Uma história estranha

Meu amigo Cosme é um engenheiro de som de Londrina. Cosme trabalhava num estudio de gravação em Nova York, mas diz que se cansou “da neve e do frio miseráveis” do Meatpack e voltou para o Brasil. Conheço o Cosme tem, sei lá… Nem lembro quanto tempo tem, mas é muito tempo. Quando ele vinha para o Brasil, eu costumava pegar um ônibus e ir encontrá-lo em São Paulo, onde saíamos para farrear.

Na última vez que veio, Cosme não me pareceu muito bem da cabeça. Quer dizer, ele nunca foi um cara muito normal mesmo, mas em sua última vinda ele estava com um cacoete ridículo, que me envergonhou na boate e quase acabou em briga. Por sorte, o próprio Cosme solucionou o problema falando em inglês e se passando por gringo. Era a porra do cacoete de se benzer. A cada dez minutos, talvez menos, talvez mais, ele fazia o sinal da cruz e num último gesto, após fazer o “em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, ele beijava a ponta dos dedos. E assim ficava, como se estivesse numa missa, fosse onde fosse.  E acabou que foi no banheiro dos homens, bem depois de passar por um cara fortão com jeito mal encarado. Ele fez a porra do sinal e o sujeito achou ele ele estava “zoando o pinto dele”.  Agarrou o Cosme pelo colarinho, tentei intervir, mas eu tava bem no meio do xixi. Foi uma merda do caramba.

Eu ainda não tinha me ligado em como era estranho aquele cacoete até ele fazê-lo no banheiro. Passado o susto, já na nossa mesa no lounge da casa noturna, o Cosme acendeu um cigarro de bali fedorento – vício que ele cultiva há uns dez anos – e pediu desculpas. Me agradeceu por intervir, mesmo reconhecendo que eu preferi ficar alisando meu pau a evitar que ele fosse esmurrado pelo cara do pau pequeno.

Fizemos um brinde aos fortões de pinto pequeno e em seguida, perguntei a ele sobre o cacoete. O Cosme ficou visivelmente constrangido e nas poucas vezes que o vi ficar sem graça ele nunca tinha feito aquela cara. Pareceu sem ar, como um peixe fora d´água, mordendo os lábios e olhando ao redor, com uma expressão que se eu tivesse que qualificar, diria “meio paranóica”.

E assim ele apagou o cigarro, fez o sinal de cruz novamente, e me contou como aquela merda começou.

Ele disse que estava em casa, no seu estúdio, trabalhando numa trilha musical para um curta de comédia, quando sua empregada bateu à porta. Dona Lurdes era o nome dela.

Dona Lurdes, era empregada da mãe dele, e trabalhou na casa do Cosme até quando a mãe dele morreu. Então ela já tinha tempo para se aposentar, mas o Cosme tinha grande afeição pela Dona Lurdes, que chamava de “talú” e junto com seu irmão Damião que é Geólogo, continuaram a pagar a Dona Lurdes para cuidar da casa, e ela fazia faxina nos períodos em que a casa ficava fechada e trabalhava normalmente quando ele vinha para o Brasil.

Naquele dia, Dona Lurdes estava séria, parecia preocupada e perguntou se haveria problema em faltar alguns dias, pois sua filha tinha tido um problema em Recife e veio para Londrina com o neto, de três anos, segundo ela,  “com uma mão na frente e outra atrás”.

Cosme falou que não havia nenhum problema, mas ficou curioso sobre o neto de Dona Lurdes.

A senhora parecia bastante perturbada e precisou sentar para contar. Cosme me disse que era uma longa história sobre o pai do menino ter surtado, envolvia rituais de magia negra e tal. O homem tinha matado um dos próprios filhos a machadadas. Só não matou a filha dela porque ela se escondeu com o menino dentro de um quarto. O homem enlouquecido, botou a porta do quarto abaixo na base do machado. Quando a filha dela viu que a porta do quarto estava cedendo, correu desesperada e se trancou no armário. Os vizinhos, ouvindo a gritaria, correram para ver e diante da cena horrível da criança esquartejada na sala, chamaram a autoridade.

A polícia? – Perguntei inocente.

Não, o matador da rua. – Ele disse.

O matador da rua era um ex-policial muito do ruim, sangue ruim mesmo, segundo Dona Lurdes, que entrou na casa atirando. E para espanto dos vizinhos, mesmo com quatro balaços no meio das costas o genro dela continuava a tentar matar a criança, enquanto gritava coisas assustadoras sobre “pagar o tributo”, ou “o bruto”. Só quando o homem atirou na cabeça o genro dela caiu. O próprio matador disse que nunca tinha visto aquilo.

Tomei um gole do meu drink enquanto Cosme refazia o sinal da cruz. Passado o cacoete, ele retomou.

Disse que diante do horrível caso, a filha teria ficado perturbada. Logo, outras pessoas começaram a entrar no terreno da casa dela, aos gritos. Ele não entendeu a história direto, porque disse que a Dona Lurdes chorava muito contando, mas a história é que o netinho dela tinha ficado “marcado” pelo negócio do pai. O povo da rua tentou linchar o garoto.

O povo quis linchar o garoto que o próprio pai tentou matar?  – Perguntei.

Cosme refez o sinal da cruz. Aquilo foi minha resposta.

Ele disse que ficou com pena da situação, e diante do fato de estar com muito trabalho, disse que Dona Lurdes poderia ficar o tempo que quisesse com o menino e sua mãe. Ele se viraria “acampado” na casa por uns dias, vivendo de pizza e refrigerante.

Dona Lurdes agradeceu e saiu. Passaram-se alguns dias, onde Cosme se dedicou ao trabalho com afinco. Era um domingo de tarde quando a campainha tocou. Cosme lembra que estava vendo Faustão. Na porta dele estava Dona Lurdes, com uma moça muito bonita, segurando na mão de um menino.

Dona Lurdes trazia consigo um pirex tampado com papel alumínio. Disse que tinha feito um escondidinho de frango pra ele, o prato preferido do Cosme.

Diante das visitas, todos entraram e Dona Lurdes após apresentar Selma, sua filha e Breno, o menino, foi pra cozinha fazer o prato.

Ele contou que achou a ideia boa, porque ja não estava mais aguentando ficar só no hambúrguer, miojo e pizza. Além do mais, já não tinha arroz e escondidinho era o seu prato preferido desde sempre, e a receita Dona Lurdes aprendeu com a falecida mãe dele.

Selma sentou no sofá. Olhava para a casa. Não parecia se importar muito com a bagunça. Ela era uma mulher muito bonita, de curvas voluptuosas e seios fartos. O cabelo era alisado e pintado de louro platinado. Nos pés, duas sandálias-plataforma que tentavam disfarçar sua pouca altura. Cosme não olhou muito, apesar de saber detalhes, como o rosto dela lembrar o de uma índia, com a pele bem morena, em contraste com o louro platinado do cabelo – e ser bem “gostosa”.

Já o menino, ficou andando pela sala, até que Selma zangou com ele quando tentou mexer no videogame e ele se sentou, como um boneco, no sofá.

Cosme ficou com pena e ligou o videogame para o garotinho, que abriu um grande sorriso.

Selma e Cosme começaram a conversar sobre o menino. Ela parecia saber muitos detalhes da vida dele, como era de se imaginar. Perguntou como era nos Estados Unidos e disse que o sonho dela era ir na “América” para ver os atores dos filmes “na rua”.  Selma perguntou ao Cosme se ele já tinha visto alguém famoso. Pior que ele já tinha. Certa vez encontrou Tom Sellek num restaurante da Times Square, mas pouco adiantou, já que Selma não fazia ideia de quem fosse Tom Sellek e nem o “Magnum”, seu personagem mais famoso.

Cosme falou que mal teve tempo de conversar mais, pois em meia hora de conversa só pensava em comer aquela mulher. Ele não tirava os olhos da boca dela, que segundo disse, parecia deliciosamente implorar por um beijo a cada palavra. Seu riso era eroticamente suburbano.

Dona Lurdes colocou a mesa e chamou todo mundo. Foram os dois, e Cosme disse que era para deixar o menino no videogame, que ele nunca tinha jogado.

Comeram o escondidinho que estava delicioso.  Enquanto comiam, Cosme perguntou a Selma se ela iria se mudar definitivamente para Londrina. Selma disse que sim, pois as pessoas de sua rua no Recife tinham enlouquecido, colocaram fogo na casa dela, para a expulsar.

-Fogo? Incendiaram a casa da mulher?  – Perguntei assustado.

Cosme confirmou o que havia dito. Segundo Selma o contou no jantar, os vizinhos estavam dispostos a tudo para tirar ela da casa. Tentaram matar o Breno mais de duas vezes.

Com o assunto tomando um caminho baixo astral, Cosme resolveu melhorar o clima, contando de suas aventuras nos Estados Unidos, da neve e tudo mais. Os olhos da moça brilhavam de saber como eram os mercados, as lojas, as estradas, carros… É igual a gente vê nos filmes! – Ele disse.

Então, já quase no final do jantar, Dona Lurdes perguntou, meio sem graça, ao Cosme se haveria problema dela ficar com o menino por uns dias, para que Selma pudesse procurar emprego. Seria só por um curto período, pois assim que ela conseguisse uma vaga, colocaria o menino numa creche municipal… E que uma pessoa da prefeitura já estava vendo a burocracia para matricular o menino.

Talvez pelo vinho, talvez pelas belas coxas da loura, Cosme disse que não via problemas. O menino parecia tranquilo, e a avó estaria com ele o tempo todo. A casa não ia ficar a imundice que estava e afinal, a casa estava vazia mesmo. Ele falou que não tinha problema e se Selma quisesse, poderia inclusive ficar com o menino no quarto dos pais dele, que estava vazio. Alertou para que sua única condição fosse poder trabalhar em paz, uma vez que seu trabalho com áudio exigia silêncio e paz.

Dona Lurdes agradeceu muito e disse que ele poderia ficar tranquilo, que ela ia olhar o menino, e que seria só por um período bem curto mesmo. Selma também agradeceu, mas disse que não se sentiria em em ficar acampada na casa dele, e preferia ficar na casa da mãe dela mesmo. Ela só precisava de alguns dias, até que colocasse o menino na creche. E assim a loura frustrou os planos pervertidos do Cosme.

Quando todos foram sair, e depois da choradeira do Breno que não queria largar o videogame, Dona Lurdes deu um abraço e agradeceu mais uma vez pela ajuda. Selma também abraçou o Cosme e ele disse que pôde dar uma bela fungada no pescoço dela, sentindo um perfume inebriante. Ela apertou ele no abraço, e Cosme sentiu uma energia tão cabulosa que ficou excitado na hora.

Disfarçando, ele abaixou e deu um abracinho no menino, que ainda soluçava. Prometeu deixar o garoto jogar no dia seguinte, quando ele viesse com a vó.

Todos se foram, e Cosme foi dormir. Já tava no fim do Fantástico quando ele desligou a Tv.

Deitou e só pensava na Selma. Aquela gostosa…

No dia seguinte, a vó apareceu com o moleque lá oito horas da manhã. Cosme desceu as escadas e deu de cara com o menino, parado, como uma estátua no meio do corredor. O menino não falava nada, só olhava fixamente pra ele. Então, o garoto levantou o dedo indicador e apontou pra ele, revirou os olhos e babou um sangue escuro. Cosme se horrorizou ao ver a cabeça do menino se abrir numa fenda na altura do pescoço e cair para trás, como uma bola de cabelos. Ele soltou um grito de pavor e acordou na cama, molhado de suor.

Tinha sido um pesadelo.

Virou para o lado, ainda tremendo. O coração quase saindo pela boca, e tentou dormir. Para não pensar no menino, pensou na mãe dele. Aquela gostosa…

No dia seguinte, Cosme ouviu um barulho no corredor.

Andou devagar até a escada e olhou para baixo. Lá em baixo estava o menino, parado, tal qual o sonho. Cosme teve medo que aquilo fosse um novo pesadelo, mas o menino disse

-“Oi tio! Quero jogar o jogo do carrinho!”

Cosme contou que aquele foi um grande alívio. Desceu as escadas e viu Dona Lurdes preparando o café.

– Bom dia. – Ela disse, já partindo fatias de um bolo.

-Bom dia, Talu.

-O Breno não parou de falar no videogame… – Riu ela, enquanto coava o café.

-Eu sei como é isso, também adoro aquele jogo.

-A Selma também, não parou de falar de você…

-De mim?

-Dos Estados Unidos. – Disse Dona Lurdes.

-Ah, sim. É legal lá, apesar do frio.

O Cosme foi até a sala e ligou o videogame para o menino, que pegou o controle e se jogou no sofá.

Da cozinha veio o grito: – Como é que fala Breeeeno?

-Brigado tio!

-De nada, amigão.

Naquele primeiro dia, tudo correu normalmente. Cosme foi para o escritório no quarto que era do Damião. Breno jogou videogame até cansar, depois dormiu no sofá mesmo, tomaram café da tarde e jantaram juntos. No fim do dia, apareceu a Selma para pegar o menino. Ela disse que deixou vários currículos, mas que ainda não tinha visto nada que valesse à pena. Novamente a cena do abraço se repetiu e eles foram embora.

Passaram-se quatro dias, onde tudo parecia acontecer da mesma forma, mas começou um período de chuvas constantes. Com pena do menino, Cosme falou que era para Dona Lurdes dormir com ele na casa. Ela inicialmente relutou, mas enfim concordou.

Na primeira noite que o menino dormiu na casa, Cosme contou que estava no quarto, em meio a escuridão quando sentiu que algo estava sentando nos pés da cama dele.

Cosme levou um susto, acendeu o abajur da mesa de cabeceira e deu de cara com o menino. Ele estava parado, sentado nos pés da cama. A cabeça baixa. A respiração era pesada.

-Breno?  – Cosme perguntou.

O menino não se moveu. Continuou ali, parado, aos pés da cama. Sentado no colchão.

-Breno? Breno? – Cosme chamou, mas o menino estava dormindo. Dormindo sentado na cama dele.

“Coitadinho deve ser sonâmbulo” – Pensou.

Cosme então pegou o menino no colo, e foi até a porta do quarto. Para seu espanto, a porta do quarto dele estava… Trancada.

-Puta! Agora deu um calafrio aqui! – Eu disse.

-Calma que piora. – Falou Cosme, fazendo novamente o sinal da cruz.

-Como que o moleque entrou?

O Cosme disse que na hora, quase cagou nas calças, mas então pensou que ele achava que tinha trancado a porta, mas podia ter só pensado em fazer e distraído, esqueceu. Aí o menino sonâmbulo entrou e trancou a porta antes de ir até a cama dele e sentar.

-É… Faz sentido.

-É a unica explicação. Ele disse.

Então, Cosme levou o menino até a o quarto dele, onde a vó estava deitada de lado, roncando. Ele deitou o menino na cama e saiu. Encostou a porta do quarto e voltou para o quarto dele.

Enquanto estava atravessando o corredor, Cosme ouviu o menino dar uma risada sinistra.

Aquilo lhe deu um tamanho cagaço que Cosme fechou a porta, meteu duas rodadas na chave para garantir e se enfiou debaixo das cobertas.

Devia ser umas três da manhã quando alguma coisa acertou a porta do quarto dele, fazendo um enorme barulhão. Parecia quase um tiro de canhão. Cosme levantou desesperado. Acendeu a luz do quarto. Correu até a porta e abriu. Quando ele abriu, viu a velha caída. Ela estava toda torta diante da porta.

-Meu Deus! Talu! Talu!

A velha não respondia. Tava desmaiada. Mas tava respirando.

Cosme foi até o quarto. O menino estava deitado na cama, retinho, parecia uma vareta magra em pose de sentido. Os olhos fechados. Cosme vir0u-se para ir até a empregada,  mas ouviu novamente o risinho assustador do menino.

Arrepiado, ele correu até o quarto e chamou o SAMU.

Enquanto a emergência vinha, Cosme tentou ajudar a senhora. Ela estava desacordada. Cosme notou um amassado na porta do quarto, onde certamente ela tinha batido a cabeça. Talvez tivesse levantado para ir ao banheiro ainda dormindo, e sem reconhecer a casa direito, pode ter tropeçado e batido de cabeça na porta.

Quando os homens bateram lá em baixo, Cosme desceu, pegou as chaves, abriu a porta. Os paramédicos subiram as escadas e minutos depois, desciam com ela na maca, com colar de proteção e tudo mais. Ela tinha acabado de recobrar a consciência. Não entendia o que estava acontecendo.

Enquanto desciam com ela pelas escadas, Dona Lurdes agarrou na mão de Cosme.

-Cuda do Breno? – Pediu.

-Claro, Claro, Talu!

Ele foi até o quarto do menino. Chegou lá, ele tava na janela, olhando para a luz da ambulância.

-Vamos, Breno. Veste a roupa. Vamos acompanhar sua vó até o hospital.  – Ele disse.

Cosme nunca tinha vestido uma criança na vida até aquele dia. Enfiou o moleque no carro e seguiu a van, até o hospital. Lá ele deu entrada na emergência. A idosa foi examinada, e constatado que havia fraturado a clavícula e batido a cabeça fortemente. Precisaria ficar em observação para que não houvesse risco de um traumatismo. Felizmente ela tinha plano de saúde, contou Cosme.  Ele disse também que um dos paramédicos veio até ele e perguntou como tinha sido o acidente.

Ele relatou que estava dormindo no quarto em que ela bateu e que não sabia. O médico resgatista falou que o lugar onde ela bateu a cabeça estava inchado e com hematoma se formando. E não era compatível com a posição da batida no chão, o que indicaria que ela bateu de cabeça com toda força contra a porta, e só então caiu no chão.

-O senhor tem certeza que não havia ninguém? Ela parece ter sido jogada de cabeça na porta. Ou…

-Ou?

-Ou bateram a porta violentamente na cara dela. – Disse ele, com os olhos fixos em Cosme.

-Os médicos são espertos. Já viram de tudo, cara. – Eu disse. – Ele jogou essa para ver como você reagia. Pra ver se você não tinha tentado matar a dona.

-Claro, tô ligado. Mas felizmente ela tava lúcida no hospital e disse que não se lembrava de nada. Que estava dormindo e acordou no chão, com muita dor e com os médicos pegando ela. – Respondeu

Cosme falou que o tempo inteiro o menino não dizia nada. Ficava só olhando, “escabriado” para a avó. A velha parecia nervosa quando ele chegava perto. Ela foi colocada num quarto bem arrumadinho do hospital. E quando foram autorizados a subir para ver como ela estava, ela não tirava os olhos do menino nem por um segundo. Aí a pressão começou a subir. Deram remédio e ela dormiu.  Quando a Selma chegou, estava amanhecendo o dia. Selma pareceu ficar muito assustada com tudo aquilo, a mãe dela de gesso, no hospital, no soro… Ficou perguntando ao Breno o que havia acontecido. De longe, Cosme viu a loura sacudir o menino no fim do corredor.

Cosme foi até ela e disse que o menino estava dormindo, que não sabia o que havia acontecido e deu a explicação do tropeço. Selma visivelmente não acreditou. Mas largou o garoto que chorava baixinho no banco do corredor. Acendeu um cigarro, toda trêmula, mas logo um faxineiro disse que não podia fumar ali.

Cosme convidou Selma e o menino para irem tomar um café na padaria perto do hospital. Apesar de ser quase verão, fazia frio naquele dia.

Selma agradeceu a ajuda e disse que não sabia o que ia fazer. Ela tinha que procurar emprego, e o menino não tinha com quem ficar. Diante da situação, Cosme disse que ele ficaria com o menino, afinal o garoto era bonzinho e gostava muito de um videogame. Mas teria que se conformar em comer pizza e sanduíche.

-Obaaaa! – Gritou o menino, com a boca cheia de pão de queijo.

-Obrigado… – Disse Selma. Aí Cosme viu a oportunidade de pegar na mão dela.

Ela tinha a mão fria. Olhou no fundo dos olhos do Cosme. Ele disse que sabia que ela estava entendendo as intenções dele. Ela parecia querer também. Mas o menino de vela ali era um problema.

Cosme propôs que eles fossem numa praça chamada Luigi Borghesi, que não ficava muito longe do Hospital Evangélico.

Eles foram, e o menino começou a correr pelo gramado.  Então Selma e Cosme foram sentar num banquinho de alvenaria. Assim que o menino ficou longe o suficiente para não ver, Cosme agarrou Selma pela nuca e a beijou com volúpia.

Selma se abraçou em Cosme, e segundo ele, quase transaram ali mesmo, tal o estado de ânimo dos dois.

Cosme notou que Selma estava sem graça.

-Desculpa. Desculpa. Ela disse. Estou sem ninguém há tanto tempo que…

-Eu sei. Não precisa dizer nada.

Os dois ficaram conversando ali, enquanto o menino brincava de virar cambalhotas na grama.

-Você vai mesmo poder ficar com ele? – Ela perguntou.

-Vou sim. Mas não sei quanto tempo ainda fico no Brasil.

-Você já pensa em ir embora? Mas você mal chegou. – Ela segurou forte na mão dele.

Cosme não disse nada, mas depois me contou que temia que aquela coisa começasse a ficar “séria”. E pra ele era uma coisa “de pele”, e trocando em miúdos, ele estava mesmo era só afim de comer a tal da Selma. Manter a “porta de saída” aberta era sua forma de deixar claro que não pretendia virar marido da loura.

Ela disse que tinha visto um anuncio para recepcionista de hotel em Campo Mourão, e que o dinheiro era bom.

Cosme sugeriu que ela pintasse o cabelo de preto. Ele achava que o cabelo louro chamava muita atenção  e que ela talvez tivesse mais chances com um visual mais discreto. Selma concordou de imediato e disse que ela realmente vinha pensando em pintar de castanho ou preto.

Ela disse que pintaria, mas que precisaria viajar até Campo Mourão para a entrevista. Cosme aceitou ficar com o menino na casa dele até a volta dela e até a mãe dela poder voltar para casa.  Ele disse que certamente teria que chamar alguém para ajudar, porque a Dona Lurdes tinha quebrado a clavícula e estava com um colete de gesso. Eles voltaram para o hospital, viram como estava Dona Lurdes. Ela ficaria dois dias internada em observação e se o quadro não apresentasse problemas, seria liberada.

Assim, eles voltaram ara casa e aquela foi a primeira noite em que Selma dormiu na casa com ele. Cosme havia pedido uma pizza e já estava jantando com Breno quando a mãe dele chegou da rua. Estava morena. Ela havia pintado o cabelo num salão naquele dia mesmo. Morenaça. Seus longos e alisados cabelos iam até a cintura. Cosme se impressionou como ela parecia muito mais bonita sem o louro platinado. Ele elogiou muito os cabelos de Selma, mas não conseguia mesmo era tirar os olhos da bunda perfeita daquela mulher.

Após o jantar, eles sentaram para ver um filme. Cosme passou uns três filmes infantis seguidos, até o menino desmaiar no tapete da sala. Selma foi até o quarto e trouxe um lençol para o menino e outro para eles dois, pois estava frio naquela noite.  Breno dormiu vendo Toy Story. Cosme gradualmente aumentou o volume da Tv para encobrir os gemidos, pois os amassos no sofá começaram intensamente. Transaram ali mesmo.

Cosme estava comendo Selma de quatro no sofá quando notou que o menino não estava no chão da sala. -“Cadê ele?”

Selma deu um pulo. Se enrolou no lençol desesperada.

-Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Dizia, enquanto vestia a roupa correndo.

Cosme enfiou a bermuda sem cueca mesmo e saiu pela sala procurando o menino.

-Você não viu?

-Não.

-Mas ele tava ali.

-Eu sei, porra. Eu vi. Mas então… Sei lá.

-Será que ele viu alguma coisa?

-Puta que pariu…

Cosme subiu as escadas, enquanto Selma correu para a cozinha.

O moleque havia desaparecido completamente. Não estava em lugar nenhum.

-Como é que pode, meu Deus do céu? – Selma parecia desesperada. A porta da sala estava trancada.

-Ele não saiu da casa. Está aqui em algum lugar. – Disse Cosme.

-Já olhamos tudo…

-Sei lá… Ele é sonâmbulo, né?

-Hã? Não! – Disse ela.

-Não é?

-Não.

-Ele não levanta e sai andando dormindo?

-Não.

-Nunca saiu?

-Que eu saiba não. – Disse ela.

Então eles ouviram uma pancada seca no segundo andar.

Os dois correram desesperados escada acima. E encontraram o moleque de pé, no fim do corredor, diante da porta do quarto de musica.

-O que ele está fazendo ali? – Perguntou Selma, assustada.

-Shhh! Ele é sonâmbulo, tá vendo? Ele tá dormindo.

Então, antes que os dois pudessem fazer qualquer coisa, o menino deu uma batida de cabeça violenta contra a porta.

Cosme correu para impedir o menino.

– Segura ele, segura! – Ele gritou. Selma tentava segurar o menino, que parecia duro como concreto, mas logo cedeu e ficou todo mole. Estava dormindo mesmo.

Os dois colocaram Breno na cama. O garoto tinha uma mancha circular na testa.

Selma sentou na beira da cama e começou a chorar. Cosme tentou acalmá-la, mas ela parecia muito desesperada. Entre suspiros ela gemeu: – “De novo não… Deixa ele em paz”.

E então o menino soltou uma risada horrível. E então num espasmo afundou na cama, dormindo profundamente.

Cosme disse que ficou tão aterrorizado que nem quis saber que merda era aquela. Ali mesmo ele se benzeu pela primeira vez. Pediu licença e foi tomar um banho. Trancado no banheiro, ele precisou tomar um comprimido de Olcadil para acalmar.

Quando saiu do banho, viu Selma dormindo abraçada com o menino no quarto. Assim, Cosme foi para o outro quarto, trancou a porta, e por via das duvidas puxou uma cadeira e reforçou a maçaneta…

-Como se faz nos filmes. – Sabe como é?

-Sei! Mas conta, e aquela noite?

Segundo Cosme, naquela noite nada mais estranho aconteceu. No dia seguinte, ele acordou e viu a mancha de sangue na porta. Uma bolinha perfeita onde ele bateu a cabeça. A mancha na porta branca não deixava Cosme esquecer que aquilo não era um pesadelo.

Selma estava acabando de vestir o menino na sala.

-Bom dia. – Disse Cosme descendo as escadas.

-Bom dia, Cosme. Fala bom dia pro tio Cosme, Breno.

-Bom dia tio Cosme!

-Eu fiz café. Tá ali na cafeteira. – Disse a morena, com uma torrada entre os dentes.

-Você está linda.

-Obrigado. Estou indo para a reunião. – Ela disse.

-Posso falar com você? – Disse Cosme, fazendo sinal para que ela fosse até a cozinha.

Na cozinha, Cosme perguntou:

-Você vai mesmo viajar? E ontem? O que foi aquilo?

-Eu não quero falar sobre isso. Me faz mal.

-Eu fiquei assustado.

-Ele é inofensivo. Mas tem surtos… Sempre teve.  Igual o Denis.

-Denis?

– O irmão dele.

-Coitadinho… Mas e se ele tiver um surto desses aqui? O que eu faço, porra?

-Vai correr tudo bem. Eu tenho certeza. – Ela disse, e em seguida deu um beijo cinematográfico com gosto de café no Cosme.

Não tinha como dizer não a uma mulher tão gostosa e tão sensual.

E então, ela foi embora, deixando Cosme sozinho com o menino.

O garoto jogou videogame o dia todo. Depois os dois foram almoçar numa pensão lá no fim da rua.

No almoço, com o menino, Cosme perguntou o que ele lembrava da noite anterior. O menino contou do Nemo, que tinha sumido e o pai do peixinho foi procurar ele… Lembrou-se de Toy Story, mas só do início. E mais nada.

-Gostei dos filmes, tio. – Disse ele, colocando uma batata frita na boca.

Cosme levou o menino para casa, e colocou o garoto para ver o filme Toy Story novamente.

-Qualquer coisa, o tio tá lá em cima, tudo bem?

O menino respondeu com um sinal de polegar para cima.

Cosme subiu e retomou o trabalho. Ele estava trabalhando numa composição quando sentou que havia uma presença com ele no quarto. Assustado, olhou para trás e não havia ninguém.

Cosme levantou-se da poltrona. Olhou pelo quarto. Ele tinha certeza de que havia alguém ali. Só podia ser o garoto… Cosme foi até a porta e gritou pelo Breno. O menino respondeu lá do primeiro andar.

Não era ele.

E então, Cosme fez o sinal da cruz pela segunda vez. Sentiu-se e continuou a trabalhar sem maiores sustos até que a porta do quarto bateu violentamente.

O coração de Cosme quase saiu pela boca. Ele correu até a porta. Não havia ninguém no corredor.

-“Talvez seja o vento” – Pensou. Mas estava tudo fechado.

Já havia escurecido, e a casa estava em quase total escuridão, tirando a luz azulada da sala, que subia pelas escadas.

Cosme então foi até a sala. Era umas nove e meia da noite. Chamou pelo menino.

-Breno? Breno?

Mas o garoto não respondia. Ao contrário, Cosme ouviu um risinho vindo do andar de baixo.

-Puuta que pariu! – Ele gemeu.

Cosme acendeu a casa toda e foi descendo as escadas. Na sala, o menino estava de joelhos, diante da Tv. A tv estava fora do ar, só mostrava estática. Tal qual a cena da menina em Poltergeist.

-Cara, se no cinema aquilo já dava um senhor cagaço, imagina ali, ao vivo? – Cosme disse, entre goles de vodka e umas duas benzidas.

Quando perguntei o que ele fez, Cosme disse que foi até o menino, olhou ele e estava naquele transe novamente. Estava com os olhos abertos, mas parecia dormindo.  Cosme foi até a mesa, pegou o controle remoto e desligou a TV.

O menino caiu pra trás na hora, como se tivesse sido “desligado” também. Aquilo deu tanto pavor em Cosme que ele disse que pensou em correr para o quarto e se trancar. Mas ele era o adulto ali. Precisava tomar uma atitude. Foi então e pegou o menino do chão e colocou no colo. Levou o menino pelas escadas até o segundo andar. Colocou o menino no quarto, e engenhosamente, trancou o quarto do garoto por fora.

Ele tinha acabado de trancar o quarto, quando ouviu o garoto soltando uma gargalhada lá dentro.

E então, Cosme fez novamente o sinal da cruz.

Um horrível som de chiado veio da sala. A Tv havia ligado sozinha. Cosme foi até o corredor. A Tv estava ligada, na estática, iluminando a sala escura de azul.

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Cosme foi até o quarto de estudos. Pegou um Microfone Zoom portátil. Levou até a sala. Desligou a Tv. Colocou o microfone sob ela. Ele esperava gravar alguma coisa estranha, como vozes, ou fantasmas.

Cosme foi até a mesa de jantar. E então começou a falar:

-Entidade sobrenatural! Manifeste-se! Eu sei que você está aí. – Ele disse, morrendo de cagaço. Mas nada aconteceu. A Tv continuou desligada. Ele resolveu rezar um “pai nosso”. Mas nada aconteceu mesmo assim.

Cosme então, foi até o segundo andar. Encostou o ouvido na porta do quarto do menino. Nada aconteceu. Nenhum sinal de Breno.

Cosme foi até o quarto, sentou-se, sem saber o que fazer. Aquela seria uma longa noite.

-Tio? – Ele ouviu uma voz fina atras de si. O coração quase saiu pela boca ao dar de cara com o menino na porta do quarto.

-O-o-oquê-o quê você ta fazendo aqui, Breno? – Ele disse, gaguejando com todos os seus pêlos arrepiados.

-Tô com fome, tio.

-Como que você saiu do quarto?

-Pela… Porta ué.

-E como você abriu?

-Já tava aberta, tio.

-Oh Shit! – Cosme gemeu. Estava mortificado de cagaço. Com o maior medo que jamais havia sentido em sua vida. Alguém ou alguma coisa tinha aberto a porta do quarto do menino.

-Tá. Tá. Vamos comer. Vamos… Vamos num restaurante! Que tal?

-Oba!

-Vem, bota o casaco. Não, não. Vamos sem casaco mesmo! Vamos, vamos!

-Calma Tio, ai meu braço!

Cosme pegou o menino pelo braço e desceu as escadas correndo, em desespero. O corpo dando calafrio direto. Entrou no carro e acelerou. Só aós vencer várias quadras com o garoto do lado que ele começou a relaxar.

O menino olhava pra ele em silêncio dentro do carro.

-Que foi? Que foi, Breno?

-Eu gosto de pizza de queijo, tio.

Cosme deu uma sonora gargalhada.

Horas depois ele ainda estava na pizzaria. O dono se aproximou da mesa.

-Senhor, nós vamos fechar. Quer mais alguma coisa?

-Não, não. Pode trazer a conta.

-Aqui está.

Cosme pagou a conta da pizza e olhou as horas. Eram duas e meia da madrugada. O menino estava dormindo com a cabeça na mesa.

-Coitadinho.  – Pensou.

Cosme não estava com coragem de voltar à casa. E se a coisa voltasse a se manifestar? Quem destrancou a porta?

Ele voltou com o menino dormindo no bando de trás do carro. Entrou na garagem, colocou Breno no colo, subiu as escadas e colocou o menino no quarto. Tornou a trancar.

Voltou para o quarto dele. Trancou a porta, passou a cadeira sob a maçaneta. Verificou as janelas. Estava morto de medo. Ligou a tv do quarto para tentar dormir. Ficou até altas horas vendo uma entrevista chata até que pegou no sono. Acordou com um estranho chiado. A Tv do quarto tinha timer e estava desligada. Cosme olhou para o lado e quase gritou de terror. A cadeira estava no canto do quarto, a porta que ele havia trancado estava averta, escancarada e vindo da sala, o ruído e a luz azul da tv fora do ar.

-“Ah, não… porra!”  Ele disse, se levantando. Correu até o quarto do menino e viu a porta igualmente aberta. Correu pelas escada e o menino estava lá… Mas dessa vez ele estava falando com a televisão fora do ar. Ele estava sussurrando, não dava para ouvir o que o menino dizia. Cosme desceu e quando pisou no chão da sala, a tv desligou bruscamente. O menino caiu para trás.

Cosme acendeu a luz da sala. Acendeu toda a casa. O menino estava dormindo diante da enorme tv de 50 polagadas desligada. Cosme colocou a mão no aparelho, ainda estava quente.

Olhou no console e viu o gravador portátil. Cosme foi até ele e o desligou. Hesitou se devia ou não ouvir o que estava gravado ali.

Ele foi então, pegou o menino novamente, levou até o quarto. Tornou a trancar tudo. Desceu as escadas, foi no quartinho, pegou  uma corda. Voltou ao segundo andar, entrou no quarto, amarrou o menino na cama.

Trancou a porta, entrou o quarto dele. Deitou-se. Ainda eram quatro e vinte. Faltava muito para amanhecer o dia. Cosme estava decidido. Assim que Selma aparecesse, ele entregaria o garoto e sairia direto dali para São Paulo onde pegaria o primeiro vôo de volta para os Estados Unidos que estivesse saindo.

Fechou os olhos. Ouviu o barulho do menino se debatendo na cama. O som das batidas, certamente a cabeceira da cama batendo na parede do quarto dos pais dele.

Cosme tentou dormir. Precisava dormir. Estava muito cansado.

Abriu os olhos e viu sobre o criado mudo o pequeno gravador preto. O que haveria nele? O aparelho tinha uma memória interna capaz de registrar 64 horas de audio comprimido.

Tomou coragem, resolveu escutar. Colocou os fones de ouvido.  Selecionou o aquivo no menu do aparelho e apertou o play. Durante horas o gravador só gravou ruídos da rua. Cosme acelerou o audio, até chegar num pequeno ponto do gráfico. Era a Tv ligando. Mas era só ruído branco.

Cosme foi acelerando até o fim do arquivo e então começou a voltar. Ali ele escutou a voz de Breno.

-Eu vou matar ele, pai. Vou matar. Tá bom, pai. Eu mato. Eu mato ele pra você, pai. A mamãe prometeu, pai. Ela disse que ia pegar o titio você voltar, pai. É essa noite. Quando ele voltar. A mamãe deu o veneno. Ta comigo, pai. Eu tô com saudade, pai. Volta logo, pai. Tá bom. Tá bom. Vamos sim, pai. Vamos matar ele e ficar com a casa…

Cosme começou a se benzer e não conseguia parar.

Levantou da cama, se enfiou nas calças, calçou os chinelos, agarrou a mochila, saiu correndo e passou feito uma bala, de pijama mesmo pela sala. A tv estava ligada.

Ele correu pra rua. Foi até o ponto de taxi na esquina, entrou no primeiro que viu e dali foi pra São Paulo. Tomou banho e vestiu roupas compradas no aeroporto. Lá mesmo ele embarcou para Miami e de lá para Nova York.

-Nunca mais soube do menino?

-Não.

-E a mãe?

-Nem faço ideia.

-Que história louca, cara.

-Deus me livre! – Disse ele, se benzendo mais uma vez.

 

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45 comentários em “Uma história estranha”

  1. Que bizarra essa história Philipe, fiquei com uns calafrios tenebrosos aqui, é que normalmente nem ligo pra creepypastas ou pra outras lendas de terror, mas vindo aqui do seu blog…
    Esse Breno me lembrou o Balloon Boy do Five Nights at Freedy’s 2

    http://vignette4.wikia.nocookie.net/freddy-fazbears-pizza/images/c/c8/BBInTheAirVent.png.png/revision/latest?cb=20141111093731

    Bom… dormir hoje pra que, né?

  2. Você leu a 1h ? Eu acabei de ler agora 2:12 no escuro e minha esposa tá dormindo ! eheheh
    Mas pra mim isso é tranquilo. Não que eu seja machão e não sinta medo, não é isso. É que eu sou viciado em filmes de terror desde que era criança. Meus pais desnaturados sempre me deixavam dormir tarde quando criança (eles também dormiam) e assistir qualquer coisa na TV. então eu assistia filme de terror direto e claro, o Cine Prive da Band (na minha infância acho que assisti todos os Sexta Feira 13, A Hora do Pesadelo e Emmanuelle). E até hoje assisto vários filmes de terror, mas com o tempo você acaba ficando mais “resistente” ao medo, então hoje em dia pra eu ter medo tem que ser uma coisa sinistra mesma. E essa história acima não cheguei a me cagar de medo, mas óbvio que não passou desapercebido. Posso dizer que foi válido para me apertar um pouco mais na coberta e me ajudar a dormir daqui a pouquinho.

  3. Ah ! E antes que eu me esqueça… Philipe é FODA escrevendo ! Os detalhes e os palavrões é que dão o tom de realismo. Na vida real, se alguém se assustar com algo sobrenatural, a pessoa não vai dizer “nossa”, ou “meu Deus”, ou “o que que é isso” como nos filmes americanos. No máximo eles mandam um “WTF”. Eu, pelo menos, faria idêntico ao Cosme ou pior, mandaria um “PQP ! Caralho ! Que porra é essa ?”.
    Sem contar os detalhes da mulher “ele queria era comer a gostosa”. Óbvio ! Nada mais natural pra um homem que conhece uma gostosa dando mole. Se falasse simplesmente que “ele estava encantado com sua beleza” o Cosme seria viado. ehehe
    Enfim, sem querer puxar saco, Philipe manda muito bem escrevendo. Eu confesso que não sou fã de leitura (queria ser, mas não sou). Sempre me empolgo, compro o livro, começo e paro no meio.
    Mas como as história do Philipe são várias relativamente curtas, ao invés de uma história grande, pra mim fica perfeito.

  4. Sem querer ser chato, mas…

    Em determinado ponto da história, Cosme leva o menino pra uma pizzaria de carro, mas na hora de fugir da casa ele prefere pegar um táxi???

    A distância de Londrina para São Paulo é de 462Km. Cosme deve ter pego o motorista de táxi mais desesperado que tinha naquele ponto.

    Nenhuma TV moderna mostra estática. Geralmente é apresentado uma tela preta com um aviso de sinal não encontrado ou algo assim e, as um pouco mais antigas, mostram uma tela azul.

    • NO caso, creio que o cara saiu tão com medo que não pegou a chave do carro. Certamente o motorista do taxi adorou, já que essa é a corrida que todo taxista quer fazer. Tenho um amigo que ja fez Rio SP de taxi. E minha tv é moderna e mostra estática, (mesmo quando não é manifestação do capiroto, hehe) me parece que o recurso da tela azul é configurável.

      • Hum… A justificativa do carro é plausível. Sobre a TV, admito que posso estar enganado quanto a todos os aparelhos. Agora, sobre o taxi, eu ainda acho um pouco absurdo que se consiga achar taxista pra fazer uma viagem de mais de 5 horas (mais de 10, na verdade, contando a volta) assim de última hora. Sem falar que, para um cara com quem dinheiro não é problema, é muito mais jogo (e talvez mais rápido) pegar uma ponte aérea pra SP no aeroporto local de Londrina e de lá pegar um voô internacional pros EUA

  5. Vocês não tão entendo, eu to lendo isso as 4 DA MATINA HAHAHAHA. Puta cagaço! Muito bem escrito, adorei… Agora deixa eu pegar o meu Taxi, porque eu não durmo hoje.

  6. Eu eu que comecei a ler esse texto era mais ou menos 4:20 o mesmo horário do texto e estou sozinho em casa! Vou ficar acordado esperando o sol nascer pra poder dormir!!

  7. Perfeito a estoria.
    Contos de terror q envolve ocultismo geralmente da um cagaço em qualquer um rsrsrsrsrs só depois de ler o primeiro comentário q fui ver q isso é ficção.
    Todo caso parabéns pelo conto Philipe
    Escreva mais contos nesse estilo pfv!

  8. Só parando para dizer que gostei muito da história e da maneira como você escreve. E prefiro ler tudo em uma pancada só, do que ter parte 2, parte 3, etc… Já acompanho o blog há anos, então sei que é bom dar um ‘ping’ de vez em quando.

    Abraços,
    Alê

  9. Muito bom!
    Comecei achando que era verdade, ai começaram os detalhes na trama que só vc sabe fazer, como o faxineiro dizendo á ela que era proibido fumar ali.
    A única coisa que me fez parar e pensar foi a tal estática na tv de 50 polegadas, apesar de ser configurável, geralmente só fica com estática na Tv aberta, isso se configurar, mas ali pelo jeito eles estavam vendo um dvd, no ïnput” não ficam estáticas…
    Mas apenas um “detalhe” nessa história Sensacional!
    Como TODAS que vc escreve.
    A minha favorita até hoje foi A CAIXA.
    preciso ler o Conto da cabana ainda.

  10. Genial. Serio, creepypasta animal com fundo moral: cuidado com o que come HAHAHA!

    Mas vim para fazer um adendo: pelo menos a minha LG pega estática quando eu coloco no input do sintonizador de tv aberta, por eu não ter conectado uma antena. Então, detalhe viável.
    Sobre o táxi, o CÚ do Cosme não tava deixando passar nem fibra ótica. Bobear, ele ia sair voando com uma vassoura se desse. No nervoso, caiu pro taxi, dá para entender isso. Apesar de uns erros de digitação e revisao, tá duka o texto. Parabéns, Philipe!

    • Eu não revisei. O Davi tava no meu colo enchendo o saco querendo dormir, não consegui revisar nada. E meu teclado ta ficando com a pilha ruim, assim deve estar cheio de palavra faltando letra no texto.

  11. Muito legal, Philipe,
    O terror não me impressionou como a alguns comentaristas, talvez porque leio ao meio dia, sei lá. De algum modo e muito mais desenvolvido e sofisticado – claro – o conto lembrou-me as revistinhas de sacanagem do grande Carlos Zéfiro. A descrição do corpo da Selma está curta mas sensacional. Às vezes me pergunto se acontece com todos os homens essa coisa enlouquecedora com alguns ângulos e estéticas de alguns corpos femininos, tipo assistir a um filme merda inteirinho no aguardo de algum ângulo do corpo de uma mulher… Até sua transa por trás…hummmmm.
    Gostei muito,
    Um abraço,

  12. Dukacete, putz adorei, a gente lê imaginando cada detalhe, cada personagem, o Cosme então, já imaginei um cara alto, magro, cabelo liso mas sem corte definido, olheiras, barba por fazer, ou seja, parou de se cuidar desde que tudo começou, a Selma parece minha prima. Muito bom, comecei a ler com a intenção de continuar em casa, visto que estou no trabalho, mas não consegui, deixei tudo acumular para poder terminar de ler… Podia virar filme, até uma série, um episódio o Cosme desesperado no bar, outro a estória do Pai do guri e por aí vai… ia ser fantástico. Parabéns mesmo, queria esse cérebro… rs

  13. Selma do Recife????
    Quem tiver coragem que procure Selma recife no xvideos, principalmente um que ela enche uma caneca de cereais com leitinho…
    Mas só pra quem tem coragem

  14. Quem sabe um dia eu não me depare com um conto desses se passando na minha Rio Claro (SP); afinal, o incrível número de lendas urbanas, mistérios e avistamentos ufológicos que aqui existem e que o povo não gosta de comentar é absurdo, ou seja, cairia bem um conto aqui kkkkkkkk. Parabéns pelo brilhante texto, não sou muito de ler contos de creepypasta, mas esse tava sensacional!!

  15. Cara, que creepypasta da hora. Sou de Londrina, caipira pé vermeio, e eu não ficaria espantado se isso fosse um relato real.

    Já aconteceram varias coisas bizarras comigo por aqui, uma das mais bizarras que eu lembro foi quando eu era criança, tinha uma moça universitária que morava sozinha numa casa que ficava em uma viela aqui do bairro, era uma casinha geminada e a moça vendia geladinho. Certa tarde eu e uns amigos passamos lá pra comprar geladinho, gritamos a moça e ela respondeu de um jeito esquisito, e falou pra gente entrar pra escolher os sabores que a gente queria, o que foi mais esquisito ainda, porque a gente sempre gritava de fora do portão a quantidade e quais os sabores. Falei pra molecada que tava esquisito aquilo, um amigo retruco falando que a gente devia entrar logo, pois vai que ela tava trocando de roupa e queria que a gente visse ela pelada.
    No tempinho que se levo pra decidir se a gente entrava ou não na casa, eis que a moça do geladinho aparece descendo a viela. Ela vê a gente ali aglomerado na frente da casa e tira um sarro, perguntando quanto tempo a gente tava esperando ali. Ai falamos pra ela o que tinha acontecido, ela pede pra gente entrar com ela na casa pq aquilo realmente era estranho, já que ela morava sozinha. Ela chamou o vizinho da casa ao lado para dar uma olhada, abriu o portao e entregou a chave na mão dele para que abrisse a porta.

    Resultado, o cara entra na casa e diz q não tem ninguém lá dentro, a moça entra e confirma que não tinha ninguém mesmo e oferece geladinho de gratis pra gente. Não aceitei o geladinho e nunca mais voltei lá pra compra, foi uma coisa bem esquisita.

  16. Praticamente um Damien.
    Não é a toa que o Cosme pegou esse cacoete. Mas vem cá, pelo jeito ele não conhecia nenhum centro espírita né?
    Fosse eu, chamava um médium no primeiro cagaço.

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