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A história do apontador – Tragédia escolar parte I

August 3rd, 2007


O apontador. Aquele nosso amigo que testemunhou os melhores e os piores momentos da escola.
Lembro-me com clareza quando eu tinha que pedir a Tia Marcia para levantar da minha carteira de madeira escura (igual a aquelas do clipe The Wall) e andar por todo aquele tenebroso corredor cheio de inimigos me olhando com expressões ferozes e chegar até a lata de lixo, perto da porta, onde eu faria ponta no meu lápis rezando para que ela não se quebrasse.

Quando isso acontecia, e acontecia em mais de 80% dos casos, a tia Marcia me dava bronca e dizia que eu estava enrolando para olhar pela porta da sala ou para não fazer o dever.
Muitas vezes eu tive que me contentar em guardar de volta o lápis com as pontas quebradas no estojo depois de ficar vários minutos rodando aquela merda no apontador.
Meus apontadores eram tão cegos quanto o Mr. Magoo. E com o nervoso de estar ali na frente daquele palco de satã, tendo ao meu lado a megera digna de um campo de concentração, a mão imediatamente começava a suar.

O lápis número dois azul metálico da Faber Castell começava a deslizar e eventualmente travava, não indo nem para frente e nem para trás.
Eu dei graças a Deus quando finalmente larguei o lápis e pude escrever à caneta. Isso durou até a primeira bic estourar.
Bem, na verdade durou até um pouco antes. A minha primeira bic foi um desastre.
Eu fiz uma aposta com os meninos que eu conseguia chupar a tinta daquele tubinho de carga. Eles duvidaram da minha habilidade de sucção e não me restou outra alternativa senão arrancar o tubinho do seu invólucro de plástico transparente dar a melhor chupada que eu podia dar.
Só me toquei do quanto eu tinha sido burro quando o gosto da tinta azul se espalhou pela minha boca.

Eu havia praticamente esvaziado a caneta na boca. E comecei a chorar. Quando arreganhei aquele bocão azul todo mundo riu pra caralho e a tia Marcia deu um pulo da cadeira e me pegou pelo braço com grande violência. Assim como se pega um macaco de circo. Saiu pela porta afora me levando correndo para o banheiro lavar a boca.
O estrago já havia sido feito e a boca azul durou um tempão. Foi duro aturar a zoação que se seguiu quando eu voltei do banheiro. Acabei descobrindo que se eu sorrisse para o pessoal eles morriam de rir devido aos meus dentes estarem azulados.

É a minha primeira lembrança boa do colégio. Foi quando as primeiras meninas riram pra mim. (era de mim, mas na minha mente fértil, elas riam pra mim)

Aqui está o link da evolução do apontador.



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