Médico automático: Uma máquina bizarra

Lembra daquele filme com o Tom Hanks chamado “Quero ser grande”, onde ele era um menino que ia num parque e pedia a um feiticeiro duma máquina para ficar adulto e conseguia? Era uma máquina tipo uma vitrine com um boneco sinistro dentro, chamado Zoltar. Olha ele aí:

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Sempre pensei que essas maquinas fossem uma invenção do filme. Nunca pensei que pudessem existir de verdade. Mas ao que parece, a maquina Zoltar existiu mesmo. Não tenho certeza se existiu a partir do Zoltar do filme com Hanks ou já existia previamente.
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Autômatos incríveis

O Zoltar do filme era melhor, eu sei. O fato é que máquinas de cartomancia já existiam realmente, antes do filme. Veja esta curiosa máquina do século XIX:

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Este modelo está no Museu da Mecânica, na França

 

Há muitas outras máquinas de cartomancia, que fizeram sucesso ao longo dos anos. Mas não encontrei a Maquina que seria a Zoltar original, o que me faz crer que Zoltar como vemos no filme foi criada para aquele filme.

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As máquinas de cartomancia mais antigas, principalmente as com mais de 100 anos,  são quase como o Santo Graal. Há muitos colecionadores ávidos que não pensariam duas vezes para pagar fortunas por elas. David Copperfield, o mágico, é um desses milionários que está rodando o mundo em busca de uma dessas máquinas. Ele chegou a dar lance numa máquina que achou num museu dos EUA, oferecendo dois milhões de dólares nela. O Museu recusou a oferta.

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A maquina que David Copperfield tentou comprar

Médico automático

Embora maquinas assim, com autômatos em vitrines sejam bem conhecidas, eu esbarrei numa máquina que me impressionou. Não só porque a figura dentro dela parece mais um morto-vivo, mas porque não era um cartomante, e sim um médico. Ao invés de prever seu futuro com cartõezinhos ou gravações num disco, essa maquina, ao que parece, te passava uma RECEITA!!!

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Pelo fato de uma ficha custar 40 cents de dolar, creio que isso seja uma máquina dos anos 40 ou 50.

O mais curioso, é que julgando pelas fotos, esse autômato, fabricado pela NHS consegua ESCREVER DE VERDADE a receita. Note como a mão e o braço são separados do bloco que é o corpo. Isso indica que ali havia um complexo conjunto de mecanismos capazes de mover delicadamente o braço e a mão para que ele escrevesse com a caneta no papel a receita. Observe o estetoscópio gigante que ia dos ouvidos do boneco até o lado de fora da maquina. Certamente seria necessário colocar o estetoscópio em seu peito para que o “doutor” lhe passasse a receita, que creio era definida em função de seu ritmo cardíaco. Mas me intrigou sobretudo o que diabos esse autômato escrevia. Não consegui descobrir.

Autômatos capazes de escrever não são uma novidade. Eles apareceram lá no passado e são basicamente, os “avôs” dos robôs atuais. Há 240 anos atrás, este incrível autômato em forma de menino escrevia bilhetes.

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Já parece maneiro o suficiente, mas espere só para saber que este menino aí, criado pelo gênio Pierre Jaquet em 1770 escrevia frases de até 40 caracteres. Ele era composto por 6.000 peças e 40 ressaltos interiores substituíveis que podiam montar as palavras escritas – ou seja, ele era “programável”!

Não há dúvidas que este autômato sofisticadíssimo foi quem inspirou o autômato famoso em “A invenção de Hugo Cabret”.

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Veja o detalhe das costas do “menino”:
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Jaquet Droz, o criador dessa obra prima fabricava relógios e foi ajudado por seu filho Henri-Louis e Jean-Frédéric Leschot para terminar “o menino”.

Além desse autômato, ele construiu “o músico”, que tem 2500 peças móveis e o “desenhista”, com 2000.

Ao longo dos anos, outros autômatos escritores surgiram:

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Você pode achar surpreendente que no passado, com tantas limitações técnicas, gênios construtivos conseguissem fazer maquinas assim, mas talvez seu queixo bata no chão ao saber que os fundamentos da robótica são mais antigos. Mais antigos que Cristo, aliás! Mas o primeiro autômato mesmo, pasme: É do século 1 DC. Foi criado por Heron de Alexandria, um dos homens mais inteligentes que ja passaram na Terra. Heron era tão, mas tão genial, que criou um robô programável NAQUELA ÈPOCA, e que era movido a… trigo!

[wp_ad_camp_5] Relatos sobre o inventor, que viveu entre os anos 10 e 70 da Era Cristã (contemporâneo, portanto, de Jesus e dos primeiros apóstolos, como Pedro e Paulo), dão conta de que ele criou até a primeira máquina de vender bebidas da história. (A pessoa colocava uma moeda nela e recebia um jato de água benta.) Seu robô movido a trigo, hoje é estudado pelo cientista da computação, o britânico Noel Sharkey, da Universidade de Sheffield.  Segundo Sharkey, além de se mover por um palco, o robô do tempo de Cristo também apresentava automaticamente um pequeno espetáculo de fantoches, envolvendo o deus grego Dioniso, senhor do vinho e do teatro.

Outros mecanismos mirabolantes são conhecidos antes da revolução da informática no século 20. Leonardo da Vinci, por exemplo, projetou um leão mecânico que caminhava e apresentava flores, usando o bicho para homenagear o rei da França em 1515.  Sharkey traduziu o tratado Perí automatopoietikés (Sobre a fabricação de autômatos), escrito por Heron. No trabalho, Heron cita alguns de seus predecessores, como Ctesíbio, que viveu dois séculos antes dele, e explica parte de sua técnica. Segundo Sharkey, os fabricantes de robôs tinham uma longa escola em Alexandria, cidade que, embora ficasse no Egito, foi fundada por Alexandre, o Grande e tinha cultura profundamente grega. fonte

 

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15 comentários em “Médico automático: Uma máquina bizarra”

  1. Nossa, gostei muito de saber sobre esse negócio do robô em 1d.C! Será que existiram invenções sofisticadas assim nos séculos passados ? Seria uma boa um post sobre isso.

  2. Me lembrou de uma máquina chamada “O Turco”, que assombrava platéias nobres, jogando xadrez melhor que qualquer um. Não me lembro em que século foi, mas parece que grandes personagens já o enfrentaram (Napoleão, Benjamim Franlin) e perderam.
    Computadores que jogam xadrez nem são mais novidade, mas uma máquina antiga, toda mecânica, sem um anão enxadrista dentro nem controle remoto, e que ganha de todo mundo, é coisa de se espantar!

  3. Estive em Orlando em maio deste ano e fiquei hospedado em um hotel em Kissimee ao lado de uma vila chamada Old Town. Uma vila da década de 30 que foi mantida e agora usada como comércio.
    Nessa vila tinha uma máquina automática com a figura do Elvis, e duas de cadeira elétrica com os condenados prontos para a fritura. Todas funcionavam.
    Essas máquinas são legais, porém, é incrível como parecem tão bizarras ao vivo. Uma das máquinas de cadeira elétrica deixava uma sensação bem ruim, de tão realista, vista de perto.

  4. Nossa cara, que legal essa história dos robôs antigos. Nunca tinha ouvido falar! É bastante curioso. Vc poderia fazer um post sobre as máquinas de calcular antigas…
    Abraços

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