Recasting e o caminho sem volta rumo à desgraça

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Como muitos leitores do Mundo Gump sabem, eu sou escultor e eventualmente acaba tendo pouco post aqui porque a demanda de trabalho nessa área de design e arte começa a consumir todos os recursos que eu tenho de tempo. É uma merda isso, e eu sempre me sinto em falta comigo mesmo quando passo por esses períodos de grande atividade no escritório sem poder pesquisar, escrever, terminar as pendências, como o conto do Raiden…

O que é ainda mais chato é que enquanto estou trabalhando, modelando ou fazendo moldes, fundindo peças de resina e tal, a mente esta solta na pista, criando e tendo mil ideias, vagando entre milhares de pensamentos completamente diferentes, como uma abelha perdida numa floricultura.

O legal de trabalhar com arte é que tem esse viés terapêutico, que nos momentos em que você não esta surtando de pânico de não cumprir os deadlines de contratos, é muito bom.

Hoje estava aqui pensando numa escultura comissionada da Mulher Maravilha que se tornou um bom e um péssimo negócio pra mim. Bom porque eu nunca tinha trabalhado nessa escala da peça (enorme, com mais de 50cm de altura) o que me deu quase que uma pós graduação em escultura de tanto que aprendi no processo. Mas foi péssimo, porque quando realizamos o contrato da peça, foi um período em que minha esposa tinha terminado o contrato da Marinha, estava desempregada, eu estava tendo que segurar todas as contas num momento de poucos clientes, (leia: eu estava desesperado como todo empresario praticamente está o tempo todo nesse país)  e estabelecemos um valor muito abaixo do que deveria ser estabelecido, porque cometi um erro básico de avaliação:

Achei que minha disponibilidade de tempo seria a mesma daquele momento.

Infelizmente o tempo é uma porra duma unidade democrática mas extremamente incontrolável. Ele passa, você trabalhando ou não, ficando doente ou não. O tempo não liga pra nós. Nós é que dependemos do tempo. Então eu planejei meu fluxo de trabalho nessa peça com base na minha habilidade de escultura (sou extremamente rápido esculpindo, e consigo fazer uma escultura do zero à peça pintada em 24 horas) mas esqueci de um detalhe que atrapalhou os planos: Essa peça seria feita em três fases, modelagem 3d, impressão 3d, retrabalho na peça 3d. E foi aí que eu me estrepei. A coisa começou a demorar muito mais que o previsto. Enfim, uma peça que foi contratada no final no ano passado está sendo feita até hoje. Claro que grande parte dessa culpa é minha e do cliente, que sempre queremos aperfeiçoar, perdi as contas de quantas partes eu joguei no lixo e recomecei do zero afim de deixar a peça com o máximo de qualidade que eu consigo (o que é ainda muito, muito longe do que as companhias Tops produzem hoje).

Esculturas colecionáveis, como essas de heróis (trabalho que eu detesto. Não gosto de criar heróis, sempre disse isso, mas sou profissional, se eu for contratado para fazer até a jeba do Kid Bengala, eu faço, sempre buscando o meu melhor) dão um trabalho LA-ZA-REN-TO para fazer. Dizem os entendidos que a gigante do setor, a Side Show leva até um ano no planejamento e desenvolvimento de uma unica peça, gastando muita grana no processo, milhares de dólares, e não vou te enganar, impressoras 3d de alta qualidade necessárias para “parir” certas peças se compra ao custo de milhões.

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Algumas peças da Side Show levam um ano ou mais para serem criadas, mas possuem um nivel de qualidade fantástico

Então estamos falando de um mercado onde existe um investimento BRUTAL para se chegar num produto final capaz de despertar o desejo de consumo num cliente e fazê-lo abrir mão de dois, três mil dólares para colocar uma estátua de resina em sua coleção. Na verdade, o tempo, o trampo e os gastos de artistas, insumos, tecnologia, licenciamento, tudo isso produz um volume tão alto de investimento,  que cada lançamento é um enorme risco, e não raro, apostas erradas podem jogar companhias promissoras na lona logo no primeiro round.

Recentemente, o Brasil viu um boom na área de colecionáveis quando começaram a aparecer aqui as empresas nacionais tentando competir com pé de igualdade com a qualidade gringa. É o caso da Iron Studios. Vou te contar, essa não é briga para peso pena. No segmento do peso pesado rola muita, muita grana mesmo, que se explica pelos custos e riscos. Mas no Brasil a coisa é ainda mais difícil, porque licenciamentos e contratos de direitos, como os necessários para se produzir heróis em larga escala sem o risco de ir para a cadeia, são pagos em dólares. E com nosso câmbio desvalorizado em 3X, o que é difícil para uma Side Show é três vezes pior para uma Iron Studios pagar. Mas é ainda pior, porque enquanto o mercado de consumo nos EUA tem grana para comprar os brasileiros, em sua ampla maioria trabalha o almoço para comer o jantar. Então aqui temos a situação de pagar 3X mais caro e oferecer o produto para um mercado 100X menor e 2000 vezes mais pobre.

Ainda assim, nego segue perseguindo o sonho de dar certo, até porque o segmento de colecionáveis está em franca expansão (dizem os otimistas que nessa área não existe crise) no Brasil apesar dos impostos, dos correios e sua baixa qualidade de serviço e de todos os demais problemas além da concorrência pela grana do cara. Se você faz um Batman aqui com toda a dificuldade jogando contra você e um grande fabricante como a Side Show, a Kotobukyia,  Hot Toys ou a Neca lançam um mais maneiro, o cara que tinha a grana pra comprar o seu vai comprar o deles e… Você se lascou.

Abaixo da linha dos pesos pesados estão dezenas, talvez cerca de uma centena de artistas, que visa morder alguma fatia desse mercado. É como todo negócio do mundo, existem níveis de consumo e um parque de produtores mirando e lutando por nichos. Se um cara é bom de escultura, e sabe o básico dos paranauês para criar sua peça, replicá-la e consegue vender sua produção a eventuais interessados, ele pode viver de sua arte. E não conheço um artista sequer que não tenha este sonho. Viver de seu trabalho, de sua arte.

 

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Joaquim Palacios é uma fera que cria originais e vende para pequenas fabricantes de kits de series limitadas

Colecionáveis é um mercado que cresce a cada dia, com cursos de escultura pipocando para todos os lados. Eu não tenho nenhum estudo além do meu feeling de habitar os grupos e fóruns onde estão esses caras para justificar, mas arriscaria dizer que talvez esteja aí o maior mercado de todos, senão estruturado, em potencial, sem duvidas. É os das peças de pequenas tiragens, customizações, repaints, e etc.

Esse é o mercado que deverá crescer nos próximos anos. Cada vez mais pessoas estão ficando esclarecidas com relação a comprar peças de artistas que eles conhecem. Um bom exemplo disso encontramos no segmento dos Toyarts. Caras pequenos, em oficinas, trabalhando artesanalmente, criando peças em escalas limitadas ou fazendo artes sob encomenda. É como no ramo da moda, existem gigantes como ZARA ou C&A e existe o alfaiate do bairro, a costureira de confiança e todos esses personagens coexistem em escalas diferentes no mesmo palco. Mas uma coisa une todos esses caras: Dá um trabalho miserável para fazer uma peça de qualidade.

O mercado de coleção no Brasil é pequeno, esta em expansão mas ainda é extremamente juvenil em termos de variação. Ele está focado gigantescamente em Heróis e Vilões, personagens de games e filmes, o que me parece um reflexo da imaturidade do mercado. Em mercados mais maduros, com colecionadores mais antigos, encontramos mais variações fora do universo de heróis bombados dos quadrinhos e cinema. São peças que se vende simplesmente porque são foda e absolutamente irresistíveis enquanto arte.

 

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Aris Kolokontes é um artista e fabricante que cria as próprias peças com sucesso sem precisar de recorrer a Heróis ou franquias

É pensando em todo este trabalho que vemos como é desleal o cara que compra uma peça de um grande fabricante (ou pequeno – ninguém está a salvo) e replica essa peça ilegalmente, gerando uma cópia pirata da peça e vendendo no mercado por uma fração do valor da original.

O nome que se dá a quem faz isso é recaster. Porque ele faz o recast (cast é a replicação em molde) das peças do mercado. Esse cara geralmente é alguém que em vez de criar peças e replicar suas próprias criações para vender a interessados, vai copiar uma peça do mercado e vender uma copia pirata. Não preciso dizer que o mercado de pirataria é gigantesco, cresce a cada ano e produz milhões de prejuízos.  Quase sempre as pessoas mais fodidas pelos recasters são os escultores dos originais. A razão disso é que quando uma empresa tem usas peças revendidas em recasts, a percepção de valor das originais é gravemente atingida. Quando um comprador que pagaria 3, ou 4 mil reais numa escultura compra a mesma escultura com qualidade menor, mas nem sempre tão menor quanto se propaga pagando 300 reais, vai ser muito difícil ele voltar a colecionar originais. Sempre olhará um original e pensará em quantas peças recasts ele poderia comprar para sua coleção por aquele valor. É um caminho sem volta para colecionadores pouco exigentes (como os nossos, que estão começando a colecionar, o que é diferente dos do Japão ou Estados Unidos que já tem toda uma cultura de décadas de colecionáveis – e mais dinheiro no bolso, obviamente).

Isso vai produzir a longo ou médio prazo uma redução drástica no mercado de consumo dessas peças. Chega ao ponto que as grandes fabricantes começam a quebrar porque todos os custos e dificuldades mais o consumo predatório de peças piratas não produz mais a segurança necessária ao mercado. As empresas fecham, menos escultores trabalham. O mercado começa gradualmente a sufocar. Então chega um momento em que começa a ter menos peças novas, e é a pior fase. O recaster começa a fazer recast do recaster concorrente.

Começa a guerra de “quem baixa mais as calças” entre os recasters. Quando chega nesse ponto, os escultores estão tentando fazer outra coisa da vida. Aquele breve momento em que o mercado estava em franca profissionalização, com cursos, com eventos, com pessoas aprendendo e buscando saber mais, já entrou em decadência, afinal quem quer ser escultor para passar fome?

Existem recasters que justificam suas atividades predatórias alegando que se ele faz uma copia de uma peça de alguém que não pagou os direitos de replicação do personagem para digamos, a Marvel Ou DC, não é roubo, porque em ultimo caso, essas pessoas também estariam agindo na ilegalidade. É basicamente o que nós vemos na política nacional, com os políticos pegos ou dedados por comparsas, alegando que roubou porque “todo mundo rouba”.
O recaster ao alegar isso esquece propositalmente que o “fan art” não é ilegal. Claro que se você fabricar cem, mil copias de um super homem e vender, você está infringindo o copyright. Disney, DC, e outras empresas que vivem de licenciamento realmente se preocupam (com razão) se pessoas estão ganhando dinheiro com a propriedade deles sem pagar pra eles. Acho justo. No entanto, se um garoto volta do cinema empolgado e  resolve fazer um boneco do Homem aranha para colocar na prateleira do quarto dele, não tem NADA que essas empresas possam fazer, e nem pega bem para elas darem porrada em peixe pequeno. Do mesmo modo, elas não se preocupam se um colecionador de Batman corre atrás de um escultor e encomenda a ele uma peça customizada como “o Batman que ele sempre quis e que nunca foi lançado”. A questão é puramente comercial. A preocupação delas está na escala mais alta.

O licenciamento é uma questão controversa por natureza. No que tange ao mercado dos garage kits, o fato é que o hobby não existiria se o licenciamento universal fosse aplicado indistintamente. Em parte eu credito isso às próprias grandes corporações, que não estão nem aí para criarem uma escala de licenciamento que atinja pequenos produtores. Eles não ligam, não querem saber, cagam e andam. Nada impediria, por exemplo à Disney, criar um sistema de licenciamento paralelo ao licenciamento de grande escala, voltado para pequenos produtores ou mesmo para licenciar o comercio no segmento do fan art. Imagine que um pequeno produtor gostaria de criar uma estatueta do Wolverine. Ele entra em contato com a Disney, apresenta o projeto mostra o plano de fabricação, são cem peças na tiragem.

Hoje, o cara que faz isso vai receber um email agradecendo e dizendo que para tal é preciso ser pessoa jurídica, e depois fazer um contrato de 3 anos (período minimo) onde ele vai pagar nada menos que 50.000 dólares a cada ano. Ou seja, é inviável.

 E claro, não preciso lembrar que não existe quantidade segura para escapar de um processo.

Dessa forma, podemos dizer que todas as replicações de personagens licenciados em pequenas tiragens estão sob risco de processo, apreensão e desdobramentos na esfera policial.  Mas uma outra coisa a considerar é que, independentemente de um personagem de um kit ser de um personagem licenciado, a escultura original está totalmente protegida pelas mesmas leis de direitos autorais, e é de propriedade do escultor ou do produtor daquele kit.

O recaster também pode justificar sua atividade alegando que causa pouco ou nenhum impacto nessas empresas, porque “elas ganham muito dinheiro” e logo elenca os preços exorbitantes de algumas peças, sugerindo que as empresas estão “tungando” o direito do colecionador em ter as esculturas com preços que “só playboys podem pagar” e dessa forma, ele tenta se atribuir um ar de Robin-Hood-pós-moderno, se convencendo que pirateando o trabalho alheio e vendendo por uma fração do custo da original, ele está “permitindo ao pobre ter arte em casa”.

A razão do grande impacto que o recaster produz no mercado é que suas peças sempre precisarão ser tão baratas que justifiquem sua atividade. Ele nunca pode botar o valor muito próximo do valor da original ou os compradores comprariam a original. Ele pode baixar o preço, porque ele não remunera o artista, e não remunera a cadeia de produção associada (gráficas, fabricas de embalagens, agencias de publicidade, assessoria de imprensa, pontos de venda, transportadoras…)

Ele também não consegue ter um trabalho muito esmerado na qualidade da peça, porque devido ao preço muito baixo, o custo operacional dele gira próximo ou já quase dentro do limite da inviabilidade. Assim, raramente o recaster consegue ter uma câmara de pressão ou usar silicone de alta qualidade nos moldes. Com custos baixos, ele precisa ganhar no volume. E com grande volume, o cara tem pouca paz, trabalha correndo, derrama a resina rápido no molde e sem câmara de desgaseificação ou pressão positiva, as peças saem cheias de bolhas.

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Um recast é uma copia da copia. Na esquerda, o recast e na direita uma original.

Mas existe uma boa explicação para as peças de recast serem em geral bem ruins. Como eu disse, ele ganha no volume, e volume implica em muitas replicas. Ocorre que resinas no processo de endurecimento, são reações fortemente exotermicas, (uma vez pegou fogo na minha lixeira com resina catalisando) Em peças muito volumetricas, a resina gera centenas de graus. Ocorre que a repetição dessa alta temperatura nos moldes de silicone degrada o molde severamente. Como o cara roda numa taxa de replicação alta para fazer dinheiro com baixo lucro, ele logo começa a foder os moldes. Mas com um negócio perigosamente perto do inviável, ele não tem grana para refazer os moldes a cada X peças, e essa é uma grana preta mesmo, já que silicone é um insumo caro. Daí vai de peça faltando pedaço, com bolha e até tampada com massa de funileiro de qualquer jeito pra aproveitar um recast. Quanto mais barato, pior fica. Mas calma que ainda piora: Para viabilizar seu ganho com margem estreita, ele precisa fazer o insumo render, e por isso, ele costuma batizar a resina (que já é a mais barata, e de baixa qualidade). Do mesmo modo, as tintas são poucas, e com extrema variação de pintura, porque não raro o recaster é um “Zezé faz tudo”. Trabalhando em condições limitadas, quase todo seu lucro tem que ser direcionado para a compra de originais que ele precisa para chupinhar as copias.

Então o maior drama dessa merda toda é que nem o recaster vive bem fazendo a putaria que ele faz, e ainda fode o mercado de trabalho dos artistas, minando a capacidade dos fabricantes e no longo prazo, ele mata justamente o mercado que ele sempre sonhou em atender.

Imagine-se no lugar de um escultor que pegou um trampo desafiador. Você passa meses colocando seu sangue, suor e lágrimas em esculpir a peça mais legal que você poderia conseguir ou fabricando um kit de qualidade superior (fundição, instruções, arte da caixa, promoção e publicidade, vendas e envio) dessa peça, alimentando sua  expectativa de que você poderia ganhar dinheiro suficiente com ela para fazer outra. Agora imagine como você se sentiria quando algum ladrão vem, fez uma imitação barata da sua peça e vilipendia seu trabalho por uma fração do custo, porque ele não teve nenhum investimento real dele mesmo?

Depois que isso acontece com você algumas vezes, você pode muito bem apenas decidir sair dos negócios, porque como ja dizia minha vó, “até para ser idiota existe um limite”.

Esta é precisamente a conclusão que muitos dos maiores escultores e produtores ao longo dos anos têm chegado. Você pode culpá-los por desistir? Afinal, por quê dar murro em ponta de faca apenas para colocar dinheiro nos bolsos dos ladrões? É claro que esses ladrões não durariam muito se não houvesse quem comprassem suas réplicas.

O flagelo do recast tem contribuído para o desaparecimento de alguns grandes nomes de fabricantes de kits no mundo todo, tais como Screamin, Horizon e Geometric, apenas para citar alguns. Essa pratica nefasta, também afastou muitos produtores de colecionáveis. Também prejudica até grandes revistas como Model Maniacs, Amazing Figure Modeler e Resource Modeler, que contam com anunciantes para trazer-lhe os grandes artigos sobre kits de construção e pintura.

Quando os produtores desistem, então os escultores freelance estão ferrados,  porque não há ninguém para contratá-los para criar novas peças. E é por isso que escultores odeiam recasters, porque no fundo, são parasitas que já prejudicaram gravemente o nosso hobby e, eventualmente, poderão até matá-lo.

Só existe uma forma de conter o flagelo do recast. Só uma figura pode mudar tudo isso, e é o colecionador. Mas para isso é preciso que o colecionador seja educado antes e compreenda o impacto de sua própria ação. Se você optar por não comprar o recast, você nega a esses parasitas o dinheiro que os atrai para roubar o trabalho dos outros em primeiro lugar.

Mas essa é a parte mais difícil, porque estamos num país onde ética é coisa rara. Nego nasce, cresce e morre na filosofia do “farinha pouca meu pirão primeiro!”

Somos a terra da Lei de Gerson, e o cara quer levar vantagem em tudo. Assim, ele burramente fode o hobby dele se achando o espertão.

Não há solução para isso. Ocorre que geralmente o recaster é pobre não só no sentido financeiro mas num sentido mais amplo da palavra. Ele não reflete sobre sua pratica e nem pensa em maneiras de corrigir essa rota, que está fadada o próprio fracasso. Se o recaster que domina um conhecimento básico de replicação direcionasse seus esforços a fabricar peças de artistas que não são da categoria peso pesado para que esses possam sair da escala de auto-fabricação para uma escala de terceirização da fabricação, eles estariam ao mesmo tempo se valorizando e estimulando o mercado. Porém, quando um artista sabe que um sujeito que se apresenta como um replicador é ou foi um recaster, a primeira desconfiança que ele vai ter é que o cara vai fazer 30 peças de encomenda pra ele e vai vender depois 300 copias piratas nas costas dele.

A relação de um replicador e um artista é sempre marcada por este medo, e é justamente por isso que replicadores de confiança são sempre indicados entre os artistas, e esse cara tem trabalho o tempo todo. Ele é justamente o oposto do recaster. É um cara que trabalha para os artistas, criando moldes e usando sua expertise adquirida há anos, para replicar em quantidade com o máximo de qualidade, e acredite se quiser, em plena terra da cleptocracia, vivendo de sua cristalina reputação.

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1 comentário em “Recasting e o caminho sem volta rumo à desgraça”

  1. Olá, adoro seu blog.
    Só gostaria que publicasse mais sobre Rayden, porque virou tipo vicio rsrsrs.
    Eu e minha prima sempre entramos pra ver se tem mais histórias.

    Abraço,
    Karina.

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