Religioso afirma que sua água benta (patenteada) vai curar o Ebola

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O controverso-pastor-curandeiro nigeriano TB Joshua, (que por acaso também é um milionário), está afirmando que sua água benta (patenteada) pode curar as pessoas que sofrem do mortal vírus Ebola.

Ele diz que enviou 4.000 garrafas de sua água especial, como parte de um pacote de ajuda para a Serra Leoa, por meio de seu jatinho particular.

Acredita-se que ele enviou uma doação em dinheiro de 50.000 dólares, junto com a água.

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A notícia da água benta de  TB Joshua vem em um momento inoportuno, uma vez que os médicos e autoridades sanitárias estão tentando convencer as pessoas nas áreas rurais que a ciência poderia ajudá-los com a doença, ao invés de recorrerem a apenas orações ou bruxaria. No entanto, a doação em dinheiro é certamente uma necessidade para ajudar a conter o surto de Ebola na nação do Oeste Africano.

O problema é que nessas nações tão pobres da África, mais que o Ebola, somam-se problemas de nutrição e de higiene.
A doação foi confirmada por Ernest Bai Koroma, o presidente de Serra Leoa. Os depoimentos revelaram que o dinheiro era para alimentar os afetados pelo surto de Ebola. O escritório, no entanto, não fez menção à controversa água benta do milionário religioso.

 

Ele diz que cura o EBOLA com água benta. Ah, tá.
Ele diz que cura o EBOLA com água benta. Ah, tá.

 

Durante anos, Joshua vem pleiteando a usar sua água mágica para curar uma série de problemas de saúde, incluindo infertilidade, tumores e muito mais. Ele também afirma que distribui com enorme sucesso sua água ungida em vários países, como EUA, Reino Unido, Grécia, Índia e Rússia, através de sua igreja, a “Igreja Sinagoga de Todas as Nações”, com sede em Lagos.

A água mística, segundo ele, tem ajudado a “doentes, aflitos e oprimidos”.

 TB Joshua foi um dos cinco pastores nigerianos milionários a aparecer na famosa lista da Revista Forbes em 2011.

Na época, o artigo estimou seu patrimônio líquido em US$ 10 milhões a US$ 15 milhões. O pastor é muito influente e tem centenas de milhares de seguidores em todo o mundo, com os quais ele realiza reuniões on-line e por telefone. Alguns seguidores afirmaram que eles foram curados de doenças como HIV e câncer, e outros dizem que ele previu com precisão o futuro, como os atentados de 2013 na Maratona de Boston e avisou até do desastre Malaysia Airlines M370.

Seus seguidores no Twitter somam mais de 107 mil pessoas, enquanto 1,2 milhões de pessoas deram like em sua página no Facebook.  TB Joshua também permanece conectado com sua rede maciça de seguidores através de sua própria rede de televisão, chamada “Emmanuel TV”.

Claro, existem os céticos que duvidam das reivindicações do pastor TB Joshua. Muitos questionaram seu calibre moral e um pastor surgiu inclusive alegando que TB teria lhe roubado sua esposa. Várias pessoas tuitaram contra sua afirmação de que o sua água benta pode curar o Ebola.

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“Certamente, TB Joshua deve estar infringindo a lei alegando sua água benta cura o Ebola”, escreveu uma pessoa. “Isso é muito sério para ser ignorado.”

“TB Joshua brinca com o medo, a ganância e a vulnerabilidade das circunstâncias precárias”. Twittou outra.

Enquanto isso, mais de um milhão de pessoas continuam afetadas pelo vírus mortal que assola a África Ocidental. Parece que a água especial não está funcionando, afinal das contas.

Como diz a máxima do cético, “Afirmações sensacionais, requerem provas excepcionais”. Eu gostaria de ver este pastor se contaminar com ebola e se curar apenas bebendo sua água benta.

Mas o lance da água benta é mais trágico do que parece.

No fundo, a jogada com a “Água benta que cura o Ebola” soa como uma perversa estratégia de Marketing, para se fazer notar pelos Estados Unidos e outros países, (cheios de otários precisando desesperadamente ser separados de seu dinheiro)  e assim ele vai  pegando uma carona na atenção que o medo do Ebola desperta no planeta.

O cara está tirando um proveito malandro, usando o “factóide” da água benta. Não é de hoje que essas lideranças-milionárias-religiosas que não assolam apenas o Brasil, mas crescem feito um câncer na África (vide a crise neopentecostal), quando Angola proibiu algumas igrejas multimilionárias brasileiras de se instalar lá. Fato que gerou até um pedido de intervenção direta do presidente Lula, para liberar “nossas igrejas” – Um item que talvez você não saiba, mas é uma “exportação” nossa para o mundo.

Com 90% da população tentando sobreviver com menos de dois dólares por dia, com metade das crianças sofrendo com desnutrição crônica, o país africano tornou-se um poderoso centro de captação de adeptos para a Igreja Universal do Reino de Deus, a Iurd.
Com 90% da população tentando sobreviver com menos de dois dólares por dia, com metade das crianças sofrendo com desnutrição crônica, o país africano tornou-se um poderoso centro de captação de adeptos para a Igreja Universal do Reino de Deus, a Iurd.

A verdade é que uma grande parcela do mundo vê a África e seus países, de uma perspectiva abjeta. Tanto quanto nos primórdios da era das Navegações, a Àfrica ainda é vista como um espaço a ser controlado e manipulado, onde suas riquezas devem ser arrancadas a ferro e fogo e sua população dizimada com o menor custo possível.
É estranho para nós, Brasileiros, principalmente os acostumados a culpar os Yankees e o Tio Sam pela dominação e imperialismo, mas nós somos em muitos aspectos imperialistas. E infelizmente esse traço cultural contribui para uma disseminação escrachada das igrejas brasileiras na África, que como se não tivesse problemas internos suficientes para lidar, ainda vai ser vilipendiada por figurinhas carimbadas daqui, hoje em disputas que são verdadeiras guerras frias por quem abre mais templos, arregimenta mais fiéis e arrecada mais dízimo.

A Igreja Mundial do Reino de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, (um dos símbolos da nova moda dos pastores super stars) é só uma das várias denominações evangélicas brasileiras que cresceram muito na África nos últimos anos. Elas estão gradualmente se entranhando para todos os lados. Pelas ruas de Maputo – e de outras cidades africanas, como Joanesburgo (África do Sul), Luanda (Angola) e Praia (Cabo Verde) – é possível ver várias construções com o famoso coração vermelho e a pomba branca que identificam a Igreja Universal. Placas nas calçadas mostram onde se reúnem os seguidores da “Deus É Amor” em Maputo, “fundada em 1962 pelo missionário David Miranda”, como indica o letreiro.

As religiões neopentecostais se dão bem especialmente em lugares pobres, porque diante da pobreza e do desespero, a pessoa se verga e aceita qualquer esperança de melhoria de vida que lhe for sinalizada, e a melhoria de vida é justamente o mote da “Teologia da prosperidade”, inventada pelo Edir Macedo. 

O cristianismo chegou à África com os colonizadores europeus. Em Moçambique, a religião foi trazida pelos portugueses católicos. De acordo com o 3º Censo da População (2010), 5,7 milhões dos 20,2 milhões de moçambicanos são cristãos. Cerca de 3,1 milhões são protestantes de igrejas tradicionais e 2,9 milhões são evangélicos pentecostais. O islamismo chegou antes à região, principalmente, na parte Norte do país e, atualmente, cerca de 3,6 milhões de pessoas se declaram muçulmanas. 3,7 milhões de moçambicanos se declaram seguidores de crenças africanas. Mas, tal qual no Brasil, lá na África, vários adeptos de uma religião não deixam de ir ao curandeiro ou de pedir proteção aos espíritos mais diversos.

Durante os anos de governo socialista, o Natal foi oficialmente substituído no calendário moçambicano pelo Dia da Família. Mas, hoje em dia, árvores coloridas e bonecos de Papai Noel (chamados de Pai Natal, à moda portuguesa) vestidos para o frio voltaram a ocupar as vitrines das lojas, em meio aos 40 graus Celsius comuns nesta época do ano.

O Jesus Cristo das igrejas evangélicas chamadas neopentecostais é o mesmo; a Bíblia também. Mas cada pastor tem seu rebanho. Algumas igrejas pedem abertamente a contribuição do dízimo, obrigação de que nem mesmo os habitantes dos países mais pobres do mundo parecem estar isentos. Outras fazem questão de indicar que o foco é outro. “Aqui não se vende milagre”, diz o apóstolo Santiago, durante pregação em Maputo. “E quem faz milagre é Deus, não é punhado de sal grosso”.

Mesmo tentando marcar diferenças, em pelo menos um aspecto as denominações evangélicas vindas do Brasil parecem estar de acordo: o combate ao que chamam de “feitiçaria, magia negra, coisas do demônio”, que acabam associadas às práticas de curandeiros e médicos tradicionais, tão comuns em toda África.

Há uma boa explicação para o crescimento desmedido das igrejas neopentecostais na África. É que elas produzem uma espécie de congregação, onde as pessoas encontram um conforto social em m,ujitos caos maior que o conforto espiritual, que é o grande atrativo.

Nesse aspecto, as “igrejas brasileiras” ajudam a reorganizar a vida social de muita gente que saiu do interior do país sem a família (vários empurrados pela Guerra Civil, que acabou em 1994) e perdeu suas referências. “A cultura africana funciona com base na família, clã, tribo. Os expatriados, ao vir de sua aldeia para cidade, já não têm esse conforto. Então acabam por ser as religiões de espírito pentecostal que fazem o papel que a tradição fazia, de cobertura comunitária.”

O fenômeno é tão impactante que hoje os próprios curandeiros estão sendo influenciados pelas igrejas evangélicas. Antes não se via anúncio de médico tradicional nas ruas e agora, eles existem, pois estão imitando o marketing agressivo das igrejas brasileiras, e essa “agressividade comercial” já se reflete até no português falado na África. “Erres” e “esses” puxados, expressões no gerúndio e voz gutural são comuns nas pregações na televisão e no rádio. É preciso prestar atenção para notar se o pastor é brasileiro ou moçambicano. Não há dúvida que as novelas e a música brasileiras [extremamente difundidas no país] contribuem, mas já há uma influência linguística indiscutível também por meio da religião.

Independentemente do impacto positivo que as religiões causam nas populações locais, é inegável o fato de que todas essas denominações encontraram um terreno fértil para crescimento rápido. E essa capilarização religiosa entranhada no continente só se explica pelo LUCRO. Não é atoa que essas religiões prosperam tanto. Estão se enchendo de dinheiro, veja você, justamente no lugar onde ele faz mais falta.

Fontes: Vocativ , The Independent fonte

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10 comentários em “Religioso afirma que sua água benta (patenteada) vai curar o Ebola”

  1. Pois é Guilherme Tochetto, é impressionante a fragilidade instalada na mente de boa parte das pessoas. São levadas, em seu desespero, a depositar sua fé nesse tipo de líder espiritual que enriquece descaradamente à custa dos outros. Lamentável e trágico. Me chamou a atenção no artigo o desserviço que ele presta fortalecendo a ignorância em detrimento da informação. Abraço fraterno.

  2. Eu já li a Bíblia inteira 14 vezes e, se for contar as vezes que deslizei a superfície de algum livro sinoptico ai dá umas 20 vezes e entendendo a ótica do Grande Phillipe entendo que doutrina de religião é igual a tempero de comida, um coloca mais sal e sobrevive, outro menos e ídem. O que importa não é a dedicação mas o exemplo diário. Triste certas coisas que presenciamos Phillipe. Abraços cordiais a vc e família e durma com Jesus.

  3. Os comentários mais sensatos que lí hoje na internet! Queria que pelo menos 10% da população mundial pudesse pensar assim, já nos ajudaria a salvar essas pessoas dessas loucuras e desses loucos.

  4. Estive por mais de um ano em Moçambique, e realmente lá a IURD manda! Se eles quiserem eles botam fogo no país, tamanha a força que essa "igreja" tem por lá. Me revoltava, mas fazer o quê…

  5. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou hoje (20) oficialmente a Nigéria livre do ebola, após 42 dias – ou dois períodos de incubação – sem qualquer novo caso confirmado do vírus. “O vírus desapareceu. O surto na Nigéria foi derrotado. Esta é uma história de sucesso que mostra ao mundo que o ebola pode ser contido”, disse o representante da OMS no país, Rui Gama Vaz, em Abuja, capital nigeriana.

    O ebola, que se transmite por contato direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infectados, foi identificado pela primeira vez em 1976. Não existe vacina, nem tratamentos específicos e a taxa de mortalidade é elevada. O período de incubação da doença pode durar até três semanas.

    Segundo o último balanço da OMS, o ebola causou mais de 4,5 mil mortos em cerca de 9 mil casos registrados na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné-Conacri, os mais afetados. Também houve registros na Nigéria, no Senegal, na Espanha e nos Estados Unidos.

    A chegada do vírus ebola à Nigéria, a mais populosa nação africana, a principal economia e o maior produtor de petróleo, provocou receios da sua rápida disseminação pelo país de 170 milhões de pessoas.

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    Mas este cenário não ocorreu e especialistas de saúde envolvidos no combate ao surto da febre hemorrágica elogiaram as autoridades por sua resposta rápida.

    No total, morreram oito pessoas de 20 casos confirmados na maior cidade da Nigéria, Lagos, e no centro petrolífero de Port Harcourt, tendo sido monitoradas cerca de 900 pessoas para se detectar  sintomas da doença.

    Além de acompanhamento dos que poderiam ter tido contacto com os doentes, a Nigéria introduziu inspeções de rastreamento médico rigoroso em todos os aeroportos e portos para chegadas e partidas.

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