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Parece que a aplicação de plástico reciclado, coletado através de reciclagem de embalagens, lixo e poluentes em geral tem tudo para emplacar como uma solução pratica para reduzir os grandes volumes de poluentes, que uma hora ou outra, acabam indo parar no oceano.  Duas soluções parecidas chegaram a um resultado similar.

A primeira solução de tijolo de plástico reciclado vem da Índia. A Rhino Machines, uma empresa sediada lá, lançou seu tijolo 100% sustentável, feito a partir da reciclagem de resíduos de areia/escória de fundição (80%) e resíduos plásticos mistos (20%). A ideia é utilizar o Bloco de Plástico de Sílica em construções sustentáveis.

O projeto foi elaborado por um time de pesquisas do escritório de arquitetura R + D Studio. O tijolo sustentável foi pensado como uma forma de enfrentar o desperdício de poeira e a poluição que é muito grande na Índia, o que traz um elevado risco ambiental para o país. NA criação do tal tijolo, os primeiros testes para o Bloco de Plástico de Sílica foram feitos em uma das usinas de fundição da Rhino Machines. A ideia era utilizar toda a escória de fundição, gerada pela indústria, na produção de tijolos de cinzas ligadas por cimento e num mix com tijolos de argila.

Só que os recursos naturais liberados pela usina não foram suficientes para concluir o projeto. A partir disso, mais pesquisas começaram a ser feitas. Foi quando um outro time teve a ideia de juntar o pó de areia/fundição com plástico. A adição de areia formou um amalgama que gerou aumento de resistência na peça.

Os tijolos de plástico, escória e areia têm força suficiente para sustentar o peso de construções de grande porte. De acordo com a Rhino, ele é capaz de suplantar em  2,5 vezes a força dos tijolos de barro vermelho normais.

Com os primeiros tijolos prontos, a Rhino partiu para novos testes. Eles desenvolveram novos moldes do SPB como blocos de pavimentação e os resultados foram igualmente positivos!

O plástico utilizado no SPB vem de várias indústrias, como hospitais, organizações sociais e empresas municipais, que garantiram seis toneladas de resíduos para a produção do tijolo. Indústrias de fundição também vão contribuir com dezesseis toneladas de poeira e areia para a reciclagem, gerando assim a base da fórmula para a fabrica colocar os primeiros lotes no mercado.

O próximo passo da Rhino Machines é apresentar o SPB como uma solução ecossistêmica para diversas empresas do mundo. Dessa forma, o tijolo poderá ser produzido em larga escala e utilizado em diversas construções, não apenas na índia, mas também pelo mundo.

 

Um tijolo similar surgiu com  a iniciativa de uma mulher: Nzambi Matee é uma engenheira que em 2017 abriu uma fábrica em Nairóbi. A Gjenge Makers, no entanto, não é uma fábrica como outra qualquer. Resultado de anos de estudo em prol do meio ambiente, lá os funcionários recolhem os resíduos de plástico, os fundem com areia e aquecem a mistura, transformando-a em um composto cinco a sete vezes mais resistente do que o concreto.

Segundo a empresária, sua fábrica aceita resíduos que outras instalações não podem processar e reciclar. Os tijolos são feitos de plástico, que foi originalmente usado para garrafas de leite e xampu, sacos de cereais, sanduíches, baldes e cordas. Todos os dias, a Gjenge Makers produz cerca de 1.500 tijolos de diferentes cores e tamanhos. Isso só é possível graças à Matee, que projetou sozinha as máquinas da fábrica depois de ficar cansada de esperar que os funcionários do governo fizessem algo a respeito da poluição do plástico. “Eu estava cansada de ficar à margem”, disse em entrevista à Reuters.

Desde a inauguração, sua fábrica já reciclou mais de 20 toneladas de lixo plástico, mas o objetivo é triplicar a produção em 2021. 

O problema do plástico

O problema é de natureza global, com todos os países sendo culpados. Hoje estamos num permanente jogo de empurra das responsabilidades, que gera tempo para que quem polui, continue a poluir como se não houvesse amanhã. Talvez não haja mesmo. O Rio de plástico é um desses exemplos.

O volume de plástico esperando ser reciclado no mundo é assustador. É preciso que algo seja feito rápido.

O lixo plástico é hoje um dos grandes problemas mundiais sob a ótica do dano ambiental que o produto gera. Há simplesmente plástico demais. A cada dia, toneladas e toneladas de plásticos são colocadas no mercado, e a demanda só cresce. A solução mais viável, seria reaproveitar esse lixo, convertendo o plástico em alguma coisa que tire proveito de uma de suas características: Ele dura muito na natureza. A ideia de usar em tijolos e placas de pavimentação é boa, pois cada unidade dessas precisa de um bom volume de plástico reciclado, que será removido do ambiente, ao mesmo tempo em que há uma demanda igualmente crescente por moradia e saneamento em países em desenvolvimento. Dessa forma, usar o plástico reciclado para  auxiliar na construção de novas casas e em obras municipais que ampliem a qualidade de vida das pessoas, é resolver um problema usando outro.

No entanto, essas iniciativas ainda são bastante tímidas e experimentais diante do tamanho do problema do plástico no mundo hoje. O plástico não é só um problema por se fragmentar com o tempo indo parar no mar, afetando a fauna marinha, ele é também um problema físico, pois é difícil de se compactar, afetando dramaticamente a volumetria nos aterros sanitários, fora o fato de durar muito para se degradar.

O mar de plástico

A vida moderna é inimaginável sem os plásticos. Eles estão em praticamente todos os produtos tecnológicos que caracterizam a civilização atual. A lista é infindável: computadores, celulares, televisões e até contêineres e assentos de privada, afora produtos descartáveis como talheres, pratos, canudos, garrafas, boias, cordas, embalagens, cotonetes e redes de pesca. Não há dúvida de que é um produto útil, durável e versátil. Mas também é incontestável que os plásticos são uma praga ambiental, que contamina todo tipo de ambiente na Terra. Apenas nos oceanos, estima-se que sejam despejados 8 milhões de toneladas de plástico a cada ano.
Todo esse plástico acaba entrando nas correntes marinhas, e sai viajando pelo oceano. Em alguns locais do mundo, correntes produzem interação com outras, gerando uma espécie de “void” onde muito desse lixo desacelera e para. A cada segundo as correntes vão trazendo mais e mais sujeira que vai se acumular ali, formando o que se conhece hoje por “grande mancha de lixo do Pacífico”. A mancha de lixo no mar é tão gigantesca e compacta que dá pra ver do espaço.

A chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, localizada entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí. Essa “ilha” de entulhos está crescendo mais rapidamente que se previa. Uma pesquisa recente, publicada na revista científica “Scientific Reports”, constatou que ela tem cerca de 80 mil toneladas de plásticos descartados, em uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, um pouco maior que o estado do Amazonas (1.559.159km2) e quase duas vezes e meia o território da França (643.800km2). O estudo também concluiu que a mancha ocupa hoje uma área 16 vezes maior do que se estimava. Há de tudo ali, até corpos humanos, mas o grande volume do lixo é plástico.

De acordo com o oceanógrafo Laurent Lebreton, da fundação holandesa The Ocean Cleanup, que desenvolve tecnologias para extrair a poluição plástica dos oceanos e realizou a pesquisa, a situação está pior a cada dia. “Encontramos uma quantidade impressionante e precisamos de medidas urgentes para acabar com o plástico que ocupa a Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, declarou, durante a divulgação da pesquisa. A pesquisa da Ocean Cleanup é considerada uma das maiores realizadas até hoje para avaliar a extensão da Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Para fazer o trabalho, os pesquisadores contaram com o apoio de 30 navios, várias aeronaves e imagens tridimensionais obtidas do alto e na superfície. Além disso, 1,2 milhão de amostras foram coletadas. Desse total, selecionaram-se 50 itens com data de fabricação legível. Verificou-se que havia plástico de 1977, sete itens da década de 1980, 17 da década de 1990, 24 da década de 2000 e um de 2010.

Está claro que muitos países andam descartando lixo no mar de forma sistemática. Um mergulho na região mostra claramente isso.

Esses pneus não podem ser fruto do acaso.

Segundo a pesquisadora Daniela Gadens Zanetti, que faz pós-graduação em oceanografia com ênfase em microplásticos na Universidade Federal de Santa Catariana (UFSC), essas partículas estão presentes em todos os habitats marinhos, desde a superfície oceânica até o fundo do mar, e estão disponíveis para todos os níveis da cadeia alimentar, dos produtores primários aos superiores. “Um relatório de 2016 da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 800 espécies marinhas e costeiras são afetadas pela ingestão desses plásticos”, diz. “Além disso, esses resíduos têm um efeito adverso nas indústrias de pesca, navegação e turismo. O relatório da ONU avalia o custo da poluição causada por detritos marinhos em US$ 13 bilhões.”

Para o professor Sandro Donnini Mancini, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o problema do lixo de um modo geral é bem complexo e ainda sem solução. “Se mal conseguimos resolver o problema em cidades, imagine no mar”, afirma. “Apesar de todos os alertas, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, não creio que a situação esteja melhorando, embora tecnologias venham sendo desenvolvidas para tentar capturar e depois tirar o material dali. A imensidão do oceano torna isso bem difícil, quase um sonho mesmo. Mais do que em qualquer lugar, o ideal é não sujar os mares.”

O Brasil e o lixo plástico

Estamos bem feios na foto, a verdade é essa. Dados de uma pesquisa do WWF, mostram que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. O país também é um dos menos recicla este tipo de lixo: apenas 1,2% é reciclado, ou seja, 145.043 toneladas.

Os dados foram publicados no estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês). O relatório “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” foi apresentado na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4).

Veja os números:

  • Brasil produz 11.355.220 milhões de toneladas de lixo plástico por ano
  • Cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana
  • Somente 145.043 toneladas de lixo plástico são recicladas
  • 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular
  • 7,7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários
  • Mais de 1 milhão de toneladas não é recolhida no país

 

O Brasil é um dos países que menos recicla no mundo ficando atrás de Yêmen e Síria e bem abaixo da média mundial que é de 9%. Dentre os maiores produtores de lixo plástico, é o que menos recicla.

Diante desses resultados, não é de se estranhar que o Brasil ocupe a 16a posição no ranking dos países mais poluidores dos mares, segundo um estudo realizado por pesquisadores americanos e divulgado em 2015. Eles estimaram a quantidade de resíduos sólidos de origem terrestre que entram nos oceanos em países costeiros de todo o mundo. Aqui, todos os anos são lançados nas praias entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plásticos descartados. Para Sandra, o Brasil é um grande poluidor porque não há educação, conscientização, sensibilização, legislação, orientação e punição no que diz respeito ao lançamento de resíduos no oceano. “Somos todos omissos e culpados, população e Estado”, conclui.

Em paralelo, o Brasil é um dos países emergentes com a maior demanda habitacional e com necessidades imperativas de saneamento básico e pavimentação.

Muitos brasileiros moram em barracos improvisados. A demanda habitacional é crescente, sobretudo nos extratos mais carentes da sociedade, onde há miséria e subdesenvolvimento.

Demanda Habitacional crescente

O crescimento da população brasileira e a formação de novas famílias deve gerar uma demanda para mais 30,7 milhões de novos domicílios até 2030. Isso é o que mostra estudo realizado pelo economista Robson Gonçalves, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a pedido da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O levantamento faz projeções a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses 30,7 milhões de moradias necessárias para atender a demanda que vai surgir a partir do crescimento demográfico na próxima década, 14,4 milhões (46,9%) estarão concentrados na população com renda média, entre três e dez salários mínimos. A segunda maior demanda – 13,0 milhões (42,3%) – virá da população de baixa renda, que recebe até três salários mínimos. Já a menor demanda – 3,3 milhões (10,7%) – terá origem no extrato social mais rico, com famílias que ganham mais de 10 salários mínimos.

Povo pobre e ignorante

Para Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil, os entraves no país para uma taxa mais alta de reciclagem e descarte correto do lixo são muitos e passam por diferentes fatores:

“Se a gente pensar que nem saneamento básico chegou para todo mundo, imagina a reciclagem. Tem também a falta de estrutura para fazer coleta seletiva em larga escala e a questão da educação ambiental de fazer a separação do lixo. E falta também uma conscientização por parte das empresas de que elas precisam ser responsáveis pelo produto durante todo o ciclo de vida”.

 

A demanda por pavimentação no Brasil também e crescente, sobretudo em cidades do interior e nas regiões de periferia dos grandes centros urbanos.

A realidade de muitas “ruas” do Brasil

Diante desse panorama deprimente, é um vento leve de esperança a ideia de que maquinas simples possam prensar plástico recolhido na natureza e converter em algo que possa se materializar num benefício social. Tijolos de pavimentação e de construção feitos com esse lixo podem contribuir muito para um futuro melhor, mas é preciso sair dos experimentos que geram noticias de dois minutos no “Globo Ecologia” plaquinhas e tapinhas nas costas, para atitudes de peso. è preciso que o problema seja atacado numa frente ampla, com maciço investimento e escalas de produção de grande porte.
Tijolo é legal é tal, mas se pensarmos bem, o tijolo é uma das partes mais baratas da construção civil hoje.  É preciso planos para ampliar essa produção de itens de plástico reciclado para que possamos começar a pagar esse passivo ambiental que levará séculos para ser quitado. Isso se um dia for.

 

 

fonte   fonte fonte  fonte fonte  fonte

 

Tijolos ecológicos de plástico

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Parece que a aplicação de plástico reciclado, coletado através de reciclagem de embalagens, lixo e poluentes em geral tem tudo para emplacar como uma solução pratica para reduzir os grandes volumes de poluentes, que uma hora ou outra, acabam indo parar no oceano.  Duas soluções parecidas chegaram a um resultado similar.

A primeira solução de tijolo de plástico reciclado vem da Índia. A Rhino Machines, uma empresa sediada lá, lançou seu tijolo 100% sustentável, feito a partir da reciclagem de resíduos de areia/escória de fundição (80%) e resíduos plásticos mistos (20%). A ideia é utilizar o Bloco de Plástico de Sílica em construções sustentáveis.

O projeto foi elaborado por um time de pesquisas do escritório de arquitetura R + D Studio. O tijolo sustentável foi pensado como uma forma de enfrentar o desperdício de poeira e a poluição que é muito grande na Índia, o que traz um elevado risco ambiental para o país. NA criação do tal tijolo, os primeiros testes para o Bloco de Plástico de Sílica foram feitos em uma das usinas de fundição da Rhino Machines. A ideia era utilizar toda a escória de fundição, gerada pela indústria, na produção de tijolos de cinzas ligadas por cimento e num mix com tijolos de argila.

Só que os recursos naturais liberados pela usina não foram suficientes para concluir o projeto. A partir disso, mais pesquisas começaram a ser feitas. Foi quando um outro time teve a ideia de juntar o pó de areia/fundição com plástico. A adição de areia formou um amalgama que gerou aumento de resistência na peça.

Os tijolos de plástico, escória e areia têm força suficiente para sustentar o peso de construções de grande porte. De acordo com a Rhino, ele é capaz de suplantar em  2,5 vezes a força dos tijolos de barro vermelho normais.

Com os primeiros tijolos prontos, a Rhino partiu para novos testes. Eles desenvolveram novos moldes do SPB como blocos de pavimentação e os resultados foram igualmente positivos!

O plástico utilizado no SPB vem de várias indústrias, como hospitais, organizações sociais e empresas municipais, que garantiram seis toneladas de resíduos para a produção do tijolo. Indústrias de fundição também vão contribuir com dezesseis toneladas de poeira e areia para a reciclagem, gerando assim a base da fórmula para a fabrica colocar os primeiros lotes no mercado.

O próximo passo da Rhino Machines é apresentar o SPB como uma solução ecossistêmica para diversas empresas do mundo. Dessa forma, o tijolo poderá ser produzido em larga escala e utilizado em diversas construções, não apenas na índia, mas também pelo mundo.

 

Um tijolo similar surgiu com  a iniciativa de uma mulher: Nzambi Matee é uma engenheira que em 2017 abriu uma fábrica em Nairóbi. A Gjenge Makers, no entanto, não é uma fábrica como outra qualquer. Resultado de anos de estudo em prol do meio ambiente, lá os funcionários recolhem os resíduos de plástico, os fundem com areia e aquecem a mistura, transformando-a em um composto cinco a sete vezes mais resistente do que o concreto.

Segundo a empresária, sua fábrica aceita resíduos que outras instalações não podem processar e reciclar. Os tijolos são feitos de plástico, que foi originalmente usado para garrafas de leite e xampu, sacos de cereais, sanduíches, baldes e cordas. Todos os dias, a Gjenge Makers produz cerca de 1.500 tijolos de diferentes cores e tamanhos. Isso só é possível graças à Matee, que projetou sozinha as máquinas da fábrica depois de ficar cansada de esperar que os funcionários do governo fizessem algo a respeito da poluição do plástico. “Eu estava cansada de ficar à margem”, disse em entrevista à Reuters.

Desde a inauguração, sua fábrica já reciclou mais de 20 toneladas de lixo plástico, mas o objetivo é triplicar a produção em 2021. 

O problema do plástico

O problema é de natureza global, com todos os países sendo culpados. Hoje estamos num permanente jogo de empurra das responsabilidades, que gera tempo para que quem polui, continue a poluir como se não houvesse amanhã. Talvez não haja mesmo. O Rio de plástico é um desses exemplos.

O volume de plástico esperando ser reciclado no mundo é assustador. É preciso que algo seja feito rápido.

O lixo plástico é hoje um dos grandes problemas mundiais sob a ótica do dano ambiental que o produto gera. Há simplesmente plástico demais. A cada dia, toneladas e toneladas de plásticos são colocadas no mercado, e a demanda só cresce. A solução mais viável, seria reaproveitar esse lixo, convertendo o plástico em alguma coisa que tire proveito de uma de suas características: Ele dura muito na natureza. A ideia de usar em tijolos e placas de pavimentação é boa, pois cada unidade dessas precisa de um bom volume de plástico reciclado, que será removido do ambiente, ao mesmo tempo em que há uma demanda igualmente crescente por moradia e saneamento em países em desenvolvimento. Dessa forma, usar o plástico reciclado para  auxiliar na construção de novas casas e em obras municipais que ampliem a qualidade de vida das pessoas, é resolver um problema usando outro.

No entanto, essas iniciativas ainda são bastante tímidas e experimentais diante do tamanho do problema do plástico no mundo hoje. O plástico não é só um problema por se fragmentar com o tempo indo parar no mar, afetando a fauna marinha, ele é também um problema físico, pois é difícil de se compactar, afetando dramaticamente a volumetria nos aterros sanitários, fora o fato de durar muito para se degradar.

O mar de plástico

A vida moderna é inimaginável sem os plásticos. Eles estão em praticamente todos os produtos tecnológicos que caracterizam a civilização atual. A lista é infindável: computadores, celulares, televisões e até contêineres e assentos de privada, afora produtos descartáveis como talheres, pratos, canudos, garrafas, boias, cordas, embalagens, cotonetes e redes de pesca. Não há dúvida de que é um produto útil, durável e versátil. Mas também é incontestável que os plásticos são uma praga ambiental, que contamina todo tipo de ambiente na Terra. Apenas nos oceanos, estima-se que sejam despejados 8 milhões de toneladas de plástico a cada ano.
Todo esse plástico acaba entrando nas correntes marinhas, e sai viajando pelo oceano. Em alguns locais do mundo, correntes produzem interação com outras, gerando uma espécie de “void” onde muito desse lixo desacelera e para. A cada segundo as correntes vão trazendo mais e mais sujeira que vai se acumular ali, formando o que se conhece hoje por “grande mancha de lixo do Pacífico”. A mancha de lixo no mar é tão gigantesca e compacta que dá pra ver do espaço.

A chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, localizada entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí. Essa “ilha” de entulhos está crescendo mais rapidamente que se previa. Uma pesquisa recente, publicada na revista científica “Scientific Reports”, constatou que ela tem cerca de 80 mil toneladas de plásticos descartados, em uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, um pouco maior que o estado do Amazonas (1.559.159km2) e quase duas vezes e meia o território da França (643.800km2). O estudo também concluiu que a mancha ocupa hoje uma área 16 vezes maior do que se estimava. Há de tudo ali, até corpos humanos, mas o grande volume do lixo é plástico.

De acordo com o oceanógrafo Laurent Lebreton, da fundação holandesa The Ocean Cleanup, que desenvolve tecnologias para extrair a poluição plástica dos oceanos e realizou a pesquisa, a situação está pior a cada dia. “Encontramos uma quantidade impressionante e precisamos de medidas urgentes para acabar com o plástico que ocupa a Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, declarou, durante a divulgação da pesquisa. A pesquisa da Ocean Cleanup é considerada uma das maiores realizadas até hoje para avaliar a extensão da Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Para fazer o trabalho, os pesquisadores contaram com o apoio de 30 navios, várias aeronaves e imagens tridimensionais obtidas do alto e na superfície. Além disso, 1,2 milhão de amostras foram coletadas. Desse total, selecionaram-se 50 itens com data de fabricação legível. Verificou-se que havia plástico de 1977, sete itens da década de 1980, 17 da década de 1990, 24 da década de 2000 e um de 2010.

Está claro que muitos países andam descartando lixo no mar de forma sistemática. Um mergulho na região mostra claramente isso.

Esses pneus não podem ser fruto do acaso.

Segundo a pesquisadora Daniela Gadens Zanetti, que faz pós-graduação em oceanografia com ênfase em microplásticos na Universidade Federal de Santa Catariana (UFSC), essas partículas estão presentes em todos os habitats marinhos, desde a superfície oceânica até o fundo do mar, e estão disponíveis para todos os níveis da cadeia alimentar, dos produtores primários aos superiores. “Um relatório de 2016 da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 800 espécies marinhas e costeiras são afetadas pela ingestão desses plásticos”, diz. “Além disso, esses resíduos têm um efeito adverso nas indústrias de pesca, navegação e turismo. O relatório da ONU avalia o custo da poluição causada por detritos marinhos em US$ 13 bilhões.”

Para o professor Sandro Donnini Mancini, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o problema do lixo de um modo geral é bem complexo e ainda sem solução. “Se mal conseguimos resolver o problema em cidades, imagine no mar”, afirma. “Apesar de todos os alertas, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, não creio que a situação esteja melhorando, embora tecnologias venham sendo desenvolvidas para tentar capturar e depois tirar o material dali. A imensidão do oceano torna isso bem difícil, quase um sonho mesmo. Mais do que em qualquer lugar, o ideal é não sujar os mares.”

O Brasil e o lixo plástico

Estamos bem feios na foto, a verdade é essa. Dados de uma pesquisa do WWF, mostram que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. O país também é um dos menos recicla este tipo de lixo: apenas 1,2% é reciclado, ou seja, 145.043 toneladas.

Os dados foram publicados no estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês). O relatório “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” foi apresentado na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4).

Veja os números:

  • Brasil produz 11.355.220 milhões de toneladas de lixo plástico por ano
  • Cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana
  • Somente 145.043 toneladas de lixo plástico são recicladas
  • 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular
  • 7,7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários
  • Mais de 1 milhão de toneladas não é recolhida no país

 

O Brasil é um dos países que menos recicla no mundo ficando atrás de Yêmen e Síria e bem abaixo da média mundial que é de 9%. Dentre os maiores produtores de lixo plástico, é o que menos recicla.

Diante desses resultados, não é de se estranhar que o Brasil ocupe a 16a posição no ranking dos países mais poluidores dos mares, segundo um estudo realizado por pesquisadores americanos e divulgado em 2015. Eles estimaram a quantidade de resíduos sólidos de origem terrestre que entram nos oceanos em países costeiros de todo o mundo. Aqui, todos os anos são lançados nas praias entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plásticos descartados. Para Sandra, o Brasil é um grande poluidor porque não há educação, conscientização, sensibilização, legislação, orientação e punição no que diz respeito ao lançamento de resíduos no oceano. “Somos todos omissos e culpados, população e Estado”, conclui.

Em paralelo, o Brasil é um dos países emergentes com a maior demanda habitacional e com necessidades imperativas de saneamento básico e pavimentação.

Muitos brasileiros moram em barracos improvisados. A demanda habitacional é crescente, sobretudo nos extratos mais carentes da sociedade, onde há miséria e subdesenvolvimento.

Demanda Habitacional crescente

O crescimento da população brasileira e a formação de novas famílias deve gerar uma demanda para mais 30,7 milhões de novos domicílios até 2030. Isso é o que mostra estudo realizado pelo economista Robson Gonçalves, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a pedido da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O levantamento faz projeções a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses 30,7 milhões de moradias necessárias para atender a demanda que vai surgir a partir do crescimento demográfico na próxima década, 14,4 milhões (46,9%) estarão concentrados na população com renda média, entre três e dez salários mínimos. A segunda maior demanda – 13,0 milhões (42,3%) – virá da população de baixa renda, que recebe até três salários mínimos. Já a menor demanda – 3,3 milhões (10,7%) – terá origem no extrato social mais rico, com famílias que ganham mais de 10 salários mínimos.

Povo pobre e ignorante

Para Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil, os entraves no país para uma taxa mais alta de reciclagem e descarte correto do lixo são muitos e passam por diferentes fatores:

“Se a gente pensar que nem saneamento básico chegou para todo mundo, imagina a reciclagem. Tem também a falta de estrutura para fazer coleta seletiva em larga escala e a questão da educação ambiental de fazer a separação do lixo. E falta também uma conscientização por parte das empresas de que elas precisam ser responsáveis pelo produto durante todo o ciclo de vida”.

 

A demanda por pavimentação no Brasil também e crescente, sobretudo em cidades do interior e nas regiões de periferia dos grandes centros urbanos.

A realidade de muitas “ruas” do Brasil

Diante desse panorama deprimente, é um vento leve de esperança a ideia de que maquinas simples possam prensar plástico recolhido na natureza e converter em algo que possa se materializar num benefício social. Tijolos de pavimentação e de construção feitos com esse lixo podem contribuir muito para um futuro melhor, mas é preciso sair dos experimentos que geram noticias de dois minutos no “Globo Ecologia” plaquinhas e tapinhas nas costas, para atitudes de peso. è preciso que o problema seja atacado numa frente ampla, com maciço investimento e escalas de produção de grande porte.
Tijolo é legal é tal, mas se pensarmos bem, o tijolo é uma das partes mais baratas da construção civil hoje.  É preciso planos para ampliar essa produção de itens de plástico reciclado para que possamos começar a pagar esse passivo ambiental que levará séculos para ser quitado. Isso se um dia for.

 

 

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