Como construir sua própria LAVA LAMP

Eu resolvi criar este post para atualizarmos permanentemente os passos de criação de uma lava-lamp.

Assim sendo, vamos começar explicando de maneira direta e simples o que é uma lava lamp:

Uma lava lamp é um tipo de enfeite-abajur formado por uma garrafa ou recipiente similar que é iluminada e aquecida por uma lâmpada incandescente sob sua base. No interior da garrafa estão dois líquidos com massas específicas similares. Assim, o calor atinge o líquido que está no fundo e ele sobe. Afastando-se da luz, ele esfria e desce. A coisa fica assim dando um resultado parecido com isso:

Existem vários tipos diferentes de lava lamps. Alguns realmente grandes, de todas as cores, com estilos diferentes e principalmente: Formulações diferentes. Ocorre que cada fabricante mantém sua fórmula em total sigilo. Mas calma aí! Nós somos contra esses segredinhos. Acreditamos que qualquer um deve ter acesso ao lance desde que queira fazer. Quem tiver preguiça sempre vai poder comprar.
Então este post tem a função de democratizar as formulações de modo que qualquer um possa criar e inovar no “lava design”.

Vou colocar aqui um video enviado pelo leitor Douglas, que mandou uma receita muito interessante de lava lamp feita com cera (a mais comumente formula usada nas lava lamps comerciais)
Se alguém puder traduzir aí os componentes eu agradeço (e publico aqui).

Aqui está o link para o post com a formula da lava lamp que eu fiz há uns 3 anos atrás.

Uma dica interessante é que grande parte do segredo não está só nos componentes e sim na estrutura. É importante obter um vidro legal. Quanto menos distorções tiver, melhor será. Outra coisa, o vidro deve ter um tamanho adequado em termos verticais. A explicação para isso é que com a lampada acesa, a garrafa vai adquirindo cada vez mais calor. Até que chega um ponto em que o liquido fica tão quente que inviabiliza o belo efeito da troca de lugar entre os compostos, enchendo a garrafa de bolhinhas. Para evitar isso eu usei (na minha versão com álcool) um tubo de ensaio gigante feito com lâmpada fluorescente velha. (você acha isso fácil em lojas de floricultura e arranjos florais) A vantagem do tubo é que ele faz com que a troca dos líquidos dure mais tempo, uma vez que o aquecimento do recipiente inteiro demora mais em função da altura, que opera como uma serpentina de resfriamento. Porém, estes recipientes tendem a ser estreitos e isso atrapalha um pouco o efeito visual. Um bom vidro é aquele que é largo e alto. Sem distorções nem costuras ou coisas pintadas em cima. Em lojas de decoração existem vidros assim para colocar flores. Eles são relativamente baratos e servem muito bem para estes experimentos. Escolha um que tenha pelo menos a dimensão de uma garrafa de vodka absolut. Isso prolongará o efeito.

Metodo simples de substituir o liquido transparente de uma lava lamp – dica de João overto Gabbardo:

Esta é uma história que começou triste que teve um final no mínimo interessante.

Um belo dia despertou em mim o súbito interesse por um tipo de luminária que já havia visto em filmes até em animações, tipo O espanta tubarões – na cena da festa no apartamento de cobertura onde a “peixinha” Angie namorada do personagem principal, o peixe Oscar, dá de presente a ele uma luminária lâmpada de lava e ele coloca ela ao lado de uma lâmpada lava gigante para a qual Angie olha com uma cara entre espanto e decepção. De início pensei em fazer uma delas, e pensei da mesma forma que muitos dos que tem este mesmo desejo: lá dentro deve ter algo do tipo parafina e água. Mas não confiei muito nesta premissa, coisa de engenheiro que sempre supõe que as coisas nunca podem ser simples e pus-me a pesquisar na INTERNET. Logo descobri que a coisa de fato não era tão simples, encontrado várias receitas, algumas potencialmente perigosas, outras nem tanto e algumas bizarras. A receita que considerei mais consistente e sem grandes riscos foi a que usa percloroetileno e parafina para a lava, água destilada para o líquido onde a lava se move e sal para ajustar a sua densidade. Encontrei duas páginas com instruções muito boas sobre esta receita:

http://www.oozinggoo.com/ll-form5.html
http://www.mundomanuales.com.ar/lamparas_de_lava.html

Motivado pelas descobertas, telefonei para duas lojas que vendem produtos químicos perguntando se tinha percloroetileno e a resposta foi não. Pode ter sido azar, coincidência, preguiça de telefonar para outras lojas, tudo isso junto, sei lá fiquei desestimulado e daí parti para o plano B: comprar a tal lâmpada. Novamente pesquisando na INTERNET, pularam de cara algumas ofertas no ML e decidi comprar uma de 33 cm com bolhas azuis e líquido transparente. Esperei ansiosamente a entrega da lâmpada e qual a minha surpresa ao abrir a caixa e ver que o líquido que deveria ser transparente estava com um aspecto esbranquiçado, leitoso. Sequer dava para ver a mão atrás da garrafa! Contatei a vendedora reclamando do problema e a explicação para o ocorrido não foi muito consistente: o líquido teria ficado turvo por causa da agitação excessiva ao longo da viagem. Até pode ser, mas há uma pequena diferença entre a distância da China até São Paulo e de São Paulo até Porto Alegre onde moro. Foi oferecida a possibilidade de retornar a luminária e ter o meu dinheiro ressarcido porém decidi ficar com a lâmpada pois considerei que seria uma ótima oportunidade para efetuar algumas experiências e também se eu resolvesse pôr em prática a receita que escolhi, não haveria a necessidade de procurar por uma garrafa adequada, base, etc. pois já as tinha.

O mais plausível seria atacar primeiro o problema do líquido onde a lava se move. Era óbvio que havia ocorrido algum tipo de contaminação por migração de partículas seja da parafina ou do corante ou mesmo ambos.

Primeiramente marquei a altura do líquido na garrafa com uma fita adesiva, abri a ampola e guardei o líquido para medir a densidade posteriormente ou mesmo em caso de fracasso total, repô-lo na garrafa e me conformar com a situação.

Resolvi experimentar primeiramente colocar água da torneira para ver que iria acontecer, afinal como estas luminárias são fabricadas na China e lá eles sempre buscam reduzir os custos de produção ao máximo, então porque não supor que o líquido transparente fosse somente água? O segredo podia estar na fórmula da lava. Após fazer isto e ligar a luminária, observei que a lava tendia a se acumular no topo o que indicava que a densidade da lava quando aquecida ficava baixa demais em relação à da água utilizada, mas para ter certeza disso havia necessidade de medir a densidade do outro líquido. Como sou professor de uma escola técnica e que também tem ensino médio, foi relativamente fácil ter acesso ao laboratório de física e por conseguinte a um densímetro. A escala do densímetro que usei não possuía grande resolução mas era suficiente para uma primeira medição e acusou uma densidade levemente maior do que a água, mas isto poderia ser causado pela contaminação pela parafina da lava.

Para eliminar a possibilidade que sais minerais da água da torneira estivessem aumentando a densidade da água e causando o acúmulo da lava no topo, troquei a água da torneira por água destilada tomando o cuidado de lavar a garrafa antes com a água destilada e novamente houve acúmulo da lava no topo.

A conclusão é de que realmente a densidade da lava quando aquecida ficava muito baixa em relação à da água. Ainda assim resolvi experimentar algo que seria um total contrasenso: adicionei sal na água para ver o que iria acontecer. A adição de sal causa o aumento da densidade e obviamente o esperado aconteceu: acúmulo de lodo no topo. Ainda assim adicionei outras pitadas de sal, mas não deixando a luminária ligada durante muito tempo entre as adições. Porém após a última adição deixei ela ligada por várias horas e verifiquei que quase todo o lodo tendeu a se concentrar no topo e ali permanecer na maior parte do tempo.

Restou então verificar o que iria acontecer ocorrer se a densidade do líquido transparente fosse reduzida. O meio mais fácil de se fazer isto é adicionar à água alguma substância que possua menor densidade do que a dela, lembrando que água pura tem densidade igual a um, tal como algum tipo de álcool. Eu tinha à disposição álcool isopropílico e álcool etílico. Resolvi não usar o isopropílico por ser tóxico também porque pudesse reagir com a parafina, afinal não sou químico e o seguro morreu de velho. O álcool etílico ou etanol é o álcool comum de limpeza mas tem que ser o de 98,2 INPM que significa ser álcool quase puro. Removi a salmoura, lavei a garrafa e ainda deixei a lâmpada ligada com água comum duas vezes trocando a água para eliminar ou reduzir ao máximo o sal. Preenchi então a garrafa com água comum mesmo pois estava guardando o restante da destilada para usar caso a minha previsão se confirmasse.

Sabendo que a densidade do líquido transparente deveria ser levemente menor do que o da água mas ao mesmo tempo desconhecendo qual era esse valor exatamente, deveria ser adicionada uma pequena quantidade de álcool e usando uma pipeta comecei a adicionar 0,1 ml por vez, fechando ela e agitando com delicadeza para misturar bem e posteriormente deixando a lâmpada ligada por algumas horas para verificar o comportamento da lava.

Após adicionar 0,3 ml a tendência do lodo se acumular no topo e permanecer ali por muito tempo se reduziu. A partir deste ponto comecei a adicionar 0,05 ml por vez para tentar um ajuste fino do comportamento. Com 0,5 ml de álcool adicionado a luminária atingiu um comportamento que me agradou, onde o lodo se distribui aproximadamente pela metade no topo e no fundo. No entanto as bolhas que se formam são sempre relativamente grandes. Como efeito colateral dos meus experimentos a cor da lava, que quando coloquei água limpa da primeira vez era originalmente de um azul escuro profundo se alterou significativamente, agora ela apresenta uma coloração tipo vinho tinto. Não percebi visualmente mudança da cor da água em nenhum momento, mas ainda assim pode ter havido migração de partículas do corante, bem como pode ter havido alguma reação do corante com o álcool, também pode ter sido causado pelo excessivo aquecimento da porção da lava que permanecia no fundo nos primeiros experimentos com água e depois água e sal, pois mesmo havendo o acúmulo da lava no topo, de tempos em tempos essa massa de lava quando esfriava descia ao fundo e se misturava com a porção que estava lá. Sendo este processo cíclico, a coloração de toda a lava como um todo teria sido alterada.

Eu fiz várias mudanças de líquido ao longo de todo o experimento, algo que certamente quem quiser somente trocar o líquido transparente da lâmpada não vai fazer e assim acredito que não haverá qualquer alteração na cor da lava e, se houver, será mínima.
De qualquer forma, acredito que cheguei a um método simples e barato para recuperar luminárias em que o líquido tenha ficado contaminado.

Algumas recomendações/sugestões:

– Não se esqueça de marcar a altura do líquido original na garrafa, seja com uma caneta tipo marcador permanente ou fita adesiva. A quantidade de álcool adicionado álcool é pequena em comparação ao volume de água e não haverá um aumento substancial no volume total. Nunca encha totalmente: é necessário um espaço no topo para a dilatação das substâncias.

– Adicione inicialmente 0,4 ml de álcool, veja o que acontece e decida se será necessário acrescentar mais, preferivelmente 0,05 ml de cada vez. Se for acrescentado álcool em excesso a tendência do lodo será ficar sempre no fundo e será necessário descartar esta mistura fora e começar de novo. Assim não tenha pressa, este é um procedimento que exige paciência pois deve-se deixar a luminária ligada por algumas horas e depois esfriar completamente para adicionar mais álcool.

– Tampe a garrafa após adicionar o álcool e após ligue a luminária. Não é aconselhável deixar ela destampada quando estiver aquecida por causa da evaporação e também porque o espaço de ar no topo influencia no comportamento da lava. Não se preocupe, não há qualquer perigo de incêndio pois a concentração de álcool é muito baixa. Para tampar a garrafa poderá ser usada uma pequena rolha de borracha com diâmetro adequado, tipo as que se usam para fechar tubos de ensaio.

– Se a luminária possuir um dimmer faça os testes com ele ajustado para o máximo de luminosidade modo a obter também o máximo aquecimento possível. Este é o pior caso, ou seja, onde há a tendência de haver acúmulo da lava no topo porque a diferença de temperatura entre o topo e a base é pequena e assim o ajuste da densidade deve ser feito nestas condições.

– Não experimentei adicionar detergente na água para ver se o tamanho das bolhas mudava. A finalidade do detergente é reduzir a tensão superficial da lava e assim possibilitar que se “quebre” mais facilmente. É uma possibilidade a ser experimentada, porém li que muito detergente “afina” a lava e ela tende a escorrer ao invés de formar bolhas. Assim devem ser adicionadas gotas pequenas de detergente por vez, seguindo o mesmo procedimento da adição do álcool.

Pretendo tentar recuperar a cor original da lava e para isto é necessário após deixar a lâmpada esfriar completamente, dar uma sacudida nela para soltar aquela porção de lava que fica no topo (ao menos na minha desde que coloquei para funcionar pela primeira vez sempre ficou um pouco de lava no topo após esfriar), retirar líquido transparente guardando ele em uma garrafa com tampa para evitar todo o trabalho de ajuste da densidade novamente e derreter o lodo da mesma forma que se derrete parafina, em banho-maria. Quando o lodo estiver líquido, bastará acrescentar corante para velas na cor azul e agitar delicadamente para misturar.

Por fim: Novamente recomendo que vá devagar e com calma, o procedimento de ajuste de densidade exige paciência e é um pouco demorado mas o resultado final compensa.

Se resolveres fazer esta experiência, gostaria muito de saber quais foram os resultados obtidos. Se tiveres qualquer dúvida, envie uma mensagem que terei imenso prazer em lhe responder.

João Roberto Gabbardo
Engenheiro Eletricista ênfase Eletrônica
Mestre em Engenharia Elétrica

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29 comentários em “Como construir sua própria LAVA LAMP”

  1. Os ingredientes são esses:

    cêra de parafina
    tetracloroetileno ou percloroetileno
    água destilada
    sal
    etilenoglicol
    frasco de Erlenmeyer
    cilindros graduados
    frascos de Beaker
    grelha elétrica

    Só que ao que me parece não é um negócio tão DIY… O percloroetileno (principalmente os vapores) é BASTANTE tóxico e sua venda é regulada pela ANVISA. É utilizado pra lavagem a seco industrial.

    O equipamento (Beakers, Erlenmeyers) é encontrado em qualquer laboratório de química de escola.

    Acho mais fácil comprar uma lâmpada dessas. Tem umas chinesas baratinhas no dealextreme.com

    Vai evitar uma intoxicação, queimadura, etc…

  2. Você usou a lava que vem na luminária ou tentou fazer uma usando a parafina e o perc?

    Será que tem como fazer uma sem usar o Perc, como por exemplo, água, alcool e parafina?

    Abraços

      • Mas usou qual proporção?

        Por exemplo hoje fiz testes com parafina e alcool isopropílico, como vi em um vídeo no Youtube, porém, a parafina ficou aglutinada e se misturou ao alcool, dando um aspecto de sabonete mole, e não deu o efeito bolha para gerar a lava.

        Isso fiz usando uma garrafa de 250ml, coloquei mais ou menos uns 30/40 ml de parafina derretida, e o restante de alcool isopropílico à 80%, e não deu certo.

        Abraços

        • Como tem muito tempo que eu fiz, já não lembro exatamente a proporção. Uma dica é começar a misturar com a lâmpada ligada, para que vc saiba que chegou no ponto certo quando começa a subir as bolhas.

  3. Philipe, gostaria de saber a fórmula para mudar a cor da água.

    Eu poderia deixar o líquido que está na lava lamp e adicionar apenas corante alimentar?

    Aguardo resposta!

  4. Olá, eu estou querendo fazer essa luminária também e como você vi vários métodos diferentes, eu tenho os seguintes materiais:
    água destilada, álcool comum; 70% e 92%, fio de cobre para colocar no fundo do recipiente, parafina, corante, óleo transparente, lâmpada de 60 e 40watts, acho que não me esqueci de nada. certo. gostaria de saber além do que realmente usar hahha se poderia substituir o recipiente de vidro por um de plástico resistente, similar ao acrílico. senão usarei de vidro mesmo. Sobre os materiais cada um fala uma coisa, e tenho todos eles, qual é o melhor método? 
    Desde já obrigada!

  5. OLA!!!!
    EU GOSTARIA DE SABER SE A BASE PODE SER USADA COM LATA DE LEITE EM PÓ  E A PARTE DE CIMA VOCÊ USA  O QUE???
    SENDO A BASE DE LATA DE LEITE EM PÓ ELA NÃO VAI AQUECER NÃO ??? E A LÂMPADA PODE SER USADA UMA LÂMPDA ENCANDECENTE DE 40W ????
    EU TENHO O RECEPTÁCULO, LÂMPADA, LATA DE LEITE, PARAFINA, FIOS , TOMADAS SÓ FALTA A PARTE DE CIMA O QUE VOCÊ COLOCOU NA SUA ?  EU POSSO USAR ÓLEO DE CUZINHA NORMAL ???  O QUE EU FAÇO ????   
    SE PODER ME RESPONDER  E-MAIL:    [email protected] 

  6. até onde sei o corante que estão falando pode ser simplismente aquele vendido em bomboniere pra confeite de bolo a diferença esta que um é a base de agua e o outro a base de oleo. tinha receita e era simples demais….

     e dava certo.

  7. eu tenho uma lava lamp original so que o liquido evaporou ou vazou, ta quase pela metade,eomo sera que faço para repor, sera que é agua comum ou destilada e ai vou adicionando gotas d ealcool ate dar a densidade certa, por favor me ajudem!
    Daigo Shirota

  8. Eu fiz uma que coloquei glicerina misturada ao corante no fundo 1/4 da garrafa, depois coloquei 1/4 de alcool 70%,  1/4 de alcool 92,8 e no final uma colher de terebintina. Deu certo…

  9. ola Philipe
    ola galera

    estava querendo fazer uma lava lamp com uma garrafa de vodka absolut pra decorar minha sala, porém como ñ tenho tanta familiaridade com os procedimentos e receitas que pesquisei tive uma idéia, se lavar bem a garrafa (por dentro) pegar duas lava lamps que tenho aqui (as minhas comprei na 25 de Março e são de parafina) deixa-las ligadas pra aquecer a lava e depois transferir o liquido e lava delicadamente pra garrafa de absolut e vedar/fechar bem elas vão continuar com o mesmo efeito?

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