O Facebook pode ler sua mente?

Estaria o Facebook conseguindo ler os pensamentos das pessoas?

Ontem quando fui buscar o Davi na escola, vi um carro preto parado na beira da calçada que chamou minha atenção. Era um Renaut Megane pretão com um visual bem interessante. Eu nunca tinha reparado no Megane antes. É um carro bem bonito.

Renault Megane: Um design bem bonito

Não é nada espacialmente espetacular, é verdade. Parece um carro de tiozão recém divorciado. Mas o fato que importa é que eu olhei para aquele Megane pretão do Batman e pensei (atenção, eu PENSEI):

“Acho que esse carro ia ser bem legal numa versão conversível.”

E segui com minha vida.

Um dia depois, estou navegando no facebook e o que apareceu pra mim?

Renault megane preto conversível
Renault Megane preto conversível

A conclusão Óbvia é uma só: O facebook consegue ler a mente das pessoas!

O facebook consegue ler a mente das pessoas?

Curiosamente, há muita gente que jura de pé junto que pensou em alguma coisa e logo depois essa coisa aparece para ela no facebook. São milhares de casos assim. Como isso é possível? É algo sobrenatural?

A explicação para isso é que não somos tão únicos como gostaríamos que fosse.

Em um mundo digital cada vez mais interconectado, somos frequentemente surpreendidos por sugestões personalizadas e recomendações que parecem conhecer nossos desejos antes mesmo de expressá-los.

Os Bastidores da Máquina: Como os Algoritmos Operam

Os algoritmos de redes sociais são complexos conjuntos de fórmulas matemáticas e processos computacionais que analisam vastos conjuntos de dados. Eles funcionam com base em dados de usuário, como cliques, curtidas, compartilhamentos, tempo de visualização e interações. Cada ação que realizamos online é meticulosamente registrada, criando um perfil digital detalhado.

São tantos milhões de perfis que podem ser agrupados estatisticamente de variadas maneiras. Assim, imagine que vamos chamar um certo perfil de “perfil alfa”.

Se 80% dos usuários que tem o perfil alfa procuraram em algum momento por um certo produto específico, como “um tênis Asics que serve para problemas de coluna“, o algoritmo pode descobrir isso e oferecer justamente este tênis para pessoas que ainda não procuraram isso, mas estão dentro do perfil alfa.
Assim, vamos imaginar uma pessoa ficcional: Luís.
Luís foi ao shopping com a esposa, e enquanto ela ia comprar alguma coisa, ele foi até a loja de calçados, porque está com dor de coluna. Ele olha vários tênis e o vendedor diz que o “Asics tem saído bem para pessoas com problemas de coluna“. Por alguma razão, Luís não compra aquele tênis, mas fica com ele na cabeça, planejando comprar. Então ele vai abrir a rede social para ver as novidades dos amigos e magicamente o que aparece diante dele?

Pois é. É isso.  Luís agora tem certeza que Mark fez o pacto com o capiroto, como o pastor havia falado!

Facebook pode ler sua mente?

O segredo do caráter preditivo dos algoritmos reside na sua capacidade de analisar enormes volumes de dados de milhões de usuários. Ao fazer isso, os algoritmos identificam padrões comportamentais e de preferência. Se um determinado grupo social compartilha gostos similares, o algoritmo deduz que outros usuários com perfis semelhantes possivelmente também compartilharão desses interesses. Quando ele é muito assertivo, chega a parecer magia.

O Fenômeno da Precisão Extrema: Quando o Sobrenatural Aparece

A precisão extrema dos algoritmos pode, em alguns casos, chega a soar quase sobrenatural. Ao observar os dados de milhões de pessoas, esses sistemas automatizados conseguem antecipar com notável exatidão o que um usuário específico pode desejar ver – e o que não. Inclusive há rumores de que até isso pode ser testado.

Esses testes podem obter até uma série de dados sobre o grau de tolerância de cada pessoa. Imagine uma pessoa de inclinação política alinhada a direita, ferrenha. Esse cara odeia esquerdistas e bloqueou todas as pessoas que são de esquerda no face. O face sabe disso.
E do nada, vem na TL dele o Lula, discursando.

Não é estranho? Surgiu justamente o que ele NÃO QUER VER

Esse cara bloqueou o perfil? Ele reclamou? Ele comentou? Gerou que tipo de engajamento? Ele reagiu a aquilo como uma provocação ou só seguiu adiante?

Tudo pode ser medido.

Quando você vê uma matéria completamente sem pé nem cabeça, ou oferecem uma musica daquelas pessoas que você odeia, eles estão testando sua aderência a um perfil.  Se, por exemplo, um grupo demográfico semelhante ao seu tem uma preferência por um determinado tipo de conteúdo, o algoritmo ajusta suas sugestões para incluir esse conteúdo em sua linha do tempo. Em grande parte isso pode servir para marketing, ou apenas para te manter preso rolando aquilo pelo máximo de tempo possível.

A Compreensão de Perfis: Quando os Gostos Se Alinham

Os algoritmos não se limitam a analisar individualmente cada usuário; eles entendem o poder dos perfis sociais. Se um grupo de pessoas com características demográficas semelhantes mostra um interesse particular, o algoritmo presume que outros usuários dentro desse perfil também podem se interessar. Isso cria um efeito de cascata, onde sugestões e recomendações se propagam de forma orgânica entre usuários com gostos semelhantes.

O Desafio Ético: Entre a Personalização e a Privacidade

Embora a precisão dos algoritmos seja fascinante, também levanta questões éticas sobre privacidade e manipulação na internet. A coleta massiva de dados pessoais pode gerar preocupações, e o equilíbrio entre personalização e respeito à privacidade vem a cada dia tornando-se um desafio constante para as plataformas de redes sociais, já que como você pode imaginar, possuir esse poder de saber tanto sobre as pessoas que é possível até de supor o que ela virá a desejar, é um poder muito grande.

Navegando pelas Águas dos Algoritmos Sociais

Os algoritmos de redes sociais, com sua capacidade preditiva quase sobrenatural, são verdadeiramente uma maravilha tecnológica. Enquanto navegamos por nossos feeds personalizados, é essencial compreender que, por trás das sugestões, há uma complexa rede de dados e cálculos. A chave está em equilibrar a personalização desejada com a proteção da privacidade, garantindo que a magia dos algoritmos beneficie, em vez de prejudicar, a experiência online dos usuários.

De volta ao carro que eu vi na rua, é apenas uma coincidência.

 

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Philipe Kling David
Philipe Kling Davidhttps://www.philipekling.com
Artista, escritor, formado em Psicologia e interessado em assuntos estranhos e curiosos.

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Comentários

  1. Philipe, estava de carro e vi um pato atravessando a rua, APENAS isso. Uma hora depois, abri o Facebook e lá estava um anúncio daquele produto de limpeza “Pato”. Nunca pesquisei NADA relacionado à patos, nada, sequer comentei com alguém.

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