Tributo a Zelda

021 | Arte | Arte, bizarro, digital, games, japão, photoshop, pintura

Se você acha que já viu de tudo em termos de homenagem a videogame, prepare-se para rever seus conceitos. Em 2011, quando a lendária franquia The Legend of Zelda completou seu 25º aniversário, a internet foi tomada por uma enxurrada de fan arts, covers musicais e tributos. Mas um cara, movido por uma paixão que beirava a insanidade, decidiu que um simples desenho não era o suficiente. Ele pegou um software de pintura digital e fez o que só um verdadeiro joselito (ou seria joselitice?) faria: recriou a abertura clássica de “A Link to the Past” quadro a quadro, à mão, no MS Paint. Sim, aquele programa básico que vinha com o Windows e que a gente usava pra fazer rabiscos tortos.

O resultado é tão impressionante quanto absurdo. São mais de 1.800 quadros pintados individualmente, uma jornada de dedicação que deve ter consumido incontáveis horas e, certamente, a sanidade mental do artista. Assistir ao vídeo é uma experiência hipnótica. Você começa pensando “ah, é só uma cópia”, mas logo percebe a textura, os pequenos erros que humanizam o traço, o tremido da linha que o Paint não permite consertar facilmente. É arte feita no limite do possível, com a ferramenta mais improvável. Saca só que maneiro esse nível de comprometimento?

Por Que o MS Paint Vira um Desafio Heróico?

Vamos combinar: o Paint não foi feito para isso. Suas ferramentas são limitadíssimas, não tem camadas, a mistura de cores é uma tarefa de paciência budista. Fazer um círculo perfeito já é um desafio, imaginar recriar a atmosfera mágica de Hyrule? É como tentar esculpir a Monalisa com uma colher de pedreiro. Essa limitação, no entanto, é justamente o que torna a obra tão especial. Ela transpira esforço. Cada pixel, cada preenchimento com a lata de tinta que vazou onde não devia, conta a história de uma batalha pessoal entre o artista e a ferramenta.

O vídeo em si é uma viagem nostálgica dupla. Primeiro, pela memória afetiva de quem jogou “A Link to the Past” no Super Nintendo e se arrepiou com aquela abertura que mostrava a história do reino. Segundo, por nos transportar para uma era mais simples da internet, onde as pessoas faziam coisas incríveis “só porque sim”, e compartilhavam em fóruns e blogs, sem a pressão dos algoritmos. Era um tempo de pura expressão criativa. Lembra?

Zelda: Mais Que um Jogo, Uma Fábrica de Inspiração

Esse tributo maluco é só a ponta do iceberg de como Zelda impacta a cultura. A franquia, criada por Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka, não se limitou a vender milhões de cópias. Ela moldou a estrutura dos jogos de aventura e ação, introduzindo conceitos como um mundo aberto progressivo e a resolução de quebra-cabeças integrada à exploração. O próprio nome da série vem de Zelda Fitzgerald, a icônica escritora e socialite americana da Era do Jazz, escolhida porque aos criadores soava “agradável e significativo”.

E não para por aí. A música da série, composta por gênios como Koji Kondo, se tornou sinfônica, tocada por orquestras ao redor do mundo. A arte dos manuais e das caixas inspirou uma geração de ilustradores. O que esse cara fez no Paint é, no fundo, a mesma essência: pegar algo que ama e reinterpretar com os recursos que tem. É a democratização da homenagem. Não precisa ter uma mesa digitalizadora cara ou o software mais moderno; basta ter a vontade. Às vezes, a ferramenta mais simples é a que exige mais criatividade.

Eu mesmo, quando era mais novo, tentava desenhar o Link nos cantos da caderna da escola e nunca saía nada parecido. Ver um trabalho desse nível me faz sentir uma mistura de admiração e uma invejinha saudável, sabe? A gente pensa “poxa, eu nem consigo fazer um sol direito no Paint”.

O Legado de Uma Loucura Criativa

Passados mais de dez anos desde que esse vídeo foi postado, ele permanece como um testemunho viral de como o amor por uma franquia pode levar a atos de pura devoção artística. Ele não é apenas sobre Zelda ou sobre Paint. É sobre o impulso humano de criar, de deixar uma marca, mesmo que o meio seja considerado “inferior” ou “brincadeira de criança”.

Num mundo onde a produção digital é cada vez mais polida e perfeita, assistir a algo assim é um respiro. É imperfeito, é tremido, é cheio de “erros” que na verdade são assinaturas. É a prova de que o valor da arte não está necessariamente no toolset utilizado, mas na ideia e no suor por trás dela. O cara não perdeu a noção. Ele só tinha uma noção diferente, e decidiu segui-la até o fim, lá na casa do cacete da exaustão.

Então, se você gosta de arte digital, de Zelda, ou só de histórias de gente fazendo coisas extraordinárias com o ordinário, esse vídeo é um prato cheio. É pra sofrer de emoção mesmo. A versão em HD está logo abaixo, para você apreciar cada pincelada digital dessa obra-prima da teimosia criativa. Valeu, Wilson Iwasawa, pela dica sensacional que atravessou a década.

Aqui está o link para a versão em HD

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16 Comentários

  1. Bianca

    Eu queria saber quanto tempo ele ficou pra fazer isso. Têm coisas de photoshop ou 3D que você fica horas fazendo, mesmo esses programas facilitando muita coisa, imagina assim, na raça…

    1. Philipe3d

      eu aposto fácil em umas 9, 10 horas.

      1. .marcamaria

        É que não aparece no começo, mas se esse FDP (tem outro nome?) fez isso sem um rascunho como bg, aí sim o grau de joselitisse vai para as núvens!

        .faso

      2. roberto

        caraa… eu digo uma semana….

  2. Kamperbmx

    Faço isso com um 486dx2 e windows 95.

  3. L Irrthum

    o capeta deve ter encarnado nele…

  4. Ygor_samurai14

    muito da hora,zelda é um dos meus jogos preferidos.

  5. Olavocruvinel

    Muito bom! Philipe, uma sugestão: seria legal se vc criasse uma nova nota direcionada aos melhores jogos de video games de todos os tempos. Alguns videos, fotos, descrições de seus produtores, história do game, etc. Seria uma boa opção para degustarmos uma nova leitura.

    Abçs!

    1. Philipe3d

      Boa ideia, é uma ótima dica. O problema de fazer isso é que com milhões de games no mercado, como eu saberia quais os melhores? E os que eu não joguei? Como eu faria para definir o melhor? Teria que ser pela minha opinião, né? Mas se não joguei todos, não ficaria uma lista tendenciosa? O que eu tenho feito é um post por ano listando os que eu mais gostei de jogar.

  6. Fernando

    Essa foi a OBRA DE ARTE mais FODA que eu ja vi em toda a minha vida e que eu provavelmente vou ver.
    Alem de me maravilhar por pelo menos uma hora olhando pra ela, eu consegui relembrar TODOS os personagens ali. Zelda fez uma grande parte da minha infancia, fiquei muito contente de poder ver uma maravilha que nem essa.

  7. Mollrimbaud

    Tirei os 14 minutos pra ver o video. Me pareceu over, mas impressionante o que o cara faz!

    Me lembrou Bosh e tambem a Porta do Batisterio de Sao Joao Batista rs rs rs

    Assim como o havy metal lembra musica classica, isso me lembra Barroco ou Maneirismo. Como se chama esse tipo de arte? Nao sei…

    1. Philipe3d

      speed painting.

  8. Mollrimbaud

    Retificando: Bosch

  9. Mollrimbaud

    Tava procurando sobre Manerismo no Google agora… Isso lembra o Juizo Final da Capela Sistina… rs rs

  10. Herbert Dariel

    O cara é pica mermão. Só de pensar na coragem q o artista teve q tomar pra começar a fazer a obra. Ele deve ter aumentado uns 3 a 4 níveis de artista só nessa imagem, pq eurendo ou não a gente sempre acaba um desenho sabendo alguns truques novos ou então formar de agilizar efeitos de luz, reflexo, sombra, etc. E outra q o cara fez tudo matchpainting, nem esboçou com o lapis nem nada, ja foi mandando bala. O artista é meu herói.

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