O clandestino

Esse é o caso do cara que queria viajar barato e se deu mal.

Eu estava navegando por aí quando achei uma foto curiosa. A princípio pensei se tratar da imagem de um dublê, mas quando fui saber mais, me espantei. Era a foto de um (praticamente) suicídio. É tão louca que você talvez não acredite no caso:

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A foto foi registrada na Austrália, em 24 de fevereiro de 1970. Ela retrata Keith Sapsford, de 14 anos caindo de um avião em pleno vôo. O garoto sonhava em conhecer o mundo e conseguiu invadir um aeroporto, entrou no trem de pouso de um avião e ficou malocado lá. Quando o avião que ia para o Japão decolou,  e recolheu o trem de pouso, Keith escorregou e caiu para a morte, a centenas de metros de altura.

Por uma bizarra coincidência do destino, John Gilpin, um fotógrafo estava perto do aeroporto, testando uma teleobjetiva de longo alcance e bateiua foto do avião bem na hora que Keith caía em seu mergulho final para a morte.

A coisa aconteceu tão rápido, que Gilpin não notou que tinha capturado o momento raríssimo,  até que revelou o filme muito tempo depois.

Acredite se puder, é totalmente possível fazer o que o inconsequente Keith Sapsford tentou fazer. Ele não foi o primeiro. Na Wikipedia há uma lista de pessoas que tentaram essa façanha para conhecer o mundo se escondendo no compartimento de trem de pouso dos aviões. Claro, a ampla maioria morreu, mas tem alguns que sobreviveram. Hoje em dia, que os aviões comerciais voam a cerca de 8000 metros, a chance de morrer congelado e sem ar é monumental.  O primeiro caso registrado de gente que pegou este tipo Gump de carona se deu justamente de Lisboa para o Brasil, em 1947. O sujeito, de 30 anos cujo nome não foi revelado, atravessou o Atlântico agarrando-se ao trem de pouso de um avião DC-3 até descer, são e salvo, em Natal, no Rio Grande do Norte.

Somente 23% de odas as tentativas dão certo. A maioria que morre ou cai, ou é esmagada ou acaba sem oxigênio devido a altitude. Muitos sofrem de hipotermia, já que a temperatura la em cima passa dos vinte abaixo de zero.

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Praticamente todas as histórias de pessoas que resolvem viajar no trem de pouso de aviões são legais, inclusive as que acabam em morte, mas principalmente as que os personagens estão fugindo tão desesperadamente de um país hostil que vêem nessa tentativa desesperada sua única maneira de escapar. Há pessoas fugindo o tempo todo, de toda sorte imaginável de lugares. Chama atenção alguns casos de Cuba, como o do Victor Alvarez Molina, que voou de Cuba até o Canadá onde desceu do avião inteiraço e pediu asilo político. Conseguiu. Esse zerou a vida no modo hard!

Já outros, tentaram algo mais fácil e se deram mal. Foi o caso de uma dupla de amigos, Alberto Rodriguez (15), Maikel Almira, (16) que tentaram a missão suicida juntos.  O plano original daria certo, porque de Havana para Miami o avião voa baixo e por um período bem curto. Mas veja que merda… Eles queriam descer em Miami, mas erraram o avião e pegaram um que ia para Londres. Aí o avião subiu para 37000 pés onde a temperatura é de 57 graus abaixo de zero. O pior de tudo é que os corpos congelados caíram lá de cima, quando o avião se preparava para pousar. Imagina que merda se cai um defunto congelado em cima de você!?   fonte

Agora se em muitos casos a motivação é buscar uma vida melhor, há aqueles casos gump onde o maluco embarca numa porra dessas por uma razão estapafurdiamente fútil. Foi o caso do clandestino de nome Fidel Maruhi, de 24 anos que decolou do Thaiti, escondido num Boeing 747 em 4 de Agosto de 2000, com destino a Paris. Apenas para – acredite se puder – apertar a mão do Zidane!

O sujeito ia morrer com certeza absoluta, e ninguém sabe como ele sobreviveu aos 38.000 pés, (mais de 11.000 metros). A sorte do cara é que o avião fez um pouso de reabastecimento em Los Angeles, onde ele foi descoberto.

De todos esses, o pioneiro é este sujeito aqui:

pimpaoReichsverkehrsminister mit blindem Passagier

Clarence Terhune tinha somente 19 anos quando em 29 de Outubro de 1928, pegou uma carona grátis a bordo do Graf Zeppelin em seu vôo inaugural, de Lakehurst, Nova Jersey para a Alemanha.

Clarence, trabalhava como caddy num campo de golfe, e ninguém sabe exatamente como, se tornou um “clandestino profissional”. Antes de inaugurar a clandestinidade aérea, ele ja tinha dado “balões” famosos em trens e navios. Ele costumava viajar com os vagabundos de trem para conhecer os Estados Unidos. Ainda hoje tem gente que faz isso nos EUA.

Depois de fazer uma aposta com seu cunhado (sempre tem um cunhado nessas histórias) que ele iria pegar o Zeppelin, ele se mudou para Nova York e planejou tudo. Quando chegou o dia, ele conseguiu despistar a segurança e simplesmente se infiltrou à bordo.

Clarence só saiu de seu esconderijo no dirigível quando a aeronave estava sobrevoando o meio do Oceano Atlântico. Descoberto pela tripulação do Zeppelin, ele foi colocado para trabalhar na cozinha do veículo durante o resto da viagem. Clarance foi preso quando o Zeppelin aterrissou, mas foi imediatamente liberado e, em vez de passar vergonha foi recepcionado como herói por cidadãos alemães que estavam tão impressionados com sua aventura que ele acabou convidado para ficar em suas casas.

Seja como for, hoje em dia quem tenta uma porra dessas pode ter quase certeza que vai morrer. Se o plano é conhecer o mundo de avião, compensa mais dar um golpe na praça e pagar uma passagem aérea. Viajar barato dentro do trem de pouso do avião é coisa de maluco.

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8 comentários em “O clandestino”

  1. Existem vários casos, inclusive recentes, onde o corpo ainda cai nas ruas de cidades e atrapalha tudo aqui embaixo.

    Mas um fato que gerou vários desses foi a fuga desesperada de pessoas do Vietnã do Sul, que tentaram invadir um avião da World Airways, um Boeing 727 que tinha capacidade para 105 passageiros.

    A evacuação tinha começado quando uma multidão tentou invadir o avião, após rumores de que as tropas inimigas estavam ao redor do aeroporto. Soldados que até então faziam o apoio à evacuação, passaram a tentar fugir também e acabaram atirando contra a aeronave, além de usarem granadas, que danificaram asa, flaps e trem de pouso.

    O avião acabou decolando com muita gente presa ao trem de pouso, agarradas nas asas, e outras situações absurdas. Pra se ter uma ideia do que foi a fuga, 360 pessoas estavam no avião quando ele levantou voo, fora os vários que caiam pela pista assim que a aeronave ganhava altura.

    O trem de pouso não foi recolhido, justamente para evitar matar as várias pessoas que estavam por ali.

    A História é magnífica, o que o presidente da World Airways fez não só nessa situação, como em outras pela guerra, foi algo de muita coragem. Vale a pesquisa! Lembrando que tudo foi documentado e gravado, e é fácil encontrar esses vídeos no youtube.

  2. Muitos africanos tem fugido de seus países de origem utilizando navios de carga… mas, a parte Gump é que eles não tem se escondido entre os containeres, mas sim, entre a hélice e o costado do navio!

    Quando o navio não está carregado, uma região próxima a hélica fica descoberta e pode acomodar [como é???] pelo menos uns 2 dois adultos.

    Vi uma reportagem onde alguns angolanos que numa fuga vieram a desembarcar desembarcaram no porto de Paranaguá – PR. Entendendo que a viagem entre África e Brasil pode durar uns 20 dias mais ou menos… temos 20 dias de sol, chuva, frio, calor, sem comida e sem água potável. Os angolanos chegaram aqui extremamente desidratados, queimados do sol, numa situação lastimável.

    Muito Gump!

  3. Não deixo de me surpreender sempre com o conteúdo interessantíssimo que leio nesse blog!
    Realmente a foto é angustiante, mas as histórias são sensacionais.

    Tá de parabéns!

  4. O americanos Clarence Terhune foi para à Alemanha em 29 de Outubro de 1928? Putz… Bem no início a regime Nazista? Se ele não voltou a tempo ou pulou fora da Alemanha/Europa, deve ter se ferrado do mesmo jeito.

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