedindo, implorando, rastejando, tive que ligar inúmeras vezes para o quartel, tive que esperar a boa vontade de alguns oficiais, anexei uma parte do roteiro e tudo. O meu pedido foi subindo de instância em instância, até chegar no comando do estado maior da armada. Nisso, passa mês atrás de mês e o babaca aqui esperando que o pedido de filmagem seja deferido ou indeferido. Quando finalmente eles aprovaram a filmagem, já havia se passado muito tempo. Eu não podia ficar com a história parada, pois na minha mente ela tava tendo prosseguimento. Enquanto eu esperava surgiu do nada a minha idéia de fazer ali o gatilho que catapultaria o leitor para dentro da história: Eu criei o Gustavo.

P: Nossa. Que trabalho! Mas e a namorada dele?

R: Pois é. O Gustavo foi criado como o elemento de conexão do mundo real com a história. Eu pensei nele como sendo um cara assombrado por conflitos familiares, um sujeito recluso e sem amigos. Alguém com graves deformações  psicológicas, como a questão do pai falecido. O Gustavo foi pensado para trazer até os leitores informações que eu queria passar mas não podia sendo eu mesmo e nem sendo o Vortex. Eram coisa que ligavam a história num eixo de realidade. Ocorre que no decorrer da história, lá atrás, nos tempos da parte 3,  a Nivea, que é professora mesmo, virou militar da marinha. Nada de truque nem apadrinhamento. Ela fez o processo seletivo e passou. Por sorte, ela foi trabalhar cedida ao ministério da Defesa. Eu tive medo de implicar ela na história, só que isso era bom demais para ser desperdiçado. O Gustavo era uma maneira de passar esta desconfiança sem falar diretamente. O bicho pegou geral aqui em casa quando a primeira dama descobriu. Quase levei cabo de vassoura na cabeça. Ela ficou com a maior raiva e sempre foi, desde o início, terminantemente contra o Relato de um MIB – Que ela chama carinhosamente de “aquela sua babaquice no blog“.

Felizmente, o tempo curou as feridas e a raiva dela passou.  Enquanto os militares não se decidiam se eu poderia filmar na base ou não, eu dei continuidade ao Gustavo, criando aquela briga homérica aqui no blog. É bem estranho escrever como sendo outra pessoa. Tanto o Gustavo quanto a Renata/Viviane, usavam imagens de  amigões meus. O Gus é o Rafa e a Vivi é a Denise. A Denise é minha amiga do trabalho.  Os comentários e textos são todos meus. Assim, de um certo modo, eu criei três instâncias diferentes na minha cabeça. O dia mais legal foi quando eu fiquei simultaneamente discutindo com ela e ele no orkut. Eu escrevia de três computadores diferentes. São três modos de pensar e falar diferentes, além do core da história. Cada um tem um tipo de erro ortográfico diferente e estilo de riso e frases de efeito diferentes. Infelizmente, este detalhe começou a passar batido e do meio pra lá eu larguei isso de mão. Isso explica porque eventualmente o Gustavo ou a Vivi acabava falando de um jeito parecido comigo. É que tem horas que é bem difícil ser três pessoas ao mesmo tempo.

O Trabalho de criação do Gus e da Vivi envolveu criar o site deles, o “Guerreiro da Verdade”.  – Muito louca a sensação de eu mesmo escrevendo mal de mim, jurando vingança eterna e tudo mais.  Envolveu também criar os perfis de Orkut deles, arrumar alguns amigos avulsos e criar uma série de conversas paralelas entre eles dois e os amigos.E então entre os dois e eu.

Óbvio que um cara fazer isso tudo sozinho é meio fora de mão. Por isso, eventualmente eu acho que posso ter dado um mole em alguma coisa.  A decisão do comando do estado maior da armada tava demorando e eu comecei a planejar a morte do Gustavo. Eu pensei que matando o cara que faz a ligação do real com o imaginário, eu obteria mais pessoas mergulhando na história, opinando, discutindo e investigando. Não deu outra.

Eu planejei cuidadosamente todos os detalhes do falso ataque ao meu próprio blog. Isso incluiu tirar o blog do ar por alguns dias, perder mesmo grana do adsense e gerar aquela pagina de dafecement fajuta de modo proposital para que alguns caras pudessem concluir que era tudo uma manipulação da mente doentia do Gustavo.

Quando o blog saiu do ar com o defacement, com musiquinha de X files e tudo, teve uma comoção bem maior do que eu esperava. Neste dia eu fiquei bem satisfeito. A comunidade do mundo gump no orkut explodiu em centenas de mensagens e especulações. Pessoas compraram a briga e bateram boca bonito com os personagens ficcionais. Neste dia eu me realizei, porque vi que havia finalmente atingido o transrealismo. Os personagens responderam a altura. Insultos mil eram trocados de todos os lados. E o Blog fora do ar… E eu perdendo grana… Mas tudo pela arte. Alguns até apostavam que tudo era ficção. Estavam certos no mundo real, mas no contexto da história, redondamente enganados.

Foi quando o Gustavo aproveitou que eu estava “viajando” e espalhou a notícia da mensagem cifrada. Óbvio que a mensagem cifrada era planejada para expor aos investigadores algumas informações que me ligavam ao plano de ocultação do Juca. O problema foi que eu dei o maior mole do universo ao fazer a captura da tela com meu login e não com o do Gus. (culpa da loucura de múltiplos personagens) Um cara da comunidade chamado Mário sacou o detalhe e expôs o mesmo para todo mundo.

Ali eu vi o castelo começar a ruir. Pensei que não haveria jeito. Então escrevi uma mensagem como o Gustavo para o Mario, dizendo que eu havia invadido o computador do Philipe e que roubei senha e dados bancarios. A idéia da invasão nasceu daí. Felizmente, ela me ajudaria mais tarde a criar o loop da pasta LMF e também o motivo misterioso pelo qual ele é raptado – a pasta.

O Gustavo mandou ao Mario um longo email detalhando cada uma das ações que o conduziram a descobrir como eu estava envolvido com os Mibs brasileiros. No fim, o Gustavo contava a verdade. Eu assumi ao Mario a história toda e dei a ele os parabéns por ter sido o primeiro cara a sair da matrix. Ele se amarrou no projeto quando viu o mesmo pelo lado de fora. Ao contrario de mim, o Mario teve a experiência de estar dos dois lados, e depois ele aceitou minha proposta de se juntar ao “lado negro da força” e dar continuidade a mesma. O fato de ter exposto o meu furo tornou o Mario meio que blindado contra a desconfiança, e assim ficamos por muitos meses.

Ele ajudou a inverter tudo dizendo que sabia de dados que o Gustavo havia mandado pra ele assumindo a invasão do meu PC.

O Mario foi infiltrado nos grupos de investigação e cuidadosamente planejamos quando e como ele começaria a se tornar um desafeto, ocupando o lugar deixado pelo seqüestrado Gus.

Ocorre que desde o início, eu precisava sair do meu papel de Philipe. -Isso explica porque alguns leitores mais sagazes notaram que eu agia de um modo nas respostas no relato de um MIB e de outro nas respostas dos outros posts. Não satisfeito com a criação do perfil do Gustavo e da Renata-Vivi, eu criei uma personalidade paralela para mim mesmo. Afinal, na história eu REALMENTE estava escondendo informações sobre o Juca. Isso fez com que o Gustavo estivesse certo o tempo todo. No âmbito da história, eu era um cara muito mais babaca do que eu sou realmente. De um certo modo eu tive nojo de comentários meus diversas vezes. Foi com um certo sofrimento que me vi tendo que ser bastante escroto com alguns leitores. Mas não era eu realmente, e sim o personagem.

P: Você não teve medo de pirar?

R: Na verdade sim. E muito. Eu comecei a ficar preocupado com o Relato de um MIB quando percebi que estava ficando cada vez mais fácil encarnar personalidades completamente diferentes da minha. Eu estava me transformando na Vivi, no Gus e no Philipe 2 rápido demais. Sem esforço. Isso me preocupou. Comecei a temer pela minha sanidade quando podia ouvir discussões rolando dentro da minha cabeça com essas figuras. Pode conversar com qualquer ator que eles vão dizer que dependendo do cara, ele pira e vira o personagem e não volta mais. A coisa é bem mais complicada quando não há roteiro prévio. O Relato é um RPG onde você interpreta três figuras diferentes ao mesmo tempo, em conflito e ainda por cima por vários e vários meses seguidos, em diferentes mídias. É foda. Maluquice igual, eu não faço nunca mais.

P: E qual foi o pior momento?

R: Na verdade, desde a criação do Gustavo, desde que atingi o objetivo do transrealismo não tive mais sossego. Eu me sentia péssimo, enganando as pessoas. Por mais que fosse por um bom  motivo, que era colocar o leitor dentro da história de um modo como não conheço no mundo algo similar, era enganar os outros. Por mais que o cara que entrasse no orkut, conversassem com as pessoas e respondesse rispidamente alguns leitores, era enganar. E enganar é errado. Eu tive clareza disso desde o primeiro dia até hoje, quando finalmente me livrei da maldição do relato de um MIb. Eu conversei sobre isso com o Mario e com mais uns dois que descobriram a verdade e me contactaram em PVT para me parabenizar por todo o trabalho. Felizmente pra mim, a maioria das pessoas compreende o trabalho de um modo melhor que eu mesmo. Talvez pelo fato de criar tudo, de arquitetar a história e o modo como os leitores seriam catapultados à sua revelia para dentro do conto. No fundo, eu fui meio que um seqüestrador. Seqüestrei centenas de pessoas para dentro de um universo ficcional que eu inventei. Não me bastava ter leitores gostando. Eu queria leitores participando, investigando discutindo diretamete com os personagens.

P: E odiando.

R: Sim, e odiando! Porque odiar e amar são os dois lados de uma mesma moeda. São reações afetivas que só se estabelecem porque foi quebrado o ponto de separação do que é real e o que não é. Alguns leitores mais sensíveis conseguiram antecipar isso e perceberam que estavam sendo sutilmente manipulados. É natural que tenham se sentido ofendidos. A reação deles é normal e acho que seria similar a minha.  Toda reação emocional, positiva ou negativa, é vitória para o autor. A pior coisa que poderia acontecer seria a indiferença e isso realmente, não teve.

O problema é que não há meio termo numa coisa assim. Ou você faz ou não faz. Eu resolvi fazer para não me arrepender quando outro aventureiro lançasse mão antes. Pelo menos eu inovei em alguma coisa. Veja, o que são os blogs hoje? Alguns mostram fotos de mulheres peladas, outros contam piadinhas, alguns falam da vida e a massa quase absoluta se limita a reproduzir notícias. Nada contra, por mim tá beleza. Só que eu acho que dá pra ir além disso.

Eu acho que blogs podem transcender este espaço de apenas comentar e ler comentarios. Blogs podem se beneficiar do contato, do hipertexto, da metalinguagem, da multiplicidade de mídias…

“Blogueiro si, pero sen perder la inovación jamás! ”

A história pode não ser grande coisa, pode ter um final piegas e pode ser excessivamente x files. Mas o que me agrada é ter conseguido trazer algo da ficção para o mundo real e proporcionado a alguns leitores a oportunidade única de brigar com alguém que só existe dentro da mente do autor. Quando a maioria de nós fez isso pela última vez? No Jardim de infância, possívelmente. Quando amadurecemos nós perdemos o benefício do nosso pensamento mágico. Nos limitamos a nossas vidas rotineiras e talvez medíocres. O Relato foi um experimento, mas além disso, uma chance de mergulhar numa ficção grátis, uma volta ao nosso passado quando podíamos ser reis, heróis míticos ou guerreiros espaciais, ou ainda pilotos de corrida com tampas de panela nas mãos.

P: Mas o que você ganhou com isso?

R: Nada. Eu só perdi. Cada episódio do Relato de um Mib desce em média uns mil leitores nas estatísticas do Mundo Gump. Ou é porque é muito texto, ou é porque a história é longa, cheia de reviravoltas, cansativa ou o tema já foi excessivamente explorado. Ou talvez porque eu dou mole e a coisa é meio mambembe, meio malfeita. O fato é que quando eu coloco o relato, não ganho grana. Mas foda-se a grana. Quem precisa de grana? Eu quero ser inovador.  A grana que se dane. Em primeiro lugar na minha vida está a realização pessoal. Dinheiro eu ganho de outro jeito: Trabalhando. E trabalho não me falta, felizmente.

Além disso, meu critério que mensuração de qualidade não se limita a numero de acessos. Se limitasse, eu só falaria de múmia.

P: Mas não teve medo de perder anunciantes?

R: Sim. Mas pensa bem…  De que me adianta ter um blog bem visitado, cheio de anunciantes se eu estiver engessado numa estrutura totalmente comercial que visa apenas faturar? Falando sério, se eu quisesse só grana, eu fazia como o meu amigo Carlos, que tem o IFTK que é um blog só para pegar paraquedista. Ele sim sabe ganhar dinheiro com blog. Faz tempo que eu caí na real que meu foco não é lucro. É conteúdo. Se conteúdo atrair lucro, ótimo. Eu não desdenho do dinheiro. Mas em momento algum irei trair o leitor já acostumado ao conteúdo do Mundo Gump com objetivos unicamente financeiros. O que não significa, em último caso, que eu também não tenha meus planos de faturar.

P: Nossa, que discursinho bonito. Vai se candidatar a que? Vereador?

R: A questão não é essa. A questão é que eu acho que existem vários tipos de blogs, como existem vários tipos de internautas. Ou você foca em um ou no outro. Não dá pra abraçar o mundo com as pernas, saca?

P: Saquei. Tava te provocando. Mas voltando ao Relato, e o que você me diz daquele primeiro video? Aquele é real, né? Pode falar.

R: Aquele é tão real quanto os demais. O problema é que o primeiro video foi feito nas coxas. Quando eu fiz o video, pra mim estava tão na cara que era 3d que achei que todo mundo ia notar no ato. Me assustei quando vi que algumas pessoas estavam mesmo acreditando que o video era real. Foi quando surgiu o tal DocLottaLove.

P: Você inventou ele também?

R: Não, o DocLottaLove é verdadeiro. Ele é um cara mesmo e eu não conheço ele nem tenho nada a ver com ele. Ele é uma parte real do relato.

P: Mas ele acredita mesmo que o video é real? Tá falando sério?

R: Juro, porra! O cara entrou numa que o video é real. E o mais legal é que tudo foi motivado por uma pequena confusão.

P: Ah, essa eu quero saber. Conta aí!

R: Então, quando eu fiz o primeiro video realmente num fim de semana. Mas não tudo. O alien eu ja tinha há algum tempo. Eu fiz só o video. Eu criei o cativeiro num tipo de cabana tosca, com parede de tijolos, um chão de terra batida. Como um tipo de paiol de cana de fazenda. Eu queria que parecesse algo tosco, algo pobre e brasileiro. Todo mundo imagina aliens em instalações seguras e fortemente armadas. Eu quis colocar o oposto. Como seria a vida de um alien ferrado, com sujeitos ignorantes tratando ele como um cachorro de rua? Este era o ponto daquele video. Quando eu fui criar a cena, esqueci de ocultar as cadeiras 3d que usei de referência. Eu usei uma cadeira de referencia de iluminação. Em geral é fácil fazer clones em objetos 3d. Porém, dei mole e mandei fazer o render sem esconder o clone. Como ele aparecia de relance, larguei do jeito que tava mesmo.

Quando passei o arquivo final em alta resolução pelo total vídeo converter para jogar ele para mpeg pro youtube, o programa deu algum tipo de bicheira estranha, que escureceu muito o meu vídeo. Todos os meio-tons de pele do juca foram para o saco, a parede de tijolos, o chão de terra batida, tudo. Só se via um rosto esverdeado no fundo escuro. Mas eu olhei aquilo e me bateu uma preguiça absurda de refazer. Eu mandei do jeito que tava.   O vídeo ficou incólume por um tempaço. É aí que entra o cara.

P: O Doc?

R: Sim. O Doc. O Doc tem um mérito que ninguém teve. Ninguém, só ele.

O Doc teve uma postura de investigador. Ele fez o dever de casa. Milhares de ufologos metidos a bamabambã, baluartes da ufologia,  torceram o nariz e nem sequer se deram ao trabalho de olhar de perto do que se tratava. Então eu pergunto E se esta parada fosse mesmo real? Mas o DocLottaLove, em toda sua inteligência e humildade, foi o cara que pegou aquele troço e baixou, abriu num programa gráfico e examinou quadro a quadro. Se podemos dar crédito a uma investigação aqui, dou ao Doc. Ele sim é um ufólogo. Ele só está errado em crer naquilo, mas a postura de pesquisa está certa e deve ser reconhecida.

Ele clareou o video. E então… Viu a parede e a segunda cadeira. Veja, a função de um ufólogo sério não é crer nem descrer. É investigar. E isso o cara fez. Este mérito ele tem.

P: Mas e então?

R: O Doc entrou em contato comigo. Ele questionou a segunda cadeira e a parede de tijolos. Eu percebi que ali estava uma chance de ampliar a confusão. Ali eu já estava na pele do personagem Philipe2 e então disse ao doc o que o personagem diria naquela situação. Uma desculpa esfarrapada para ocultar a verdade. Eu disse a ele que a parede de tijolos eram artefatos da compressão do video e que a segunda cadeira era só pareidolia, isso é: Sugestão.

Óbvio que ele ficou puto porque pensou que eu estava desdenhando da inteligência dele. Em seguida, concluiu que se eu disse aquela mentira óbvia, era para ocultar aquele fato. E se eu queria ocultar, era porque ele era real. E foi assim que a coisa da mitologia da cadeira começou.

Ainda não existia o Gustavo. O Doc foi o primeiro cara a interagir com o personagem ficcional Philipe 2. Só que ele não sabia disso. Pegou o argumento vagabundo que eu dei a ele como explicação para a parede e cadeira e não entubou. Ele passou a ter certeza que o video era autêntico graças a desculpa que eu dei. Ele também achou detalhes no video, que passaram batido de 99,9% das pessoas, e aquilo o levou a crer ainda mais que o video era real.

Quando eu criei o Gus meses depois, me lembrei do Doc e da sua obstinação. De um certo modo, o Gus é um tributo aos caras obstinados que se arriscam mesmo como o Doc. O lance é que o Doc deve estar até agora muito puto comigo, pois ele gastou bastante tempo investigando um desenho animado em 3d.  Mas graças a ele, as investigações e a “opinião geral” dos que “querem acreditar” tendeu bonito para o lado conspiratório da história. Ma ao contrario do que alguns pensaram, o Doc nunca soube, nem fez parte como personagem do Relato.

P: E aquele papo sobre perder os arquivos do juca e coisa e tal?

R: Papo furado. Eu precisava de algum argumento qualquer para evitar mostrar o arquivo 3d. A crença no primeiro video funcionou como um catalizador da sensação de realidade. Eu não podia destruir isso.

P: Que programa você usou?

R: Para o 3d eu uso o 3dsmax. Para efeitos de pós, correção de cor e tudo mais, o combustion. E para montar o première. Atrás vem o monte de “lixão digital”, conversores de video, pacotes de codecs, plugins, etc.

P: E aquele sujeito da entrevista? Quem ele é?

R: Aquele é o Celso. O Celso é um amigo meu que tem mais o menos, no barato, uns 15 anos. Ele é um exímio ilustrador e artista plástico. O Celso é um cara jogador de RPG que tem um programa de Tv local aqui. Mas ele não é ator. Ele quebrou o galho. Eu esbarrei com ele na rua e propus. Ele topou e fizemos. O problema é que o roteiro era gigante ele não conseguia decorar. Tivemos que improvisar em algumas partes, e sem poder pagar ator, lidamos com o que temos.  A coisa foi meio feita no improviso. Pessoalmente, eu gosto mais dele na parte da base. Na entrevista ele tava desconcentrado, suando horrores pelo calor absurdo que fazia e ele com aquele paletó, coitado. Aquela filmagem foi um suplício. O pior é que ventava muito, não tinha produção, nem microfone, porra nenhuma. Era mambembe total mesmo. O orçamento inteiro do Relato foi 20 reais.

No fim das contas, considerando as dificuldades, eu até acho que foi legal. Eu fiquei esperando que alguém dissesse: Ei, eu conheço este cara da TV! – Mas felizmente não rolou nada disso.  Acho que o programa dele nem é muito conhecido, hehehe.

P: E a nave? Era mesmo uma peça de usina elétrica?

R: Não. A nave era 100% 3d, bem como grande parte do cenário.

P: E a morte da Renata?

R: Aquela coisa foi uma fajutice que eu tramei com o Mario. Algumas pessoas estavam pressionando o Mario por informações que ele disse que tinha sobre a morte da Renata. A morte da maluca foi criada como elo de disparo da parte final do conto. O Mario apareceu pra mim e falou: “Cara temos que criar logo uma notícia da morte dela.” O plano original era ambicioso: Criaríamos um site inteiro, com notícias de pelo menos dois anos sobre a cidade e lá no meio, em uma pequena nota, falaríamos do assassinato. Mas isso tomaria muito tempo, eu estava floodado de trabalho e o jeito foi fazer uma nota de morte fajuta.

Um amigo meu de Juiz de Fora me enviou pelo correio um jornal velho lá. A idéia era ter algo que pudessemos jogar a culpa no – até então falecido – ” Gus”. Dito e feito. Quando o povo sacou que a noticia era falsa, alguém descobriu que a noticia original vinha de um jornal de janeiro lá de JF.  Isso levantou sérias suspeitas que Gus estava vivo. O mais legal da notícia da morte da Renata é que dias antes dela estourar, muita gente tava tirando onda querendo que eu dissesse toda a verdade na comunidade do Mundo Gump. Tão logo surgiu a confirmação da morte da Vivi-Renata pelo Mario, mais de 40 comentários foram apagados da comunidade por uma simples razão: Medo.

Mesmo fajuta, a notícia da morte da Renata deixou muita gente com um certo receio. E isso deu uma reaquecida na história, preparando para o lançamento das partes finais. – Que ficaram prontas no auge da confusão do sequestro do Gustavo.

P: Mas me diz uma coisa, como você inventou tudo isso, quer dizer… Você não tem medo de perder sua credibilidade com algo assim?

R: Sim, eu tenho. Mas não muito. Por dois motivos: O primeiro é circunstancial. O Relato de um MIB não é nem nunca foi uma fraude ufológica. Mesmo nos melhores momentos da trama conspiratória eu entrava nas comunidades de ufologia e dizia a verdade: Que é tudo uma obra ficcional. O problema é que nesta altura, muita gente já não acreditava. O que era bom. O segundo motivo, é que uma vez que eu estou contando a verdade aqui para o leitor, não há como me imputar a culpa de enganar as pessoas. Eu enganei por um tempo porque isso era condição sine qua non para a existência da mesma, mas terminada a história, a verdade dos fatos vem à tona. Eu me liberto da pressão que sentia e da angústia e não vejo porque ser acusado de fraudador, de enganador por um produto cuja expressão dos fatos foi marcada pelo aviso de que eram parte de uma obra ficcional todo o tempo.

P: Mas como ufólogo, criar algo assim pega mal, né? Queimou o filme.

R: É, talvez. Mas veja por este lado. Eu criei uma obra ficcional com as feramentas e recursos que eu tinha. Spielberg faz o mesmo, e nem por isso ele é execrado. Ao contrário, ele é aclamado por varios setores da Ufologia, por seu trabalho em Taken, Em Et, em Contatos Imediatos, como alguém que divulga a coisa dos extraterrestres, abduções, contatos…

P: Ah, mas o Spielberg não é ufólogo da Revista Ufo!

R: E nem eu! Eu nunca disse que eu sou ufólogo. Eu disse que eu já fiz pesquisa ufológica. O meu nome e telefone realmente está numa lista de contatos do universo de pesquisadores ufológicos. Se isso me torna um ufólogo ou não, eu não sei. Mas eu não posso tolher minha criatividade por causa de um título que alguem me deu. Além do mais, 99% da minha contribuição prática para a ufologia se resume a ilustrações que eu fazia para a Revista UFo e não faço mais por desavenças comerciais ligados a questões de ordem financeira.

P: Mas então, envolvido com a ufologia você está. E dentro deste universo, você crê que algo do relato é real? E neste caso, o que?

R: Acredito em aliens. Em grays. Acho que o fato de que tem naves voando por aí é praticamente inegável. E que elas são tripuladas por uma criatuira inteligente um fato decorrente diretamente desta verdade básica. Agora, se as bases são mesmo no oceano, eu não sei dizer. Isso quem me disse foi um cara que trabalhou para o departamento de defesa espacial. Eu acreditei e meti na história. Ele tammbém que me disse aquele lance sobre as naves seguirem pelas rotas de jazidas de urânio e entrarem no mar. Como amigos meus conhecem pessoas que viram naves decolando do mar na costa do Brasil, eu liguei tudo com a história do pré-sal, da quarta esquadra americana, com a morte do Pc Farias… Eu misturo tudo. Eu acredito também nos pequenos seres de Varginha. Eu fui lá, falei com muita gente, conversei com os investigadores, já obtive informações que nem eles tem. Aconteceu alguma coisa bem bizarra lá. Além desses casos, eu improvisei o lance de Uberlândia para ligar com uns casos que tavam acontecendo em Sâo Paulo. Graças a proximidade, deu pra ligar as marcas do canavial no interior paulista com a busca pelo Juca por parte das sondas que teriam sido vistas na região.

Além desses fatos, eu tenho contato com muitas pessoas. Algumas não gostariam que eu revelasse suas histórias surpreendentes de contato. Já falei com controladores de tráfego aéreo, com pilotos, com militares. A Nivea como militar, facilitou o contato com pessoas da força aérea, que confirmaram pra ela em off, a realidade dos ufos. Infelizmente, os relatos que colho não tem praticamente valor algum pois são opiniões, informações deslocadas sem o aval da Força. Sem provas irrefutáveis. A posição oficial sempre é negar.

P: E você pensa que o Relato contribui em algum grau para o descrédito do fenômeno? O que você acha das pessoas que dizem que você abalou a credibilidade da ufologia nacional?

R: Algumas pessoas podem pensar isso. As pessoas tem o direito de pensar o que quiserem. No meu ponto de vista, o peso do “Relato de um MIB”  para a Ufologia é o mesmo de “Contatos Imediatos do 3 grau”, ou seja, nenhum.

Veja, se a ufologia não se garante o suficiente de modo que um conto abale suas estruturas, é sinal que a ufologia brasileira está construída sobre uma base frágil que se resume a venda de livrecos, e revistas de qualidades nem sempre garantidas e palestras e eventos caça-níqueis que mais deformam do que formam. São ufólogos querendo aparecer na TV para falar abobrinhas como “dois ets num jet ski” e “nuvem com cara de et”.  O que abala a credibilidade da ufologia nacional é uma publicação de cunho paracientífico dar destaque para fantasias como Ashtar Sherran e outras papagaiadas.

Isso não é um ataque ao status quo da ufologia brasileira atual, mas convenhamos que é muita frescuragem dizer que algo do Mundo Gump pode abalar a ufologia. A ufologia que eu conheço e estudo não. A ufologia séria de pesquisadores devotados que dedicam suas vidas a investigar as verdades por trás de fatos, contra tudo e contra todos, sobrevivendo a todas as adversidades, esta existirá para sempre. Pelo menos enquanto perdurar o mistério.  Acho que muito pelo contrário… Talvez alguém que nem tenha interesse pelo assunto lendo o relato se anime a pesquisar, investigar e descobrir a verdade mesmo. E então se aliste no exército de investigadores corajosos e possa contribuir efetivamente.

P: Você pensa em continuar o Relato? Ou fazer algo do tipo no futuro? Outra experiência de transrealismo?

Não.

P: Por que?

R: É desgastante pra caramba. E eu não tenho tempo. Além do mais, não vejo graça em retomar um experimento que terminou. É como meu pai diz: O Mágico não faz duas vezes a mesma mágica para a mesma platéia.

P: E como você explica as demoras? Algumas partes possuem mais de nove meses entre elas.

O Relato foi pensado para correr no tempo da realidade. Então eu me preocupei em manter a história num jeito que não fosse rápido demais. Ela tem momentos de pico e retoma ao estado letárgico. É como na realidade. Não é todo dia que tem explosão de 11 de setembro na Tv. Tem dia que não acontece nada de escalafobético. Eu mantive o relato em perídos de “baixa temporada”. Curiosamente, isso só aumentou o interesse sobre o material.  A questão temporal foi importante para a dimensão de realidade. O outro motivo é que tenho uma vida paralela a este blog. Trabalho, como, viajo, durmo. Não vivo o relato, embora ele tenha ocupado um espaço na minha cabeça que agora será um vazio enorme. (Graças a Deus!)

P: Você gostaria de agrader a alguém em especial?

R: Sim. A muitas pessoas. A maiorioa delas foi quem permitiu que o Relato de um MIb fosse possível e que a experiência com o transrealismo funcionasse. Primeiramente, agradeço aos que descobriram a verdade e ficaram na moita esperando o desfecho. Vocês sabem quem são.

Em segundo quero agradecer aos que realmente participaram disso. O Ricardo, o Mario, A Denise, o Rafael, o Celso, o Americo, a Nivea, que apesar de brigar comigo é sempre uma pessoa com quem eu dividi as frustrações e as angústias de fazer algo deste porte sozinho, O Thiago que foi o próprio Juca em certos momentos impagáveis, os meus primos Fernando e Hugo, o Klaucius, o meu pai -Incrivelmente ele foi um dos que mais apoiou e sempre me dizia para “não esquentar a cabeça e tocar o pau na maluquice”, os amigos para quem eu contava e mostrava os videos e que me davam apoio, mesmo que o apoio fosse: “Caralho… Isso vai dar merda, cara!”

Sujeitos como o meu amigo Gustavo – controlodaor de satélites, o  Gustavo Rosa, Raphael, Rafa Swarzenegger (hahahahaha), Felipe, Trovão, Zeca, Lucio Abondatti – um grande mestre que foi o cara que me inspirou a criar o Vortex, o Kentaro Mori lá do Ceticismo Aberto, que acompanhou e ajudou a divulgar toda esta loucura, o meu irmão André, que me acoselhou a acabar logo com tudo e falar a verdade, Fabiano e a galera da Irmandade do Veio Rosa, enfim… Estas listas são uma merda, porque a gente sempre acaba esquecendo alguém.

P: E aí? Acabou o momento oscar?

R: Hehehe. Acabou. Foi mal.

P: Suas últimas palavras antes de fechar a cortina?

R: Quero dizer que foi muito extenuante fazer isso. Conspirar é algo bem mais difícil do que parece ser. Eu nunca vi um ufo. Sempre quis ver um e acho que a criação desta realidade alternativa foi de um certo modo uma realização deste sonho. Nunca vi um Et mas pude pelo menos me colocar à frente de um em 3d. Algumas pessoas poderão não compreender o que leva um cara a  fazer uma coisa dessas sem ganhar nada em troca, levando prejuízo e escutando ignorâncias e desaforos de muitos leitores. Eu também não etendo, mas estou aqui, não sei onde isso vai dar. Não sei se isso vai levar a algum lugar. Eu só sei que posso bater no peito com algum orgulho de dizer que eu me esforço para fazer algo diferente do que tem por aí.  Se isso tem algum valor, o valor é saber que para cada leitor que detestou, possívelmente tem um que gostou.

Quero dizer que o Philipe sacana e ácido nas respostas era um personagem e que foi muito difícil abrir mão de minha própria personalidade original para encarnar um cara bem mais babaca do que eu sou naturalmente por tantos meses. Quero dizer também  que não sou rico como eu e o Mario ventilamos, meu carro é um corsa 96, infelizmente não tenho milhões de reais nem lavo dinheiro para um grupo de pesquisa de ufos. Minha mulher não é do serviço de inteligência da Marinha e o Relato de um MIB  é uma obra 100% ficcional, tirando algumas pessoas como o DocLottaLove, o Mario e etc.

Quero dizer também a você (você sabe que eu sei quem é você) que está me investigando, que pode chafurdar à vontade. Não tenho nada a esconder. O relato é uma obra 100% ficcional e continuará sendo para sempre uma tentativa de colocar o leitor deste blog dentro de uma história. Pode não ter funcionado para todo mundo, mas eu tentei.

Para você que acompanhou até aqui, muito obrigado.

FIM

O relato de um MIB parte 10 – A verdade

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