A caixa – Parte 27

Durante um bom tempo da viagem, Leonard me fez contar em detalhes para ele  minha situação, o que eu fiz, o mais detalhado que podia me lembrar. Em certos momentos, ele me interrompia para fazer perguntas que eu julguei meio sem pé nem cabeça, como quando eu contei que  a Ana Paula tinha me levado até a cidade de Poços de Caldas num fusca.

-Fusca que cor? – Ele perguntou curioso. Achei aquela pergunta totalmente fora de propósito, já que eu estava querendo chegar logo na parte da velha sem os olhos. – …Você sabe que ano era o fusca?

Sinceramente, comecei rapidamente a pensar que o velho estava caduco. Primeiro por suas perguntas meio nada a ver, depois porque ele era grosseiro às vezes. Em diversos momentos ele mandou que eu “calasse a boca”, “fechasse a matraca” e coisas do tipo, para em seguida emendar novas perguntas esdrúxulas. Uma das mais estranhas perguntas que Leonard me fez foi:

-A velha te deu uma moeda?

-Não…

-Tem certeza? Nenhuma moeda, um botão, um broche… Algo assim. Ela não deu nada?

-Nada. Só a fíbula.

-Tem certeza absoluta?

-Tenho, ué!

Quando o ônibus parou em Resende para o almoço, Leonard  foi para abanca de jornais. Eu estava com muita fome, e tratei de comprar um mão com mortadela e um refri. Após a parada, voltamos para o ônibus, onde subiram mais alguns passageiros.

Leonard era de falar pouco, e todas as vezes que eu perguntei sobre suas indagações, ele foi bem direto em me dizer que não era da minha conta. Ele pareceu bastante intrigado na parte do Mungo.

-Você chegou a ver o Mungo? Como ele era? Tem certeza que o nome dele é “Mungo”?

-Bem, eu vi rapidamente, e era como um tipo de macaco deformado gigante, do tamanho de duas pessoas em pé. Ele era forte e tinha uns dentões e tal. E o nome foi ele que disse, sussurrando no meu ouvido. – Respondi.

Outra duvida foi sobre a velha no convento. Ele queria saber em detalhes como era o baú que a velha fuçou na cela do convento.

-Ora, isso eu não sei. Não consegui ver. – Eu disse. Leonard ficou bravo. Gemeu um palavrão qualquer. Aparentemente, o baú era importante, mas como eu saberia?

Depois de explicar tudo, toda a minha situação, os dias macabros que eu vinha passando desde que fui atropelado pelo caminhão, e depois de responder, uma a uma, as duvidas sem noção do velho… Leonard ficou em silêncio. Ele colocou os braços atrás da cabeça e fechou os olhos. Aquilo me incomodou. 

-…E aí? – Perguntei.

-E aí o que? – Ele perguntou de volta, abrindo um olho só.

-E aí, você vai me ajudar?

-Vou.

-E o que você vai fazer?

-Dormir.

-Hã?

-Vou dormir, Anderson. Estou cansado, além do mais estamos num ônibus. Aqui não dá pra fazer grandes coisas. – Ele disse, voltando a fechar o olho. Achei aquilo uma puta duma falta de educação. Velho maldito, o tal de Leonard. Eu ali, tenso, cheio de duvidas, medos, angústia sobre não saber se Mara estava viva… E o velho queria dormir! Fiquei quieto, amarrei a cara e peguei o jornal para ler, na tentativa de atenuar minha raiva. Minutos depois, o velho estava roncando do meu lado. Grandes merdas de ajuda aquela.

“Eu devia ter metido Detefon naquele besouro!” – Pensei.

Leonard passou coisa de duas horas dormindo, com a cabeça batendo no vidro do ônibus a cada curva. Em um certo momento, me peguei olhando para ele, que vestia uma camisa de botões, bem surrada, meio amarelada nas axilas, e uma calça de linho escura, toda amassada. Notei que ele usava sapatos que pareciam italianos. Ele não usava relógio, mas vi algumas cicatrizes em seus pulsos. Vi também um numero tatuado em seu braço. Identifiquei imediatamente: Numero de identificação para prisioneiros de campo de concentração.  Ele era velhinho, aparentando quase uns oitenta anos. A barba branca, rala e curta ainda continha um ou outro fio preto.

Eu estava olhando pra cara dele quando ele abriu os olhos subitamente e eu quase dei um berro de susto. Saltei para trás na poltrona.

Seus olhos azuis me fitaram por alguns segundos, então lentamente deslizaram para o canto, como que querendo me mostrar alguma coisa. Olhei na direção em que apontavam e vi um homem parado, lá na frente do ônibus. Estava olhando para nós. Tão logo ele me viu olhando para ele, sentou-se.

-Que isso? – Susurrei para Leonard.

-Shhhhh! – Ele fez, colocando o indicador na frente da boca. E então sussurrou quase inaudível: – Finja dormir.

Eu obedeci imediatamente. Cerrei os olhos e fiquei ali, tenso, reclinado na poltrona. Com os olhos semi-cerrados, vi o homem la da frente levantar e vir andando pelo corredor. Inicialmente, pensei que ele ia ao banheiro, porque estávamos no último lugar do ônibus.

Ele veio chegando, olhava diretamente para nós. Era um sujeito moreno, um cabelo calvo e curtíssimo, com camisa de time de futebol, bermuda, cordão de ouro aparecendo e óculos escuros. Ele entrou no banheiro.

Senti um apertão na perna. Olhei para o lado e vi Leonard, com os olhos semi-cerrados virando pra mim e movendo lentamente a cabeça, fazendo um “não”.  Entendi que não devia fazer nada, acontecesse o que fosse que iria acontecer. O sujeito entrou no banheiro do ônibus de viagem e ficou algum tempo lá. Eu me mantive, com Leonard, quase congelado, como se estivesse dormindo.

A porta do banheiro se abriu num rangido. Eu estava de olhos fechados, e não tinha ângulo de visão para saber o que estava acontecendo. Senti que o sujeito estava perto, porque ele tinha um cheiro estranho de perfume barato. O sujeito estava mexendo no guarda-volumes, acima do meu assento. Ouvi quando ele tirou minha mochila do compartimento e lentamente a levou para a frente do ônibus.

Quando o sujeito deu-me as costas, olhei para Leonard.

-Ele me roubou! – Sussurrei.

-Shhhh! – Ele fez entre os dentes, e apertou meu joelho com a mão. E então disse: – Calma.

O ônibus seguia viagem, e já entrava na cidade de São Paulo. Nos aproximávamos das imediações da rodoviária. O carinha de óculos la na frente rapidamente se levantou, posicionando estrategicamente a minha mochila junto aos pés. As demais pessoas se levantaram, numa aglomeração para descer do ônibus, que atrapalhava enxergá-lo lá na ponta.

-Pô, Leonard! O cara roubou a mochila! A Fíbula está lá.

-Não se preocupe. – Ele disse.

Quando o ônibus parou e  abriu a porta, o sujeito foi o primeiro que pulou, levando com ele a minha mochila. Em seguida, as pessoas lentamente começaram a descer. Eu estava meio baratinado. A calma do velho Leonard parecia totalmente fora da lógica. Se eu ficasse sem a mochila, onde estavam os meus documentos, o dinheiro, a caixa e a fíbula, como iria conseguir achar Mara novamente?

Quando finalmente descemos, eu não sabia o que ia fazer. Estava desesperado.

-Relaxa, menino. – Disse o velho, me puxando pelo braço para longe da plataforma.

-O senhor não está entendendo… Ele ROUBOU, a minha mochila…

-Você é sempre nervoso assim? – Perguntou Leonard, sem olhar para a minha cara, enquanto seguia para fora da rodoviária.

-E o senhor é sempre calmo assim?

-Só quando eu tenho as coisas sob controle. – Ele disse.

-Onde o senhor está indo?

-Pegar a mochila de volta.

-Como o senhor sabia que ele ia me roubar?

-As coisas não são o que parecem. – Ele disse. E emendou, atravessando a rua: -Ele não quer a sua mochila. Ele está atrás de uma coisa que pensa que está lá.

-Uma coisa? A Fíbula?

-Não. Uma coisa minha, que não vem ao caso. Esse ladrão… Esse ladrão não é gente.

-Hã? – Na hora, eu não entendi o que ele queria dizer com aquilo, talvez fosse uma versão regional para o dito “bandido não é gente” muito usado quando as pessoas se indignavam com os caras dos “Direitos Humanos”.

Andávamos apressados entre os carros estacionados numa rua nas proximidades da rodoviária. Então, chegamos numa esquina e Leonard parou.

-Que? Que foi agora, seu Leonard?

-Calma. Deixa eu ver uma coisa. Perdi o rastro. – Ele falou. Meteu a mão no bolso da calça amassada como se tivesse saído da boca de um leão. Dali ele tirou um tipo de traquitana antiga, cheia de pequenos símbolos e números, que parecia um misto de relógio, bússola e astrolábio em miniatura. Ele ajeitou uns ponteiros e logo um disco girou, configurando um arranjo de pequenos símbolos que não me dizia nada.

-Ele vai entrar por aquele beco daqui a pouco, e depois vai vir por aqui e entrará naquela travessinha ali. – Apontou o velho.

Atravessamos para a travessa e nos posicionamos perto de uns latões de lixo, junto a uma caçamba de entulho de uma obra. Leonard e eu esperamos ali por alguns minutos, e nada parecia acontecer. Eu comecei a pensar que era mais uma viagem na maionese de um maluco, mas então o sujeito, incrivelmente, apareceu la no incio do beco, carregando a minha mochila nas costas.

Ele não viu a gente. E veio se aproximando…

-Ele está vindo! – Sussurrei para Leonard.

-Sim, fique bem aí onde está. Não saia daí. – Disse-me o velho.

Eu fiquei ali, obedientemente escondido atrás de uma caçamba de entulho. Leonard caminhou até o meio da estreita rua.

Ao vê-lo, imediatamente o sujeito estancou com a mochila.

-Não está aí! – Disse Leonard.

-Blefando novamente, velho?

-Deixe a mochila no chão e vá embora. – Disse Leonard, com o dedo em riste na direção do sujeito.

Do outro lado do beco, o homem soltou uma gargalhada.

-O que te faz pensar que eu vou obedecer, seu pirado?

Leonard não disse nada. O homem avançou para cima dele. Meu ímpeto foi de sair de onde eu estava e pegar o sujeito de porrada, mas achei que devia dar um voto de confiança para Leonard.

-Você vai me dar a mochila! – Disse Leonard, de forma autoritária.

-Eu vou te dar é uma porrada nessa sua cara de maracujá! – Falou o sujeito, tirando os óculos.

Então, quando estava a pouco mais de um metro e meio de Leonard, o sujeito engasgou. Caiu no chão, segurando o pescoço.

Leonard permanecia, parado, como uma estátua no meio da rua. O homem estava agora de joelhos, com uma mão apoiando no chão e a outra na garganta.

-Mas que merda é essa? – Disseram uns peões da obra ali perto de onde estava a caçamba.

O povo começou a vir na janela pra ver. Leonard estava parado, apenas olhando, enquanto o sujeito parecia sufocar. Ouvimos uns resfolegos gorgolejantes horríveis, e então aconteceu uma coisa tão aterradora que fez uma mulher gritar de horror da janela do sobrado em frente.

O cara vomitou sangue. E no meio do segundo jato de vômito sanguinolento, saiu um verme amarelado horrível da boca do cara, e ele caiu durinho no asfalto. Aquela minhoca que tinha uns 40cm começou a rastejar pelo chão, indo na direção de Leonard.

Ele então avançou alguns passos e erguendo a perna no ar, desferiu um forte pisão, esmagando o verme grosso com a espessura de um dedo. Uma poça de líquido escuro se formou onde o verme estourou. Seu corpo amarelo cilíndrico, repleto de pequenas veias avermelhadas e pulsantes ainda se mexia, com espasmos. Leonard foi até o corpo e pegou a mochila.

Então voltou calmamente para onde eu estava. Eu mal conseguia colocar meu maxilar no lugar. Estava boaquiaberto com a cena de filme que acabava de testemunhar.

-O quê… O quê…

-Calma. Já morreu. – Ele disse, me entregando a mochila.

-Mas, seu Leonard…

-Senhor está no céu! – Ele disse.

-Mas Leonard, o que era aquele bicho lá?

-Um assecla do inferno. Esses vermes estão por toda parte hoje em dia. – Me disse ele, enquanto me puxava pelo braço, para longe da travessa. Olhei para trás enquanto saíamos, e vi as pessoas cercando o corpo, que jazia no meio da rua.

-Mas… O que esse cara queria com a minha mochila?

-Ele queria isso. – Disse Leonard, me mostrando o pequeno objeto em forma de bussola com os símbolos incompreensíveis. Esse bicho aí já está me seguindo tem uns quatro dias. As bruxas mandam essas coisas atrás de mim o tempo todo. Esses são apenas para me atrasar.

-Mas por que você não impediu que ele roubasse a mochila no ônibus?

-Tá louco? E fazer essa minhoca nojenta sair do corpo dentro do ônibus? Ia causar pânico lá!

Eu estava meio apatetado com ele, e então fiz uma só pergunta, om medo do que iria ouvir de resposta.

-O que é você?

-Eu? Eu sou um caçador. – Ele disse, como sempre, econômico nas palavras. Fez sinal, parou um táxi  Entramos e Leonard disse ao motorista que queria ir para a Avenida Paulista. Eu achei aquilo meio estranho, mas não disse nada.

Seguimos direto com o táxi  lado a lado, em completo silêncio. O motorista tentou puxar assunto mas não demos conversa. Ele então colocou uma musica do Roberto Carlos para tocar.  Fui ouvindo Cavalgada, até chegar numa Igreja. Leonard pagou o táxi com uma nota alta, deixando o troco para o motorista, que abriu um enorme sorriso.

Olhei os prédios ao redor. A Avenida Paulista era sempre grandiosa, mesmo no final da grande avenida, o coração paulistano onde o dinheiro não parava de circular.

A igreja se erguia diante de nós, na esquina da Bela Cintra, com grandes colunas cilíndricas de estilo Jônico, com mais de dez metros de altura.

Eu estava cansado, mas Leonard demonstrava um bom preparo físico.

-Pronto, aqui podemos descansar. – Ele disse, mostrando a entrada do lugar.

-Mas… Leonard, eu preciso ir no hospital… Tenho que ver como está a Mara, e tem também o esquema dos procedimentos para o enterro do meu amigo.

-Calma, Anderson. Você tem que aprender que as coisas tem seu momento certo. Venha comigo, vamos ver uma pessoa. – Ele disse, me levando pelo braço, através da longa fila de bancos da igreja escura. Paramos em frente ao altar. Eu fiquei estupefato com a simplicidade elegante do altar, contendo uma figura central de mármore imaculadamente branco, onde um santo segurava uma cruz. O altar era iluminado com luz das velas, dando um aspecto sobrenatural ao lugar.  Eu nunca tinha entrado naquela igreja antes.

-Quem é este? – Perguntei a Leonard, apontando a figura de marmore.

-São Luz Gonzaga. – Ele respondeu.

Ouvimos um estalo de porta se abrindo.

Do interior de um corredor lateral, que julguei ser a passagem para a casa paroquial, surgiu um outro homem, também velho. Ele usava um terno preto com a gola típica. Era um padre.

-Quem é o menino, irmão? – Disse o padre, apontando para mim.

-Esse é o Anderson. É um… amigo. – Respondeu Leonard.

-Por que trouxe ele aqui? – Perguntou o padre. Sua voz era poderosa e ele era um pouco mais jovem que Leonard. Ouvi sua voz ecoando na igreja vazia.

-Elas mandaram outro. Me seguiu por quatro dias. Consegui expulsá-lo do corpo lá perto da rodoviária.

-Elas não vão parar nunca. – Disse o padre. – Temos que nos livrar dessas malditas. Como foi em Cabo Frio?

-Sucesso parcial. Matei uma, mas a outra caiu no mar e sumiu. – Disse Leonard.

Eu estava boiando completamente na conversa. Fiquei admirando a altura enorme do teto branco e os belíssimos vitrais coloridos nas janelas.

-Eu tenho uma novidade. Uma nova pista de uma das áuguras!

-O que? Uma Áugura? Aqui??

-Sim… Graças ao garoto. – Disse Leonard, apontando pra mim.

-Hã? Eu?

-Conte conte a ele, Anderson! – Disse-me Leonard, sentando-se no primeiro banco da igreja.

O padre parecia bem interessado. Eu contei sobre o meu encontro com uma velha sem os olhos num convento.

-Num convento!

-Desgraçada, né? – Riu Leonard.

-Esperta demais. – Disse o padre.  – Escondendo-se em terreno consagrado. Mas digam-me, garoto… É…

-Anderson.

-Isso! Anderson! Ela estava sem os olhos? Tem certeza disso?

-Tenho sim senhor. – Eu disse, meio sem entender a importância daquele fato. – Mas ela parece que enxerga.

-Não, filho… Ela enxerga! Só que sem os olhos, ela não enxerga no plano que poderia enxergar. – Disse o padre. E virando-se para Leonard, que estava usando um palito de dente para limpar as unhas, comentou:

-Irmão, por que você acha que ela arrancou os olhos?

-Não foi atoa, com certeza! Certamente ela invocou alguma entidade ctônica. E não deve ter sido pouca merda não, afinal ela usou os próprios olhos!

-Irmão! Olha o linguajar! Esta é a casa de Deus!

-Ops, perdão, padre. – Riu Leonard. -Mas tem uma coisa… Sem os olhos, as outras áuguras não saberão onde ela está.  Ela está isolada.

– Sim… Mas não entendo. Como ela conseguiu entrar em terreno consagrado?

-Não sei e isso me preocupa. Se ela conseguiu, outras podem conseguir, e isso representa o perigo para Ordem. Além do mais, com pouso fixo, a áugura já deve ter começado a botar bruxas adoidado no mundo.

-A propósito, a tal áugura me deu isso aqui. – Eu disse, tirando a caixa com a fíbula da mochila.

-Uma fíbula. – Disse o padre, assim que bateu o olho.

-E das antigas, viu aí a camada de óxido? – Perguntou Leonard.

-É a mesma da utra vez?  – Perguntou o padre ao Leonard. Do banco de madeira da igreja, Leonard moveu a cabeça, afirmativamente.

-Como é possível?

-Elas ganharam acesso à caixa. Estão levando pessoas pra lá. E segundo o Anderson, tem um ser ctônico lá, um tipo de guardião…- Disse Leonard.

-Um guardião?

-Algo que foi parar na caixa. O mais estranho é que ele disse o nome para o Anderson.

-Ah, mas isso é impossível!

-Eu não sei o que pensar. – Disse Leonard. – O garoto até o invocou! E ele veio.

-Não faz sentido. -Disse o padre, socando o altar de pedra.

-Eu acho que elas estão colocando as pessoas na caixa, o guardião acaba com elas lá dentro, então os corpos ficam vagos, e elas estão usando esses corpos como recipientes para os demônios. – Disse Leonard.

-Desculpa interromper a conversa de vocês, mas eu tenho uma amiga lá dentro da caixa. Preciso trazê-la de volta. – Eu disse.

O padre olhou para Leonard em silêncio.

-Você não falou pra ele?

-Não… – Respondeu Leonard baixando os olhos.

Então o padre virou-se para mim e disse: – Não tenha esperanças meu filho!

 CONTINUA

 

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26 comentários em “A caixa – Parte 27”

    • Boa! Um boneco do Mungo seria sensacional para termos uma ideia mais concreta de como é o bicho. Mas imagino que, com o pequeno Davi na área, o tempo e condições para realizar uma escultura estejam escassos.

      • Exatamente… Davi me impede de muita coisa… Mas hoje eu não conseguiria, pq estou com muito trabalho e ainda tem fila de espera de clientes. Por um lado é bom, por outro uma merda, que me limita muito.

  1. Ao que parece, a Velha está sacaneando o Anderson, vai precisar estudar mais, muito mais sobre o assunto, Ordem, Bruxaria. Está no meio do fogo cruzado, e ainda nem pegou em arma para se defender, somente em uma fechadora para colocar gente dentro da caixa. Vai ver o Kbelo Zumbi!rs

  2. Lovercraft fellings esse verme maldito!

    Cara, o Anderson ta num rolo maior do que era possivel imaginar mesmo. Áuguras em solo sagrado… é tipo o começo de uma revolução… elas tão querendo trazer o tinhoso em pessoa pro nosso mundo será?

    O Mungo foi trazido a caixa com o sacrifico dos olhos da velha?

    Cara, eu gostei da idéia do boneco do Leonard proposta ai em cima pela nossa amiga Isabella.

    Eu não quero que essa historia acabe não, tem muita coisa pra acontecer ainda. Dificil vai ser você manter o foco principal no Anderson porque o Leonard é uma figura, onde ele chega ele rouba a cena.

  3. Quando penso no Leonard me vem na cabeça esse mago do desenho Ugly Americans

    http://www.tananuvemblog.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Leonard-Powers.jpg

    Muito boa a historia parabens!!

  4. Isso tá ficando cada vez melhor, e mais complicado! Eu li nos comentários dos anteriores que esse conto é parte de um universo maior, a busca de kuran. Eu terei que ler os outros contos para entender esse aí? E uma perguntinha off-topic, iniciei um blog e em menos de uma hora já tinha 50 visualizações sem eu nem anunciar nem nada. Existem “bots” que ficam entrando no blog e dando falsa estatistica? Achei meio esquisito…

    • Não, não precisa. São contos inteiramente separados, mas num mesmo universo, só isso. Existem spiderbots que entram sim, para cadastrar seu site. Se ele tiver muitos links, isso aumenta a tendência de bots entrarem.

  5. Eu nunca ia imaginar que A Caixa fosse chegar a essa grandiosidade quando eu li a parte 1. É um universo incrível esse que você criou Philipe, parabéns, esse conto fica melhor cada vez que avança. E achei legal a ideia do boneco do Leonard ou do Mungo que a colega sugeriu acima.

  6. IIIIIIIII! ai, ai, ai, ai, ai!Sera que a coisa vai ficar preta pro lado da MARA? Esperamos que voce encontre uma solução satisfatória, e é claro que vai, com certeza!
    isso tá mesmo ficando muito bom!(ou mal)

    Agora mudando um pouco de assunto, asistindo uma reportagem do Roberto Cabrini, sobre os desmnandos nas terras da amazonia, envolvendo seringueiros, me ocorreu uma curiosidade: de onde vem toda a borracha para fabricar essa enormidade de pneus ou outros materiais? É só de um tipo de árvore? Que outra região tambem produz alem do brasil? É só natural a borracha que conhecemos ou a sintética tambem existe?
    É que a impressão que dá é que a extracão natural é muito precária e a quantidade seria muito aquém da dependencia que criamos desse material, que me diz?

    Assunto para um “post”?

    • A maior parte da borracha existente hoje é sintética ou mista, e a maior parte da matéria-prima para “borracha de verdade” vem do Sudoeste da Ásia: sistemas de adaptação da espécie em estufas permitiu, no passado, que a seringueira se adaptasse aos climas asiáticos e centro-americanos.

    • Opa, valeu aí.
      Quanto a sua pergunta da borracha, acho que posso ja começar a responder aqui antes de fazer um post com isso, o que é tb uma boa ideia, pois no passado eu ja tive esta duvida tb.
      Existem dois tipos de borracha: Borracha natural e borracha sintética. Até a sintética, que é formada por elastômeros quimicos ser inventada, toda a produção de borracha do mundo era à base de borracha natural. O Brasil durante um tempo foi o maior exportador de borracha no mundo, e Manaus chegou a ser uma das mais ricas cidades do mundo graças ao ciclo da borracha. Eles ficaram tão ricos com o extrativismo, que – olha que coisa GUMP – chegaram a cobrir RUAS com camadas de borracha, para que as carruagens não afetassem o som das orquestras no theatro municipal de Manaus. Incrivelmente, no Brasil fizemos uma inversão, criando o “Pneu” na via e não na roda!
      Então, havia tanta borracha e a produção era tão excepcional que o próprio Henry Ford resolveu criar uma cidade utópica no meio da Amazônia, chamada “Fordlândia”. A cidade foi construída e hoje foi engolida pela floresta e é considerada uma das mais interessantes CIDADES FANTASMA do mundo.
      Pra vc ter uma ideia do que foi economicamente o monopolio da borracha, Manaus tinha, em 1849, cinco mil habitantes, e, em meio século, graças ao látex, a população cresceu para 70 mil!
      O ciclo da borracha teve dois grandes períodos, no primeiro, o preço decaiu por incompetência gerencial do governo, ainda monárquico, que sofria pressão dos cafeicultores que achavam que só devia haver investimento para o café (burrada suprema) e o segundo na segunda guerra, que foi bem traumatico, porque uns caras ROUBARAM mudas de seringueira e levaram contrabandeadas para a ásia. Foi o primeiro grande caso mundial de trafico de espécies, e até hoje, o mais emblemático, porque FODEU a economia do norte do Brasil. Se não me engano, foi na Malásia onde as seringueiras “piratas” se desenvolveram bem e até hoje eles ainda são grandes exportadores de latex. Havia uma demanda muito grande pela borracha porque ela tinha baixa durabilidade, e quando inventaram a VULCANIZAÇÂO, (um cara inventou em casa, usando os utensílios de fazer comida da esposa, depois de falir varias vezes na tentativa e erro) a borracha passou a durar muito mais, o que contribuiu para uma acentuada redução no consumo. Mas a morte do extrativismo da borracha mesmo veio depois da segunda guerra, quando a borracha sintética invadiu o mundo, e ajudou a torná-lo o que conhecemos hoje.

  7. Hi…! Sei não, Carlos Dente. Isso já é um post.
    Pqp, PHILLIPE, V. é rápido mesmo né? Parabéns. Valeu pelos esclarecimentos. Ta muito bem explicadinho, para um simples comentario. Matou à pau!
    E aí Carlos D….. V. Também mandou bem! Também tá de parabéns!

    Abraços p. Todos!

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