Homem com H

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Fomos no aniversário de um aninho da Maria Eduarda, filha da Dani, prima da Nivea e do Maurício. Nós levamos o Miguel, meu sobrinho de 4 anos. Durante a festa havia um cara vestido de palhaço, com a cara pintada, sem nariz vermelho e com um chapéu cheio de pontas coloridas na cabeça. Ele era o animador. O palhaço fazia tudo que um palhaço faz nessas festas, anima a molecada, faz pinturinha e propõe brincadeiras.

Porém uma entre aquelas dezenas de crianças que cercavam o palhaço manteve os olhos arregalados de medo e sempre a dois metros da “criatura”, sem nunca dar as costas ao “palhaço”. Este era o meu sobrinho. Ninguém conseguiu, não teve santo que deu jeito de fazer o Miguel chegar perto daquele ser para ganhar uma pinturinha. Não teve brinquedo, promessa de passeio, pressão, nada.

Eu fiquei ali na mesa, comendo um ovo de codorna e pensando com meu copo de chopp… “Já vi este filme.”

Era 1981 e eu estava com 5 anos. Incrível como com 5 anos a gente já tem uma certa capacidade de discernimento do que é normal e o que não é. Ou pelo menos, do que não parece ser.

Eu tinha um medão enorme da abertura do fantástico. Começava com um feto, e depois era uma coisa meio frenética, meio carnavalesca, com palhaços e pessoas pintadas sorrindo bocas cheias de dentes.

Eu gostava de ver a zebrinha, mas morria de medo daquela mulher que soltava um fogaréu pela boca na abertura. Eu tinha medo daquele balé. Até hoje eu me pergunto por que será. O balé de abertura do fantástico que existe desde o passado mais remoto, sempre foi belíssimo, mas algo naquela ornamentação das mulheres do fantástico me causavam um certo medo. Elas pareciam criaturas místicas, uma coisa meio tribal, como se a qualquer momento uma delas se transformaria numa criatura dos infernos. A combinação do visual exótico com a labareda de fogo no final mostraram-se uma combinação perfeita para me tirar o sono.

Um dos meus traumas de infância se chama Ney Matogrosso. Eu assisti um clipe dele, talvez sua musica mais famosa, “Homem com H”. O problema não era só um homem com voz de mulher dançando requebrado. Era aquelas roupas. Eu me pelava de medo daquilo. A cara pintada, a maquiagem pesada, o olhar maníaco. Isso sem falar na aparente contradição de um cara com voz de mulher rebolativo cantar que é homem com H.

Eu me lembro que sempre que tinha que entrar num lugar escuro, passar por um corredor ou entrar numa garagem sozinho, podia até ver esta coisa pular na minha frente com aquele olhar pintado gritando “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”

Talvez este medo tenha alguma influência por eu ser bom de corrida quando bacuri, hehehe.

Ney Matogrosso me causava muito medo. Mas eu tenho que reconhecer que o cara canta pra caramba, tem uma noção de espetáculo como poucos e sempre foi precursor de tendências. Em alguns momentos eu me pergunto se o Ney não estava meio à frente de seu tempo em demasia. Veja, fazer isso ali no tempo dos milicos… Tem que ser Homem com H.

Hoje vejo na MTV figuras como Kiss e Marilyn Manson. Sinceramente, os fãs do Manson podem ficar bravos comigo, mas em termos de proposta visual, eu acho que o Ney criou esta coisa de andrógenia-pesadelo. Claro que o Marilyn é algo moderno, e então é um pouco diferente, mas se tirarmos os aspectos temporais que atuam diretamente sobre a questão da sonoridade musical, a figura bizarra americana me soa um pouco como plágio do Ney no fim dos anos 70 e 80. Quanto à banda Kiss, nem vou comentar, já que eles mesmos reconhecem que se “inspiraram” nos “Secos e Molhados” onde o Ney era cantor e onde -sei lá se vou falar merda aqui, pois não entendo de musica – Eles começaram algo em termos plásticos que eu só veria décadas depois, o tal do “Glam Rock”.

Mas o que eu queria dizer é: Tente ver este vídeo imaginando-se com uma cabeça de cinco anos de idade  e note como isso pode ser traumático.

Comments

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14 respostas

  1. Esse olho arregalado do Ney dá medo mesmo :omg:
    Mas criança tem medo de cada coisa né?
    Meu filho tem 4 anos e morre de medo “daquela galinha” do pica-pau . Uma ave milionária(não sei se é galinha) que tenta agarrar o pica-pau sabe? Então ele tem pesadelos com esse desenho . Se estiver passando na TV ele até sai correndo.Vai entender…

  2. Eu tb tinha medo do fantastico!
    incrivel. era horripilante.
    me senti aliviada em saber que não era so eu que sentia esse medo.
    agora serei mais feliz. 😀

  3. HAHAHAHHAHHHAHAHHAHAHAHAH.
    Que traco que não assusta?!
    Ainda mais esta criatura seca do Ney vestido como um.
    Ainda bem que não sou fã do Kiss como um amigo meu, se não estaria frustrado depois esta. Ou do Manson.

  4. [quote comment=”59192″]que isso?! o Bowie ja era glam na metade dos anos 60.

    mas ok, ele não é tãão assustador quanto o Ney Matogrosso…[/quote]

    Concordo integralmente. Nem tinha me lembrado do Bowie…

  5. Philipe, o empresário do Kiss, assistiu a uma apresentação dos Secos e Molhados no México, e chamou eles para se transformarem no Kiss, e cantarem em Inglês, mas a banda na época não aceitou, e entou o cara formou o Kiss com americanos mesmo… e essa é a história oficial da banda!

    Nunca tive medo de Palhaços… mas devo reconhecer que alguns me espantavam mesmo…

  6. Puxa meu filho, só agora lendo tomei conhecimento de seu medo vendo o Fantástico. Também nao é de admirar sendo vc um piralho que teve sua imaginacao super desenvolvida por seu pai que contava duas estórias por noite na cabeceira de cada filho, num total de 6 estórias por noite onde heróis conviviam com dinossauros que viajavam no tempo como o Minguilin ou aquele homem invisivel que aprontava todas eu nao lembro o nome dele, vc lembra? Só podia dar no que deu um menino lindo com uma imaginacao super desenvolvida que estravasa hj em páginas e páginas que encantam os seus leitores .E em especial â sua mae.

  7. É incrível como as conclusões precipitadas criam mitos e a partir daí as pessoas passam a afirmar categoricamente que tal coisa está “confirmada”. A única verdade é que os Secos e Molhados foram procurados por empresários no México com uma proposta de levá-los para os Estados Unidos e fazer um som mais pesado. Aliás, parece que a proposta era só para o Ney. SÓ ISSO. O resto é viagem, delírio, asas à imaginação, castelos no ar, mas que acabam se perpetuando. “…eles mesmos reconhecem que se inspiraram nos Secos e Molhados…” Quando e onde eles reconheceram? Pelo contrário, eles já devem estar de saco cheio de desmentir essa história cada vez que são entrevistados por jornalistas brasileiros. “…o empresário do Kiss, assistiu a uma apresentação dos Secos e Molhados no México, e chamou eles para se transformarem no Kiss, e cantarem em Inglês, mas a banda na época não aceitou, e entou o cara formou o Kiss com americanos mesmo… e essa é a história oficial da banda!” “História oficial????” Só se for na sua cabeça, Fred! Esse é o boato oficial que os brasileiros mais precipitados decidiram transformar em “verdade incontestável”. O primeiro LP do Kiss já estava nas lojas quando os Secos e Molhados se apresentaram no México.

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