O brasonauta

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Todo blog que eu vou tem um post falando do astronauta brasileiro, Marcos Pontes.
Uns defendem a existência de um astronauta no programa aeroespacial brasileiro. Outros atacam o altíssimo custo de enviar um astronauta para uma estação espacial na qual somos sócios minoritários.
Comecei a sentir o peso na consciência só hoje, quando o cara já está lá no alto. Acopladão. Eu não falei nada. Eu não emiti a minha opinião. Tá, eu sei que pouco importa a minha opinião, ninguém tá nem aí pra ela. Mas veja, eu li a opinião da um galerão enorme. Me sinto no direito, quase na obrigação de dizer alguma coisa, nem que seja só pra mim. Mesmo sendo estranho escrever num treco público uma opnião pessoal para mim mesmo, ignorarei o aspecto estrambúlico de tal ato e consciente de que este se passa num blog ideal para situações bizarras e estrambúlicas, emito agora minha opnião, unicamente para meu próprio ser. Então se você estiver lendo isso, saiba que é de penetra.

Ele já foi. Pronto. Não vou entrar no mérito de discutir o que daria pra fazer com dez milhões de dólares. Não adianta discutir algo já gasto. è típico do brasileiro isso. Em vez de discutir antes, discute-se depois. O lance agora é relaxar – e com sorte, gozar.
Com dez milha de verdinha, dava pra comprar um homem biônico de seis milhões de dólares e sobra ainda pra fazer um bom churrascão, ou algo mais útil como construir hospitais e escolas, aperfeiçoar o sistema carcerário, melhorar os processos judiciais em todo o país. Mas o fato é que mandar alguém do Brasil para o espaço, para a órbita da Terra é algo inédito. E é de fato inédito que se aparece na tevê. E é aparecendo bem na tevê que se ganha eleição, né meu chapa? Né companheiro?
O que me incomoda não é o fato do Marcos Pontes ter ido para o espaço bancado pelo meu dinheiro. (meu e seu) Isso não me incomoda não, porque eu acho mesmo melhor um dinheiro empregado em ciência, seja ela como for, do que na cueca de um parlamentar corrupto. Ou empregado numa propina pra livrar a cara do Palocci de uma cagada fenômenal.
O que me incomoda mesmo é o nome. Puta falta de criatividade que reflete nossa condição de colônia subdesenvolvida e subserviente dos EUA.
ASTRONAUTA é o nome do piloto DELES! Cosmonauta é o nome do piloto RUSSO.
Então, alguém poderia PELO AMOR DE DEUS me explicar porque raios nós que temos uma diversidade do cacete usamos o nome ASTRONAUTA BRASILEIRO? Com a boca cheia e peito estufado de metideza?
Porra, custava pegar alguém criativo como o Marcos Valério para bolar o nome do nosso enviado para o espaço?
Eu queria ver Marcos Pontes, o BRASONAUTA!
Ia ser legal… Mas peraí.
Se bem que semânticamente, talvez Brasonauta indicasse nosso inexorável destino de ficar atolados nesse país subdesenvolvido para sempre.
Explico, astronauta significa navegador(nauta) dos astros(astro). Bonito nome. Aposto que os americanos pagaram caro uma comissão de uns vinte pra pensar neste nome. Eles gastam dinheiro atôa mesmo… Ou você acha que a história americana montada com frases sensacionais como: “…não pergunte o que seu país pode fazer por você…” ou a clássica “…Um pequeno passo para o homem. Um grande salto para a humanidade.” é tudo de improviso como os discursos do Lula?
Vai a merda que vocês não me enganam que apenas um cara normal, sem álcool, sem drogas, sem nada na cabeça pensa assim, de cara limpa, algo desse tipo NA HORA? Hahaha. Engana outro, meu. Os gringos devem contratar gênios criativos da melhor qualidade para pensar as frases da eternidade.
Bem, até que não ficamos tão atrás. Agora me ocorre a clássica e eterna frase do suicídio de Getúlio: “Saio da vida para entrar na história”. Bonita. Impactante. Com aquele mistério babaca de “será que foi ele quem escreveu?”
Solene como convém a uma frase póstuma de suicídio. O problema dessa frase é que ela é eclipsada por um suicídio. E suicídio, pode falar o que quiser, mas suicídio é fraqueza. E fraqueza histórica de chefe de estado é foda. Então temos de um lado nossos inspiradores e mestres, os Estados Unidos que marcam seus momentos de glória com frases eternas, irretocáveis. Cuidadosamente lapidada para enfeitar o colar do império mais poderoso da Terra.
E nós temos uma das poucas frases maneiras num momento de fracasso. Tudo bem que é um momento de fracasso que sob uma certa ótica política pode simbolizar uma vitória. Mas isso é outro papo.

Cosmonauta, como eu estava dizendo, é navegador do cosmos. Um nome até mais bonito que astronauta na minha opnião, porque cosmonauta me remete mais a um explorador dos confins do universo e não de um conquistador de luas como a palavra ASTROnauta.
Nesse caso, Brasonauta, é o navegador do Brasil. Brasil, o país que está no jurássico em sua pesquisa espacial. O país em que o foguete explode por falha técnica e mata um galerão. Brasil, país onde dez milhões de dólares faz uma enorme diferença a ponto de ser o foco de uma discussão sem fim. O país desejoso de fazer parte, nem que seja de penetra pagante, dos programas exclusivos dos amigos ricos.
Brasil, um país que não poupa esforço para sair “bem na foto”. E desfilar no high-society.
Marcos Pontes é nosso representante no espaço. Representante da nossa incapacidade de construir nossa própria aeronave? Não sei. Santos Dumont ficaria orgulhoso, eu li em algum blog desses. Santos Dumont arriscava a vida para criar suas próprias aeronaves. Seu objetivo era CHEGAR LÁ com o esforço próprio. Santos Dumont estaria orgulhoso agora? Exultante? Talvez.

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