O dia em que eu me caguei 2

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Todo mundo já se cagou na vida, é verdade.

Difícil é achar por aí uma pessoa que nunca tenha enchido a fralda da mais natural das massas de escultura. Porém, a ampla maioria das pessoas não gosta de comentar de pequenos incidentes que podem ocorrer na vida adulta.

Encher a fralda tudo bem, mas a cueca? Aí não é “apropriado”. Cagar nas calças depois de burro velho é foda.
Eu não sei explicar porque tanta gente começa a rir quando eu conto deste pequeno incidente ocorrido no interior da minha cueca.
Eu tinha ido na defesa da tese de um grande amigo meu dos tempos de escola, o Paulo Rogério. (ele aparece aqui em posts como o dia do meu pior veto)
No dia marcado, botei uma roupa nova, peguei meu carro e fui para a Puc. Antes de tentar achar uma vaga, coisa cada dia mais impossível nas grandes cidades, parei meu carro no estacionamento do Shopping da Gávea e fui andando até a PUC.
Cheguei no prédio marcado, e encontrei com o Paulo, a esposa e o pai dele. E então começou a defesa que durou muito mais tempo do que eu poderia imaginar. Lembro que no meio da defesa, meus sensores do roskoff emitiram um alerta de que havia uma merda prestes a ser parida, mas no meio da defesa, não dá. Ia ser inconveniente, até porque eu estava incumbido de filmar. Assim, meu cérebro emitiu uma ordem de travamento hermético de furingo a todo custo, que prontamente foi recebido e acatado. A vontade passou e retomei a atenção na defesa da tese, coisa aliás que era muito necessária, pois eu não estava entendendo absolutamente porra nenhuma que o Paulo e a Banca debatiam.
Quando finalmente, depois de deliberarem e o aprovarem, os membros da banca declararam encerrada defesa, os sensores do roskoff novamente voltaram solicitar um pedido de deferimento de liberação de dejetos, que prontamente indeferi, já que estávamos agora nos direcionando para o Shopping da Gávea, onde iriamos fazer um rango comemorativo do novo doutor.
Ora bolas! Quem vai se preocupar com merda sabendo que está prestes a encarar um filé mal passado gigante com batata rostie?

Eu que não sou. E assim, soquei mais comida para dentro, forçando tudo no meio das tripas, e produzindo o que posteriormente seria uma “tragédia anunciada”.
Acabado o rango, conversa vai, conversa vem… Chegou a hora de ir embora.
Nesse momento, após pagar a conta, me despedir dos amigos, me dirigir ao estacionamento e efetivamente pagá-lo, só então, o roskoff emitiu um novo alerta de gravidade média. Alerta laranja!

Mas eu já tinha pago o estacionamento. O período de vigência era de apenas 5 minutos e na hora do rush estava com fila para sair do Shopping da Gávea. Novamente indeferi o pedido do furingo para libertar o kraken. Mentalmente, calculei todo o trajeto que faria de carro até minha casa em Pendotiba, Niterói. Medi quanto tempo havia levado de casa até lá e estimei que com alguma folga poderia soltar a monstruosidade no conforto higiênico da minha própria privada.
Sai com o carro e ao cair na rua, constatei que havia errado nos cálculos. Aquela era a hora do rush, e as vias todas engarrafadas. Perambulei com o carro de retenção em retenção, de engarrafamento em engarrafamento, sempre buscando algum lugar que parecesse viável para dar uma cagada discreta. Mas não havia nada além de bares do baixo gávea, restaurantes com filas nas portas e locais obscuros onde é preferível uma borrada heróica a adentrar.
Finalmente, achei um lugar onde eu poderia dar a luz ao rebento de satã, mas ali também seria inviável, já que não havia vagas. A urgência interna me fez optar por pegar atalhos e fazer algumas proezas heróicas no trânsito (leia barbeiragens horríveis) na busca por recuperar os minutos perdidos no trânsito repleto de carros.
“A solução é o aeroporto!” Pensei. Eu pisei fundo, ignorando pardais e o próprio risco de vida. A cada segundo que passava a pressão interna era maior e pensei desconcertado, que talvez eu acabasse explodindo em uma montanha de merda.
O aterro cheio de carro. Mas pelo menos estava andando. Mais de uma vez torci para engarrafar completamente, de modo que eu pudesse dar uma corridinha deselegante até uma moita do Burle Marx e contribuir para o paisagismo com uma camada generosa de adubo. Mas os carros estavam andando lentamente. Para quem está vivendo o desespero de se cagar, os carros andando devagar eram muito piores que tudo parado.
Tentei pensar em outra coisa, distrair minha mente. Os monges sabem como fazer essas coisas… Dizem que os ninjas e os mestres shaolin conseguem até parar o coração. Talvez com uma boa mentalização eu conseguisse parar o charutamento do cocô. Liguei o radio na esperança de ouvir notícias, mas não deu certo. Mudei para musica e piorou.
Abri as janelas, na esperança que uma lufada do vento gelado da noite me livrasse da sensação de que eu vomitaria merda em poucos minutos.
Eu estava suando frio e me senti encabulado de imaginar que se continuasse sentindo as tripas dando nós eu iria acabar tendo que fazer uma promessa ou rezar para algum santo das causas impossíveis. Já imaginei minhas orações chegando no céu e uma porrada de anjos burocratas rindo da minha cara.
Lembrei de uma macumbinha que a gente fazia na infância quando via um cachorro de rua tentando cagar. A gente trançava os dedos mindinhos e puxava um contra o outro com força, e quanto mais forte fazíamos isso, mais o cú do cachorro trancava e não saía nada. Finalmente, depois de mais de trinta anos, descobri a razão real daquela parada e vergonhosamente tive que apelar para a macumbinha do dedo mindinho.
Talvez funcionasse apenas com cachorros, porque não mudou nada. Aliás, fazendo força a vontade aumentou, e pra piorar, notei que distraído em pensamentos imbecis de como fazer travar o cocô do cachorro, eu havia perdido a entrada do aeroporto e até já tinha subido a perimetral.
“Puta que pariu. Vou me cagar! Puta que pariu, vou me cagar!” Eu só pensava nisso.
A perimetral parada como sempre.
O desespero estava chegando ao clímax quando comecei a dirigir feito o Ayrton Senna. Passei em espaços que até agora me pergunto como não resultou em tragédia. Fiz ultrapassagens que só com o patrocínio do KY seria possível.
Caí finalmente na ponte.
A cada minuto eu consultava meu roskoff na esperança de que todo aquele pandemônio nas minhas tripas fossem um pum fora do lugar. Mas não.
Pnesei em dar uma de louco e parar na ponte. Apontar o brioco para o mar e dar de comer aos peixes. Mas ali não tem acostamento, e já imaginei a cena do meu carro sendo atingido por um caminhão e no dia seguinte a notícia:

MORRE JOVEM QUE RESOLVEU CAGAR NO VÃO CENTRAL

888659cagao | Aventuras | Aventuras

Desesperado, vi a ponte repleta de carros e caminhões. Quando o carro já estava se aproximando do vão central, senti um estranho alívio que me renovou as esperanças de que talvez a merda tivesse dado ré.
Me concentrei no ato de dirigir. Eu precisava chegar em casa rápido e cada milésimo de segundo contava. Algo me dizia que aquela súbita aliviada na pressão intestinal não duraria para sempre. Foi quando eu estava na descida do vão central, quase chegando na praça do pedágio que tive uma sensação incomum de que eu estava prestes a parir um sumô.
Só tive tempo de gritar um “puta que pariu!” e senti uma bengala gigante de merda sólida escapulir para minha cueca. Porra como é difícil dirigir e cagar ao mesmo tempo!
Me assustei ao sentir que não era uma diarréia líquida, mas sima um mastro de bosta fossilizadamente dura. Eu estava agora na praça do pedágio. E não parava de sair merda do meu rabo. A minha cueca foi enchendo e eu senti uma pasta de cocô quente inundar meu saco. Já havia esquecido como era assustadoramente quente o cocô. Minha mente enviou uma ordem de fechar as comportas, mas aquilo parecia impossível. O merdelhê era tamanho que o esfíncter não consegua nem cortar ele no meio. Então joguei todo o meu centro de gravidade para o meio do banco do carro, tentando conter a pressão.
Quando chegou minha vez de pagar o padágio, só então notei que o dinheiro estava na carteira, no bolso de trás. Tentei ser rápido, tirar a carteira do bolso sem provocar um maremoto de bosta dentro do carro. A moça do pedágio ficou olhando para a minha cara, enquanto eu praticava aquele estranho contorcionismo, ao mesmo tempo que fazia uma expressão facial que lembrava a do Dedé Santana:
Dede | Aventuras | Aventuras

Eu temia que o cheiro de merda denunciasse minha constrangedora situação, e assim, abri uma pequena greta no vidro por onde estendi a notinha. A moça pareceu levar décadas para me dar o troco. Talvez ela tivesse percebido a situação.

Ah, as mulheres e sua maldade sádica nata…

Tão logo a cancela levantou, acelerei meu bólido com sabor de esgoto na direção da minha casa. Agora o pior ja havia acontecido e não haveria mais solução. Calculei que iria dar PT (Perda Total) no banco do carro. Mas então, ao descer a ponte, novamente senti a dor nas tripas.
– Puta que pariu! Não pode ser… Ah, não!!! – eu berrei dentro do carro.

Mas era.

Uma diarréia dramática ameaçava explodir tudo dentro da minha cueca.
Peguei o telefone desesperado e liguei pra casa.
“Amor… Eu me caguei!” – Eu disse quando a Nivea atendeu.
Ela custou a entender o que eu estava falando. Depois custou a me responder, pois quando ela finalmente entendeu que eu tinha cagado nas calças, começou a rir descontroladamente e não falava mais nada comigo.
Eu pedia, em completo desespero que ela providenciasse uma operação de guerra na casa, forrando com jornais, lona, plástico ou seja la que merda que fosse, um caminho direto da porta até o vaso.
Disparei com o carro feito um foguete. Passei em sinal vermelho, ultrapassei pela direita, subi em paralelepípedo com a roda…
Finalmente, dali a poucos minutos, eu chegava no prédio.

Ao chegar no meu bloco, notei que havia uma festa no salão gourmet, bem onde eu teria que passar pra ir pra casa. Estava cheio de gente, a maioria vizinhos.
-Puta merda. Todo mundo vai ver que eu me caguei. E agora?
Parei o carro e iniciei o protocolo de ejeção. Eu precisaria usar toda minha habilidade jedi, afim de evitar que a cueca transbordasse de bosta e piorasse a situação do carro.
Aquela era literalmente, uma situação de merda.
Andei apressado com a merda charutando no rabo.

A diarréia já dava anúncios que vinha sem freio. Eu temi que uma copiosa cornucópia de cocô eclodisse pelas pernas da minha calça bem na hora que eu passasse na frente da festa dos vizinhos. Assim, fui pelo outro lado do prédio, andando como um daqueles caras que disputam marcha atlética nas olimpíadas. Eu me sentia a Charlene balançando a cauda. A chegar perto do elevador, notei varias pessoas ali esperando para subir, incluindo aquele senhor distinto do sexto andar. Temi virar a piada do condomínio e então recuei. A solução era subir pelas escadas.

Após os três primeiros degraus, eu notei que talvez tivesse sido mais inteligente segurar firme e esperar para subir sozinho no elevador. A cada degrau, um pouco de bosta ejetava do meu rabo, e a cueca que estava repleta de concreto marrom começou a molhar. Nunca cinco malditos andares foram tanto. Eu sentia que ia explodir. A porta trancada!
Atochei o dedo na campaínha.
A Nivea demorou eras para abrir a porta. Pensei que ela estivesse realizando o procedimento de emergência que eu pedi. Quando ela abriu a porta, ainda estava se mijando de rir, e o que é pior, no telefone, contando para minha sogra que eu tinha me cagado nas calças. Pra piorar, ela não havia colocado plástico nem jornal nem nada no caminho e os tapetes do banheiro ainda eram os brancos! Eu fiquei puto mas não deu tempo nem de chiar. Corri como “The flash” para o vaso, e tão logo arriei as cuecas, espalhando merda por todo o banheiro, explodi num jato nauseabundo, um chafariz de dejetos entremeados com profusões de bombas e explosões. A Nivea não parava de rir de mim. Quando consegui reunir forças para levantar, vi consternado, a imagem do maior looser de todos os tempos, nu, combalido e com merda até no umbigo. Era a perfeita materialização da escrotice humana. Tinha um milho no meu pinto!
Joguei a calça fora, junto com a cueca. Depois de tomar banho, tive que dar uma geral no banheiro que precisou de três dias e duas faxinas sérias para ser descontaminado.