Estranhas esculturas do século XVIII

Olha que maravilha pra decorar a sua estante da sala.
Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Estranhas esculturas do século XVIII

Imagina só como estas esculturas podem ficar fantasmagóricas à meia luz. Colocar isso no criado-mudo é garantia de pesadelo por muitos anos, hehe.
Eu não fazia a mínima ideia da razão dessas cabeças bizarras, que achei acidentalmente no google. Comecei a pesquisar e acabei achando outras. Daí eu pensei que por alguma estranha razão, teria sido moda este tipo de escultura no século XVIII.

São faces esculpidas em bronze, mármore e outros materiais mostrando homens contorcendo os músculos da face de modo tão estranho que só vemos este tipo de expressão em duas situações: Prisão de ventre e exame de próstata. Se alguém tiver alguma pista da razão pelo qual uma pessoa coloca este tipo de busto para decorar a casa, me avise, ok?

Então eu comecei a pesquisar e me impressionei com a história delas.
Se você ficou curioso, saiba que estas esculturas são todas de um mesmo artista.

Franz Xaver Messerschmidt era um escultor austríaco que morreu em 1783. O trabalho dele era barroco, mas ficou realmente famoso após ter feito essas cabeças malucas aí. Cada uma dessas deve valer uma nota preta hoje em dia.

Mas se você acha que a bizarrice acaba aqui, espere só até eu contar a você a história por trás dessas estranhas esculturas: Franz Xaver Messerschmidt era apenas mais um escultor que trabalhava em Viena. Seus trabalhos corriqueiros eram retratos de pessoas abastadas e nobres. Ele vivia de trabalhos comissionados quando finalmente em 1769, ele foi nomeado para o cargo de professor assistente na Academia Imperial de Viena.

Tudo ia bem na vida de Franz, um homem robusto, de aparência muito simples e formal, quando o professor titular da cadeira de escultura morreu. Franz ficou feliz, pois sendo o professor assistente, era lógico que ele ocupasse o lugar de mestre escultor da real Academia.
“Mas a vida é uma caixinha de surpresas…”
E bem na hora em que Franz iria atingir o cargo de seus sonhos, foi preterido por outro aventureiro. Ocorre que Franz havia tido uns episódios de loucura passageira (algo comum naquela época pré Freudiana) e a Imperatriz da Áustria não achou que seria muito sensato dar o cargo a ele.
Óbvio que de “passageira” a loucura do cara não tinha muito para que isso acontecesse, né?
Então, com o orgulho ferido e a mente ainda um pouco confusa, ele pegou seus trapos e foi embora de Viena. O escultor foi parar ao sul da Alemanha, onde se candidatou a uma posição na Academia de Munique. Ele obteve o emprego em 1775, e finalmente se fixou em Pressburg em 1777.
Foi em Pressburg que Franz Messerschmidt criou estas estranhas cabeças. Só sabemos como ele fez estas coisas porque coincidentemente, durante esta fase do artista ele foi visitado por um estudioso chamado Friedrich Nicolai, que acompanhou e posteriormente relatou o estranho processo que culminava nessas caretas grotescas e assustadoras. Quando Nicolai visitou Franz, este vivia recluso, numa casa que era praticamente um único cômodo, sem conforto nenhum. O homem vivia para o trabalho e o trabalho era esculpir caretas.
Quando Nicolai perguntou a Franz a razão das cabeças, ele escutou um relato confuso, que poderia ser resumido da seguinte forma: embora tivesse vivido casto desde a sua juventude, Franz Messerschmidt era freqüentemente visitado por fantasmas!
Sim, meu amigo. Fantasmas apareciam pra ele e eram os espectros que causavam-lhe dores no abdômen e nas coxas. Felizmente, Franz conseguiu desenvolver um sistema para afastar esses algozes. Este sistema foi baseado no conhecimento de proporções universais, que Franz aprendeu com o estudo do egípcio Hermes Trismegisto , de cuja estátua sem braços, Franz mantinha num desenho preso sobre a cama dele. Segundo Messerschmidt foi o conhecimento da proporção que deu a ele o poder de resistir aos tais espíritos.
A teoria de Franz se baseava na idéia de que todas as coisas têm sua proporção adequada, e todos os efeitos provenientes disso. Logo, quem pode reproduzir em si as proporções de um outro ser, deve ser capaz de produzir efeitos iguais aos efeitos do outro.
Confuso? Não esqueça que ele foi recusado em Viena por ser maluco.
Na lógica torta de Franz, Hermes Trimegistro continha a chave para o segredo de proporção, que por sua vez, conteria uma espécie de “norma” do corpo humano. Daí ele concluiu (nesta parte acho que ele foi mais feliz) que a cabeça e o corpo se correspondem de modo direto: cada parte do rosto, por exemplo, está relacionada a alguma outra parte do corpo, por analogia secreta.
Daí que Franz Messerschmidt teria tido esta “iluminação”, um insight fenomenal que de certa forma liga a arte da escultura com a anatomia, aos cálculos das proporções e até a acupuntura, nesta época ainda completamente desconhecida na Europa. O insight teria sido tão legal que ele percebeu que isso despertou a ira de um dos mais poderosos fantasmas, o fantasma da proporção. O espírito da proporção não era apenas o mais poderoso, mas era o chefe de toda uma legião de espíritos que o atormentavam.

Mas sem se deixar intimidar pelas dores que o espírito maléfico infligida a ele, Franz resolveu aprofundar a reflexão sobre o mistério da proporção, a fim de sair vitoriosos na contenda contra o fantasma. Franz passou a observar num espelho as dores que sentia em sua parte inferior do corpo. Foi com estas expressões que ele trabalhou nos rostos de seus bustos que ele chegou à conclusão de que, se ele se beliscasse de forma suficientemente violenta, em diferentes partes do corpo, ele obteria como resultado caretas diferentes, que de uma maneira com o qual apenas ele conseguia entender, Atingiriam a proporção correta do Egito, e portanto assim ele chegaria a perfeição em matéria de proporção.

Após explicar esta bizarra teoria ao visitante inglês, o artista precisou fazer o processo, ao vivo e à cores, porque Nicolai tinha dificuldade de entender o alemão do artista austríaco. Satisfeito com o seu sistema, Messerschmidt resolveu passá-lo para a posteridade por meio de suas cabeças esculpidas, das quais que ele planejava executar sessenta e quatro, já que em sua opinião, havia apenas sessenta e quatro “caretas canônicas”.

Nicolai reconheceu que as cabeça esculpidas dividiam-se em três grupos. Havia um pequeno número de cabeças bastante “naturais” que mostravam as características de seu criador ligeiramente enobrecido por um toque de estilização, ou animada pela expressão bastante comedida, ou distorcidas por espasmos tão normais como são produzidos por espirros ou por um simples bocejo.

Em contraste com este grupo havia duas esculturas que eram de uma pessoa fazendo um enorme bico. A aparência era deveras monstruosa em que, em cima de pescoços dolorosamente prolongados e contraídos, as formas do queixo, boca e nariz foram empurrados para cima e reunidos em uma forma pontiaguda.

Estranhas esculturas do século XVIII

Messerschmidt parecia ter muito medo dessas cabeças e admitiu à Nicolai que elas representavam o maléfico Espírito de proporção. O espírito havia machucado Franz violentamente, mas ele revidou, se beliscando de volta, O_o  até que finalmente conseguiu esculpir essas duas cabeças em mármore, mas quase morreu na tentativa. Na última, o espírito derrotado desapareceu, deixando no ambiente um terrível mau cheiro.

O terceiro e maior grupo de cabeças, era constituído por 54 bustos. Todas elas eram caretas e pareciam ser auto-retratos. Nicolai observou que em muitos deles, a boca estava bem fechada e os lábios desenhados em modo a formar uma linha fina. Messerschmidt explicou essa característica curiosa, salientando que os homens não devem mostrar o vermelho de seus lábios, uma vez que os animais não faziam isso e os animais, como lembrou ao visitante, eram superiores aos homens em todos os aspectos ocultos da natureza.
Da série “Coisas que levariam ao êxtase qualquer psicanalista clássico”.

fonte

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16 comentários em “Estranhas esculturas do século XVIII”

  1. “Mas a vida é uma caixinha de surpresas…” – Rolei no chão de tanto ri com este trecho.. Vida injusta para nosso querido Franz ..! rsrsrs … òtimo Texto… Sucesso =D 😆

  2. Caramba Philipe…

    Acho que é o primeiro post que realmente me deixou boqui-aberto.

    Seus contos, casos e histórias são muito bons, mas esse post superou a Gumpice extrema.

    Sou fã de filosofia e um pouco curioso sobre psicologia…

    Esse assunto é muito interessante.

    O maluco aí até que não estava tão errado assim.
    Imagina esse cara em um estado de sanidade?

    Vai ver ele não teria essas ideias, mas seria interessante bater um papo com ele…

    Além do que, é um ótimo artista…

    Será que existe fronteira entre a loucura e a arte?

  3. Texto realmente bom. Ótima capacidade de síntese narrativa. A parte “a vida é uma caixinha de surpresas”, afora o aspecto popularesco não é muito adequado porquanto não se pode supor que não seria natural a não opção pelo personagem ao cargo. Porém, o texto supera esse entre trecho infeliz. Parabéns! Também pela descoberta de tão interessante história. É curioso que muitos homens construíram sistemas de conhecimento alternativo à margem dos pensamentos contemporâneos majoritários. A maioria deles é absurda. Sucesso! Ariel

  4. A não escolha do que seja belo ou agradável aos olhos já demonstra a genialidade do artista.
    Esta genialidade é mais evidenciada devido à qualidade do seu trabalho, que beira a perfeição.
    Assusta, impressiona. O feio torna-se belo para os olhos de quem ama.

  5. Então Messerschmidt estava tentando se comunicar através de pontos de acupuntura com as diversas energias imateriais que uniram os blocos celulares, através da dor…e ele intuiu um número interessante: 64 é um múltiplo de 8 e pode-se notar que isso está ligado hoje em dia a Informática, senão veja: 8 bits, 16 bits, 32 bits e 64 bits… é o mesmo sistema utilizado no bagué chinês e na acupuntura. Talvez a mente do ser humano no fundo seja programada para descobrir estas coisas, frustrações grandes e sofrimento mental pode ser que destrave o mecanismo no inconsciente.
    Mas teria sido mais fácil ele tomar um analgésico. Descanse em paz.

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