As relíquias de Czernica

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Tudo começou com uma longa lista de emails trocados com um amigo russo que conheci num forum de ufologia há uns quatro ou cinco anos atrás. Logo nos tornamos grandes amigos, embora nosso contato tenha sempre sido cordial demais, íntimo de menos e com um certo distanciamento, talvez pela língua. Oleg não sabe muito bem o inglês e meu russo não é algo que se diga, invejável, até porque ele não existe para além de três ou quatro palavras. Apesar de tudo, sempre trocamos links, em sua totalidade piadinhas e fotos ufológicas. Oleg também  mandou dois livros ano passado, que aliás, levaram uma eternidade para chegar aqui. Obrigado Correios.

Uma coisa curiosa do Oleg é que ele sempre coloca o nome “Boris” no Subject. Não me pergunte por que ele faz isso. Seja para fotos de carros tunados, seja para documentos ufológicos, o subject é sempre o mesmo: “Boris”.

Em sua última mensagem, Oleg tratava de levantar umas informações que eu havia pedido a ele com um contato que ele tinha, que segundo me contou, era o  avô de um amigo dele de infância. Foi o maior email que recebi dele ate hoje.  Diferente do que sempre fez, usando o google para traduzir, dessa vez o email veio todo em russo. Achei curioso. Então ao traduzir, entendi. O email não era escrito por ele, mas sim um corte/paste de um outro email,  vindo dessa pessoa, um tal D. Boryslev.

docboris 576x1024 As relíquias de Czernica Felizmente já traduzi a mensagem, que recebi há algum tempo. Aqui está:

Bom dia senhor David, Espero que este email o encontre em plena saúde. Conforme nossos entendimentos através do nosso amigo Oleg Shatov, repasso aqui uma breve ordem dos eventos históricos que consegui levantar com um amigo que um militar e que não deseja se envolver muito nesse assunto, por questões óbvias e por isso omitirei seu nome. Desse modo, já peço desculpas por algumas eventuais falhas na cronologia.

Segundo o general, a caixa, chamada por ele de “urna das caveiras” teria sido localizada em Waischenfeld, cerca de um mês após a batalha de Berlim pelo exército soviético, numa das bases da Ahnenerbe. A caixa estava num fundo falso sob o assoalho de uma casa pertencente a Wolfram Sievers, junto com outros artefatos que o general disse desconhecer, mas que certamente sabe bem do que se trata, dado seu mal humor ao falar sobre este assunto.

A fonte conta que esse lote de “relíquias” do III Reich deveriam ter sido embarcadas num submarino com destino desconhecido, conforme alguns documentos anexos, mas as condições de Guerra teriam impedido o embarque. Quando foi descoberta, ela causou alvoroço nas tropas, porque estava oculta numa antiga caixa de minas, reutilizada com o simbolo da Ahnenerbe Forschungs- und Lehrgemeinschaft, que acreditamos ser os depositários deste tipo de objeto de “natureza incomum” pelo Reich.

Posteriormente, a urna das caveiras foi levada para um depósito da KGB onde permaneceu esquecida por aproximadamente vinte anos, até que ela foi removida e levada para outro depósito, este, clandestino, dedicado a relíquias espaciais, se é que o senhor entende a que tipo de “reliquia” eu me refiro.

Em 1992, Vladimir Mitrokhin, um dos diretores do arquivo do serviço de inteligência externa no quartel-general da KGB esteve nesse depósito e requisitou uma série de objetos e documentos, entre eles, a urna. Mitroknin era clandestinamente um dissidente. Por mais de dez anos, ele levou arquivos para casa, os copiou à mão e posteriormente os datilografou e recolheu em volumes. Os arquivos ficavam escondidos em sua dacha, alguns deles dentro de um latão de leite que ele enterrou no terreno. Um dos últimos atos dele foi pegar a urna.

Depois do colapso da União Soviética em 1991, Mitrokhin viajou para um dos países bálticos. Nâo se sabe para qual deles – e levou uma amostra de seus “arquivos” à embaixada dos Estados Unidos, mas sua abordagem foi rejeitada, pois pensaram que fosse uma ação de contraespionagem. Sabe-se que ele teve sucesso com a agência de espionagem britânica, e graças à isso, Mitrokhin passou o resto de sua vida no Reino Unido, vivendo com um nome falso e sob proteção policial. Ele morreu em 2004 aos 81 anos.

Em algum momento, Vladimir Mitrokhin desistiu de passar a urna para o governo. Meu interlocutor do exército acredita que “o canalha” como ele ficou conhecido nos círculos internos da KGB, teria notado a importância daquela caixa e optou por trocá-la por dinheiro. Assim, a urna das caveiras foi parar nas mãos da máfia.

Sabe-se que anos depois, ela estava na casa do bilionário russo Boris Berezovsky, junto a uma grande coleção de objetos raros. Boris Berezovsky era um grande desafeto do governo e vinha sendo investigado por ordem do Kremlin durante anos, até que segundo o General, as reliquias foram descobertas. Isso aconteceu em 1998, e o governo passou a ameaçá-lo para obter esse e outros objetos roubados de volta. Não sei se apenas por isso, Berezovsky se mudou para o reino unido em 2000.

Berezovsky também era amigo do ex-agente secreto russo Aleksandr Litvinenko, que foi envenenado em Londres com uma substância radioativa no final de 2006. Aleksandr repassava para Berezovsky informações importantes sobre os passos do Kremlin em relação a ele, e por isso, Boris estava sempre um passo à frente de Putin. Dizem que em parte foi essa garganta profunda que gerou a ordem de eliminação de Litvinenko (Sasha).

Quando os toupeiras informaram que Berezovsky estava planejando negociar a parte mais querida de sua fortuna, devido ao colapso de muitos de seus inestimentos em 2013, veio a ordem de Putin para a sua efetiva eliminação. Sem Sasha para alertá-lo, Berezovski foi assassinado pelo serviço em sua casa no condado de Surrey.

Os relatórios não dão claramente o destino da urna a partir deste momento. Acreditava-se que os toupeiras tivessem levado a mesma de volta para a Russia, mas tudo indica que ela voltou às mãos da máfia, pois uma ordem expressa de busca e localização desse artefato foi expedida para divesos agentes, e você nunca procura algo que já possui, concorda?

Provavelmente Berezovsky entregou suas “garantias” para algum amigo e após sua morte elas pararam nas mãos da máfia, que as escondeu em algum lugar.

O general diz que até agora o governo russo está em busca desses objetos e que a simples posse desses objetos pode ser uma sentença de morte.

Sem mais,

D.Boryslev

Uma semana após receber a mensagem de Oleg Shatov, uma transportadora apareceu aqui na porta de casa com uma caixa de papelão enorme. Era endereçada a mim, mas havia sido despachada de uma cidade na Argentina, chamada Trenque Lauquen. Burramente, eu não fotografei nem registrei o unboxing. Quando removi a caixa de papelão, embalada em plastico bolha estava uma caixa de madeira, bastante carcomida. A madeira esta podre em alguns lugares, mas da pra ver claramente um símbolo conhecido na tampa.

caixaferrada As relíquias de Czernica

Não tinha tranca ou cadeado, de modo que mesmo com um enorme cagaço dessa merda estourar, eu abri a caixa.

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Quando abri a caixa, só vi bolos e mais bolos de jornais argentinos. Mas então, no fundo, depois de tirar tudo, havia uma espécie de cobertor envolvendo alguma coisa. No fundo, estava um envelope pardo comum. O coração parecia que ia sair pela boca, porque a essa altura eu desconfiava do que estava prestes a ver. E se você também leu o email do Oleg, também já deve imaginar.

caixainterna As relíquias de Czernica

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Ali estava um crânio que inicialmente pensei que talvez fosse uma criança, mas gradualmente fui me convencendo que não podia ser. Havia restos de terra nos ossos e algumas partes pareciam fraturadas. 
O envelope revelou algo ainda mais impressionante em seu interior:

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IMG 20160801 1440285442 576x1024 As relíquias de CzernicaAli estava um documento nazista, assinado por um tal de Ralf Holz (posteriormente o tradutor disse que era Karl). O documento de duas paginas estava dobrado e sujo no envelope sem mais nada.


13866587 1503923092986826 1924437998 n As relíquias de Czernica

Após pagar um tradutor, finalmente consegui entender do que se tratava. Era um documento que dava pistas de onde teria vindo aquele bizarro crânio que me mandaram de presente.

Berlim, em 7 de março de 1942

N. 147 Aeronave Desconhecida abatida em Czernica Relatórios de Procedimentos e Ordens Normativas

Prezado Senhor Ministro, Com referência ao seu ofício n. 107 de Fevereiro próximo passado, tenho a honra de passar às mãos de Vossa Excelência, em anexo documentos referentes ao procedimento de abate de uma aeronave desconhecida em Czernica, em 2 do corrente mês, noticiando nossa preocupação com o aumento do tráfego aéreo de origem desconhecida, conforme nossa carta anterior.

A aeronave era compatível com àquela abatida na Floresta negra seis anos atrás, apesar da tripulação agora ser diferente. Acreditamos que se tratem de indivíduos bio-sintéticos autônomos.

É uma preocupação crescente nos círculos diplomáticos e bélicos a intensificação deste tipo de tráfego que conforme ficou patente nas reuniões anteriores, até o momento não constitui ação hostil de parte dos inimigos do Reich. Entretanto, é um fato a considerar a possibilidade de que as civilizações dos povos das estrelas se aliem aos inimigos, o que constitui um grande perigo.

Conforme os documentos em anexo, a aeronave em forma de disco foi abatida através do uso de Canhões de raios fortes do tipo KSK em torres rotativas de interceptação. Recebemos informes da Secretaria de Estudo IV do Sol Negro que através de suas videntes estabeleceram dia e hora que ocorreria as condições de interceptação da aeronave estrangeira. O procedimento foi realizado com sucesso. A aeronave foi destruída na queda. Ativaram-se os protocolos de recuperação e todos os destroços recolhidos e enviados para as dependências da sociedade Vril em Brandemburgo. Os motores estavam divididos em três partes, transferidos para o departamento técnico do 10º Exército do Reich em Essen, Stettin e Dortmund.

Os destroços estão agora sob inspeção das respeitáveis equipes do doutor Victor Schauberger e Winfried Otto Schumann. Aguardamos os relatórios sobre as descobertas e já foi autorizada a engenharia reversa conforme determinação expressa da Chancelaria.

Cabe-me informar que dois tripulantes pereceram no abate, constituindo as únicas formas de vida à bordo e que são diferentes das atualmente conhecidas. Um dos corpos foi completamente carbonizado e dilacerado mas o segundo se manteve íntegro sob os escombros. De constituição bio-sintética, ele rapidamente se decompôs, e os despojos foram remetidos para secretaria de estudos SS-E-IV em Wiener Neustadt. Aproveito o ensejo para reiterar a Vossa Excelência os protestos de minha respeitosa consideração. Heil Hitler !

Karl Holz Stellv.Gauleiter. Ahnenerbe Forschungs- und Lehrgemeinschaft A sua excelência o senhor Joachim von Ribbentrop, Ministro de Estado das Relações Exteriores do III Reich.

O documento me impressionou, porque ele citava datas e nomes, e tudo foi cuidadosamente verificado por mim e por meu amigo Americo. Realmente, um Karl Holz existiu, tudo parecia certo. Há nos registros ufológicos relatos de um possível acidente de “foo fighter” na Floresta negra no inicio a Segunda Guerra.  As duas folhas estão com o carimbo de verificação, que acredito que indique que o Ministro das Relações exteriores teria realmente recebido o comunicado.

Karl Holz provavelmente era um membro superior da Ahnenerbe Forschungs- und Lehrgemeinschaft. Você pode ler sobre o que era esta organização aqui. 

Obviamente que durante o tempo que passou entre receber esses documentos e objetos e minha publicação aqui no blog, eu repassei esse material para uma pessoa de confiança, fizemos  exames de raios X no crânio e também enviamos as amostras desses ossos para um teste de DNA.

Com grande felicidade eu comunico que iremos apresentar os resultados no programa Fantástico! Não posso dar mais detalhes por enquanto. Mas vai ter muita gente caindo da cadeira!

 

 

Ráááá!

Bom, se você leu até aqui e não se ligou, tudo isso é uma obra de ficção. Não se trata do relato de um Mib 2, mas sim de mais uma obra de arte ufológicaque eu criei para dois amigos meus. (sim, tudo isso aí está em duplicidade, incluindo os crânios de alien). Essa história eu inventei como pano de fundo das esculturas, que foram feitas em 3d, usando como base dados de tomografias reais.

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Os crânios foram então impressos em 3d, finalizados e depois pintados. Um trabalhão cabuloso.


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A parte seguinte foi criar as caixas, que são de madeira antiga de verdade, obter as ferragens e envelhecê-las com ácido.

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O processo final foi cristalizar a história desses crânios usando o meu vago conhecimento da ufologia nazista, ligando com a Ahnenerbe e etc.

Imprimi em papel antigo de verdade e usei minha gravadora laser para criar o carimbo nazista.

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O meu amigo russo, o email, tudo aquilo saiu da minha cabeça, é importante frisar. De fato, as pessoas citadas, como o milionário e o espião existiram mesmo e dão um “lastro de realismo na história”, inclusive o cara da KGB que roubou documentos e tentou vender aos EUA realmente aconteceu! É divertido fazer essas coisas.

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Essas esculturas vão para coleções particulares de relíquias ficcionais. Diversão de nerd. Hehehe

 

 

 

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37 comentários em “As relíquias de Czernica”

  1. Muito bom, quase me convenceu, mas a parte da caixa entregou a história, você não mostraria fotos dela aqui se o governo russo estivesse atrás de qualquer um que a tivesse kkkk
    Logo logo voce vai ver essa história sendo espalhada como verdade, e vão dar um jeito de colocar o feto no meio hahaha
    Parabéns pelo trabalho, ficou muito realista!

  2. Ainda bem que eu estou calejado com vc desde o relato do MIB…

    Mas eu já prevejo esse conto propagado (sem os últimos parágrafos) nesses sites pseudo ufológicos…

    • Não duvido. Por isso ja preveni meus amigos ufologos. É impossível conter esses caras, quando não faço nada eles pegam frames de Arquivos X…

  3. Como você tem se mostrado um excelente mentiroso e contador de histórias, eu já comecei essa leitura com um pé atrás. Acho que você não é MAIS a pessoa indicada pra repassar informações a cerca desses assuntos, hehe!
    Melhor ficar só com os “contos de ficção”! (daqui pra frente), essa era a gota que faltava. Estou de mal!

  4. Philipe, tudo bem? Sabe o que seria legal? Um post “especial” mostrando todas as coisas estranhas e sem explicações que já foram vistas, contadas e encontradas no mar, porque se existem naves visitando nosso planeta a probabilidade de elas no mar é muito grande, não acha? Valeu!

  5. Pô, eu também já estava acreditando na história até as fotos aparecerem kkk… Philipe, fica a dica de leitura, o livro O Pêndulo de Foucault, do Umberto Eco, para o caso de algum grupo de malucos entenderem que os contos que você escreve são verdades que você disfarça sob o manto da fantasia… na dúvida evite visitar o museu Saint-Martin-des-Champs em Paris kkkkkk

  6. Algo que confere menos verossimilhança ao texto é o fato do próprio russo escrever o nome do seu presidente errado, com dois “t”. De resto, está ótimo. Parabéns.

  7. No final rola até uma decepção, vontade de xingar por ter lido tudo isso pra nada e tal, mas 5 minutos depois a vontade é só de ficar de pé e bater palmas, mandou bem.

  8. Meus parabéns! A qualidade do trabalho é impressionante, a sua dedicação realmente se destaca.
    Quanto ao texto ao ler o nome do Russo Oleg eu já imaginei que era uma ficção, depois mais detalhes foram deixando um pouco mais óbvio, porém o texto muito bem escrito também.
    Novamente parabéns por todo o seu trabalho, quem sabe um dia eu consiga montar um “gabinete de curiosidades” repleto de seus trabalhos.

  9. Achei que era true até você receber a caixa em casa. Na hora eu saquei aqueles puxadores envelhecidos na foto estavam estranho pra uma caixa de minas da 2 guerra.
    Enfim, não demora muito e sua historia esta circulando como real por ai, é só espera, essas ‘internets’ e suas peripécias de fazer tudo ser verdade verdadeira mesmo quando inventado.
    No mais, ficou lindo, parabéns!

  10. Muito bom mesmo, as fotos ajudaram a convencer. Mas realmente, quando chegou na parte da caixa já dava para imaginar que estava passando do limite xD

    Parabéns!

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