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A longevidade de um relacionamento pode ser medido, entre outros fatores, por quantas geladeiras passam em sua vida conjugal. Sim, porque é incrível como nenhuma dessas maquinas consegue mais passar dos dez anos de uso. Nós aqui em casa tomamos um EXTREMO cuidado com as coisas, e quando uma geladeira pifa, do nada, isso se torna também um motivo de ódio, afinal, todo aquele cuidado é em vão.

É vergonhosa a forma descarada como os eletrodomésticos são fabricados para estragar e te obrigar a gastar mais pra repor algo que você já havia comprado. A isso se deu o nome de obsolescência programada. Vemos isso em celulares, tablets, monitores, tvs e tudo quanto é coisa. Aqui no Brasil até presidente da república tem obsolescência programada, e muitos ficam no caminho antes do previsto, kkk.

O caso da primeira geração do iPod essa sacanagem inventada nos anos 20 pelo presidente da GM, é emblemático. Casey Neistat, um artista de Nova York, pagou US$ 500 por um iPod cuja bateria parou de funcionar 8 meses depois. Ele reclamou. A resposta da Apple foi “vale mais a pena comprar um iPod novo”. O caso virou uma ação de rua nos cartazes publicitários da Apple, retratada no vídeo iPod’s Dirty Secret. O filme foi visto por Elizabeth Pritzker, uma advogada de São Francisco. Ela entrou com uma ação coletiva em nome dos consumidores – naquela altura, a Apple já havia vendido três milhões de iPods pelos EUA.

No caso do primeiro iPod, a empresa fez um acordo com os consumidores. Elaborou um programa de substituição das baterias e estendeu a garantia dos iPods por US$ 59. A Apple disse ao Link que “a vida útil dos produtos varia muito com o seu uso”.

Até em geladeiras e máquinas de lavar, que geralmente pifam com sete anos de uso – curiosamente sete anos é a média de duração da maioria dos casamentos. Comercialmente, para as lojas e indústrias, é a jogada de mestre, mas ambientalmente, fazer um cliente comprar mais de uma vez o seu produto de propósito, é um descalabro!

Me impressiona como as coisas não são mais feitas para durar, porque nossa vida se tornou efêmera. Carros se tornaram latinhas de chapas finas altamente corrosivas, com peças que logo estarão “fora de linha” te obrigando a encostar seu possante num ferro-velho. Sua TV durará umas duas ou três copas, e um dia te deixará na mão. No caso das Tvs e celulares, onde a cada dia novas tecnologias surgem, oferecendo uma nova terra prometida de conforto, resolução e inteligência artificial, eu até poderia – com esforço- entender a obsolescência programada. Mas uma geladeira… Uma porra duma caixa isolada termicamente com um motor chumbrega que circula um gas em serpentina gelando o interior… É a mais pura e cristalina putaria. Uma coisa é o motor queimar porque nossas redes elétricas são… Bem, como adjetivar com elegância e de forma minimalista? …São um cu.

Uma imagem vale mais que mil palavras

Assim, se queima, eu até – novamente, com esforço – entendo. Mas estragar do nada, é foda. No caso do meu eletrodoméstico, da marca Bosh (note que eu comprei a geladeira da marca das ferramentas boas) essa merda usa uma porra dum gás que só ela usa… Não, nada havia no folheto de venda informando esse detalhe “peculiar” que é inflamável e diferente do que existe no mercado. Assim, se ela perde o gás, o que seria uma manutenção barata e rápida de um técnico de refrigeração, vira um: Se vira nos 30 e compra outra.
O aparelho em ótimo estado, sem ferrugem ou arranhões, com o compressor novo, funcionando… Só perdeu o gás. Agora tenho que comprar um aparelho novo. É tão ridículo isso. É como se seu carro estragasse o farol e você tem que comprar outro carro, porque a lâmpada do seu farol só aquela marca faz. Não entra na minha cabeça essa merda, me desculpem aí os deuses do Capitalismo e seus seguidores, mas porra. Isso é mais que capitalismo selvagem. É sacanagem da grossa com os clientes.

Apendi com Indiana Jones que já não se faz mais geladeira de qualidade como na década de 50

Há quem defenda que graças a obsolescência programada a indústria cresce e gera empregos. De fato, isso é verdade, tanto que o lance ganhou força com a crise de 29. Mas deveria haver uma forma de atenuar o impacto ambiental de trocar um aparelho praticamente novo quando ele pifa pro dono da fabrica faturar. Que vendesse um kit de reparo, que fizessem uma merda de sistema de refrigeração padrão, tipo USB, que estragou você compra o kit e troca. Quem joga o carro no ferro velho quando o amortecedor estraga?
A assistência técnica informou que a empresa não opera mais no Brasil na “linha branca” e que como ela usava um gás específico ele não é encontrado mais em lugar nenhum. Trocando em miúdos, o cara disse que eu me “fu”. Mas então me ocorreu que quando eu comprei essa geladeira eu vi alguns reviews, e nessas merdas de reviews ego fala do design, qual é o selo procel dela (aquela bosta de adesivo que não desgruda) se a prateleira de ovo é aqui ou ali, se a litragem é grande ou pequena, se a tinta é branca ou amarela, mas não falam um negócio básico: O gás dela é exclusivo. Vazou, acabou. Eu nem sabia que tinha como o gás da geladeira ser outro além do clássico freon. Mas tem.

Assim, resolvi fazer este post não somente para externar meu inconformismo para esse eterno loop de pirocadas contratempos financeiros aos quais a vida urbana se tornou, mas também como uma dica preciosa para quem vai comprar uma geladeira cedo ou tarde: Verifique qual a porra do gás usado no seu futuro aparelho. Muitas vezes, compensa pagar um pouco mais na compra e pegar um aparelho que venha a ser reparável daqui a sete anos, principalmente se você cuida bem do que é seu.

É isso. Aceito ideias para o que fazer com essa merda aqui. Talvez guardar pra usar como caixão algum dia.

Mais uma geladeira em minha vida

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A longevidade de um relacionamento pode ser medido, entre outros fatores, por quantas geladeiras passam em sua vida conjugal. Sim, porque é incrível como nenhuma dessas maquinas consegue mais passar dos dez anos de uso. Nós aqui em casa tomamos um EXTREMO cuidado com as coisas, e quando uma geladeira pifa, do nada, isso se torna também um motivo de ódio, afinal, todo aquele cuidado é em vão.

É vergonhosa a forma descarada como os eletrodomésticos são fabricados para estragar e te obrigar a gastar mais pra repor algo que você já havia comprado. A isso se deu o nome de obsolescência programada. Vemos isso em celulares, tablets, monitores, tvs e tudo quanto é coisa. Aqui no Brasil até presidente da república tem obsolescência programada, e muitos ficam no caminho antes do previsto, kkk.

O caso da primeira geração do iPod essa sacanagem inventada nos anos 20 pelo presidente da GM, é emblemático. Casey Neistat, um artista de Nova York, pagou US$ 500 por um iPod cuja bateria parou de funcionar 8 meses depois. Ele reclamou. A resposta da Apple foi “vale mais a pena comprar um iPod novo”. O caso virou uma ação de rua nos cartazes publicitários da Apple, retratada no vídeo iPod’s Dirty Secret. O filme foi visto por Elizabeth Pritzker, uma advogada de São Francisco. Ela entrou com uma ação coletiva em nome dos consumidores – naquela altura, a Apple já havia vendido três milhões de iPods pelos EUA.

No caso do primeiro iPod, a empresa fez um acordo com os consumidores. Elaborou um programa de substituição das baterias e estendeu a garantia dos iPods por US$ 59. A Apple disse ao Link que “a vida útil dos produtos varia muito com o seu uso”.

Até em geladeiras e máquinas de lavar, que geralmente pifam com sete anos de uso – curiosamente sete anos é a média de duração da maioria dos casamentos. Comercialmente, para as lojas e indústrias, é a jogada de mestre, mas ambientalmente, fazer um cliente comprar mais de uma vez o seu produto de propósito, é um descalabro!

Me impressiona como as coisas não são mais feitas para durar, porque nossa vida se tornou efêmera. Carros se tornaram latinhas de chapas finas altamente corrosivas, com peças que logo estarão “fora de linha” te obrigando a encostar seu possante num ferro-velho. Sua TV durará umas duas ou três copas, e um dia te deixará na mão. No caso das Tvs e celulares, onde a cada dia novas tecnologias surgem, oferecendo uma nova terra prometida de conforto, resolução e inteligência artificial, eu até poderia – com esforço- entender a obsolescência programada. Mas uma geladeira… Uma porra duma caixa isolada termicamente com um motor chumbrega que circula um gas em serpentina gelando o interior… É a mais pura e cristalina putaria. Uma coisa é o motor queimar porque nossas redes elétricas são… Bem, como adjetivar com elegância e de forma minimalista? …São um cu.

Uma imagem vale mais que mil palavras

Assim, se queima, eu até – novamente, com esforço – entendo. Mas estragar do nada, é foda. No caso do meu eletrodoméstico, da marca Bosh (note que eu comprei a geladeira da marca das ferramentas boas) essa merda usa uma porra dum gás que só ela usa… Não, nada havia no folheto de venda informando esse detalhe “peculiar” que é inflamável e diferente do que existe no mercado. Assim, se ela perde o gás, o que seria uma manutenção barata e rápida de um técnico de refrigeração, vira um: Se vira nos 30 e compra outra.
O aparelho em ótimo estado, sem ferrugem ou arranhões, com o compressor novo, funcionando… Só perdeu o gás. Agora tenho que comprar um aparelho novo. É tão ridículo isso. É como se seu carro estragasse o farol e você tem que comprar outro carro, porque a lâmpada do seu farol só aquela marca faz. Não entra na minha cabeça essa merda, me desculpem aí os deuses do Capitalismo e seus seguidores, mas porra. Isso é mais que capitalismo selvagem. É sacanagem da grossa com os clientes.

Apendi com Indiana Jones que já não se faz mais geladeira de qualidade como na década de 50

Há quem defenda que graças a obsolescência programada a indústria cresce e gera empregos. De fato, isso é verdade, tanto que o lance ganhou força com a crise de 29. Mas deveria haver uma forma de atenuar o impacto ambiental de trocar um aparelho praticamente novo quando ele pifa pro dono da fabrica faturar. Que vendesse um kit de reparo, que fizessem uma merda de sistema de refrigeração padrão, tipo USB, que estragou você compra o kit e troca. Quem joga o carro no ferro velho quando o amortecedor estraga?
A assistência técnica informou que a empresa não opera mais no Brasil na “linha branca” e que como ela usava um gás específico ele não é encontrado mais em lugar nenhum. Trocando em miúdos, o cara disse que eu me “fu”. Mas então me ocorreu que quando eu comprei essa geladeira eu vi alguns reviews, e nessas merdas de reviews ego fala do design, qual é o selo procel dela (aquela bosta de adesivo que não desgruda) se a prateleira de ovo é aqui ou ali, se a litragem é grande ou pequena, se a tinta é branca ou amarela, mas não falam um negócio básico: O gás dela é exclusivo. Vazou, acabou. Eu nem sabia que tinha como o gás da geladeira ser outro além do clássico freon. Mas tem.

Assim, resolvi fazer este post não somente para externar meu inconformismo para esse eterno loop de pirocadas contratempos financeiros aos quais a vida urbana se tornou, mas também como uma dica preciosa para quem vai comprar uma geladeira cedo ou tarde: Verifique qual a porra do gás usado no seu futuro aparelho. Muitas vezes, compensa pagar um pouco mais na compra e pegar um aparelho que venha a ser reparável daqui a sete anos, principalmente se você cuida bem do que é seu.

É isso. Aceito ideias para o que fazer com essa merda aqui. Talvez guardar pra usar como caixão algum dia.

Mais uma geladeira em minha vida

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14 ideias sobre “Mais uma geladeira em minha vida

  • 9 de julho de 2018 em 11:41
    Permalink

    Bom dia Philipe! Leva pro estudio e faz um sarcófago!

    Resposta
  • 9 de julho de 2018 em 13:22
    Permalink

    Cara, que gás é esse que não tem pra repor? aliás, quando a muitos anos eu trabalhei concertando geladeiras e máquinas de lavar pra custear a faculdade usavamos o gás R12 nas geladeiras e R22 nos ar-condicionados, hoje se usa o R134a nas geladeiras, será que a bosh usa um gás diferente? Na verdade eles são compatíveis, tem até gente usando gás de cozinha GLP nos ar condicionados split, o ar funciona bem pra caramba, só tem o probleminha de se vazar fazer CABUM.

    Resposta
  • 9 de julho de 2018 em 13:39
    Permalink

    Tira o motor pra fazer um compressor pra aerógrafo e faz uma cabine de pintura pra miniaturas com a caixa.

    Resposta
    • 16 de agosto de 2018 em 11:11
      Permalink

      Eu ate pensei nisso, mas desisti. Eu ja tenho um compressor bom, e uma bomba de vacuo molecular. Tb ja tenho cabine de pintura.

      Resposta
  • 9 de julho de 2018 em 14:38
    Permalink

    Cara, numa busca rápida aqui no MercadoLivre achei gás para geladeira bosch por meros 75 temer. Um tal de R600a. Não seria o que voce precisa?

    Resposta
  • 9 de julho de 2018 em 20:33
    Permalink

    Olá Philipe! Na industria em que trabalho temos algumas maquinas que usam diferentes tipos de gás de refrigeração. Pela pouca experiencia que adquiri, nao vai ser dificil encontrar o gas que voce precisa, pode ser um pouco mais caro, mas nada que justifique a compra de uma nova geladeira! Em ultimo caso, voce pode estudar um retrofit para um gás R134a, no lugar do r600a que acredito ser o seu.

    De qualquer forma, nao caia no conto da assistencia tecnica de que “só um aparelho novo” resolve. Geralmente é falta de interesse deles em resolver o seu problema.

    Em tempo: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-909582133-gas-refrigerante-r600-geladeira-bosch-continental-ge-_JM

    Resposta
    • 16 de agosto de 2018 em 11:09
      Permalink

      Eu procurei uns caras que poderiam colocar o gas mas os dois recusaram o serviço dizendo que não compensa que dá muito problema. Então desisti e doei o trambolho para um funcionário do condomínio que revende coisas pro ferro-velho, assim ele gera renda pra ele.

      Resposta
  • 9 de julho de 2018 em 20:59
    Permalink

    Estamos indo para a terceira geladeira!!!

    Resposta
  • 10 de julho de 2018 em 7:27
    Permalink

    Eu ja estou no meu quinto smartphone. Quinto!

    Resposta
  • 10 de julho de 2018 em 7:33
    Permalink

    Já pensou em procurar no exterior? Moro na Alemanha e aqui é bem comum achar peças de produtos que há tempos não são mais fabricados (chama-se respeito ao consumidor).

    Resposta

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