A fábula dos Gnus, os extraterrestres e a condição humana

Certa vez, havia um gnu. Ele era só mais um entre milhões, que em sua travessia anual, no meio da manada que cruzava as planícies do Okavango, ousou olhar pro horizonte. Então, ele notou algo que até então não havia se dado conta. Numa mata de capoeira baixa distante alguns metros apenas, o mato estava se mexendo.
O Gnu então teve um estranho insight: Porra, não estamos sozinhos.
Mas ele era só um gnu em meio a uma manada seguindo seu caminho. Apesar disso, o gnu bolado, começou a alertar os gnus que estavam ao seu redor.

-Eu vi o mato mexer! Tem alguém ali! E acho que se está se escondendo, é porque tem um bom motivo pra isso!

Apesar dos alertas, a ampla maioria dos gnus ao seu redor continuaram a fazer o que sempre fizeram: Não deram a mínima.  Um ou outro parava para dar atenção. Mas ninguém realmente o levou a sério. Nisso, um gnu mais velho, um dos líderes da manada se aproximou ao ver a pequena confusão. Já chegou de sola.

-E vamos acreditar só na sua conversa fiada? Cadê a prova? Vá lá e traga o que quer que esteja atras do mato e acreditaremos! – Ele disse.

Mas o Gnu bolado não via saída: – Mas e se o que estiver lá me comer?
-Mas e se não tiver nada? Entende? Só seus alertas são inúteis. Você diz que viu, mas eu também posso dizer que vi o grande gnu banco no céu. E aí? Eu vi mesmo ou é só um relato anedótico? Seus relatos são inócuos e não somente inúteis, eles podem ocasionar pânico. E o pânico pode matar muitos de nós, como já matou antes!

-Mas eu juro, o mato se mexeu.

-O mato pode se mexer e não podemos explicar porque ele se mexeu ou não. O fato de não podermos explicar agora porque o mato se mexeu não significa que tenha algo atrás do mato.

O pobre gnu bolado se resignou. Ninguém acreditaria que havia algo nas proximidades, vigiando e acompanhando atentamente a manada. Eles seguiram seu caminho pela savana. Caiu a noite o céu se cobriu com seu manto estrelado. Todos dormiam, menos o bolado. Foi quando novamente, o Gnu bolado, agora atento o tempo inteiro, ouviu um leve rugido vindo da floresta.

-Ei! Eu ouvi! Alguém ouviu? Alguém? alguém?

-Não enche maluco! Cala a boca e dorme! um gnu berrou.
-Eu quero dormir, porra!  – Berrou outro.

Os gnus da manada já estavam ficando de saco cheio, porque o Gnu bolado estava começando a incomodar muito com aquelas ideias de que estavam sendo seguidos, observados. A coisa piorou quando ele finalmente viu, iluminada pela fraca luz do luar, a cara enorme de um leão no meio do mato. Os grandes olhos fixos nele.

O gnu bolado desatou a berrar e apontar para o mato, mas ninguém mais lhe levava a sério.

-O que foi? O que foi lá atrás? – Um dos gnus da frente perguntou.

Os gnus mais velhos logo acalmaram a galera. – Relaxem! É um sujeito que está vendo coisas. Ele está o dia todo nisso. Acredita em tudo. Sabe esse tipo? Ele entrou numa. Deve ter comido um capim de qualidade duvidosa. Todos os demais gnus riram, e vendo que o líder gnu mais velho não se abalava, relaxaram e dormiram.

Naquela noite, alguns gnus sumiram da manada, mas a manada não ligou. “Devem ter se perdido”… “Ou fugiram” – Disse o Gnu mais velho. Todos concordaram, afinal, era a palavra da autoridade. “Nada nos acontecerá” – O gnu líder prometeu. E a caravana seguiu.

A cada noite, mais e mais gnus desapareciam, mas no da seguinte, a mesma história se repetia. O líder garantia que nada de anormal estava acontecendo, fazia uma meia duzia de piadas, e todos os demais gnus da manada voltavam-se para seus problemas, como não pisar em buracos, achar grama pra pastar e evitar os malditos carrapatos.

Um dia, um outro gnu se afastou um pouco do grupo e algo inusitado aconteceu: Do mato pulou uma leoa. O Gnu por sorte não foi atingido por suas garras poderosas, e disparou a toda velocidade para junto da manada. Vendo que tinha dado viagem perdida, a leoa voltou para o capim alto, onde se escondeu.

Agora eram dois os gnus bolados, dizendo que não apenas tinham visto um movimento não identificado no mato, como um deles alegava ter ficado “cara-a-cara” com seu predador. Mas novamente, nenhum gnu ligou.

-“Ei,  os malucos estão aumentando. Deve ser um surto!” –  Alguém la do meião brincou e todos riram.

E a manada seguiu o caminho. A cada dia amanhecendo desfalcada de um ou outro, mas no meião, todos estavam seguros, porque os lideres garantiram que não havia problemas maiores que os carrapatos, além do mais, a travessia do rio estava se aproximando, e logo depois viria a época de acasalamento, e nada como esses feriados da putaria pra aliviar o stress do dia a dia.

Então, o primeiro gnu bolado fez algo inesperado. Ele avançou pelo meio dos demais até chegar ao líder máximo do grupo, um gnu bem velho mas ainda forte, que seguia de cabeça baixa.

-Você sabe, não é mesmo?

O gnu líder olhou de soslaio e nada disse. Continuou sua marcha lenta pelo mato ressecado do sol.  Mas o jovem gnu bolado era insistente:

-Você sabe. Posso ver nos seus olhos. Eles estão lá! A verdade está la fora!
-Sim, eu sei. Eles estão lá. Nos seguem desde a última chuva. Estão seguindo e não tiram os olhos de nós.
-Mas por que vocês mentem? Por que não lutamos? Por que não reagimos?

O gnu velho olhou nos olhos do jovem gnu bolado: – Fazer o que? Causar o pânico? Dizer que qualquer um pode ser pego a qualquer momento por eles? Eu não posso fazer nada, mas posso iludí-los de que devem continuar que tudo dará certo. E assim, esperar que pelo menos eu esteja certo para 90% deles.

O jovem gnu estancou. Os outros animais da manada passaram por ele, que estava perplexo diante de sua máxima impotência. Bolado percebeu que muitas vezes, a ignorância é preferível à verdade.

E é assim, todos os anos na savana. Eventualmente um gnu fica bolado, mas logo é adormecido pela massa.

A manada segue, alheia aos mistérios que a cercam.

 

Os extraterrestres e a condição humana

Quando se fala em ufologia, falamos em objetos voadores não identificados (e eventualmente objetos marinhos também não identificados que estão ali na boleira dos grandes mistérios ainda insolúveis).Dentro do mistério de coisas que voam e ninguém sabe que merda é essa, existem algumas hipóteses. Uma delas é a HET, ou a “hipótese extra-terrestre”.  Nessa hipótese, essas ciosas que voam que são o mistério primordial, se tornam veículos, e quem comanda esses veículos são seres viventes, provenientes de algum lugar que não seja este planeta. Ou mesmo poderiam vir desse planeta, de uma base aqui ou duma nave escondida aqui, mas não são seres nativos daqui.

Seres extraterrestres existem? Essa hipótese é verificável?

Não. Em parte, existem pessoas que dizem que já viram. Há pessoas que juram terem falado com eles, entrado em suas naves e até passado por exames feitos por eles. Mas isso prova o que? São alegações.

Sem o ser em carne e osso, o alienígena que sustenta a HET é como “o grande gnu branco do céu”.

Mas eventualmente uma ou outra situação acontece, e nos sentimos na pele do “Gnu bolado”.  Veja, por exemplo, o seguinte relato:  De um incidente ocorrido no ano de 2004 que foi estudado por um programa do Pentágono (Advanced Aerospace Threat Identification Program) que investigou UFOs. Os especialistas advertem que as explicações terrenas geralmente existem para tais incidentes e que não saber a explicação não significa que o evento tenha origens extraterrestres.

O capitão de fragata David Fravor e o capitão de corveta Jim Slaight estavam em uma missão de treinamento de rotina no Oceano Pacífico a 100 milhas da costa oeste dos EUA, quando o rádio em cada um dos seus F/A-18F Super Hornets chamou: um oficial de operações a bordo do USS Princeton, um cruzador da Marinha dos EUA, queria saber se eles estavam carregando armas.

“Dois CATM-9s”, respondeu o comandante Fravor, referindo-se a mísseis de treinamento que não podem ser lançados. Ele não esperava nenhum encontro hostil na costa de San Diego naquela tarde de novembro de 2004.

O comandante Fravor, em entrevista recente com The New York Times, lembrou o que aconteceu depois. Alguns deles são capturados em um vídeo divulgado por oficiais de um programa do Pentágono que investigou UFOs.

“Bem, nós temos um vetor de mundo real para você”, disse o operador de rádio, de acordo com o comandante Fravor. Durante duas semanas, o operador disse, o Princeton acompanhava aeronaves misteriosas. Os objetos apareceram repentinamente a 80.000 pés de altitude, e então se precipitaram para o mar, eventualmente parando a 20.000 pés e pairando. Então, eles saiam do alcance do radar ou disparavam diretamente para cima.

O operador de rádio encarregou o comandante Fravor e o comandante Slaight, que deu um relato semelhante, de investigarem o contato.

Os dois aviões de combate dirigiram-se para os objetos. O Princeton alertou-os quando eles fechavam sobre o contato, mas quando eles chegaram ao “merge plot” com o objeto – linguagem da aviação naval por estarem tão perto que o Princeton não sabia quais eram os objetos e quais eram os caças — nem o comandante Fravor nem o comandante Slaight podiam ver qualquer coisa no início. Também não havia nada em seus radares.

Então, o comandante Fravor olhou para o mar. Estava calmo nesse dia, mas as ondas estavam quebrando sobre algo que estava logo abaixo da superfície. Seja o que for, era grande o suficiente para fazer o mar se agitar, como se estivesse fervendo.

Voando 50 pés acima do mar agitado estava uma aeronave de algum tipo – esbranquiçada – que tinha cerca de 12 metros de comprimento e forma oval. O objeto estava pulando de forma errática, mantendo-se sobre o distúrbio das ondas, mas não se movendo em nenhuma direção específica, disse o comandante Fravor. A perturbação se parecia com ondas espumosas e espuma, como se a água estivesse fervendo.

O comandante Fravor começou uma descida circular para olhar mais de perto, mas quando ele se aproximou, o objeto começou a subir em direção a ele. Era quase como se estivesse chegando a meio caminho, disse ele.

O comandante Fravor abandonou sua lenta descida circular e rumou direto para o objeto.

Mas então o objeto saiu. “Acelerou como nada que eu já vi”, disse ele na entrevista. Ele era, disse, “muito estranho”.

Os dois caças se comunicaram com o oficial de operações do USS Princeton e foram encaminhados a um ponto de encontro a 60 milhas de distância, chamado ponto de CAP (Combat Air Patrol), na linguagem da aviação.

Eles estavam no caminho e se aproximando quando o USS Princeton voltou a chamar pelo rádio. O radar voltou a pegar a estranha aeronave.

“Senhor, você não vai acreditar”, disse o operador de rádio, “mas essa coisa está no seu ponto de CAP”.

“Estávamos a pelo menos 40 milhas de distância, e em menos de um minuto essa aeronave já estava no nosso ponto de CAP”, disse o comandante Fravor, que se aposentou da Marinha, na entrevista. O OVNI violou todas as leis da física durante a manobra.

Quando os dois aviões de combate chegaram ao ponto de encontro, o objeto desapareceu.

Os caças voltaram para o USS Nimitz, onde todos no navio tinham ouvido falar do encontro do comandante Fravor e agora estavam zoando com ele.

Os superiores do comandante Fravor não investigaram mais e ele continuou com sua carreira, desdobrando-se para o Golfo Pérsico para prestar apoio aéreo às tropas terrestres durante a guerra do Iraque. Mas ele se lembra do que disse naquela noite para um colega piloto que lhe perguntou o que ele pensava ter visto.

“Não tenho ideia do que vi”, disse o comandante Fravor ao piloto. “Não tinha penas, asas ou rotores e era mais veloz que nossos F-18”.

Mas, ele acrescentou: “Eu quero voar um”.

A desclassificação deste tipo de evidência do Flir de aeronaves perseguindo ufos, me parece como a admissão de impotência do líder gnu.

Há quem espere que não passe de delírios ou imaginação fértil, erros de interpretação. A ampla maioria busca se fechar em sua concha de problemas corriqueiros, torcendo para o que quer que esteja isso, acabe logo. E há os que continuarão a olhar para o mato, porque sabem que a verdade está la fora.

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10 comentários em “A fábula dos Gnus, os extraterrestres e a condição humana”

  1. Philipe, pode parecer uma pergunta boba, mas, pra você, por que até hoje eles se mantém no reservado, digo, por que até hoje nunca se mostraram, mesmo em situações quase acabarmos com o mundo?
    Acredita que eles ainda nos visitam pra estudos?

    Não consigo pensar algo lógico nesse ponto do tema.

    • Chará, vou pegar carona no seu comentário.

      Já ouvi vários relatos de que muitas civilizações nos visitam, umas apenas como observadoras e outras nos abduzindo e estudando ativamente.
      Ao meu entender, deve rolar alguma coisa semelhante a 1° Diretiva de Star Trek, de não interferir com a civilização nativa. E que uma aliança de raças deve nos observar mesmo algumas sendo mais radicais. E realmente o mundo não acaba, a humanidade sumindo do mapa, 100 mil anos depois o mundo se restabeleceu.

    • Tenho duas hipóteses para isso que podem nem ser excludentes. Talvez sejam complementares:

      1- Não somos importantes a esse ponto. Num planeta como o nosso, a forma de vida humana é só ais uma entre milhões de outras, que se considera importante, mas talvez não tenha essa bola toda. Em paralelo, outra forma de vida extrínseca ao planeta pode conhecer inúmeras outras, de modo que ela não pode se arvorar a ser a porta-voz de todo um conjunto extraterreno. Não sei se existe uma organização para uma apresentação formal. O conceito de apresentações formais decorre da abstração humana da posse. Tudo aqui no planeta pertence a alguém, porque nossa mente cresceu nessa limitação. Mas no mundo lá fora, talvez não seja assim. Aliens devem desconhecer “espaço aéreo” e “invasão”, porque simplesmente essa ideia não faz o minimo sentido pra alguém que não seja limitado a um planeta.

      2- Talvez isso já tenha ocorrido e deliberadamente foi decidido pelo nosso lado, que “não deveríamos saber” os detalhes.

      • Cara da mesma forma que abelhas são alheias a nossa presença, mesmo que interferimos diretamente em suas colmeias, simplesmente por sua limitação de conhecimento, essas diferentes e “incompreensíveis” formas de vida podem estar interferindo na nossa sociedade. Apenas não temos conhecimento para ver.

    • Na lista de surpresas inclua a admissão formal de um programa oficial com polpudas verbas para estudar ufos durante 5 anos. De modo que isso pode ser uma resposta do tipo “hide my ass” para as auditorias da administração Trump sobre gastos extraordinários do Pentágono. Se ele questionou por que gastar tanto num programa de estudos de ufos quando a propria USAF alega que “não existe nada além de balões e gases do pântano” pode ser uma solução liberar alguma coisa na linha de “olha, mas tem alguma coisa” até porque a empresa que desenvolveu o programa caríssimo de análise tem conexão estreita coim certos senadores, parece. A coisa pode ser um misto de problemas administrativos. O que me intriga é isso não estar pra dentro do black budget.

  2. Interessantíssimo uma revelação destas de forma que, para nós, se parece repentina.
    Obviamente, a administração de um país só revela algo, no mínimo, intrigante e que gera um alto custo no orçamento, com o intuito de manipular alguma coisa. Ou seja, há sempre interesses escusos!
    Mas o que me intriga é, iniciando revelações que, desde sempre, foram negadas pela adm. americana, onde isso poderia levar? Sinceramente, gostaria que esta guerra administrativa interna levasse a um efeito dominó. O Trump não joga a toalha fácil, espero que o senador republicano, nessa briguinhas de marionetes, permita a liberação de mais documentos.

    • Há uma hipótese interessante sobre isso ser uma pressão interna para aumentarem o orçamento negro. Do tipo, “olha só, se isso não for pra debaixo do guarda-chuva vamos ter que dar explicações indigestas”

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