Fazendo o Alien parte 1

Conforme eu havia dito no ultimo post, eu resolvi esculpir o Alien. A primeira coisa que eu fiz foi sair pela internet recolhendo boas referências do monstro. Como ele é uma criatura bastante conhecida, está em filmes, quadrinhos, videogames, alguns e tem até blogs inteiros dedicados ao monstro, está cheio de referências legais da criatura na internet. Esta é a parte mais fácil e gostosa da brincadeira.
Depois que recolhi bastante imagens legais do alien, eu comecei a observar com mais atenção as muitas variações que existem no design da criatura. Ela varia de filme para filme, graças ao fato de que esta forma de vida alienígena não tem uma forma fixa. Ela necessita de um hospedeiro para desenvolver seu ciclo evolutivo e no processo, ela mistura o DNA dela com o do hospedeiro, e isso afeta em graus diferentes o resultado morfológico da criatura. Graças a este peculiar detalhe, fica mais legal esculpir o alien, porque diferente de fazer uma pessoa, ator ou criatura que já existe, não há certo ou errado na modelagem do alien. Ela também oferece assim uma margem para a criatividade do escultor que pode experimentar com variações diversas na estrutura do monstro.

Como a pose que eu resolvi fazer é do alien se esgueirando perto do chão, (do jeito que ele corria pelas tubulações da Nostromo), uma peça com a linha de ação (linha de ação é uma linha imaginária que guia o olhar da pessoa que contempla uma escultura ou um desenho) praticamente horiozontal, eu ja sabia que isso me causaria dificuldade para modelar os intrincados detalhes do alien na parte do peito, que ficaria perto demais da base, voltado para baixo.

Assim, a solução que eu encontrei para detalhar esta parte, é fazer a peça em dois momentos distintos.

Comecei usando uma base diferente da que sempre uso. Esta base é própria para escultura e se chama Lazy Susan. Ela tem dois discos, e com isso ela pode girar. Além deste detalhe, ela vem com um suporte metálico regulável que é uma espécie de braço que segura a peça. Isso serve para não precisar estruturar tanto uma escultura, de modo que você prende o boneco pela coluna naquele suporte e isso torna as coisas mais fáceis.

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No caso, eu estou usando esta base porque o suporte regulável é justamente o que me permiturá ficar o alien “levitando” numa posição que eu possa esculpir na parte inferior dele. Com uns arames vagabundinhos de aço e de alumínio que eu já tinha aqui eu fiz um esqueleto bem chulé, para marcar a posição.

 

 

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O arame da coluna é o de aluminio, mais reforçado (que ainda é mole pra dedéu) que o arame fino de aço que eu tinha. O arame prende na estrutura regulável da base pelo fiofó do alien.

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Eu jpá comecei a fazer o esqueleto sabendo que numa segunda fase, eu teria que abandonar a base Lazy porque ela é gigante e não caberia no meu forno.

Aqui vemos o bicho de cima.

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Os arames dos braços e das pernas são só para marcar a posição. Por isso, deixei fino, sabendo que na outra etapa eu cortaria com mais facilidade.

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Depois que eu escolhi a posição, coloquei uma boa quantidade de durepoxi para fazer a parte estrutural da coluna.

 

 

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Depois que o durepoxi endureceu, eu comecei a aplicar uma polyclay velha nele. A massa tava dura e eu precisei usar um ralador para decompô-la  num monte de farelo que depois adicionei um pouco de óleo mineral para recompor a massa. Esta dica que me deu foi o meu brother Diogo-que-Diogo.

Deu certo. Também usei o resto de Bozzi que tinha sobrado da cabeça do Frank.

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Nesta etapa eu não vou me preocupar com muitas coisas. A preocupação principal é só dar uma forma geral para ver se funciona. Eu chamo esta etapa de blocagem.

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Na blocagem eu quase não uso feramentas. A mais usada é esta aqui em baixo, ainda assim só porque estourei meu dedo apertando a massa velha.
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Esta perna não é a perna final. Ela é só uma referência pra poder medir as dimensões e tal.

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A mão idem.

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Aqui podemos ver o meu ralador de massinha que custou R$ 2,99  (alta tecnologia!)

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Graças ao suporte regulavel eu posso jogar o boneco de um lado para o outro, faclitando modelar em lugares ingratos.

Essa parte que não vai aparecer muito é justamente o meu ponto de maior atenção neste momento. Por que? Porque eu vou assar este monstro em partes, ou etapas. e para isso, preciso começar pela parte mais chata que é o abdomen e tórax frontal do monstro.
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Começando a fazer uns detalhes meia-boca.
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Marcando o torax, delimitando o corte da área das costelas.

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Vou cortando o excesso e fazendo as costelas.

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Adicionando detalhes no abdomen.
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Eu vou detalhando e aplico uma camada de álcool isopropílico, que ataca a massa e faz ela ficar com aspecto mais orgânico.
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Em seguida, com um pincel de cerdas não muito moles e nem duras, eu faço uma espécie de “textura” na pele do monstro. Essas estruturas que parecem conduítes eu faço girando minhoquinhas de massa num pente fino desses de catar piolho.

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Esta fase termina aqui. O que eu faço em seguida é deixar a peça evaporar o álcool e começo a preparar o desmembramento do alien.

Este bicho é basicamente a soma de sete pedaços bem distintos. Os quatro membros, a cabeça e o rabo e o conjunto daqueles tubos esquisitos por onde ele respira.

Quando eu acho que está do meu agrado, preparo o cutelo para separar todos os elementos. Eles serão remodelados um a um posteriormente, mas para isso preciso da peça master, que é justamente o volume central, que compreende abdomen e o tórax.
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Primeiro eu separo as pernas.

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E depois os braços. Aqui em baixo já podemos ver a peça toda separada.

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Então a parte do meio vai ao forno. Eu ainda não modelei a parte que será visível. Fiz isso intencionalmente, porque eu sabia que tem muito epoxi ali para estruturar, e por conta disso, o epoxi dilata e expande no forno, e isso ferra a polyclay. Ainda mais a Bozzi que tem fama de rachar facil no forno.  Meu medo era de rachar esta merda toda. Eu deixei quase sem polyclay na parte da coluna, de modo que rachasse ali, preservando as costelas e o abdomen, já que se rachar ali vai ser um saco de corrigir depois. Para corrigir rachadura o jeito mais facil é usar um pouco de epoxi diluído em álcool e apertar bem na rachadura. Ele preenche os vãos e depois que seca, é só dar uma lixadinha.

Aí assou. A merda da polyclay Bozzi rachou pra dedéu! Muito mais do que eu esperava. Foi uma surpresa bem infeliz, porque o Frank não tinha rachado nada.

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A peça saída do forno com uns rachados inconvenientes. Olha que interessante a diferença de cor da parte assada para a parte de massa mole.

Eu fiquei algum tempo corrigindo as rachaduras e depois estava com uma peça-base, onde eu poderia segurar sem risco de danificar a modelagem. Outra vantagem do Alien é que se der merda, você mete massa em cima e coloca umas minhoquinhas, uns conduítes e passa para o problema seguinte.

Aqui realmente começa a construção do boneco. Peguei uma base de mdf que eu tinha aqui e marquei com os membros do mock-up do alien os pontos em que o arame toca a base. Tracei os mesmos com lápis.

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Em seguida eu furei cada uma dessas marcas usando uma broca no diâmetro exato do arame (duro para desgraçar) que eu tinha aqui em casa. Este arame é estrutural duro e ruim de trabalhar como o diabo. E é justamente este defeito dele que eu preciso. Depois de uma luta sanguinária de quase uma hora com o arame maldito, eu consegui enfiar ele por baixo da base,  passando no orofício tão apertado que praticamente dispensa usar cola ou epoxi para firmar.

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Com a retífica eu fiz uns buraquinhos no ponto onde o arame iria ancorar na peça.

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No ponto de contato, eu reforcei com epoxi. Como este arame estrutural não liga na coluna é importante fazer esses reforços de epoxi ali, porque o peso da massa que vem em cima pode forçar muito e acabar desencaixando.

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Olhando assim parece uma merda tosca pra caramba, né? E é.
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Usei a sobra de epoxi para travar ainda mais na base.

Ele está nesta fase aqui. Agora me resta esperar o epoxi endurecer. Enquanto isso vou modelar a cabeça do alien. E no proximo post da escultura eu pretendo mostrar a etapa e remodelagem dos braços e pernas do monstro. Tentarei também customizar a massa para deixá-la mais dura, e assim poder trabalhar melhor os detalhes.

Até lá.

 

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33 comentários em “Fazendo o Alien parte 1”

    • Vai para o meu museuzinho particular. (que ta ficando lotadaço já. Isso é preocupante)

      Eu ando pensando em fazer algumas peças em forma de kit, para vender aos amigos. Muita gente gostaria de ter uma dessas esculturas, mas geralmente eu faço “one of one kind”.

  1. Realmente, o lixo é um lugar muito cruel pra essas peças.
    Sei de umas duas pessoas que, inclusive (e dependendo do preço, claro hehehe), teriam interesse em possuir algumas coisas. Até eu que sou pé rapado compraria. Ficam muito boas as obras.

    PS: Procurei (na pesquisa) e não achei, nenhuma postagem sobre Deep Web?
    O assunto ganhou notoriedade em fóruns desde Maio e deu um Boom sinistro agora. Vem lotando a mente de curiosos e afinsm, mas ninguém sabe o que é lenda ou realidade de fato.

    • Eu estou só esperando minha massa chegar dos EUA. Devo fazer uma serie colecionável de bustos de monstros ou algo assim.
      Quanto a Deep Web, é surpresa pra mim que isso esteja despertando alguma atenção. Tá cheio de merda lá no fundo. Mas tem umas coisas boas de vez em quando, como sites em países que bloqueiam coisas que “não convém a eles”, como a China. Agora tem muita gente espalhando caô sobre a deep web. Esse surto súbito de atenção aos arquivos secretos da rede é suspeito pra caramba. Difícil não imaginar que isso não seja intencional. Estão querendo atrair inocentes para o buraco negro… Os grupos de hacking devem estar precisando de mais bots, hehehe.

  2. Mininu!!! Impressive!
    Olha Philipe, realmente. Humilhou. Quem diria que aquela maçaroca do começo ia se transformar nisso. Admirável! Respeitável! Invejável!
    A parte de blocagem parece o aspecto debaixo de cadeiras de colégio (um monte de chicletes grudados).
    Os detalhes todos são de cabeça? Ou você inventa? Ou usa um monte de fotos do alien?
    De novo:
    Uau!!!

    • Eu estou fazendo os detalhes da minha cabeça, mas como sou um fã dessa franquia, ja tinha muito material. Também baixei muitas imagens do alien, e das varias versões do monstro. No estagio atual ele está ainda parecendo um monte de chiclete comido. Tomara que isso melhore. Logo mais farei o update. Ontem eu fui dormir cedo pq estava com dor de coluna, então isso atrapalhou um pouco o andamento da figura.

  3. Cara, interessante vc estar fazendo uma figura quadrúpede. Tentei fazer uma escultura do Red XIII (Final Fantasy 7) uns meses atrás com uma massa chamada Das que foi o que consegui achar aqui onde moro, mas empaquei já nessa fase de blocagem. Daí uns arames de cobre que usei no esqueleto acabaram tingindo a massa de ferrugem e não consegui achar mais a tal massa, descartei quando começou a pegar poeira demais, rs…  A idéia tá meio hibernando desde então. Imagino que se vc quiser tirar moldes do Alien vai dar bastante trabalho, não? 

    • A das é uma massa bem complicada de trabalhar. Quem gosta muito deste tipo de massa são os japoneses, que fazem garage kits femininos. Eu ja usei e não curti muito. Achei ela muito suja, muito farelenta. Seca por fora e fica mole por dentro. Esta massa é praticamente um papel machê.
      No caso do alien, se eu tivesse que tirar o molde, eu teria que desmontá-lo e fazer a moldagem em partes. O processo é até simples de fazer, mas realmente é trabalhoso, repetitivo e chato pra dedéu.

  4. hahahah! matase a charada! é a durepoxi entao. Eu uso mt no esqueleto, por isso rachou. Se der certo o lance de endurecer não esquece de dar a dica! ta ficando legalzão! abraço!

  5. O xenomorfo eh o monstro preferido da agalera. Otima escolha de criatura. To ancioso para ver a obra final.

    Alias, vc poderia mandar uma galeria ai com fotos do seu mini museu. Tem varias esculturas que a galera aqui nem lembra mais! Gostaria de ver como andam o lobsomen e o a’gua-rex.

  6. Muito show! Depois que terminar esta, vou torcer pra vc acordar de novo com essa “vontade de modelar” pra fazer o outro pra terminar a “cena perfeita”.. To muito curiosa pra ver mais “passo a passo”..

  7. Cara, você é fera!
    Olha só: Eu tinha um livro da coleção Modelismo que mostrava a modelagem justo de um alien.
    O cara usou de tudo um pouco, inclusive vértebras de galinha para fazer as mesmas do modelo até quase o final do rabo. Os dendes e a babinha caracteristica do personagem, ele usou acrílico estirado no calor. Pena ter me desfeito dele, caso contrário te enviaria de presente.
    G.A..

  8. oiee.. Cara você é muitoo fodaa… talentãooo msm..
    Me inspiro muito em suas obras quando vou esculpir. Será que poderia entra em contato com você,se você quiser,para me dar umas dicas.?

  9. Muito bom seu trabalho, quando transforma em kit, como vc faz no caso de peças muito complexas, vc serra as partes para poder retirar o molde?
    Eu ví que vc separa as partes e assa elas separadas.Tem uma técnica que eu uso, em que uso arame igual vc fez, só que eu faço um tipo de esqueleto articulado de epoxy nas juntas eu não ponho epoxy, depois coloco na posição e só depois meto a sculpey em cima.
    Muito legal seu site, ajuda aqueles que estão começando!

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