Mostre-me seu carro e te direi que és.

man drives tank | Curiosidades | bizarro, carro, carros, curioso, notícia

Imagine a cena: você está no estacionamento do supermercado, procurando aquele espaço vago que parece uma miragem no deserto. De repente, um rugido metálico invade o ar. Não é um caminhão. É algo mais… bélico. E aí você vê: um tanque de guerra, com suas esteiras rangendo no asfalto, manobrando com uma destreza surpreendente para estacionar ao lado de um sedã popular. O motorista desce, dá uma olhada no veículo blindado, pega um carrinho e segue para comprar pão. Segunda-feira normal em Winsford, no Reino Unido.

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Esse não é um roteiro de filme. É a vida real de Stephen Ellison, um cara que decidiu que seu carro do dia a dia seria um FV101 Scorpion, um tanque leve de reconhecimento fabricado em 1974. Saca só que maneiro isso? Enquanto a gente se preocupa com o preço da gasolina, o Stephen deve pensar em coisas como “será que a loja tem óleo diesel suficiente?”.

O que faz um cidadão comum dirigir um tanque?

A história, claro, viralizou quando o tabloide Daily Mail a noticiou. Mas vai além da simples excentricidade. O Scorpion de Stephen tem uma história. Ele foi usado pelo exército britânico, inclusive em conflitos como a Guerra das Falklands/Malvinas. Depois de aposentado do serviço militar, virou um item de colecionador. E é aí que a coisa fica interessante: no Reino Unido, com as licenças e adaptações adequadas (como a substituição da metralhadora por um cano de aparência inofensiva), é perfeitamente legal dirigir um veículo blindado nas ruas públicas.

Os vizinhos, claro, estranharam no início. Quem não estranharia? Mas com o tempo, a visão do tanque estacionado na frente do mercado virou parte da paisagem local. É o Stephen indo buscar o leite, é o Stephen passando na farmácia. A normalidade do ato, em contraste com a absurda máquina de guerra, é o que torna a história tão genial. É uma declaração de estilo sem dizer uma palavra. Que carro você dirige para chamar atenção? Um esportivo? Stephen responde com 8 toneladas de aço.

Máquinas de guerra nas ruas: uma ideia nova?

Nem um pouco. A ideia de adaptar veículos militares para uso civil, ou pelo menos para uso não convencional, é antiga. Lembra do Hummer? Aquele jipão que virou febre nos anos 90 começou sua vida como um veículo militar de alta mobilidade, o HMMWV. A diferença é que a General Motors o adaptou, suavizou as arestas (um pouco) e o vendeu como símbolo de poder e aventura urbana.

O caso de Stephen é mais puro, mais direto. Não há uma montadora por trás, só um indivíduo e sua paixão por engenharia militar. Ele mesmo conta que o tanque é surpreendentemente econômico para o que é (se é que podemos usar a palavra “econômico” para algo que bebe litros de diesel por quilômetro) e que é mais fácil de dirigir do que um caminhão. A mentalidade é prática, quase britânica: “Funciona, então por que não usar?”.

Isso me faz pensar na nossa relação com os carros. Eles são extensões da nossa personalidade, não são? O sedã conservador, o SUV familiar, o esportivo para quem se sente jovem. Stephen simplesmente levou esse conceito ao extremo absoluto. Se o carro diz quem você é, ele está basicamente gritando: “Sou prático, gosto de engenharia, não me importo com olhares e, se precisar, posso atravessar um muro”.

E no Brasil, pode?

Aqui a coisa complica, e muito. O nosso Código de Trânsito é bem claro sobre as especificações para um veículo ser licenciado para andar nas vias públicas. Coisas como largura, altura, peso, emissão de poluentes e, principalmente, a segurança para os outros usuários da via entram na jogada. Um tanque, mesmo desarmado, falharia em vários desses requisitos. As esteiras, por exemplo, danificariam o asfalto. A visibilidade do motorista é limitada, criando pontos cegos perigosos. É um cenário completamente inviável, o que, de certa forma, torna a história do Stephen ainda mais única.

É uma daquelas curiosidades que só funcionam em um contexto muito específico. Mas a gente pode sonhar, né? Imagina a cena na Avenida Paulista ou na Beira-Mar de Florianópolis. O caos seria instantâneo, mas a foto ficaria épica.

No fim das contas, a história do Stephen e seu tanque é um lembrete deliciosamente bizarro de que a normalidade é um conceito relativo. Para ele, dirigir uma máquina de guerra é a coisa mais natural do mundo. Para nós, é um espetáculo. E é nesse contraste que mora a graça. A vida fica mais interessante quando alguém decide quebrar a mesmice de maneira tão… explosiva. É isso ai, valeu.

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3 Comentários

  1. Joao

    Esse daí é o novo modelo de carro pro carioca rsrsrs :B

  2. madalena

    Não deve haver problema de espaço na Inglaterra, para o “aparecido” ir à padaria dirigindo uma geringonça deste tamanho
    somente para comprar pão e não para fazer uma guerra!
    Cada louco com sua mania.Garanto que o “xarope” aí é rico e por
    isto as autoridades não o impedem de entulhar o trânsito; também
    não deve estar preocupado com o efeito estufa, como eu estou.

  3. Me

    é pra carioca mermo. :P :P :P :P :P

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