Zoím – Uma rápida reflexão sobre zoar o Cerveró

Eu estava num aniversário do filho de um amigo meu quando numa conversa com pais e parentes do garoto, surgiu o papo da corrupção na Petrobrás. O assunto surge o tempo todo, não há como escapar da nossa tendência fatal ao monotema.

As taxas de corrupção no Brasil são tamanhas que criou-se o termo cleptocracia para designar os tempos em que vivemos. Eu não vou me alongar nos aspectos da corrupção em si, porque todo mundo sabe como é esta que é uma das piores, e talvez a nossa pior mazela de todas, já que o dinheiro que vai para a corrupção não reverte em benefício público, gerando toda sorte de problemas sociais que culmina, claro, na morte.
O aumento de violência desencana na morte, a falta de médicos e hospitais, equipamentos e manutenção, compra de medicamentos, tudo isso que vira um problemão por falta de verbas, desencana em óbitos de inocentes. A falta de manutenção nas estradas por falta de verba desencana a e aumento nos acidentes, e tragédias, com desabamentos, etc.

A corrupção é a pior coisa que tem? Não sei dizer se é a pior de todas, mas está lá, nas cabeças com o que de pior uma pessoa (física ou jurídica) e um governo poderiam fazer contra seus patrões, o povo.

É estupidez dizer que a corrupção do Brasil é uma herança do PT. Já vi gente alegando que o PT devia mudar o nome da legenda para PC (partido dos corruptos). Mas isso é um misto de idiotoce com desconhecimento histórico, afinal a corrupção brasileira vem dos tempos de Dom João VI.

De fato, há corruptos no PT, e isso é óbvio. É utopia pensar num partido sem canalhas, sobretudo porque o Brasileiro, em grande parte é tolerante com a corrupção e é claro que um partido formado por brasileiros vai ter essa ingrata marca lá na sua gênese.

O PT está no governo há muito tempo, e muito tempo no poder significa, claro, que todos os mecanismos de gerenciamento de influências e potenciais espaços de corrupção já estão bem sedimentados. As pessoas que lucram, o corrupto e o corruptor já se conhecem há muitos anos e é aí que mora o perigo.

Com muito mais tempo no poder, seria estranho é se houvesse menos casos de corrupção. A qualidade de um país não deveria ser medida pelo numero total de casos de corrupção apurados mas pelo desfecho que esse tipo de pratica descoberta produz. Não é a corrupção em si o grande mal. O grande mal é a impunidade, é a influência e o poder protegendo ações deletérias, é o atestado que se passa de que dependendo de quem você é amigo, “não dá em nada”, “acaba em pizza”, e pior, cristaliza-se o conceito de que no Brasil existem e podem existir pessoas “blindadas”.

Todos os partidos que governaram o Brasil (inclusive o triunvirato dos militares) roubaram pra caralho!

Temos mecanismos deficientes que dificultam a transparência e permitem obstruções nas investigações de crimes de grande porte. Enquanto isso não mudar, pode colocar o político que for que vamos ter ordenha do dinheiro público.

Mas eu tava lá no aniversário entre uma bolinha de queijo e uma cerveja, quando alguém citou que “o perigo para Dilma, Lula e a corriola do poder Federal era o Zoínho”.

Custei a entender de quem estavam falando, pensando que talvez fosse um novo nome no longo rol dos empreiteiros envolvidos nos escândalos. Mas quando todos deram risadas do nome, me liguei que estavam falando do Nestor Cerveró.

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Enfiado até o pescoço em denuncias de corrupção, e denunciado pelo Ministério Publico Federal, estima-se que Cerveró tenha ganhado uma nota preta com seus atos pouco ilibados na diretoria da Petrobrás.

De acordo com a denúncia do MPF, em 2006, o então diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o lobista e operador financeiro Fernando Soares acertaram com Julio Camargo o pagamento de vantagens indevidas no valor aproximado de US$ 15 milhões (R$ 39 milhões) para que fosse viabilizada a contratação, pela Petrobras, do Navio-Sonda Petrobras 100000 com o estaleiro Samsung Heavy Industries no valor de US$ 586 milhões (R$ 1,5 bilhão). O navio seria utilizado para perfuração de águas profundas na África. Após as negociações, e confirmada a promessa de pagamento da propina, Cerveró adotou as providências necessárias, no âmbito da diretoria internacional, para que a contratação do navio-sonda fosse efetivada. A partir de então, Fernando Soares passou a receber a propina combinada e, em seguida, a repassar uma parte dos valores para Cerveró.

O MPF diz, na deúncia, que o esquema se repetiu de forma praticamente idêntica no ano seguinte. Nessa nova oportunidade, contudo, foi acertado entre Cerveró, Baiano e Camargo o pagamento de propinas no valor aproximado de US$ 25 milhões (R$ 65 milhões) para a viabilização da contratação do Navio-sonda Vitoria 10000, que operaria no Golfo o México, com o estaleiro Samsung Heavy. Tal contratação foi estimada em US$ 616 milhões (R$ 1,6 bilhão).

Além dos US$ 40 milhões (R$ 104 milhões) que seriam repassados, a título de propina, para Fernando Soares e Nestor Cerveró, Júlio Camargo receberia da Samsung outros US$ 13 milhões (R$ 33,8 milhões) por ter viabilizado os negócios. fonte

Quando ele foi pego tentando fugir do País, ficou quase que cristalina seu reconhecimento de “culpa no cartório”, complicando ainda mais sua defesa.
Agora, às vésperas do Carnaval, surge a notícia de que Cerveró irá processar todas as empresas que fizerem mascaras de carnaval com o rosto dele e sua má formação evidente, que provavelmente é produto de duas doenças combinadas, a Exoftalmia e Ptose.

Cerveró seria somente mais um diretor de empresa envolvido em corrupção que rapidamente seria esquecido quando um novo escândalo se tornasse manchete generalizada no país, com nossa tradicional mídia viciada em gerar hypes para vender a alavancagem.  Mas como ele tem uma má formação facial que o identifica com facilidade, ele tem contra si um misto de questões, como a raiva pública por estar roubando a maior empresa do Brasil, (logo, todos os brasileiros) e outra, sendo essa de ordem ancestral e que me interessa: O medo da imperfeição física.

O medo das imperfeições físicas está  atrelado à condição humana desde sua gênese e podemos ver isso claramente em diversos aspectos históricos e sociais ao longo das eras, remontando até aos dias em que a humanidade surgiu pelo planeta. Quando uma criança nasce com deficiência nas tribos de Índios, elas são enterradas vivas. isso também ocorre com Gêmeos e com crianças com problemas mentais, uma ocorrência relativamente grande causada pela falta de oxigênio durante o parto. Os índios, vendidos para o povo como “o bom selvagem” não é tão bom assim quando um membro da tribo não é perfeito. O bebê é morto logo ao nascer caso apresente defeito físico aparente e é morto tão logo se percebe que tem retardo mental.

Assassinar crianças imperfeitas não é prerrogativa dos índios, claro. Os Gregos também faziam isso. Jogavam os bebês com má formação do alto de montanhas, no mar, enfim. Do ponto de vista animal (onde o homem, por menos que gostemos disso) é um bicho, e tal qual os animais em geral que abandonam o filhote para a morte tão logo detectam algum sinal de imperfeição genética no bichinho, nós também nos livrávamos rapidamente de todos os que tinham algum “defeito de nascença” do mesmo modo que as indústrias se livram dos produtos com defeito de fabricação.

A eliminação dos doentes e deficientes atende a um comportamento que pode ser em parte instintivo das espécies, para evitarem mutações que desestruturariam sua condição. Os seres vivos estão programados geneticamente para buscar parceiros saudáveis. E é em parte por isso, que está gravado lá no mais baixo nível das instruções cerebrais que as mulheres passam batom, fazem maquiagem nos olhos e usam sutiã com enchimento, por exemplo. É a necessidade de informar aos parceiros potenciais que esta é uma criatura saudável, perfeita para a procriação, capaz de gerar descendentes de boa compleição física. Assim, enquanto por um lado a humanidade busca cada vez mais uma aparência sadia, quem não se enquadra no molde está literalmente, ferrado.
Ao longo da História humana, isso vai aparecer de diferentes maneiras.

Já em Roma, as crianças recém nascidas tinham direitos, “mas só até a página dois”.

No Direito Romano havia leis que se referiam ao reconhecimento dos direitos de um recém-nascido e em que circunstâncias esses direitos deveriam ser garantidos ou poderiam ser negados. Dentre as condições para a negação do direito, a ausência da chamada “vitalidade” e distorções da forma humana eram as principais. Os bebês nascidos antes do 7º. mês de gestação e os que apresentavam sinais daquilo que os romanos chamavam de “monstruosidade”, não tinham condições básicas de capacidade de direito. Ao que parece, a solução encontrada pelas leis romanas, se dava na interpretação da Lei das Doze Tábuas, que naquelas épocas não contava com uma medicina-ciência ao seu lado, e advinha de uma Lei Régia atribuída ao fundador de Roma, Rômulo, nos primórdios da vida formal da cidade.
De acordo com ela, estava proibida a morte intencional de qualquer criança abaixo de três anos de idade, exceto no caso dela ter nascido mutilada, ou se fosse considerada como monstruosa.
Sêneca (Lucius Annaeus Sêneca – 4 A.C. a 65 C.D.) comenta, em sua obra “De Ira”, que os recém-nascidos com deformidades físicas deveriam ser mortos no próprio momento do parto, por afogamento.

Ao longo da história, as pessoas que estivessem na categoria “monstruosa” deveriam morrer.

Foi graças aos avanços da Medicina, e a compreensão do mundo e reflexões mais filosóficas acerca da separação de corpo e alma que a coisa começou a melhorar para os “monstruosos”. O próprio Sêneca deu indícios dessa mudança.

Sêneca escreveu mais de 100 cartas a seu amigo Lucilius. Numa delas, ele analisa o problema das deficiências físicas de natureza mais séria e os valores espirituais existentes nas pessoas que viviam nessas situações. Fala especificamente de Claranus, um ex-colega seu de escola, marcadamente doentio e disforme. Escreveu Sêneca a Lucilius:

(Carta LXVI) “Eu acabo de encontrar meu ex-colega de escola Claranus pela primeira vez em muitos anos. Não é preciso que me diga que ele está mais velho, mas eu lhe digo que eu o encontrei vigoroso em espírito e firme, apesar de estar lutando com um corpo frágil e fraco. Porque a Natureza agiu injustamente quando deu um domicílio pobre para uma alma tão rara; ou talvez porque Ela queira nos provar que uma mente forte pode ser feliz escondida sob qualquer forma exterior. Seja o que for, Claranus supera todas as dificuldades e, por menosprezar o próprio corpo, chegou a um estágio onde ele pode menosprezar outras coisas também”… …”De qualquer modo, comecei a olhar Claranus de uma forma diferente. Ele me parece simpático e está bem de corpo e de alma. Um grande homem pode surgir numa choupana; da mesma forma que uma alma bonita e grandiosa pode surgir num corpo feio e insignificante”. […] “Eu acho que Claranus foi feito como um padrão, a fim de que possamos entender que uma alma não fica desfigurada pela feiura de um corpo, mas, pelo contrário, um corpo pode ser embelezado pela graça da alma”.
(“Cartas a Lucílius”, de Sêneca). fonte

Note aí uma mudança de postura de Lucius Annaeus Sêneca. É impossível também não mencionar o próprio Jesus Cristo, (que mesmo sob alegações de que ele poderia ser uma figura alegórica ficcional e não uma pessoa física embora isso possa ser questionado por alguns poucos documentos romanos que parecem o citar) independentemente de ter sido real ou personagem, é um Vulto histórico de grande influência planetária, e que tratou os deficientes e doentes, os proscritos com um amor que era realmente revolucionário nas primeiras décadas do calendário Cristão.

Jesus realmente deu uma “força”. Foi graças a influência cristã e seus princípios de caridade e amor ao próximo contribuíram, em particular a partir do século IV, para a criação de hospitais voltados para o atendimento dos pobres e marginalizados, dentre os quais indivíduos com algum tipo de deficiência. O concílio da Calcedônia (em 451) aprovou a diretriz que determinava expressamente aos bispos e outros párocos a responsabilidade de organizar e prestar assistência aos pobres e enfermos das suas comunidades. Desta forma, foram criadas instituições de caridade e auxílio em diferentes regiões, como o hospital para pobres e incapazes na cidade de Lyon, construído pelo rei franco Childebert em 542. Ao mesmo tempo em que avança um tratamento, ao menos, caridoso em relação aos deficientes, a Igreja Católica continuava reafirmando a impossibilidade de que eles atuassem como padres.

Depois, já na Idade Média, entre os séculos V e XV, encontra-se informações e registros sobre as pessoas com deficiência. Continuaram a existir, na maioria das vezes controlados e mantidos por senhores feudais, locais para o atendimento de doentes e deficientes. As referências históricas enfatizam, porém, o predomínio de concepções místicas, mágicas e misteriosas sobre a população com deficiência. Além disso, é preciso lembrar que o crescimento dos aglomerados urbanos ao longo desse período criou dificuldades para a manutenção de patamares aceitáveis de higiene e saúde. Durante muitos séculos, os habitantes das cidades medievais viveram sob a permanente ameaça das epidemias ou doenças mais sérias.
É na Idade média que começa a surgir um aspecto que passou a acompanhar os deficientes desde então, chegando até os dias atuais: O preconceito.

As incapacidades físicas, os sérios problemas mentais e as malformações congênitas eram considerados, quase sempre, como sinais da ira divina, taxados como “castigo de Deus”. A própria Igreja Católica adota comportamentos discriminatórios e de perseguição, substituindo a caridade pela rejeição àqueles que fugiam de um “padrão de normalidade”, seja pelo aspecto físico ou por defenderem crenças alternativas, em particular no período da Inquisição nos séculos XI e XII. A Hanseníase (lepra), peste bubônica (peste negra), difteria e outros males, muitas vezes incapacitantes, disseminaram-se pela Europa Medieval. Muitas pessoas que conseguiram sobreviver, mas com sérias sequelas, passaram o resto dos seus dias em situações de extrema privação e quase que na absoluta marginalidade.
Ao ver que seu filho tinha deformidades, era comum que as crianças fossem abandonadas na “Roda”, um local de acolhida para os filhos rejeitados, que poderiam ser doentes, franzinos, deformados e até mesmo filhos de relações extraconjugais dos nobres com suas servas. Geralmente, esses abandonados eram mantidos reclusos da sociedade por toda sua vida.

Um reflexo desse período é o personagem Quasímodo, personagem do livro “Notre-Dame de Paris” (1831), de Victor Hugo, retrata um deficiente que mora escondido na torre da Igreja.

Quasímodo
Quasímodo

Inoivando ao apresentar uma pessoa com deformidades que era um ser de alma pura e agradável, o livro foi o maior sucesso de Victor Hugo.

Saltando no tempo, chegaremos no século XIX, onde podemos ver mudanças mais significativas aos portadores de deficiência. Nos EUA, já em 1811, foram tomadas providências para garantir moradia e alimentação a marinheiros ou fuzileiros navais que viessem a adquirir limitações físicas. Assim, desde cedo, estabeleceu-se uma atenção específica para pessoas com deficiência nos EUA, em especial para os “veteranos” de guerras ou outros conflitos militares. Depois da Guerra Civil norte-americana, foi construído, na Filadélfia, em 1867, o Lar Nacional para Soldados Voluntários Deficientes, que posteriormente teria outras unidades.

A deficiência espetacularizada no século XX
A deficiência espetacularizada no século XX

Na virada do século XX, pessoas com defeitos congênitos bizarros eram empregadas em circos de aberrações, conhecidos como “Freakshows” que viajavam pelos países atraindo a curiosidades de toda sorte de pessoas, que viam aqueles indivíduos deformados com um misto de horror e espanto, acreditando inclusive em lendas e misticismo criado para vendê-los como grandes atrações. Os circos pegavam carona na ignorância permanente das pessoas para mostrar “filhos de homens e macacos”, “homens peixe”, “homens lagarta” e etc. OS freakshows duraram até a década de 70.
Talvez o mais famoso dos personagens de Freakshows seja o “homem elefante”.

Este deficiente se tornou célebre pelo filme “O homem elefante” de David Lynch, mas muitos que assistiram não se ligaram que Joseph Merrik (1862-1890) foi uma pessoa de verdade. Merrik foi descoberto num freakshow sendo vendido ao povo como “homem elefante”, onde chegava a ser apedrejado por crianças, como se fossem meio-homem, meio-animal.

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Nos século XXI, os deficientes tem direitos e não são mais mortos ao nascer (tirando-se as sociedades primitivas) mas muitos ainda são abandonados como na Europa Medieval.

O que parece não ter mudado é o escárnio do diferente. Embora não matemos mais as pessoas consideradas “imperfeitas e desagradáveis”, ainda tratamo-nas com preconceito. O preconceito é tão grande que em pleno século XXI, o tratamento digno dedicado pelo Papa a um desses proscritos sociais é vendido pelo mundo como uma propaganda de sua humildade.

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Se causa espanto que o Papa toque e abençoe um homem desfigurado pela doença, isso é um reflexo de quão arraigada está a tendência de extirpar essas pessoas que sofrem do seio da sociedade.

Segundo o Ministério Público, Nestor Cerveró é um criminoso que fez parte de uma quadrilha dedicada a retirar dinheiro da maior empresa do Brasil. Isso o torna uma figura socialmente abjeta, mas não vi o mesmo entusiasmo em apedrejar nos outros integrantes do mesmo crime. Pessoas fazem sátiras, fazem piadas com os olhos de Cerveró, e alegam que “por ele ser ladrão ele merece o escárnio público”. Chamam-no de quasímodo, zoím e outros nomes e apelidos.

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As pessoas acham graça sem imaginar como deverá se sentir uma pessoa que tenha nascido com a mesma deformidade ao ver toda essa zoeira. Ao alegar que ele é ladrão e merece, as pessoas que fazem este tipo de piada não se dão conta que repetem um padrão da antiguidade e que estão atacando o homem, por pior que seus atos tenham sido, pela única coisa no universo pelo qual ele não tem culpa.

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45 comentários em “Zoím – Uma rápida reflexão sobre zoar o Cerveró”

  1. A feiura moral do Cerveró é muito pior do que a física. Com relação à corrupção, ela nunca será extirpada, mas o melhor meio de combatê-la (por mais que os esquerdistas digam o contrário) é a redução do estado, seja por meio da federalização, privatização de estatais, etc. Afinal, com menos tetas, menos gente pra mamar.

        • DIego, privatizar uma empresa estatal só muda o nome de corrupção estatal para corrupção privada. Privatização não é solução para nenhum problema. Os donos e gerentes das empresas publicas continuarão roubando da mesma forma, ficando inclusive, mais fácil, pois é possível demitir um funcionário e esconder a sujeira debaixo do tapete. Os escandalos só ficam menores.

          • Fernando, concordo que haja corrupção nas empresas privadas. A diferença é que uma empresa privada que se envolva em corrupção perde credibilidade de investidores, do qual depende para sobreviver. Uma empresa que dá prejuízo vai à falência. Com uma estatal não acontece nada, com o agravante de o dinheiro roubado ser o NOSSO.

          • E um pouco fora do assunto corrupção, em certos setores, o setor privado pode nos oferecer serviços com maior eficiência e, acredite, por menor preço. Não sei se você se lembra da Telebrás, estatal que era responsável pela telefonia. Adquirir uma linha telefônica era caríssimo! Hoje qualquer um tem celular.

          • É um bom exemplo, Diego, mas esse conceito da privatização não serve para tudo. Eu sou a favor do estado mais enxuto e organizado, mas como os canalhas montam seus esquemas de jogo de poder no Brasil é foda.

        • Por acaso a corrupção só existe dentro do estado? Ela não só existe dentro dele, mas também fora (grandes corporações) e este tipo de corrupção pode ser até tão prejudicial quanto a do estado e de seus integrantes, portanto, seria uma medida paliativa. A melhor solução seria a formação de cidadãos com senso crítico e com participação ativa na política do país, para fiscalizar esses casos e outros.

        • Só acho ridículo como está se espalhando essa ideia de “estado mínimo” pela população, como se praticamente desse todo o poder para as corporações (do jeito que vocês mencionam), sério, além de ser ingênuo achar que essas corporações não tem nada a ver com a corrupção de nosso país (pif), é ridículo achar quer nos tratariam melhor do que um governo de uma república democrática. Se o governo, que tem a prerrogativa de cuidar de seus cidadãos e atender aos seus interesses, e quase não faz isso (pelo menos no nosso país), imagine então um empresa que tem como único intuito o lucro?

          • Leonardo, em momento algum eu preguei estado mínimo. Mas o fato é que atualmente nosso estado é um paquiderme enorme, um leviatã que pouco faz além de querer cuidar da vida de todos enquanto pouco cumpre seu dever, onerando a população com impostos escandinavos e devolvendo serviços sub-saarianos. Talvez eu tenha me expressado mal, a redução do estado é UMA das soluções possíveis e uma medida fundamental, na minha opinião.

          • NO meu ponto de vista não tem saída senão a redução maciça dos maus gastos do nosso belo e incompetente Estado. Mas como que os políticos vão cortar a própria boquinha? Enquanto discutimos isso, as mulheres dos deputados federais – que, note, NÃO TRABALHAM PARA O BRASIL – apenas são as esposas das nossas Excelências estão reunidas em Brasilia pleitando passagens aéreas grátis para elas às nossas custas.

          • Privatizar não é a melhor solução. Aliás, empresas de certos setores nem o deviam ter sido. Conheço os dois lados do discurso muito bem, e ainda tenho dupla formação acadêmica e o melhor, tempo livre. E ainda assim é difícil achar alguém pra argumentar em alto nível.
            Então irei facilitar (não me xinguem), GROSSO MODO:
            O que há muito querem insistentemente te vender é uma tal concorrência (fictícia) de mercado nestes setores. E na PRÁTICA (mundo real, alô) o RESULTADO PRÁTICO é que acaba se tendo zero investimento em infra-estrutura (e outros setores) no país em detrimento do LUCRO (esse sim, o senhor do mercado).
            Ah, mas é cabide de emprego… Ah, mas vai receber mais imposto… Ah, mas a bola da vez é a corrupção na Petrobrás… (aliás desproporcionalmente em foco, se querem saber).
            Ué, mas e quando falam de falta d’água é sempre num tom positivo dando esperança, ou de isenção de culpa, ou deixando no ar para culpar outra esfera, etc…
            É… então ao cidadão lhe resta a mono informação, pra quem não tem tempo, pois a maioria “trabalha”…
            Contrariamente, meu trabalho me permite ter mais tempo livre também, ainda bem… e também não sou dono de verdade alguma.
            Agora, então vamos ficar sem água (por anos) e pagando a maior conta de telefone do mundo (por anos), nem vou me alongar mais, pois o assunto se perde de vista, e sequestraria o post…

            Cuidado com a MONO INFORMAÇÃO. Mesmo sobre corrupção. É isso.

          • Isso é a pura verdade. Só se justifica privatizar um serviço, quando se tem livre competição pelo mercado, de modo que a população saia ganhando com a concorrência, como é, por exemplo, na TV à cabo. Agora se vc privatiza uma parada que ainda é um monopólio você só deixa um grupo que é rico, ainda mais rico.
            Meus pais me contaram que na Alemanha, quando vc muda para uma casa, as empresas te ligam com altas propostas para vc aderir ao serviço delas, e isso em TUDO, inclusive energia elétrica. Aqui, mesmo sendo privadas as companhias tem monopólio por área. Assim, se falta luz corriqueiramente na minha casa eu só posso ficar puto e fazer novena para a Ampla resolver melhorar meu serviço. Na cidade que minha mãe morou ela podia escolher entre três fornecedores de energia, qual dava mais vantagem. Chega a ser patético comparar Brasil e seus serviços precários à peso de ouro com os da Alemanha.

          • Deveriam (corrigindo), putz.
            obs: Não tem como editar comentários e a velocidade da digitação me prejudica
            Apenas fico imaginando o Philipe, que parece ser NINJA nisso, pois escreve e forma excelente e incrivelmente prolífica.

          • É ÓBVIO que o problema não é apenas pagar conta de telefone alta (essa é uma das menores preocupações já vou avisando, raios)… mas é um efeito bem palpável como a água. Apenas o fiz para evitar discutir as coisas mais importantes de fato, bem como as ideológicas, pois aí já viu… sem fim…

        • Concordo com um estado mais organizado e transparente, e por que não, mais enxuto. Agora, existe uma decepção tão grande com o a máquina estatal que confunde-se que o setor privado é o retiro dos bem intencionados. Não é bem assim.
          1 – Empresas privadas podem esconder e escondem (da mesma forma que estamos presenciado com o governo) caixas 2, relatórios de prejuízo, induções a investimentos errôneos e etc. que nem sonhamos que esteja acontecendo.
          2 – A lei de oferta e demanda existe, mas a manutenção da demanda não é apenas o bom produto (ou serviço). Na verdade o produto é o de menos nessa situação. Logo, a empresa não necessariamente precisa ser “boa” para sobreviver.
          3 – O dinheiro da iniciativa privada é de quem, senão de quem se serve dela – nós?

          • A diferença é que uma empresa privada ganha o dinheiro de quem QUER os serviços dela. Já a grana pública é dos nossos impostos que não temos a opção de “não querer pagar”.

  2. A corrupção sempre existiu. O caso é que agora temos mídia suficiente para expor isto. Mas não é nem metade do iceberg, já que o grande patrocinador da maioria dos canais/mídia é o governo e ele só deixa ser divulgado algo com permissão de alto escalão por alguma razão desconhecida…

    Imagina o que estes repórteres já descobriram lá e nunca saberemos porque não foi autorizado a divulgar ou mostrar.

  3. Enfim, algo bom de se ler sobre os acontecidos na Petrobras.

    Eu acho que esse escarnio ao Cerveró pega carona na grande campanha que estão usando a corrupção na Petrobras. Usar a deformidade do cara é só um tópico para deixar viva na cabeça do brasileiro o que está acontecendo… Virou um ícone, um “mascote” desse grande espetáculo que consome quase todo o Jornal nacional, paginas e paginas de jornais, capas e capas de revistas semanais. O mesmo espetáculo que eram exibidos nos circos de horrores como mencionou, Felipe. Só mudou a maneira como é mostrada. Notei que nas participacões de Cerveró em audiências ou depoimentos, um close bem sacana no rosto dele é explorado.
    Resta saber a quem ou a que serve toda esse show de mídia, incluindo a alçada de Cerveró e sua deformidade a mascote do petrolão (olha só, deram até nome ao esquema – bem marketeiro não?)

    ps: não sou pró PT. Menciono isso pq toda tentativa de querer analisar as coisas que acontecem no país, principalmente ligadas a politica e a midia massificada, de um outro ponto de vista, fora do óbvio, ou tentando achar um objetivo central (pq, claro, tudo o que rola em politica e mídia, tem objetivo, ou vc não vive nesse planeta…) te rotulam como petista, comunista, e bla bla bla… Complicado esmiuçar ideias com esse nivel de pensamento geral.
    Mas vai me dizer que aqueles que cobram sanidade na Petrobrás estão a favor do país ou do povo brasileiro? Ah ta…

    • O objetivo da mídia e de outros grupos é o mesmo do que foi tentado da eleição. Restando agora, impor através de outros meios (fora das urnas) quaisquer atitudes necessárias à troca de agenda de nosso país, e que preferencialmente atendam a interesses em discordancia com os vigentes.
      Foi uma eleição ideológica, acima de tudo, mas ao povo, tal consciência passou longe.
      Conspiracionista ? Não, nem de perto. Lembrando que a fomentação de ditaduras na América Latina não foi bem real e planejada. E o projeto de espionagem e intenções de agencias internacionais (NSA) são bem claros e pouco debatidos e lembrados.
      Aliás, pra somar um desvario meu (“utópico” sera?). E o tal Projeto Haarp, se a “utopia” fosse realidade… Não teria algo a ver com a seca… Um país sem recursos e diminuição de PIB, fica mais suscetível a manifestações, revoluções e tomadas de poder… Ah, mas é só um desvario…

  4. A impressão que fica é que “roubar todo mundo rouba, mas ser feio ou deformado é imperdoável”. É talvez por pura institucionalização deste hábito de rotular pelas aparências e não pela conduta moral que poucas pessoas neste país possuem o hábito de concatenar qualquer ideia mais elaborada sobre a lógica comportamental e a moralidade dos atos praticados por seus concidadãos.
    O que o Nestor fez, ao meu ver, deveria ser crime de traição à pátria, assim como todo e qualquer colarinho branco do governo que se deixa seduzir pela corrupção deveria também assim ter tido: um traidor da pátria, um párea que vendeu seu país e que, com isso, não deve mais ser aceito no seio da sociedade. Subestimamos a importância da gestão pública, e principalmente o que a diferencia das demais profissões: o compromisso com os interesses coletivos, e não com os privados.
    Mas o foda é ver que nada disso se torna objeto de discussão (exceto em lugares mais iluminados pela lucidez, como o MG), mas sim o olho caído do cara. Em verdade, muito do escárnio perde contato com a gênese da questão (a corrupção) para se tornar válvula de escape do prazer mórbido de muitos em expurgar a deficiência de um indivíduo. Talvez esta seja a saída natural para os anseios de uns que são castrados pelos freios da moral.
    Parabéns Philipe, mais um texto excelente.

  5. Figuras públicas são comumente referenciadas por uma característica marcante que as identifique, não necessariamente um defeito, congênito ou não. Há o dedinho do Lula, as ancas da Mulher Melancia, o nariz do Luciano Huck, os incisivos separados do Ronaldo etc. Não vejo essa prática como preconceituosa, e acho exagerada a comparação com os infanticídios de índios e gregos.

    Criminosos, em especial os corruptos, sempre foram retratados por caricaturas que fazem humor exacerbando esses traços, e nem por isso são consideradas preconceituosas, e no caso do Cerveró fica até difícil exacerbar aquilo que já é tão proeminente.

    Me parece que ele, seus familiares, e seus apoiadores, vão se abrigar nessa modinha do “politicamente correto”, vitimizando o algoz para limitar ou restringir a execração pública que um corrupto de seu porte merece.

    Quanto ao caso da corrupção na Petrobrás, lembro que o Fernando Collor caiu por muito menos que isso!

    • “Quanto ao caso da corrupção na Petrobrás, lembro que o Fernando Collor caiu por muito menos que isso!”

      Eu já pensei nisso também, Joseph. Um país sério teria mandado essa galera do petrolão pro xilindró ha um bom tempo.

  6. “estão atacando o homem, por pior que seus atos tenham sido, pela única coisa no universo pelo qual ele não tem culpa.”.

    E esse tipo de ataque é completamente inútil, pois não vai fazer a grana roubada voltar para o bolso dos que foram roubados.

    Isso me lembra que também ficam atacando a Graça Foster também por questões estéticas ao invés de se focarem nas questões éticas.

  7. Concordo: ele deve ser criticado pelo mau-carater que é, nunca por suas caracteristicas fisicas.

    Fico muito indignada como as cidades, mesmo na Europa, tem pouca acessibilidade. Como as familias escondem seus doebtes fisicos (os mentais, nem se fala!). Onde estao os milhares de deficientes viisuais, cadeirantes, etc? Alguém aqui ja trabalhou com um deficiente? Eu nunca.

    —————

    Uma das fotos acima é do filme Freaks, de 1932. Um otimo filme que faz muito pensar (e muito pensar em como a industria de filmes se vendeu, como sabia polemizar).

    • Na ultima vez que fui a Europa eu rodei, rodei, rodei pra caralho e não vi NEM UM cadeirante. Não sei onde eles escondem essa galera. Mas eu sei que rola umas bolsas para famílias que tem filhos descapacitados (como eles chamam)

  8. Se a sociedade é cruel com quem tem cor de pele, peso ou até personalidade fora do pardão (anos de bullying escolar como experiência), imagine com quem tem uma deficiência física ou mental. O ser humano pode descer ao mais baixo nível se tiver a chance e a motivação. E se fôssemos um país minimamente sério esse circo nem estaria acontecendo. As atenções ficariam centradas nos esquemas e desvios com Cerveró sendo a última coisa sobre a qual se falar. A cada vez que eu acho que o Brasil atingiu o fundo do poço…

  9. Nesse caso aí o camarada foi duplamente acachapado. E corre o risco de se generalizar e relacionar todas as pessoas portadoras de defeitos (faciais) fisicos à prática de más açoes. No final quem fica na berlinda não é a pessoa mas o personagem e “zoinho” vira sinônimo de corrupção e “mão-leve”.
    Lembro de uma zuação que fazíamos a cerca de um amigo que “puxava” de uma perna. Tinha um amigo que dizia que DEUS o havia marcado para ver lá do céu quando ele estivesse “andando fora da linha”.

  10. Obrigada Phil, vou imprimir seu post pra carregar na bolsa. Eu como esposa de petroleiro , não aguento mais ouvir este assunto. O povo só fala nisso, e de quebra sempre vem àquelas piadnhas sobre a idoneidade de meu marido. O que eu mando pra * mesmo a armo o barraco. Agora o que nos diexa putos de fato, é o cara ter um grana violenta dessa e nem operar o olho com excesso de gordura, qualquer convenio opera, inclusive o nosso… :p

    • Pode não ser necessariamente gordura. Pelo que li existem outras doenças que dão o mesmo resultado do olho cair. Uma delas é um tumor cerebral que dá em criança pequena que empurra o olho fora da órbita. Com o tempo, o tumor some, mas o defeito permanece. Muitas vezes mexer ali pode só piorar a situação.

  11. O Brasil não tem solução cara, todo mundo aqui quer as coisas só pra si, todo mundo tenta passar a perna um no outro pra conseguir suas coisas, sempre tem um jeitinho pra tudo, sabe por que? porque isso é cultural, somos iguais os primeiros colonizadores, chegaram, tiraram o máximo de riqueza que conseguiram, depois foram aproveitar a vida com a grana acumulada, a lei do mínimo esforço, foi desse jeito que fizeram os portugueses e assim temos isso como cultura! Agora eu te pergunto, com a exploração de 300 anos de Portugal sobre o Brasil, hoje, Portugal não tem 20% da riqueza do estado mais pobre do Brasil! e mais a isso acrescenta-se que tudo é reflexo de um povo que aceita tudo calado e vota em pilantra!

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