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Sei que é meio patético escrever algo sobre alguém que morreu recorrendo ao tradicional bordão do personagem. Reconheço.

images (90)
Hoje só se falava do vestido que muda de cor (um saco essa tendência de boiada na internet) e quando surgiu a notícia da morte do Leonard Nimoy, aquele que era o senhor Spock em Jornada nas estrelas, a notícia caiu como uma bomba nas redes sociais.

The Cooper/Kripke Inversion

É difícil achar alguém que não gostava do Spock e seu jeitão cerebral, sem emoções, quase um robô. Queiramos admitir ou não, é a morte de um personagem ícone que de certa forma moldou-se muito à era dos computadores, a precisão exata que ganhou o mundo de forma crescente desde que Spock foi concebido por Gene Roddenberry.

Roddenberry baseou em parte o personagem Spock em William H. Parker, o chefe de polícia local em Los Angeles, nos anos 50, quando Gene Roddenberry ainda trabalhava como policial.

Parker era um homem bem racional e de poucas emoções. Leonard Nimoy nunca mais se descolou do personagem, que gradualmente ao longo de tantos anos, começou a se misturar com a personalidade dele. Ele disse que o personagem Spock, que interpretou de doze a quatorze horas por dia, cinco dias por semana, influenciou muito a sua personalidade. Em cada fim de semana durante todo o decorrer da série, ele ficava vestido de Spock o sábado todo, e no domingo ainda se comportava mais como Spock do que ele mesmo: mais lógico, mais racional, mais pensativo, menos emocional e buscando a calma em qualquer situação.

Era somente na tarde do domingo, que ele começava a “mijar o personagem” e o lado Spock em seu comportamento começava a desaparecer, e ele se sentiria mais Leonard novamente. Mas durava pouco já que na manhã seguinte, já recomeçava o ciclo de viver o Spock.

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Pessoas como o Leonard Nimoy são uma lição ao mundo. Acostumamos a torcer o nariz para cantores que atuam, ou atores que cantam, como o Fábio Júnior e etc. Por alguma razão misteriosa para mim, as pessoas costumam criar rótulos nas pessoas, que funcionam quase que como uma clausura. Várias vezes, por exemplo, vejo pessoas reagindo surpresas ao comentar filmes de Clint Westwood, com frases como “incrível como ele dirige bem para um ator”.
Para muitas pessoas, o sentido da vida é fazer uma coisa só. Essas pessoas costumam ter preconceito ou raiva quando vêem pessoas que fazem mais de uma atividade, e se fizer bem, puta merda, aí o bicho pega!

 

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Certa vez discuti com um amigo que era meu chefe sobre essa minha postura de vida, que era diametralmente oposta à dele. Para ele, você deve aprender somente uma coisa, e ser o mais foda possível naquilo. E só. Você só deve fazer aquilo e nada mais e todo esforço que você tiver deve ser direcionado para ser o melhor naquilo. É uma lógica interessante e que eu respeito.

Ela conduz ao superprofissional, o cara que será o expoente máximo numa certa área. Assim, para ele, se você definiu que quer ser um animador, você deve ser o melhor animador de todo o mundo, e este deve ser sua razão de ser e você nunca deverá estar satisfeito, pois sempre haverá alguém melhor, e quando não houver, lute para se manter no topo até ser chutado de lá por algum garoto.

Não culpo ninguém de pensar assim, talvez isso seja mesmo o certo.

Nunca neguei e já falei sobre isso por aqui antes, que apesar de respeitar quem vê o mundo por este prisma, eu jamais aceitarei me limitar a fazer uma coisa só na vida. Não só porque não tenho a porra do sossego necessário para me dedicar a só uma atividade, como porque olhando a história dos dinossauros, vejo que no mundo animal, quanto mais versátil é uma espécie, maiores suas chances de não acabar extinto. Pense num animal que só come um certo tipo de bambu. Acaba o bambu e aí ele tomou no… Você entendeu.

E se Leonardo Da Vinci pensasse assim também? Já pensou que merda se ele resolve que “não vou pintar nunca, vou só desenhar maquinas”?

Nimoy era uma espécie de homem da renascença pós moderno. Ator, cineasta, piloto de avião, poeta, pintor, escritor, compositor, roteirista, músico, fotógrafo, dublador de filmes e até de videogames, o cara mandava bem.

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As fotos desse post são dele.
Foi uma lição de vida inclusive sua morte decorrente de uma doença pulmonar obstrutiva causada por anos de cigarro. Assim, se você ta pensando em entrar nessa de um cigarrinho, veja o que aconteceu com ele e saia fora o quanto antes, porque cigarro é roubada.

Nimoy se vai,  mas deixa para trás a questão:

Deveríamos tentar ser bons em somente uma coisa ou tentar ser bons em muitas coisas?

Fica a reflexão.

Vidas longas e prósperas

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Sei que é meio patético escrever algo sobre alguém que morreu recorrendo ao tradicional bordão do personagem. Reconheço.

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Hoje só se falava do vestido que muda de cor (um saco essa tendência de boiada na internet) e quando surgiu a notícia da morte do Leonard Nimoy, aquele que era o senhor Spock em Jornada nas estrelas, a notícia caiu como uma bomba nas redes sociais.

The Cooper/Kripke Inversion

É difícil achar alguém que não gostava do Spock e seu jeitão cerebral, sem emoções, quase um robô. Queiramos admitir ou não, é a morte de um personagem ícone que de certa forma moldou-se muito à era dos computadores, a precisão exata que ganhou o mundo de forma crescente desde que Spock foi concebido por Gene Roddenberry.

Roddenberry baseou em parte o personagem Spock em William H. Parker, o chefe de polícia local em Los Angeles, nos anos 50, quando Gene Roddenberry ainda trabalhava como policial.

Parker era um homem bem racional e de poucas emoções. Leonard Nimoy nunca mais se descolou do personagem, que gradualmente ao longo de tantos anos, começou a se misturar com a personalidade dele. Ele disse que o personagem Spock, que interpretou de doze a quatorze horas por dia, cinco dias por semana, influenciou muito a sua personalidade. Em cada fim de semana durante todo o decorrer da série, ele ficava vestido de Spock o sábado todo, e no domingo ainda se comportava mais como Spock do que ele mesmo: mais lógico, mais racional, mais pensativo, menos emocional e buscando a calma em qualquer situação.

Era somente na tarde do domingo, que ele começava a “mijar o personagem” e o lado Spock em seu comportamento começava a desaparecer, e ele se sentiria mais Leonard novamente. Mas durava pouco já que na manhã seguinte, já recomeçava o ciclo de viver o Spock.

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Pessoas como o Leonard Nimoy são uma lição ao mundo. Acostumamos a torcer o nariz para cantores que atuam, ou atores que cantam, como o Fábio Júnior e etc. Por alguma razão misteriosa para mim, as pessoas costumam criar rótulos nas pessoas, que funcionam quase que como uma clausura. Várias vezes, por exemplo, vejo pessoas reagindo surpresas ao comentar filmes de Clint Westwood, com frases como “incrível como ele dirige bem para um ator”.
Para muitas pessoas, o sentido da vida é fazer uma coisa só. Essas pessoas costumam ter preconceito ou raiva quando vêem pessoas que fazem mais de uma atividade, e se fizer bem, puta merda, aí o bicho pega!

 

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Certa vez discuti com um amigo que era meu chefe sobre essa minha postura de vida, que era diametralmente oposta à dele. Para ele, você deve aprender somente uma coisa, e ser o mais foda possível naquilo. E só. Você só deve fazer aquilo e nada mais e todo esforço que você tiver deve ser direcionado para ser o melhor naquilo. É uma lógica interessante e que eu respeito.

Ela conduz ao superprofissional, o cara que será o expoente máximo numa certa área. Assim, para ele, se você definiu que quer ser um animador, você deve ser o melhor animador de todo o mundo, e este deve ser sua razão de ser e você nunca deverá estar satisfeito, pois sempre haverá alguém melhor, e quando não houver, lute para se manter no topo até ser chutado de lá por algum garoto.

Não culpo ninguém de pensar assim, talvez isso seja mesmo o certo.

Nunca neguei e já falei sobre isso por aqui antes, que apesar de respeitar quem vê o mundo por este prisma, eu jamais aceitarei me limitar a fazer uma coisa só na vida. Não só porque não tenho a porra do sossego necessário para me dedicar a só uma atividade, como porque olhando a história dos dinossauros, vejo que no mundo animal, quanto mais versátil é uma espécie, maiores suas chances de não acabar extinto. Pense num animal que só come um certo tipo de bambu. Acaba o bambu e aí ele tomou no… Você entendeu.

E se Leonardo Da Vinci pensasse assim também? Já pensou que merda se ele resolve que “não vou pintar nunca, vou só desenhar maquinas”?

Nimoy era uma espécie de homem da renascença pós moderno. Ator, cineasta, piloto de avião, poeta, pintor, escritor, compositor, roteirista, músico, fotógrafo, dublador de filmes e até de videogames, o cara mandava bem.

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As fotos desse post são dele.
Foi uma lição de vida inclusive sua morte decorrente de uma doença pulmonar obstrutiva causada por anos de cigarro. Assim, se você ta pensando em entrar nessa de um cigarrinho, veja o que aconteceu com ele e saia fora o quanto antes, porque cigarro é roubada.

Nimoy se vai,  mas deixa para trás a questão:

Deveríamos tentar ser bons em somente uma coisa ou tentar ser bons em muitas coisas?

Fica a reflexão.

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