Agenesia da noção 2: Coletivos negros querem falar. Dane-se se você não quer ouvir.

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Fiquei impressionado com um video que foi gravado há exatos três dias atrás. Trata-se de uma aula de microeconomia na USP. A aula de microeconomia transcorria de boa quando umas pessoas adentraram a sala sob pretexto de dar um recado. A parada vira um barraco sensacional em poucos minutos.

Eles chamam isso de “intervenção” e sua motivação é fazer um “debate”.
Quem fez faculdade sabe que isso acontece direto. É algo comum, e os professores costumam ter que demonstrar um certo jogo de cintura com essas intervenções nas aulas. Nesse caso, eram uma espécie de ativistas dum coletivo negro, que não apenas não tinham recado, eles simplesmente solaparam a aula, propondo um “debate” sobre as razões pelas quais muitos negros não conseguem estudar na USP.

A professora tentou intervir, disse que tinha pouca carga horária e que os alunos precisavam daquela aula. Tentou marcar uma data para que os membros do grupo apresentassem seu debate com os demais alunos. Mas basicamente, os invasores mandaram todos calarem a boca e desfiaram um rosário que todo mundo que lê mais um pouquinho sabe: Desigualdade social, problema de gênero, questões de minorias, problemas na base educacional e etc.

Irritado, um aluno começou a protestar pelo direito de assistir a aula em paz, e foi considerado pelo grupo um racista, filhinho de papai, burguês e etc.

Bom, nós sabemos que a reivindicação por uma melhor qualidade de vida é sempre uma reivindicação justa. Eu sempre estarei ao lado de qualquer um que lutar por melhoria de sua condição social não só no Brasil mas no mundo. Agora, invadir a aula dos outros demonstra uma clara impermeabilidade ao direito do outro. Eles querem fazer sua intervenção quando bem entenderem, não se importam se há um cronograma, se há uma organização que limita as horas de aula. “Foda-se tudo, o meu recado é que é importante” e para isso, justifica-se mandar os outros calarem a boca para ouvirem o tal debate, que na verdade é monolateral e portanto não é nem nunca foi um debate, mas sim um monólogo-manifesto-panfletário. Um debate pressupõe a construção de uma inteligência com base em mais de uma ideia sobre a mesa.

Dizer que os caras estão fazendo papel de ridículo não quer dizer que suas motivações e a causa de seus males sejam ridículos. A forma como tentam chamar a atenção, sim é ridícula, bem como mais ridícula ainda, é essa atitude de exigir reparações sociais usando como argumento vitimista de que é “preto e pobre”.
Ok, lamento se você não concorda comigo, mas se você é preto e pobre, você não é pior que ninguém, champs! A vida é foda? É. Você devia ver isso pela ótica dos que jogam no nível hard.

Reconheço que há retardados mentecaptos em todas as classes, principalmente nas mais abastadas, que pensam que o pobre é “menos”, é “gentinha”. Na verdade, o pobre é só um cara rico sem dinheiro. Tire o dinheiro dum cara rico e você terá um pobre.
Logo, precisamos nos libertar dessa ideia sem noção de que o dinheiro representa um valor na personalidade da pessoa. Não representa, mas a educação sim. E a educação é também um valor, uma riqueza que ninguém rouba de você.
E é justamente por conta dessa riqueza que eu acho que os pobres devem sim ter acesso a ela, que jamais será solapada por alterações no Ibovespa, nem na alta do Dolar ou na quebra da Petrobrás. Sua cultura, uma vez edificada, jamais será arrancada de você.

O Brasil tem uma montanha de pretos pobres e também brancos pobres. Ser preto ou branco é uma condição genética, e por esta razão sei que é óbvio dizer que o branco não tem culpa do preto ter nascido preto. E que do ponto de vista científico, raça não existe. O branco e preto são diferenças na quantidade de melanina da pele, jogando toda essa babaquice racial na latrina do obscurantismo científico. Grupos étnicos, como os africanos e caucasianos, orientais e etc, tem sim diferenças produzidas ao longo de milhares de anos de evolução. Cada grupo étnico carrega características genéticas que lhes beneficia sob certos aspectos e prejudica em outros.
Há, claro, a questão cultural, que talvez seja a principal a ser levada em conta, onde séculos de racismo e má política contribuíram para os negros serem quase todos pobres. É injusto? É. Podemos tentar reverter esse quadro? Não só podemos como devemos. Essa deveria ser uma missão de todos os brasileiros, obviamente. Não por caridade, não por votos. Não porque somos bonzinhos e temos pena dos negros. Mas porque isso é a coisa inteligente a se fazer, já que melhorará a qualidade de vida de todas as pessoas.

Mas será que é assim, invadindo uma aula e impondo ao professor o “debate” de sua condição de minoria que exige direitos que isso será realizado? Penso que não.

Logico que tem aqueles que pensam que sim. Que defendem que as questões das minorias e certos coletivos sociais só são efetivamente consideradas quando provocam o caos, ou incomodam outras pessoas. Queria ver esses caras terem a mesma convicção quando forem eles na ambulância infartando no engarrafamento causado por pneus queimados de algum “movimento social” em busca dos holofotes da Globo…

Hoje tá cheio desses caras cujas ideias de “articulação” envolvem a escolha de alvos para azucrinar com seus discursos ensaiados e ações presepeiras.

Há um grupo de pessoas, uma corrente de ideias que advoga o direito dessas minorias que nem é tão minoria assim num país com tantos negros quanto o Brasil ao qual NÃO CONVÉM que haja de fato uma igualdade racial. Seu trabalho é jogar uma etnia contra outra, para colher os frutos parcos que caem no processo.  São os verdadeiros racistas, que defendem com unhas e dentes a ideia de que eles são parte de uma raça chamada raça negra e acusam as pessoas de tez branca de terem lhes escravizado, e como “reparação” exigem direitos que se sobrepõe a letra da lei da constituição que nos declara iguais independente de credo e cor. Eles vão ignorando solenemente o que a história nos diz sobre a escravização na África (onde era uma tribo negra que escravizava a outra) e passam a exigir certas “vantagens” afim de “colocar o negro em condição de igualdade com o branco”. Isso desemboca naqueles editais do governo federal que é alimentado com dinheiro sem cor, de brancos, negros, asiáticos, índios e etc, onde só participa quem é diretor negro… Esse tipo de coisa canhestra que se resolve “se autodeclarando negro” e que empurra para a ilegalidade quem simplesmente quer participar de um edital de cinema, para o qual a cor de quem dirige deveria ser o último dos critérios de julgamento de mérito.

Ora bolas, há toda sorte de gente usando as minorias e o direito de grupos sociais para tentar se dar bem por aí, e com os negros isso seria diferente?
Eu até posso ouvir uma voz que me diz:

É fácil falar quando você é um branco que vive num mundo onde tudo está ao seu alcance, não teve que passar dificuldades, não nasceu na favela, não passou aperto, não sofreu!

Diante de uma frase assim, eu só poderia dizer que isso é uma absoluta e inalienável verdade. É fácil falar quando estou do outro lado da moeda. Não sou mulher, nem negra e nem favelada. Isso faz de mim uma nulidade e esmaga meus argumentos como gravetos secos sob o sol. Mas este é o famoso “argumento tranca”. Ele tranca a discussão, anulando o direito da interlocução de ideias e preservando o outro lado em seu universo particular de exigências e reparações.
Quer um exemplo? Certa vez fiz um post sobre minhas ideias com relação ao direito que penso que deveria haver das prostitutas poderem ter carteira assinada, plano de saúde e direitos trabalhistas normalmente. Afinal, há pessoas que podem condenar sua atividade, podem não querer exercer a profissão do sexo, mas isso não confere o direito a NINGUÉM de julgar uma GP por seu trabalho, e convenhamos: è trabalho. Não é diversão, não é zoeira. Dar pra um estranho é trabalho duro.

Eis que apareceu aqui uma ativista dos direitos da minoria feminina que começou sua argumentação dizendo que eu deveria morrer e poupar o ar que respiro para outro ser humano melhor. Achei tão lindo, tão carinhoso, quase emoldurei o comentário.

Em seguida, ela justificou seu desejo de que eu morresse alegando que “eu jamais poderia advogar a favor de uma “puta”, simplesmente porque eu sou homem”, e na minha condição de membro da “raça macha” eu me torno de cara um opressor do sexo feminino, independentemente de minha opinião a favor da qualidade de vida delas. Eu não tenho direito de me expressar sobre o problema trabalhista das prostitutas porque não sou mulher e somente mulheres tem o direito de debater o assunto. Achei até que ela era contra essa profissão, mas estranhamente, sua foto no Facebook era uma frase que dizia “somos todas putas”.

É o argumento do: Você é branco. Não sou igual a você! Enfie sua conversa fiada de busca de igualdade no rabo que estou passando com minha vitimização.

É escroto ver este tipo de argumento pobre de recursos que se restringem a um “você tem o direito de ficar calado e tudo que disser poderá ser usado como racismo no tribunal”

Quando digo que há pessoas que se comportam como idiotas, não me refiro a todos, obviamente. Há pessoas que conseguem evoluir numa discussão bem inteligente no que concerne à questão do negro no Brasil e como buscar mecanismos que permitam a ascensão social. Isso é claro, inegável. Do mesmo jeito que generalizar os brancos como seres malignos que pretendem usar os negros como escravos em pleno século XXI, há os que tentam generalizar os negros como um bando de malandros que querem entrar na USP no grito sem ter que passar o perrengue de estudar feito condenados.

A argumentação no grito e a culpabilização do “sistema”, colaboram muito pouco para uma discussão que efetivamente traga avanços para quem precisa. Nem os próprios negros concordam sob muitos aspectos das exigências que certos coletivos fazem em seus nomes. As coisas são deveras confusas nessa área.

Por isso gosto das artes, principalmente aquelas onde a cor da pele do autor não afeta em NADA o resultado do trabalho. É assim na pintura, na ilustração, na escultura e na música…

Falando em música, outro dia achei uma verdadeira webcelebridade dos coletivos negros, que me ensinou que o Mozart, aquele genial compositor austríaco, era um negro.

mozartnegro Agenesia da noção 2: Coletivos negros querem falar. Dane se se você não quer ouvir.
Foda-se se o MOzart era branco, preto ou azul. Ele era foda e “foda”, meu amigo, não é cor.

Infelizmente na minha condição de branco, estou sem inspiração para continuar este post e pararei por aqui.

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68 comentários em “Agenesia da noção 2: Coletivos negros querem falar. Dane-se se você não quer ouvir.”

  1. Sempre vejo uma única verdade nestes embates, independente de serem merituosos ou não: sempre que a razão é posta de lado (e isso se demonstra nas rotulações serem deterministas em detrimento da razão, como dizer que “branco não poder opinar”) o fanatismo toma conta e toda e qualquer bandeira perde sua legitimidade, pois se desvincilha da realidade.
    Dos elementos que você apontou como tendo sido usados pelos apoiadores dos movimentos de minoria, todos se desdobram em sofismas clássicos, falhas lógicas já há muito catalogadas na fina arte da dialética.

  2. Concordo plenamente com tudo o que escreveu. Acho um absurdo ter cotas nas universidades para negros. Estudei em escola pública e na minha classe e na escola toda tinham vários negros e nunca achei justo eles terem direito à cotas e os demais não. Os negros não são menos capazes, e estávamos todos no mesmo barco, recebendo o mesmo ensino de não muita qualidade.
    Sempre achei preconceito racial a coisa mais estupida do universo, mas, em contrapartida, também sempre achei que alguns negros querem continuar com o esteriótipo de vitima da sociedade.
    Já fui acusada por um colega de trabalho negro de ser racista, só porque não tínhamos afinidade, mesmo eu tendo um ótimo relacionamento com os outros colegas negros.
    Agnaldo Timóteo declarou que homens negros não deveriam nunca se casar com mulheres brancas. Isso pra mim, é racismo!

    • Agnaldo Timóteo mandou mal. Mas ele é um cara polêmico, vive dessa polêmica, assim, falar essas merdas é o que se espera dele. Creio que no fundo o que ele atacou são os negros que ganham dinheiro e colocam logo uma loura do lado, como o Pelé fazia. Só que cagar regra para a vida privada do outro é foda, é detestável. E daí se o cara gosta de loura? E daí se a loura gosta do cara? O que Agnaldo Timóteo tem com isso?
      Mas o Brasil tem umas coisas que são complicadas de entender. Por exemplo, acho no minimo estranho que em toda a história da pasta, o Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República – SEPPIR/PR seja sempre negro. É obrigatório? Por que será? Será que para o Governo federal só existe “raça” negra e branca? Será que para defender os direitos dos gays o cara tem que ser gay, para defender o direito das mulheres precisa ser mulher e para defender igualdade racial tem que ser negro? Um branco não pode defender igualdade?

      • Philipe, acredito que nessa discussão acerca da chefia do Ministério em questão diz respeito ao que se configura como esfera de protagonismo das minorias na sua luta por direitos historicamente negados, tal medida contudo não exclui brancos da equação mas pela relação absoluta de construção de uma identidade é importante que minorias protagonizem suas lutas, no entanto pessoas brancas simpáticas a causa e que desejam contribuir podem fazê-lo obviamente, mas reitero, é fundamental para que se alcance uma relação de superação de mecanismos históricos de dominação e por conseguinte de vitimização que as próprias minorias estejam a frente de suas lutas na esfera de direitos.

        Sobre o que a Ro colocou a respeito da necessidade de cotas sociais e não raciais, o fato é que hoje temos as duas modalidades, já desde 2012 através da lei nº12.711. Eu sou branco e egresso de escola pública, entrei na universidade no primeiro vestibular que fiz mas em uma sala de 40 alunos fui o único, no colégio inteiro mais uns 4. Acho isso um absurdo completo e que demonstra a falência do ensino público iniciada com a visão de educação mantenedora de desigualdades propagada pelos militares e intensificada nos anos 90 com o sucateamento em termos materiais e humanos do ensino público brasileiro. Cotas, como toda política afirmativa deve ter inicio, meio e fim, e o fim é a educação pública e gratuita com qualidade. Acho que se deve investir massivamente em educação na esfera pública, mas nós sabemos que alcançar a qualidade que se deseja é algo que demanda tempo de maneira que as cotas de certo modo impedem que percamos mais e mais gerações enquanto não temos um horizonte educacional ideal.

        Por fim muito se discute a respeito da justeza dessa situação de aparente privilegio quando a Constituição Federal fala em igualdade de todos. Trata-se justamente do respeito a esse pressuposto que faz com que politicas afirmativas sejam necessárias nesse momento histórico, muito embora todos sejamos iguais no texto da lei tal igualdade não se materializa no nosso cotidiano ainda sendo necessários ajustes para que um ambiente de maior equidade se dê. Para ilustrar, não se pode pensar que um garoto oriundo da escola pública defasada como é, com as condições de reprodução material que possui esteja de fato em pé de igualdade em relação a um jovem de classe média, para conseguir passar ele terá que se esforçar mais que este, e superar dificuldades pelas quais este não terá que passar, não existe portanto igualdade objetiva nesse processo, sendo imprescindível portanto, neste momento histórico, que ajustes no sentido de equiparar as duas situações a curto prazo existam, como as cotas entre outras políticas afirmativas.

        P.S. Sou muito fã do site já faz alguns anos embora jamais tenha comentado até hoje, acho as matérias “gump” absolutamente sensacionais e vc escreve de uma maneira que realmente prende o leitor até o final, parabéns e tudo de bom.

  3. Do caralho a matéria!! brancos,negros amarelos, mulheres, homens,gays, heteros.. eu acho incrível quantos grupos de minorias que exigem direitos iguais e não respeitam o direito do outro, em todos esses grupos claro que existem pessoas sérias, mas o que mais vemos atualmente são pessoas que querem usar do artifício da vitimização para gerar desigualdade, oprimir quem pensa diferente, tirar vantagens e estar acima dos demais.. reparação..rsrs.. a que custo? reparar uma desigualdade gerando outra desigualdade? o assunto é bem extenso, e tenho certeza que o problema é muito mais complexo e complicado.. mas minha tolerância é muito baixa pra essas cosias kkkk

  4. Concordo com sua opinião, não deveríamos nos vitimizar nunca deveria continuar a existir cotas compensatórias sociais, mas temos todos o mesmo intelecto. Da mesma forma que existem negros pobres existem negros ricos. Existem brancos pobres que tem menos oportunidade apenas e exclusivamente pela sua cor de origem é uma vergonha para o nosso país que quer “igualdade”.

    • Cara eu sinceramente não vejo uma culpa direta do PT nesse caso aqui. Eu acho que os caras desse coletivo negro aí do video simplesmente não são articulados o suficiente para poder colocar em curso um plano claro para saber com quem efetivamente compensa fazer debate. Eles perdem o tempo deles e dos outros. Você não para um trem ficando no meio da linha tentando segurá-lo. Mas você para o trem facilmente matando o maquinista. Os problemas que eles reclamam só podem ser resolvidos em brasília. É muita inocência achar que vai mudar alguma coisa debate em sala de aula da USP.

      • Infelizmente, tenho que apresentar um argumento que parece tosco, mas que os fatos apóiam, se analisados em escala mundial:
        -Os negros e seus descendentes não estão preparados psicológica e socialmente para participar de um estado democrático e realmente isento de preconceitos. Haja visto o seu comportamento em países nos quais nunca houve movimentos baseados em comércio escravocrata, como a Suécia.
        Dito isto, em bom português:
        _ Os negros no brasil não podem ser culpados de agirem como negros, nem qualquer sociedade deve esperar dêles algo mais que suas características.
        Não digo que são superiores ou inferiores, mas cada grupo ou raça, como quiserem, tem suas características, o que determina como agirá em determinada situação. Por esta causa, desejaria que os mercadores de escravos houvessem escolhido os países do oriente para ali operarem. Por comodidade, escolheram o continente africano. Simples assim

  5. Falta de educação, de fato, não ajuda ninguém. Alguns ativistas simplesmente não percebem que agressividade não ajuda. Quando uma pessoa sofre agressão do nada (mesmo que a agressão seja verbal) a reação automática é levantar defesa e o debate não vai pra frente. É muito mais eficiente fazer as pessoas te ouvirem se você falar com calma, argumentando, explicando, sem acusar nem ofender assim que chega na conversa. Os ativistas mais bem sucedidos que conheço são assim, não-agressivos.

    Quanto a essa senhora que desejou a morte do Phillip, imagino que seja uma feminista radical. As Radfems, como elas são conhecidas no meio feminista, realmente tem essa postura de repulsa aos homens e algumas chegam ao ódio mesmo. O que é triste, porque o feminismo (do qual sou simpatizante) sofre muitos ataques de odiadores, com ameaças de estupro e morte, intimidação, assédio online, perseguições e sabe muito bem que ser alvo de ódio não é nada legal. Infelizmente, existem pessoas extremistas às pencas pelo mundo.

  6. Isso tudo é cria do PT, que busca dividir a população em raças e classes para melhor colher resultados eleitorais com isso. O partido que criou uma máquina de corrupção e corroeu as instituições por dentro com a finalidade de se eternizar no poder. Que buscou destruir o princípio da meritocracia no país, difundindo a ideia de que não é pelo estudo e pelo trabalho que se consegue progredir materialmente na vida, mas pela simples reivindicação.
    Dar atenção a esse tipo de gente é fazer o seu jogo. No lugar destes alunos eu simplesmente teria saído da sala.
    E viva o novo momento ao qual o país começa a despertar, o fim de toda essa treva e ambiente de atraso em que estivemos mergulhados nos últimos 12 anos.

  7. Se a pessoa chega e diz que é uma vítima de um grupo opressor ela está dizendo que quem oprime ela é SUPERIOR.
    Pois somente um ser SUPERIOR consegue oprimir um ser inferior, por definição.

    E veja bem, eu não estou dizendo que essas pessoas que se vitimizam são inferiores.
    Eu estou apenas apontando o FATO de que essas vítimas ao reclamarem de que estão sendo
    oprimidas estão, elas próprias, afirmando que elas são inferiores.

    Desejo à essas vitimas mais auto-estima.

  8. Esses alunos e o professor(a) que foram vitimizados por esses perturbadores de aula foram muito BURROS.
    Era para TODOS eles terem saído da sala e irem fazer coisas mais produtivas, como por exemplo ir pra biblioteca estudar, sei lá. Perderam tempo discutindo à toa.

    Assim poderiam deixar os invasores debaterem entre si.

  9. saiu hoje no site da veja falando sobre esse ocorrido, http://vejasp.abril.com.br/blogs/cidade/video-discussao-cotas-usp/
    lá tem o vídeo completo.

    Minha humilde opinião:
    Sou pardo mas me considero negro pois meu pai é negro e minha mãe é branca, não concordo com a necessidade das cotas raciais, mas é impossível concorrer com uma pessoa branca que teve condição de estudar em tempo integral pra poder passar na usp. Sendo que a maioria esmagadora dos negros tem que estudar no péssimo ensino público, sem ter orientação adequada de estudo, trabalhar de 8 a 12 horas por dia, viver com medo da policia chegando a sofre (as vezes) mais de uma abordagem por dia, sendo sempre confundido com ladrão e considerado um suspeito eterno.

    Acho que foi desnecessário o rapaz que filma ser ofendido, mas sempre quando é marcado uma data para discutir assuntos relacionados ao preconceito racial no Brasil são pouquíssimos os brancos que aparecem, e os que aparecem tem parentes.

    No video mais completo do site da veja, fica-se um bom tempo o espaço aberto para que os alunos da sala digam o que acham sobre o assunto (participem do debate), não é de se surpreender que o único aluno da sala que se manifesta é um aluno negro, para os demais não parece ser importante esse assunto. O aluno negro da sala enfatiza que os demais não reclamam quando a professora os libera mais cedo nas aulas anteriores, mas reclamam dos poucos minutos solicitados pelos invasores, e a professora ainda salienta que quanto mais cedo acabarem mais cedo podem ir embora, um recado claro de que mais uma vez serão liberados mais cedo. Então não concordo com o argumento de que a carga horária da aula/matéria está sendo prejudicada, acredito sim que o assunto parece pouco importante para os não negros do video.

    Obrigado e me desculpem por não compartilharmos da mesma visão, independente disse continuo a ser um entusiasta do MG.

    Abraço

    • Excelente contribuição, Samuel. Penso que o erro desses caras é ter entrado no meio de uma aula. Querem debater com um público que não é o certo, não é o público que tem qualquer poder de ajudá-los em suas demandas, o que nos leva a pensar que esse debate é um chororô sem sentido prático. Se o cara não consegue meios para entrar na USP, a culpa não é do aluno branco, pardo, índio ou negro da Usp cujos pais tem melhores condições de vida e podem pagar cursinhos caríssimos. A culpa é do sistema educacional DE MERDA que nós temos no Brasil.
      Quando temos um problema na fiação elétrica da nossa casa, a gente não resolve indo na casa do vizinho fazer um debate sobre por que ele tem luz e a gente não. E a gente não conserta a fiação elétrica da nossa casa em curto trocando os canos de água. È isso que eles estão fazendo. Reclamando no lugar e hora errados, com as pessoas erradas, que não estão NEM AÍ para a demanda deles. O que eles conseguem com isso? Um efeito inverso em suas demandas.
      Será que esses coletivos estão votando corretamente? Será que eles estão cobrando de seus representantes políticos alguma coisa, ou só servindo de fantoches e massa de manobra partidários? Acho que esse era um debate que eles deveriam estar fazendo.

    • É, Samuel, poderiam ter feito algo mais breve ou ter pedido permissão do professor pra usar o horário da aula dele. Na minha faculdade os grupos ou coletivos que queriam anunciar alguma coisa nas salas sempre falavam com os professores antes, combinavam o uso do tempo , por aí. Imagino que se eles tivessem conversado com a professora antes ela teria cedido uma parte da aula pra debaterem. Me pergunto o que está acontecendo com as pessoas ultimamente que ninguém sabe mais fazer algo tão importante pra convivência: negociar.

    • Existe uma grande diferença entre liberar a sala pois o professor terminou de passar a matéria da aula e usar o tempo escasso de uma aula, segundo o vídeo, com pouca carga horária.

      Que peguem uma aula com sobra de horas para a discussão. Esse argumento seu foi falacioso.

      • Kauê, a aula negociada pode não ser essa então. Ou pode ser num dia em que a professora não tenha muita matéria pra passar. Mas mesmo numa aula com muita carga horária é importante negociar com o professor, pois provavelmente nenhum gosta de ser interrompido e ter sua aula tomada sem aviso prévio. Falacioso? Que exagero. Ah, pequeno gafanhoto, e o coletivo provavelmente não sabia que a carga horária era escassa. Vai me dizer que eles tem a obrigação de adivinhar…

        • Acredito que é um direito assegurado do professor permitir ou não que outros entrem em sua aula. Se ela deixou e depois não soube como lidar com o rolo que deu, no fundo, a professora deu mole e é parte do problema aqui.

    • Amigo Samuel, também acho impossível um aluno que estudou em escola publica concorrer com um aluno que estudou em escola particular e não precisava trabalhar, mas independente da cor que ela tenha. Essas cotas deveriam ser para estudantes de escolas publicas.

    • Acho que a Dilma tem pouco ou até nada a ver com isso. Muitos grupos ativistas organizados não tem relação direta com partidos ou governos. E nem sempre eles estão errados. Nesse caso aqui, os caras fizeram merda, mas tem muitas ações que eles fazem que são bem legais.

  10. Quanto a invasão da aula…
    A USP é sim para a elite. Elite intelectual do país (sem discriminação por cor), aqueles que entram para a faculdade devem estar preparados para cursar as matérias. A forma (atual) de se avaliar quem está mais capacitado é o vestibular. Reserva de vagas ou pontuação diferenciada é discriminação pura (mas porque vou achar que é discriminação se vou me dar bem?).
    Quanto a Mozart, ele era branco. O Black Mozart (conhecido assim em vida) era um violinista chamado Chevalier de Saint-Georges.

  11. ai só pra deixar um recado acho teu site ta enviando vírus cada vez que eu acesso abre um download req.js de navdma.com , se for viagem da minha cabeça ignora e apaga meu comentário, flo brod so fansaço do teu trabalho, abraço!

  12. Rapaz, acompanho você há anos e anos, sempre admirei o blog e sua postura sobre certos assuntos. Mas caramba, seu texto aqui foi uma verdadeira bomba, não esperava esses argumentos que a parcela riquinha dos meus conhecidos jogaria na roda a fim de legitimar “como entraram na federal de medicina” ou “como não são culpados se tem poucos negros na universidade”. Eu realmente estou torcendo para que o “sono” tenha atrapalhado minha leitura e interpretação, mas se um sujeito que conhece de cabo a rabo vários assuntos de ciências, artes, história, possui um blog incrível de conteúdo, diz que NÃO CONVÉM levar toda a história negra como ponto de partida para se entender a situação social dos mesmos, sem privilégios, com menores chances de sucesso profissional, porque isso proporcionaria “desigualdade” é tão absurdo, mas tão absurdo. Eu estudei muito de antropologia e sociologia para afirmar aqui que CONVÉM, convém MUITO. Levar a vida no “hard” não é engraçado como você sugeriu… e quanto a invadir aula, convenhamos aqui, sendo bem honestos, se não fosse o que você chamou de barraco na aula, quando é haveria um debate ali entre todos? Gosto de como no fim das contas a “invasão” funcionou sim como um choque, pois veja só, se eles tivessem marcado data e hora, não haveria o vídeo e não estaríamos aqui discutindo abertamente isso.

    • Eu acho que vc não entendeu o que eu escrevi. Eu DEFENDO o direito do negro de ter uma melhor qualidade de vida. O que eu sou contra é atravessar a constituição, que diz que todos são iguais perante a Lei. Quando um coletivo negro invade uma aula para reivindicar seus direitos, num suposto debate que não é debate porra nenhuma, pois ali não é nem lugar e nem hora e muito menos o público que realmente pode fazer alguma diferença para com suas demandas, eles estão metendo os pés pelas mãos, estão fazendo idiotice. Não é assim que eles vão conseguir nada.
      Quando digo que o negro joga a vida no modo Hard, estou reconhecendo que não é fácil ser negro num país historicamente racista. O que eu digo com relação as conveniências e manipulações é com relação a pessoas que usam essas demandas dos coletivos como meio de vida, como forma de se dar bem e dar uma mamadinha na teta gorda do Governo, muitas vezes refém das pressões das diversas minorias.
      Na minha opinião não houve debate algum ali. Houve imposição de ideias. Imposição não é, nem nunca foi, e jamais será, debate.

      • É um pouco diferente dar uma pequena vantagem pra uma etnia entrar na universidade pública (visto q menos de 1% da população brasileira tem acesso a isto) e escravizar outra etnia por 200 anos.

        Eu sou branco, classe média, estudei em universidade Federal, porém, minha família tinha uma base relativamente sólida, meu pai herdou alfuma coisa do pais dele, meu avo dos meus bisavós e assim por diante.

        Ocorre q se eu fosse negro, nada do que meu bisavô tinha chegaria a mim, pq ele seria um escravo, ele não teria direito a nada e, se tivesse, seria tomado dele.

        Provavelmente meu avo não teria ido a faculdade de engenharia, meu pai não teria tido então a chance de ser jornalista e eu não teria chego a universidade Federal com o auxílio dos caros colégios que minha família me pagou na infância.

  13. Esse pessoal das “minorias” são uma tremenda ferramenta politica, pois eles servem como um escudo “opressor”, ao confrontar um defensor dessas minorias em pouco tempo o debate desanda e se torna um jogo de rótulos, qualquer interjeição feita ao “defensor das minorias” se torna, desonestamente, um ataque as minorias.
    Nesse caso é visível o uso politico desse povo, e é por causa de coisas assim que a nossa educação se torna cada dia mais pobre e mercantilizada, a função de uma universidade não é formar pessoas, não é capacitar para mercado de trabalho e muito menos servir de ferramenta de “justiça social”, a função de uma universidade é gerar conhecimento para a humanidade, durante todo o período de um curso o aluno vai receber conhecimento necessário para no final do curso contribuir para o avanço da sociedade gerando saber e doando ele a sociedade através de um tcc, monografia, pesquisa, projeto ou etc, a formação é apenas uma consequência disso. Daqui já da pra ver que o único critério para admissão numa universidade deveria ser unicamente a aptidão, independente de etnia, classe ou gênero. Quando uma vaga é utilizada como ferramenta de “justiça social”, o objetivo primário da universidade se perde, e na grande maioria dos casos teremos não alguém apto a gerar conhecimento, mas sim alguém grato a uma medida politica e que tenta desesperadamente de todas as forma justificar o seu “mérito” e a sua estadia, tornando assim a universidade em uma mera ferramenta mercadológica e politica, pois graças a essas medidas surgem hordas de pessoas “gratas” e consequentemente submissas aos planos políticos de quem idealiza isso.

  14. Caso aceite a sugestão, as rotinas de pensamento e argumentação desse pessoa do politicamente correto são bem previsíveis e se baseiam em blefes, por exemplo nesse caso eles reivindicam algo e caso você retruque com eles logo a sua argumentação é desviada e você rotulado, a partir desse momento não existe mais você, existe um espantalho com um rotulo, e seus argumentos são desqualificados e rotulados de falas racistas, fascistas, elitistas e vários outros, depende do rotulador em questão.
    Rotulos: http://lucianoayan.com/jogo-de-rotulos/
    Rotinas: http://lucianoayan.com/rotinas-esquerdistas/

    • “rotinas esquerdistas”

      Fala de rótulos, mas cria um, como se apenas os “esquerdistas” fizessem esse tipo de coisa, parece coisa de facebook. “Isso é coisa de esquerdista”, claro, porque as outras pessoas não fazem o mesmo… Mas eu entendi a jogada desse pessoal, o esquema é como você disse:
      “caso você retruque com eles logo a sua argumentação é desviada e você rotulado, a partir desse momento não existe mais você, existe um espantalho com um rotulo, e seus argumentos são desqualificados e rotulados “

      • Só de citar Luciano Ayan, o ex-troll de Orkut que ganhou um séquito de espantalhos no Facebook (séquito este que, tenho certeza, não conhecem o passo desse Luciano. Aliás, nem sabem quem ele é, pois esse nem é o nome de verdade dele).

        Luciano Ayan é um imbecil do mesmo calibre que Paulo Kogos, se acha o intelectualzão, mas basta começar a perder uma argumentação que começa a brotar o antigo troll de Orkut,

        Na boa, existe boa “literatura” na direita, fujam destes pseudos de Facebook.

  15. Se eu fosse negro, não iria querer que existisse esse negócio de “cotas” porque isso significa, entre parênteses, inferior, sem capacidade, uma total discriminação. É chamar o negro de incompetente por tabela. E quanto mais eles se defendem mais assumen sua condição de negrice e inferioridade.Enfim se autovitimam. Mas a educação e organização vem em primeiro lugar. Lembrando que educação é diferente de sabedoria.

  16. O que eu quiz dizer é exatamente isso. A constituição já diz que todos são iguais perante a lei, então pra que cotas? É o mesmo que “desdizer” o que já foi dito. Há que se disponibilizar condições, não privilégios.

  17. Bom, já que eu não posso opinar, já que sou ‘branco’ (as aspas são pela óbvia ancestralidade indígena que resolveu aparecer no meu fenótipo), aqui está a opinião de um negro que pensa da mesma forma que eu.
    https://youtu.be/MvShtiYM4sg
    https://youtu.be/F12Wz5vApLw

  18. Pra mim nao tem essa, sou branco, sempre estudei em escola publica, na minha sala sempre teve tanto brancos como negros, recebendo o mesmo estudo, idai se a 300 anos o cara era escravo ? Hoje ele tem as mesmas condições que eu de estudar ( ate mais porque estao ai as cotas nao e msm), e pra quem entende de genetica sabe que 00,1% no DNA faz toda a diferença, elas nao param so no cabelo e na cor da pele.

  19. Achei a atitude do grupo infeliz. Mas esse texto me fez pensar um pouco mais sobre o assunto….

    White Privilege Is Real, and Now There’s Research to Prove it
    http://www.takepart.com/article/2015/02/28/white-privilege-real-and-now-theres-research-prove-it

  20. Philipe, parabéns pelo texto; mais um para a coleção de excelência do Blog. Permita-me contribuir com os meus dois centavos:

    Pobres, negros ou brancos, não podem escolher a escola onde seus filhos estudarão. Eles irão matricular seus filhos na escola mais perto de casa. É o que tem para hoje. Esse é o maior problema do serviço público, de um modo geral: o indivíduo pobre é refém do Estado, é obrigado a esperar a “divisão do que sobra”, que via de regra será de qualidade ruim, haja visto que o serviço público atende apenas às agendas políticas dos diversos partidos.

    Sem poder escolher, os pais são obrigados a levar seus filhos para a escola que não reprova, que não tem avaliação formal, que não precisa fazer prova nem trabalho; que pode fumar maconha abertamente na sala de aula, que não tem professor nem lição.

    Paralelamente, os “pedagogos” que defendem a manutenção da coisa como está matriculam os seus filhos em escolas ultraconservadoras, dessas que ensinam latim e francês desde o primário e que apresentam ainda no ginásio noções de derivada e integral. O “conteudismo”, a consolidação de conhecimento e a resolução de exercícios até a exaustão só cabem na escola particular. A escola pública tem a pedagogia do amor. O resultado nós já temos, e é daqui que saem aos bancos universitários tão ausentes de indivíduos negros e pobres.

    A minha opinião é extremamente impopular: privatizemos a escola pública. Os que não puderem pagar receberão através da Assistência Social auxílio em Voucher, para que possam escolher a escola onde seus filhos estudarão. Tiremos a responsabilidade da educação das crianças das mãos dos burocratas e coloquemos nas mãos de quem sabe o que é melhor para as crianças: o pai e a mãe, que agora poderão brigar por uma educação melhor ali, olhando na altura dos olhos, conversando diretamente com o dono da escola.

    Penso que o maior inimigo do pobre é o Estado, cheio de boas intenções; precisamos diminuir o tamanho e o poder dele.

    É a minha humilde opinião. Abraço.

  21. “Brasil: Censo “Revela” Que Maioria da População Brasileira é Negra
    Postado em 24 Novembro, 2011 12:42 GMT”

    Negro vota em negro?
    A faculdade só tem branco e na esfera politica também, Tem algo errado né?!

  22. Debati com um amigo pela internet esses dias sobre uma ilustração em que um branco usa um negro para “subir” literalmente falando. Transcrevo o meu argumento do debate a seguir: “Li o post, entendi a reflexão, pensei em escrever, mudei de ideia para voltar agora. A pergunta me estimulou. “Por que não dois brancos” disse ele. Fiquei pensativo. Sou de coloração epidérmica esbranquiçada e sempre sonhei ser médico e não consegui. Nasci em uma família extremamente carente de recursos, onde meu pai trabalhava em uma construção como pedreiro desde às sete da manhã até à tardinha, para ir para outra e tocar o trabalho até meia noite. Circulava de bicicleta na época em que ainda caía geada. Minha mãe ficava comigo e mais 4 irmãos mais velhos, todos bem pequenos morando num chalé podre no bairro navegantes, que acada temporal fazia jus ao nome. Comecei a trabalhar aos onze anos e não vou me prolongar na minha história, pois quem me conhece sabe de boa parte dela. Nasci num ambiente pobre e carente e usei dos meios que tinha ao alcance para poder melhorar minha condição: trabalho deixando o estudo de lado na escola pública. Não é egoísmo ou só olhar pro meu umbigo e sim ter consciência sentida na própria pele deste problema. Como por exemplo chegar em aula na faculdade de Direito com algum resíduo de graxa nos dedos já que não tive tempo de limpar com mais esmero e ver colegas te achincalhando. por ser metalúrgico na época e eu ainda branco. E todos brancos. Existe racismo no Brasil? Sim. Existe discriminação de classe? Também existe. E neste país cruel vale é quem tem dinheiro. Se tu é pobre tanto faz se é branco ou negro. Vai sofrer pra caramba.Li o post, entendi a reflexão, pensei em escrever, mudei de ideia para voltar agora. A pergunta do Rodrigo me estimulou. “Por que não dois brancos” disse ele. Fiquei pensativo. Sou de coloração epidérmica esbranquiçada e sempre sonhei ser médico. Nasci em uma família extremamente carente de recursos, onde meu pai trabalhava em uma construção desde às sete da manhã até à tardinha, para ir para outra e tocar o trabalho até meia noite. Circulava de bicicleta na época em que ainda caía geada. Minha mãe ficava comigo e mais 4 irmãos mais velhos, todos bem pequenos morando num chalé podre no bairro navegantes, que acada temporal fazia jus ao nome. Comecei a trabalhar aos onze anos e não vou me prolongar na minha história, pois quem me conhece sabe de boa parte dela. Nasci num ambiente pobre e carente e usei dos meios que tinha ao alcance para poder melhorar minha condição: trabalho deixando o estudo de lado. Não é egoísmo ou só olhar pro meu umbigo e sim ter consciência sentida na própria pele deste problema. Como por exemplo chegar em aula com algum resíduo de graxa nos dedos já que não tive tempo de limpar com mais esmeroe ver colegas te achincalhando. e eu branco. E todos brancos. Existe racismo no Brasil? Sim. Existe discriminação de classe? Também existe. E neste país cruel vale é quem tem dinheiro. Se tu é pobre tanto faz se é branco ou negro. Vai sofrer pra caramba. Vi durantes as aulas de Inglês na faculdade uma menina sair chorando diversas vezes por ser chamada de batateira (alcunha dada aos imigrantes alemães, os colonos que moram nas propriedades rurais) e isso não é discriminação também? Ela entrou por cotas por causa disso? Passei em 3 processo seletivos na universidade federal: Direito, Museologia e Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis. Desisti de tentar entrar na Medicina e hoje sou museólogo, mas consegui entrar na faculdade sem cotas, porque não existe cotas para pessoas de baixa renda, que moram assim como muitos negros em comunidades carentes de tudo. Cara, entendo a lógica que tu expressa. Digo somente que se vamos pensar em cotas (e não que TEMOS que pensar em cotas) que sejam sociais e não étnicas, não para atingir a fatia que faço parte e sim para questão igualitária realmente ocorrer. Como já foi citado afrodescendentes predominam nas comunidades carentes, ainda que outros grupos também morem em condições iguais, como eu por muitos anos. Não é meritocracia que falo e sim de um mecanismo igualitário que não faria distinção de cor de pele. Seria mais justo.” Fim do debate sendo eu chamado de coxinha!

  23. Eu tenho grana, mas meu pinto é pequeno. Aceitava 1/10 da grana por 5 cm a mais. Afinal de contas ganhar dinheiro eu sei, já o pinto não cresce nem com bomba. Se eu tivesse nascido negro, talvez tivesse um pintão…
    No final, hoje em dia o triste é ser branco, cristão, hétero, casado e com filho e ganhar perto de 10 salários mínimos. Afinal você é rico apenas para pagar tudo pela segunda vez : educação, saúde e segurança particulares.
    Na boa.. com 4 a 5 meses de carga tributária por ano, sem saúde, sem educação e sem segurança.. todos são escravos. Sem exceção.
    O destino da universidade pública, se enchê-la de quem não conseguiu passar no vestibular é um só : Deixar de ser reconhecida. Não há nada pior para uma universidade, e nesse momento os ótimos cursos particulares continuarão a ser cursados por quem pode pagar, e quem não pode continuará a sofrer as consequências de não ter boa formação.
    É tão fácil ver que a luta é por universidades de qualidade para todos. Mas para quem quer privilégios, isso não basta.

  24. Eu sou brasileiro: tenho ascendentes europeus, africanos e indígenas. Penso que a maior inclusão social das pessoas pobres, independente da etnia, ocorrerá por meio da melhoria da qualidade da escola pública na educação básica – fácil de fazer, mas cadê a vontade política de enfrentar, por exemplo, o sindicato dos professores, em geral avesso a qualquer quantificação de qualidade na escola? Cotas são injustas e apenas resultam na degradação do ensino superior – para quem não sabe, em muitas Universidades Federais existem “cursinhos de nivelamento” de Português, Química, etc. Você, como eu, tem filho Philipe: você trabalha duro, paga impostos exorbitantes que sustentam as Universidades Federais e quando seu filho for prestar vestibular ele será discriminado por não ter a cor certa? No Brasil, via de regra os movimentos sociais não reinvidicam direitos iguais e sim privilégios. Agora, discordo de você Philipe: o PT tem culpa sim! Como todo partido revolucionário de esquerda, o PT tem como tática dividir para conquistar: ricos x pobres, negros x brancos, homossexuais x heterossexuais, homens x mulheres…e por aí vai! Olha o discurso no vídeo de uma desqualificada: “quando o oprimido fala, o opressor se cala” Isso é um chavão revolucionário aprendido em alguma cartilha revolucionária idiota. Hoje mesmo a Dilma participou de um encontro com a cúpula do MST, poucas semanas após esses terroristas terem invadido um centro de pesquisa e destruido anos de trabalho de melhoramento de eucalipto. Se isso não é endossar o conflito social, eu não sei mais o que seria. Abraço e parabéns pelo trabalho.

    • Quando tiro a culpa do partido é porque não sei se esse é um objetivo programático do partido. Que eles fazem isso, é claro que sim, mas não sei se é algo do partido em si ou de certos políticos como o Lula.

  25. Cara, jah pensou em escrever um livro sobre os melhores posts do mundo gump e publicá-lo?
    Tenho certeza q haveriam inúmeros compradores..

    e este post, poderia ser o primeiro do livro!

    • OI Leo. Existe esse livro. Chama-se O melhor do Mundo Gump. Eu até fui no Jô divulgá-lo quando lancei. http://www.livrariacultura.com.br/p/o-melhor-do-mundo-gump-15012313

  26. Fiz esse post em um grupo de estudos de concurso público, expondo os motivos de eu ser contra as cotas para negros e minha fundamentação.

    (redação improvisada, perdoem o tamanho ou qualquer besteira que eu possa ter dito)

    É difícil tratar esse assunto sem levantar uma polêmica sem fim. Eu sou contra e vou tentar ilustrar porque:

    Estamos em 2015, um concurseiro estuda há 6 meses para o concurso público da Abin que finalmente foi aprovado. Pega o edital e vê que as matérias comuns batem com as que já vinha estudando, excelente. Parte para as específicas, tudo com material coletado na Internet ou livros do ensino médio que guardou.

    Faz a prova e quando sai o resultado, de cem vagas, ficou em 96. Aprovado! Mas não, havia uma cota racial de 10% e ele ficou de fora. Porque a cota existe? Para compensar a exploração dos negros durante a escravidão no Brasil, finda há somente 120 anos. Uma cota que exige menor pontuação.

    Este concorrente foi vítima da escravidão? Com certeza não. Seu pai? Também improvável. Seu avô foi? Muito pouco possível mas provável. Seu bisavô? Boas chances. Sua família ficou quatro gerações prejudicada pela escravidão? Pode ser que sim. Não se esqueçam que a escravidão não era tão 8 ou 80 (escravo miserável explorado vs alforriado livre) como nos ensinaram. Existiam escravos que não apanhavam no tronco nem eram torturados. Como propriedade que eram, eram tratados como tal para “durar” ou trabalhar melhor. Lembre que também haviam escravos alforriados que conseguiam obter pequenas prioridades e adquirir seus próprios servos. (tudo isso ainda me embrulha o estômago desde que aprendi essa face do período).

    Pois bem, sou descendente de italianos. Meu bisavô era rico? Não. Ele era senhor de escravos? Não. Ele e sua família, assim como grande parte dos imigrantes de diversas nacionalidades, vieram para trabalhar. Na roça, no comércio, nas indústrias, muitas vezes como funcionário, subalternos numa época que leis trabalhistas eram quase inexistentes. Não eram senhores, eram convidados nessa terra e que muito trabalharam para que ela fosse próspera como hoje é.

    Não, não estou querendo igualar o trabalhador livre com o escravo e dizer que os dois tinham chances iguais de ascensão social, seria injusto, no mínimo. Meu ponto é: em qual parte dessa história meus antepassados contribuíram diretamente com a escravidão? Espero que nenhuma. Então porque, hoje, 2015, eu devo perder meu direito a uma vaga em um concurso por que uma outra família qualquer escravizava os descendentes desses concorrentes, que merecem uma vaga com nota menor que a minha? Qual é a justiça com os negros que foram estupidamente chicoteados em troncos, que essas dez vagas compensam 120 anos depois?

    Então a meu entender a questão não é dar uma compensação. Será que é promover oportunidades para que negros que tiveram antepassados escravizados possam ter a oportunidade de sair da miséria que supostamente o acompanha como herança?

    Qual a diferença entre mim e ele? Ele tem menos acesso a estudo e preparo. Tomando isso como fato, é justo exigir nota menor? Não. É justo que se ofereça oportunidade de estudo igual. Assim estaremos equiparados em oportunidade, dependendo apenas de nossas habilidades e esforço individual para absorver o conhecimento necessário para a prova. Neste patamar, e promovendo também o acesso ao material necessário, podemos colocar as pessoas de baixa renda. Teremos três “classes” (divisão que eu desprezo) em pé de igualdade de oportunidade, se diferenciando entre eles o afinco e a disciplina. De quebra eliminamos o caso do negro rico que fez concurso particular e passou muito à frente de seus semelhantes com menos recursos.

    A meu ver se o governo oferecesse cursos destinados a estes segmentos socialmente injustiçados, a justiça social seria muito mais plena, inquestionável e inclusiva.

    Por isso, acredito que cota é um tipo de segregação desnecessária e racista, que não resolve o problema da equiparação de recursos e reflete a má vontade política e se torna medida populista eleitoreira.

  27. Ao editor:
    Gosto muito do seu blog. Compreendo a ponderação em resposta aos comentários. Mas, tenho de discordar em relação, a sua opinião de que as manifestações das minorias pouco tem relação com a atual política. Pelo contrário – é minha opinião e quem quiser pode dela discordar – os ditos “movimentos sociais”, são massa de manobra política, inclusive financiados pelo governo atual e seu antecessor, financiados e estrategicamente acionados para insuflar conflitos e acirrar ânimos – seja qual for o argumento. Cotas para negros, índios, etc… , já existem. E eu concordo com elas PARA INGRESSO NAS UNIVERSIDADES. Mas cota para serviço público? Aí já virou palhaçada.

    • Certo, começou os ataques ao outro lado, o outro lado é isso e aquilo, manipulado pelo partido X malfeitor, como você tem certeza que as atuais manifestações de “imptima” também não são manipuladas? Só você e seu lado são os bonzinhos lutadores da liberdade?

  28. Uma coisa é certa, nos anos 60 nos Estados Unidos os Panteras Negras não foram pras ruas pedir por favor ou marcaram horário com a policia para protestar, simplesmente quebraram tudo e hoje negros nos Estados Unidos tem o seu lugar e o respeito de algumas pessoas. Rosa Parks ficou famosa em 1º de dezembro de 1955 por ter-se recusado a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, ou seja, ela não fez um protestozinho pacífico, simplesmente botou pra foder! Então esse discursozinho de que negros tem que ser calminhos e pacientes com a sociedade é meio demagogo né…

  29. O que eu acho foda (no sentido ruim da palavra) é que muitos desses “coitadinhos” só enxergam o lado rico do branco. Pra me explicar melhor, uso meu exemplo. Meu pai é médico, e muito bem sucedido. Minha mãe é uma excelente professora. Já ouvi de pessoas que eu nasci em “berço de outro”, que sou riquinho, burguesinho pelo simples motivo de meus pais terem profissões boas e conseguirem custear meus estudos. Mas ninguém vê a parte que meu pai morava em um barraco de lona nos morros de Colatina – ES; ninguém vê que ele trabalhou como engraxate, limpador de curral, carregador em laticínio… Conseguiu fazer o ensino médio em uma escola particular, apesar dos preconceitos; Conseguiu passar no vestibular de medicina na UFES, onde os alunos que não puderam pagar tiveram que compartilhar o anel de formatura. No caso da minha mãe, meus avós sofreram para criar 10 filhos e formar todos. Depois de anos morando em casas alugadas e muitas vezes pedindo dinheiro emprestado, meus pais conseguiram seu merecido retorno financeiro. Aí me vem uma pessoas dizer que eles são “brancos burgueses opressores”…
    PQP !

    • Isso que eu acho detestável na estimulação do ódio de classes. É como se vencer na vida fosse algo vergonhoso, quando devia ser JUSTAMENTE O CONTRÁRIO. Deviamos admirar que consegue, com sacrifícios diversos conquistar uma boa posição social. É tão tosco quanto o militante que alega que os empresários são opressores porque eles visam o lucro. PORRA! Empresario que não visa lucro é débil mental! Esses pensamentos maniqueístas são foda. A ampla maioria dos empresários passam perrengue para manter o negócio funcionando. Não são iguais ao politico profissional que passa a mão no dinheiro do povo sem produzir nada em contrapartida.
      Não se ataca o problema necrosante desse país que é a falta de ética e ausência de escrúpulos para enriquecer rápido. Quando dá merda, o empresário se fode, tem os bens apreendidos e o caralho, e quando dá certo o maluquinho lá da vida boa no sindicato vem dizer que é errado ele ter lucro.
      Lucro é parte fundamental de um sistema capitalista. Entube-se.

  30. O coitadismo é o exercício daqueles que não tem capacidade de conseguir nada por conta própria.

    Meus avós, seja por parte de pai ou mãe, eram pobres. Pobres de uma forma que não tinham o que comer. Tiveram que trabalhar muito jovens para ajudar a família e não puderam estudar. Nenhum deles tem o ensino fundamental. Mesmo assim, com muito sacrifício, ambos venceram na vida. Conseguiram formar todos os seus filhos e dar uma melhor condição de vida aos seus netos. Eles são vitoriosos e me orgulho da minha família.

    O que torna o “negro” especial para ter direito a regalias enquanto o “branco” podre não tem direito a nada? Só há uma ideia que justifica a “ajuda” aos “negros”: temos que ajuda-los porque eles não conseguem sozinhos. É claro, pessoas de valor não acreditam nisso, seja lá qual for sua cor. Quem acredita nisso são os verdadeiros racistas, como os encontrados nesses video. Ou simplesmente querem pegar o caminho mais curto e fácil.

    O mais engraçado de tudo isso é que enquanto eles ficam nessa “vadiagem”, “negros” inteligentes estão estudando e se tornando grandes médicos, engenheiros e advogados, mudando de vida, assim como meus avós (QUE TAMBÉM ERAM NEGROS!). Já eles, os palhaços do video, continuarão no seu limbo de mediocridade para sempre.

  31. Racismo existe, preconceito existe, eles são tratados diferentes, negar isso é colocar uma venda nos olhos e fingir que não acontece. Concordo que parar uma aula para se debater isso não é viável, mas sou a favor deles lutarem por seus direitos. Sou a favor das cotas sim, pois sei que o acesso a universidades e faculdades não é para todos. E discordo quando você fala que eles se vitimizam. A questão é que eles continuam sendo perseguidos, mau tratados, discriminados e se conviver com isso é muito difícil. Mas não é discutindo que chegaremos em lugar algum e sim estudando.

  32. Durante os “panelaços” que presenciamos em mais de uma capital Brasileira, notei algumas manifestações de extremistas bolivo-vene-petistas tentando deturpar a condição notória da ingerência da governanta Dilma. O fato é que xingamentos voltados à pessoa da presidenta foi utilizado como “racismo machista” pelo uso dos termos xulos terem sido direcionados à senhora Rousself, pois bem, não existe culpabilidade do fato desta ser do sexo feminino combinado com ser o presidente do Brasil, da mesma forma que existem culpabilidades nas ingerências desta desde à época em que era ministra de minas e energia culminando com os peculatos ocorridos em sua gestão até hoje. Deixada a questão política de lado, quando você externaliza, não existe como xingar um substantivo/adjetivo, a situaçãoé voltada à pessoa em si, podendo ser ela mulher, homem (lembram como o Collor, Sarney e outros foram xingados?), verde ou azul…

  33. Branco Drama, classe média sofre! Então foram interrompidos 20 minutos de uma aula na USP ? realmente fui as lágrimas igual o rapaz da imagem, que tragédia! imagina perder o curso inteiro!

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