Soneto da mulher ilustrada

Sozinho com meu giz pastel
Desenhei seus lábios no papel
Marquei seus olhos cor de céu
Acariciei seu corpo a pincel

E nas voltas que o mundo gira
Pensava que tu eras mentira
Doce mistério de vampira
Delírio carnal que me inspira

Mas vi que tu eras verdade
desenhava com facilidade
toda tua sensualidade

Por medo matei meu amor clandestino
Rasguei o papel genuíno
Ser só era meu destino

7 comentários em “Soneto da mulher ilustrada”

  1. Uma coisa que dá a maior diferença em um poema é o ritmo: você pensar na seqüência de sílabas fortes e fracas.

    Neste aqui o primeiro verso de cada estrofe é sempre sáfico (4a., 8a. e 10a. sílabas fortes), mas os outros são jambos (fraca-FORTE) regulares:

    Hão de chorar por ela os cinamomos,
    Murchando as flores ao tombar do dia.
    Dos laranjais hão de cair os pomos,
    Lembrando-se daquela que os colhia.

    As estrelas dirão — “Ai! nada somos,
    Pois ela se morreu silente e fria…”
    E pondo os olhos nela como pomos,
    Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

    A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
    Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
    Entre lírios e pétalas de rosa.

    Os meus sonhos de amor serão defuntos…
    E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
    Pensando em mim: — “Por que não vieram juntos?”

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