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Fazia tempo que eu não praticava o delicioso esporte social de olhar o jornal alheio na lotação.
E dessa vez foi no metrô. Metrô lotado de oito horas da manhã. Seis estações a percorrer e meus olhos saíram passeando pelo meio de cabeças e figuras que formavam aquela paisagem bagunçada.

Eu tenho a estranha mania de olhar pras pessoas e ficar imaginando a voz delas. Olho uma gorda e penso: Ah, essa tem cara de que fala fino. Ou então uma nordestina. Nordestina eu quase sempre acerto a voz. Fico torcendo pra pessoa falar alguma coisa pra ver se eu acertei. Algumas vezes eu acerto, outras erro desgraçadamente e muitas vezes é engraçado, porque um cara que deveria ter a voz de Cid Moreira pode se revelar a maior taquara rachada.
Então eu tava olhando pro povo quando assim, sem mais nem menos, eu vi um jornal. O jornal do cara entrou bem na minha frente, e só o que eu consegui ver foi uma chamada:
Julgamento de Suzane Hoje!
Porra, neguinho tá fazendo um circo do caramba em cima dessa menina babaca. Assassina, ré confessa, e quer mais o quê, malandro? Xilindró e pronto. Parece que o advogado vai alegar que ela perdeu a virgindade com o namorado. Curioso, quando não tem solução o advogado apela para a pagação de mico.
Ora, o meu carro é vermelho. E daí?
E daí que a assassina perdeu a virgindade com o namorado? Queria o que? Que ela perdesse a virgindade com os pais?
Parece sabe o que? O gambá.

Quando o gambá tá acuado, vai morrer, tá ferradão mesmo, sabe o que ele faz? Planta bananeira! Isso mesmo. Fica de cabeça pra baixo.
Parece que o advogado da Suzanne vai dar de gambá no julgamento. Nesse caso, até vale a pena assistir.

Ouvi dizer que assistir ao julgamento é mais difícil que passar em medicina na USP. Puts cara, é muita vontade de ver o circo pegar fogo do brasileiro, né?

Mas em baixo da notícia tinha lá uma chamada que é o tema deste post:

MULHER CASA COM ANIMAL. CERIMÔNIA TERÁ CENTENAS DE CONVIDADOS.

Ai que vontade maldita de ler a notícia. Aposto que isso vai ser na índia. Esse tipo de aberração costuma ser na índia.

Acabou que o cara sacou que eu estava filando o jornal dele e como se fosse coisa que tira pedaço, fechou logo pra eu não ver. Fiquei puto. Mas aí imaginei a voz que ele tinha e segui feliz para meu serviço.

Olhando de soslaio

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4 ideias sobre “Olhando de soslaio

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